Depois de uns vinte minutos na maior falta de sossego, só pulando ondinhas naquele mar que talvez tivesse sido relaxante em outras ocasiões,decidi me dirigir ao quiosque, onde acompanhava de longe a cabecinha do Harry e a cabecinha castanha da Evelin.
- Mione! – ele gritou, vendo-me chegar perto.
Parecia empolgado.
Dei um sorriso torto.
- Oi.
- Você não vai acreditar! – Evelin completou.
- O quê? – estranhei.
- Vamos aparecer no jornal de Jacksonville! – ele esticou os dois braços como se dissesse "tcharam!"
- Sério? – peguei uma batata frita que eles tinham pedido do balcão – Por quê?
- O fotógrafo disse que somos um casal lindo e que faríamos uma excelente propaganda das praias de Jacksonville – Evelin alargou o sorriso.
Senti a minha raiva chegas às veias.
Helga sorriu.
- Casal lindo? – perguntei baixo, vendo-o olhar para mim.
- Nada demais, Mione. Você sabe que não é verdade – disse.
- É, Hermione. Não é nada demais, realmente – Evelin completou – Claro, se você não se importar de nos ver coladinhos um no outro em um anúncio.
- Não. Imagine – tentei parecer despreocupada – Como saiu a foto?
- Bem... – Harry ficou confuso.
- Ficou uma graça. Parecíamos um casal de verdade. Você é bom ator, Harry – piscou para ele.
Bufei.
- Não é por nada, não, mas vocês realmente formam um lindo casal – Helga completou.
Tentei ignorar.
- Ah, Harry, é sempre ótimo conversar com você – Evelin o abraçou pelos ombros.
Estávamos almoçando no quiosque mesmo e eu não agüentava mais as indiretas estúpidas que ela dava ao meu Harry.
Aliás, as duas.
- Você é ótimo – Helga segurou o seu braço.
Eu estava o mais excluída possível, e não devia ser assim.
Era a minha "lua-de-mel".
Minha e dele.
- Vocês que são – sorriu fofo.
Evelin desceu uma de suas mãos para a perna.
Uma corrente elétrica movida a raiva passou pelas minhas veias, indo diretamente à minha mão de forma que eu batesse o copo com força no balcão. Todos olharam para mim.
- Vou embora – disse seca, levantando-me e indo na direção oposta da praia.
- Mione ! – ouvi-o gritar – Espere!
Não me dei ao trabalho de olhar para trás. Continuei o meu caminho em direção a algum lugar que, com certeza, não era o hotel.
Os papinhos com Evelin e Helga já estavam fazendo a minha paciência chegar ao limite. Aliás, conseguiram. Fizeram-me estourar. E o pior? O Harry estava gostando disso. Não estava nem ligando para aquilo tudo estar estragando a nossa lua-de-mel. Talvez Helga estivesse certa. Ele tinha uma quedinha pela Evelin que nunca quis admitir para mim.
- Hermione! – puxou-me pelo braço, fazendo-me ficar de frente para si – O que foi isso?
- Vou embora. – respondi com dureza na voz.
- Por quê? O que aconteceu?
- Deixe de ser idiota, Harry – estava impaciente – Como se você não estivesse gostando dessas duas se esfregando em você desde ontem!
- Esfregando-se em mim? – arqueou uma sobrancelha – Você está sendo injusta.
- Injusta, eu? – coloquei as mãos na cintura – Será que só você não percebe?
- Hermione, isso é ciúme?
- Não. É realidade.
- As duas não estão fazendo nada demais...
- PARA VOCÊ! – alterei-me – Droga, Harry. É a nossa lua-de-mel. Era para você estar por minha conta e, ao invés disso, só dá papo para a Evelin!
- Estou por sua conta...
- Não, não está! – apertei o dedo indicador e o polegar entre as sobrancelhas – Você gosta da Evelin, Harry?
- Quê?!
- Gosta. Não gosta? – senti os meus olhos começarem a arder com a sua falta de reação.
- Quem disse isso? – deu um passo na minha direção.
- Sim ou não?
- Eu achava ela bonita no primeiro ano e... – coçou a cabeça como se não estivesse entendendo nada.
- Harry! – Evelin disse, chegando por trás dele e segurando o seu braço – O que aconteceu com a Mione? – olhou-me, fingindo preocupação.
- Nada, Ev. Besteira – deu de ombros.
Minha bochecha enrubesceu de raiva. "Ev".
- Hum... Harry? Não sei se devo falar, mas acho que uma hora a Mione vai ter que saber - deu uma gargalhada. Arqueei uma sobrancelha. Ele fez cara de desentendido – Nós nos beijamos.
- QUÊ?! – perguntei alto.
- Evelin...? – ele levantou os ombros, assustado.
- Vai me dizer que você não se lembra...?
- Evelin, olhe, eu não... – ele começou a dizer rapidamente.
- Não. Não precisa se explicar para ela, Harry. Eu... Vou... Embora – disse sentindo a minha vista ficar embaçada – Acho que essa idéia de casamento não foi boa mesmo.
Continuei a andar na direção anterior, mas dessa vez com mais urgência. As lágrimas quentes ameaçavam a sair dos meus olhos e eu fazia o máximo de esforço para contê-las. Ainda ouvia a sua voz chamar por mim, mas ignorei, surda pela raiva.
Houve um beijo entre o Harry e a Evelin. Legal. Eu tinha sido chifrada pelo meu melhor amigo e atual marido. Mais legal ainda!
- Droga – disse para mim mesma enquanto dava passos largos e rápidos, quase correndo, para evitar ser seguida.
Para onde eu estava indo? Não faço a menor idéia. Meus pés me guiavam para onde bem entendiam, na direção oposta ao Radisson Hotel. Se eu desaparecesse por algumas horas, o Harry com certeza ia ficar preocupado e repensar no que estava fazendo.
Com certeza.
Acelerei o meu caminhar, infiltrando-me mais ainda numa cidade desconhecida.
Jacksonville, qualquer parte por aí, 25 de abril. Começando a escurecer.
Eu tinha me sentando em um bar em "qualquer-lugar-por-aí" em Jacksonville e os olhares que eu estava despertando por estar apenas com a saída de praia não eram nada agradáveis.
O bar não estava cheio, mas, fora eu, só tinha mais uma mulher que estava acompanhada. Perguntei-me mentalmente várias vezes: "onde você foi se meter?"
- A gatinha está sozinha? – um moreno forte dos cabelos levemente enrolados me perguntou, sentando-se ao meu lado.
- Acho que agora sim – suspirei pesadamente.
- Quer alguma bebida? – ele tinha um sotaque espanhol forte.
- Você é o garçom? – perguntei, apoiando o meu rosto na mão e o cotovelo no balcão em sinal de tédio.
Ele gargalhou.
- Não. Só um rapaz lhe oferecendo uma bebida – "nada melhor do que afogar as suas mágoas num copo de bebida", pensei.
- Pode ser algo bem como... – olhei para o cardápio que ficava numa placa suspensa na parede – "El Matador".
- O matador... – ele sorriu – Está com raiva de alguém?
- Como concluiu isso? – meu rosto ainda transparecia tédio.
- Maioria das pessoas que pedem "El Matador" estão com vontade de matar alguém – riu baixo – Ou com uma vontade danada de se embebedar.
- Meio a meio – sorri frouxo.
- Brigou com o namorado? – seus olhos pararam na aliança na minha mão esquerda – Ou marido? – a sua face ficou confusa.
- Marido.
- Quantos anos você tem? – juntou as sobrancelhas.
- Dezessete.
- Olhe, senhorita... – coçou a cabeça, olhando-me de cima a baixo – Você pode estar realmente com muita vontade de se embebedar, mas tenho certeza de que uma pessoinha aí dentro não vai gostar nada, nada – gargalhei.
- Não estou grávida.
- Então por que se casou tão nova? – apoiou o cotovelo no balcão, olhando-me interessado.
Ele tinha o típico ar de rapaz latino: bonito, sarado, malandro. Fez sinal para um garçom que passava, indicando o "El Matador" no cardápio.
- Ele é o meu melhor amigo desde pequeno. E eu o amo – fixei o meu olhar na parede – Está indo embora para a Inglaterra. Disse que não podia ir sem que nos casássemos primeiro.
- Bonita história... – deu de ombros – E triste ao mesmo tempo. A propósito, linda, qual é o seu nome?
- Hermione. O seu?
- Juan Carlos – alargou o sorriso perfeito – Sou mexicano.
Depois de já ter bebido o "El Matador" quase numa golada só e ter conversado com o Juan por vários minutos, ele resolveu me mostrar a cidade. Contei-lhe o motivo do meu desentendimento com o Harry, sobre Helga, Evelin, e o suposto beijo dos dois.
"Esse rapaz é louco de deixá-la sozinha por aí. Se fosse eu, nunca a deixaria numa cidade como essa sem a minha companhia. Além de ser louco de traí-la também. Tendo alguém como você, quem precisa de outra?", foi a única coisa que ele comentou sobre o assunto.
Depois piscou para mim.
Juan era um rapaz bom. Tinha nascido e crescido no México, mas agora morava com o seu pai em Jacksonville. Por isso conhecia a região. Além do mais, estava super disposto a me mostrar o quão divertida a cidade podia ser.
Acabamos jogando "Mortal Kombat" e "Street Fighter" no fliperama, cantamos no karaokê e depois nos sentamos na frente de um pequeno parque. Já estava escuro, mas eu tinha me divertido para valer naquela noite. Como deveria ter ocorrido, mas não com a pessoa que deveria ter sido...
Era noite de lua cheia, a qual eu observava fixamente, assim como Juan fazia com o meu rosto.
- Hoje à noite foi divertido – comentou.
Virei o meu rosto para ele.
Já tinha se passado umas quatro horas desde que eu tinha deixado a praia e nenhum sinal do Harry. Nenhum sinal de preocupação, nem nada. Talvez ele até estivesse achando bom o meu sumiço. Mais tempo para ficar com Evelin e Helga.
Já eu era completamente dispensável. Talvez também ele tivesse se cansado de tudo isso, dessa história de casamento. Provavelmente enjoou de ver a minha cara o tempo todo. Afinal, ele é o garoto que pode ter todas. Então por que eu? Droga. Só não precisava me deixar sozinha.
Meu coração apertou, fazendo-me soltar um suspiro pesado.
- É, Juan. Hoje à noite foi divertido – forcei um sorriso.
- Pode ficar mais – ele disse, colocando a mão quente na minha bochecha direita. Eu sabia o que estava por vir.
Eu sabia.
Mas, se o Harry podia sair por aí beijando a Evelin, por que eu não podia? Por que não?
"... O nosso beijo, Harry".
A voz de Evelin me veio novamente à cabeça, de modo que eu respirasse fundo e fechasse os olhos, com o rosto virando na direção de Juan. Senti a sua respiração quente em meu queixo enquanto aproximava os nossos rostos devagar. Eu não podia vê-lo, mas a minha face devia estar a mais serena possível. Eu tinha sido chifrada, afinal.
Seus lábios quentes e carnudos encontraram os meus, já sentindo a sua língua e permitindo que ela passasse. Era o mínimo que o Harry merecia no final das contas.
Uma vingança na mesma moeda.
Eu movia os músculos da minha boca quase mecanicamente, como num ato já decorado, mas sem sentir a mesma sensação. Não sentia gosto naquele beijo e nem prazer. Por um momento, ficou tão asqueroso que tive que me afastar.
- Tudo bem, linda? – seus olhos estavam preocupados.
Olhei para ele e ao meu redor, sentindo-me um lixo.
- Não – a voz saiu falha.
Meus olhos começaram a arder.
Não estava tudo bem, droga.
- O que foi? O que posso fazer por você? – abraçou-me pelos ombros.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
- Eu quero... Ir para casa – disse, olhando para o chão. Eu tinha me vingado, mas estava me sentindo péssima, suja, com nojo. Juan era um cara legal, mas, quando a gente ama, as outras pessoas são só... Outras pessoas. E o Harry era omeu universo – Quero ir embora, Juan.
- Mas... Foi tão bom – ele me olhou confuso.
- Não estou dizendo que foi ruim – tentei me explicar – Mas eu... Não consigo. Não posso, Juan. Desculpe-me.
- Não pode o quê? Beijar-me? Mas não foi você mesma que disse que o seu marido fez a mesma coisa com a alemã? – arqueou as sobrancelhas.
- Fui. Mas se ele consegue, eu simplesmente não consigo. Não consigo traí-lo – algumas lágrimas ainda rolavam pelo meu rosto.
- Entendo – disse calmo – Se quiser, levo você para casa – ainda me abraçava pelos ombros.
- Obriga...
- EI! O que está fazendo com a minha garota? – meu coração foi na goela ao ouvi-lo se pronunciar.
- Harry! – levantei-me do banco sem pensar duas vezes.
N/T : Oi meus amores... quase que a atualização não sai hoje, pois a minha internet não estava cooperando comigo, mas emfim aqui está o capitulo. Tenho duas noticias , uma boa e uma ruim... vamos primeiro a noticia boa: Só queria avisar que ainda terá outra atualização esta semana ^^ já a noticia ruim é que a fic está terminado :(
Bom, acho que já falei tudo.Não vou me prolongar muito aqui, porque a atualização irá demorar mais ainda e estou com certa pressa agora pois meu notbook está com 6% e não sei onde está o bendito do carregador...
Beijos
31/01/2013 - 00:23
