Capítulo Vinte e Cinco

Seeds of Hope

(Sementes de Esperança)

Ginny forçou seu caminho por entre as pessoas no corredor, acertando-as com sua bolsa muito cheia. Chegou ao escritório de Harry e bateu na porta aberta.

- Olá. – ela disse um pouco sem ar. – Eu preciso ir para Holyhead. A goleira deles acabou de anunciar que está se aposentando imediatamente. Há uma conferência de imprensa às três.

- Huh? – Harry ergueu os olhos confusamente de seus relatórios. – Diga novamente?

- Vou à Holyhead. Goleira se aposentando. Conferência de imprensa. – Ginny começou a ir embora e voltou. – Oh, Hermione vai buscar Lily na escola. Você vai precisar passar na casa deles quando terminar, e levá-la para casa. Eu vou chegar tarde.

- E por que você precisa ir? – Harry perguntou em confusão. – É apenas uma conferência de imprensa... Achei que só cobria os jogos e os testes.

Ginny se impediu de suspirar ruidosamente.

- Por que eu cubro as Harpies desde antes Al nascer. É meu furo e mais ninguém irá cobri-lo, exceto eu. – ela ajustou a alça de sua bolsa. – E é Caroline. Ela era a goleira quando eu ainda jogava. Mesmo que eu não cobrisse as Harpies, eu iria querer fazer essa.

Harry voltou para seu relatório.

- Oh, certo.

Ginny o estudou por um momento.

- Não se esqueça de mandar Lily fazer o dever de casa. E ela precisa ir dormir às nove.

Harry olhou para Ginny.

- É, tudo bem. – quando Ginny não se moveu, Harry a incentivou. – Não tem que estar em Holyhead em quinze minutos?

- Certo. Não sei quando vou voltar, então não espere acordado.

Harry conseguiu sorrir.

- Alguma vez esperei?

- Não. – Ginny retorquiu. Ela se virou e disparou pelos corredores, em direção aos elevadores. – Tchau. – ela disse por sobre o ombro.

Harry a observou correr pelo corredor, balançando a cabeça. Olhou para seu relatório e franziu o cenho. Ele não gostava de colocar as pessoas na cadeia. E colocar MacNair e Rookwood em Azkaban não ia acabar com os ataques aos Trouxas. Eles não estavam nem um pouco mais perto de descobrir quem era o líder do que estiveram na sexta-feira anterior. Era intensamente frustrante. Harry foi até o corredor e fez seu caminho pelo labirinto de mesas e cubículos até encontrar Iain McDonald em sua mesa.

- Ei, Iain. – Harry disse suavemente, se sentando na cadeira gasta em frente a mesa de Iain. – Podemos conversar?

Iain conhecia aquele tom de voz depois de trabalhar com Harry por dez anos.

- Claro. – ajeitou e limpou uma parte de sua mesa. – O que foi?

- Eu preciso que coloque mais Aurores nesses dois. – Harry disse, empurrando um pedaço de pergaminho pela mesa. Iain era o responsável pelos escritórios regionais que supervisionavam os Comensais da Morte. – Eles precisam ser seguidos todas as vezes que saírem de casa.

- Vigilância o tempo todo, então? – Ian perguntou com uma sobrancelha erguida.

Harry assentiu.

- Ainda não estou pronto para jogá-los na prisão. Eu preciso de evidências mais concretas. – quando Iain fez uma careta, Harry resmungou. – Eu sei como se sente sobre isso. Não é minha coisa favorita para se fazer, especialmente nesse tipo de tempo. – ele se ergueu. – Eu quero uma lista de quem irá fazer a vigilância e quando. Eu também quero que seja enfeitiçada para me mostrar qualquer mudança. Tenha tudo organizado até o final da semana.

- Vai estar pronto antes. – Iain prometeu, tirando um caderno de uma pilha de pergaminhos e arquivos.

- E limpe sua mesa, antes que caia tudo em cima de você.

- Quero que saiba que eu sei exatamente onde cada coisa está. – Iain protestou.

- Uh-huh. – Harry respondeu, não convencido. – Estarei no escritório de Kingsley pelo resto do dia. Se terminar antes do seu horário, deixe na minha mesa, certo? – Harry caminhou pelo corredor até o escritório de Kingsley, finalmente grato por ser o Chefe. Isso queria dizer que ele não precisava ficar sentado do lado de fora, no frio, congelando a noite toda.

-x-

Lily caminhou com dificuldade pela entrada da escola, procurando por Harry ou Ginny na multidão de pais esperando para pegar seus filhos. Ela não viu nenhum deles, então começou a andar para casa. Não era incomum. Eles nem sempre a buscavam na escola. Normalmente, eles o faziam se fossem levá-la para os escritórios do Profeta ou para o Ministério, até que estivessem prontos para ir para casa. Ela viu Hermione acenando para chamar sua atenção. Lily ajeitou sua mochila e desviou de algumas meninas do primeiro ano, que conversavam sabe Merlin sobre o que, e saltitou até sua tia.

- Gostaria de ir à loja com Hugo por um tempo?

- Onde estão a mãe e o pai?

Hermione pegou a mão de Lily e começou a caminhar na direção da casa dos Potter, do outro lado do vilarejo.

- Seu pai precisa ficar até mais tarde no trabalho hoje, e sua mãe precisou cobrir um furo em Holyhead há uma hora.

- Então, por que o papai não veio me buscar?

- Ele não conseguiu sair dessa vez, Lils.

Lily andou ao lado de Hermione por um tempo.

- Vamos entrar na casa?

- Se quiser tirar o uniforme.

- Eu quero. E eu preciso pegar meu projeto de história. O quanto antes eu puder entregar, mais cedo minha professora de história vai parar de ligar para lembrar a mamãe e o papai de que eu tenho que entregar até o fim do mês.

- Por que sua professora liga?

Lily girou os olhos.

- Ela acha que se não ligar pelo menos uma vez por semana, para atualizar a mamãe e o papai, eu não vou fazer meu dever de casa.

- Isso já foi um problema antes?

- Não. Ela nos trata como se fossemos bebês. – Lily olhou para Hermione. – Eles não vão fazer isso ano que vem, vão...?

Hermione bufou com uma risada abafada.

- Não, muito pelo contrário.

- Bom. – Lily andou quietamente por mais alguns minutos. – Você acha que o tio Ron e o tio George vão nos deixar ajudar até fechar?

- Provavelmente. Você vai acabar tirando o pó de algo. Eu duvido que as prateleiras de baixo tenham sido limpas desde a última vez que você e Hugo foram para lá depois da escola.

- O tio George me deixou cuidar do caixa a última vez que estive lá. – Lily anunciou. – Me deu dois galeões!

- Você não recebeu o bastante. – Hermione zombou.

- Mas, tia Hermione, - Lily ofegou. – dois galões é muito!

- Seja lá quantos eles te deem hoje, não gaste tudo em um lugar só, então. – Hermione avisou secamente.

Elas chegaram à casa e Hermione abriu a porta da frente.

- Suba e se troque. Eu vou pegar seu dever.

Lily subiu as escadas correndo, tirando o cardigã enquanto subia.

- Está na ponta da mesa da cozinha. – ela avisou sobre o ombro.

Hermione foi até a cozinha e examinou a pilha de cavaleiros medievais franceses, que esperavam para serem cortados e pintados. Hermione os colocou na mochila de Lily, junto com a tesoura e o giz de cera. Lily desceu as escadas e parou ao lado de Hermione.

- Ginny quer que você faça seu dever de casa do jeito trouxa, eh?

Lily suspirou.

- Sim.

- Hmm. Se isso te fizer se sentir melhor, Hugo faz assim também. Rose também fazia.

Lily pegou sua mochila.

- Por quê?

- Não dá para se fazer tudo com magia.

- É o que a mamãe diz. O papai, também. – Lily gemeu.

Hermione sorriu e correu uma mão pelo cabelo de Lily.

- Às vezes, usar magia é como usar uma marreta para matar uma mosca, quando um mata mosca é o bastante. Vamos, então. Eu vou te levar para a loja, e Ron vai levar você e Hugo para casa quando eles fecharem. – Hermione segurou a mão de Lily e elas foram para o jardim. Ela as aparatou para o Beco Diagonal, em frente a loja.

-x-

Harry esfregou os olhos. Eles estavam secos do dia anterior. Ele não dormira muito na noite passada, se mexendo inquietamente, enquanto ideias do que fazer com MacNair e Rookwood passavam por sua cabeça. Ele estava com Shacklebolt há horas, se o ronco de seu estômago era alguma indicação.

- Que horas são? – ele perguntou curiosamente, notando o corredor parado.

Shacklebolt olhou para o relógio em sua mesa.

- Quase dez. – ele murmurou.

- Oh, porcaria! – Harry amaldiçoou. – Lily! – ele colocou a papelada em sua mochila e a pendurou no ombro. – Eu tenho que ir! – ele correu pelo corredor e apertou o botão do elevador, batendo o pé no chão impacientemente, enquanto descia lentamente até o Átrio. Foi até as lareiras e foi para o apartamento de Ron e Hermione.

Ron estava esparramado no sofá, lendo a última edição de Quadribol Trimesral.

- Maldição, Ron. Sinto muito.

- Está tudo bem, cara. – Ron disse apenas. – Ficou preso? – ele perguntou compreensivamente.

- Algo assim. – Harry reconheceu. – Onde Lily está?

- No quarto de Rose. Está dormindo há quase uma hora.

- Eu sinto tanto. – Harry repetiu. – Eu ia vir buscá-la as seis. Mas Kingsley e eu começamos a discutir como lidar com um caso.

- E você perdeu a noção do tempo. – Ron afirmou.

- Sim. – Harry começou a andar até o quarto de Rose. Lily estava encolhida no meio da cama, um cobertor esticado sobre ela. Harry se inclinou e a pegou em seus braços, grato por ela ainda ser pequena o bastante para que ele conseguisse fazer isso sem se machucar. Cuidadosamente, a carregou até a sala de estar, onde Ron enrolou o agasalho de Lily ao redor do corpo dela.

Ron olhou para os dois em confusão, segurando a mochila de Lily.

- Eu vou com você e levo isso. – ele decidiu. – Você parece estar com as mãos cheias. – ele observou secamente.

- Só um pouco. – Harry retorquiu. Ron sorriu para ele, antes de aparatar. Harry ajeitou Lily em uma posição mais confortável, e seguiu Ron.

Quando Harry apareceu atrás de sua casa, ele ouviu a voz frenética de Ginny na cozinha. Quando entrou na casa, ela estava apontando a varinha para a garganta de Ron, dizendo:

- Merlin de ajude, Ronald, onde está Lily?

- Bem aqui. – Harry respondeu suavemente. Ele continuou pela cozinha e levou Lily para o quarto, cuidadosamente a colocando na cama e a cobrindo com um cobertor extra, antes de voltar para a cozinha.

Ginny estava sentada à mesa da cozinha, pálida e trêmula.

- Onde, diabos, você esteve?

- Eu estava com Kingsley e perdi a noção do tempo. – Harry disse cansadamente, tentando em vão acalmar sua esposa.

Ron colocou uma xícara de chá em frente de Ginny.

- Ela fez o dever de matemática, e cortou mais daqueles soldadinhos, antes de ir dormir há uma hora. Acalma-se, Gin.

Ginny olhou para Ron.

- Por que não volta tarde para casa e não encontra Hermione e Hugo, sem nenhum bilhete, e aí me deixe falar para você se acalmar. – ela brigou. Ela tomou um gole do chá a sua frente, e olhou para Harry. – Era para você ter chegado em casa há horas.

Ron balançou a cabeça.

- De novo, estou muito feliz por não ter o trabalho de vocês.

Harry puxou a xícara pela mesa, tomando um gole.

- Eu sei. Sinto muito. Eu realmente intencionei chegar mais cedo. – seu estômago roncou ruidosamente. – Pode brigar depois de eu comer um sanduíche ou qualquer outra coisa? Ainda não jantei.

- Sinto muito... – Ginny disse, pegando a xícara de volta. – Eu cheguei em casa há alguns minutos, e vocês não estavam aqui...

Harry esticou a mão sobre a mesa, e emoldurou a bochecha de Ginny.

- Eu sei...

- E com isso, - Ron murmurou. – Eu vejo vocês mais tarde. – ele disse, e foi até a sala de estar, usar a lareira para ir para casa.

O estômago de Harry roncou ruidosamente mais uma vez, e Ginny acenou a varinha para a mesa, fazendo um prato de sanduíches aparecer.

- Eu vou dormir. – ela disse.

A mão de Harry segurou seu pulso, puxando-a para seu colo.

- Fique. – ele disse suavemente.

- Está tarde. – ela protestou, mas sem real vontade.

- Por favor?

- Me deixe colocar Lily na cama...

- Ela está bem. Não vai machucar se ela dormir com as roupas de sair por uma noite. – Harry descansou a cabeça no ombro de Ginny. – Apenas... Fique... – ele soltou o ar lentamente, parando pela primeira vez em dois dias. – Como foi a conferência?

- Foi bem. Emocional.

- Por que ela está se aposentando tão subitamente?

- Ela teve uma concussão no jogo antes do natal. Uma muito ruim. Os Curandeiros falaram que ela não devia jogar mais. Foi uma além do limite. – Ginny tomou um gole do chá que Ron lhe fizera. – Ela estava ficando com tontura durante os treinos, na vassoura. – Ginny balançou a cabeça. – É uma pena. Ela era brilhante. – Ginny suspirou e olhou para Harry, pensativamente mastigando um sanduíche. – Você disse algo noite passada, sobre Scorpius...

- Sim.

- Vai me dizer o por quê?

Harry pegou outro sanduíche. Mordeu e mastigou lentamente.

- Apenas tenho a sensação de que, um dia, ele pode precisar de um lugar para ficar. Como Sirius. – olhou para Ginny com os olhos escuros de angustia. – Não posso te dizer o motivo. – murmurou. – Apenas tenho a sensação...

- E isso o incomoda? – ela adivinhou.

- Sim.

- Que ele irá precisar de um lugar para ficar, ou que será conosco?

- Ambos. – Harry afastou o prato e, gentilmente, tirou Ginny de seu colo para que pudesse levantar. – Vamos para a cama.

- Harry?

- Sim?

- Ele não é o pai dele...

Harry fechou os olhos e imaginou o rosto de Draco, os olhos momentaneamente arregalados e amedrontados, como os de seu filho, passando por sua mente.

- Não, não é. E, sim, ele é...

-x-

Al empurrou uma jarra de leite na direção de James e olhou para Scorpius, que estava beliscando seu café da manhã.

- O que foi?

- Nada.

- Dificilmente é nada. – Isabella repreendeu gentilmente. – Você chateado desde o último sábado. Quase tão mal quanto Vic quando ela está naqueles dias...

- Ecaaa! – Jacob fez sons de vômito. – Não precisávamos saber disso.

- Informações demais para nossos ouvidos delicados. – Fred concordou.

- Sério. – Al começou. – Se alguém estiver te incomodando, nós vamos fazê-los se lembrar de seus modos.

Scorpius afastou seu prato.

- Como vocês podem se sentar aqui e comer comigo, irem para as aulas comigo, me convidar para passar as malditas festas na sua casa, depois do que eu avô fez com sua mãe? – ele gritou para James e Al, que piscaram com a veemência de sua resposta. Scorpius quase nunca perdia a calma. Mesmo quando ele tinha o direito.

Al ficou de boca aberta, e ele tentou dizer algo, mas James conseguiu falar primeiro.

- Isso tem alguma coisa a ver com Lily?

- Não. – Scorpius pegou sua mochila e, cegamente, saiu correndo do Salão Principal, até as estufas para a aula de Herbologia. Não começaria por outra hora, mas Scorpius não conseguia mais ficar sentado à mesa. Ele abriu a porta e parou, a porta batendo em suas costas. Neville estava se movendo pela estufa, se preparando para a aula do segundo ano.

- Desculpe, professor, eu vou... Eu vou indo...

- Entre. – Neville disse, gesticulando para o menino entrar. – Aqui. – ele passou uma caixa de protetores de ouvidos para Scorpius. – Pode colocá-los ao lado das bandejas de vasos para mim?

- Certo. – Scorpius deixou sua mochila perto de seu lugar de sempre, e pegou a caixa de protetores de ouvidos. – Vamos trabalhar com mandrágoras hoje?

- Sim. – Neville apontou a varinha para o quadro negro e instruções para replantar mandrágoras adolescentes apareceram, junto com um desenho de uma mandrágora nesse estágio. Ele observou Scorpius colocar cuidadosamente os protetores de ouvido ao lado de cada bandeja. Havia algo sobre a tensão nos ombros dele, que fez Neville deixar de lado a caixa de fertilizante de dragão e pegar algumas toalhas. Ele foi até a bandeja de vasos e colocou algumas toalhas no meio. – Algo em sua mente?

- Não é nada. Eu sei que meu avô não era a melhor pessoa do mundo. Mas depois do que ele fez com a senhora Potter, eu não entendo como eles conseguem me ter como amigos. Lily já não gosta de mim.

- Agora, eu acho difícil de acreditar nisso. – Neville repreendeu suavemente. – Eu conheço Lily há muito tempo.

- Ela não falou comigo. – Scorpius murmurou.

Neville tocou o ombro de Scorpius.

- Lily tem um péssimo temperamento, às vezes. Assim como Harry. Vai demorar um tempo até que ela se acalme. – ele se sentou na ponta de um dos bancos gastos que estavam espalhados pela estufa. – Eu estava no mesmo ano que seu pai. – disse distraidamente.

- Mesmo?

- Sim. Eu não fui bom com magia por um tempo. Especialmente em Poções e Transfiguração. E seu pai nunca perdia uma chance de me zombar pelos primeiros anos da escola. – Neville continuou antes que Scorpius pudesse falar alguma coisa. – Mas isso não me impede de te ver como alguém estranho a isso tudo. Você não é o seu pai. Você, definitivamente, não tem nada a ver com seu avô. – apertou o ombro magro do menino. – Vai ficar tudo bem. Aposto que quando o verão chegar, tudo estará bem. – ele deu um tapinha nas costas de Scorpius. – Venha. Eu tenho algo novo, que vou fazer com os alunos do quinto ano. Vamos até a estufa três, e eu vou te mostrar.

Mais tarde àquela noite, Scorpius estava sentado em um canto da biblioteca, lendo um pouco do material de Defesa para o dia seguinte, quando se viu cercado pelos Weasley, James e Al. Maddie cutucou Parker, que a acotovelou. Isabella olhou para Parker de modo significativo. Parker suspirou e se sentou na cadeira em frente à Scorpius.

- Acho que sou o porta voz. – ele murmurou. – Olhe, Scorpius, nós estivemos conversando. E nós achamos que isso tem alguma coisa a ver com o diário de que nossos pais falaram no último natal. É a única coisa na qual a tia Ginny teve contato direto com seu avô, até onde sabemos. – Scorpius olhou para seu livro, a garganta subitamente fechada. Ele assentiu uma vez. – Certo, bem, não importa para nenhum de nós o que o seu avô fez. Foi há muito tempo, e tia Ginny não parece ter considerar responsável, também. – Parker se remexeu desconfortavelmente na cadeira dura. – Não é como se alguém na nossa família fosse perfeito. – ele murmurou, lembrando-se de ter ouvido sobre seu pai ter ignorado a família. – Sem julgamentos aqui.

Al se sentou na cadeira ao lado de Scorpius.

- Não ligue para Lily. Ela vai superar isso.

- Sim. – James adicionou. – Ela fica de mau humor e não volta ao normal por dias. Não leve para o lado pessoal.

Sophie forçou seu caminho entre Fred e Jacob.

- Nem sempre podemos escolher nossas famílias. – ela disse para Scorpius. – Você acha que se eu pudesse escolher, eu teria escolhido algum desses idiotas? – ela perguntou, apontando para seus irmãos.

- Ah, Soph. – Fred suspirou dramaticamente.

- Você nos magoa. – Jacob disse tristemente.

- Viu o que quero dizer? – Sophie disse em voz baixa para Scorpius.

- É só tão frustrante não saber o porque... – Scorpius murmurou.

Maddie se sentou na mesma cadeira que Al.

- Talvez, você nunca descubra tudo sobre seu avô, ou mesmo seu pai. Talvez, eles quisessem deixar tudo para trás, como nossos pais. Mas você não pode ficar se punindo pelas escolhas deles.

- Ninguém nasce ruim. – Rose disse quietamente. – Eles aprendem a ser assim. – ela se escorou na mesa. – E se você não fosse uma pessoa melhor, não estaria na Grifinória. – ela adicionou com um encolher de ombros.

- Isso é um monte de besteira. – Fred zombou. – Eu perguntei à mamãe, e ela disse que os Grifinórios têm um monte de preconceitos próprios, como todo mundo. Não somos santos.

- Não foi isso que eu quis dizer! – Rose protestou. – Eu só quis dizer que se ele fosse ser um bundão, como o avô dele, ele estaria na Sonserina.

- Tão feminina. – Jacob murmurou.

- Isso deveria me fazer me sentir melhor? – Scorpius perguntou secamente.

- É claro que sim. – Rose jogou o cabelo sobre o ombro.

- A questão é, - Parker disse. – não vamos te evitar tão cedo, está bem?

- Vocês vão estudar ou aglomerar minha biblioteca? – a voz ácida de Madam Pince soou atrás dos primos. – Se vão apenas ocupar espaço, eu sugiro que levem a conversa para o Salão Comunal. – ela ralhou.

- Vamos. – Rose mandou, pegando a mochila de Scorpius. – Nada de continuar se escondendo.

Sentindo-se estranhamente aliviado, Scorpius permitiu que os primos o levassem de volta para o Salão Comunal.

-x-

Harry estava sentado ao lado de Lily à mesa da cozinha, depois do jantar, tentando fazer arcos e flechas em miniatura para a cena de batalha dela.

- Isso é ridículo. – ele murmurou, quando sua última tentativa de fazer flechas com palito de dente acabou no lixo. Tirou a varinha do bolso. – Não pode machucar.

- Nem pense nisso. – Ginny disse da porta.

- Mas... – Harry protestou.

- Não. Nada de magia para os deveres dela. Nós concordamos.

Harry guardou a varinha.

- Droga. – ele pegou um palito de dente, e cuidadosamente colou a ponta de papel da flecha. – Então, Lily...

- Sim? – Lily ergueu os olhos do cavalo que estava pintando.

- O que sua mãe e eu falamos com você antes do natal?

- O que tem? – ela perguntou, os olhos voltando para o giz de cera que corria dentro do contorno do cavalo.

- Bem, você se lembra dos meus parentes trouxas... Da King's Cross?

Lily torceu o nariz em desgosto.

- Sim.

- Isso muda a opinião que tem de mim? – Harry perguntou gentilmente.

- Por que mudaria?

Harry apoiou os cotovelos na mesa.

- Bem, para começar, eles são pessoas rudes e desagradáveis.

- Bem, você não é. – Lily respondeu pacientemente. – Exceto quando James e Al fazem algo estúpido.

- Isso se chama ser pai. – Harry disse secamente. – Eu tenho que ser desagradável quando eles fazem algo estúpido. – ele adicionou um pouco de penugem na ponta do palito de dente e o colocou no meio da mesa. – Então, sabendo que eu tenho parentes desagradáveis, você ainda pensa em mim do mesmo jeito?

- Sim...

- Então, por que não tenta dar o beneficio da dúvida para Scorpius, Lils? Você sabe que ele não é uma pessoa ruim. Ele não pode evitar o que seu pai e avô fizeram. Não mais do que eu posso evitar meus tios de serem quem são. Mas eu tive sorte.

- Como? – Lily colocou o cavalo terminado ao panorama, ao lado de um Henry V de papel.

- Bem, eu pude ir para Hogwarts. Eu conheci seu tio Ron. E, depois, George, Percy e Fred. Eu aprendi como famílias realmente devem funcionar. Foi o que me ajudou a não virar uma pessoa amarga e desagradável. – ele pegou outro palito de dente e começou a transformá-lo em outra flecha. – Toda as vezes que eu tive de lidar com eles, antes de sair para sempre da casa deles, saber que eu tinha para onde ir, com pessoas que se importavam comigo, era o que fazia estar com os Dursley tolerável. – ele adicionou outra ponta e mais penugem, antes de falar novamente. – Apenas algo para você pensar. – Harry colocou a flecha do lado da outra. – Vá para a cama. Sua mãe e eu iremos subir em um minuto.

Lily guardou o giz de cera na caixa, e colocou o panorama na ponta da mesa.

- Pai? Eu não estava brava com ele...

- Então, precisa deixar ele saber disso. – Harry disse gentilmente. – Você não foi muito legal com ele quando ele passou o natal aqui.

Lily correu o pé coberto por uma pantufa no chão.

- Eu sinto muito... – ela murmurou, olhando para o chão.

Harry ergueu seu queixo.

- Não é para mim que você precisa se desculpar, Lily. – ela assentiu e se virou, subindo correndo as escadas.

Alguns dias depois, Lily saiu da escola e fez um desvio para o vilarejo. Ela desceu a rua até chegar ao que parecia uma loja delapidada e entrou. Uma vez dentro, ela foi recebida por um coro de pios. Andou até o balcão alto e ficou na ponta do pé, o queixo descansando no alto do balcão.

- Boa tarde. – cumprimentou o alegre bruxo atrás do balcão. – O que posso fazer por você?

Lily colocou um envelope no balcão.

- Eu preciso mandar para Hogwarts.

- Prazo normal ou precisa que chegue amanhã?

- Prazo normal.

O bruxo ergueu o braço para uma coruja, que voou e pousou em seu braço. Ele colocou a coruja no balcão e prendeu a carta de Lily na pata.

- Hogwarts. Para Scorpius Malfoy. – ele olhou estranho para Lily, que o ignorou. – Como você conhece os Malfoy? Sendo uma Potter?

Lily tirou cinco sicles de sua mochila para pagar pela entrega.

- Ele está na mesma casa que meus irmãos. – ela colocou o dinheiro no balcão. – Ele é um amigo, também.

O bruxo não disse nada, enquanto soltava a coruja pela janela redonda no alto de uma parede. Lily agradeceu o bruxo e saiu do correio, indo para casa.

Continua...

N/T: Obrigada pelos comentários no capítulo anterior!

Comentem o que acharam desse capítulo e até semana que vem!