Harry Potter e o Controle da Serpente
-Capítulo vinte e quatro-
Agitado recomeçoA volta a Hogwarts foi tão normal que até pareceu irreal. Tomaram o trem na estação, como sempre faziam em setembro, tendo como única diferença o fato de estarem vestidos até as orelhas, pois o inverno lutava bravamente com a primavera. Desceram nos já escuros terrenos, tomando como sempre a carruagem puxada por testrálios, Hermione e Rony olhavam para Harry e Moana como se estes fossem loucos, conversando sobre a fisionomia dos bichos como se fosse a coisa mais natural do mundo. O que lhe pareceu uma surpresa enorme foi quando desceram, foi empurrado por Crabbe que sorriu malignamente. Já estava puxando a varinha para derrubar os dois gorilas quando Malfoy desembarcou também e observou a cena:
-Ei, seus dois retardados, deixem o Potter em paz!
Chegou até a olhar para trás, com dúvidas sobre quem seriam os dois retardados...
-Estou falando com eles mesmo Potter! – disse Malfoy, em tom frio. Os dois brutamontes o olharam reduzidos – Andem, vão para o castelo! – quando eles se afastaram Malfoy os seguiu com o olhar enfezado, e ia seguí-los quando Harry perguntou:
-Doente Malfoy?
Ele se virou e o olhou friamente.
-Você é mais criança do que eu imaginava Potter. Não acha que já está na hora de pararmos com essa rinha adolescente estúpida?
Ficou sem palavras, levemente chocado. Malfoy deu um risinho de desdém e se afastou.
Olhou de boca aberta para os amigos:
-Vocês ouviram e viram o que eu vi?
Rony o olhava igualmente espantado, mas as duas garotas riam.
-Vejam só, Malfoy amadurecendo... – Mione lançou um olhar de cínico respeito para o sonserino longe – quem sabe vocês devessem seguir o exemplo dele...
-Nem a pau! – exclamaram os dois juntos.
-Preferem continuar crianças então? – Moana apertou os olhos.
-Qualquer coisa, menos ser igual a um sonserino nojento! – Rony olhou para Harry em busca de apoio.
Confirmou com a cabeça.
-Homens! – as duas entraram no castelo, exasperadas.
-O que deu nelas? – Rony o olhou confuso.
Hogwarts apresentava vários sinais de que duelos haviam acontecido ali. Manchas escuras pelas paredes, queimaduras nas portas, o banheiro da murta estava interditado... motivo desconhecido, mas fofocas falavam que os comensais queriam entrar na câmara secreta para tentar reviver o "monstro da sonserina"... havia mais buracos e crateras nos terrenos, e ainda restavam troncos de árvores derrubadas na margem da floresta, os unicórnios foram vistos várias vezes entre as árvores perto da cabana de Hagrid, um chegou a atacar um lufo-lufo terceiranista curioso, o garoto ficou na ala hospitalar por duas semanas com um buraco no estômago, motivo pelo qual – aliado a outros – que todos os alunos eram proibidos de andar pelo terreno a partir do pôr do sol...
O tal garoto, Gary Stevenson, fora selecionado separado, indo para a Sonserina, sendo logo adotado pela irritante turma de Malfoy, mas as garotas das demais casas babavam por ele, que andava com a maior cara de cão sem dono... em uma aula de Herbologia acabou sobrando e entrou para a turma de Harry, iniciando logo uma demorada conversa com Hermione e Moana... Harry e Rony arderam de ciúmes, mas disfarçaram, Harry não conseguia gostar do garoto ("E desde quando eu gosto de caras?!"), mas as duas pareceram se amigar com ele, o que deixou os dois extremamente desconfiados.
As aulas de Trato das Criaturas Mágicas ficaram extremamente excitantes, como Remo dissera, começavam a ver manticoras, os bichos que Harry tivera que limpar a jaula, achando que tinha alguma experiência com eles se voluntariou para entrar no cercado, passou um mico e tanto quando os dois bichos arregalaram os olhos e ergueram a cauda disparando um jato de espinhos venenosos, quase levou uma tábua do cercado junto, ficou com um enorme ovo na cabeça... Hagrid deu um enorme trabalho de pesquisa sobre os bichos, o que renderia uma noite inteira na biblioteca...
Para sua aflição, vários alunos líderes de cada turma haviam mandado cartas para o Conselho Escolar, pedindo para aumentar o número de aulas da AD por semana, três ou mais para cada turma (eram somente duas), e o desgraçado do Conselho aprovou, resultado: passou três noites fazendo cálculos e engolindo a biblioteca, fez uns sete rascunhos de uma carta de doze folhas, quando finalmente entregou os alunos da associação já queriam até linchá-lo pela demora, o pior de tudo era que se não fossem pelos setimanistas batedores Bryan e Mauro, as aulas para o sétimo ano seriam um verdadeiro inferno, já que os alunos o desafiavam o tempo todo. Para sua "alegria", uma carta do Conselho chegou na quinta (primeira semana de aula, ainda, o lufo-lufo estava apenas três dias no hospital).
-O que está escrito Moa?
-Meleca Harry… - ela suspirou – os membros do Conselho estarão aqui no dia 15 para testar você, para ver se está apto a dar aulas para todas as turmas… virão com um auror.
-O que? Vão me prender ou me testar? – perguntou, nervoso.
-Provavelmente vão te dar a receita de um suco de maracujá bem relaxante. – Rony o olhou sério e sarcástico – você está precisando.
-Muito obrigado Rony, adoraria ver você no meu lugar…
-Quero só ver se você não passar no teste Harry… – Mione o olhou séria.
-Tem certeza que quer ver?
-… o colégio inteiro vai te perseguir. – ela não ouviu seu comentário.
Deixou a testa bater na mesa, chateado.
-Acho que estou precisando de um abraço…
-Pode deixar! – Moana sorriu, dando-lhe um enorme abraço, e um beijo grátis…
Achava que se não fosse por ela agora estaria pirando, quando dava por si sentia o amuleto esquentando no peito, não conseguia conter um sorrisinho, pensando que dali a algumas horas estaria sozinho com ela na sala comunal... ah sim, a uma da manhã ficavam namorando no escurinho da sala, eram as boas horas do dia, até se divertia ("Harry Potter, olhe bem onde coloca essa mão!"), a prudência ficava com ela, que achava dezesseis anos cedo demais, no fundo também achava, mas às vezes se empolgava ("Harry, eu vou te estuporar se você fizer isso mais uma vez!")... não que fosse tarado, fazia brincando porque gostava da cara de zangada dela, namoravam às vezes até as três da manhã, mesmo que depois acordassem com olheiras medonhas, no restante do dia mal podiam trocar selos...
Para acumular ainda mais o seu tempo o time de quadribol grifinório estava doido para treinar, o jogo seria dali a pouco mais de uma semana contra a Corvinal, e Cho jurara derrubá-lo da vassoura, e não era fofoca não, toda vez que o via ela passava o dedo pela garganta no sinal de "você ta morto"... estava começando a ficar preocupado, não com o jogo, mas sim com a garota, ela estava precisando de um analista...
Os professores não facilitavam sua vida, passavam montes de deveres, as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas nunca estiveram tão interessantes, nem tão cansativas, práticas de duelos, feitiços de defesa, em geral os alunos ficavam felizes e o professor mais ainda porque os alunos sabiam a matéria, Nigellus jurara enviar um relatório ao Conselho dando sua visão sobre a AD, o que não aliviou Harry nem um pouco...
Transfiguração voltava animada, último estágio das transformações em humanos, acabara de transformar Moa num falcão quando sentiu que encolhia até o chão... alguns alunos riram, se virou para ver seu atacante... Malfoy, foi reclamar e acabou miando... Moana e mais um monte de garotas o abraçaram "Ai que fofo!!!" exclamavam, quase as matou do coração quando saiu pulando e bufando com as garras de fora, Malfoy coçava a cabeça e avaliava a varinha "Era para ter sido um ornitorrinco..."...
Em Herbologia viam a família das plantas lutadoras, pequenos pés de palmeiras lutadoras, pinheiros lutadores, e até plátanos lutadores, Justino se voluntariou e foi preciso estuporar os pezinhos lutadores quando eles quase mataram o rapaz de tanta pancada, deixando bem óbvio que as árvores eram mais ágeis quando pequenas...
Feitiços era fácil, viam o feitiço de proteção, especialidade sua sem varinha, mas a longo prazo percebeu que era mais difícil, um parente simples do feitiço Fidellius, ele foi citado (junto com os pais de Harry como exemplo, ele não gostou muito...), revisaram o feitiço gaiola e viu que prisões não era com ele mesmo, mas prender sim, tinha boa habilidade com o feitiço corda dourada... o feitiço de proteção improvisada era cansativo como conjurar um patrono, uma pessoa protegia a outra, Hermione ficou extremamente aborrecida por perder a aula de aritmancia ao acordar na ala hospitalar, o feitiço de proteção de Rony não resistiu aos ataques da turma...
Poções... Poções era um saco, como sempre, Snape estava muito irritado e estressado, detenções por qualquer motivo, complicou ainda mais a vida de Harry com a detenção para sábado de tarde, depois dos duelos no torneio que recomeçaria, perderia os treinos de quadribol daquela tarde...
Em História da Magia Harry nem sabia em qual assunto estavam, usava os períodos para recuperar o sono, os amigos (Dino, Simas e Neville, e de vez em quando Rony quando esses dormiam também) lhe passavam algumas anotações com as quais conseguia se virar na matéria...
E, e essa era uma atitude sua que não entendia direito, - estava começando a achar que tinha um certo repuxo para o masoquismo – o tempo diurno que lhe sobrava (porque o noturno era compartilhado com Moa) passava na biblioteca, como presidente da AD tinha o direito de vasculhar a sessão de defesa avançada da biblioteca, que só era totalmente aberta aos alunos de sétimo ano... estudava técnicas de combate, defesa, maldições antigas, estava conseguindo um material realmente ótimo com as aulas, os livros de Sirius e a biblioteca, no início pensou que a AD estivesse lhe subindo à cabeça, mas era um instinto, sentia que precisava... não demorou muito para perceber que o motivo dessa estranha preocupação era a maldita profecia... o sono ainda era perturbado ("Sou realmente masoquista!") por seu "treinamento mental" contra Voldemort, sentia que a prática realmente estava ajudando, a cicatriz ardia com mais freqüência irritada, Rony o olhava nervoso quando acordava pálido, mas sempre fazia um gesto de impaciência "Não é nada..."
Com o passar dos dias ficava cada vez mais apreensivo com o teste, e se não passasse? O que o auror iria pedir para ele fazer? Duelar? Executar feitiços mais fortes? Sua mochila pesava uma tonelada com todos os livros de pesquisa que levava, parecia o clone masculino de Mione, sempre lendo, tão absorto que estava que não reparou quando a porta da masmorra se abriu para a aula de Poções, mas entrou em tempo de só perder cinco pontos para a Grifinória... Snape foi para a frente da turma:
-Vocês vão preparar a poção Cura dos Anjos, instruções no quadro e ingredientes nos armários, vou separá-los em duplas que devem ficar juntas até o fim do trimestre.
Trocaram olhares apreensivos.
Para variar se deram mal, Mione teve que fazer com o cara-de-bunda-com-hemorróida-do-Gary-Stevenson (como Rony o chamava quando desabafava o ciúme que sentia nas conversas com Harry), Moana com Lilá, Rony com o retardado do Goyle e Harry, como era de se esperar, com Malfoy.
-Maravilha... – suspirou, quando o sonserino se aproximou.
-Certo Potter, sem gracinhas para o meu lado, assim como você, pretendo passar nessa disciplina – ele o olhou friamente. – Você tem espinhos retais de carnófora?
"Ta... e eu por acaso fico mexendo no fiofó das carnóforas?"
-Não.
-Você é um inútil mesmo Potter.
-Cala boca Malfoy!
No início achou que seria meio estressante, pediu os espinhos retais para Hermione, mas com o decorrer da aula as provocações foram baixando, falando apenas o essencial... "Me passa aquilo ali Potter." "Isso?" "Não, retardado, aquilo do lado!" "Tem quatro coisas do lado!" "Aquela cabeça deficiente que tem um cérebro quatro vezes maior que o seu!"
Entregaram a poção com a certeza de que estava certa, pelo menos bem melhor que a de Rony, que virara algo parecido com cimento.
-Aquele retardado do Goyle! – exclamou o ruivo enquanto saíam da aula – Mandei ele aumentar o fogo, ele foi lá e desligou e eu não vi! Ganhei zero!
-Pára de reclamar Rony, não foi você que teve que suportar a leitoa da Emilia do lado! Francamente! Ela ficou dizendo que eu estava dando em cima do Gary, co...
-Como assim Gary? Já tratando o coitadinho pelo primeiro nome?!
-Vamos... – se apressaram ele e Moana, deixando para trás o que seria mais uma discussão no namoro dos amigos.
Nem mesmo o fim de semana serviu para animá-lo, visto que este também estaria atolado de coisas, pelo menos uma notícia boa: o torneio recomeçaria naquela tarde.
Foi um sufoco olhar o quadro de avisos naquela manhã de sábado, mas enfrentaria Caius Klunger, um setimanista sonserino. O programa do torneio seria de apenas um duelo por vez, sendo assim dois confrontos por mês, o que ocasionaria em duelo semana sim, semana não. O colégio voltava mais agitado do que o normal. (P.S.: E sua vida também!)
Almoço. Treino. Ducha. Torneio!
Lotada, mesmo com os que já haviam sido eliminados, a sala de duelos bombava, com direito a torcida, se viu meio nervoso ali no meio, duelando para todo mundo ver, um certo medo de perder, 'o presidente da Associação de Defesa de Hogwarts perder um duelo escolar'... "Isso está me subindo à cabeça"...
-Potter, Klunger, apertem-se as mãos!
Até pareceu começo de jogo de quadribol, estraçalharam-se os dedos, e quando Flitwick apitou... começou.
-Estupefaça!
-Berserk!
O estuporante voltou, explosivo, deixá-lo passar seria uma catástrofe (explodiria metade da sala), com um lance sádico, lançou o escudo de cinzas:
-Grameshield! Protex Regionallis! Protegum Max! – girou a varinha, a proteção apenas ao redor da arena evitando que o resto da sala sofresse os efeitos, o escudo a sua frente, as cinzas e o estuporante fizeram contato...
Aquela porcaria explodiu que chegou a tremer o castelo, mas a explosão apenas detonou no espaço dentro da arena, levantou quando as explosões pararam, viu aliviado que o sonserino ainda estava vivo, detonado a um canto, conjurara um mero protego que fizera cócegas à força da explosão mas que servira para deixá-lo vivo ("Se Molly vê isso me mata! Eu sou um inconseqüente!").
-Potter venceu!
Não pôde deixar de sorrir, vários aplausos soaram mas a maioria ainda estava chocada demais para qualquer reação, entendeu rápido porque, a arena estava reduzida a pedaços. "Opa..."...
Mas não fizera nada errado, como o duelo fora muito rápido foi assistir os dos amigos enquanto alguns sonserinos levavam Caius a enfermaria ("Pomfrey vai ficar louca!"). Rony ganhava de um lufo-lufo quintanista com um desfigurador, o mesmo usado por Neville, parecia muito faceiro com sua façanha. Hermione ainda enfrentava a irmã de Parvati, mas o conhecimento em feitiços da grifinória parecia estar dando conta. E Moana, bem, essa já descia da arena em sua direção.
-Ganhei! – ela sorriu, enquanto Rony chegava sorrindo ainda, foram para a arquibancada mais próxima da arena onde Mione duelava. – Você já voltou novamente com Mione?
-É, se é que dá pra chamar aquilo de volta. – ele desfez o sorriso, olhando a namorada lançar um feitiço da perna presa. – To ficando meio cheio disso... dessas brigas...
-Ta ficando cheio do namoro? – Harry e Moana o olharam.
-Não! Não do namoro! – ele os olhou – É que fica meio chato essa instabilidade... e tem esse enxerido do Stevenson dando em cima dela... esses dias eu fiquei observando, enquanto ela explicava sobre os aquamares pra ele, ele quase a beijava!
-Converse com ela então. – falou.
-Se eu tiver coragem... – ele voltou a olhar o duelo. Sorriu quando Mione derrubou Padma.
-Covarde... Ronicote covarde...
-Cala a boca Harry! – ele o empurrou rindo.
A detenção foi tranqüila, mais nove alunos limpavam o banheiro o que lhe deu a oportunidade de conversar escondido com Rony pelo espelho, o amigo checava pelo mapa do maroto e se transformava em águia passando velozmente perto da janela do banheiro quando Harry podia sair, escapou alegre da detenção, e Filch não chegaria a saber, estava zelando mais onze detenções...
Conforme o dia quinze se aproximava ficava mais nervoso, quase como no quarto ano às vésperas de enfrentar o dragão e mergulhar no lago, o que lhe lembrou que fazia séculos que não via Dobby, pegou um blusão velho e concertou alguns buracos com feitiços, resolveu ir até a cozinha, Mione parecia muito animada com a idéia, estava começando a achar que a amiga estava voltando com o FALE, mas ela não falou nada. Dobby quase chorou ao vê-los, abraçou Harry com força na cintura.
-Dobby estava com muitas saudades de Harry Potter! Dobby se perguntava se o senhor teria esquecido dele!
-Me senti culpado por não ter vindo antes Dobby. – sorriu, a felicidade do elfo radiava.
Enquanto isso Rony se empanturrava com as guloseimas que os demais elfos ofereciam.
-Você vai ficar gordo Rony. – riu.
-Tenho que recompor a energia gasta nos treinos. Por falar nisso – ele olhou para Dobby – vocês não assistem os jogos de quadribol, assistem?
-Não senhor! – Dobby sacudiu negativamente a cabeça, as orelhas balançando – Os elfos domésticos de Hogwarts não podem aparecer para os alunos, os elfos domésticos de Hogwarts ficam limpando o castelo e cozinhando durante os jogos de quadribol.
-Que pena... – Rony meteu o bolinho de chocolate inteiro na boca. Falou, com ela cheia: - Nam car ver xente arraçar om vinal?
-Eca Rony!
-Dobby não entendeu o que o senhor Weszee falou, Dobby pede para o senhor Weszee repetir.
-Ele perguntou se você não quer ver a gente arrasar com a Corvinal...
O passeio à cozinha foi só de descontração, mas lhe rendeu várias noites corridas cheias de coisas a fazer, ficava até altas horas da noite trabalhando, e até altas horas da madrugada namorando... foi na noite de quarta da segunda semana de aula que foi dormir as três da manhã extremamente nervoso com o teste na manhã seguinte, nervoso o suficiente para se esquecer...
-Boa noite Potter... fazia tempo não?
Se virou com raiva.
-O que...? Saia daqui!
-Não – ele sorriu – estou querendo conversar...
Ordens não adiantariam... teria que expulsá-lo, começou a reunir energia.
-Isso não adianta Potter.
Ele fez um gesto com a mão, um feitiço foi em sua direção, sentiu a latejada na mente, ergueu a mão, absorvendo o feitiço.
-Isso também não Voldemort.
Ele sorriu.
-Aprendendo a usar a mente Potter? Isso torna as coisas mais interessantes... sua mamãezinha não pode mais aparecer aqui não é? Você fechou esse buraco para nunca mais abrir – ele olhou em volta com desprezo – Isso é mal sabe Potter? Você tem que saber abrir sua mente na hora do desespero, para as ajudas externas alcançá-lo...
-Ou para suas pragas me atingirem...
Ele olhou em volta, sorrindo cinicamente.
-Você se safou com muita sorte do meu feitiço, antes do Natal... Devo dizer que fiquei relativamente surpreso por ter me enfrentado naquele nível, baixo, mas mesmo assim forte... Está ficando esperto Potter... – ele ampliou o sorriso ao observar uma estrela maior – Doido para jogá-la na cama não?
-Ah, cala a boca! – irritou-se, e pesadas nuvens sólidas se projetaram em frente às estrelas, deixando-os cercados de fumaça. – Sai daqui! Não vai ganhar nada aqui!
-Vamos ver? Me fale sobre a profecia.
-Nunca!
-Crucio!
Ergueu as mãos, sentiu um pouco da dor mas a barreira fez o feitiço ricochetear para Voldemort, que deu um calmo passo para o lado, o feitiço atravessou as nuvens... caiu de joelhos ao sentir a dor da maldição.
-Tolo Potter... tem que saber o que faz na sua mente... – Voldemort sorriu hipócrita – Sei que você não vai falar... que tal então... Avada kedavra!
Sentiu-se gelar quando o raio disparou, sem tanta luz verde, ergueu as mãos fechando os olhos e se concentrando, sentiu o impacto nas próprias mãos e ser arrastado alguns centímetros para trás, quando os abriu Voldemort sorria, e o avada tinha sido dominado e pairava a alguns centímetros de sua mão...
-Realmente, aprendendo... usando a força mental de sua mãe e o estilo irritantemente teimoso e osso duro do seu pai... o que vai fazer agora?
Iria pensar no que falar quando Voldemort aparatou, virou-se por instinto antes mesmo de sentir a leve correnteza de ar, antes que a imagem do inimigo entrasse em foco (uma fração de segundo) lançou o feitiço dominado.
Viu por um segundo ele arregalar os olhos levemente ao sentir o feitiço atingi-lo, Harry caiu de joelhos, exausto pelo esforço com maldição e por causa do dor na cicatriz, que ardia numa mistura de raiva e medo, pôde sentir que do outro lado ele ficava inconsciente, e quando levantou a cabeça novamente estava no dormitório, sentado na cama.
Passou a mão pela cicatriz, ardida, dolorida, causara danos à mente de Voldemort e já previa um duelo mental para o próximo encontro noturno.
Deitou-se novamente, precisaria dormir ou estaria uma carcaça para o teste no dia seguinte. Depois de um tempo perdeu a paciência consigo mesmo, seu nervosismo não o deixava mais dormir, resolveu descer para a sala comunal, ler mais alguma coisa que o ajudasse, de qualquer forma ainda eram cinco da manhã...
A encontrou dormindo na janela da sala, parecendo um anjo de cabelos avermelhados, subitamente a vontade de namorar voltou, e, tendo como desculpa que ela acordaria com uma tremenda dor nas costas, acordou-a.
-Que? Já é de manhã?
-De manhã já é, mas são só cinco horas. – olhou-a e depois a janela, o céu começava a alaranjar. – Que está fazendo aqui? – sentou-se, puxando-a para seu colo.
-Ah, eu não estava com sono e resolvi ficar por aqui... – ela aconchegou a cabeça no seu ombro - e você?
-Tive um pesadelo – mentiu - acabei não conseguindo dormir, esse teste está me dando até dor de barriga...
Ela riu.
-Pesadelos chatos?
-Chatos e reais, acabo acordando.
-Eu tenho um livro que era da louca da Mosana, Sonhos e alguma coisa, explica mais sobre sonhos, é bem analista, diminui em setenta por cento o número de pesadelos... algo assim. Quer que eu te empreste? Um capítulo antes de dormir é o suficiente...
Considerando que tinha vários pesadelos mesmo – na noite anterior vira Snape ter a cabeça arrancada, se bem que aquilo lhe parecera um sonho maravilhoso – e que já estava se acostumando a dormir umas quatro horas e meia por noite, não faria mal se perdesse mais uns dez minutos de sono, pelo menos não acordaria umas quatro vezes por noite por causa de Snape's degolados...
-Ta... acredito que não fará mal ler não é?
Ela o beijou:
-Vou buscar
Dois minutos depois e estava observando o título extremamente comprido do livro de capa azulada "Sonhos: Um guia sobre sonhos e pesadelos e seus significados e motivos que guia a forma correta de dormir e como evitar que stress e outros motivos externos perturbem suas noites, renovando sentimentos ocultos por essa forma de comunicação tão pouco explorada".
"Isso não é um título, é um trem desgovernado..."
Precisou ler duas vezes o título para entendê-lo, o livro era enorme e a julgar pelo seu tamanho deveria haver capítulos o suficiente para ler um por noite durante um ano.
-Você já terminou de lê-lo?
-Não. Dizem que ele atrai os seres alisutórios da dimensão da inconsciência, ou algo assim, mas não notei nada diferente, parece que precisa ter um certo nível de alisutassia...
-Acho que já atraio muitas coisas, melhor começar a ler amanhã... – ele largou o livro em cima da mesinha de cabeceira, olhando-a safadamente: - por enquanto estou a fim de atrair outra coisa...
Ela riu enquanto escorregavam...
-Muito bonito! Eu acordo assustada com a ausência de uma certa namoradeira e encontro esse quase coito aqui!
Saiu de cima dela bem rapidinho, ela também se sentou vermelha, os dois completamente amassados.
-Pô, exagerou Mione... quase coito...
-É, não chegamos nem nas preliminares...
-Chegaríamos se a senhorita boas intenções não nos interrompesse...
-Estamos bem, pode voltar a dormir...
-Moana, você está me saindo mais tarada do que eu esperava – Mione a olhou torto do alto das escadas – Pelo amor de Deus, você é moça de família e só tem dezesseis anos! E você Harry, credo!
-Mione, você falou igualzinho a minha avó – Moana a olhou mais torto ainda – estávamos só namorando... deitados... não foi nada demais, e de qualquer forma Dino e Neville vão falar bobagens, deitada embaixo ou sentada no colo...
Até Harry corou com o que ela disse...
-Falando assim vocês me fazem parecer um pedófilo... e Mione, lembra quando você ainda tinha QUINZE anos e eu mandei vocês pararem porque não queria ver abusos numa certa carruagem nesse início de ano? Não foi muito diferente!
A ex-dentuça corou, e disse, pouco convincente:
-Ta bem, ta bem... só vim ver onde você estava... boa tran, quero dizer, noite pra vocês...
-Muito engraçadinha...
Hermione ainda riu enquanto voltava para os dormitórios...
Trocaram olhares.
-Sem abusos, preliminares só depois dos dezesseis ouviu?
-Eu estava brincando... – corou mais.
-Eu sei seu bobo... – ela meteu o dedo no seu nariz (no nariz, não na narina!) o derrubando na poltrona...
Ia começar tudo de novo...
Foram pegos por três segundanistas, quase morreram de vergonha, acabaram se separando para irem se arrumar (desamassar...)...
Os dois períodos de Transfiguração foram pilha, conjurações, foi um desastre, só conjurou fumaça, puro nervosismo, explodiu a sala tendo que suspender a aula e ainda acabou levando dever suplementar, para descarregar ele e Moana escapuliram escondidos de Rony e Hermione e entraram numa sala vazia, faltavam vinte minutos para Trato das Criaturas Mágicas e eles pareciam ter tomado poção do amor em excesso... mas ele não quis acreditar...
Estavam no maior amasso quando a porta escancarou-se repentina e violentamente:
-POTTER!!!
Largaram-se o mais rápido possível, mas o morcegão os flagrara.
-Detenção... – falou Snape, cor de leite – amanhã à noite, os dois na minha sala... nove horas... Saíam.
Foi uma humilhação passarem pelo professor quando metade do corredor espiava, se mandaram pelo terreno com Dino, Neville e Simas tirando muito sarro da sua cara...
Também não se concentrou na aula de Hagrid, mas não se voluntariou dessa vez para encarar os bichos, Stevenson foi e ele e Rony fizeram figa para que o manticora estivesse com fome, mas o cara ainda conseguiu vinte pontos para a Sonserina...
Forçou alguma coisa que lhe desceu muito nojento pela garganta na hora do almoço e desceu sozinho às masmorras, onde se encontrava seis membros do Conselho, um especialista em defesa e o auror... e...
Surpresa! O especialista era Remo e o auror, Quim...
"Ferrou..." pensou...
-E aí, como foi? – perguntaram meia dúzia juntos, observando o fiasquento ovo que ele tinha na testa. Estavam no final do jantar, a maioria do salão já tinha retornado às suas casas, mas seus amigos permaneceram esperando-o, e ele acabara de chegar do teste.
-Um fiasco! – riu, indicando o ovo na testa – o auror era o Quim Shacklebolt, aquele armário grandão, chefe da Sessão de Aurores – algumas garotas não entenderam, mas a maioria afirmou em concordância – e tinha seis membros do Conselho e mais um especialista, que era o professor Lupin, do terceiro ano, lembram?
-Legal! – exclamou Dino – Então o teste deve ter sido f!
-Foi... – inclinou a cabeça, fazendo com que os cochichos terminassem – me fizeram algumas perguntas, foi a maior vergonha do mundo quando quase matei eles com meu feitiço gaiola – sorriu divertido, se servindo, alguns riam – eles quiseram uma amostra... me mandaram executar todos os meus podres, acho que eles nunca vão sequer pensar em me escolher como professor de Feitiços, mas talvez eu tenha bom futuro como detonador de prédios condenados... – os que entendiam de trouxas ali riram – Bem, depois o Quim duelou comigo... eu estava me virando razoavelmente bem quando o Re...professor me atacou pelas costas, sabem como é, reflexos – começou a rir, lembrando da cena constrangedora, e olhando sua testa pelo reflexo do cálice – saí voando pela masmorra, dei de cara na parede... um velhote quase teve um ataque cardíaco de rir... depois dessa humilhação vieram os dois para cima de mim, me cercaram num canto e eu não sei porque lancei o meu patrono... – deu de ombros – de qualquer maneira, o patrono derrubou o auror, e quando o professor ia me detonar os membros do Conselho pediram para ver um montão de feitiços... – meteu a mão na cara, tirando rápido ao sentir a dor na testa – quase matei eles de novo com o escudo de cinzas... – eles riram – Depois pediram toda aquela papelada desgraçada da AD, lá saí eu catando papel na mochila, depois de um monte de conversa eles me dispensaram... vão mandar a resposta amanhã.
Vários comentários, entre eles o de Neville:
-Mas que nota você acha que tirou, em média?
-Com ou sem as explosões? – perguntou sério. Alguns riram.
Respondeu mais algumas perguntas com uma certa dose de comédia, mas não fora nada engraçado o teste em si, ver dois membros da Ordem ali só o deixara mais nervoso ainda, quando dera de cara na parede caíra de costas, dois velhotes do Conselho cochicharam criticando um para o outro mas pareceram reconsiderar quando ele rolou duas vezes desviando dos estuporantes e paralisantes e se levantando a atacando em seguida... em geral, se surpreendera com seu duelo, muito mais animado e interessante que os do torneio, mas tão absorto que estava em prestar atenção nos gestos de Quim (que tinha um estilo diferente e duelava muito bem) que nem reparou que Remo se adiantava... que mancada, sentiu que perdera pontos com isso, mas nas outras três vezes que isso aconteceu não caiu na mesma, embora ainda assim perdesse o duelo.
Quase tivera um ataque quando eles lhe examinaram com um feitiço que detectava o nível de alisutassia e o seu dera B, considerando que normais era F e E, medianos C e B e altos A e S. B já era o suficiente para sofrer efeitos pelos seres alisutórios, o que lhe rendeu várias perguntas, como "Tem tido premonições ou coisas do gênero?" "Sonhou coisas sem pé nem cabeça mas suspeitas?" "Já se deparou em algum lugar onde não soube como chegara ou fez alguma coisa que não teve consciência de fazer?", a todas respondeu não o que os deixou intrigados, decidiram que ele teria que fazer todo mês uma Alisungrafia para ver a freqüência do nível de alisutassia presente ao seu redor... o que lhe deixou devidamente preocupado...
Saíra-se muito bem com os feitiços, exceto com o escudo de cinzas, ao que Remo, salvador dos futuros detonadores de prédios condenados, alegou que todo bruxo enfrentava problemas com algum assunto, no caso de Harry, controle de força em escudos muito complexos... Quando todos já haviam saído da masmorra, Remo lhe avisara baixinho... "Esteja em frente à lareira amanhã a meia noite e meia, como sempre... tenho notícias... até outro dia..."
Achava que passara, mas preferia não confiar muito, ainda estava nervoso... mandou tudo ir se danar aquela noite e foi dormir, devidamente aliviado com o teste, leu um capítulo do livro que Moana lhe emprestara, só deveria fazer efeito a partir do terceiro dia, mas não teve pesadelos... adormeceu torcendo para que a conversa que Rony e Hermione teriam aquela noite resolvesse as coisas.
Rony lhe acordou com uma cara estranhamente... simples.
-Bom dia... – espreguiçou-se demoradamente – como foi a conversa com Mione?
-Terminamos.
-O que?! – sentou-se repentinamente acordado.
-Eu e a Mione terminamos. – Rony repetiu tranqüilamente, enquanto sacudia Neville, tentando acorda-lo.
-Definitiva... mente? – bocejou se espreguiçando novamente.
-É.
-Por quê? – o encarou.
-É até melhor assim Harry, eu me sinto até aliviado... – ele o olhou – acho que passou o encanto, parecia mais uma obrigação... sem contar que era estranho, era como se eu beijasse a Gina ou você...
-Eca!
-...eu não me sentia bem e ela disse a mesma coisa. Então decidimos voltarmos a sermos apenas amigos, terminamos. – ele começou a sacudir Simas, enquanto Neville voltava a roncar.
-Puxa... – murmurou brevemente, pensando que o conto de fadas tinha acabado.
-É... – Rony concordou. – Voltamos a estaca zero...
Decididamente não conseguiu se concentrar muito nesse dia, pelo menos Malfoy não o irritou nos dois períodos de Poções, Hermione e Gary conversavam animadamente enquanto preparavam novamente a poção Cura dos Anjos (a primeira vez fora um desastre), Rony voltava com seus ataques de irritação hilária, há muito abandonados, com Goyle, Moana e Lilá mediam haruquê... ela se dera bem, e não via a hora de voltar a ficar sozinho com ela...
Os velhos tempos pareciam voltar com as irritantes discussões de amigos entre os dois ex, até achou melhor assim, iriam passar a tarde na biblioteca pesquisando sobre manticoras para o trabalho de Hagrid... estavam os três na mesma mesa, Mione fora procurar um livro que mostrasse três maneiras de espantar um manticora mas demorava para voltar...
-Ah Harry, apressa ela, ainda tem treino! – falou Rony, irritado.
Resolveu ir ver a causa da demora, foi pelo mesmo corredor em que a garota entrara, estava dobrando para outro corredor deserto perto da sessão reservada quando viu...
Alguns livros caídos no chão e ela, Mione, e Gary, beijando-se ardentemente em pleno corredor.
