Capítulo Vinte e Cinco
Stars At Night
(Estrelas à Noite)
N/A: Isso acontece no mesmo dia do capítulo 23 e maior parte do 24 — o dia que Ron, Hermione e Harry foram visitar Ginny em Hogsmeade.
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George se escorou no balcão com um suspiro. Quando as aulas começavam, as coisas tendiam a acalmar bastante, e lidar com encomendas via coruja era muito mais fácil do que tentar lidar com o cliente em pessoa. Ergueu os olhos quando a porta abriu para deixar Katie entrar. Sentiu seu rosto se abrir consideravelmente em um sorriso.
- Katie! O que está fazendo aqui? Posso te oferecer um feitiço de divagação?
Katie apoiou os cotovelos no balcão.
- Tem planos para hoje?
George indicou a loja.
- Isso.
Katie olhou ao redor para os poucos clientes que estavam entre as prateleiras.
- Parece animador. – comentou secamente. – Onde está Ron?
- Foi a Hogwarts com Hermione e Harry, visitar Ginny. Fim de semana em Hogsmeade.
- Por que você não foi? – Katie perguntou.
As mãos de George se ergueram e baixaram, formando um pequeno arco.
- Nah. O primeiro jogo de Quadribol está chegando. Pensei em ir para o jogo.
- Quer ir almoçar comigo? Tem esse lugar novo em Falmouth que preciso avaliar. Podia usar outro estômago, além do meu.
George dedilhou uma mancha de tinta do balcão.
- E o tal Qual o Nome Dele?
- Martin não gosta de experimentar coisas novas.
- Que lugar é esse?
Katie suspirou e cruzou os braços sobre o balcão.
- É de comida asiática, principalmente.
George tirou as vestes púrpuras.
- Posso comer um pouco de macarrão. – falou. – Oi! David, Sasha! Estou saindo!
David colocou a cabeça para fora das cortinas.
- Certo, George. Vai voltar mais tarde?
George olhou para Katie.
- Não. – se virou para David. – De fato, por que você e Sasha não tiram o resto do dia? Descansar um pouco antes que as coisas fiquem agitadas para o feriado de natal? – viu Katie lhe dar um olhar pensativo. – O quê?
- Que acha de jantarmos ao invés de almoçarmos?
- Por quê?
Katie tamborilou as unhas no balcão.
- Prometi a minha mãe que passaria na casa dela hoje e seria muito mais fácil se eu fizesse isso durante a tarde.
- Bem, se você me der o nome do lugar, eu te encontro lá, digamos, as seis?
Katie olhou George com outro olhar pensativo.
- Por que você não vai comigo?
George olhou para sua camisa amassada e jeans gasto.
- Não estou exatamente vestido para conhecer a família...
Katie dispensou isso.
- Você está ótimo. Meus pais não são... Convencionais.
George balançou a cabeça.
- Pelo menos me deixei passar em casa para trocar a camisa. Acho que essa tem uma mancha de quando tentei fazer Febricolate de cabeça quando reabrimos... – ergueu a barra e examinou uma mancha roxa perto do buraco do botão.
Katie assentiu.
- Te encontro na frente do meu apartamento em meia hora?
- Certo. – George esperou até Katie sair da loja e descer a rua até o prédio dela. Aparatou para A Toca e correu até a porta de trás da casa. – Mãe! – gritou. – Mãe!
- O que foi? – Molly parou a corrida de George na cozinha ao segurá-lo pela manga.
- Camisa limpa? Passada?
- No armário...
George beijou Molly ruidosamente na bochecha.
- Obrigado, mãe! – começou a subir a escada correndo, mas parou e correu de volta até Molly, quase a tirando do chão com a força do abraço.
- Minha nossa. O que é tudo isso? – Molly deu um tapinha gentil nas costas de George.
George se afastou um pouco.
- Só é algo bom, não é?
- Ah. Bem, então. Te espero acordada?
- Provavelmente não. – o sorriso de George ficou torto, mas ele correu até o antigo quarto de Percy e pegou a primeira camisa limpa e passada que sua mão encontrou. Em minutos, tirou a camisa suja e vestiu a outra, e trocou de calça por um par de boa aparência, antes de se ver andando de um lado para o outro na frente do prédio de Katie.
Katie apareceu alguns minutos depois.
- Achei que ia só trocar de camisa. – ela provocou.
- Não combinava com o jeans. – George respondeu. – Pronta?
Katie hesitou e, para a surpresa de George, se sentou na escadaria do prédio.
- Eu preciso lhe explicar algo primeiro... Sobre minha família...
- Oh. Bem. Tudo bem... – George se juntou a Katie nos degraus, seus ombros se roçando.
Katie sorriu nervosamente.
- Bem, é só que... Meus pais são um pouco excêntricos no mundo mágico.
George bufou.
- Uh. Oi. Meu pai?
Katie balançou a cabeça.
- Mais que isso... – respirou fundo. – Eles não usam magia para coisas que eles mesmos podem fazer. Como cozinhar ou limpar. Tanto minha mãe quanto meu pai são filhos de um pai trouxa. E os pais que eram bruxos, não eram muito bons com magia, então quando eles estavam em Hogwarts, os pais trouxas insistiram que tivessem aulas Trouxas, também. Até O-levels¹. Na verdade, foi pelo correio. Só para o caso de a magia não recompensar, sabe.
- O que é isso? O-levels...
- Meio que como os N.I.E.M. – Katie respondeu. – Eles faziam isso mais durante o verão e quando podiam durante a escola. Na verdade, eles também eram da mesma cidade, então suas famílias se conheciam. No final, papai decidiu que ele não queria seguir uma carreira mágica, então foi para a universidade e se formou em literatura. Já a mamãe treinou para ser uma Curandeira. Fez todo o treinamento e desistiu. Era o alto da primeira guerra e muitos amigos tinham morrido. Enquanto ela estava trabalhando neles ou antes de ela conseguir chegar neles. Ou desapareceram. Foi demais para ela. Então, ela treinou para ser parteira. Ela prefere estar presente no começo de uma vida.
- Por que ela não ficou no St. Mungus, ou trabalhou como Curandeira em algum vilarejo bruxo para fazer isso? – George perguntou.
- Acho que ela ficou cansada disso. O medo e a política... Tanto ela quanto o papai. Aí eles se mudaram para Oxborough. Papai começou a trabalhar em uma biblioteca e a dar aulas para alguns alunos mais velhos, que iam fazer os O-levels. Mamãe faz vários partos por aí. Trouxas e Bruxos. Eles me tiveram, e quando eu tinha seis anos, eles tiveram meu irmão Timothy.
George franziu o cenho.
- Eu não me lembro de você ter um irmão na escola...
- Não tenho. – Katie disse tão suavemente que George precisou aguçar os ouvidos para escutar. – Ele é... Diferente. Ele vai fazer quinze anos no natal. – adicionou. – Mas ele funciona como se tivesse seis.
George piscou.
- Oh.
Katie soltou o ar lentamente.
- É. Timothy é o garoto mais doce da Bretanha. Mas ele é um garoto de seis anos com trinta e seis quilos. E, como as crianças de seis anos, ele perde o controle sobre sua magia quando fica chateado. Se ele vai até a vila com papai ou mamãe, e vê um brinquedo ou doce que quer, ele dá um show sobre isso. Faz birra quando não consegue o que quer, por que ele não entende que não pode ter. A maior parte do tempo, dá para acalmá-lo com a promessa de um filme ou uma história, mas às vezes... – ela balançou a cabeça.
- As coisas explodem. Literalmente. – George terminou por ela.
- Sim. – Katie olhou para a rua, observando o tráfico humano se misturar e dispersar na frente deles. – Depois que ele nasceu, eles o levaram a todos os médicos trouxas ou Curandeiros que conheciam para ver se algo poderia ser feito. Mas a resposta sempre foi não...
George assentiu.
- Tudo bem. – se ergueu e oferece uma mão a Katie. – Então, como foi que eu conquistei a honra de conhecer sua família?
- Você ainda quer ir?
- Bem... – George trocou o peso de uma perna para a outra. – Sim.
Katie aceitou a mão de George e permitiu que ele lhe erguesse.
- Obrigada... – disse timidamente.
- Então, por que o quem-é-ele não foi conhecê-los?
- É uma longa história. – Katie suspirou. – Eu não acho que ele entenderia sobre o Timothy. Não que ele seja completamente insensível. – adicionou rapidamente. – Timothy só é um pouco difícil para algumas pessoas entenderem...
George engoliu o comentário que estava prestes a fazer, e ofereceu o braço para Katie.
- Mostre o caminho. – disse em tom galanteador. Katie entrelaçou seus dedos e os aparatou na frente de uma pequena casa, que ficava fora de Oxborough.
- Katie! – uma figura pequena correu para o jardim e se jogou na direção de Katie. Ela soltou sua mão da de George e se preparou. Um pequeno garoto se jogou contra Katie, fazendo-a recuar alguns passos. – Katie! Você está em casa!
- Só para o chá, Tim. – Katie disse suavemente, passando os braços ao redor dele e bagunçando o alto do cabelo caramelo. Depois de alguns momentos, conseguiu se soltar e virou Timothy na direção de George. – Ei, quero que conheça alguém. Tim, esse é meu amigo, George. George, esse é meu irmão mais novo, Timothy.
George se abaixou para ficar na altura dos olhos de Timothy. Ofereceu uma mão em cumprimento.
- Olá. – Timothy usava um par de óculos com lentes grossas, que ampliavam ainda mais seus olhos já grandes. Suas expressões eram estranhamente achatadas, mas ele sorriu para George com uma expressão que não tinha nenhum tipo de maldade.
Timothy olhou da mão esticada de George para seu rosto, confusão clara em seu sorriso.
- Aperte a mão dele, Tim. – Katie pediu em um sussurro. Timothy imediatamente ofereceu uma mão gordinha para George, que a aceitou e apertou.
- É um prazer conhecê-lo, Timothy. – George disse seriamente.
Timothy virou seus olhos arregalado para Katie.
- Katie! – ele murmurou em tom alto. – Ele não tem uma orelha!
- Shhh! – o rosto de Katie tinha uma expressão clara de quem estava escandalizada. – Timothy, não é bonito falar coisas assim! – olhou para George. – Sinto muito... – disse.
A boca de George se abriu em um meio sorriso.
- Não se preocupe, Katie. – voltou sua atenção para Timothy. – É uma pena não ter uma orelha, não é? Quer dizer que eu não posso fazer isso. – George tirou um sicle do bolso e o mostrou para Timothy. Deixou seus dedos roçarem a orelha de Timothy, antes de mostrar suas mãos vazias para ele.
- Para onde foi? – Timothy perguntou, puxando sua orelha direita.
- Bem aqui. – George sorriu e deixou seus dedos roçarem o lado de fora da orelha esquerda de Timothy. Ergueu o sicle. – Entra por uma e sai por outra.
Os olhos de Timothy se arregalaram e ele sentiu a própria orelha.
- Como você faz isso?
- Magia. – George deu o sicle para Timothy.
- Katie! – uma mulher pequena, enrolada em um xale enorme de lã, saiu da casa. – Achei que viria mais tarde.
- Mudei de planos. – Katie disse com um dar de ombros.
- Ah. – ela se virou para George. – Você deve ser Martin, então.
- Mãe, esse não é o Martin. – Katie murmurou, claramente mortificada. – Esse é o George Weasley.
- Oh, desculpe por isso. – a mãe de Katie sorriu e ofereceu uma mão. – Eu sou Belinda Bell. E me chame de Belinda. As pessoas me chamam de senhora Bell e eu começo a procurar pela minha sogra. – encolheu os ombros delicadamente.
- Mãe! – Katie cobriu o rosto com as mãos.
- Oh, sai dessa, Katie. Ela era um morcego velho, que mal conseguia conjurar algo.
George apertou a mão de Belinda.
- É um prazer conhecê-la.
- Vamos entrar, então? – a mãe de Katie os guiou na direção da casa. – Mas pode ser que eu tenha que sair antes do chá.
- Por quê? – Katie abriu o portão do jardim.
- A filha do vigário vai entrar em trabalho de parto a qualquer momento.
A boca de Katie se abriu.
- Tabitha Campbell está grávida? – murmurou. – Como eu não sabia disso...?
- Bem, temos estados ocupados ultimamente. – Belinda disse lentamente. – Pobre Tibs. Ela está trancada no vicariato há semanas. Aquela mãe dela não a deixa sair.
- Por quê? – George estava ficando fascinado com a conversa.
- Bem, a senhora Campbell é do tipo empertigado. Não reconheceria uma camisinha nem se lhe jogassem uma na cara. – Belinda rosnou. – Se recusa a permitir que Tibs participe dessas aulas na escola. Qualquer um conseguia ver que ela ia acabar grávida antes dos vinte anos pela maneira que ela se comportava com Alexander Griffin. O vigário é tranquilo. – contou a George. – Passa por aqui de vez em quando para cuidar de Tim, enquanto Peter e eu saímos um pouco. Mas a senhora Campbell, oh, não... Ela tem vergonha de Tibs, como se vivêssemos há quarenta anos. – Belinda gesticulou para a mesa redonda. – Sentem-se, então. Timmy, querido, vá encontrar o papai, certo?
- Ta... – Timothy atravessou o corredor, olhando para dentro de cada cômodo que passava.
- Mamãe tem uma opinião um pouco forte... – Katie murmurou.
- Você conheceu minha mãe, certo? – George respondeu. – Molly Weasley tem uma opinião para tudo.
- Timothy disse que Katie está aqui? – um homem grande e barbudo entrou casualmente na cozinha, parecendo um pouco preocupado.
- Oi, pai... – Katie acenou de sua cadeira.
- Ah, olá, Katie. E quem é seu amigo? – Peter começou a cortar o pão para fazer sanduíches, gesticulando na direção de George com a faca.
- Esse é o George Weasley. George, esse é meu pai... – Katie afundou mais um pouco na cadeira.
Peter pousou a faca e olhou para George.
- Oh, você é o George Weasley... Você costumava ir ver Katie... – ele viu a expressão petrificada de George e pegou a faca mais uma vez. – Não, acho que não era você. Devo ter te confundido com outra pessoa, então...
George se recostou na cadeira e suspirou aliviado.
- Então, como você conheceu nossa Katie? – Belinda perguntou.
- Estávamos na mesma casa, na escola. Jogamos Quadribol juntos até eu sair.
- E o que você faz? – ela continuou.
- Eu tenho uma loja. Abri com meu irmão há um pouco mais de dois anos.
- Uma loja? Mesmo? – Peter colocou um prato de sanduíches na mesa. – Que tipo de loja?
- Uma loja de brincadeiras. – George murmurou. – Principalmente brincadeiras. Mas temos alguns jogos e brinquedos. Alguns cosméticos, mas isso foi ideia do meu irmão... Mas vende bem.
- Como estão os negócios, então? – Peter passou uma pilha de pratos para Katie, que os distribuiu pela mesa.
- Bem. Conseguimos comprar o prédio ano passado, antes da guerra. Atendemos a muitos pedidos por coruja entre os feriados escolar, especialmente desde que a Zonko's fechou. – George se remexeu um pouco. Odiava falar sobre o quão bem a loja estava indo.
- Pai, deixe-o em paz, pode ser? – Katie sibilou. – Não estamos namorando. George é apenas um amigo.
Peter e Belinda trocaram um olhar.
- Certo. – o pai de Katie murmurou, antes de distribuir xícaras e copos.
O telefone tocou, assustando George. Ele observou, maravilhado, quando Belinda o atendeu e começou a falar.
- Alô? Certo, Tibs, apenas se acalme, então. Quanto tempo entre elas? Hmmm. Sim. Não entre em pânico, querida. Estarei aí em alguns minutos. O quê? Sim, coma. Apenas não coma nada muito pesado. Sim, Tibs, não tem problema. Certo, então. – balançou a cabeça, desligando o telefone. – Sempre vêm nas horas mais inconvenientes, os bebês... Confio que você consiga servir o resto do chá, Peter.
Peter bufou, colocando leite em um copo para Timothy.
- Tenho servido chá sozinho há anos. Consigo até amarrar meus sapatos sem ajuda.
- Foi um prazer conhecê-lo, George. – Belinda disse, saindo pela porta.
Em algum lugar da casa, Timothy ouviu sua mãe ir embora e explodiu em urros altos e bravos, que Peter demorou vinte minutos para acalmar, enquanto Katie terminava de colocar o resto da refeição na mesa e balançava a varinha para a mesa, para manter a comida fresca.
- Tim não gosta quando a mamãe tem que sair de repente. – explicou para George com um tom apologético.
George encolheu os ombros.
- Não se preocupe com isso.
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George olhou para os vários pratos em cima da mesa, antes de fechar os olhos e perfurar algo com o garfo.
- Por que tinha que pedir tanta coisa? – perguntou.
- Preciso experimentar mais duas coisas. Se for bom, vou acabar levando o resto para casa. Macarrão de arroz é um ótimo café da manhã.
- Isso é nojento.
- É bom. Sobras de comidas tailandesa e chinesa são ótimos café da manhã no dia seguinte.
George fez uma careta.
- Sua mãe sabe que você faz isso?
Katie sorriu para George.
- Quem você acha que me ensinou a fazer isso?
- Então, por que você não levou o qual-seu-nome para conhecer seus pais? – George mastigou algo cuidadosamente e deu um olhar severo para Katie, apontando para um prato com o garfo e balançou a cabeça vigorosamente. Katie o olhou, antes de colocar o garfo no prato e pegar um pouco de macarrão.
- Não gostou do wam yu sen, George?
- É um pouco azedo para mim... – murmurou.
- Talvez seja um paladar adquirido. – Katie murmurou. – Eu como esse tipo de coisa o tempo todo.
- Então, você não respondeu minha pergunta.
Katie suspirou e pousou sua colher em uma tigela de sopa.
- Sempre precisa ser sobre o futuro?
- O quê?
- Por que não posso namorar alguém pela diversão? Não estou interessada em me casar com o qual-seu-nome. Nem agora, nem nunca.
- Então, por que se dar ao trabalho...? – George pegou seu chá e tomou um gole.
- Olha, George, eu saio com o qual-seu-nome por que eu não me importo com a companhia dele. Ele não passa nem perto de estar apto a casar. É por isso que eu não o levo para casa. Por que não quero que Timothy comece a gostar dele, e aí, quando não estivermos mais juntos, ele fique chateado.
- Como você explica ter me levado lá, então?
Katie soltou a colher.
- Podemos não falar sobre isso? Não agora. Basta dizer que vejo meu relacionamento com você durando mais do que o que tenho com o qual-seu-nome.
- Só por que estou disposto a experimentar uma salada incrivelmente azeda com um copo de macarrão por você.
- É, é por isso. – Katie arrastou o prato com o wam yu sen na direção de George. – Experimente de novo. Você se acostuma.
- Seu aniversário não está chegando? – George perguntou, mudando de assunto.
- Sim. Em Abril.
- Tem algum plano?
Katie deu um suspiro de alívio. George não podia possivelmente saber o quão perto seus comentários estavam acertando.
- Pensei em juntar alguns amigos no Caldeirão Furado. Bebidas, jantar.
- Você sabe que ainda faltam cinco meses. – George lembrou.
- Bem, pensei em pedir para a Ang vir, se puder. Isso dá tempo para ela ajeitar as coisas para vir nos visitar. – Katie brincou com seu garfo. – Você iria...?
- É claro que sim. – George olhou para seu relógio. – Sabe, se agilizarmos um pouco, conseguiremos assisti ao jogo de Falmouth. Eles vão jogar contra os Cannons, os pobres coitados. Deve ser um jogo rápido, entretanto, a não ser que Falmouth queira brincar com eles. E conhecendo o Falmouth, eles vão fazer isso só pela diversão.
Katie olhou para um ponto no ombro de George.
- Não fui a um jogo de Quadribol desde que terminei a escola... – disse saudosamente.
- Vamos. É um jogo tarde, de todo modo. Não começa antes das nove. - George gesticulou para Katie se aproximar. - Conheço o proprietário. Bem, não o conheço como se fôssemos melhores amigos ou algo assim, mas a filha dele realmente queria um Mini Puff, então eu lhe prometi o primeiro que tivermos em outubro. Ele me mandou um vale-ingressos para quando eu quiser.
Katie bufou.
- Eles provavelmente vão nos dar os piores lugares, de onde não dá para ver nada. Visão bloqueada e tudo isso.
- Provavelmente, mas é melhor do que nada.
Katie estudou seu relógio por um momento.
- São oito e meia. – falou. – Você já comeu o bastante?
- Para te dar minhas opiniões? – George perguntou incredulamente.
- A primeira impressão, sim. Podemos voltar mais tarde e tentar de novo. Tenho mais algumas semanas para escrever o artigo.
- Seria bom.
- Vamos. Mesmo que o jogo dure cinco minutos, essa vai ser a coisa mais animada que faço há tempos.
George afastou a cadeira com um gemido abafado. Tinha comido muito mais do que comia normalmente.
- Qual-seu-nome não gosta de coisas assim? Sair para comer um pouco de macarrão e ir espontaneamente assistir a um jogo de Quadribol?
- Qual-seu-nome prefere ouvir o jogo no rádio. – Katie murmurou, contando os sicles. – Não gosta muito por causa da imprevisão do clima. Disse que já teve o bastante dessa besteira na escola. – olhou para George, que tinha uma expressão fechada. – O quê?
- Nada. – George suspirou. – Pronta para ir?
- Sim.
No estádio, George foi até a bilheteria.
- Olá, está esgotado?
O bruxo de aparência cansada balançou a cabeça.
- Não esse aqui. São os Cannons, não são? Só vai esgotar se, subitamente, os Cannons vencerem o campeonato regional.
- Brilhante. – George respondeu, tirando a carteira do bolso e tirando uma pequena folha de pergaminho. O deslizou pela abertura da janela e o bruxo olhou para o papel de modo entediado, antes de se ajeitar.
- Oi! Willie! – um jovem entrou no campo de visão. – Leve esse cavalheiro e sua amiga até o camarote do senhor Calhoun imediatamente.
Katie olhou para George.
- Quem é o senhor Calhoun?
George lhe deu um olhar igualmente surpreso.
- É o dono do time. – piscou para o pergaminho sendo balançado em frente ao seu rosto, antes de pegá-lo com dedos dormentes.
Willie gesticulou para os dois o seguirem pelas escadas, que levavam até um camarote largo.
- Aqui estamos, senhor, madame...
- Obrigado. – George agradeceu com uma voz levemente distraída. Abriu a porta para Katie, e entrou depois dela em um camarote de aparência rica.
- Ah, Weasley! – uma voz floreada soou. – Já estava na hora de você vir assistir a um jogo.
- É... – George disse fracamente, se sentando ao lado de Katie.
- Você não tem uma irmã jogando na escola? Jan ou algo assim?
- Ginny. Ela é a capitão da Grifinória esse ano.
Calhoun assentiu.
- Ouvi dizer que ela é uma jogadora e tanto. Versátil. – analisou George por um momento. – E aquele Harry Potter? Ouvi dizer que ele é próximo de sua família.
George engoliu em seco e olhou para suas mãos.
- Ele não está interessado em jogar profissionalmente. – cedeu.
Calhoun abafou o riso.
- Quanto?
- Desculpe?
- Quanto vai custar para Potter jogar como Apanhador no meu time? – Calhoun perguntou bruscamente.
A boca de George se torceu quase em repulsa.
- Acredite em mim, senhor Calhoun: não é sobre o dinheiro.
- Tem princípios, então, é?
- Não é isso. – George disse calmamente. – Ele apenas gosta de uma vida pacata.
- Posso entender isso. – disse uma nova voz. Veio de um homem indescritível, sentado nas sombras. – Harold Shively. Dono do Chudley Cannons. Você disse que é um Weasley?
- Sim, George. George Weasley.
Katie riu suavemente.
- Bond. James Bond. – disse sob a respiração.
- Quem? – George perguntou.
- Nada. – Katie continuou a rir para si mesma.
Shively se voltou para George.
- Você conhece Charlie Weasley?
- Sim, é meu irmão mais velho.
- O que aconteceu com ele? Ele estava prestes a jogar pela Inglaterra e sumiu da face da Terra.
- Ele foi para Romênia. Trabalhou como guardador de dragões lá por um tempo. Saiu quando a guerra estourou, e voltou. Está em Hogsmeade agora. Ajudando a reconstruir a escola. – de repente George sorriu. – Meu irmão mais novo vai parir um monte de Amassos se souber que estou falando com você.
As sobrancelhas espessas de Shively se ergueram.
- Mesmo?
George assentiu.
- Ron ama os Cannons. E também não aceita ouvir qualquer crítica feita a eles.
Shively assentiu.
- Nesse caso... – ele tirou um cartão do bolso e rabiscou algo nele com uma pena, antes de oferecê-lo a George. – Dê isso a ele. Diga que ele é bem vindo para nos ver quando quiser.
George cuidadosamente guardou o cartão no bolso da camisa.
- Farei isso. Obrigado. Ele vai ficar maravilhado. – ocasionalmente, corria os dedos sobre o bolso, apenas para se assegurar de que o cartão ainda estava lá. Mentalmente, balançou a cabeça para o que tinha se passado naquele camarote. E tudo começara ao garantir que uma garotinha de oito anos ia conseguir seu Mini Pufe.
- Isso foi... – a voz de Katie morreu, enquanto ela descia uma rua deserta do Beco Diagonal ao lado de George.
- Brutal. – George terminou por ela.
- Eu sabia que o Falmouth jogava sujo, só não sabia o quanto. – Katie tremeu.
- O Apanhador deles devia ter capturado o maldito pomo ao invés de provocá-los por uma hora... – George parou no pé da escadaria que levava ao prédio de Katie. – Obrigado por me convidar hoje. Me diverti bastante. Fazia tempo que não me divertia de verdade. Tenho mais trabalhado e ficado em casa.
- Você devia sair mais frequentemente. – Katie sugeriu.
George inclinou a cabeça para trás e tentou ver as estrelas através das luzes de Londres do outro lado do Beco Diagonal.
- Não tenho tido muita vontade.
- Ainda sem namorar?
George encolheu os ombros.
- Não de verdade. Não conheci ninguém. Não tenho tempo, também.
Katie abriu a porta.
- De algum modo, você conseguiu passar a maior parte do tempo comigo, bobo. – disse.
- Isso é diferente. – George a seguiu pelas escadas até seu apartamento. – Estávamos trabalhando. Bem, você estava.
- Quer café ou alguma outra coisa antes de ir para casa? Acho que tenho alguma coisa... Não consegui fazer compras ultimamente.
- Sim... – a voz de George morreu quando viu Summerby sentado do lado de fora da porta de Katie. – Talvez alguma outra hora. Melhor eu ir para casa. Boa noite, Katie. – George desceu as escadas e aparatou para A Toca.
Entrou na casa, surpreso em encontrar Ron sentado na cozinha, as mãos ao redor de uma xícara de chão.
- Ainda acordado?
- Não consigo dormir. – Ron olhou feio para sua xícara. – Por que elas perguntam o que você acha e, quando você responde, elas pensam que você está mentindo?
George tirou uma xícara do armário. Serviu-se de chá.
- Não sei. Por que elas namoram homens que são obviamente os errados? – tomou um gole de chá e roubou um biscoito do prato em frente a Ron. – Como Gin está?
- Bem. – Ron pegou um biscoito e começou a parti-lo. – Está ótima. – colocou um pedaço na boca. – Ela vai voltar para a escola. – disse abruptamente.
- Hermione?
- É. – Ron colocou o biscoito todo na boca. – Ela fica me perguntando se deve fazer isso e toda vez que eu digo que sim, ela começa a brigar comigo.
- Parece que ela está tentando se convencer a não ir. – George disse.
- Por que ela faria algo tão estúpido? – Ron resmungou.
- Talvez não seja ela. – George suspirou. – Talvez seja você.
- O quê?
- Você está... Sei lá... Diferente. – George tomou um longo gole de chá. – Não que você fosse um idiota insensível o tempo todo antes, mas agora... Você cresceu, isso é tudo. Você não é o Ron que ela sempre conheceu e que assume tudo no momento.
- Não consigo vencer, consigo? – Ron deixou sua cabeça cair na mesa.
- É uma questão de tempo, mano. Apenas dê um tempo... – George colocou a mão no bolso da camisa. – Antes que eu me esqueça... – escorregou o pequeno cartão mesa até Ron.
- O que é isso? – franzindo o cenho, Ron pegou o cartão e o virou nas mãos. – Você conheceu Harold Shively? O Harold Shively?
- Sim. Eu tinha uns ingressos para ver o Falmouth e estava falando como você ama os Cannons. Falmouth estava jogando com os Cannons hoje, sabe...
- Sim, eu sei. – Ron interrompeu.
- E ele me ouviu falar sobre você. Disse para te dar isso.
- É uma oferta para ir assisti-los jogar quando eu quiser... – Ron murmurou.
- Parece que a lealdade de fã significa alguma coisa, afinal. – George lhe disse. George terminou seu chá e rapidamente lavou a xícara. – Não fique acordado até tarde. – Ron balançou a cabeça, ainda olhando com fascinação para o cartão.
Lentamente, George subiu as escadas para o segundo andar e parou na frente da porta de seu antigo quarto. Colocou uma mão na maçaneta, antes de tirá-la de lá lentamente. Sentia-se dolorido o bastante pelo dia. Não precisava adicionar mais nada.
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¹ Traduzindo livremente, significa "nível ordinário". É um sistema de provas que faz parte do Certificado Geral de Educação no sistema de ensino britânico, para alunos de meio período ou que estudam à noite.
