Capítulo 24 – Natal Atribulado
Hermione havia comunicado a Harry e Ron, antes das Férias de Natal, que a poção polissuco, que tinham elaborado no quarto de banho de Myrtle Queixosa, estava quase pronta para poder ser finalmente utilizada, uma vez que o período de repouso terminava na Véspera de Natal.
Por esse mesmo motivo, o Trio de Ouro tinha decidido ficar em Hogwarts, pois Draco tinha dito aos gémeos Weasley que ele e os seus amigos iriam passar as Férias de Natal no castelo, visto que os seus pais iriam a um baile oferecido pela família Greengrass, onde se reuniriam com a maioria dos antigos estudantes do seu mesmo ano. Pelo que nessa ocasião, a escola estaria repleta com os filhos dos antigos estudantes.
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24 de Dezembro de 1992
Na noite da Véspera de Natal, Hermione disse aos dois rapazes que estava tudo preparado e mandou-os conseguir o material genético necessário para a poção, ou seja, fios de cabelo dos seus alvos, avisando que se assegurassem que os originais não aparecessem em nenhum momento ou iriam jogar o plano por água abaixo.
Os dois leões caminhavam pelos corredores, enquanto discutiam quem seriam as melhores escolhas para suplantarem.
― Millicent está fora de questão, pois Hermione já conseguiu um cabelo dela… ― disse Harry analisando as opções disponíveis.
― De qualquer forma, eu não quero ser uma menina! ― Ron fez cara de nojo.
― Eu tampouco, pelo que as irmãs Greengrass e Pansy estão fora da lista. Isso deixa-nos com Nott, Malfoy, Crabbe e Goyle, visto que Zabini é o nosso objetivo.
― Nott é muito difícil de imitar, muito sério, penso que não conseguiria manter a expressão séria dele o tempo todo. ― Ron cruzou os braços e colocou a mão a servir de suporte para o queixo, dando-lhe uma aparência pensativa e intelectual, que distava muito da sua verdadeira personalidade, para de repente começar a rir às gargalhadas. ― É simplesmente impossível, não consigo fazer-me passar por ele.
― Bem, descartado, então… Draco também não é uma boa ideia, provavelmente daria por nós antes de que conseguisse-mos aproximar-nos sequer a dois metros dele.
― Custa-me muito admitir, mas é verdade, Malfoy é demasiado inteligente e intuitivo, para não se aperceber do que planeamos. Espero que não esteja na Sala Comum quando entrarmos, caso contrário poderia acabar com os nossos disfarces instantâneamente.
― Com isso só restam Crabbe e Goyle. ― Ambos suspiraram.
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― Tens a certeza de que isto vai funcionar, Harry?
― Lembro-me que o Draco disse uma vez que o pai dele lhe enviava uma águia a cada duas semanas com vários tipos de doces e que, quando dava alguns aos seus amigos, Crabbe e Goyle lutavam entre si para conseguir a maioria. Pelo que não há forma que digam não a doces de graça.
― Mas não vão desconfiar de ver doces a flutua…
― Shhh! ― Harry colocou um dedo sobre os lábios. ― Eles já vêm para aqui, temos de nos esconder.
Os dois leões esconderam-se atrás de uma estátua. Ron clareou a garganta e ergueu a varinha.
― Talvez seja melhor eu fazer isso… ― Ron concordou e guardou a varinha enquanto Harry lançava um Wingardium Leviosa nos bolos que Hermione lhes providenciara, quando decidiram quem iriam encarnar.
Os bolos começaram a levitar pouco antes de apareceram os objetivos dos dois leões, que vinham com os braços carregados de todo o tipo de goluseimas.
― Cool! ― exclamou Crabbe.
Ambos os Slytherins pousaram os doces que iam a comer no monte que carregavam entre os braços e limparam as mãos nas túnicas, pegaram nos cupcakes e caíram desacordados, para trás, à primeira mordida.
― Acaso ainda podem ficar mais gordos? ― perguntou Ron, ao escutar o ruído do estrondo que produzira a queda das serpentes.
― Vamos lá, precisamos desses cabelos ― disse Harry, caminhando até Goyle, sendo seguido por Ron, que se dirigira a Crabbe. ― Hermione disse que não podiam ser vistos durante a nossa pequena excursão no território das serpentes, pelo que é melhor escondê-los naquele armário de vassouras… ― Apontando para uma porta. ― … e tira as roupas de Crabbe. ― Ron fez uma careta de asco e retirou as roupas de Crabbe, ao mesmo tempo que o seu amigo despia Goyle.
― O que é que queres fazer com as roupas deles?
― Precisamos delas, quando nos transformarmos neles as nossas roupas serão muito pequenas. ― Ron assentiu e trocaram os dois de roupas. ― Pega nos sapatos deles! ― disse Harry, enquanto abria a porta do armário para ver o espaço disponível. ― Vão ficar um pouquito apertados, mas com um bocadinho de jeitinho cabem perfeitamente.
― Wingardium Leviosa! Prontinhos! ― disse Harry para depois começar a rir.
― O que foi, Harry? ― Ron aproximou-se e escangalhou-se a rir. ― Como é que achas que vão reagir quando despertarem?
Goyle encontrava-se sentado com as costas encostadas à parede e Crabbe sentado sobre as suas pernas com o rosto apoiado no peito de Goyle: Ambos apenas de boxers, meias e camisola interior.
― Tenho uma ideia! ― Harry moveu os braços de Goyle e colocou-os a rodear a cintura de Crabbe. Harry estava para fechar o armário, quando Ron lhe pediu que esperasse enquanto colocava os braços de Crabbe à volta do pescoço de Goyle, simulando um abraço amoroso.
― Oh! Não são fofinhos, Fred? ― Os menores viraram-se assustados.
― Podemos explicar… ― começou a dizer Ron.
― Não te preocupes, Rony, o vosso segredo está seguro connosco. Os pombinhos aí, nunca saberão que foram vocês os dois que os colocaram nesse armário.
― George, não achas que deveríamos dar-lhes uma ajudinha? ― O gémeo mais novo assentiu às palavras do seu reflexo e lançou um feitiço que fez aparecer um vestido rosa rendado de folhos em Crabbe.
― A tua vez, Fred… ― Este, por sua vez, fez aparecer um fraque com direito a gravata borboleta do mesmo tom do vestido que Crabbe portava. ― Agora são um autêntico casal, uma "bela" dama e um "galante" cavalheiro, mas ainda falta algo… ― Moveu a varinha e fez com que uma sumptuosa tiara adornasse a cabeça da "dama". ― Sim, agora sim esta obra está de veras perfeita…
― … e o nosso trabalho terminado! ― concluiu Fred.
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No quarto de banho de Myrtle Queixosa, Hermione preparava os copos para colocar as dosagens da poção, quando entraram os seus amigos.
― Conseguiram? ― Ron colocou os sapatos dos Slytherins no chão e levantou a mão ao mesmo tempo que Harry, deixando ver os cabelos. ― Perfeito, aqui têm! ― Hermione deu um grande copo, cheio quase até acima, a cada um. ― Agora é só adicionar os cabelos, temos exatamente uma hora até o efeito desaparecer.
Os meninos descalçaram-se e de seguida adicionaram os cabelos à poção ao mesmo tempo que Hermione.
― Wew! Essência de Crabbe! ― disse Ron, virando o rosto com nojo.
― Brinde! ― exclamou Hermione, e procederam a bater os copos uns nos outros.
Ao dar o primeiro gole, Ron largou o copo.
― Acho que vou vomitar!
― Eu também! ― disse Hermione, deixando cair o copo, que se espatifou ao lado do que Ron deixara cair meros instantes antes, quebrando-se em diminutos e incontáveis pedacinhos.
Ambos correram a enfiar-se dentro dos cubículos mais próximos.
Harry bebeu mais um gole e curvou-se devido à forte dor que o acometeu, largando o copo no processo, que se uniu ao Mundo de Cacos que eram os outros dois copos. O Menino-Que-Sobreviveu apoiou-se contra o lavatório mais próximo, viu as suas mãos a "borbulharem", pelo que encarou o espelho, testemunhando assim como as "bolhas" surgiam por todo o seu rosto, até revelar os rasgos faciais de Gregory Goyle.
Harry tocou o seu novo rosto, reconhecendo-o, e virou-se para ver Vincent Crabbe a sair do cubículo onde antes entrara Ron.
― Harry?
― Ron! ― disse Harry com espanto.
Os "Slytherins" calçaram os sapatos e viram que Hermione ainda não havia saído do seu cubículo.
― Eu… eu penso… que não vou. Vão vocês sem mim! ― respondeu a menina quando "Crabbe" perguntou por ela.
― Hermione, estás bem? ― perguntou "Goyle" preocupado.
― Vão agora mesmo, estão a desperdiçar tempo!
Os meninos decidiram averiguar mais tarde o que havia acontecido à sua amiga e abandonaram o quarto de banho rumando para as masmorras.
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Os falsos Slytherins chegaram às masmorras, mas logo se aperceberam que não sabiam onde ficava a Sala Comum, pelo que ficaram parados tal qual autênticas estátuas sem saber o que fazer.
Algum tempo depois, Zabini apareceu frente a eles e perguntou-lhes onde haviam estado toda a tarde, ao que estes responderam que tinham ido às cozinhas, pois tinha-lhes dado fome. A serpente aceitou a explicação sem pensar duas vezes no assunto e guiou-os até à entrada da Casa de Slytherin.
Já dentro da Sala Comum, Zabini sentou-se numas das poltronas.
― Zabini, és o Herdeiro de Slytherin? ― perguntou "Crabbe", ao que o moreno negou.
― E não sabes quem é? ― questionou desta vez "Goyle".
― Já vos disse várias vezes que sei tanto quanto vocês os dois.
Ambos os leões disfarçados de víboras voltaram-se um para o outro, encolhendo os ombros, sem saber o que mais perguntar.
― Harry, a tua cicatriz… ― sussurrou "Crabbe".
― O teu cabelo… ― murmurou "Goyle".
Ambos levaram as mãos à cabeça, tentando esconder os rasgos que os delatavam.
― Desde de quando é que usas óculos, Goyle? ― perguntou a serpente.
― Só… Só os uso quando leio.
― Hm… Está bem! ― "Crabbe e Goyle" começaram a fugir, mas quando chegaram à frente da entrada da Casa, esta abriu-se deixando ver Draco e Pansy. "Crabbe" empurrou a Tirana das Serpentes e correu pelo corredor.
― Volta aqui, Crabbe! ― gritou Pansy em chamas ― A próxima vez que te vir, considera-te um homem morto. Vais desejar nunca ter nascido! Volta aqui agora mesmo ou juro que te lanço uma maldição que perdurará por mais de dez gerações!
― Estás bem, Goyle? ― perguntou Draco ao vê-lo agarrar a cabeça com força ― Se tens dor de cabeça, posso dar-te uma poção para aliviar a dor ― disse, puxando-o em direção aos dormitórios.
Draco mandou " Goyle" sentar-se na sua cama e pegou num kit de poções. "Goyle" via tudo atentamente e absorvia cada detalhe do espaço que o rodeava.
― Podes dizer-me agora o que é que tu e o Ron estavam a fazer aqui, Harry?
― Como… ― começou a perguntar o leão.
― … é que eu sabia? ― completou o loiro ― É bastante óbvio… Reconheço esses óculos e consigo ver o punho da tua varinha por debaixo da capa. A tua varinha e a de Goyle são muito distintas, sabias!?
― Entendo.
― Quero uma explicação! E é melhor que seja muito boa… Nada de desculpas esfarrapadas, Harry. Entrar numa Casa alheia sem permissão, ainda mais de incógnito, é uma falta muito grave às regras de Hogwarts. Deves ter quebrado umas…
― … cinquenta regras! ― interrompeu o Menino-Que-Sobreviveu ― Sim, Hermione contou-as antes de avançarmos definitivamente com o plano e até as recitou enquanto se convencia a si mesma de que estava a agir corretamente.
― Hahaha! Só mesmo ela para se dar a esse trabalho! Mas ainda não respondeste à minha pergunta. O que é que estavam a fazer aqui?
― Queríamos descobrir se Zabini era o Herdeiro de Salazar Slytherin. ― Draco negou com a cabeça. ― Pensámos que talvez passassem a chave de pai para filho ao entrar na escola.
― Sei que não te posso impedir de tentar descobrir a verdade, mas não voltes a fazer algo tão arriscado. A propósito, bem vindo de volta, Harry! ― Pegou num espelho de mão, revelando-lhe o seu autêntico reflexo.
― E agora, como é que faço para sair daqui?
― Tenho uma ideia para resolver esse problemazito! ― Um brilho travesso embargou os olhos prateados. Se os gémeos Weasley o pudessem ver agora estariam profundamente orgulhosos do seu belo bebé.
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― Onde é que vais, Draco? ― Zabini levantou-se do seu cómodo assento e avançou em direção ao loirinho.
― Lynx parece meio agitado, pelo que vou levá-lo a dar uma volta pelo castelo. ― Mostrou o "gato" nos seus braços. Zabini afastou-se com o cuidado de não provocar a criatura maligna (segundo ele) e entrou no corredor que dava para os dormitórios masculinos.
Já perto do Salão Principal, Draco colocou o "gato" no chão e devolveu-o à sua forma original.
― Não sabia que havia um feitiço capaz de fazer isso.
― É ligeiramente diferente da magia utilizada por animagos como a Professora McGonagall, mas ainda assim é extremamente útil. ― O loiro devolveu os óculos ao maior.
― Agora tenho de voltar, Ron deve estar a perguntar-se onde estou e… Hermione! ― Recordou-se repentinamente da estranha atitude da sua amiga. ― Tenho que ir. ― Harry começou a correr, mas parou a meio do caminho e deu meia volta, correndo na direção do seu Anjo, antes de abandonar definitivamente o corredor. ― Feliz Natal, Draco!
― Feliz Natal, Harry!
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Quando o Menino-Que-Sobreviveu chegou ao quarto de banho, deparou-se com o gigantesco gato no qual Hermione se transformara. Ao parecer, o cabelo que conseguira da capa de Millicent Bullstrode, não era realmente dela e sim do gato, que esta havia adquirido recentemente.
A menina passara a noite na enfermaria à espera que Poppy encontrasse um modo de acabar com a onda de bolas de pelo que a leoa cuspia a cada certo tempo. No entanto, isso não demonstrou ser impedimento algum para que esta se apercebesse da recente mudança de atitude do seu amigo de olhos verdes esmeralda.
Hermione havia começado a notar pequenos indícios, tais como o facto de que o moreno não descolava os olhos de Draco e que apertava fortemente os punhos, quando alguém se aproximava muito a ele ou quando o loiro era amável com outras pessoas, para além dele mesmo. Não demorou muito para que a menina juntasse as peças e descobrisse os sentimentos que o seu amigo nutria pelo Príncipe das Serpentes.
"Pergunto-me quanto tempo Harry levará a notar os seus próprios sentimentos…", pensou Hermione ao ver o moreno conter-se para não enfeitiçar Pansy e Blaise, que tentavam monopolizar a atenção do Pequeno Dragão.
Notas da Autora:
Por curiosidade fui investigar e resulta que o Fred é o gémeo mais velho.
Durante muito tempo tentei saber qual deles tinha nascido primeiro, mas não aparecia no fandom wikia. Foi preciso tropeçar num artigo sobre o twitter da tia J.K. acho que foi o twitter… hmm… agora já não tenho a certeza, mas definitivamente foi algo do estilo.
