Muito boa tarde, senhores leitores:)
É com imensa felicidade que eu retomo minhas atividades no site e consequentemente, ao meu querido Candy Pleasures. Foram algumas meses de descanso desta história e de muito trabalho em outras, mas eu finalmente aceitei a realidade, que não posso desistir de minha história, deixando-a assim, ao léu.
É também com imenso amor e carinho que agradeço a todos que me deram apoio e entenderam minha decisão, além daqueles que se propuseram a tentar continuar minha história. Fiquei profundamente emocionada com todo o carinho, e só tenho a agradecer :D
Então, se alguém ainda lembrar do Candy, que o leiam com carinho e com a promessa de que ele não mais irá se interromper por motivo algum :o
Há não ser que aconteça alguma desgraça .-.
Mas eu não creio que será assim :D
Apresento aqui o capítulo 25 de Candy Pleasures!
Boa leitura :)
Capítulo 25
E havia sido recebida com festa e alívio a notícia da partida de Tomoyo. Matt não podia controlar a felicidade ao contar os detalhes, nem Sakura, nem Nina e nem Kate evitaram as lágrimas de pura alegria. Provavelmente nenhuma delas dali sairia, mas consolava o fato da morena ter encontrado seu caminho.
Mas é óbvio que nem todos haviam recebido aquela notícia com naturalidade.
"Eu não sei quem você pensa que é, menina, para vir aqui me dizer essa mentira deslavada, com esse sorriso estúpido no rosto!", Charity vociferou a Nina, que mesmo diante da nova chefa, não contraiu a expressão e nem afastou. "Tomoyo não pode me abandonar! Ela é uma das melhores prostitutas, senão a melhor!".
"Deveria ter tido isso a ela, antes de ela tomar o navio com o senhor Kinomoto", Matt resmungou, dividido entre o sentimento da boa novidade e a vontade de esmurrar Charity por ela estar interrogando-os, como se tivessem cometido um crime.
"E você estava lá, não estava?! Por que não a impediu, diabos?! Ela é uma fonte de lucros que a sua namoradinha certamente não é!".
"Não é por seus lucros que eu iria impedir uma boa pessoa de ser feliz".
A loira arfava e seu peito volumoso subia e descia, parecendo estar prestes a explodir. Porém, suas próximas palavras soaram frias. "Pois bem. Agora não há nada a ser feito".
Matt e Nina sorriram satisfeitos.
"Entretanto, eu não sairei perdendo nessa brincadeira de casinha", os olhos castanhos fixaram-se em Nina, medindo-a de um modo incômodo. "Alguém vai substituir Tomoyo. Alguém vai ser a atração principal, junto a inútil da Sakura. E essa pessoa será você".
"Você perdeu o juízo?!", Matt esbravejou, colocando Nina atrás dele, em uma posição defensora. "Eu a salvei e quando a salvei, Sakura ainda era dona desse bordel! Não pode tomar uma decisão desse tipo!".
"Eu tomo as decisões que me convierem", ela levantou-se da cama que antes pertencera a Sakura e que agora, Charity raramente deixava. "Vamos colocar de um modo que vocês dois compreendam: Nina ganha para cantar, mas nenhum homem a toca ou a tem, ou seja, nenhum homem paga o seu devido valor. Enquanto você, Matt, nada mais faz, pois o seu antigo trabalho era um verdadeiro lixo sentimental e não agrada quem procura satisfação sexual", o pianista cerrava os punhos. "Um pianista que não toca piano é um peso morto, e uma canção que não dá prazer também. Se Nina se recusar a trabalhar, boto-o para fora daqui", sorriu perniciosamente. "Mas não antes de fazê-lo observar sua querida namorada tendo sua primeira experiência com um cliente sujo e fedido".
"Você não ou...!".
"Matt", Nina o interrompeu, segurando seu braço com firme delicadeza. "Não seja impulsivo. Podemos chegar a um acordo".
"NÃO EXISTE ACORDO! VOCÊ É MINHA!", Nina tentou não se comover com o homem apaixonado que Matt se revelou. "Não existe o porquê de obedecermos ela! Podemos conseguir um outro lugar para viver, não precisamos ficar aqui!".
E qual seria a perspectiva de vida para um casal de jovens, sem muitas aptidões, num local sujo e sem futuro como Dunny Coast? Passariam fome, logo teriam que se prostituir de formas menos dignas que as que eram impostas no bordel. Talvez morressem, afinal, a noite é cruel onde não habita a lei.
Nina não queria imaginar esse futuro para o homem que a salvara de algo parecido. Se pudesse impedir, se fosse a única que pudesse impedir, impediria.
Qualquer que fosse o custo.
"O que sugere, Charity?", indagou com calma.
"Nada demais. Você passa suas noites com os clientes, fazendo o que for exigido por eles, recebe, e tem um teto para viver. Você e Matt. Não é tão difícil, é?".
"Não pense que...!".
"Nós conversaremos, somente nós dois, Charity", Nina interveio novamente, prevendo desgraças se o pianista continuasse a ser temperamental. "Tenho um tempo para pensar?".
"Darei dois dias", ela resmungou. "Agora saíam daqui que só me trouxeram aborrecimentos hoje".
Tomando em mãos a mão de Matt, a cantora saiu do aposento.
Sabendo o que iria escutar quando estivessem sozinhos ao andar pelo corredor.
"Não podemos fazer isso! Você não pode fazer isso! Você foi criada como uma princesa, foi criada para ser uma rainha. Eu sei que não tenho o que oferecer, mas é melhor do que isso! Do que essa falta de dignidade! Eu fui o único a tocá-la...", o tom de voz dele suavizou. "E esperava ser o único para sempre".
"A rua não é lugar para você e nem para mim, Matt. Não vamos sobreviver lá fora, nenhum de nós dois é forte o suficiente. Queremos ser corajosos, mas também devemos querer ser realistas. Você compreende isso?", o olhou com calma, o contrário do que via na expressão dele. "Será o único a me tocar verdadeiramente. O que tivemos não pode ser comparado a um trabalho. E será apenas um trabalho ao meu ver, eu lhe prometo".
"Não duvido de você e de sua integridade. Duvido de todos os homens, isso sim! Eles a tocarão em lugares que...", a voz falhava só de pensar na possibilidade.
"Não pense nisso. Não pense onde eles me tocarão, pois eu não estarei lá, meu pensamento estará com você. Minha alma estará com você, e eu não me lembrarei de nada", lembraria e não se acostumaria nunca com o fato de ter homens violando-a, ela tendo que fingir agrado quando sentia repulsa. Mas usaria nela o que quisera passar para Matt. Seria somente seu corpo. E não era o que havia de mais sagrado entre eles.
Matt não compartilhava da mesma idéia. Comprimindo insistentemente seus lábios a ponto de deixá-los vermelhos de tensão, a mão que apertava a sua seria considerada covarde, seria considerada vã, se não fosse a dele. O pianista abaixou os próprios olhos por não conseguir encarar os dela com coragem. Não era forte para dividi-la. Depois do custo de tê-la, do prazer de amá-la, imaginar outro homem tendo o mesmo privilégio o enchia de dúvida e de dor.
"Seja... seja qual for o argumento que você usar... a tese que você formular... eu não posso permitir, Nina".
"Mas, Matt...".
"Eu não vou permitir, melhor dizendo!", ele a interrompeu com firmeza. "Não vou te expor a humilhações apenas porque não conseguimos trabalho. Vamos dar um jeito, eu te prometo, sem que você seja maculada".
"Não há outro jeito!", Nina exclamou.
"Não se deixe abater, meu amor!".
"Não é questão de se abater ou não! É questão de ser inteligente, de usar a cabeça! Matt, você vive nesse mundo há mais tempo que eu e parece estar querendo dar uma de inocente! Eu vou fazer o que for necessário para sobreviver e para ficar junto com você! E não vamos discutir mais!".
Por falar muito rápido, Nina pausou-se, mas quando abriu os olhos novamente, a mão de Matt já tinha abandonado a sua e ele atravessava o corredor com pressa. Nina conseguia compreender sua ira, mas não seu despeito. Ele crescera naquele mundo. Entendia as duras regras de sobrevivência e os sacrifícios que deveriam ser feitos. Nada que mudasse um amor forte. Nada que pudesse destruí-lo, se seus alicerces eram firmes como eram!
A quem estava querendo enganar? Temia como o diabo teme a cruz qualquer homem a tendo na cama, a tocando.
A sensação quente que dominava a mão largada por Matt lhe deu forças para retesar lágrimas e lamentações.
Precisaria de ajuda especial.
-//-
É estranho depender de uma cor.
De um sabor.
De uma textura.
De uma carne.
É estranho depender do sangue.
Jack colocara suas luvas de couro, arrumara suas malas, engomara seu mais negro casaco. A noite era fria e ele assim não preferia. O cheiro de sangue alastrava-se com muito mais rapidez no calor de uma noite estrelada.
Nina.
O nome delicado ecoara em seus ouvidos por horas a finco, dando início a uma fome agora incontrolável. Seus dedos formigavam com a possibilidade de tocá-la e formigavam com a ainda mais tentadora possibilidade de se vingar do pianista que o impedira de matar o chinês.
Mataria dois coelhos numa cajadada só, alimentando sangue e vingança em proporções boas para não pensar mais nisso.
Ou seria ele o tolo a se enganar agora, a pensar que não pensaria quando de fato, pensaria ainda mais depois de matar uma preciosidade como era a cantora?
Teria todo o tempo do mundo para degustar de seus pensamentos e de suas idéias, depois do assassinato de hoje à noite.
-//-
Sakura e Kate olharam a pequena figura em frente ao espelho. Não sabiam se riam da maquilagem, não sabiam se choravam da situação. Nina não era mais ela mesma, julgava não ser mais nada, vestida da maneira como estava, fingindo da maneira como fingia.
"Fiquei... muito feia?".
"Vou tirar um pouco do batom, meu anjo", Sakura se aproximou, limpando o excesso com um pano. "Não precisa exagerar tanto, sabe... simplicidade também é muito atraente, talvez até mais que a extravagância".
"E você tem de ser você mesma! Não fique forçada, pois pode cair no engano de se parecer com a Charity", Kate aconselhou-a. "E não é isso que você quer, não é?".
"Não! Quero ficar parecida com você e com a Sakura! São meus maiores exemplos!", ela afirmou, e Sakura riu. Ela falava como se fosse um motivo de orgulho.
As duas prostitutas abriram as cortinas e Nina assustou-se, como nunca havia se assustado, com toda a fumaça que os charutos dispersavam no ambiente. E os homens, porque do nada, eles pareciam tão gigantes e fedorentos? Quando cantava, pareciam um bando de bebes chorões e comovidos. Abraçou os próprios braços, e sentiu a mão firme de Sakura em suas costas. Ela fora a primeira a negar a ajuda e em seguida, entender sua posição. Devia muito àquela mulher de olhos esverdeados.
Os seus olhos, inconscientemente, procuraram Matt dentro daquela multidão. Entretanto, desde sua discussão, ele havia desaparecido. Queria explicar tanto a ele, poder falar tudo o que sentia preso no peito. Entretanto, se ele não se mostrava receptivo a única forma de sobrevivência que teriam, ela teria de ser forte, ele também, e ambos teriam que resolver seus problemas pessoais depois.
Antes mesmo que pudessem começar a circular entre as mesas redondas, Charity aproximou-se, numa rara saída de seus novos aposentos, trajando um vestido de Sakura que nela, parecia-se mais uma alegoria. A cortesã de olhos verdes, num ato de surpreendente indiferença, continuou impassível ao lado de Nina, assim como Kate, um tanto mais medrosa que sua antiga patroa.
"Apesar da sua aparência de menina idiota, Nina... você revelou-se muito esperta. Muita mais esperta que seu namoradinho".
"Tem algo realmente importante para dizer, Charity?", Sakura interveio, não gostando do tom provocativo da loira.
"Sim, mas não com você. Pode ir cuidar de seus clientes", a ruiva titubeou um tanto, olhando ora para Nina, ora para Charity, mas a jovem cantora sorriu-lhe um sorriso de coragem, dando a entender que ficaria bem. Para ela Sakura também sorriu e com um aperto firme em suas mãos, distanciou-se. "Agora que essa vagabunda já se foi... Nina, como é sua primeira noite, reservei um cliente exclusivo a você. Ele é um homem muito especial, que pagara muito bem por sua virgindade. Aposto que você até o achara bonito", se não fosse Matt a aguardá-la naquele quarto, nunca o acharia bonito. "Ele está nos aposentos dos fundos, pois quer total privacidade. Vamos então?".
Sem outra alternativa, seguiu a loira pela multidão de homens bêbados.
Logo atravessavam o saguão e entravam nas partes mais escuras, reservadas aos tais encontros privados. Na porta, um homem alto estava aguardando, e Nina pouco via, pois ele usava uma cartola que lhe ocultava com uma sombra seu rosto, dando apenas a aparecer joviais cabelos loiros.
"Senhor, aqui está Nina", uma intimidade velada havia entre os dois, pois o sorriso que Charity deu ao homem foi deveras assustador. "Espero que aproveite sua noite".
"De certo o farei", ele retirou o chapéu, revelando-se um homem realmente muito bonito, mas com olhos tão frios e expressões tão vazias que um calafrio perpassou todo o corpo da jovem cantora. "Nina, estou encantado com sua beleza. Ouvi tanto dela, mas... pessoalmente, é uma obra de primor. Não quer acompanhar-me?".
Não, não quero. Quero que Matt venha aqui e o soque por sua ousadia e de quebra, ainda espanque Charity e seu sorriso convencido! Eu não quero, não quero te acompanhar!
"Sim", seu consentimento não foi mais que um suspiro, quando ele abraçou-a pelos ombros com um sorriso assustadoramente parecido com o de Charity e fechou a porta atrás de ambos.
"Agora, minha pequenininha... Iremos aproveitar".
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Matt não costumava beber e sempre olhava os que o faziam com asco, considerando-os verdadeiros fracos. E para quem tanto julgava outrem, não lhe escapava a própria ironia, quando ele agora se caminhava para o lado externo do Candy, envergando nas mãos feridas uma garrafa do pior e mais mal cheiroso uísque que pudera encontrar. Ao avistar uma sombra que, de dias para cá, tornara-se conhecida por também apreciar os alívios momentâneos do álcool, sentou-se ao lado dele, sorvendo em um gole o que não sorvera durante tantos anos de vida.
"Ninguém lhe avisou, garoto, que bebidas só são permitidas a maiores?".
"Ora, cale sua maldita boca, chinês!".
"Se estou avisando, é para seu bem. Não há muito consolo na bebida, juro que não. Nem nenhuma resposta. Se houvesse, não restaria uma gosta de rum em toda Londres, eu já teria consumido todas", os olhos dourados brilharam na escuridão com os de um felino. "Você a viu? Que pergunta, é claro que a viu... ela está com algum cliente? Ou está perambulando pelo salão? Ande, moleque, responda, ela está por lá?".
"E onde mais ela estaria, idiota? Lógico que está no salão! Está trabalhando, está fazendo o que tem que fazer! Pare de me importunar e vá para lá, se quer tanto saber de Sakura".
"Fala como se não conhecesse aquela mulher... Tenho que tomar mais uma garrafa antes de ser enxotado novamente".
Soltou um suspiro amargo. "Pelo menos você planeja fazer alguma coisa. Pelo menos você vai lutar para ver a mulher que ama nos seus braços, não nos braços de outro qualquer. Enquanto eu... eu não tive coragem nem de olhá-la mais... nem de saber o que estava passando em sua mente, se ela... se ela estava bem...".
"Peraí, moleque. Não estou entendendo nada do que você está dizendo".
"Também, bêbado como está...", afundou a cabeça em mãos, não agüentando o peso dela. "Estou falando sobre Nina... Tomoyo foi embora, Charity precisava de outra boa prostituta... se ela não trabalhasse, seríamos obrigados a deixar o Candy... e ela se recusou... Não importou nenhum argumento meu, ela simplesmente se recusou e agora deve estar... deve estar... argh!".
A sombra cambaleante de Syaoran levantou-se não com muita firmeza, mas com determinação, algo que faltava ao pianista desolado.
"Você vai ficar aqui, reclamando para mim?!".
"E o que quer que eu faça?! Já tentei de tudo! Nina simplesmente não me ouve! Está empenhada em nos dar um teto para morar!".
"E você parece estar empenhado a dar sua mulher para outro se aproveitar!".
"Ora, seu...!", Matt também se levantou, furioso. "Não admito que fale assim!".
"Não admite que eu fale, mas admite que outro homem agora esteja levando-a para um quarto, esteja roubando o que por direito é seu!", o pianista ia logo revidar, mas Syaoran pousou a mão no seu ombro, apertando-o. "Nunca gostei de você, moleque. Mas também nunca achei que era um covarde e chorão! Sempre acreditei que se um dia eu falhasse em proteger Sakura, você o faria em meu lugar! E continua acreditando nessa sua força! Nada lhe falta, então não perca tempo! Lute por ela e depois, lute para sobreviver com ela e enfim, seja feliz! Será que não vê que é o único caminho que restou?".
Aquelas palavras, vindas de um homem que ele detestava profundamente, o encorajaram como se um pai ou um irmão as falasse! Ele respirou fundo, assimilando dentro de si os próximos passos. A salvaria de qualquer um, ou a resgataria antes que alguém pensasse em tê-la! Saíram daquele bordel, ele tinha algumas economias, por algumas noites, podiam ficar em um hotel baratinho, logo ele arranjaria um emprego qualquer, poderia sustentá-la, comprar um lugarzinho para que ela vivesse feliz. Não era um luxo, mas... Ela poderia ser livre! Livre de tudo aquilo que sempre a aprisionara e a...
"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!".
Aquele som irrompeu seus pensamentos. Era o grito que ele conhecia como ninguém. Era a voz de quem amava como ninguém.
"NINA!", desatou a correr para dentro do bordel.
Continua
