Faltavam 15 minutos para as 11. Denis andava preocupado de um lado para o outro. Rony observava os filhos, encostado numa das muitas pilastras da estação. Um pouco cansada Hermione lia qualquer coisa sentada num dos bancos próximos. Via o filho andar de um lado para o outro e se preocupava também.

Filho, acalme-se! – pediu.

Mas ele não chega, mãe! Será que não vem mais?

Claro que vem! Venha se sentar um pouco! Está me deixando tonta com todas estas voltas que está fazendo.

Sorrindo o menino se aproximou da mãe. Ele agora estava com 11 anos e se preparava para tomar o Expresso de Hogwarts. Estava ansioso por conhecer a lendária escola onde seus pais estudaram, mas estava preocupado por seu pai ainda não ter chegado para se despedir.

De onde estava Rony deu um resmungo. Era o sinal pelo qual Denis esperava: Draco havia chegado. Animado ele se levantou e olhou para onde Rony havia apontado. Com cara feia ele exclamou: - Ah não! Ela veio também!

Denis! – Hermione brigou. – É sua irmã!

Olá! Desculpem o atraso! Tive problemas com a Pansy!

Achei que você tivesse esquecido! – Denis exclamou abraçando-o.

É claro que não esqueci! Preparado?! – sorriu animador.

Mais ou menos! – ele se virou para a garotinha que acompanhava seu pai. – Oi Diana!

Oi Denis! Como está se sentindo hoje?!

Bem... – respondeu incerto. A menina às vezes o fazia se lembrar dos andróides de filmes trouxas.

Olá Draco! – Hermione cumprimentou contente por vê-lo. – Como vai Diana? – ela se inclinou para cumprimentar a garotinha extremamente loira e com um vestidinho lilás e um bolerinho branco com flores bem pequenas, muito elegante. Rony se aproximou também, mas não falou nada.

Olá senhora Weasley! Olá senhor Weasley! Eu vou bem, obrigada!

Que gracinha! – Hermione exclamou encantada com a educação da pequena.

Parece mais um robozinho! – Rony comentou esperando que apenas Hermione ouvisse.

E onde estão os seus filhos, Weasley?! – Draco perguntou azedo.

Ali atrás, comportando-se como crianças normais! – respondeu mal-educado.

Ronald! – Hermione exclamou. Depois procurou pelos filhos preocupada. Nem havia notado que Rony os deixara sozinhos. – Philip, Marry! Venham até aqui!

Um garotinho de cinco e uma garotinha de quatro anos, ambos muito ruivos, desistiram de espreitar os pombos da estação e vieram correndo ao encontro dos adultos. Philip agarrou as pernas de Rony e Marry encarava sorridente os dois que chegaram.

Não dizem nada? – Hermione interferiu no silêncio.

Oi papai do Denis! Oi irmãzinha do Denis! – Marry falou meigamente. Philip apenas acenou para os dois, era muito tímido. – Mamãe, podemos voltar a caçar pombos?! – ela perguntou de repente.

Podem, mas fiquem por perto!

Tá bom! – ela respondeu. Philip correu primeiro. Marry ia segui-lo, mas parou de repente. – Vem também Den-Den!

Denis fez uma careta ao ouvir novamente o apelido que sua irmã lhe dera, depois falou: - Eu não tenho mais idade para caçar pombos, Marry, e não me chame de Den-Den, por favor!

Ela apenas balançou os ombros e se virou para Diana: - Venha Diana! Vamos brincar!

Diana olhou desconfiada para o que Philip estava fazendo. Com uma careta discreta falou: - Não posso! Não quero sujar meu vestido novo!

Fazendo uma careta de total incompreensão e balançando novamente os ombros ela foi ao encontro do irmão.

Denis! – Diana chamou. – Quase me esqueci! Papai comprou este presente e me pediu para entregar a você! – ela estendeu para ele uma caixa dourada cheia de sapos de chocolate.

Puxa! Obrigado pai, e obrigado Diana! Posso abrir, mãe? – ele perguntou sorridente.

Claro! Se não comer aqui vai se empanturrar lá dentro mesmo, não é?

Denis abriu a caixa com vontade, depois chamou os irmãos e ofereceu os sapos. Diana só aceitou depois de olhar para o pai e este lhe dar permissão. Philip não deu muita atenção ao chocolate, então Rony comeu no lugar dele. Mais interessado na figurinha ele exclamou:

Olha! É o tio Harry!

O quê?! – Rony quase engasgou. – Deixe-me ver? – e arrancou a figurinha das mãos do filho. – Desde quando o Harry faz parte dos bruxos mais famosos do mundo?!

Oras! – Hermione exclamou. – Desde um ano de idade!

Mas ele não estava nas figurinhas antes!

São os bruxos mais famosos do mundo moderno, pai! Acho que até a mamãe está nas figurinhas depois da descoberta dela para a cura dos lobisomens!

Como é?! Hei, Philip! Me dá essa figurinha? Eu ainda não tenho essa!

Nem eu! – ele reclamou.

Você sabe há quantos anos eu coleciono estas figurinhas?!

Mas você já tem um monte, pai!

Por favor! – implorou. - Eu troco com você!

Não! – Philip escalava Rony tentando alcançar a figurinha.

Por favor, Ronald! Não seja ridículo! – Hermione pegou a figurinha da mão do marido e a devolveu para o filho.

Toma, papai! Eu te dou a minha! – Marry ofereceu.

Rony pegou de bom grado, mas teve que disfarçar a decepção: era Dumbledore.

Rony continuou negociando com o filho, Marry e Diana brincavam, bem mais discretamente do que Diana gostaria, e Draco assistia as duas. Denis olhava ansioso para o Expresso e Hermione observava, já com saudade, o filho. Notava que ele estava inseguro.

Denis? – ela chamou. – Que foi meu amor? Está preocupado com alguma coisa?

Sem agüentar mais disfarçar ele se aproximou da mãe e sentou-se a seu lado. – Sabe o que é? Eu estou com medo da seleção!

Da seleção? Mas por que? – ela perguntou admirada.

É que... Se o chapéu me colocar na Sonserina meu pai vai ficar triste, mas se ele me colocar na Grifinória meu outro pai é que vai ficar bravo! – falou chateado.

Que isso, meu amor! Nenhum dos dois vai ficar bravo! Não importa a casa em que você for colocado, e sim como você vai agir lá dentro.

Ah, mãe! Eu sei que até você gostaria que eu fosse para a Grifinória!

Bom... É claro que eu preferiria que você fosse da mesma casa que eu, mas eu não vou gostar menos de você se o chapéu te colocar em outro lugar! Não se preocupe, meu amor! Nada vai mudar, independente da casa em que você cair!

i "Última chamada para o expresso de Hogwats! Todos a bordo, por favor!" /i – Uma voz soou de algum lugar.

Hermione sentiu seu coração diminuir. Sabia que aqueles seriam, provavelmente, os melhores dias de Denis, mas não gostava da idéia de se afastar de seu filho. Com um abraço apertado e lutando para não chorar ela se despediu:

Boa sorte, meu amor! Comporte-se, viu? E obedeça os professores! Estude bastante!

Pelo amor de Deus, Hermione! – Rony interferiu. – Estude apenas o necessário para passar nas provas!

Ronald! – Hermione exclamou, mas Rony não ligou.

Abraçou também o filho. Não havia mais conselhos para dar porque Hermione já havia dado todos. Enquanto Draco se despedia também Hermione chamou os outros filhos.

Ele já vai? – Marry perguntou com a voz triste.

Vai! – Diana respondeu parecendo aliviada.

Ah, não! – Marry agarrou Denis pela cintura. – Não vai não Den-Den! – ela começou a chorar.

Sem nem saber porque Philip começou a chorar também. Só faltava Diana, mas tudo que surgia em seu rosto era uma expressão de pura incompreensão. Puxando discretamente a mão de Draco ela perguntou:

Por que eles estão chorando, papai?

Sei lá! – Draco respondeu tão confuso quanto a filha.

Rony pegou Marry no colo para desgrudá-la de Denis. Hermione segurou a mão de Philip. Todos observavam Denis entrar no expresso de Hogwarts. Draco e Rony ansiosos por saber em que casa o menino ficaria, cada um com sua certeza, Hermione inconformada achando que ele era novo demais para ficar longe dela. Philip parara de chorar, mas Marry ainda soluçava no ombro do pai.

Vamos embora, papai? – Diana perguntou, Draco não lhe deu atenção. Estava perdido no olhar triste que Hermione lançava ao expresso que agora se afastava.

Quando o trem sumiu no horizonte Hermione se convenceu de que o filho já era um menino crescido e que agora iria aprender as coisas sem ela. Enxugando discretamente umas poucas lágrimas ela abraçou Rony e falou: - Vamos, amor! Eu estou enjoada de novo!

Vamos! – ele respondeu. – E aí princesa? Vamos? – ele perguntou para Marry em seu colo.

Uhum... – ela respondeu ainda com os olhinhos vermelhos. Ela se remexeu para que Rony a colocasse no chão e foi para perto de Draco. – Tchau pai do Denis, tchau irmã do Denis! – ela acenou com a mão, depois enlaçou a mão de Rony.

Tchau Draco, tchau Diana! – Hermione se despediu dando um beijo em cada um. – Até qualquer dia!

Tchau, senhora Weasley! – ela respondeu. Draco apenas sorriu.

Rony e Philip saíram mudos. Não demorou muito para que as crianças voltassem a correr e deixassem o casal para trás. Draco viu Rony segurar carinhosamente a mão de Hermione e com a outra acariciar a barriga que ainda não aparecia. Ele já tinha ouvido no Ministério rumores de que Hermione estava grávida de novo, mas tinha esperanças de que fossem apenas boatos.

Ele assistia aquela cena e ela ainda o chateava. Agora mais ainda porque sabia que dificilmente voltaria a ver Hermione, a não ser nos feriados em que Denis voltasse para casa. Ele havia decidido se casar há quatro anos quando descobriu que Pansy estava grávida. Achou que uma família o faria se esquecer de Hermione, mas estava errado.

Vamos, papai?

Ele olhou para a filha lembrando-se que ela estava ali. Sentiu-se mal com medo que a menina pudesse ter percebido sua melancolia. Ele sempre achara Diana séria demais, adulta demais para a sua idade. Voltou a olhar para Rony e Hermione se afastando sorridentes e seus filhos "normais" correndo alegremente a frente deles e sentiu-se culpado. Sabia que Pansy era dura demais com a filha, tudo para guardar as tradições de uma família sangue-puro muito tradicional. Apesar de vê-la fazer com a menina o mesmo que seu pai fazia com ele e que ele não gostava, ele não interferia. Só então percebeu o quanto era frio com ela. Percebeu envergonhado que a tratava muito diferente do que tratava Denis.

Papai?

Ele se agachou e sorriu para ela: - Que tal se fossemos tomar um sorvete?

O brilho que surgiu no olhar da menina, seguido pelo seu sorriso fez Draco se arrepiar.

Vamos! – ela exclamou abraçando-o. Depois se afastou insegura, aprendera que não era elegante demonstrar suas emoções em público. Tornando-se séria novamente falou: - Mamãe vai ficar brava...

Draco olhou para os lados e depois sorriu marotamente: - Mamãe não está aqui! Portanto não precisa saber!

Ela sorriu novamente. Draco ficou contente em descobrir como era fácil agradar uma criança. Sua filha não era diferente das outra, apenas precisava de mais carinho.

Então vamos lá! – ele a pegou no colo e ela se surpreendeu. – Depois a gente pode dar uma volta pelo Beco Diagonal. O que você acha?

Acho ótimo, papai! – ela se segurou contentíssima ao pescoço dele e, mandando as favas a descrição, deu um beijo em seu rosto.

Antes de perder Hermione de vista ele se virou novamente. Os quatro tinham parado para comprar algodão doce flutuante. Hermione dividia um com Rony enquanto as crianças trocavam de vez em quando o algodão rosa e o verde.

i "Não era para ser assim, Hermione... Não era... Eu é que deveria estar aí com você!" /i – pensou.

Papai, podemos comprar umas roupinhas novas para minhas bonecas?

Voltando a realidade e tentando apagar os pensamentos tristes ele se concentrou na filha: - Podemos comprar o que você quiser, princesa!

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Denis fora escolhido para Corvinal, o que o deixou extremamente aliviado. Logo em seu segundo ano entrou para o time de quadribol. Jogava como artilheiro.

Hermione deu a luz a uma menina. Seu nome era Ludmila. Seus três filhos foram para Hogwarts e para Grifinória.

Lilá morreu louca em Azkaban. Ela nem ao menos se lembrava da filha. Tudo que tinha em sua mente doentia era Uón-Uón.

Draco teve um filho fora do casamento, David. A notícia fora um verdadeiro escândalo só superado quando, por uma falha de seus advogados, a enorme quantia que ele pagara pela guarda da filha fora revelada numa manchete do Profeta Diário. Ele se casou com a mãe de seu segundo filho, mas o casamento não durou nem o período inteiro de gestação. Dispondo de mais uma bolada ele conseguiu também a guarda do menino. Apesar de ter uma vida sexual agitada e sair quase todas as noites ele era um bom pai. Seus filhos eram sua prioridade. Os dois foram para Sonserina e ele se consolava de seu amor não correspondido nos braços de mulheres em busca de diversão e não de compromisso. Entretanto ficara muito mais atento à possíveis golpes da barriga, já que ele entrara para a lista do Profeta Diário sobre os "Solteiros mais cobiçados" da Inglaterra.

FIM

N/A: Gostaria de agradecer a todos que acompanharam essa fic até o fim. Gostei muito de escrevê-la, gostei mais ainda de saber que ela foi bem aceita por muitos. A opinião daqueles que comentaram foi muito importante para que eu a continuasse escrevendo. Sei que muitos não vão concordar com o final, mas era assim que eu via essa fic desde o momento em que tive a idéia de escrevê-la. Alías, optei por escrevê-la justamente por ficar estarrecida quando lia uma fic que terminava com Hermione ou Gina preferindo Draco ao invés de Rony ou Harry! Eu até gosto de H/D ou G/D, mas só quando Rony e Harry estão mortos ou bem resolvidos sentimentalmente. Talvez eu devesse ter pensado melhor antes de identificar o Shipper, mas enfim... Mais uma vez obrigada a todos. Não esqueçam de comentar o final da fic e leiam, e comentem, por favor, minhas outras duas fics: Nunca Mais e Da Água para o Vinho, (merchandising, hehehe...). Eu tenho outras publicadas, mas não gostei muito delas, mas se tiverem curiosidade... Até a próxima, então! Bjos...