Nem demorou dessa vez, não é? Um final de semana longe da net me inspirou e TCHANRAM, capítulinho novo de BP para vocês.

E respondendo as reviews: a fic está na reta final já, poucos capítulos ainda restam. Mas não se desesperem ainda. Tem muita coisa para acontecer.

Show me the love!

Ps: o FF é chato e não permite título de capítulo muito grande. Relevem se alguma letra for comida.


* Detalhes – Roberto Carlos

O tempo não passava; voava. Cada dia eu via terminar com a mesma pressa que um novo dia nascia em um piscar de olhos embora eu achasse que meu cansaço eterno do trabalho e da vida em si fosse o acelerador das horas, dias e semanas. Porém, Setembro passou como se fosse uma semana longa e Novembro estava quase na metade quando eu me toquei de que o ano estava quase acabando e muita coisa tinha acontecido. Crise no casamento, segundo ano de Thomas, separação, traição, recaídas, pretendentes, decepção, lágrimas, coração em pedaços, coração em chamas, saudade, muita saudade, lembranças... Malditas lembranças que me atordoavam a cada dia que corria.

Mas essa não era minha maior preocupação, não quando eu tinha um filho de 1 ano e oito meses crescendo tão rápido quanto os dias passavam. Thomas não era mais aquele bebê recém-nascido que necessitava de minha atenção a cada hora e isso de certa forma me frustrava. Eu ainda seria sua mamãe por muitos anos – até depois da faculdade se minha vontade fosse atendida – só que agora ele estava começando a ter vontade própria e a fazer suas escolhas de acordo com suas vontades, ou seja, um mini-Edward birrento quando queria algo. Porque Edward conseguia ser tão infantil quanto o filho quando queria algo e queria de sua maneira, o que já havia gerado muitas brigas entre nós dois na época do namoro e nem vamos comentar sobre a época do casamento. Thomas estava igualzinho a ele nesse aspecto, preferindo se virar sozinho e reclamando quando algo não o agradava. As horas após o trabalho que eu cuidava dele mostrava o quão infernal era o dia de Abby com ele e isso me fez tomar uma decisão, mas com o auxílio de Edward.

As visitas ocorriam quando Edward tinha uma folga do hospital com tempo o suficiente para ficar com o filho e durante quase um mês ele desmarcou diversas vezes por conta de alguma emergência. Isso não me deixava chateada com ele porque agora eu compreendia que seu trabalho exigia muito até que ele se estabelecesse, mas me partia o coração ter que explicar ao Tom que papa não iria vê-lo naquele dia. Ele não entendia muito bem o que aquilo significava, mas era só mencionar o pai para seus olhinhos brilharem de ansiedade como se ele estivesse questionando se aquele era o momento de ter os pais juntos novamente. Eu queria abraçá-lo forte e dizer que a vontade da mamãe era ter papai de volta para casa, mas que não dava simplesmente para esquecer tudo que aconteceu. Nós dois teríamos que esperar esse bendito dia chegar, se é que ele iria chegar...

Finalmente Edward teve uma folga um pouco antes do Dia de Ação de Graças e me ligou perguntando se poderia passar o dia com Thomas. Concordei de imediato com a idéia, até porque seria uma forma de aliviar o trabalho da pobre Abby que não tinha mais idade para correr atrás de uma criança hiperativa e evitar que ele destruísse a casa. Ele me contou que iria levá-lo para passar o dia em um parque infantil perto de onde ele estava morando agora e no dia seguinte Edward estava às 7h em minha porta para levar o filho. Entreguei Tom junto com sua mochilinha com roupa limpa, coisinhas de higiene, alguns brinquedos e umas comidinhas que Abby tinha preparado e fiquei observando os dois atravessarem o jardim como uma esposa observa o marido e o filho saindo pela manhã para a noite estar de volta para casa.

Ocupei bastante minha mente com reunião, telefonemas para empresários de bandas que iriam se apresentar na cidade nos próximos meses, e-mails, pressão de redator e de zilhões de outras pessoas. Eu olhava para o relógio desejando que meu expediente terminasse e eu pudesse voltar para casa, tomar um banho, deitar na minha cama e dormir duas semanas seguidas, contudo, um adulto em miniatura me esperava em casa cheio de vontades para serem atendidas e eu tinha que atendê-las prontamente antes de uma guerra estivesse declarada em casa. Continuei meu trabalho em casa e a ocupação me distraiu tanto que eu nem percebi que já eram 19 horas, me tocando disso quando a campainha tocou e eu fui abrir a porta da mesma forma que estava; óculos, coque muito mal feito no alto da cabeça, uma camisa velha de Edward no corpo e uma calça de moletom muito surrada. Para minha sorte era Edward e ele já tinha me visto muito mais mendiga que naquela noite.

- Eu já tinha esquecido que Thomas estava com você. – comentei abrindo a porta para ele entrar. – Minha cabeça está uma merda hoje.

- Méda. – Thomas repetiu me fazendo congelar de espanto e Edward gargalhar.

- Ele está impossível. Repete tudo que escuta, principalmente palavrão.

- Eu não ia te contar que ele disse "porra" corretamente hoje, mas já que você também está contribuindo para o vocabulário dele...

- O senhor está muito espertinho pro meu gosto. – brinquei o carregando no colo e enchendo seu rosto de beijos. – E precisa de um banho urgente.

- Papa... Papa... – Thomas esticou a mão para Edward e eu compreendi o que ele queria.

- Você se importar em dar banho nele?

- Claro que não. Eu posso, tudo bem.

- Ótimo. Porque eu conheço esse monstrinho muito bem para saber que ele iria transformar o banho em um inferno se você não desse.

- Alguém aqui tem uma personalidade forte. – Edward comentou colocando Tom no chão já que ele não tinha mais paciência para ficar no colo de ninguém.

- Junte minha falta de paciência com seu pavio curto que o resultado será Thomas mesmo.

- Eu vou acalmar a ferinha com um banho.

- E eu vou preparar a mamadeira dele e um café bem forte. Você quer um pouco?

- Minha mamadeira é com chocolate, por favor. – Edward brincou me fazendo rir alto e empurrá-lo pelo ombro, mas recuando minha mão em seguida.

Olhamo-nos meio estranhos com aquele contato e diálogo cheio de brincadeiras que lembravam o passado e eu senti minhas bochechas queimando de vergonha por ter agido daquela forma. Eu tinha o tocado de um modo tão natural que nossa única reação foi nos olhar daquela forma antes de Thomas começar a resmungar e Edward subir a escada para dar logo um banho nele. O pior daquele momento já tinha passado e eu respirei fundo para ir logo preparar a mamadeira e o café para nós.

Em certo momento, enquanto o leite fervia e a cafeteira começava a preparar o café, eu escutei Edward gritar algo no andar superior como se estivesse xingando ou brigando com Thomas e apesar de minha vontade ser correr para ver o que tinha acontecido, eu contei até dez e repeti mentalmente que ele era o pai e teria que resolver a situação sozinho. Esse pensamento fazia parte do plano que eu tinha traçado para aquela nova fase de Thomas e que envolvia Edward também. Continuei preparando as coisas na cozinha e não demorou muito para os dois aparecerem, Thomas vestindo o pijaminha de girafinhas e Edward com a camisa branca de botões molhada.

- Ele me deu um banho. – ele comentou colocando Tom no cadeirão e o lançando um olhar de reprovação. – Jogou a esponja de golfinho em minha cara e ficou batendo as mãos na água até me deixar nesse estado.

- Por isso que agora eu só dou banho nele quando estou tomando banho também. Ou de biquíni.

- Da próxima vez eu vou usar até óculos de nadador. – Edward disse como se a próxima vez fosse algo esperado e natural, mas eu não comentei nada.

- Desculpa, o chocolate acabou. – disse empurrando a xícara de café para ele.

- Dessa vez eu deixo passar.

Coloquei a mamadeira nas mãos de Thomas e sentei no banco em frente ao de Edward com minha xícara na mão, soprando o líquido quente e tomando alguns goles em silêncio. Edward tomava seu café e observava como Tom bebia o leite da mamadeira em paz, o pé direito em cima da bandeja do cadeirão como ele gostava se sentar e fazendo barulhos engraçados enquanto sugava o bico. Nós dois rimos ao mesmo tempo daquela cena e nos encaramos novamente antes de eu lembrar o que tinha planejado conversar com ele.

- Vou aproveitar que você está aqui para conversarmos sobre o Tom.

- Aconteceu alguma coisa? – Edward retrucou sério e com ar de preocupação.

- Não, nenhum problema grave, só que ele está com quase dois anos agora e mais impossível que nunca de cuidar. Você viu hoje como está difícil até mesmo de dar banho nele.

- Pois é. Cadê aquele bebê calmo que contribuía com a gente?

- Cresceu e se tornou esse bebê de personalidade forte e cheio de vontades. Foi por isso que eu pensei em uma forma de me ajudar, domá-lo um pouco e aliviar a barra da Abby que não tem mais idade para passar por isso.

- E você pensou em que?

- Em colocá-lo em uma creche de tempo integral. Eu andei pesquisando alguns lugares que servem como creche e como um treinamento para escola, mas sem muita rigidez. Um ensino lúdico como Alice me explicou. Seria uma solução para nossos problemas.

- É uma boa. Thomas precisa conviver com outras crianças e acho que já está na hora de colocá-lo em um ambiente parecido com escola já que daqui a pouco ele já terá idade para freqüentar uma, não é?

- Aos três anos como nós pensamos uma vez?

- Uma idade boa. E a creche será um bom ensaio.

- Eu fui até alguns lugares e peguei todas as informações necessárias. – comentei levantando do banco e deixando a cozinha, mas voltando rapidamente com minha bolsa. – Quer dá uma olhada nos folhetos?

- Claro.

Sentei no banco ao seu lado e passei os folhetos das cinco creches que eu tinha visitado, contando as minhas impressões sobre o lugar e demonstrando nas minhas listas de prós e contras o que eu tinha achado de cada uma. Edward escutava com atenção, tirava dúvidas, comentava o que tinha achado através do que entendeu o que eu achei e em menos de 1h nós chegamos a um veredito sobre o futuro de Tom.

- Então será a Creche Casinha Feliz? – ele perguntou enquanto eu guardava os folhetos e minhas anotações.

- Apesar do nome brega, será ela. – respondi assentindo e rindo. – As opções de atividades em grupo encaixam melhor com o perfil do Thomas.

- "Encaixam melhor com o perfil". – Edward repetiu a frase e deu um sorriso muxoxo ao final. – Parece que nós estamos lidando com um adulto e com inscrições para faculdade, mas o Tom tem apenas 1 anos e oito meses. Isso é estranho demais.

- Estranho é já está falando sobre creche e escola. – suspirei com meu peito materno apertado. – Até ontem ele dormia o dia inteiro e seu mundo se resumia a nós dois, mas agora ele vai para uma creche, vai conviver com outras crianças e sabe Deus o que irá aprender lá.

- A hora chegou. Nosso bebê está crescendo.

- Nem me lembre. – murmurei jogando minha bolsa no ombro e ficando de pé. – Só de pensar que daqui a pouco ele irá pra faculdade e suas visitas se resumirão às férias de verão.

- Nós ainda temos dezoito anos pela frente, calma.

- Tá certo. – retruquei com sarcasmo. – Dois anos passaram na velocidade de dois dias, imagine dezoito anos.

- Dezoito dias, um pouco mais de duas semanas e metade de um mês mais ou menos. – Edward retrucou rindo e ficando de pé. – Não vou mais brincar com isso, parei. Porque por fora eu estou aceitando isso com naturalidade, mas por dentro eu me sentindo um velho já. Semana passada eu achei um fio branco em meu cabelo.

- Eu tenho fios brancos desde os 19 anos, herança de René.

- Sério? Eu nunca notei...

- Por isso que eu pinto meu cabelo pelo menos uma vez ao ano senão eu estaria ferrada.

- Eu te conheço a mais de seis anos e nunca percebi isso. – ele murmurou ligeiramente frustrado. – Quando nós começamos a envelhecer mesmo? Eu tenho quase trinta anos, até um dia desses minha maior preocupação era se meu time de baseball iria vencer o campeonato.

- E agora nosso filho vai para a creche. – outro suspiro de mãe com o coração na mão.

- Por falar nele... – Edward indicou o cadeirão atrás de mim com a cabeça.

Thomas brincava com a mamadeira vazia a batendo na bandeja do cadeirão e balbuciando algo que ninguém entenderia, me fazer sorrir e desejar que ele nunca crescesse. Seria maravilhoso se ele ficasse naquela fase para sempre e só me causasse problemas como fralda suja e brinquedos espalhadas, todavia, outros problemas chegariam e meus fios brancos ganhariam mais motivos para se proliferarem.

- Hora de dormir. – falei o tirando do cadeirão e deixando a mamadeira na pia. – Mas antes vamos escovar os dentões.

- E está na minha hora de ir. – Edward disse se aproximando para beijar a cabeça de Tom. – Até mais, carinha.

- Papa... – Tom balbuciou e sorriu com seus poucos dentes.

- Me ligue quando resolver o lance da creche, certo? Horários, preços, essas coisas.

- Amanhã eu resolvo tudo e te ligo.

- Então... boa noite. – ele disse sorrindo de lado. O velho sorriso torto que me deixava louca. Não, deixava não. Deixa ainda.

Edward beijou minha bochecha e eu senti sua mão em minhas costas quando ele fez aquele movimento, o calor que irradiava de seus dedos queimando minha pele sob a camisa velha que eu vestia. Sua camisa que ele nem percebeu ser a última peça de roupa que eu ainda tinha que fora dele. Aquele fato era irrelevante diante do fato de que nos despedimos com um beijo trocado na bochecha, um sorriso e a promessa de que iríamos nos falar no dia seguinte. A questão do momento não era quando Thomas começou a crescer e nós começamos a envelhecer, era muito mais apocalíptica que isso; quando nós voltamos a ser Bella e Edward que não brigavam, não xingavam o outro a cada resposta, que conversavam como adultos e se davam relativamente bem? Seria o prenuncio de que a separação havia sido algo bom para nós e que a situação tinha finalmente se estabelecido? Ou que com o tempo separado e reflexões nós tínhamos amadurecemos e estávamos prontos agora para recomeçar? Dúvidas, dúvidas, dúvidas... E decisões, decisões, decisões... Droga!

No dia seguinte pedi algumas horas de folga no trabalho para resolver a questão da creche e segui para conhecer melhor o lugar. A diretora foi super atenciosa e mostrou um plano de atividades que seria perfeito para um bebê hiperativo e sem precedentes de interação com outras crianças da mesma idade. O parquinho era perfeito, a salinha de soneca a coisa mais fofa toda decorada com caminhas verdes e lilás, a salinha de artes com todos os brinquedos para ele se sujar bastante e uma nutricionista preparando refeições balanceadas e deliciosas para as crianças. Mesmo o preço sendo um pouco acima do que eu tinha planejado investir em uma creche, eu não pude pensar em outro lugar melhor para Thomas iniciar uma vida escolar e fora de casa e no final do dia eu confirmei a matrícula de Tom após Edward concordar que a Creche Casinha Feliz era perfeita.

Agora eu só precisava me preparar psicologicamente para a grande separação e no dia seguinte meu coração estava no pé enquanto eu arrumava a mochilinha de Thomas para seu primeiro dia na creche. Ele não entendia a seriedade da situação durante o caminho, enquanto eu tentava explicar o que ele iria fazer na casa da amiguinha da mamãe que ficaria com ele durante o dia, e brincava com o controle do som apertando qualquer botão e mudando de estação a cada dois minutos. Até chegar à creche eu já estava suando de ansiedade, com taquicardia, os braços pesados e as pernas bambas quando saí do carro e o carreguei no colo. Cada passo que eu dava para o pequeno prédio era como se eu estivesse dando um passo para ser executada, muito drama acontecendo em minha mente para que eu conseguisse controlar meus olhos e os mantivesse sem lágrimas. Eu me segurei o tempo todo, durante o tour que fizemos com o Tom para ele conhecer o lugar e quando fomos apresentados à tia que iria cuidar dele e de mais cinco bebês de sua idade. O coloquei no chão para começar a interagir com os outros e fiquei observando por alguns minutos.

Thomas ficou parado um tempinho olhando desconfiado para os outros brincando no chão com diversos brinquedinhos coloridos e me olhou como se perguntasse se era seguro ir brincar também.

- Vá brincar, Tommy. – disse me agachando até sua altura.

- É, Thomas. – Lucy, a tia, concordou também se agachando e segurando sua mãozinha. – Você gosta massinha de modelar? Nós podemos montar bonequinhos se você quiser. Você quer?

Ele levou a mão até a boca para brincar com os dentinhos e me olhou novamente. Assenti dizendo que ele podia brincar de massinha com a tia e ele olhou para Lucy balançando a cabeça para cima e para baixo ainda mordendo a mão gorda. Ela levantou, segurou sua mão livre e o incentivou a se aproximar de uma mesinha com uma caixa cheia de massinhas. Tom sentou na cadeira minúscula que cabia apenas seu corpo minúsculo e pegou timidamente um pedaço de massinha que Lucy entregou, amassando com apenas uma mão porque a outra ainda estava na boca sendo mordida. Lucy conversava baixinho com ele enquanto os dois amassavam as massinhas e faziam formas variadas, aos poucos Thomas perdia a timidez e interagia com ela e com a brincadeira. Não demorou mais de cinco minutos para ele se transformar na criança que eu conhecia; esperta, hiperativa, montando bonequinhos com a tia como se já a conhecesse há muito tempo. Aquele foi o momento em que eu me retirava da creche e iria trabalhar.

E no estacionamento eu desabei dentro do carro, principalmente porque na despedida Thomas não mostrou muito interesse em mim e continuou enrolando a massinha na mesa com Lucy. Até eu chegar ao carro estava tudo bem, mas bastou eu sentar no banco de couro para meus olhos desaguarem como as cataratas do Niágara em plena cheia e precisar respirar fundo para controlar os soluços. Na minha mente eu só conseguia pensar em uma pessoa para ligar naquele momento e fiz isso ao digitar seu número com os dedos trêmulos e esperar ele atender a ligação enquanto minha perna direita balançava cheia de ansiedade.

- Eu não vou conseguir! – disse antes mesmo de ele dizer "alô".

- Bella? – Edward retrucou se certificando que era eu mesma. – O que aconteceu?

- Eu não vou conseguir deixar Thomas na creche todos os dias, Edward.

- Por quê? Onde você está?

- No carro estacionado na creche. Eu acabei de deixá-lo brincando com a Lucy de massinha e ele não chorou quando eu fui embora, nem fez birra. Ele continuou brincando mesmo quando eu disse que passaria o dia longe! Ele não liga mais pra mim agora!

- Isso não é verdade, Bella. Tom só está interessado com as novidades, por isso não ligou muito pra você. Você é a mãe dele e ele sabe muito bem disso.

- Mas ele nunca ficou longe de mim e com algum estranho antes. E se quando eu vier pegá-lo ele não quiser vir comigo? O que eu vou fazer?

- Eu não sei...

- Você deveria ter uma resposta!

- Desculpe, mas... Eu não sei o que dizer, Bella. Você quer que eu vá te pegar aí?

- Quero... – choraminguei, mas então me toquei de que aquilo era loucura. – Não! Não precisar vir.

- Tem certeza?

- Tenho. Eu só estou assustada por ser a primeira vez que eu me separo dele dessa forma, é normal.

- Vai demorar um pouco, mas você irá se acostumar. Nós vamos nos acostumar.

- Eu sei...

- Mas se você quiser, eu vou ir te pegar. A emergência está tranqüila e a creche é perto daqui.

- Não precisa, de verdade. Eu vou ficar bem.

- Qualquer coisa...

- Eu te ligo, pode deixar.

Ao desligar daquela ligação espontânea que fiz para Edward, eu estava me sentindo um pouco mais leve com toda a situação do Thomas. Eu precisava mesmo ligar para ele, pois ninguém mais iria entender o que eu estava passando ao me separar pela primeira vez de nosso filho daquela forma. Só Edward conhecia o Tom tão bem como eu e sentia a mesma impotência por vê-lo crescendo tão rápido. Ir para creche era apenas o primeiro passo e nós teríamos que nos acostumar com essas novidades. Nós. Porque existe ex-marido e às vezes ex-amor, mas Edward e eu seríamos nós quando se tratava do bebê que colocamos no mundo de modo não planejado, mas que tinha se tornado a razão de minha vida.

Só que aquela ligação significou outro tipo de nós. Minha necessidade de escutá-lo me dizendo que tudo iria ficar bem ia além do assunto "Thomas", era meu subconsciente me informando que não existia outra pessoa capaz de me deixar calma daquela forma, que eu encontrava segurança em sua voz, que por mais que eu procurasse só Edward tinha esse poder. Ele tinha cometido erros? Sim, mas ainda era o certo para mim em diversos aspectos. Eu só precisava decidir que rumo aquilo iria tomar em minha vida agora e precisava logo. Minha mente não iria agüentar tanta indecisão por quase um ano.