Obrigada pela paciência e por acompanharem minha fic. Espero que continuem gostando.
Maria & Howard...
Capítulo 24: Uma Perda Irreparável
Novembro de 1965:
Maria acordou assustada, estranhando o local em que estava, sem se lembrar do que havia ocorrido. Ela somente se acalmou quando notou a presença de Howard em uma cadeira de rodas ao seu lado.
- Howie, você está bem? Está muito ferido? O que aconteceu?
- Acalme-se, Ria! Eu estou bem... Mas precisamos conversar querida. – ele começou a dizer, reunindo forças dentro de si para continuar. – Enquanto os médicos me atendiam, depois que chegamos ao hospital, você se sentiu mal, desmaiou e precisou de cuidados também.
- Mas está tudo bem com Alma? Tem algo estranho com ela, posso sentir.
- Meu bem... – tentou continuar, porém, as lágrimas começaram a cair.
- Não me diga que... Não pode ser! Depois de tudo o que passamos... Ela é forte, não pode ter... Deve ser algum engano, diga que foi um erro dos médicos, que ela está bem... – implorou Maria entre as lágrimas que transbordavam.
- Eu sinto muito, meu amor. Muito mesmo. – disse Howard, incapaz de consolar tanto a si quanto à esposa.
- Por quê? Por que isso aconteceu conosco? Por que ela teve que partir tão cedo?
- Eu não sei, Ria... É tudo minha culpa! Se eu não tivesse seguido aqueles malditos, se eu não tivesse ido até o jardim. Não se preocupe Ria, eu vou cuidar de você. Eu sempre vou estar ao seu lado, meu amor! Sempre! Nós vamos conseguir superar isso.
Noite da Festa (noite anterior):
Enquanto fingia ouvir o que o entusiasmado Obadiah dizia, Howard observava a esposa grávida no canto do salão, conversando com a bela Eleonor, anfitriã da festa e conhecida por seu temperamento forte. Estava claro que a voluntariosa Eleonor gostara muito da companhia de Maria. Afinal quem não gostaria depois de conhecê-la um pouco? – pensou Howard.
Foi quando viu o velho Stone caminhar na direção das duas, acompanhado de seu filho único e imprestável, que Howard ficou tenso. Aqueles dois eram implacáveis quando o assunto era a destruição dos Starks, e Howard tinha plena consciência de que eram capazes de fazer qualquer coisa para atingirem seus objetivos. E a última coisa que Howard desejava era que Maria se tornasse um alvo deles por sua causa.
Se desculpando com Obadiah, ele seguiu em direção à esposa com passos apressados e firmes, conseguindo alcançá-la antes de seus rivais.
- Querida, você está bem? – perguntou ele baixinho, no ouvido dela, acariciando sua barriga redonda.
- Estou bem, Howie! Eleonor está sendo muito gentil ficando aqui e conversando comigo.
- Me desculpe por deixá-la sozinha, só que fui obrigado a ficar conversando com algumas pessoas, mostrar presença por causa da empresa... – sussurrou ele quando Eleonor se afastou para falar com outros convidados.
- Eu entendo Howie, não se preocupe. Mas fico feliz por você vir ver como eu estava. – disse ela com um pequeno sorriso no rosto.
- Tem certeza de que está bem? Parece um pouco abatida...
- Só estou cansada... Por causa da gravidez eu tenho me esgotado com mais facilidade.
- Eu prometo que logo iremos para casa...
- Stark! Que bom vê-lo aqui.
- Stone! Infelizmente não posso dizer o mesmo. Soube que o jovem Stone teve problemas com a lei novamente recentemente, além dos boatos sobre o seu divórcio. É mesmo verdade? – disse Howard, sabendo o quanto esse comentário irritaria Stone.
- Claro que não! É ridículo! São difamações suas...
- Minhas não. Não perco meu tempo falando de alguém como você, Stone. Estou ocupado demais cuidando da minha empresa e de minha família.
- Família? É, eu soube que você e sua bela e jovem esposa estão esperando uma criança. Meus parabéns, Stark! Quem sabe esta criança seja mais flexível e menos arrogante que o pai.
- O mesmo não ocorreu com você, não é? Seu filho nasceu mais burro e ainda mais pretensioso que você. – disse Howard, levando uma discreta cotovelada de Maria.
- Por que disse aquelas coisas? Para que provocar o homem daquele jeito? – perguntou Maria.
- Você não o conhece, Ria, mas eu sim. Ele não vale o chão em que pisa, não merece nenhuma consideração. Sabe ser cruel quando quer, para conseguir o que acha que precisa... Não o quero perto de você ou de nossa filha, ele é perigoso.
- Tudo bem Howie. Ficarei atenta.
Depois de alguns minutos, um colega de Howard o chamou para conhecer seus sócios e conversarem sobre um cientista russo que começava a se destacar em terras estrangeiras. Sozinha, Maria ficou observando o marido se movimentar pelo salão, indo de um lado à outro, conversando brevemente com várias pessoas que ela nunca sequer tinha visto.
Howard, mesmo tentando se concentrar nas palavras das pessoas à sua volta, só conseguia prestar atenção em sua Maria, sozinha num canto, excluída pelos outros. Estaria ela chateada com ele por tê-la abandonado lá naquele canto?
Assim que pôde, Howard se afastou novamente da multidão para ir até Maria, até que viu seus rivais, os Stones, agirem de modo suspeito. Eles estavam aprontando alguma coisa, ele tinha certeza, e se envolvesse sua Maria, então ele acabaria com os dois sem piedade antes que chegassem perto dela e sua filha.
Ele fez sinal para Maria que esperasse um pouco, pois ele voltaria logo, e torceu para que ela tivesse entendido, antes de seguir pai e filho até o jardim.
No momento em que adentrou o jardim, Howard os perdeu de vista. Para onde eles foram? – ele pensou, caminhando cautelosamente pelo gramado bem cuidado, até ser surpreendido por um golpe vindo de suas costas. Caído, Howard percebeu-se cercado e vulnerável pela primeira vez em anos. Sem ter como se defender e já desorientado, Howard sentiu seu sangue gelar de medo e desespero ao ouvir a voz de Maria se aproximando do jardim, e com a vista embaçada teve um vislumbre de sua silueta na entrada do jardim, antes da escuridão o cercar completamente.
Três Dias Depois:
Ainda tendo que usar a cadeira de rodas, mas enfim liberado do hospital, Howard retornou para a mansão com uma Maria ainda profundamente abalada com a perda. Ele tomou todas as medidas necessárias com o hospital para que sua filha, com apenas alguns meses de gestação, pudesse ser enterrada junto com a família.
Um dia após terem deixado o hospital, com a ajuda de Jarvis, um pequeno funeral foi realizado, e a jovem Alma Stark foi enterrada perto dos avós e um dia, perto dos pais que sequer chegou a conhecer.
Nos dias seguintes, Maria mal saía da cama, afundando na própria tristeza. Ela chorava em silêncio todas as noites, mas Howard podia sentir seus soluços e a abraçava forte, tentando confortá-la, deitados na cama.
Uma semana torturante depois, com Howard já tendo largado a cadeira de rodas, fosse por determinação ou teimosia, o estado de Maria não havia melhorado, deixando o marido ainda mais preocupado. Numa manhã de domingo, Peggy foi recebida por Jarvis e conduzida até o escritório, onde Howard a aguardava.
- Como ela está? – perguntou Peggy assim que entrou.
- Nada bem. Ela chora todas as noites, se fecha no quarto, no escuro, durante a maior parte do dia. Nada do que eu faço está ajudando. Só sai do quarto quando eu insisto muito, ela fica um pouco na sala de estar, com a mente longe e os olhos vazios... Estou com medo, Peggy. De perdê-la também.
- Não pense assim Howard. Você, melhor do que eu, sabe como Maria é forte. Dê-lhe o seu apoio, mostre que a ama e que está do seu lado. No devido tempo ela vai se reerguer.
- Eu faço tudo isso, Peggy. Mas... Eu quero fazer mais, quero trazê-la de volta para mim de algum jeito, logo.
- Você a conhece, sabe o que ela precisa neste momento. Tudo o que têm que fazer é pensar.
- Tudo bem. Eu pensarei em algo... Acho que já posso ter uma idéia...
- Mudando um pouco de assunto, eu investiguei os Stones como você havia pedido. Me concentrei nos dias anteriores à festa e descobri algumas coisas interessantes... Eles podem não ser tão inteligentes quanto você, mas não são idiotas, não foi tão fácil encontrar o que eles estavam escondendo...
- Diga logo Peggy! Tenho certeza de que eles estão por trás da minha agressão e planejam algo maior, sei disso.
- E você está certo. A empresa do Stone se mantém através de negócios com o submundo. Parece que há bastante tempo. De fato, eles faziam negócios com aquela gangue que seqüestrou você e Maria, anos atrás, e o desmantelamento da gangue afetou drasticamente as finanças da empresa. Além de quase terem sido descobertos na época.
- Eu lembro... O velho Stone esteve bem perto de declarar falência.
- Isso mesmo. Mas de alguma forma, nada legal com certeza, conseguiram se recuperar sem levantar suspeitas. Agora eu sei como. – afirmou Peggy. – Os membros da gangue que escaparam formaram como você já sabe um novo grupo criminoso, que cresce mais a cada dia. Bem, quem os financiou no início e agora colhe os frutos foi a empresa de Stone. O belho e seu filho são os verdadeiros líderes desse novo grupo.
- E o ataque à Maria naquela noite no Hamptons?
- Eles deviam querer abalá-lo. A perda de Maria e o bebê ao mesmo tempo acabaria com você, e eles sabiam disso. Na noite da festa, acho que o plano era atrair Maria para o jardim, onde os homens do Stone aguardavam para agir.
- Eles queriam espancar até a morte a minha esposa grávida? – gritou ele furioso.
- Foi o que eu deduzi, não há provas disso. Quando você os seguiu, provavelmente eles estavam preparando os homens para atacar no momento certo. Você os interrompeu e eles tiveram que agir.
- Você e os outros conseguiram capturar algum deles? – perguntou Howard ainda exaltado.
- Alguns dos homens que bateram em você foram encontrados bem rápido, mas ainda falta capturar dois dos agressores, além de implicar os Stones.
- E esse é o meu principal objetivo neste momento.
- Não, Howard. Você tem que se focar em cuidar de Maria, deixe o resto comigo. Lembre-se, numa situação como esta você tem que priorizar a recuperação da pessoa que mais ama, Maria.
- Quanto à isso, não tenho dúvidas. Maria sempre será minha prioridade, não vou deixá-la desse jeito, não mesmo. Farei tudo que estiver ao meu alcance, o possível e o impossível, para ter minha Maria de volta à como era antes.
