HOHOHO! /fail
Como vão todos? Muito obrigada pelos reviews, fiquei muito feliz, foi meu presente de Natal *O* Demorei para postar porque minha internet voltou nessa exato instante, estou aproveitando o momento, hehe xDD
Boa leitura e, a todos vocês, independente da crença, tenham um dia maravilhoso, com muita fartura e, caso comemorem, que passem a data com quem vocês amam *3*
E que 2014 seja ótimo para vocês! Beijos!
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A criança estava agitada, pouco confortável com o doutor que a examinava toda hora, colocando o estetoscópio frio sobre seu peito. Resmungou contrariada, começando com um choro engasgado que logo cessou quando o pai a pegou de volta. Era de forma quase instantânea que Catherine reagia aos cuidados do pai e dificilmente ela ficava quieta se não estivesse no colo de alguém.
- Eu te avisei. – Madeleine disse depois de assistir a manha que a neta fez, impossibilitando as pessoas da casa de dormir.
- E então? – Erik perguntou depois de passar a filha para os braços quase desesperados de Luciana.
- Ela ainda precisa ganhar peso, mas estamos quase lá. – o médico sorriu.
- E eu? – Luciana perguntou, não aguentando mais ter que ficar sentada, podendo levantar o mínimo possível.
O médico bufou. Já era a quinta ou sexta vez que ela perguntava.
- Eu temo sua recuperação. A cicatrização externa está ótima, mas a interna não dá para saber.
- Eu quero andar, doutor! – ela choramingou, tal como Catherine.
O velho senhor olhou para Erik com um pouco de pena. Pelo que o rapaz havia contado era quase necessário amarrar a esposa na cama para ela não correr ao socorro da filha cada vez que a criança arriscava chorar. Era difícil conter uma menina de personalidade tão forte como Luciana e, ainda que ela tivesse aceito com muita paciência passar os últimos meses sem se esforçar até o próprio médico reconhecia que já era hora de dar um pouco mais de liberdade para a jovem mãe.
- Só se você concordar em repousar a maior parte do tempo.
Ela puxou o ar para rebater mas acabou concordando, feliz em ter sido liberada pelo menos um pouco. Quando Agnelli foi embora, a primeira coisa que fez foi tentar ficar de pé, quase caindo com a tontura imediata. Erik tentou segurá-la, mas Luciana teimou e se apoio na parede, conseguindo recuperar a postura em pouco tempo. Não via a hora de poder voltar a trabalhar e exibir sua filha para os quatro cantos da cidade enquanto fazia suas entregas.
O marido não gostou nada da ideia.
Para Erik tudo o que Luciana poderia fazer agora era ficar em casa e se ocupar da filha e dos afazeres domésticos, coisa que a deixou irritadiça. Queria voltar a costurar e se distrair com suas clientes, tendo total certeza que lidar com a casa, as costuras e Catherine seria fácil. Grande engano.
A menina, acostumada com o colo dos pais não parava de chorar um minuto se fosse colocada no berço ou em cima da cama, não cessando as lágrimas até que alguém a apoiasse entre os braços, se acalmando rapidamente.
- Você é mesmo uma menininha safada, não? – Luciana sussurrou, fazendo cócegas na barriga da filha.
Mas desse jeito ficava difícil até mesmo de arrumar a cama do casal e Catherine não dormia facilmente, característica essa que ela atribuiu ao marido. Pelo menos tinha apetite e não negava a mamadeira quando a mãe trazia bebendo tudo com muita vontade. Pela primeira vez, a jovem mãe admitia sentir falta da sogra: Madeleine poderia segurar a neta enquanto a nora se ocupava da casa. Com dois meses de idade a criança já sabia exigir atenção.
Outra coisa que tirava a atenção de Luciana eram as reações da menina com alguma palavra ou quando a mesma via alguma fita colorida. Precisou esconder suas fitas de cetim para que ela não as pegasse: tudo o que a criança pegava ia diretamente para a boca. Catherine também desenvolveu uma completa adoração por colheres de pau. Quando Luciana se deu conta disso entregou a maior que tinha para a pequena e viu a mesma magicamente silenciar, muito interessada naquele novo tipo de brinquedo. Era a primeira vez que Luciana conseguia retomar a costura.
Mas, uma vez dada a colher, Catherine se recusava a soltar, grunhindo alto e chorando a plenos pulmões se tivesse seu mais novo companheiro afastado e assim, os pais da menina a viam dormir agarrada ao utensílio doméstico, divididos entre rir ou tirar o objeto das pequenas mãozinhas enquanto ela ainda estava desacordada.
- Pelo menos ela não exige estar no colo agora. – Luciana tentou ver pelo lado bom, lado esse que Erik não apreciava muito.
Era só ele chegar em casa para ir direto ao berço pegar a filha, não importava se ela estava dormindo ou distraída com sua colher. A erguia nos braços e ficava falando diversas frases em francês, algumas vezes tirando um sorriso largo e sem dentes da menina, outras, fazendo-a chorar e era nessas horas que ele se via obrigado a niná-la até que parasse e ficasse com os olhos dourados e estalados encarando o pai. Erik achava engraçadas essas horas e se via todo atencioso limpando a baba que escorria constantemente do canto rosado da boca da filha.
- Bebês babam Erik, ela não vai parar tão cedo... – Luciana ria ao ver o grande empenho do marido em manter a filha limpa.
Ele sempre ignorava aquele comentário.
- Acha que ela gostará de música? – perguntou certa vez, enquanto contava os dedinhos finos e compridos. – Ela tem mãos de pianista.
- Catherine tem três meses, Erik! – Luciana riu, mas isso não fez convencer-se do contrário.
Sua pequena princesa reagia muito bem ao som do piano e desde já ele se ocupava em levá-la ao porão e tocar cantigas, valsas e até mesmo peças mais complexas. A criança ficava encarando as teclas de marfim abaixando em compasso com atenção absurda, podendo até mesmo deixar sua tão adorada colher de pau de lado. Quando tentava esticar o braço em direção ao teclado começava a chorar inconformada por suas batidas quase agressivas não tirarem tão bela música quanto os toques de seu pai e era necessário um novo conjunto de valsas para acalmar a menina.
Erik estava encantado.
Não eram poucas as vezes que ele dizia à Luciana que Catherine tinha alma de artista, passando boa parte das noites em claro animado com aquilo. Fazia tanto tempo que não se dedicava à música! Achou ter perdido a prática e até mesmo a inspiração, começando composições e as cantarolando ao longo do dia, não vendo a hora de poder voltar para casa e colocá-las no velho piano, carregando a filha para ouvir um pedaço depois de decorar os acordes. As reações da pequena eram seus jurados e quando ela parecia torcer o nariz para algum conjunto, ele voltava os olhos para a partitura arrumando algumas partes e voltando a tocar.
- Você está dando muita atenção a ela... É só um bebê... – a esposa lhe disse certa vez, depois de ver a frustração do marido em nunca acertar um arranjo que fosse aprovado pela pequena juíza.
- Ela é sensível à música. – rebateu, trocando o fá por bemol.
- Ela está com fome. – revirou os olhos tomando a filha dos braços do pai.
E Madeleine ria-se com as aventuras do pai de primeira viagem, imaginando se ela seria um surpreendente prodígio assim como seu filho. Mandou o pequeno violino que um dia serviu a ela e foi passado para Erik quando criança e, quando a encomenda chegou, Erik o afinou com uma rapidez absurda tentando tocar alguma coisa, se atrapalhando pelo tamanho pequeno não se acomodar perfeitamente em seu ombro. Mandou uma carta agradecendo imensamente isso e emendou dizendo que a neta mais que aprovara o presente da avó, rindo para a música que saía de suas cordas. Aquilo era tão maravilhoso que Madeleine sentia vontade de vender sua casa em Boscherville e se mudar para alguma pequena locação em Roma, mas Marie conseguiu convencê-la de que era bom a avó morar longe dos netos, pois assim eles teriam um lugar diferente para conhecer.
Por mais que odiasse admitir, Madeleine gostou da teoria da ruiva e começou a imaginar sua casa cheia de netos correndo de um lado para o outro. O balanço que Erik havia feito para Luciana ainda estava lá e ela não via a hora de poder balançar Catherine – e quem sabe, outras crianças – nele e passar a tarde cozinhando diversas guloseimas para eles. Sua mãe nunca deixou que ela se lambuzasse na casa da avó, mas com toda certeza, mesmo sendo uma dama fina, ela adoraria ver aqueles adoráveis olhos dourados pidonhos, implorando por mais um pedaço de bolo.
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O choro baixo e contido de Catherine chamou a atenção do pai que rapidamente foi até o berço e a pegou no colo, sentindo o coração apertar por não conseguir acalmá-la. Luciana se aproximou e pediu a menina, colocando ela deitada entre eles. Braços e pernas se agitavam e Erik cogitava internamente a possibilidade de chamar o médico, quando a esposa começou a massagear a barriga da filha, o que fez o choro diminuir depois de alguns minutos, até ela vir finalmente a adormecer.
- É a cólica. – ela falou. – Ela precisa se manter aquecida.
- Devolvemos ao berço? – ele perguntou apreensivo.
- Não, tudo bem, ela pode dormir conosco essa noite.
Um pouco mais calmo Erik recostou a cabeça no travesseiro observando a filha dormir, numa tranquilidade que era de se duvidar que ela estivesse sentindo qualquer tipo de dor momentos antes. Luciana sorriu. Era tão engraçado e bonito ver o marido, aquele homem tão alto e de postura séria, desmanchar-se em agrados por uma criança que nem balbuciava direito ainda... O cuidado, carinho, atenção que tinha com Catherine eram de uma delicadeza que ela às vezes se escondia atrás da porta para vê-lo cantar cantigas francesas ao bebê, ou cochichar frases diversas ao pé do ouvido apenas para ver seus lábios abrirem num sorriso adorável, mostrando toda a adoração que aquela menina já tinha pelo pai.
- Ela faz um biquinho quando dorme. – Erik riu baixinho ao ver os lábios da filha contraídos.
- Você também faz. – Luciana riu.
- Não faço nada! – o rosto ruborizou e ele puxou o cobertor na altura dos ombros.
Luciana esticou a mão e acariciou a lateral do rosto magro do marido sustentando um sorriso nos lábios. Já haviam passado por tanta coisa! Já havia chorado tantas vezes por Erik desejando e implorando a Deus, fazendo promessas – as quais não havia cumprido um terço das orações – para que tivesse seus sentimentos correspondidos que às vezes parecia mágico estar vivendo tudo aquilo. Não tinha mais aquele desespero por ser aceita ou por agradá-lo de todas as formas. Ele estava ali e isso era o importava.
- Obrigada Erik. Obrigada por me dar uma família.
Trocaram um beijo rápido antes de voltarem à atenção para a menina. Não demorou muito para que Erik se rendesse ao sono e essa era a primeira vez que ele dormia antes dela. Gostava de cenas assim. Vê-lo em paz era como ver todo seu mundo resumido em um só lugar, em uma só pessoa e agora ela tinha essa mesma paz dividida no bebê adorável de cabelos claros que dormia despreocupadamente entre os pais.
Seu coração estava em paz.
