Capítulo 25

Jensen's pov

"Shh, quieto." Eu falo, tentando fazer Jared parar de rir.

"Shh." Ele repete, com o dedo indicador na frente da boca, me mandando fazer silêncio.

Eu aceno um tchau pra Misha e Danneel, que ainda estão lá fora no carro esperando a gente entrar em casa, e então fecho a porta o mais devagar possível, tentando não fazer barulho.

Quando eu me viro, eu acabo colidindo com Jared e a gente meio que tropeça, gargalhando em sussurros.

"Sai da minha frente, seu gigante!" Eu sussurro, tapando a boca de Jared com uma das minhas mãos pra tentar faze-lo parar de rir.

Não sei como a gente conseguiu chegar no quarto, eu só sei que a gente tá aqui e que eu tenho que fechar a porta, então é o que eu faço.

Toda a energia de hoje à noite ainda me afeta, fazendo a minha cabeça ficar leve, e eu sei que minhas bochechas estão doendo de tanto rir, mas eu não consigo parar.

Talvez seja assim que as pessoas se sentem quando bebem muito. Ou quando fumam maconha.

Acho que Jared já fumou maconha, se eu bem me lembro. Eu deveria perguntar pra ele.

O quarto tá escuro e eu consigo ver a sombra de Jared tirando a camisa preta que ele tava vestindo e se apoiando no guarda-roupa pra tirar os sapatos dele com os próprios pés.

Eu acendo o abajur e Jared me olha à presença de luz, com olhos meio preguiçosos, mas ainda sorrindo.

Eu sento na minha cama e tiro meus próprios sapatos, colocando as meias dentro deles e empurrando-os pra baixo da minha cama pra que eles não fiquem por aí. Eu faço o mesmo com os sapatos de Jared antes de ele sentar ao meu lado pra poder tirar as meias.

"Eu sei que eu deveria tomar um banho..." Ele diz. "Mas eu 'tô sem coragem de entrar embaixo do chuveiro."

Eu rio baixo em concordância, me inclinando um pouco pro lado pra poder deitar minha cabeça no ombro de Jared.

Isso aconteceu tantas vezes hoje, eu e ele tão perto um do outro de uma forma tão íntima que eu estou tendo problemas em lembrar que nós não somos namorados de fato.

Tudo parece tão surreal.

Mas Jared não se move nem um centímetro pra escapar do meu toque. Ele simplesmente joga as meias dele no chão e deita a cabeça dele levemente em cima da minha.

Eu sinto ele suspirar longamente, sinto o ombro dele levantar e abaixar logo ao lado do meu, sinto meu coração bater com uma velocidade inacreditável e me pergunto se ele consegue sentir isso também.

É bom estar perto de Jared assim de novo. Eu finalmente sinto que a maior parte da tensão entre a gente foi embora e é simplesmente tão... Eu não sei explicar. Não sei explicar o jeito como eu me sinto quando ele cuida de mim, quando ele me deixa ficar perto dele desse jeito. É uma mistura de desespero e alívio.

Na maior parte do tempo, eu só quero gritar pra ele tudo o que eu sinto. Mas agora, nesse momento, eu sinto como se só bastasse sussurrar as palavras pra fora.

Eu quase não registro o movimento que eu faço, roçando a minha cabeça no rosto de Jared, talvez como um gato faria. Eu ronrono, pra complementar a piada, e Jared ri bem baixo. Ele levanta o rosto brevemente, e o ângulo expõe o maxilar dele ao meu campo de visão. E eu nem sei por que eu estou me aproximando pra beijar essa parte da pele coberta por uma fina e áspera camada de barba por fazer. Eu só sei que eu gosto do cheiro dele inundando minhas narinas, e da sensação áspera na minha boca quando eu acaricio o maxilar dele com meus lábios.

Mas de repente a sensação fica macia, e eu demoro um pouco pra me tocar que é a sensação de outros lábios nos meus. Dos lábios de Jared nos meus. E eles estão relaxados, convidativos, fazendo meus próprios lábios formigarem na vontade de beijar Jared.

E é o que eu faço.

E eu sentia tanta falta disso que parece até não ser real. E, céus, é melhor do que eu lembrava, as borboletas no meu estômago quando eu abro meus lábios; o calor que eu sinto por dentro quando a língua de Jared escorrega por entre os meus lábios; a sensação macia de ter a língua dele acariciando a minha e a forma como nossos lábios se encaixam sem nenhuma imperfeição.

Eu me pergunto se Jared nota todas essas coisas também. Ou se eu noto só porque eu estou apaixonado demais pra raciocinar.

E eu sei que, depois dessa noite, eu não vou mais conseguir fingir que eu não sinto nada.

O beijo termina tão devagar quanto começou, tanto que eu mal percebo Jared se afastando. Eu abro meus olhos e o encontro olhando de volta pra mim.

Merda. Eu devo ter estragado tudo.

Eu tento encontrar palavras, talvez pedir desculpas, talvez perguntar o que tudo isso significa ou se isso ao menos deveria significar alguma coisa. As palavras embaralham dentro da minha garganta e é difícil respirar.

A mão de Jared toca meu rosto, e eu sinto como se isso fosse a única coisa me impedindo de perder o controle.

E eu sei que o toque deve ser a maneira de amaciar o que quer que seja que ele está prestes a dizer. Eu consigo imaginar algumas hipóteses – "Isso não pode acontecer de novo", "eu não gosto de você dessa maneira", "você é como um irmão pra mim".

Mas então Jared abre a boca e o que sai é um sussurro.

"Eu senti falta disso." Ele diz.

E eu não tenho opção alguma a não ser responder.

"Eu também."

-J2-

Jared's pov

As mãos de Jensen estão nos meus ombros, segurando com força, me mantendo perto. Elas não estão inseguras como elas costumavam ser. Eu não sei muito bem o que isso quer dizer, mas eu sei que eu gosto. Gosto até um pouco demais.

Enquanto a gente se beija, eu aproveito pra desabotoar a camisa dele, devagar, dando espaço pra ele me parar na hora que ele quiser, mas ele não o faz. Na verdade, ele termina de tirar a própria camisa e a deixa jogada na cama.

O meu sono já sumiu completamente e a mesma adrenalina que eu senti na boate volta a me preencher.

Eu quero dizer pra ele. Dizer que quando eu vi aquele cara dando em cima dele, tudo o que eu queria era gritar que ele era meu, pedir pra ele ser meu, roubar ele pra mim, qualquer coisa. Mas só pensar nessas palavras deixa meu estômago meio esquisito, e eu não acho que sou capaz de dizer nada disso.

Eu até abro a boca pra dizer alguma coisa – eu nem sei o que -, mas o que sai é meio que um gemido quando Jensen escorrega as mãos dele pra minhas costas e arranha. E eu preciso me livrar das minhas calças agora.

Eu desfaço o zíper e o botão, e é tudo uma confusão porque a gente meio que tá se mexendo muito intensamente, mas de alguma maneira eu consigo chutar minha calça pra longe. Jensen deve ter tentado fazer o mesmo, porque quando eu toco as pernas dele, as coxas estão nuas e as calças dele estão na altura dos joelhos. Eu o ajudo a tira-la e então a jogo no chão, quase não sentindo a consciência pesar por saber que Jensen odeia roupas jogadas pelo quarto.

Mas aparentemente ele não tá ligando muito. Ele enrosca as pernas dele ao redor da minha cintura, me trazendo pra cima dele e a gente volta a se beijar. A boca dele é quente e úmida, eu lembro de como era a sensação de ter o meu pau dentro dela e o pensamento faz eu impulsionar meu quadril pra frente e pressionar minha ereção contra a de Jensen.

Entre os nossos gemidos, a gente escuta um barulho. O som de uma porta abrindo, talvez. E a velocidade com a qual a gente se afasta é impressionante.

Ficamos os dois olhando pra porta, em completo silêncio, tentando capturar mais algum som que indique que alguém está vindo na direção do quarto.

Nada acontece por um minuto inteiro, e então, por baixo da porta, surge um pouco de luz que eu deduzo estar vindo da cozinha. E então o som da geladeira sendo aberta, depois fechada. Mais um minuto se passa até que a luz se apague e a gente ouça o som de passos se arrastando pela sala, passando pelo quarto sem nem pausar e então de novo o som da porta se fechando.

Talvez tenha sido Alan. Ou minha mãe.

Jesus, como meu coração tá batendo rápido agora. É até difícil se concentrar em outros sons.

Eu solto a respiração, meio que na forma de um suspiro aliviado e Jensen faz a mesma coisa ao mesmo tempo, a coincidência faz a gente se olhar e rir.

O clima intenso meio que desapareceu, mas o sono não voltou. E eu não tenho nenhuma intenção de ficar longe de Jensen agora. Principalmente quando estamos os dois só de cueca na cama dele.

Eu me arrasto no colchão, sentando ao lado de Jensen, que agora – pra variar -, está com um travesseiro no colo, sentado com as pernas cruzadas e encostado na cabeceira da cama. As mãos dele estão entrelaçadas juntas e eu levo uma das minhas mãos até elas, acariciando os tendões de Jensen de um jeito que o faz relaxar os dedos.

Eu pego uma das mãos dele e entrelaço os dedos com os meus. Ele acompanha com o olhar quando eu levo essa mão dele até os meus lábios e a beijo. E ele parece um pouco confuso.

"Por que você fez aquilo?" Ele pergunta, e então pigarreia. "Na boate."

Eu fiz muita coisa com ele na boate, se eu bem me lembro...

"Aquilo o que, exatamente?" Eu pergunto, e quase me arrependo, porque isso parece irritar Jensen um pouco.

Ele umedece os lábios e respira fundo.

"Por que você disse que era meu namorado pra aquele cara? Você não precisava..."

"Porque eu quis." Eu respondo, por impulso.

Mas, droga, não é isso que eu quero dizer.

Dessa vez Jensen realmente fica irritado. Ele solta a mão da minha e olha pro teto, voltando a apertar o travesseiro.

"Olha, Jared... Eu sei que você não se importa com as coisas, que você faz tudo porque 'você quer'", ele faz aspas com os dedos rapidamente, "mas não é justo que você diga essas coisas e depois faça isso comigo" ele pausa, apontando com as mãos pra cama, provavelmente se referindo ao amasso que a gente acabou de dar. "Quero dizer... Você não pode simplesmente fazer essas coisas comigo e esperar que eu não sinta nada."

-J2-

Jensen's pov

"Não é justo!" Eu digo por fim. E eu não acredito que eu acabei de vomitar todas essas palavras em cima de Jared.

Eu olho pra Jared, e ele apenas continua me olhando, com olhos esperançosos, como se ele soubesse que eu tenho mais coisas pra falar.

Ele umedece os lábios e o movimento parece encorajador. Eu engulo o nervosismo e minhas mãos estão tremendo. Meu corpo todo tá tremendo, até o meu estômago, se é que isso é possível.

"Eu sei que..." E aí vou eu de novo, sem conseguir parar de falar. "Eu sei que foi eu quem começou isso tudo. Mas eu não sou assim, Jay. Eu não consigo simplesmente não me apegar. Então..."

Eu respiro fundo, me dando conta de que estou prestes a dizer todas as palavras que tem se repetido dentro de mim por um bom tempo agora.

"Então, eu acho que você não deveria fingir ser meu namorado, ou me beijar, ou fazer outras coisas comigo, me dando esperanças, se na próxima semana ou amanhã mesmo você vai estar com outra Cindy, ou talvez com algum outro cara."

Minha garganta fecha, então. E eu não consigo mais falar. Eu sinto meu rosto gelado, e eu provavelmente devo estar pálido. Uma das minhas mãos segura a outra, uma tentando fazer a outra parar de tremer, e é meio patético.

Eu nem consigo olhar pra Jared agora.

Eu continuo olhando pras minhas mãos, esperando uma resposta, qualquer coisa.

"Ok..." Jared diz.

E agora eu não sei se eu choro, se eu grito, se eu xingo, se eu me escondo, se eu me afogo na piscina...

Uma das mãos de Jared vem acariciar a minha, talvez como conforto.

"Eu entendo." Ele diz.

"Mas eu," Eu volto a falar, nem sei por quê. "Eu não quero que a gente pare de se falar também. Se eu não tiver matado a pouca amizade que a gente tinha, ao menos eu quero que ela continue."

E, céus, eu nem sei como eu estou conseguindo dizer essas frases grandes sem tropeçar nas palavras.

"Não, eu não quero voltar a ser seu amigo daquele jeito." Jared diz, quase que em um suspiro.

A voz dele me lembra tanto os tempos de quando ele era um valentão idiota que eu até volto a olhar pra ele. A expressão dele é neutra, levemente sorridente, exatamente como naqueles tempos quando ele só fazia o que ele queria, como bem entendesse, não se importando com quem fosse sair machucado.

Eu sou tão idiota por ter achado que esse Jared tinha morrido.

Eu sou um idiota.

Eu cerro meus dentes com tanta força que eu sinto minha cabeça doer.

"É, desculpa, foi burrice da minha parte achar que..." Eu começo a pensar alto, voltando a olhar pras minhas mãos e tentando solta-las da de Jared.

"Jensen." Jared me interrompe, segurando minhas mãos com mais força. "Olha pra mim."

Eu obedeço, odiando o nó que se forma na minha garganta.

Jared encosta a testa na minha, e a proximidade me faz fechar os olhos. Eu não estou olhando pra ele, mas eu sinto a vibração da voz dele quando ele fala.

"Eu não quero mais voltar a ser seu amigo do jeito de antes porque eu gostei de ser seu namorado, mesmo que de mentirinha. E eu estava me perguntando se a gente poderia fazer isso de verdade."

-J2-

Jared's pov

"Eu não quero mais voltar a ser seu amigo do jeito de antes porque eu gostei de ser seu namorado, mesmo que de mentirinha. E eu estava me perguntando se a gente poderia fazer isso de verdade."

Meu coração tá batendo tão rápido que eu mal escuto as palavras quando eu as digo.

Jensen congela, e eu acho que ele até parou de respirar.

Eu me afasto pra olhar pra ele, e o encontro me olhando com grandes olhos que brilham, umedecidos.

"Você quer namorar comigo de verdade?" Ele pergunta, parecendo incrédulo.

Eu balanço a cabeça positivamente.

"Tem certeza?" Ele volta a perguntar.

E, é, eu tenho. Mais do que qualquer coisa na minha vida. É o que eu quero, o que eu realmente quero. Sem dúvidas, sem influências. É isso, vontade nua e crua. E eu quero dizer tudo isso pra Jensen, mas as palavras não parecem querer parar de orbitar minha mente pra poderem sair pela minha boca.

"Absoluta." Eu falo, simplesmente.

Jensen continua me olhando, parecendo ainda meio incerto. Mas então ele sorri, e pelo movimento dos músculos das bochechas dele, uma lágrima escorre de um dos olhos.

"Você é um idiota, sabia? Podia ter me dito isso antes." Ele diz.

"Antes de que?"

"De eu surtar. Nossa. Eu poderia te bater agora. Com muita força."

Meus lábios imitam o sorriso de Jensen e o corpo dele tá virado pra minha agora, mãos apertando as minhas, dedos se entrelaçando com os meus.

E eu quero falar pra ele que eu teria falado antes, se eu não fosse tão idiota pra perceber que era isso o que eu queria.

"Pode me bater. Acho que eu posso até gostar." Eu brinco, e Jensen se joga pra cima de mim, literalmente me atacando com um beijo que eu faço questão de aceitar.

São vários beijos, na verdade. Todos intensos e curtos. Cada beijo desses me faz desejar o próximo, e eu já consigo me sentir endurecendo dentro da minha cueca de novo.

Mas eu tenho que me afastar pra perguntar.

"Então, isso é um sim? A gente é namorado agora?"

E tá aí algo que eu nunca pensei que eu fosse dizer.

"Sim, Jared, a gente é namorado agora." Jensen responde com uma pitada de riso e depois volta a me beijar.

Eu não sei por que, mas então um beijo fica mais preguiçoso que o outro e talvez a gente tenha gastado mais energia do que a gente pensou, porque é assim mesmo, um por cima do outro, que a gente acaba adormecendo.

Continua...

N/a: AE, gente. Demorou, mas o capítulo chegou. E vou confessar que foi um dos mais intensos de escrever. Muitas emoções lol

Juro que uso cada tempinho que tenho tentando escrever a fic, mas fica difícil por causa da faculdade, ainda mais que as provas estão se aproximando... Mas com esse feriado que vem por aí, espero adiantar bem o próximo capítulo.

Espero que tenham gostado desse capítulo e que continuem acompanhando. Muuuito obrigada pelos reviews e feliz Páscoa pra todo mundo.

Padaporn.