Sinto muito pelo atraso com esse cap. Tudo que eu posso dizer é que esse foi o capitulo mais difícil de escrever e que eu espero q vcs achem q a demora valha a pena pelo que tem aqui.
Nos dois últimos dias Erik poderia dizer que ele estava se sentindo feliz. Nem ele próprio sabia o motivo, mas no momento em que ele destrancou a porta de sua casa nos subúrbios de Paris ele se viu cheio de uma energia que até então era desconhecida para ele nos últimos... Vinte anos.
Ele não gostava de entrar nessa casa. Ele a manteve por causa de um capricho infantil, mas tudo nela era tão terrivelmente normal que servia como um lembrete constante de tudo aquilo que ele jamais poderia ter.
Só que agora havia Samantha. Ele sabia de todo o teor sobrenatural da vinda dessa mulher para a sua vida, mas tudo era tão estranho e inconcebível que a sua mente simplesmente bloqueou toda a estranheza da situação. E também com o passar do tempo ele descobriu que isso realmente não importava. Ela era uma mulher que se uniu a ele de boa vontade.
Quando ele abriu as janelas da casa o sol da manhã que despontava invadiu o cômodo que passara tanto tempo no escuro. Ele sorriu internamente ao notar que a casa estava em ótimo estado. Ele sabia da qualidade de cada material que ele usou para construí-la.
A sala de estar era clara, aberta e muito espaçosa. Erik pretendia colocar um grande piano de cauda no centro dela. Em sua casa a Música merecia um lugar de honra. Ele passou pela enorme estante de mogno que cobria toda uma parede da sala, ela pretendia forra-la com seus livros favoritos.
Erik passara os próximos dois dias em função de tornar a sua nova casa habitável, não tanto para ele, mas sim para a sua hóspede. Samantha.
A ideia de dividir o seu espaço com outra pessoa ainda soava estranho para Erik. Houve momentos em que ele se arrependeu de ter convidado Samantha para a sua casa, mas cerca de cinco segundos depois ele estava eufórico pelo fato de ela ter aceitado sua proposta. Que mulher em sã consciência viveria sob o mesmo teto que ele por livre e espontânea vontade?
E assim ele passou os dois últimos dias em função de tornar aquela casa perfeitamente habitável. Ele colocara as melhores toalhas e lençóis que o dinheiro podia comprar a disposição de Samantha. Ele também se preocupou em lhe garantir um guarda-roupa perfeitamente completo, os vestidos simples que o Daroga lhe arranjara não faziam jus a beleza de sua doce amiga.
Amiga. Samantha era a sua amiga...
Quando Erik deu os últimos ajustes e se certificou que tudo estava em ordem, ele reparou que o sol estava nascendo. Ele não tinha ideia de quanto tempo ele passou atirado nessa tarefa.
Ele trocou de roupa e colocou seu longo manto negro junto cm seu chapéu de feltro. Ele realmente odiava andar pelas ruas de Paris durante o dia, mas se ele desse alguma sorte era capaz de ele não se cruzar com muitas pessoas nessa hora do dia.
Erik conseguiu facilmente um transporte, os cocheiros não ligavam muito para a estranha figura coberta de preto e com um grande chapéu que escondia o rosto. Erik garantia que eles seriam muito bem pagos pelos seus serviços e isso já bastava para evitar perguntas.
Quando desembarcou na Rue de Rivoli, Erik nem notou o cupê que estava estacionado na frente do edifício. Ele subiu a pequena escadaria e tocou a campainha.
No mesmo momento ele sentiu que havia algo errado.
Alguns minutos antes:
Nadir estava a meio caminho do seu escritório quando Darius veio a sua procura.
"Meu amo, tem uma mulher a sua procura." Disse Darius.
Nadir inicialmente pensou em Samantha, mas ele não via motivos para Darius anunciar a sua hóspede.
"Quem é a mulher?" Perguntou Nadir.
"Christine Daae." Respondeu Darius.
O Persa mandou Darius recebe-la imediatamente. Ele se perguntava o porquê de Christine estar a sua procura até que algo estalou na sua memória.
O obituário!
Como ele pode ser tão estúpido, ele avisara Christine sobre a morte de Erik e no final Samantha acabou aparecendo e o convenceu a resgatar o seu velho amigo. Agora como ele poderia explicar para aquela garota que Erik na verdade estava vivo?
Christine Daae estava tremendo.
Ela se sentou desconfortavelmente na poltrona que Nadir lhe ofereceu. Ela girava no seu dedo anelar direito o anel de ouro que Erik lhe dera antes de liberta-la. Cada vez que ela sentia o peso desse anel no seu dedo, ela se lembrava do motivo pelo qual ela estava de volta a Paris.
Quando ela recebeu a tão malfadada noticia, tudo que ela podia pensar é que Erik tinha morrido sozinho nos subterrâneos da Ópera.
E que ela havia sido responsável por sua morte.
Raoul tentou dissuadi-la da sua ideia de ir até os subterrâneos da Ópera e enterrar o seu maestro. Essa foi a primeira grande briga que ela teve com Raoul, e seu coração ainda estava ferido pelo modo como ele a tratou.
E também havia algo estranho quando Nadir a recebeu. Ela sentia que havia algo muito errado acontecendo.
"Mademoiselle Daae." Cumprimentou o Persa.
Christine sorriu delicadamente.
"Só Christine, por favor." Respondeu ela elegantemente.
"Christine." Concordou o Persa. "Ao que devo a sua visita?"
A jovem soprano olhou para ele estranhamente.
"Eu imagino que o senhor saiba o motivo dessa visita." Suspirou Christine.
Era lógico que o Persa sabia o motivo, mas ele não entendia o porquê de ela ir a sua procura.
Antes que ele pudesse perguntar, Christine continuou.
"Eu preciso da sua ajuda. Eu não posso fazer isso sozinha." Disse ela timidamente.
"E o seu noivo? Onde está Raoul." Perguntou Nadir.
Ele viu a expressão de Christine endurecer. Era bem claro que Raoul era contra essa vinda.
"Eu jamais ousaria ofender a memória de Erik desse jeito. Ele e Raoul se odiavam." Respondeu ela parecendo ferida.
Isso já era demais. Ele precisava contar a verdade para ela. Ele imaginou por um momento que ele seria capaz de dissuadi-la da ideia sem revelar a verdade. Mas ele podia ver que ela estava terrivelmente abalada pela noticia da morte de Erik. Ele não sabia o que Erik poderia estar fazendo naquele exato momento, mas era bem provável que ele ainda estava vivo e bem apesar de suas recentes provações.
"Mademoiselle Daae..." Começou ele antes de ser interrompido pelo som da campainha.
Darius apareceu na sala indo em direção a porta, mas o Persa o deteve. Ele não sabia exatamente como, mas ele tinha uma leve sensação de quem era a pessoa do lado de fora.
Ele deu alguns passos em direção ao hall de entrada. E notou pela sombra na porta que ele estava certo.
Erik.
"Daroga, eu posso ver a sua silhueta através da porta." Disse uma voz melodiosa. "Está um pouco frio aqui fora."
Instintivamente o Persa se virou em direção a Christine que havia se levantado e estava estática e totalmente pálida olhando em direção à porta.
Sabendo que ele não tinha como fugir dessa situação, o Persa abriu a porta.
Samantha fez o caminho de volta em direção a casa. Ela gemeu quando Erik entrou, ela temia pela segurança de Christine, pela sanidade de Erik e também – e ela odiava admitir – pelo frágil relacionamento que ela e Erik haviam começado a construir.
Quando ela estava ao pé da escadaria, Samantha decidiu não entrar, de algum modo ela sabia que essa história só poderia ser resolvida entre Erik e Christine.
Ela já havia interferido demais na história desses dois.
E por isso ela se limitou a ficar parada na porta sentindo uma mescla de curiosidade e ciúme queimar no seu peito.
Ela sentia que hoje algo grandioso iria modificar a vida de todos os envolvidos para sempre.
Nada pode resumir em palavras o clima estranho que se formou no momento em que Erik entrou por aquela porta.
Nadir tentou evitar que Erik visse Christine logo de cara para que ele ao menos pudesse avisar seu amigo que algo estava acontecendo, mas como se uma força sobrenatural o atraísse para aquela garota, os olhos de Erik rapidamente encontraram os de Christine.
O silêncio imperou na sala durante vários minutos. Nadir caminhou até Christine e ficou em uma posição que sugeria claramente que ele estaria disposto a defender a jovem contra qualquer espécie de ameaça que Erik poderia trazer.
Foi Christine quem quebrou o silêncio.
"Erik." Sussurrou ela levemente.
Erik olhou para Nadir com uma expressão que mostrava que ele estava prestes a entrar em pânico. Ele estava usando uma máscara de porcelana branca que cobria parte de seu rosto, salvando os seus lábios e queixo ao invés da mascara negra que cobria toda a face. Mas apesar da mascara o seu sentimento de medo era praticamente tátil.
"Christine." Respondeu Erik depois de um momento de silêncio.
Sua voz era fria e sem emoção, ele estava tomando aquela posição altiva que ele costumava usar quando queria intimidar, mas naquele momento em particular era bem provável que ele estava tendo essa atitude para não deixar trair nenhuma emoção em particular. Christine olhou para ele completamente hipnotizada antes de falar novamente em um sussurro.
"Você está vivo!"
Erik sorriu por trás da máscara, mas não havia nenhuma chama de alegria nele.
"Isso minha cara, é bem óbvio." Disse ele friamente.
Christine corou levemente e ficou sem resposta. Ela não estava acostumada a ser tratada tão friamente por Erik. Ele a fazia se sentir quase... Insignificante.
"Vejo que você está negligenciando seus exercícios vocais." Disse Erik num tom autoritário que ele costumava adotar quando ele era o seu Anjo da Música.
Christine sorriu levemente. Seus olhos azuis estavam inundados por lágrimas. Era uma visão tão adorável que Erik sentiu seu coração apertar. Como ele sentia falta dela. A sua memória não fazia jus àquela beleza.
"Sinto muito, maestro." Respondeu ela timidamente.
"Por que você está aqui?" Perguntou Erik parecendo levemente abalado.
As mãos de Christine se fecharam em punhos, ela parecia estar lutando para não sucumbir às lágrimas.
"E-eu prometi... que... que viria... até você quando..." Gaguejou ela.
Erik estava confuso.
"Estou ciente da sua promessa, Christine." Disse ele polidamente. "Imagino que tenha ocorrido um grande mal entendido, minha cara."
Christine sorriu para Erik, seus olhos azuis se fixaram em suas pupilas douradas quase invisíveis.
"Eu estou feliz que tenha sido."
Isso foi demais para Erik. Tudo isso era um sonho. Christine estava sorrindo para ele, ela estava feliz em vê-lo vivo. Não, ela fugiu com o Visconde e o deixou para morrer sozinho enterrado sob a Ópera. Ela não o amava.
Mas ela estava dizendo que estava feliz por ele estar vivo, Erik não podia deixar de sentir aquela chama começando a aquecer o seu peito, ele poderia sentir esperanças?
Ah! A Esperança. Esse sentimento maldito que o manteve vivo durante todos esses anos. Ele já devia ter aprendido a enterrar esse ultimo feixe de luz nos confins mais escuros da sua alma. Por que, em nome de tudo que é mais sagrado, ele tinha que ter esperanças?
Erik riu internamente da sua desgraça.
"Eu confesso, Christine, que estou admirado com você. Eu não esperava que você fosse cumprir essa promessa." Disse ele inexpressivamente, mas lutando para impedir o seu coração de criar expectativas.
Christine parecia realmente ultrajada por esse comentário.
"Como eu poderia, Erik?" Disse ela com lágrimas escorrendo pelo rosto perfeito. "E-eu nunca faria uma coisa dessas... eu...".
Ela não conseguiu continuar, as lágrimas corriam livremente pelo seu rosto. Ela era a imagem perfeita da desolação. E Erik sabia que não podia suportar vê-la assim.
Ele caminhou instintivamente em direção a ela, embalado pelo impulso de expulsar qualquer coisa que pudesse fazer mal para o seu doce anjo.
Oh! Como ele a amava...
Mas Christine não parecia pensar o mesmo. Quando ela reparou nas ações de Erik, ela inconscientemente deu dois passos para trás. O medo primitivo que ela sentia dela ainda brilhava nos seus olhos claros.
Erik já sabia que ele deveria aprender com seus erros. Isso só foi um lembrete sobre quem realmente estava na frente dele.
Ele havia ficado tão acostumado com a bondade de Samantha para com ele que talvez ele tenha se esquecido de como o resto do mundo o via.
Erik parou no momento que viu o modo como Christine reagiu a ele. E rapidamente ele se elevou no máximo de sua altura e voltou a sua posição ameaçadora inicial, e dessa vez ele não lamentou quando Christine estremeceu.
"Onde está o seu marido, madame? Ou devo dizer condessa?" Perguntou Erik. "A sua presença faria essa reunião mais interessante."
Christine pareceu ter sido pega de surpresa com essa pergunta. E estava bem claro que era um tema que ele não desejava abordar.
"Eu vim sozinha." Disse ela simplesmente. "E eu e Raoul não nos casamos ainda."
Erik pareceu realmente intrigado com essa declaração.
"Eu não entendo o motivo. Vocês pareciam bem animados para se casarem a três semanas atrás."
"Nós preferimos esperar." Respondeu ela. "Eu queria voltar para a Escandinávia, mas...".
"Ah! É claro." Disse Erik. "Você decidiu esperar até que eu estivesse morto. Concordo que fazer uma viagem da Suécia até a França para enterrar um cadáver seria algo desgastante."
Christine permaneceu em silêncio e Erik continuou.
"Bem, eu não pretendo ser um obstáculo para a sua felicidade."
"O que você quer dizer?" Interrompeu Christine.
"Eu a liberto Christine, de tudo o que pode liga-la a mim." Declarou Erik. "Esqueça qualquer promessa, você está livre. Case-se com o seu noivo."
"Erik..." Suspirou Christine.
"E seja feliz." Terminou Erik.
Christine ficou paralisada no seu lugar e sem conseguir dizer uma palavra. Tanto ela quanto o Persa pareciam estar em um silêncio descrente, como se não acreditassem no que acabaram de ouvir.
Sem mais nenhuma palavra, Erik caminhou calmamente em direção à porta da rua.
Samantha não podia mais aguentar a sua curiosidade.
Ela passara os últimos 20 minutos parada na frente da porta usando toda a sua força de vontade para não entrar por aquela porta e arrancar o seu Erik das garras daquela soprano maldita. Se ela ousasse feri-lo novamente, Samantha teria o maior prazer de fazer um picadinho de piranha sueca.
Samantha sabia que Christine não podia amar Erik —e verdade seja dita, ela não lamentava nem um pouco esse fato—mas ela viu o estado que Erik ficou por causa do abandono de Christine. Mesmo que ela não gostasse nem um pouco de um cara, mas ela soubesse que ele a amava incondicionalmente, ela não conseguiria ser tão cruel assim.
"Oh! Eu preciso entrar." Gemeu Samantha se virando em direção à porta.
Mas antes que ela fosse capaz de dar ao menos um passo, a porta se abriu e Erik saiu por ela. Ele passou por Samantha sem nota-la, ela olhou intrigada para Erik, mas não foi em direção a ele. Erik parecia tão decidido que Samantha não ousou impedi-lo.
"Erik..." Suspirou ela olhando para a sua figura desaparecer nas ruas.
"Samantha!"
Samantha se virou para ver o Persa correr até ela.
"Nadir! O que houve...".
Ela se calou quando viu a pessoa que estava logo atrás de Nadir.
"Você!" Exclamou Christine empalidecendo totalmente. "Realmente é você?"
Samantha sabia que chegaria o momento em que ela estaria cara a cara com Christine assim que ela viu a sua figura loura desembarcar daquele cupê. Mas ela não fazia ideia do que dizer.
"Eh sim, sou eu." Respondeu ela.
Christine abriu a boca para responder, mas Nadir a interrompeu.
"Samantha, você precisa ir atrás de Erik."
Samantha olhou assustada para o Persa.
"O que houve Nadir?"
Tanto o Persa quanto Christine ficou em silêncio. Mas Samantha estava tendo um mau pressentimento.
"O que você disse a ele?" Perguntou Samantha se voltando para Christine.
Christine não respondeu, na verdade ela parecia que nunca mais seria capaz de falar. Ela parecia tão aterrorizada que Samantha se apiedou da jovem. Ela se lembrou dos papeis do hospital e um nó se formou em sua garganta, ela ainda tinha a chance de consertar o caos que ela instaurou na vida daquela garota. Pela primeira vez ela notou o quão mais velha ela era do que Christine.
"Christine." Disse ela tomando as mãos da garota nas suas. "Eu sei o quão assustador é tudo isso. Eu também estou assustada, mas eu sei que de um jeito ou de outro as coisas vão se acertar."
Christine não respondeu, ela ainda parecia estar muito incomodada.
Samantha suspirou e continuou.
"Olhe para mim, Christine." Pediu ela.
Christine obedeceu, e no momento que o olhar das duas se cruzaram, Samantha percebeu o quão ligadas elas eram. Esse olhar já foi visto por Samantha inúmeras outras vezes.
Era o olhar de Bernardo quando ele ouviu o som dos invasores atacando a sua família. Era o olhar que ela viu em Cèdric quando ele ouviu os gritos de sua mãe. Era o olhar de Edmond quando ele se viu responsável por Samantha depois de tantos meses de guerra.
"Christine." Disse Samantha com a voz embargada por causa do choro contido. "Eu sei que tudo isso é muito louco, mas eu juro que eu nunca pensei em causar nenhum estrago em sua vida. Eu espero que de algum modo você possa me perdoar, tudo que eu fiz por causa de algo maior."
"Por Erik." Disse Christine.
Samantha concordou com a cabeça, ela não conseguia falar sem correr o risco de cair no choro.
"O que vai acontecer com ele?" Perguntou Christine timidamente.
Samantha conseguiu sorrir ao dizer.
"Eu cuido dele." Disse ela tentando soar confiante. "Ao menos eu espero."
Nadir que estava observando a cena em silêncio com os olhos cheios de lágrimas precisou interromper.
"Samantha." Disse ele simplesmente.
Samantha olhou para Nadir e entendeu a mensagem que ele quis passar.
Erik precisava dela naquele momento.
Ela se virou para Christine.
"Me escute." Disse ela apressadamente. "Case-se com Raoul e seja feliz. Não se culpe por nada, Erik ficaria feliz em saber que você está feliz."
Christine acenou positivamente, as lágrimas corriam novamente pelo seu rosto.
"Ótimo." Disse Samantha. "Agora se me derem licença."
"Vá atrás daquele idiota." Disse Nadir com um sorriso no rosto.
Samantha sorriu e saiu correndo em direção à rua, mas antes ela se virou e disse para Christine.
"A Itália é um bom lugar para viver uma nova vida."
Ela não ouviu a resposta. Ela saiu correndo a toda velocidade. Mas então ela começou a se perguntar onde diabos Erik poderia estar.
"As pessoas se jogam no Sena todos os dias."
Assustada ela se virou em direção ao som da voz misteriosa que disse isso. Ela não podia deixar de sentir um calafrio, ela tinha certeza que já tinha ouvido essa voz antes.
"As pessoas se jogam no Sena todos os dias." Repetiu ela em voz alta. "Oh meu Deus!"
Sem mais nenhum pensamento ela correu desesperadamente em direção ao Jardim as Tulherias, ela atravessou o jardim chegou à rua as margens do rio. Desesperada ela olhou para todas as direções até avistar um homem alto se posicionar perigosamente na beira da Ponte Royal. Imediatamente ela reconheceu a figura alta coberta de preto.
"Erik! Erik!" Gritou ela desesperadamente enquanto corria o mais rápido que suas pernas podiam leva-la.
Aquele idiota, lunático, maluco, estúpido! Como ele ousava pensar em dar fim a sua vida depois de tudo o que ela fez por ele? Todos os seus pensamentos bondosos em relação à Christine sumiram no momento que ela viu o que suas palavras levaram Erik a fazer.
Mas por mais deprimida que uma pessoa esteja, é decididamente impossível alguém não notar uma pessoa correndo feito uma louca em sua direção e berrando o seu nome a plenos pulmões. E com Erik não podia ser diferente, a imagem de Samantha correndo desesperadamente em sua direção o distraiu de seu ato suicida.
E ela não parou quando ela se viu próxima a ele, pelo contrário, ela o agarrou e o afastou da beirada da ponte. Erik foi pego de surpresa a ponto de que ele quase perdeu o equilíbrio e caiu em cima da garota.
Samantha estava chorando, quando ela conseguiu colocar Erik em um local seguro ela se virou de frente para ele e começou a socar o peito magro dele.
"Essa é a terceira vez!" Disse ela com a visão turva em razão da quantidade de lágrimas que enchiam os seus olhos. "Qual é a droga do seu problema? Essa é a solução para tudo? Morrer?"
Erik não reagiu aos golpes de Samantha, mesmo que eles tenham sido um pouco dolorosos. Ela era forte apesar do seu tamanho.
Quando a sua raiva abrandou, Samantha notou que a ultima coisa que Erik precisava era de mais golpes.
Com um gemido ela passou os braços ao redor de cintura fina dele e enterrou seu rosto em seu peito magro.
"Meu pobre Erik." Gemeu ela.
De algum modo essa palavras quebraram algo dentro de Erik, porque ele deixou de resistir e caiu de joelhos contra Samantha.
Com um soluço desesperado ela caiu de joelhos e o abraçou novamente. Exatamente do mesmo modo do dia em que ela o abraçou pela primeira vez como Christine.
"Por favor." Chorou Erik ao ser envolto pelos braços de Samantha.
"Erik?" Perguntou Samantha entrelaçando seus dedos nos fios delicados do cabelo dele.
"Por favor, me deixe ir." Gemeu ele.
"Erik!" Reprendeu ela. "Pare com isso, por favor."
"Eu não posso, Samantha." Gemeu ele tentando se afastar do corpo dela.
Samantha o apertou com mais força, como se sua vida dependesse disso. E pensando bem com toda a certeza dependia.
"Eu não consigo mais..." Suspirou ele entre soluços.
Samantha se afastou um pouco dele para olhar em seus olhos.
"Você consegue sim." Disse ela colocando uma mão na lateral de seu rosto mascarado. "Você é a pessoa mais forte que eu conheço. Você é incrível, não ouse dizer que você não pode fazer algo, porque eu sei que você pode. Você pode fazer qualquer coisa."
Erik se irritou com esses gestos de Samantha.
"Pare com isso! Você acha que é bom viver com isso?" Disse ele apontando um dedo para o seu rosto. "Eu estou cansado disso Samantha. Eu não aguento mais!"
"Erik..." Suspirou ela com uma nova leva de lágrimas enchendo os seus olhos.
"Me deixe! Por favor, me deixe ir..." Chorou ele tentando se desvencilhar dela. "Me deixe..."
Ele foi interrompido pela ultima coisa que ele imaginou que poderia acontecer com ele em toda a sua vida.
Menina estranha essa jovem chamada Samantha.
Ela não fugia do seu rosto horrível...
Nem da frieza dos seus lábios.
Sim, é isso mesmo que você está pensando. Surtem... Podem surtar a vontade :)
Vejo vcs nos reviews.
