Tenshi – Raissa e Miro são irmãos sim e o reencontro deles não vai demorar. O passado de Shaka também não demora aparecer e aguarde surpresas. Ele não é sozinho no mundo.
Flor – A tristeza do Miro vai acabar, apesar do reencontro com a Raissa não vai ser um mar de rosas.
Mabel – Shaka vai acabar cedendo, seria lindo ele cantando.
Capitulo 25: Gustavv Kiergaarg
III. Netuno, sensível
MM correu em socorro ao amigo colocando-o na cama. Ele estava gelado, com a pele pegajosa e bastante pálido.
- Gustavv. – sacudiu.
Aos poucos foi abrindo os olhos, sua expressão era indiferente.
- Você está bem?
- Sim... – respondeu evasivamente.
- Que porcaria tomou? – abaixou para pegar o frasco. – calmante?
- Precisava dormir. - virou o rosto.
- Isso em excesso poderia te deixar em coma ou ate te matar.
- Não sabia...
- Acha que pode me enganar? – o fitou sério. – é claro que sabia!
- Não...
- Olhe para mim Afrodite!
O pisciano o fitou. Seu rosto estava pálido.
- Não tem o direito de gritar comigo. – disse frio.
- Tenho sim porque sou seu amigo. Tinha a intenção de se matar.
- Por que eu faria isso? Já conheço o inferno.
- Isso não faria as coisas entre você e sua avó mudarem. A pergunta do Mu. Você ainda gosta da velha?
- Não... – não o encarou.
MM soltou um longo suspiro sentando ao lado dele, conhecia muito bem aquele peixe e todas as reações que tinha. A doença da avó tinha mexido com ele o que provava que ainda existiam sentimentos.
- "Malditos sentimentos...." no templo você parecia indiferente, mas no fundo.... talvez seja por isso que deixou o ariano sem resposta. Você ainda gosta dela. Se fosse o velho Afrodite não tinha duvidas que a deixaria morrer, mas desde que fomos ressuscitados você mudou. – fitava o céu azul. - Não é mais aquele almofadinha arrogante, é agora uma pessoa generosa. Você é a prova viva que a pessoas podem mudar para melhor.
- Para de falar assim... – a voz saiu chorosa.
- Mas continua o velho chorão. – riu. – se sente culpado não é?
- Sim....eu insistir para viajarmos, talvez hoje eles estariam aqui.
- Não teve culpa, alias ninguém teve. Foi uma fatalidade.
- Eu sei o quanto ela gostava do meu pai, Giovanni. Ela jamais vai me perdoar.
- Porque você não precisa de perdão. – o fitou.
Afrodite trazia uma expressão confusa. Durante muitos anos culpava-se pela morte dos pais.
- Creio que agora seja tarde Gio. Anos demais de ódio, rancor, magoa. Isso não acaba simplesmente.
- Deveria conversar com o Mu. Ele passou por isso.
- A situação dele é diferente. Ele não provocou nada, ao contrario foi a grande vitima dessa historia.
- Eu odeio o meu pai, por causa dele minha mãe morreu. O mesmo acontece com Shura, nós não somos um poço de virtude e se estivéssemos na mesma situação sua talvez não fizéssemos nada, mas... a historia do ariano é a pior de todas.
- Aonde quer chegar?
- Talvez sua historia ainda tenha conserto.
Os dois se encaravam.
- Acha então...
- Se é o que realmente quer.
Afrodite o olhou sério.
- Estou com medo de você. Anda muito filosófico.
- Só estou cumprindo o meu papel de amigo, afinal faria o mesmo por mim, não é?
- Sim.
- Pense. – levantou. – ainda tem tempo. E converse com o Mu, ele às vezes é uma mala, mas uma mala respeitável. Eu tiro o chapéu para ele.
- Falarei.
- Vou indo.
- Mask.
- Sim?
- Obrigado.
- As ordens.
Saiu deixando o pisciano perdido em seus pensamentos.
Afrodite não foi treinar naquela manha preferindo ficar em casa. Rosa e Clarice foram para a faculdade, Aldebaran insistia para que Shaka cantasse em seu casamento e Miro andava cabisbaixo, não imaginava que sentiria falta da pequena.
Enquanto isso no hospital, o quadro de Sophia se mantinha estável, apesar da procura, ainda não tinha encontrado um doador compatível o que diminuía suas chances de vida. Friederich mantinha as esperanças que Gustavv aparecesse o que não aconteceu. Havia se passado o dia inteiro e nada.
Sentado num sofá velava pelo sono da patroa, Sophia era uma pessoa difícil, geniosa, mas a respeitava muito. Era forte e determinada, como poucas mulheres que conheceu. Intimamente rezava para que tudo acabasse bem. Queria que ela fosse feliz e que a amargura que carregava durante tantos anos no coração fosse desfeita.
Logo a noite caiu, findando mais um dia. Logo após o jantar Mu e Rosa foram se sentar nas escadarias da primeira casa.
- Está tudo tão tranqüilo. – a brasileira aconchegou se nos braços do ariano.
- Prenuncio de tempestade.
- Você é cismado.
- Sou um cavaleiro. – sorriu. – temos visita.
- Hum?
Os dois olharam para trás deparando com Afrodite que os fitava sem graça.
- Desculpe... eu volto outra hora.
- Tudo bem Dite. – Rosa levantou. – ate bom você chegar, preciso fazer uns trabalhos da faculdade.
- Estou atrapalhando o momento do casal.
- Atrapalharia se estivesse fazendo algo... – sorriu de maneira maliciosa.
- Rosa! – Mu corou.
- Brincadeira. Fique a vontade Dite.
- Obrigado.
O pisciano sentou ao lado.
- Quem diria que o grande Mu de Áries caísse de amores.
- É... – sorriu.
- Você gosta muito dela não é?
- Mais que a minha própria vida. Rosa é tudo para mim e se ela não estivesse naquele momento.... nem sei o que seria.
- Entendo. – silenciou.
- Teve noticias da sua avó?
- Não...
- E vai vê-la?
- Não sei...me sinto confuso. As coisas aconteceram tão de repente. Não esperava vê-la depois de tantos anos e dessa maneira.
- Realmente as Moiras são sádicas.
- E acho que a Rosa e a Clarice tem pacto com elas. – riu.
- Por quê?
- Todas essas coisas, o passado do Deba, o seu, o meu aconteceram depois da vinda delas.
- Realmente. – sorriu. – tudo aconteceu depois da chegada delas.
- Como eu imaginaria que encontraria com a minha avó num café em Estocolmo?
- O destino nos prega peças. E o que vai fazer?
- Não sei... eu tenho raiva dela, rancor, mas ao mesmo tempo...
- Gosta dela.
- Por incrível que pareça. Achei que com esses anos esse sentimento tinha desaparecido ou transformado em outros, mas não, ele continua aqui. – apontou para o coração. – como se apenas estivesse adormecido e que agora... mas não sei se ele é suficientemente forte a ponto de fazer esquecer as coisas que passei por causa dela. Você me entende?
- Muito bem. – Mu fitou o céu estrelado. – entendo sim.
- Você perdoou Saga e Shion? Desculpe perguntar.
- Tudo bem. Vou ser sincero: não completamente. Shion agiu achando que estava fazendo o certo, ele queria me proteger e encontrou essa maneira. Eu não consigo odia-lo e nem poderia afinal cuidou de mim e da minha mãe. Eu devo muito a ele, mas... perdi a confiança. Não que nunca mais confie nele, mas... imagine um copo de cristal e este copo caia no chão e se quebre. Mesmo que você cole os pedaços jamais será o mesmo, entende?
- Sim.
- Eu sempre terei uma leve desconfiança.
- E quanto ao Saga?
- É mais complicado. Os atos foram praticados por ele, sei que estava dominado, sei que ele tentou evitar, sei o quanto sofreu por cometê-los, mas.... eu o admiro por tudo que passou e pela volta por cima que ele deu, entretanto.. nossa amizade nunca mais será a mesma. Eu não o odeio, mas não consigo perdoá-lo, ainda não consigo.
- Talvez algum dia?
- Sim. Dizem que o tempo que cura as feridas mais difíceis. Vá ao hospital, tente conversar, pelo menos tente, se não der certo, paciência.
- Bem que o conselho do Gio foi bom.
- Conselho? – o fitou curioso.
- Ele me disse para vim conversar com você.
- Me acha um "mala".
- Mask tem um grande respeito por você Mu, alias todos temos.
- Também tenho por vocês. São a prova que as pessoas podem mudar. Ate ele melhorou muito.
- Alguém tinha que mudar. – levantou. – vou indo, não quero atrapalhar mais os pombinhos. Obrigado.
- Disponha e se precisar de companhia, conte comigo.
Deixando-o Afrodite rumou para sua casa, passando antes por Câncer.
- Mask!
- Na cozinha!
Caminhou para lá.
- Boa noite.
- Boa. Resolveu sair do castelo?
- Fui conversar com o Mu.
- E?
- Amanha cedo irei ao hospital.
- E se ela não quiser te ver.
- Pelo menos fiz a minha parte.
- Sabia que o mala ia te convencer.
- Não o chame assim. Admiro muito ele.
- Eu também, se fosse comigo, Saga e Shion estariam ao lado de Hades, mas se eles se acertaram. Quer jantar? – mostrou uma panela com alguma coisa dentro.
- O que é isso?
- Sopa.
- Parece mais grude.
- Vai querer ou não? – indagou sem paciência.
- Só um pouco, não quero morrer envenenado.
- Fresco. Não sei como te suporto.
- Você me ama. – afinou a voz, sabia o quanto ele detestava isso.
- Mais uma gracinha e te coloco para fora!
- Seu grosso. – continuou com a voz.
- Afrodite.... – saiu ameaçador.
- Brincadeira. – ergueu as mãos indicando rendição.
- Senta logo.
- Grosso.
- Se está incomodado pode ir embora.
- Pode ir comigo amanha? – indagou mudando o rumo da conversa.
- Sim. –colocou a comida no prato. – va que precise arrancar seu rim, eu posso fazer isso.
- MM!
- Eu arrancava cabeças o que dirá de um rim.
- Você não muda....
Nas primeiras horas da manha Afrodite tomava rumo ao hospital, seguia calado enquanto MM conduzia o veiculo. Chegando lá o canceriano preferiu esperar no carro. O cavaleiro subia lentamente observando tudo, aquele ambiente, médicos e enfermeiras, aquele cheiro lhe trazia sensações ruins.
----FB-----
Sentia um cheiro forte invadir suas narinas, abriu os olhos, mas tudo que viu foi escuridão. Não havia sequer um barulho, nada. Tentou abrir a boca, mas não conseguia se mexer e quando fez um pouco mais de esforço sentiu uma dor terrível na perna. Algo cortante arrancava-lhe a pele deixando o sangue quente escorrer. Não tinha idéia por quanto tempo permaneceu naquele estado ate que começou a ouvir ao longe um barulho de sirene. Pensou ser imaginação, mas o som tornava-se cada vez mais nítido. Tentou ficar acordado, mas seu corpo pedia para dormir e assim o fez antes de ver a luz de uma lanterna refletida em seu rosto.
---FFB-----
Abriu os olhos, todas aquelas imagens não duraram mais que poucos segundos, mas o suficiente para fazê-lo sentir mal.
- Está esperando alguém?
Fitou a enfermeira que o olhava curiosa.
- Procuro pelo senhor Kievi, ele está acompanhando a senhora Sophia Kiergaarg.
- Por aqui, por favor.
Afrodite foi conduzido ate o quinto andar, levado para uma sala de espera. A enfermeira rapidamente foi ate o quarto indicado.
- Pois não?
- Senhor Kievi a alguém que lhe espera. Seu nome é Gustavv.
A principio não acreditou em quem se tratava.
- Quem?
- Deu o nome de Gustavv.
- Não é possível....
Apenas certificou-se que a senhora estava bem, acompanhando a enfermeira. Ela indicou qual sala onde estava e ainda surpreso parou na porta.
O jovem estava sentado lendo uma revista, realmente era muito parecido com o finado Soran Kiergaarg marido de Sophia.
- Bom dia. – fez se presente.
- Bom dia. – Dite deixou a revista sobre a mesa.
Friederich entrou, sentando numa poltrona a frente dele.
- Estou surpreso.
- Eu também. Até hoje cedo não tinha certeza se viria.
- Que bom que veio.
- Como ela está?
- Essa noite foi muito difícil, o estado piorou.
- Encontraram algum doador?
- Não. Gostaria de ir vê-la?
Hesitou por alguns segundos, apesar de ter determinado que a veria, talvez não estivesse tão preparado.
- Ela está dormindo. – disse, talvez assim o convencesse.
- Tudo bem.
Seguiram pelo corredor em silencio, as mesmas sensações voltaram.
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Sentia-se zonzo, escutava vozes perto de si, mas não conseguia identificar de quem eram.
- Garoto. Garoto.
Abriu os olhos.
- O menino está vivo. – disse a outras pessoas. – rápido.
Virou o rosto vendo varias luzes sobre si.
- Onde....
- Como se chama?
- Gustavv...
- Fique tranqüilo, nós vamos te tirar daí.
A mente voltou a ficar turva.
---FFB----
Friederich parou em frente ao quarto 525.
- Vou esperá-lo aqui fora.
Afrodite assentiu. Tomando coragem abriu a porta entrando. O quarto estava mergulhado numa penumbra. Reparou que ele era amplo, tendo uma pequena sala e uma mini cozinha. Caminhou ate o leito parando de frente. Sophia dormia profundamente, com soros e aparelhos ligados a ela. Os cabelos ainda mais brancos e a pele pálida.
O pisciano não conseguia encará-la, varias coisas passavam por sua mente. Ver a avó, sempre tão cheia de saúde, naquele estado era estranho e desconfortável.
Voltou à atenção para o quarto, havia alguns jarros e estavam com lírios e margaridas.
- Ela não gosta disso. – disse baixinho.
Elevando um pouco seu cosmo fez com que rosas brancas aparecessem. Voltou a fita-la.
Ainda não tinha decidido se doaria lhe um rim. Dava meia volta....
- O que faz aqui?
Virou imediatamente ao escutar a voz.
- Não estava....
- Veio rir de mim? Pois aqui estou, travada nessa cama.
- Não vim por isso. – abaixou o rosto.
- Então o que? Já não disse para desaparecer da minha vida?
- Friederich me contou.
- Tinha que ser. – disse contrariada. – já foi fazer fofoca.
- Ele só está querendo ajudar.
- Imagina se não quisesse. – fez esforço para escorar no travesseiro. – não fazem empregados como antigamente. No tempo de seu avô eles eram mais obedientes. – calou-se.
- Era uma pessoa que gostaria de ter conhecido. Mamãe dizia que eu parecia muito com ele.
- Em tudo. – disse seca. – o horário de visitas acabou. Pode se retirar.
- Por que nunca me procurou? Por que nunca voltou ao colégio?
Sophia foi pega de surpresa, não imaginou que ele mencionaria aquilo.
- Retire-se.
- Me jogou naquele colégio e não me visitou uma única vez.
- Saia.
- Me odeia tanto assim? Então deveria ter me deixado morrer. Poderia ter me deixado no hospital. Por que então...?
- Já chega! Sai daqui.
- Responde. – aquelas perguntas estavam presas na garganta há muitos anos.
Sophia o olhou, será que nunca teria paz? Aquelas lembranças nunca mais a deixariam em paz?
- Foi um erro. – disse fria. – não sabia que Karl estava morto, se soubesse...
Afrodite sentiu as pernas bambearem.
- Já ouviu tudo. Agora saia, ou chamarei os seguranças.
O cavaleiro saiu imediatamente. Do lado de fora Friederich torcia para que tudo terminasse bem. Afrodite passou por ele.
- Gustavv.
- Nunca mais me procure. – disse, saindo as pressas.
Ao ouvir essas palavras o mordomo entrou rapidamente.
- O que disse a ele?
- Traiu minha confiança. – disse feroz.
- O que disse a ele?
- O de sempre.
- Você é burra? – não agüentou.
Sophia arregalou os olhos com tamanha insolência.
- Tenha respeito!
- Por que acha que ele veio ate aqui? – ignorou.
- Me ridicularizar.
- Está me surpreendo Sophia. O ódio acabou com seu raciocínio, com sua razão.
- Não tem o direito de falar assim comigo.
- Tenho. E já que está nessa cama vai me escutar.
- Não sou obrigada.
- É sim. – puxou uma cadeira. – está na hora de por um ponto final nisso.
- Não quero escutar.
- Já se perguntou pelo o outro lado da historia? O que Gustavv passou desde que os pais morreram?
- Não me interessa.
- Interessa sim.
Friederich começou a contar tudo o que se passou com o cavaleiro, da mesma maneira que Mu havia lhe dito. Claro que a parte sobre o santuário o ariano omitiu.
A principio Sophia ouvia desinteressada, entretanto pegou-se ouvindo cada detalhe.
- Foi o que um dos amigos dele me contou, portanto não foi só você a vitima.
Ficou calada.
- Vou deixá-la refletir.
MM estava encostado no carro brincando com as chaves, a cada mulher que passava por ele, lançava alguma cantada.
- Só tem mulher gostosa aqui.
Afrodite passou por ele entrando no carro.
- Vamos.
O canceriano não disse nada, entrando, durante o trajeto ate o santuário não fez comentário algum, pela expressão do amigo a visita tinha sido um desastre.
Caminharam em direção as doze casas num profundo silencio, ao passarem pelo Coliseu, Dite prosseguiu sob o olhar atento dos companheiros.
- O que deu nele? – Shura aproximou.
- Não digo que esse negocio de família é complicado? – MM o fitava se afastar.
- Onde ele foi?
- No hospital Deba.
- Eu não acredito. – Miro fechou a cara. – depois de tudo que ela falou ele ainda teve a burrice de ir?
- É a avó dele Miro. – disse Aiolos.
- Está mais para a Cruela Devil do que avó.
- A julgar pela cara dele...
- Está correto Mu, eu nem perguntei, ele veio calado de lá ate aqui.
- Ele precisa de tempo. – Shaka voltou a treinar.
Afrodite entrou em casa batendo todas as portas possíveis, vasos então, jaziam espatifados pelo chão.
- Quer morrer que morra!
Foi para o quarto batendo a porta.
A sueca ficou sozinha, ainda estava espantada pelo modo que o mordomo havia lhe falado, mas no fundo... relembrava de tudo que ele tinha contado sobre o neto, instintivamente elevou a mão ao pescoço passando a acariciar o objeto de prata que trazia pendurado.
----FB----
Tinha ido as pressas para a Suíça, ainda não acreditava que ele tinha fugido, tinha certeza que era apenas para chamar a atenção. Entrou no jatinho e poucas horas depois estava diante do diretor da instituição. Ele relatara como as coisas tinham acontecido, Sophia ouvia atentamente com seu rosto inexpressivo. Depois de ouvir tudo pediu para ir ate o quarto dele o que foi prontamente atendida.
Examinou todo o cômodo não achando nada demais. Estava prestes a sair quando algo he chamou a atenção. Caminhou ate uma escrevinha ficando surpresa: sobre ela um relicário de prata.
------ FB dentro do FB-------
- Gustavv venha aqui.
- O que foi vovó? – o pequeno sueco sentou no colo dela a fitando com curiosidade.
- Um presente. – entregou-lhe uma caixa de veludo negro.
- Oba!
O garoto abriu, revelando um belo pingente de prata.
- Para mim?
- Trás o brasão da nossa família. – pegou a delicada corrente. – e seu nome. Seu avô tinha uma, essa é para você.
- Igual o do vovô?
- Sim. – colocou nele.
- É bonita. – deu um beijo na bochecha. – obrigado vovó.
- Cuide bem dela.
------FFB dentro do FB-------
Sophia ficou olhando o objeto sentindo o coração apertar, como ele teve coragem de abandonar tal objeto? Não disse nada, colocando a corrente em si. Daquele dia em dia ele estava morto.
---FFB----
- Por que me deixou.... – murmurou.
Sophia começou a se lembrar de passagens de sua vida, antes do acidente era uma pessoa alegre e generosa, contudo depois daquele trágico dia tornara-se uma pessoa amargurada e rancorosa. Odiava tudo e a todos. Odiava o mundo por ter tirado seu único filho.
Fazendo esforço virou o rosto, vendo sua bolsa que estava do lado. Com dificuldade pegou sua carteira abrindo-a. Num compartimento secreto tirou três fotografias. A primeira trazia a imagem de seu marido. Deu um sorriso, mesmo com tantos anos ainda o amava-o. Pegou a segunda, vendo o filho e a nora ali retratados.
- Como eu os amava.... – acariciou a foto.
Pegou a terceira, talvez a mais difícil, trazia ela e Afrodite. A julgar pelo rostinho ele não deveria ter mais de dois anos.
Segurou, mas as lagrimas desceram. Sempre ansiou por um neto e quando o viu nascer, não se cabia de felicidade. Gustavv representava tudo para ela.
Novamente as palavras de Friederich vieram lhe na mente. Ele sofrera tanto, passara por tanta coisa e tudo por causa dela. A verdade é que Sophia se culpava pelo acidente, acidente que poderia ter evitado, mas não o fez. As cenas daquele dia invadiram sua mente: a noticia que Marie morrera na hora, o estado gravíssimo de Karl e Gustavv. Como ficou desesperada ao constatar que o neto poderia não sobreviver. Sentia o coração transpassado por uma espada. A noticia horas depois que o filho não resistira e que o neto estava com hemorragia e que se sobrevivesse poderia ficar paralítico. Tudo aumentava seu sentimento de culpa.
Apenas dias depois que Gustavv mostrou sinais de melhora, aparentemente não ficaria com seqüelas, mas sua saúde precisava de atenção. Durante esse tempo, ela não tinha ido vê-lo, não tinha coragem.
Ela só não imaginava que a situação pioraria, o pequeno vivia chorando pelos cantos chamando pelos pais, Sophia em seu desespero mostrava-se fria, pois nem ela mesmo tinha se recuperado do baque. O sentimento de culpa foi aumentando e transformando em rancor. Já não conseguia olhar para o neto, pois via nele a sua culpa e então fez o que uma pessoa amargurada faria. Começou a jogar sua "culpa" nele, não media esforços para acusá-lo de assassinato....
As lagrimas desciam abundantes.
- Deus, como fui cruel... – sussurrou.
Afrodite que nunca mais fora o mesmo sofria o peso da rejeição da avó. Para piorar ela ainda mentira sobre seu estado de saúde. Dizia que ele apenas tinha sofrido alguns arranhões quando na verdade sua vida ficara por um fio e por que disso? Medo, como sentiu medo de perdê-lo. Novamente a culpa a assolava.
Não o bastante, o afastou-se de si, mandando o para Suíça. Queria o longe, tanto que nunca o visitara. Quando soube que ele tinha fugido achou providencial, um "alivio", mas não foi o que aconteceu. Passara todos esses anos atormentada,com sentimentos conflitantes, alivio e dor por perde-lo, agora sim sua família estava destruída.
Chorava, como a muito não fazia, Gustavv poderia está morto e a culpa seria dela, por ter sido fraca a ponto de não encarar a situação de frente. E agora que ele estava ali tão perto, simplesmente o mandara embora.
- Gustavv...
Sentia o peito oprimido, a respiração lhe faltava e um terrível mal estar a assolou.
Friederich entrou desanimado. Estranhou o fato dos aparelhos estarem emitindo um bipe de forma frenética.
- Deus! – exclamou ao ver sua patroa.
Correu ate a porta gritando por um medico, o que foi atendido prontamente. Em poucos segundos, enfermeiras, médicos a conduziam as pressas para a emergência.
- O que está havendo?
- Tenha calma. Doutor Thino vai conversar com o senhor.
- Está bem.
- Isso estava na mão dela. – a enfermeira lhe entregou dois objetos.
- Obrigado.
- Com licença.
Só lhe restava esperar. Friederich sentou num sofá, a julgar pelas expressões o caso de Sophia agravara-se. Olhou para os objetos ficando surpreso: era uma foto e um pingente de prata, já a vira usando ele.
- Ela guarda isso... é sinal que...
- Senhor Kievi.
A voz de Nikolas o trouxe a realidade.
- Venha comigo.
Ele o acompanhou ate o consultório dele.
- E então doutor?
- Sophia sofreu uma parada cardiorespiratória. Houve uma complicação dos rins e o quadro dela é gravíssimo. Ate ontem a cirurgia poderia ser realizada sem grandes riscos, pois apenas o fator idade pesava, mas agora... achamos um rim compatível, entretanto as chances são mínimas. Ela pode não resistir à cirurgia e se resistir a possibilidade de rejeição.
- Não há nada que se possa fazer? Se tivermos um rim compatível?
- O risco diminui, mas ainda ficará presente. Não quero lhe dar falsas esperanças Friederich, mas Sophia corre risco de morrer.
- Quanto tempo ainda lhe resta?
- O relógio está correndo.
- Eu não demoro.
O sueco saiu as pressas, tomando um táxi pediu que ele seguisse voando para o endereço indicado.
No Coliseu os treinos seguiam normalmente.
Dohko que treinava com Kanon parou o que fazia ao ver um dos guardas do santuário parar um senhor.
- O que está acontecendo ali? – apontou.
Todos os olhares dirigiam para onde o libriano apontava. MM estreitou o olhar.
- Não acredito.... – caminhou em direção aos dois.
O senhor ao ver o canceriano aproximando alegrou-se.
- O que faz aqui?
- Preciso conversar com Gustavv. É urgente.
- Ele não quer visitas.
- Sophia está morrendo.
Levaram um susto. Não pensando duas vezes, o levaram pelas doze casas, numa velocidade acima do normal. Friederich achou estranho, mas diante da situação nem se importou, se quer reparou no conjunto de templos. Pararam a porta de Peixes, trancada.
- Ele não está aqui.
- Está sim. – MM fechou o punho e sem cerimônia deu um soco na porta arrebentando-a.
Os dourados o fitaram assustados.
- Ficou louco?
- Dite não iria abrir a porta. Vamos.
Entrou seguido pelos demais, novamente o mordomo estranhou, mas não disse nada. Na sala puderam ver o estado do seu dono, diversos vasos quebrados.
- Afrodite! – berrou.
Mu e os outros olharam para Friederich.
O pisciano apareceu com uma cara não muito boa.
- Vai ter que comprar uma porta nova. – disse, ao ver o mordomo.... – o que faz aqui? – indagou frio.
- Sophia precisa de você. – disse mostrando-lhe dois objetos.
Afrodite os pegou examinando-os.
- Mais isso é...
- Ela guarda essa foto e esse relicário sempre esteve no pescoço dela. Você a deu?
O pisciano olhava perplexo para a foto, ela tinha sido tirada antes do acidente.
- Ela guarda isso?
- Sim.
Voltou o olhar para o relicário de prata. Era o mesmo que havia deixado no colégio no dia que fugira.
- Isso era meu... – murmurou.
- Seu?
- Ela me deu pouco antes do acidente, trás o brasão da nossa família e meu nome...por que...? – fitou o sueco mais velho.
- Gustavv, Sophia está morrendo.
Dite levou um choque.
- Morrendo...?
- Se a cirurgia não for feita agora, ate a noite...
O cavaleiro voltou a fitar o pequeno objeto de prata, julgava que o tinha perdido, mas se estava com ela, todos esses anos, era sinal...
- Vamos.
O carro da fundação seguiu em disparada. Nele: Friederich, Gustavv, MM, Saga e Dohko. Ao chegarem o sueco conduziu o cavaleiro ate a sala de cirurgia. Nikolas dava instruções a outros médicos.
- Onde o senhor esteve?
- Thino, esse é Gustavv, é o neto dela.
- Neto?!
- Pode me operar doutor.
Nikolas achou aquilo tudo uma loucura, mas não tinha tempo.
- Venha comigo.
- Sim.
- O normal seria realizar alguns exames, mas não temos tempo. Tem alguma doença grave? Bebe, fuma? Já fez alguma cirurgia?
- Não tenho nada.
- É preciso que assine um termo de responsabilidade. Lina, o termo.
- Sim doutor.
A enfermeira passou para ele o papel necessário, Afrodite assinou na hora.
- Venha.
Enquanto percorriam os corredores, Friederich e os outros o seguiam.
- Por favor, esperem aqui. – pediu a enfermeira.
- Gustavv. – MM o chamou. – boa sorte.
- Obrigado.
A porta foi fechada, a eles só restavam esperar. Tempo depois chegaram Atena e Aiolos que tomaram todas as providencias com relação à cirurgia.
As horas passavam lentamente, na sala de espera MM andava de um lado para o outro.
- Por que demora tanto assim?
- É uma cirurgia complicada Giovanni, - iniciou Atena. - Sophia tem uma idade avançada, leva tempo.
Friederich num canto mantinha-se em silencio.
- Vai dá tudo certo. – Saga tentava tranqüilizá-lo.
- Espero que sim.
Somente no fim da tarde que o procedimento acabou. A cirurgia tinha sido um sucesso, Sophia foi conduzida para a UTI e Afrodite para um quarto.
No santuário, estavam todos na segunda casa a espera de noticias, receberam com alegria a informação que tudo ocorrera bem.
No restante do dia ele não poderia receber visitas pois seu corpo estava sensível, Atena e os outros decidiram voltar para o santuário, sobre o protesto de MM que queria ver o amigo.
Convencido deixou-se ir.
No dia seguinte bem cedo, MM já estava de prontidão no hospital, estava acompanhado por Saga e Shion. A visita ainda era restrita, sendo apenas um que poderia entrar.
- Bom dia peixe.
- Bom dia. – respondeu por de trás da mascara que usava para evitar infecção. – acordou cedo.
- Como está se sentindo?
- Como se um dos três juizes estivesse me retalhado.
- Então está bem. E sua avó?
- Está na UTI, vai ficar por dois dias, esse tempo é vital.
- Que bom que tudo se resolveu.
- Sim.
- Bom, vou indo, todos mandaram lembranças.
- Obrigado.
- Volto depois.
- Mask.
- Sim.
- Obrigado por tudo.
- As ordens.
O restante do dia foi de recuperação para ambas as partes e no dia seguinte também. Sophia tinha ido para o quarto, mas ainda precisava de cuidados, tanto que alta só dali a dez dias. Já Afrodite só três dias depois.
Estava em seu quarto repousando quando sentiu alguns cosmos conhecidos.
- Bom dia.
- Está com a expressão muito melhor. – disse Shura. – apesar da mascara.
- Me recuperando.
- Como vai Afrodite?
- Bem Kanon, e o santuário?
- Continua o mesmo. – MM puxou uma cadeira sentando. – Shion só nos faz treinar.
- Por incrível que pareça, sinto falta disso. Só vou poder fazer atividade física daqui a um mês.
- Que inveja... – Aioria apoiou-se na janela. – férias. E sua avó?
- Está no quarto, mas ainda não pude vê-la. Talvez hoje a tarde, mas está bem. Por enquanto não houve rejeição e por Zeus não haverá.
- Tudo terminou bem. – sorriu.
MM o fitava, ele ainda estava com o rosto pálido, a voz debilitada e ainda demoraria a voltar a ser o velho Afrodite, mas no final tudo havia se resolvido.
Ele receberia alta naquela tarde, já conseguia caminhar pelo quarto e apenas esperava alguém buscá-lo.
- Entre. – disse ao ouvir batidas na porta.
- Não deveria se esforçar.
- Estou bem Friederich. – sorriu. – pronto para outra.
- Recebe alta hoje?
- Já posso ir para casa. E ela?
- Bem, já pode receber visitas.
A expressão dele mudou.
- Quer ir vê-la?
- Talvez não seja...
- Ela perguntou por você.
Ainda com receio resolveu ir, teria que enfrentá-la a qualquer momento.
- Tudo bem.
- Antes de ir queria te agradecer. – depositou a mão no ombro do cavaleiro. – obrigado por salva-la.
- Faria o mesmo por ela.
- Sim. Venha.
Assim como Afrodite a senhora Kiergaarg usava uma mascara de proteção. Estava acordada fitando a paisagem pela janela.
- Como se sente?
- Já estive melhor, Friederich. – deu um meio sorriso. – essa cidade é misteriosa. – voltou a fitar a janela. – do hotel ou daqui tenho a mesma visão da Acrópole. O mesmo ângulo.
- Talvez seja um sinal.
- Não acredito em sinais.
- Tem visita.
Ela acompanhou o olhar dele ficando surpresa.
- Oi. – Dite a cumprimentou timidamente.
- Vou deixá-los a sós.
O mordomo saiu sobre o olhar atento dos dois.
- A Acrópole fica bem no centro, - caminhou ate a janela, - o ângulo deveria ser diferente, mas talvez ele tenha razão. Há coisas inexplicáveis.
Sophia o observava, Karl não chegava nem perto do que Gustavv e o avô. O tom de cabelo, de pele, o jeito de andar e de falar.
- Fico assustada com sua semelhança e a de Soran.
Ele a olhou.
- Como se sente?
- Bem. Devo ficar ainda alguns dias.
- Recebi alta hoje.
- Está bem?
- Estou.
Seguiu alguns minutos em silencio.
- É melhor descansar. – foi ate ela. – isso é seu.
Entregou lhe a foto e o relicário.
- Friederich tinha guardado. – disse ao notar o olhar confuso dela. – boa recuperação. – estava saindo.
- Espere.
Ele parou, mas sem se virar para ela.
- Talvez não seja o momento, talvez não adiante nada, nós dois temos feridas profundas e só o tempo é capaz de amenizá-las.... mas... gostaria que me desse seu perdão.
Levou um susto.
- Tudo que fiz, foi numa tentativa de me ferir, mas tudo que conseguir foi feri-lo. Me envenenei e te levei junto. Naquele dia, você corria risco de morte. Fiquei apavorada com medo de perdê-lo, perder o único elo que ligava as duas pessoas que mais amei, no entanto tudo que te dei foi ódio. Não conseguia viver com o meu sentimento de culpa fazendo tudo aquilo com você. – tentava permanecer centrada. – quando fugiu daquele colégio...achei que o tivesse perdido para sempre...
Ainda de costas Afrodite segurava as lagrimas.
- Eu o amo, você é tudo que eu tenho agora.... – começou a chorar. – me perdoe por tudo que te faz passar, por causa do meu ódio. Talvez não haja mais tempo para uma reconciliação, mas aceite o pedido dessa velha senhora... Gustavv me perdoe.
O cavaleiro limpava o rosto.
- Tem razão em dizer que só o tempo é capaz de amenizar essas feridas. – a fitou. – eu sofri quando eles morreram, eu sofri quando a senhora me deixou...
- Eu sei, eu sei.... quando mais precisou de mim virei as costas.
Afrodite soltou um longo suspiro e lentamente caminhou ate ela. Pegou o pingente de prata, colocando-o no pescoço.
- Um amigo meu disse certa vez: "Concentre-se no presente e faça seu futuro." – pegou as mãos dela colocando-a entre as suas. – vamos seguir em frente.
Sophia deixou novas lagrimas escaparem. Afrodite a abraçou ternamente.
X.x.X.x.X.x.X
O carro da fundação aguardava o pisciano na porta, ele ainda usava máscara e teria que ficar com ela por mais dois dias. Mask e Dohko o aguardavam e o conduziriam ate o santuário. Devido ao estado dele Atena permitiu que Mu usasse a telecinese o que facilitou e muito o deslocamento ate Peixes. Tomando todas as providencias, a deusa transformou o aposento de Afrodite num pequeno quarto de hospital dando-o todo suporte nesse primeiro mês de recuperação.
- Não se preocupe com nada Afrodite.
- Obrigado Atena.
- Quanto ao seu jardim pode deixar que cuidamos dele. – disse Shura e Kamus.
- E sua avó? – indagou Miro.
- Está se recuperando. Ainda fica mais alguns dias no hospital.
- E vocês...
- Estive com ela. – sorriu. – conversamos... acho que já sofremos o suficiente. A partir de agora vida nova.
- Fico feliz por você. Mais um que reencontrou a família.
- É.
- Bom, vamos deixá-lo descansar. – disse Shaka. – se precisar é só chamar.
Um a um foram retirando-se, Mask ainda permaneceu por um tempo antes de ir para sua casa. Miro ao invés de ficar em Aquário importunando o dono foi para casa. Estava feliz por Dite ter se acertado com sua avó, mas ao mesmo tempo sentia um pouco de inveja. Talvez fosse o único a não saber sobre suas origens. A não ter sequer uma pista, ate o nome poderia ser inventado. Quem poderia garantir que se chamava Miro Pakos? Ainda tinha Raissa, fora ao parque algumas vezes, mas não a viu e do jeito que o pai dela ficara talvez nunca mais a veria.
- Um abandonado....
Aldebaran e Mu desciam as escadas que ligava Gêmeos a Touro. Conversavam sobre os últimos acontecimentos.
- Felizmente tudo acabou bem.
- É... espero que as coisas se ajeitem.
- E o casamento?
- Está chegando. Mu, queria te pedir um favor.
- Claro.
Deba olhou para os lados para ver se ninguém escutava e cochichou algo no ouvido do ariano.
- Do mesmo material?
- Se possível.
- Eu farei, amanha te entrego.
- Obrigado.
- Até mais.
- Mu não conta para ninguém, nem para a Rosa.
- Pode deixar.
De posse do segredinho dele, o ariano rumou para a sala de armaduras, aproveitaria que Rosa chegaria mais tarde da faculdade. Usando seus instrumentos fabricou a encomenda do amigo e examinando a peça também resolveu fazer para si.
- Mu cheguei! – gritou jogando a bolsa sobre o sofá. – Mu?
Estranhou o silencio da casa, mas achou que ele ainda estivesse no treino. Rumou para a cozinha preparar o jantar. Enquanto as coisas cozinhavam, tomou um banho rápido. Depois de tudo pronto, saiu a sua procura, talvez ele estivesse consertando alguma armadura e foi para lá que se dirigiu.
- Mu, você está aí? – bateu na porta.
- Já estou indo. – gritou.
- O jantar está pronto.
- Não demoro.
Voltou para a cozinha um pouco desconfiada. Dentro do cômodo o ariano admirava os objetos que havia construído. Guardou em dois saquinhos, colocando-os no bolso.
Na cozinha Rosa aguardava-o.
- Boa noite. – beijou-lhe a fronte.
- O que estava fazendo?
- Nada demais. Vou dá um recado a Aldebaran e já volto.
- Está bem. Fiz lasanha. – deu um sorriso.
- Não demoro.
Para não estragar a surpresa, o lemuriano chamou o amigo por cosmo, parando pouco antes da entrada da segunda casa.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não. – pos a mão no bolso retirando um pequeno saquinho. – aqui está.
- Já fez??
- Era fácil de fazer. Veja.
O taurino despejou o conteúdo do saquinho na mão.
- Ficou perfeito. Será que cabe? Depois que você saiu é que me dei conta disso.
- Cabe, ela e Rosa têm o mesmo tamanho, portanto... mas também é Oricalco, vai ajustar a ela.
- Muito obrigado Mu. Obrigado mesmo.
- O que um padrinho não faz pelo afilhado? – sorriu. – vou indo porque Rosa fez lasanha e estou com fome.
- Lasanha? Eu que sou irmão, nunca fez isso. Mal mal um bolo. Eu quero minha irmã de volta!
- Sinto muito, mas sem devolução. O maximo que posso fazer é guardar um pedaço para você.
- Vou cobrar. – riu. – boa noite.
- Boa.
- Mais uma vez obrigado.
- Disponha.
Aldebaran guardou o objeto no bolso mantendo silencio, a surpresa seria mais tarde.
Logo após o jantar a brasileira sentou na sala para assistir TV.
- Clarice. – sentou no tapete bem de frente para ela.
- Sim?
- Vem cá.
Estranhou mas obedeceu.
- Está bem misterioso hoje, o que foi?
- Fecha os olhos e não abra ate eu mandar.
- Por quê?
- Fecha.
Fechou. O taurino segurou a mão direita dela e delicadamente colocou um objeto dourado no dedo anelar.
- Pode abrir.
Clarice olhou surpresa.
- Aliança?
- Estamos noivos, faltava isso.
Ela sorriu, contudo tirou o anel, Aldebaran a fitava sem entender.
- Por que tirou?
- Colocou na mão errada.
- Não é a direita que é de noivos?
- Eu não me considero sua noiva. – o fitou. – o certo é nessa. – mostrou a esquerda. Depois de colocar nela, colocou no dedo dele. – eu me considero a senhora Ferreira.
O touro deu um grande sorriso.
- Clarice....
- O Mu que fez?
- Sim.
- Ele tem um dom. Espero que ele seja feliz com a Rosa assim como nós seremos.
- Que os deuses te ouçam senhora Clarice Ferreira.
- Amem.
O puxou para um delicado beijo.
O silencio imperava no santuário de Atena, todos dormiam tranquilamente, não havia ameaças, nem prenuncio de guerras. A paz que todos queriam.
Na primeira casa Rosa e Mu dormiam abraçados, cobertos apenas por um fino lençol branco devido ao calor. Eles apenas não imaginavam que eram observados, a penumbra ocultava seu rosto e apenas um raio lunar iluminava uma mecha de cabelo em vermelho fogo, a figura os fitava com pesar.
- "Grandes provas ainda os aguarda, sinto tanto por tudo que vai acontecer, mas será por um bem maior, ainda terão paz."
A sombra desapareceu para aparecer na casa acima. Da mesma forma Deba e Clarice dormiam juntos.
- "Foram tão corajosos e valorosos.... farei de tudo para que sejam felizes, eu prometo."
Novamente sumiu, mas desta vez apareceu na oitava casa. Miro dormia esparramado na cama.
- "Grande guerreiro, você sempre esteve com ela.... alias todos sempre estiveram com ela. – lembrou de Clarice e Deba. – não se culpe pelo o que vai acontecer. – o fitou. – será necessário."
No décimo terceiro templo Atena acordou assustada.
- Que sensação é essa? – levantou indo ate a janela de onde via as doze casas. – sinto um cosmo... fraco, mas sinto... tomara que não seja uma guerra."
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Continua....
Afrodite e Sophia reconciliaram e tudo terminou bem. Ainda resta a historia do Miro e o passado misterioso de Shaka. O casamento dos brasileiros se aproxima, a sombra que apareceu ainda vai voltar e trazer grandes surpresas.
A fic está caminhando para o final com talvez mais cinco capítulos.
Inté.
