Capítulo 25

Pov's Sesshoumaru.

Acordei com um barulho um pouco alto, mas não era nada demais, parecia que alguém tinha derrubado algo naquele cômodo onde comemos ontem. A cozinha diferente da era de Kagome... A mulher se remexeu ao meu lado se virando de costas para mim. Kagome tinha um sono profundo, e dormia de forma desleixada; agora mesmo ela está com a parte de cima da roupa toda enrolada, deixando as costas livre, dei um sorriso pequeno com isso, ela é tão infantil às vezes.

A cicatriz de Kagome estava à mostra agora, acabei passando a mão ali levemente; as coisas poderiam ter sido tão diferentes, se aquele bruxo tivesse conseguido fazer o que queria, Kagome não estaria mais aqui hoje... Esse pensamento não me agrada nem um pouco. Olhei-a melhor e percebi que ela ainda estava marcada, marcas feitas por mim. Eu escutei alguém mexendo na porta, tentando abri-la e pelo cheiro eram Rin e Shippou, levantei-me e abri a porta para eles. As duas crianças me fitaram envergonhadas e não sabiam se entravam ou não, eu os olhei esperando que entrassem, porém não se moviam. Dei passagem para elas que me dirigiram um sorriso nervoso e entraram no cômodo.

— Bom dia Senhor Sesshoumaru — Rin disse quando passou por mim, Shippou somente assentiu e também entrou. Shippou não se sentia a vontade na presença deste Sesshoumaru. Ambos usavam roupas diferentes também, a de Rin era igual à de Kagome e Shippou usava algo similar ao o que eu usava, mas ele tinha algo o cobrindo no peito, os dois de cabelos soltos e bagunçados, uma cena engraçada de se ver. Uma cena realmente familiar... Eu estava agora escorado na parede de braços cruzados, os olhando subir na cama para acordar Kagome. — Bom dia Kagome! — Rin disse quando pulou em cima dela, a assustando.

— Sua dorminhoca! — Shippou também havia pulado nela. Ela os abraçou e murmurou um bom dia, ainda sonolenta. As crianças a abraçavam de volta, sorrindo audivelmente.

— Acordaram cedo, não? — ela disse se esticando, tentando olhar alguma coisa — Não, definitivamente eu quem acordei tarde, 10h30min já?! — ela se sentou na cama com as crianças ainda em cima dela, as derrubando uma sobre a outra. Uma cena engraçada e me apetecia a vista — Vamos tomar café para sairmos? — ela disse os olhando com um sorriso amoroso. Ela mal acordou e já estava afoita.

— Sim! — eles disseram juntos e desceram da cama, com Kagome o fazendo logo em seguida, ela se espreguiçou quando ficou de pé e bocejou, me olhou em seguida e me dirigiu um sorriso.

— Bom dia, Sesshoumaru — ela disse quando passou por mim saindo do quarto com as crianças.

— Hm.

Eles se dirigiram até o banheiro e eu fiquei ali aguardando. Aproveitei para arrumar meu cabelo que estava levemente bagunçado, e eu queria algo para vestir sobre o peito, não há chances de eu sair daqui assim. Desencostei-me da parede e me sentei na cama, às coisas naquele local eram tão desconhecidas e diferentes para mim, eu queria olhar tudo, explorar, mas sabia se o fizesse estaria demonstrando minha curiosidade e isso era algo que eu não faria. Pelo menos, não quando eu poderia ser surpreendido.

— Podem ir descendo na frente crianças — a voz de Kagome se fez presente e logo ela entrava no quarto com algumas peças de roupa nas mãos — Pode usar isso daqui, minha mãe disse que eram as roupas que ela comprou pro meu pai e ele nunca usou — ela se calou e colocou as coisas na cama me dando as costas, seguindo até um pente em cima de uma mesa.

— Como ele morreu? — me vi perguntando antes mesmo de pensar na pergunta.

— Acidente — ela disse somente, mexendo naquela coisa grande. Ela não queria tocar no assunto e eu não iria insistir, peguei o que Kagome me deu e comecei a vestir, peças de roupa que eu nunca havia visto antes. Kagome se virou para mim quando eu estava terminando — Você fica bonito assim — ela disse dando um sorriso e tirando a roupa dela para se trocar, ela já havia separado o que iria vestir.

As marcas estavam mais visíveis agora, as costas vermelhas, as coxas levemente roxas e o bumbum dela também estava vermelho. Ela pareceu sentir meu olhar sobre ela, porém consegui desviar antes de ser pego – de novo. Ela se sentou na cama e terminou de se trocar, eu já havia vestido tudo o que ela havia me dado, mas ainda estava descalço... — Esse você coloca no pé e amarra — ela disse me estendendo uma espécie de sapato.

— Hm.

Ela me dirigiu um sorriso e me deu as costas de novo, passando a arrumar os cabelos. Logo quando ela terminou de se arrumar, descemos e ela foi comer o que a mãe dela havia preparado, as crianças já estavam comendo. Rin e Shippou também usavam as roupas desta era, estavam bonitos. — Que vestido bonito você está usando Kagome — a mãe dela disse quando apareceu por ali, então Rin também usava um vestido, a roupa das duas era parecida. — O vestido de Rin era o seu favorito na idade dela — ela acariciou os cabelos de Rin e se voltou para Shippou — Você fica muito bem com essas roupas Shippou, um jovenzinho lindo! — e sorriu para ele, por ultimo ela me olhou, me analisando. Eu estava apoiado na parede da cozinha — Você também fica bem com as roupas de nossa Era Sesshoumaru.

Eu somente assenti e ela sorriu, de novo. O que ela e Kagome têm que só ficam sorrindo?! — A proposito mãe, você contratou alguém para cuidar do templo? — Kagome perguntou curiosa, será que o templo estava sem cuidados?

— Ah, verdade! — ela disse batendo na cabeça — Um rapaz veio quando você desapareceu, ele é um bom moço, dedicado, muito difícil de encontrar hoje em dia — ela deu um sorriso — É muito amoroso e atencioso, disse que percebeu que o templo precisava de cuidados, e ele era um sacerdote — a mãe de Kagome deu de ombros — Eu não vi problemas, em vista que o templo estava ficando cada vez mais descuidado.

— Ele não está aqui? — ela perguntou enquanto comia o que a mãe dela havia preparado, assim como Rin e Shippou — Tem aquela casinha atrás do templo, que seria do sacerdote...

— Bem, Takao estava aí ontem um pouco antes de vocês chegarem... — esse nome, me parece familiar... — Ele deve estar no templo, depois que ele passou a cuidar dele, mais pessoas tem aparecido por aqui — a mãe de Kagome sorriu — Você vai amar conhece-lo, e ele é muito bonito!

Kagome sorriu envergonhada me lançando um olhar de canto — Bom, vamos agora? — Kagome disse quando se levantou da mesa — Eu fico com a próxima louça mãe — e sorriu dando uma piscada de olho. Sair sem Bakusaiga e Tenseiga era muito estranho, mas Kagome disse que aqui não havia youkais, por isso não preciso me preocupar.

Descemos as escadas do templo e logo uma movimentação estranha acontecia lá em baixo — Pessoas, como eu disse as coisas aqui são diferentes — ela disse segurando em minha mão o que me fez olhá-la, porém ela olhava para as crianças — Aquilo dali são os veículos, que se consiste em carros, motos, ônibus e por ai vai, vocês não vão entender mesmo, — Rin e Shippou prestavam total atenção nela, estávamos na metade das escadas — porém eles são dirigidos por humanos. As pessoas são humanos comuns, por isso ajam naturalmente ou o mais normal que conseguirem, finjam ser humanos — ela olhou para mim e Shippou, com uma cara séria — Certo? — ele assentiu e eu a olhei com a sobrancelha arqueada.

Voltamos a descer as escadas, mas Kagome nos parou de novo — Ah! — ela estralou os dedos — Seu rosto e sua calda — ela disse apontando para mim e Shippou novamente — Não podem sair assim, mas eu dou um jeito — ela disse piscando um dos olhos. Ela se concentrou e eu senti algo envolver meu rosto e logo sumir, a calda de Shippou já não era mais visível também — Estão com uma barreira que causará uma ilusão para as pessoas, eles os verão comum.

Shippou assentiu e correu para perto de Rin, que já nos aguardava na base da escadaria. — Para onde vamos Kagome? — Rin perguntou olhando tudo ao redor, afoita. Eu a compreendo era tudo muito diferente, tudo novo...

— Acho que o parque é um bom lugar para começarmos! — ela disse batendo palmas, e eu a olhei tentando entender... Melhor deixar para lá — É perto daqui, é na metade do caminho para o Shopping, podemos almoçar lá! — as crianças assentiram, porém aposto que elas queriam saber o que era shopping...

Kagome passou a seguir em uma direção e a seguimos, ela ia andando animada alguns passos a minha frente, segurando a mão de Rin e Shippou. Eles perguntavam uma coisa ou outra sobre as coisas ao redor, eles pareciam felizes. Mais a frente era possível ver muitas árvores, e haviam também muitas pessoas. Pessoas brincando, conversando ou somente olhando as coisas ao redor. — Sesshoumaru... — Kagome chamou minha atenção, eu a olhei e ela olhou para Rin e Shippou que se afastavam — Irei ficar com eles para não se perderem, pode se sentar em algum banco — ela se aproximou e me deu um leve roçar de lábios se afastando logo depois — Qualquer coisa, só ir até ali — e apontou para onde estaria. Seguindo na direção das crianças, eu me dirigi até um dos bancos que me permitia observá-los de longe.

Esse Sesshoumaru parou de olhá-los depois de um tempo e fechou os olhos, ficar olhando humanos não era meu passatempo favorito, por isso só os ignorei. Não sei quanto tempo se passou comigo de olhos fechados, mas eu os abri rapidamente quando senti aquele cheiro... Youkai. Porém Kagome me afirmou que eles não existiam nesta era, e mais ainda o cheiro não era forte, estava parecendo que estava diluído com algo... Olhei para o lado e havia um homem de cabelos pretos e curtos, sentado ao meu lado com uma coisa com escrituras estranhas aberto a sua frente, parecia lê-lo. Era dele que o cheiro vinha.

— Não precisa ficar hostil Sesshoumaru — ele disse ainda lendo aquela coisa, sem desviar o olhar. Como sabia meu nome? — Acaso não reconhece mais velhos conhecidos? — os olhos azuis escuros me fitaram divertidos.

— Não o conheço — eu disse olhando para Kagome, que ainda brincava com as crianças, sem perceber que eu conversava com um youkai. Eles então conseguem se esconder entre os humanos?

— Kagome é uma ótima mãe, não? — ele disse olhando na mesma direção que eu, a vendo com as crianças — Rin e Shippou a amam muito, não acha? — ele deu um sorriso aberto, os observando.

Eu o olhei friamente, quem é esse que conhece minha família tão bem? — Quem é você? — eu o olhei de canto de olho, irritado. Eu não estava a fim de descobrir quem era esse, porém ele parecia me conhecer muito bem.

— Vou deixar essa passar — ele disse dobrando aquela coisa — Ah, isso se chama jornal, você não deve saber o nome — o homem disse me estendendo o tal jornal que eu prontamente ignorei, queria saber quem ele é não o que era a coisa com escrituras estanhas — Certo, eu vou dizer... Eu sou o Kouga, lembra-se? Príncipe da tribo youkai do leste... — ele não me olhava, fitava Kagome com as crianças.

— Kouga... — eu disse olhando para o mesmo local que ele, Kagome estava sentada na grama, Rin fazia as suas costumeiras coroas de flores e Shippou as observava — Porque nunca encontrou com ela? — eu estava curioso... Será que esse Sesshoumaru também estava neste tempo?

— Porque isso interfere no passado... — ele disse voltando a olhar para o jornal, acho que para não atrair a atenção de Kagome, o abrindo como um escudo, para caso ela olhasse nessa direção. Eu não o olhava diretamente, somente o observava de canto de olho — Você não vai falar comigo do passado, diferente de Kagome que me contaria que eu estaria nessa época... — ele deu um suspiro — Meu pensamento poderia ser diferente e eu esperar até esse momento para tê-la — ele me olhou de canto de olho — Sabe que eu era apaixonado por ela... — deu de ombros — Porém, eu aprendi a amar Ayame e hoje não vivo sem ela. — ele ficou quieto, olhando fixamente para o jornal — Bem, Kagome logo vai notar minha presença aqui, por isso preciso ir agora.

— Entendo, como você se esconde? — eu disse antes que pudesse me conter, eu estava muito curioso. — Kagome afirmou que não existiam youkais na era dela — eu disse olhando para ela e para as crianças, que estavam jogando uma bola pra lá e pra cá.

— Inibimos nosso poder demoníaco, e usamos perfume — ele deu de ombros — Não somos muitos por aqui, porém estamos sempre de olho — Kouga dobrou o jornal, o colocando em baixo do braço e colocou o cabelo atrás da orelha, se levantando em seguida — A proposito, cuidado para não encontra-los — ele se virou levemente para mim e coçou a cabeça — Seria uma bagunça só para se resolver... — e simplesmente foi embora, deixando a esse Sesshoumaru confuso e curioso... Maldito lobo!

Desviei o olhar de onde ele seguiu e olhei novamente para Kagome, porém ela me pegou a olhando e sorriu me dando um aceno, eu somente a ignorei e fechei meus olhos. Contudo, esse Sesshoumaru gosta de observá-los, Kouga realmente tinha razão, Kagome seria uma ótima mãe para nossos filhos, assim como já é para Rin e Shippou. Seria também uma ótima esposa, que me dá liberdade, mas também se mostra preocupada... Mas será que Kagome quer ser esposa deste Sesshoumaru, ou somente temos algo passageiro? Não sei dizer exatamente o que ela sente, eu como um youkai, vejo um relacionamento de forma diferente de um humano... Kagome pode somente achar que eu não a amo, e mais ainda, não me levar a sério. Novamente senti uma presença ao meu lado, me "forçando" a abrir os olhos, afinal quem mais poderia vir me incomodar hoje?!

Olhei para o ser ao meu lado de canto de olho, avistando uma garota de cabelos coloridos ao meu lado, eles tinham estranhamente a cor azul claro na metade e o restante era preto, seus olhos azuis me observavam de canto de olho também e ela estava levemente corada. Os azuis parecidos com o de Kagome, mas que não me passavam nada... Absolutamente nada. Ela me dirigiu um sorriso quando percebeu que eu a olhava, eu somente desviei o olhar, avistando Rin e Shippou sozinhos... Onde estava Kagome? O vento bagunçou meu cabelo, me obrigando a descruzar os braços para coloca-lo novamente atrás da orelha. Voltei a cruzar os braços, observando que Kagome ainda não havia retornado.

— V-você sabe me dizer as horas? — a voz estranha se dirigiu a mim, e eu estava muito incomodado, como alguém ousa se dirigir a mim? Eu somente ignorei o que ela tinha a dizer, nem sei dizer o que é horas... Se não me engano era aquela negocio que Kagome tem no quarto com números esquisitos. Ela se aproximou um pouco mais de mim, sentando mais perto... Aquilo não era invasão de espaço pessoal? O que esse povo da Era de Kagome tem?! Que fata de respeito... A garota se inclinou levemente em minha direção, querendo me mostrar os seios dela... — Moço... Perguntei se sabe me dizer as horas? — e me dirigiu o melhor sorriso que ela tinha.

Ela estava tentando seduzir a esse Sesshoumaru, era perceptível pela sua expressão corporal fora o cheiro dela... O que está acontecendo aqui? Eu queria sair, mas Kagome de repente sumiu! Passei a olhar ao redor, porém senti a presença deles ao meu lado, e a aura de Kagome não era das melhores... — Licença — ela disse puxando meu cabelo da mão da garota – que eu nem havia percebido ter pegado – e se jogando no banco ao meu lado, entre a garota e eu. Rin e Shippou se sentaram do outro lado.

— Ei garota! — a de cabelos coloridos protestou, Rin e Shippou estavam apoiados sobre mim olhando a cena, e eu não sabia como me portar, nunca havia visto Kagome assim... Kagome estava olhando para frente, muito séria e sua respiração estava acelerada... O que ela tinha? — Cheguei primeiro.

Eu sentia a energia espiritual de Kagome oscilando e meus instintos me mandavam sair dali, entretanto eu sabia que Kagome nunca me machucaria sem motivo — Hump — ela simulou um sorriso sarcástico e lançou um olhar tão frio a garota, que a mesma se encolheu e deu uma leve afastada de Kagome — Converse com ele então... Mas não sei dizer se você vai conseguir — ela fez uma cara de entediada — Não perca seu tempo — e lançou outro olhar frio a garota que saiu dali, sem dizer mais nada.

— Kagome, como você é ciumenta! — Rin comentou sorrindo, o que fez com que Shippou também sorrisse — Nunca pensei que você teria ciúmes do Senhor Sesshoumaru!

— Aprenda logo — ela disse olhando para o outro lado, parecia envergonhada — Eu não ligo que outras deem em cima de você, ou mesmo te cobicem... Mas quando a vi tocando seu cabelo... "Tocando-te" — Kagome deu de ombros e fez um gesto com os dedos — Não pude me segurar...

Não sei o que pensar muito bem agora, nunca pensei que Kagome fosse sentir ciúmes de mim, acho que no fundo isso me deixou contente... — Kagome, você é muito besta — Shippou disse sério, olhando para ela. Nós dois o olhamos — Sabe que ele nunca daria bola para ela, porque fazer isso?

Kagome ao meu lado ficou envergonhada, mas não disse nada sobre o assunto, o dando como encerrado — Vamos almoçar no shopping e de lá vamos a outro lugar. — ela disse se levantando. Ela foi seguir em direção à saída do parque, porém quando se virou esbarrou com um homem. Seus cabelos negros curtos e os olhos ambares, me pareceram incomum para aquela era, mas logo eu percebi que se tratava de youkai. Mais um...

— Mil perdões — ele disse segurando o braço de Kagome a impedindo de cair, o olhar de fascínio que ele lançou a ela não me agradou em nada, muito menos a forma carinhosa de olhar — Espero que não tenha se machucado — ele disse a soltando e dando um sorriso, Kagome negou com a cabeça e ele voltou a andar, não dizendo mais nada...

Esse youkai estranho... Porém dessa vez deixarei para lá, não é como se eu fosse vê-lo novamente, certo? — Sesshoumaru — Kagome disse atraindo minha atenção, só quando ela o fez eu percebi que o seguia com o olhar — Vamos? — ela disse puxando minha mão. Rin e Shippou estavam em cima do banco me esperando. Passamos a seguir na direção que Kagome disse ser o shopping, aposto que era um desses locais fechados cheio de humanos...

Uma parte chata de se conhecer as coisas por aqui. Kagome segurava em minha mão e Rin ia andando mais a frente com Shippou, eles estavam conversando sobre as coisas que conheceram e estavam felizes por finalmente conhecerem aquilo que Kagome os contava. Eu sentia a caricia leve que ela fazia em minha mão, existiam humanos da mesma forma que nós, casais... Eu não sou assim, tudo isso é muito estranho para mim. Kagome soltou minha mão e seguiu para mais perto das crianças, virando em uma rua. Uma grande estrutura apareceu diante de nós e Kagome se dirigia para lá. Ela ia um pouco mais a frente com as crianças, parece que decidiu me dar espaço novamente, eu ia andando mais tranquilamente alguns metros atrás.

Havia muitas pessoas andando por ali, pessoas diferentes, roupas estranhas e chamativas. Kagome havia sumido do meu campo de visão, mas eu sentia o cheio dela por perto, por isso me guiava por ele — Olá Higurashi — escutei alguém falando. Higurashi? "Bem vindos ao templo Higurashi" essa fala veio a minha mente e eu me lembrei, Kagome é Higurashi. Quando olhei para ela novamente, ela estava conversando com um garoto — São seus primos? — ele perguntou para as crianças, que o olharam de forma estranha.

Shippou abraçou a perna de Kagome e Rin fez o mesmo. Eles estavam sendo possessivos, eu passei a me aproximar deles, calmamente. — Eles não são meus primos — ela disse dirigindo um sorriso a ele, arqueei uma sobrancelha — estão mais para filhos — ele a olhou surpreso, mas depois sorriu.

— Entendo... — ele disse dando dois passos na direção dela, parecia não ligar para as crianças — O que você acha de irmos ao cinema agora? — ele perguntou dirigindo a ela um sorriso galanteador, tentando pegar na mão dela que Rin prontamente segurou. O homem a olhou de forma irritada — Já estamos aqui mesmo.

— Eu não posso — ela disse me olhando, eu havia parado ao lado deles. Segurei em sua cintura e olhei para o ser a minha frente, Shippou ficou na frente de Kagome, permitindo que eu a trouxesse mais para perto. Como ele ousa querê-la dessa forma? — Estou com meu namorado agora Houjo. — ela me olhou e deu um sorriso — E acho que não poderei mais ir ao cinema com você, desculpe...

O garoto ia insistir, porém eu lhe lancei um olhar tão mortal que ele saiu dali sem dizer mais nada. — O que está acontecendo hoje?! — Shippou perguntou me olhando — Até o senhor com ciúmes?! — ele coçou a cabeça.

— Verdade! — Rin murmurou ao lado dele.

— Vamos, deixem isso pra lá — Kagome disse pegando na mão os dois e seguindo para dentro do shopping, como eu suspeitei um local cheio de humanos... Kagome nos fez sentar em um local mais afastado e foi pegar a comida. Rin e Shippou ao meu lado brincavam com os brinquedos dele, ambos estavam alegres e isso estava muito evidente. — Espero que vocês gostem de fast-food — ela disse se sentando ao meu lado e dividindo a comida entre nós.

Pov's Kagome.

Eu os levei em alguns locais de minha era, sei que em muitos Sesshoumaru ficou deslocado, mas o próximo local que iriamos eu aposto que ele iria se divertir. Quando chegamos à entrada e eu encontrei Houjo eu não pensei que Sesshoumaru mostraria possessividade, mas eu o entendo, eu mesma senti ciúmes hoje. Sinceramente, eu nunca sei o que Sesshoumaru está pensando e mais ainda, eu nunca sei se ele realmente se importa comigo, e quando ele age assim, eu me sinto amada, querida, desejada.

Os deixei em uma das mesas e fui comprar os lanches, acho que eles iriam gostar. Peguei alguns a mais, vai que Shippou ou até mesmo Sesshoumaru quisesse mais. Segui na direção deles e de longe eu havia percebido a forma como Sesshoumaru observava as crianças, de forma paternal. — Espero que vocês gostem de fast-food — eu disse me sentando ao lado de Sesshoumaru e separando a comida — Na minha opinião é muito gostoso! — eu disse dando uma mordida no lanche.

Logo eles estavam comendo, e dizendo o quanto era gostoso, Sesshoumaru como sempre não dizia nada, mas eu já estava acostumada com isso... Olhei em meu relógio de pulso e eram aproximadamente duas horas. Ainda iria completar isso, dava tempo de ir ao parque de diversões e jantar em casa. Os lanches a mais que eu trouxe foram comidos, nem sei por quem... Fiquei tão perdida em pensamentos que parei de prestar atenção. Olhei para o relógio, passou meia hora — Vamos?

— Ainda vamos para mais um lugar? — Shippou perguntou com a boca suja.

— Sim, mas esse será o último, eu prometo — eu disse dando um sorriso para ele. Rin também estava com a boca suja — Estão com a boca suja — me aproximei deles e limpei seus rostos — Pronto, agora vamos? — eu me levantei e eles me imitaram.

— Vamos andar muito? — Rin perguntou olhando a movimentação de pessoas ao redor. Era final de semana e as pessoas costumavam ir ao shopping, o parque de diversões também era um bom programa.

— Vamos ter que pegar o trem — eu disse os olhando ansiosa — Acho que vocês vão gostar dele.

Passamos a seguir na direção do trem, Sesshoumaru ao meu lado estava calado como sempre e eu estava respeitando o espaço dele, porém eu queria que ele estivesse se divertindo também. Mas a menos que ele falasse, eu nunca descobriria... Chegamos à estação e eu paguei os bilhetes, logo estávamos aguardando na estação.

— Uau... — escutei as crianças falando juntos, quando olhei na direção que eles olhavam avistei o trem se aproximando, Sesshoumaru ao meu lado olhava a mesma coisa. Estava curioso. Eu entrei no vagão assim que as portas se abriram e os três me seguiram — Que bonito — Rin disse quando se sentou em um dos bancos, Shippou sentou ao seu lado. Sesshoumaru ficou em pé ao meu lado. Eles olhavam tudo ao redor e quando o trem andou as crianças se assustaram, achei graça.

As crianças passaram a conversar entre elas, e eu estava um pouco incomodada... Será que Sesshoumaru estava mesmo gostando? Estava curtindo o passeio? Isso estava me deixando muito intrigada. Porém se eu perguntasse ele poderia mentir ou simplesmente me ignorar, e eu queria algo divertido, que todos curtissem... Acabei soltando um suspiro e olhei pela janela. Pelo vidro eu via Sesshoumaru me observando, e via também que ele não se segurava — Acho melhor você se segurar Sesshoumaru — eu disse mostrando o ferro próximo à cabeça dele — Se o trem frear, você pode perder o equilíbrio.

Ele - como sempre - me ignorou, porém segurou no ferro. Eu estava me sentindo chateada, porque eu não achava que ele estava gostando, suspirei de novo. — Kagome, o que é aquilo? — Shippou perguntou apontando para a roda gigante do parque que já era visível, mas ainda estava um pouco longe.

— É para lá que estamos indo — eu disse dirigindo um sorriso para ele. O trem parou em uma estação, e Sesshoumaru cambaleou ao meu lado, vi pelo vidro. Eu disse para ele se segurar, dei de ombros — Vamos descer na próxima estação.

— O que é esse lugar que vamos? — Rin perguntou observando alguns dos brinquedos já visíveis.

— Se chama parque de diversões — eu disse explicando para eles — É um local que jovens como eu e crianças, como vocês vão para se divertir — eles assentiram alegres, pareciam muito empolgados.

— Parece um lugar muito divertido! — Rin disse se sentando de novo no banco — Você não acha, Senhor Sesshoumaru? — ela perguntou o olhando, porém eu não o fiz, nem pelo vidro eu o olhei.

— Hm.

Logo o trem chegava à estação, peguei na mão de Rin e Shippou e segui para fora do vagão, Sesshoumaru me seguia, parecia me proteger das coisas ao redor. Quando nos aproximávamos do parque uma movimentação de jovens e adolescentes se encaminhavam para lá. Parece que seria divertido!

— Vou leva-los aos meus brinquedos favoritos! — eu disse quando entramos no parque, depois de eu ter comprado os bilhetes — Começaremos pela montanha-russa! — eu disse seguindo para a fila. Sesshoumaru olhava as coisas ao redor, estava curioso eu sabia. As crianças estavam eufóricas, querendo furar fila para ir primeiro.

Logo chegava nossa vez, porém havia um único problema... Os lugares. E também o cabelo de Sesshoumaru — Vou precisar trançar seu cabelo, Sesshoumaru — eu disse o obrigando a me olhar — Não adianta eu te explicar o porquê, você só vai entender quando for...

— Hm — ele disse me olhando sério, porém se virou para que eu pudesse prender o cabelo dele. Rapidamente os trancei e prendi com um pequeno prendedor que estava em meu pulso.

— Nos lugares, você vai se sentar com Rin e quando o rapaz vier prender a trava, você deixa — eu disse o olhando, explicando baixinho para ele, porque seria estranho um homem daquele tamanho nunca ter andando em um brinquedo — Shippou vai comigo, mas não se preocupe, vou me sentar logo atrás de vocês — e sorri para quebrar aquele clima estranho.

Logo chegou nossa vez. Entramos e Shippou se sentou comigo no ultimo carrinho, Rin e Sesshoumaru se sentaram a nossa frente — Kagome, eu estou com medo — Rin disse olhando para mim.

— Prometo que será divertido — eu disse passando conforto para ela — E vocês dois, não podem sair do carrinho na metade, terão que esperar terminar — Shippou assentiu e segurou na trava. O rapaz do parque passou fechando as travas e as conferindo — É agora — eu disse e o carrinho começou a andar — Podem gritar se quiser — eu disse para as crianças, mas isso serve para Sesshoumaru também.

Não demorou muito e o carrinho já estava descendo sobre os trilhos. Como eu sentia falta dessa sensação de liberdade, parecia poder voar. Shippou ao meu lado estava com os olhos arregalados e não soltava a trava, Sesshoumaru eu percebia estar tenso e Rin estava rindo, podia escutar. Eu estava sorrindo também, com os braços para cima, sentindo o vento bater contra meu rosto... Entretanto, como tudo que é bom dura pouco, o carrinho logo parava no ponto de inicio... Queria ir de novo, mas ainda havia outros brinquedos... Quem sabe depois?

Shippou desceu primeiro e eu me levantei em seguida, Sesshoumaru e Rin também já haviam levantado — E ai, o que acharam? — perguntei seguindo na direção da saída.

— Foi muito divertido Kagome! — Rin disse dando um sorriso — Mas acho que o Senhor Sesshoumaru não gostou, ele estava fazendo umas caretas — ela disse pensativa.

— Não diga bobagens, Rin! — ele disse a olhando de forma irritada. Não acredito que perdi Sesshoumaru com medo! Saímos da montanha-russa e fomos para os carrinho de bate-bate.

— Sesshoumaru, acho melhor você ficar com o cabelo assim... — eu disse enquanto andávamos, ele estava ao meu lado — É perigoso ele enroscar em algum lugar... Mas antes de irmos você pode soltar — eu disse dando um sorriso. A fila do carrinho de bate-bate estava um pouco grande, mas era tolerável, dava para esperar.

— Esse dá medo como o outro? — Shippou perguntou observando os carros se chocando uns contra os outros.

— Não Shippou — eu disse acariciando os fios ruivos — Esse daqui é mais tranquilo — eu disse o olhando — Novamente você vai comigo e Sesshoumaru com Rin, não são permitidas crianças desacompanhadas... — eu olhei para Sesshoumaru que observava os carros — É muito simples Sesshoumaru, você só vai precisar pisar no pedal e virar o volante — eu disse fazendo os gestos, mas parei, era muita loucura para uma pessoa só.

Ele me ignorou... Acho que ele estava se sentindo, hm... Burro? Não sei dizer... Não demorou quase nada e logo estávamos nos acomodando nos carrinhos. Sesshoumaru e Rin ficaram um pouco longe; e sendo sincera, acho que era melhor. Eu queria que ele se divertisse também, mas parece que isso não estava acontecendo.

— Kagome, esse daqui machuca? — Shippou perguntou olhando as outras pessoas se sentando nos outros carros. Eu neguei com a cabeça e o prendi com o cinto, os funcionários estavam analisando os outros carros, e logo o apito soou avisando que poderíamos nos locomover. — O que temos que fazer? — Shippou perguntou quando um carro chocou conosco.

— Bater nos carros — eu disse pisando no pedal até o fim, fugindo de alguns carros e focando em um que tinha um garoto mais ou menos da minha idade, outros carros tentavam me pegar. O garoto me percebeu um pouco tarde, e o choque foi inevitável.

— Isso até que é divertido Kagome — Shippou disse dando um sorriso. Quando fui manobrar para voltar a bater nos outros carros, um se chocou contra o meu com tudo — EI! — Shippou gritou ao meu lado e eu sorri. Ouvi a risada infantil e percebi que o carro que tinha se chocado contra mim, era o de Sesshoumaru e Rin. Ele me olhava com um sorriso de canto e acelerou de novo, eu consegui dar ré e ele se chocou contra a proteção do chão e eu bati em outro carro que estava passando.

Eu aproveitei e acelerei novamente para bater no carro de Sesshoumaru, que estava tendo problemas para manobrar, porém outro carro se chocou comigo lateralmente, me retirando de meu objetivo. Sesshoumaru conseguiu manobrar e se chocou comigo, eu fiquei entre os dois carros e o apito soou avisando que havia terminado. Levantei-me com um pouco de dificuldade porque eu estava entre dois carros, mas consegui sair. Sesshoumaru estava me esperando com Rin.

— Nos ganhamos de vocês — Rin disse para Shippou que estava ao meu lado.

— Se aquele outro cara não tivesse batido no carro da Kagome, teríamos acertado vocês também — ele disse cruzando os braços, emburrado.

— Ora, não faça essa cara Shippou — eu disse acariciando a cabeça dele, Sesshoumaru estava o olhando, agora no que ele pensava, nunca saberei dizer.

— Vamos em outro Kagome! — Rin disse passando os olhos pelo local — Naquele! — ela apontou para a casa com pintura preta, e som pavorosos.

— Tem certeza? — eu perguntei olhando para a casa de sustos... Não seria uma boa ideia — Eu não... — Mas fui interrompida. As crianças começaram a pedir juntas, e eu não pude negar — Certo, Sesshoumaru — ele me olhou — Não faça nada.

Seguimos para a casa de sustos, não tinha fila, porque poucas pessoas iam ali. Assim que entramos na casa, um homem fantasiado de monstro estava na porta, uma fraca luz era perceptível ali. A porta atrás de nós foi fechada.

— Ora, meros mortais que não temem o mal se atrevem a vir à casa do mal! — O homem disse nos olhando com aqueles olhos brancos, parecendo cego, sua fantasia era muito boa também. Senti meu vestido ser segurado, era Rin — Não adianta sentir medo, para sair daqui agora, será somente seguindo em frente — ele deu dois passos para o lado e a porta se abriu — Agora sigam pelo caminho da morte, e terão sorte se saírem vivos.

Eu segui na direção da porta com Sesshoumaru ao meu lado, Rin e Shippou seguravam um de cada lado em meu vestido, assim que passamos pela porta, ela se fechou e somente a luz fraca iluminava o caminho — Quero ir embora Kagome — Rin disse olhando em volta.

— Eu disse que não era uma boa ideia — eu disse dando de ombros — Sesshoumaru, o objetivo aqui é assustar as pessoas, mas não são youkais ou monstros, são pessoas fantasiadas, entendeu? — ele assentiu — Por isso não faça nada.

— Kagome... — Shippou murmurou quando eu passei a andar, os obrigando a andar. Assim que passamos por um dos quartos, um homem fantasiado de vampiro saiu do meio da escuridão e tentou nos assustar, Rin e Shippou gritaram passando a correr, porém eu os alcancei, e segurei na mão dos dois. Sesshoumaru estava logo atrás de mim, o próximo quarto havia uma cama, e nela uma mulher deitada.

Assim que entramos um homem vestido de padre passou a fazer um exorcismo, e a mulher passou a gritar e se contorcer, de relance vi a chama verde de Shippou, ele pretendia atacar. Rapidamente, peguei a mão dele e purifiquei a energia maligna dele, o olhando serio e negando com a cabeça. Eu passei por eles, Rin me agarrava e estava difícil andar, Sesshoumaru vinha logo atrás. Eu sabia o que vinha a seguir, por isso apressei o passo, era a parte em que o Jason e o Freddy Krueger atacariam juntos. Logo escutei uma pancada vinda de trás de mim, e quando eu fui me virar para ver o que era, o som da serra elétrica se fez presente, fazendo com que Rin e Shippou gritassem me agarrando pelas pernas, me fazendo perder o equilíbrio e cair, o homem tropeçou no meu pé e caiu sobre nós.

Aquela mascara de Freddy Krueger deixava tudo pior, porque Rin passou a chorar ao meu lado e o homem estava sobre mim — Sai de cima dela! — escutei a voz de Sesshoumaru e logo ele levantava o homem pelo pescoço. Eu me levantei rapidamente e coloquei a mão no braço dele, murmurando um está tudo bem. Ele o soltou e me olhou, sério.

— Você está bem senhorita? — O homem perguntou retirando a mascara e me analisando, eu somente assenti — Perdoe-me pelo ocorrido — ele fez uma reverencia que eu imitei, aceitando suas desculpas. Saímos de lá, sem mais nenhum susto.

— Eu disse que não era uma boa ideia! — eu disse arrumando meus cabelos curtos — Vêm, vamos só a mais dois brinquedos e depois vamos embora, está começando a entardecer — Shippou e Rin assentiram e começaram a andar um pouco mais a frente. Senti minha mão ser segurada e somente acariciei a mão dele, sabia que essa era a forma dele de dizer que estava tudo bem.

As pessoas começavam a ir embora, mas havia uma quantidade chegando naquele momento. Estávamos indo para um brinquedo aquático, era um escorregador de agua, que andávamos em uma "tora", por sorte estava com uma pequena fila. Não demorou muito e logo estávamos os quatro no brinquedo. Sesshoumaru estava sentado atrás de mim, Rin a minha frente e Shippou era o primeiro, tadinho ele e Rin seriam o que mais se molhariam... Subimos por uma rampa, e logo a correnteza nos levava, era algo divertido, um pouco de agua já nos molhava, mas um pouco mais a frente tinha o escorregador, Rin e Shippou estavam ansiosos, sorrindo e apontando. Sesshoumaru estava com ambas as mãos em minha barriga, me prendendo entre as pernas dele.

E logo estávamos descendo o escorregador e quando a tora se chocou contra a agua, foi agua pra tudo quanto é lado e nos molhou muito, eu não me recordava que ele molhava tanto assim!

— Que divertido! — Rin murmurou ensopada, e Shippou assentia ao lado dela.

— Não me lembrava de que molhava tanto assim! — eu disse quando em levantei, ainda bem que meu vestido era preto e não branco! Sesshoumaru também havia se molhado, mas ele não pareceu se importar. — bem, agora vamos ao ultimo brinquedo... — eu disse pegando na mão das crianças e me dirigindo até a roda gigante.

Rin soltou de minha mão e foi segurar a de Sesshoumaru. Eles pareciam realmente pai e filha. A roda gigante só era mais frequentada por casais, por isso na fila havia muitos casais conversando, estavam de mãos dadas e trocavam caricias leves, que são permitidas em publico. Shippou os observava e depois olhou para mim e para Sesshoumaru — Nem pense nisso Shippou — eu disse antes que ele fizesse a pergunta — Não precisa se preocupar com isso...

— Mas eu nem disse nada! — ele disse me olhando contrariado.

— Eu sei o que você queria falar... — eu disse parando na fila. Ele não disse mais nada e Rin nos fitava curiosa, porém resolvi ignorar. Eu queria ser como qualquer outro casal da minha era, contudo eu sabia que não era o costume dele. E eu sabia que Sesshoumaru se esforçava para me agradar, a maneira dele. Esse era um brinquedo para casal e crianças, eu estava com as crianças, então...

Logo as pessoas passaram entrar nas cabines, nós entramos na quinta. O brinquedo andava um pouco e parava na próxima cabine, até todos entrarem. Eu fiquei sentada ao lado de Shippou e estava olhando a paisagem que me era proporcionada, o parque era totalmente visível dali, e eu podia ver as casas ao redor, o entardecer só deixava tudo mais bonito aos meus olhos. Esse era meu brinquedo favorito em todo o mundo, mesmo ele não tendo nada de especial.

Quando meu pai era vivo ele me trazia na roda gigante, para ficarmos olhando a paisagem, a mesma que eu observo agora... Nunca me esqueci dele e no fundo sinto muita falta dele, muita mesmo! Uma lagrima teimosa escapou, mas eu a sequei rapidamente, e bati minhas mãos no rosto. Voltei a olhar a paisagem.

— Está tudo bem, Kagome? — Rin perguntou sentada a minha frente. Ela parecia me analisar, buscar algo...

— Sim — eu disse voltando a olhar a paisagem. Era uma coisa engraçada até... Pelo menos para mim. O brinquedo logo voltou a andar e poucos minutos depois estávamos descendo do brinquedo. À volta para casa foi mais rápida do que a ida, e assim que cheguei fui me banhar com as crianças, elas estavam muito molhadas. A ultima coisa que eu queria era que os dois ficassem doentes. Sesshoumaru também foi tomar banho, minha mãe estava preparando o jantar.

Não demoramos muito, logo estávamos na cozinha. Todos já estávamos vestidos para dormir, afinal estávamos todos cansados. Minha mãe perguntou o que fizemos e Rin juntamente com Shippou contou tudo, até o acidente com o cara da casa de sustos, e a minha cena de ciúmes no parque. Minha mãe somente riu e perguntou se eu fui à roda gigante; a única coisa que eu fiz foi assentir. Souta iria dormir na casa de um amigo essa noite, por isso não viria da escola para casa.

— Pode deixar que eu lavo, mãe — eu disse quando a vi começando a lavar os pratos. Ela se afastou e deixou que eu o fizesse — Podem subir para o meu quarto — eu disse de costas para eles, mas logo o barulho da cadeira raspando no chão anunciava que eles estavam subindo. Quando eles fecharam a porta eu me dirigi a minha mãe — Pode perguntar o que você quer...

— Como você ficou ao ir naquela roda-gigante? — ela estava mexendo no pano da mesa.

— Só me trouxe recordações — eu disse ainda lavando a louça — Me lembrei de minha infância e consequentemente do papai — eu sorri para o nada — Lembranças boas.

— Sei que são, eu também tenho as minhas — minha mãe disse se levantando e parando ao meu lado — E tenho os presentes que ele deixou para mim, Kagome. Nunca se esqueça de que independente de qualquer coisa, ou escolha que você faça — ela passou a mão por minhas costas e sorriu de forma maternal — eu sempre amarei a você e ao Souta.

Eu parei de ensaboar o copo e a olhei, dando um sorriso sincero — Eu sei — e voltei a minhas funções anteriores — Acha que podemos ficar mais alguns dias? — eu perguntei para ela, enquanto enxaguava o que eu tinha ensaboado — Acredito que eles ainda queiram conhecer locais daqui... Lugares que tem relação com o passado.

— Sabe que nem precisa pedir — Mamãe disse secando a louça e a colocando sobre a mesa — Eu gosto da casa cheia, as crianças aqui dá um ar de família — minha mãe sorriu de forma melancólica — Logo o Souta também arranjará uma namorada e eu ficarei sozinha aqui... Você está seguindo com sua vida, em breve terá seus filhos biológicos e estará casada — eu me virei para ela quando terminei de lavar a louça — Eu só peço, para que deixe eu participar do crescimento de seus filhos, Kagome...

— Sabe que nem precisa pedir — Fiz de minhas suas palavras — Quando eu tiver mais filhos, eles farão parte da sua vida, afinal você será a avó deles — eu apertei as bochechas dela levemente — a melhor avó do mundo! — e a abracei.

— Minha menininha tão crescida — ela me deu um afago nas costas e depois um beijo na testa — Agora vá pôr as crianças para dormir, eles devem estar cansados do dia que tiveram — eu assenti e segui na direção das escadas. As crianças estavam dormindo na minha cama, Sesshoumaru me ajudou a leva-las para o quarto.

Retornamos para meu quarto e eu bocejei, eu também estava cansada. Eu esperei Sesshoumaru trançar os cabelos novamente e se deitar, eu apaguei a luz e fui até ele. Eu ainda estou um pouco chateada por não saber se ele gostou mesmo de hoje, mas deixarei ele em paz. Deitei-me de costas para ele, e Sesshoumaru me puxou encostando minhas costas no peito dele, sua mão em minha cintura. Eu o senti cheirando meu cabelo, ele queria que eu falasse algo.

— Meu pai me levava naquele parque quando era vivo — eu disse colocando minha mão sobre a dele — E me trouxe recordações andar na roda-gigante — eu disse dando um sorriso e ele afagou minha barriga — Mas o dia de hoje foi divertido...

— Hm — ele disse se aconchegando mais a mim — Concordo.

— Significa que você gostou? — eu perguntei o olhando por cima do ombro. Ele assentiu e me fez virar para ele. Um segundo depois ele me tomava os lábios, era um beijo simples, mas ao mesmo tempo possessivo e sendo sincera desde que aquela garota deu em cima dele eu queria beijá-lo! — Certo, você gostou — eu disse um sorriso e afaguei seu rosto, me enfiando entre seus braços e acariciando suas costas.

— Hm.

— Se importa de ficar mais alguns dias? — eu perguntei dando um beijo no peito dele, ele estava sem camisa — Queria mostrar algumas coisas que existem até hoje...

— Não me importo — ele me acariciou nas costas, e apoiou o queixo dele em minha testa — Durma, está cansada — e como se suas palavras fossem lei, eu o obedeci e deixei a escuridão e o mundo dos sonhos me levar em seus braços.