Capítulo 25
O Grande Dia
Setembro 1978
Setembro chegou como um alívio para Florence.
Começava a esfriar e os incômodos gerados pelo calor iam diminuindo.
Outubro chegou com Florence sendo vigiada 24hs pela madrinha, aonde quer que fosse.
Eram 3 dias do mês de outubro. Sirius, James e Lily iam jantar na casa de Eileen naquela noite. Florence tomava banho, a madrinha ao lado dela.
Bateram na porta da frente da casa.
– Devem ser eles, madrinha.
– Que esperem, não vou sair daqui e deixar você sozinha. – disse Eileen.
– Vou ficar sentada aqui. – e Florence sentou na cadeira que havia sido posta dentro do box, para quando ela cansasse. – E você pode ir lá abrir a porta para eles.
– Tem certeza, Flor? Como você está se sentindo?
– Péssima, como tenho estado na última semana. Pesada, cansada, sonolenta. – reclamou Florence.
– Não levante até eu voltar, por Merlin!
– Eu juro, madrinha. Pode ir.
Eileen saiu do banheiro, descendo as escadas rapidamente.
– Essa avó de vocês... – Florence começou a falar com os filhos, acariciando a barriga. – Sempre preocupada conosco... – e ela deixou os pensamentos soltos, lembrando das vezes em que ela e Snape tomaram banho juntos; lembrando dos olhos escuros a encarando, a voz rouca quando faziam amor. Um chute na bexiga a trouxe de volta à realidade. – Não sei como vocês podem saber. Sempre que penso em Severus, vocês chutam... não entendo. – ela sorria. – Ai! – um chute forte. – Parem meninos. Ai! – e aquele chute mais pareceu uma cólica, muito forte, forte demais, e ela pôs a mão entre as pernas que estavam molhadas, mas de um líquido um pouco diferente da água que caía em suas costas. – Madrinha! – gritou e pode ouvir os vários passos rápidos escada acima.
– O que houve, Florence? – Eileen entrou no banheiro, seguida de Lily.
– Vamos ter dois bebês... agora! – exclamou Florence.
– O que houve? – James e Sirius perguntaram do quarto.
– Lily, me ajude a ajeitar a cama, peça toalhas à Tiffany e água quente. – Lily saiu. Eileen fechou o chuveiro, colocando um robe macio sobre a afilhada, ajudando a levantar e ir até a cama, já forrada. James e Sirius estavam parados no meio do quarto, com cara de apavorados. – Vocês dois, James, vá à Hogwarts, use a lareira da sala, e traga Pomfrey. Sirius, ajude Lily, Tiffany e Sam a trazer água e toalhas. – os dois rapazes saíram. – Como você está, Flor?
– Com dores leves... um grande desconforto. – murmurou Florence.
Passaram-se vinte minutos e nada de Pomfrey chegar, as contrações já tinham aumentado. E, então, a medibruxa pôde ser ouvida subindo as escadas.
– Minha querida! – sorriu Pomfrey ao ver Florence. – O grande dia, enfim.
– Meninos. – Lily barrou James e Sirius na porta. – Somente mulheres, agora. – e fechou a porta na cara deles.
Passaram quase duas horas e nada além dos resmungos de Florence e as vozes de Eileen e da medibruxa pôde ser ouvido.
– Senta, Sirius. – disse James.
– Não consigo, cara. – ele andava pelo corredor.
– Você vai abrir um buraco no chão, te acomoda!
– Tô nervoso. – disse Sirius.
– Você nem é o pai... – James jogou a desconfiança dele para o amigo.
– Eu sei. – Sirius confirmou. – Mas eu vou fazer Florence feliz, vou cuidar dos meninos como se fossem meus filhos. Ela vai ter de mim o quê aquele bastardo-sebosento nunca a deu!
– Há tempos eu desconfiava de que ele era o pai... – disse James.
E um primeiro chorinho foi ouvido.
– James nasceu! – falou Sirius, quase sem acreditar no que ouvira.
E os dois ficaram em silêncio. E, um tempo depois, o que pareceu uma eternidade, o segundo choro foi ouvido.
– Nicholas! Os dois nasceram, cara! – exclamou Sirius.
E Potter abraçou o amigo, ambos emocionados.
Quando o primeiro choro foi ouvido, Florence chorou junto, ainda fazendo força para que o segundo filho nascesse. Olhando apaixonada para o pequeno chorão nos braços de uma emocionada Eileen. Assim que Nicholas também chorou, Lily ajudou a amiga a sentar nos travesseiros altos. E, quando a medibruxa liberou, Eileen passou os dois pequenos para Florence, indicando qual nascera primeiro. Eles cessaram o choro ao se acomodarem no peito da mãe. James logo descobrindo para que servia o bico do seio dela, sugando avidamente, os olhinhos abrindo lentamente e focando no rosto da mãe antes de voltar a se fecharem.
– Os olhos dele, madrinha... – sussurrou Florence, a voz embargada.
– Eu sei, eu vi... – Eileen chorava, Lily abraçada nela.
Nicholas também descobrira para que servia o bico do seio da mãe, sugando como o irmão, que já parara; James apenas olhava para a mãe. Florence ficou observando os dois pequenos. Nicholas abriu os olhos e a encarou também.
– Meus olhos... Nick tem os meus olhos, James os do pai. – disse Florence, emocionada.
– Eles são perfeitos, Florence. – disse Pomfrey, juntando as coisas dela.
– Obrigada, Poppy. Muito obrigada. – agradeceu Florence.
– Descanse muito, querida. – falou Pomfrey indo para a porta.
– Avise ao diretor. – pediu Florence.
– Pode deixar, querida. – disse Pomfrey, antes de ir embora.
Depois que todos saíram do quarto, Eileen ajudou a afilhada a tomar uma ducha, mas a menina quase desmaiara de cansaço no box do banheiro. Lily ajudou Eileen a colocar Florence na cama.
Eileen serviu o jantar e todos comeram no andar de baixo, menos Florence que não queria sair de perto dos gêmeos, nem tinha forças para descer as escadas.
Após o jantar, Eileen levou o casal Potter e Sirius até a porta para irem embora e ela voltou correndo para o quarto de Florence. Os pequenos dormiam a sono solto, em um bonito berço azul escuro ao lado da cama. Eileen ficou a noite toda ali, babando nos netos, acariciando os finos fios de cabelos negros que os dois pequenos tinham. "Severus. São iguais ao meu filho quando recém-nascido... como eu queria que o pai de vocês estivesse aqui para ver que bebês lindos vocês são." – e ela limpou as lágrimas, pela décima vez, mas não pela última, naquela mesma noite.
