Capítulo 24
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Aquilo não podia estar acontecendo. Não era real. Não era possível. Devia se tratar de algum colapso nervoso em curso. Tinha de ser. Algo que ela deveria ter pressentido… porém, o galão de leite era o tipo de detalhe surreal que seu cérebro normalmente não conjurava.
O que significava que…
– Oh, meu Deus!
Bella soltou o ar em um soluço baixo e esticou a mão para agarrar o tecido da camisa de Edward e puxá-lo para cima até erguê-lo. Retirando o galão de leite das mãos dele, ela o pousou sobre a mesa com um sutil gesto negativo de cabeça.
– Não estou grávida.
Edward a encarou por um longo instante. Os músculos do pescoço trabalhavam como se em um esforço de conjurar as palavras às quais não conseguia dar voz. E então ele a puxou para os braços, o corpo forte a envolvendo, enquanto um suspiro pesado soava acima da cabeça de Bella. Um alívio, potente o suficiente para subjugar um homem tão forte quanto Edward, se derramou sobre ela. Era humilhante testemunhar.
– Seu e-mail ficou aberto no computador da cozinha – explicou ele, as palavras saindo roucas. – Vi a mensagem sobre o doador solicitado pronto para fornecer.
Bella espalmou as mãos no peito largo, o único gesto de conforto que podia fazer, presa no confinamento dos braços fortes.
– Aquela mensagem era a resposta a um pedido que eu tinha feito meses atrás. Antes de nos conhecermos. Ainda não estava me sentindo preparada para seguir adiante com meus planos.
Para começar, porque eles ainda estavam casados. E o que sentia por Edward… Bella não se viu capaz de começar algo tão importante com o coração ainda despedaçado. Decidira que seus planos ficariam suspensos por um ano ou dois.
Afrouxando a força férrea com que a segurava, Edward lhe ergueu o rosto, inclinando o queixo delicado, para que ela o encarasse.
– Não me importo. – A calma daquelas palavras contrastava com a intensidade ardente dos olhos esmeralda. – Bella ergueu uma das sobrancelhas em uma expressão inquisidora. – Quero você de qualquer maneira. Mesmo que não esteja levando um bebê na barganha.
Uma risada suave escapou dos lábios carnudos. Como Edward conseguia fazer aquilo? Fazê-la rir quando seu mundo estava virado de cabeça para baixo.
– Você me quer de qualquer maneira?
Edward anuiu.
– Eu a amo. Achei que não possuía esse sentimento em mim, mas era porque nunca o havia experimentado antes de conhecê-la.
Edward a amava.
Procurando-lhe o olhar, com um dos cantos dos lábios erguido em um sorriso voraz, ele escorregou as mãos do queixo para os cabelos de Bella. Com um leve puxão, inclinou-lhe a cabeça para trás e lhe capturou os lábios com um beijo suave e profundo, que tinha o sabor de cada promessa que ela nunca se permitira sonhar. Em seguida, mudando o ângulo da cabeça, Edward lhe invadiu a boca com movimentos ousados, até que as mãos delicadas se fechassem com força contra o tecido de sua camisa, enquanto Bella se colava a ele com toda a intensidade de que era capaz.
Sem interromper o beijo, as mãos longas começaram a rumar pelos contornos perfeitos do corpo macio, seguindo-lhe a curva da cintura fina e os comprimentos dos braços. Entrelaçando os dedos aos de Bella e lhe fazendo todo o mundo rodar até que ela estivesse pressionada contra a resistência inflexível da porta. Sentindo os punhos prensados contra a madeira maciça e o peso desorientador do corpo musculoso em um delicioso contato com o dela.
– Eu a amo – sussurrou ele contra os lábios carnudos.
– Oh, meu Deus, sim. – Soou uma voz distante.
Os dois congelaram diante da ilusão destruída de que eram as duas únicas pessoas no planeta. Na sala.
– Shhh!
O rosto de Edward recuou para se deparar com o rubor que se espalhou rapidamente pelo rosto de Bella.
– Desculpe… esqueci. – Como fora capaz de esquecer?
Juntos, os dois dirigiram o olhar à fonte das palavras invasivas: o tablet que se encontrava pousado sobre o balcão. Três descarados rostos, com olhares ansiosos, preenchiam a tela. Edward aprumou a coluna, afastando-se para se encaminhar ao dispositivo eletrônico.
– Desculpem-me, meninas. O show acabou.
– Não, espere.
– Droga, Jessica! Viu o que você fe…
Fechando o aparelho com a capa, ele interrompeu a conexão e girou para encarar Bella. Que não deveria ter rido.
– Achou engraçado? – perguntou ele, com um sorriso no rosto.
– Foi sem querer – jurou ela, erguendo as duas mãos para cima. – Eu me distraí.
– É o que parece – respondeu Edward, gesticulando com a cabeça na direção da mão esquerda que ela ainda mantinha erguida.
O olhar de Bella seguiu até seu dedo anular, onde a aliança de casamento faiscava em conjunto com o novo anel que estava aninhado no veludo preto da caixa de joias na última vez que o vira.
– Sorrateiro – sussurrou ela, mal conseguindo forçar a palavra a passar pelo nó de emoção que se alojou em sua garganta diante da visão da aliança de casamento de volta ao seu dedo.
– Tinha a esperança de que, se você visse o conjunto em seu dedo, seria mais fácil me dar a resposta que estou esperando.
– Eu o amo. E quero tudo que está me oferecendo. Quero ser sua esposa e mãe de seus filhos. Mas…
Edward deu um passo à frente. Toda aquela segurança presunçosa se dissipando.
– Mas?
Bella escorregou a mão sobre a superfície levemente áspera da mandíbula quadrada antes de deixá-la descer para os botões da camisa que ele usava.
– Mas o que acha de esperarmos um pouco mais para termos um bebê? Talvez alguns meses ou um ano…
– Um período de experiência? – perguntou ele, anuindo rapidamente. A determinação e certeza se sobrepujando ao desapontamento e à dor que se refletiu em seu rosto. – Qualquer coisa que a faça se sentir segura. Confiante.
Abrindo o primeiro botão da camisa, Bella fez que não com a cabeça.
– Não. Não preciso de nenhum período de experiência.
Edward lhe procurou o olhar.
– Então, por quê?
– Talvez porque durante algum tempo tudo que eu quero seja você.
– Sim?
Libertando o outro botão, ela anuiu.
– Afinal, passaremos nossa vida inteira juntos. Agora, Sr. Cullen, estou pronta para receber meu beijo de "eu a amo".
Aquele meio-sorriso curvou os lábios deslumbrantes de Edward com uma amplitude que abrangeu toda a boca e, em seguida, o rosto.
– Com todo o prazer, Sra. Cullen – respondeu ele. A emoção lhe emprestou rouquidão à voz enquanto ele a puxava para os braços e lhe arqueava as costas.
– Eu a amo.
E lhe capturou os lábios com o beijo que tinha a pretensão de ser o primeiro daquele tipo. Porém, tinha um sabor tão familiar, que não havia como negar que a propensão ao amor, embora oculta, estivera presente o tempo todo… apenas esperando para ser reconhecida. Mas naquele beijo seu marido estava transmitindo todo o sentimento que possuía. Sem reservas. Sem limites.
Uma promessa de eternidade… e ela acreditou.
FIM.
Ahhnn, adoro finais felizes...
Gostaria de agradecer a todas que acompanharam essa adaptação e deixaram seus comentários.
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Bjs e até qualquer hora!
