Título: Entre o Amor e o Ódio – Capítulo 25

Fandon: Supernatural

Autora: Mary Spn

Personagens principais: Dean / Sam

Sinopse: Dois irmãos criados de formas diferentes, vivendo uma relação de amor e ódio. Qual dos dois irá vencer esta batalha?

Nota: Esta fic trata-se de Universo Alternativo, Sam e Dean não são caçadores, são apenas personagens desta fic.

Dedicatória: Eu quero dedicar esta fic para A Rainha, em retribuição a "Supernatural Reloaded: Eu os declaro marido e mulher", minha Wincest preferida!


Entre o Amor e o Ódio

Capítulo 25

Sara foi tomar um café, desistindo da sua tentativa frustrada de acalmar os ânimos dos dois, enquanto a discussão entre John e Paul se acalorava.

- Então você se acha no direito de me julgar? Você não tem nem noção do que eu estou passando. Acha que é fácil ver os seus dois filhos... Deus, eu não quero nem repetir isso...

- Eu não estou te julgando, John. E sei sim a barra que você está enfrentando, mas...

- Sabe? – John riu com sarcasmo – Você nem sequer tem filhos pra saber o que é isso.

- Não tenho? Olha John, eu sei que o Sam é o seu filho biológico e eu jamais tentaria ocupar o seu lugar. Mas não venha com essa conversa fiada, porque você sabe melhor do que ninguém que fui eu quem criou o garoto. Que eu estive muito mais presente na vida dele do que você.

- Oh, claro. Agora você quer dizer que é mais pai dele do que eu?

- Isso não é uma disputa, John. Mas com certeza eu o conheço muito melhor do que você. E se você tentasse compreender o que se passa entre os dois, iria perceber que da forma como eles foram criados, longe um do outro, era praticamente impossível existir algum amor fraternal entre os dois.

- Eu fiz o melhor que pude. E eu tinha uma família, a Sara morava longe e eles viviam viajando. O que você queria que eu fizesse? Ainda assim eu sou o pai dele e não admito que você se meta nisso. Você não tem esse direito!

- Não tenho o direito? Então só me diz uma coisa, John... O que você sabia sobre o Sam antes dele ter voltado da Suíça e ido morar na sua casa?

- Eu sei tudo sobre ele... Eu...

- Tudo o que a Sara te contava, não é? Então você por acaso sabe quando foi que ele deu o primeiro beijo? Quando ele transou pela primeira vez? Foi você quem ele acordou no meio da noite, desesperado, porque percebeu que se sentiu atraído por um garoto? Era pra você que ele ligava quase todas as noites da Suíça, quando o melhor amigo dele estava morrendo? Não John, você não imagina o quanto da vida dele você perdeu. E também não imagina o quanto eu o amo. Creio que muito mais do que se ele fosse meu próprio filho.

- Eu admito que perdi muita coisa sim, mas... Pelo menos eu não fiquei tentando comprá-lo com viagens e presentes caros.

- Você está insinuando que...

- Tudo é muito mais fácil quando se tem dinheiro, não é? Você sempre deu a ele tudo o que ele quis, pagou pelos estudos na Suíça, deu a ele um apartamento, uma BMW conversível...

- É um defeito meu, eu admito. Mas também não vejo nada de errado em querer agradar as pessoas que eu amo. Desculpe John, eu não sabia que isso te perturbava tanto assim. Mas mesmo cometendo algumas extravagâncias, como a Sara sempre diz, tem coisas que não se consegue comprar. Amor e confiança são uma delas. E não foi preciso uma BMW para que eu conquistasse o Sam. Bastou dar a ele o que ele mais precisava... Atenção, carinho, compreensão.

- Já chega! – John alterou a voz – Eu não quero mais ouvir isso. Mas já que você se diz tão sábio, por que não encontra uma solução pra isso tudo? O que você faria no meu lugar, hein? Daria a bênção para que os dois ficassem juntos? É isso?

- Eu não sei. Isso tudo é muito complicado e eu sei que você está entre a cruz e a espada, mas... John, sendo pais, ou padrasto no meu caso, tem certas coisas em que não adianta querer interferir. Os dois se separaram por conta própria e mesmo assim não está funcionando. Basta olhar pra eles pra saber disso. Às vezes é preciso apenas aceitar as coisas como são, mesmo sem poder compreendê-las.

- x -

Enquanto os dois ainda discutiam na sala de espera, Dean entrou no quarto de Sam, que estava sozinho no momento.

- Hey! – Dean entrou com um sorriso no rosto.

- Dean! – Sam também sorriu.

Dean se aproximou da cama e o abraçou, emocionado. Ficaram algum tempo assim e se soltaram do abraço apenas quando Sara entrou no quarto.

- Então, conseguiu descansar um pouco, Dean? – Sara perguntou de forma carinhosa.

- Sim, eu consegui dormir um pouquinho.

- Bom, eu vou deixar vocês a sós, só vim pegar minha bolsa e vou sair pra tomar um café. Você quer alguma coisa, Dean?

- Não, obrigado.

- E você, Sam?

- Não, eu estou sem fome. Já me deram chazinho com torradas hoje. – Sam fez uma careta e Sara riu – Mãe, o Paul já foi embora?

- Na verdade ele e o seu pai foram convidados a se retirar pelos seguranças do hospital. Eles tiveram uma discussãozinha bem calorosa na sala de espera.

- O que?

- Pois é, eu pensei que nunca iria presenciar uma coisa dessas. Homens! – Sara balançou a cabeça, indignada e os dois irmãos não puderam deixar de rir da situação.

Depois que Sara saiu, Sam e Dean ficaram em silêncio por algum tempo, sem saber exatamente o que dizer um ao outro.

- Estão, como você está? Está sentindo dor? – Dean resolveu quebrar o silêncio.

- Eu já me sinto melhor. A cabeça ainda dói um pouco, mas eu estou bem.

- E por que você... O que foi que aconteceu pra você atravessar a rua feito um louco? E quem é esse tal de Michael que estava com você? – Dean teve que perguntar, não conseguiu se conter.

- Eu não sei, foi... Um minuto de bobeira, eu acho. O Michael é um amigo, só isso. - Sam mentiu, sem conseguir encarar o irmão.

- Ah. – Dean não conseguiu esconder a decepção, afinal sabia que Sam estava mentindo. – Eu vou sair um pouco, não me sinto bem em hospitais. Mas eu volto mais tarde, ok?

- Vai me deixar aqui sozinho?

- Eu volto logo, Sam. Só preciso de um pouco de ar. – Dean saiu com pressa, sem dizer mais nada.

Sam passou o restante do dia no hospital com Sara lhe fazendo companhia. No final da tarde Paul retornou, se sentindo um pouco envergonhado pelo que havia acontecido entre ele e John.

Sam não pode deixar de rir ao ver o jeito sem graça do padrasto.

- Deixaram você entrar numa boa? – Sam deu risadas.

- Se eu me comportar direitinho eles me deixam ficar. – Paul deu risadas também – Me desculpe Sam, eu não devia ter me metido e discutido com o seu pai.

- Vocês discutiram por minha causa?

- Mais ou menos, quero dizer, com esta situação toda, eu... Eu sempre fico tentando encontrar uma solução. Mas o John tem razão, eu não sou o seu pai, afinal. Melhor não me meter nisso.

- Paul, eu... Eu já queria ter falado com você antes, mas não tive coragem. Aquele dia no meu apartamento, quando eu falei aquelas bobagens e você estava tentando colocar juízo na minha cabeça... Eu me desculpei com a minha mãe e acho que ela me perdoou, mas não com você.

- Está tudo bem, Sam. Eu já nem me lembrava mais daquilo.

- Mas eu sim. Eu me lembro todos os dias. Eu te tratei mal e disse que você não era o meu pai, mas... Eu estava com raiva e só queria te magoar. Porque na verdade, eu te considero tão meu pai quanto o John, ou até mais do que ele.

- Sam...

- Você sempre foi muito mais do que um pai pra mim. Além de pai, você sempre foi um grande amigo, alguém com quem eu sempre pude contar. Eu sei que eu nunca te disse isso, acho que por pura teimosia, sei lá. Eu só queria que você soubesse.

Paul estava com os olhos marejados, e não conseguiu dizer nada, apenas o abraçou, emocionado.

- x -

Sam foi liberado do hospital na manhã seguinte e depois de Sara se certificar de que ele estaria bem e enchê-lo de mimos, o deixou em seu apartamento na companhia de John e Dean.

John preparou o almoço para os três e quando se sentaram à mesa o clima ficou um tanto constrangedor. Sam estava muito calado e mal conseguia encarar o pai. Dean tentava puxar conversa sobre algum assunto qualquer, mas logo a conversa morria e o silêncio incômodo voltava a reinar.

John se amaldiçoou por ter deixado Jô voltar para casa, afinal ela sempre sabia como tornar a conversa descontraída, algo que estava sendo difícil agora. Era a primeira vez que ficava junto de seus dois filhos desde o acontecido. Sem saber exatamente o que fazer ou como agir, logo depois do almoço inventou uma desculpa qualquer para sair dali.

- Dean, você vai ficar por aqui, não vai?

- Vou sim, por quê?

- Eu vou até a casa da Sara e acho que vou demorar um pouco. Se precisar de mim é só ligar pro meu celular, ok?

Depois que John saiu os irmãos ainda permaneceram em silêncio por algum tempo, e Sam, percebendo que havia algo incomodando seu irmão, resolveu tentar descobrir.

- Como estão as coisas por lá? Digo, com você e o pai? – Sam perguntou com receio.

- Como estão as coisas? Como você acha que estão, Sammy? – Dean falou de forma brusca.

- Dean...

- Enquanto você estava aqui, tendo sua mamãe e seu padrasto pra te apoiarem, eu fiquei lá aguentando a barra sozinho. Aguentando as alterações de humor do pai, que ora fazia de conta que estava tudo bem, ora me olhava com desprezo ou me ignorava como se eu não existisse. E ainda por cima o tempo todo preocupado, sem saber o que se passava com você, seu egoísta! – Dean esbravejou, colocando para fora todas as suas frustrações.

- Eu sinto muito, Dean!

- Nem minhas ligações você foi capaz de atender! Eu estava praticamente enlouquecendo, Sammy! Sem saber se deveria vir atrás de você ou deixar você me esquecer de vez. Ou você acha que porque eu não fiquei bebendo, me drogando e fodendo com todo mundo, é porque eu estava bem?

- Dean, eu... – Sam não conseguiu dizer mais nada, apenas engoliu o nó na garganta, secou as lágrimas e foi para o quarto se deitar. Então Dean já sabia de tudo... De todas as besteiras que havia feito depois que saiu da casa do pai. Provavelmente também sabia que havia mentido sobre Michael, e tinha toda razão em estar furioso. Sam sentiu um medo muito grande de que seu irmão resolvesse ir embora e não quisesse vê-lo nunca mais. Com estes pensamentos, acabou adormecendo, vencido pelo cansaço.

Quando Dean entrou no quarto uma hora depois, viu que Sam estava dormindo. Ficou algum tempo ali o observando, terrivelmente arrependido pelas duras palavras que havia dito.

Sam não merecia ouvir aquilo. Sabia que tinha se deixado levar pela raiva e pelo medo mais uma vez. Amava demais o seu irmão e não conseguia imaginar a sua vida longe dele. O tempo em que estiveram afastados tinha sido uma verdadeira tormenta. E agora que estava ali, tão próximo novamente, não tinha conseguido controlar suas emoções. O medo de perder Sam ao saber que tinha sido atropelado, toda a angústia que tinha passado até ter certeza de que ele ficaria bem, e em seguida a dor de saber que ele estivera nos braços de outro homem, era mais do que podia suportar. O medo de perdê-lo e o ciúme que sentiu o fizeram magoar novamente aquele que mais amava.

Deitou-se ao seu lado na cama e ficou o esperando acordar. Precisava se desculpar pela grosseria, precisava fazê-lo entender o que sentia.

Sam acordou horas depois, sentindo os olhos verdes de Dean o encarando.

- Eu pensei que... Que você não estaria mais aqui quando eu acordasse. – Sam falou quase num sussurro.

- É isso o que você quer? Que eu vá embora?

- E você se importa com o que eu quero, Dean? – Sam tinha mágoa na voz.

- Me desculpe pelo que eu falei, ok? Eu não quis... Eu não quis te magoar mas, por que você mentiu pra mim?

- Eu não queria que você pensasse que... Droga, Dean! Eu fiquei com vergonha.

- Vergonha? – Dean riu sem humor – Nós nem estávamos mais juntos, Sam!

- Não, mas... A forma como eu agi... Eu fui um perfeito idiota. E ainda assim, eu... Eu me sinto como se tivesse te traído. Eu nem sei porque fiz aquilo, eu me senti tão sozinho, tão perdido. Eu pensei que poderia esquecer você.

- E escolheu um cara parecido comigo pra me esquecer?

- Eu não transei com ele, se você quer saber. Eu não consegui! Eu corri pra rua sem pensar em mais nada, eu só queria sumir dali!

- Bom, de qualquer jeito você não me deve satisfações. Você é livre, pode fazer da sua vida o que quiser. Tem todo o direito de transar com quem quiser. Eu não me importo.

- Não se importa? – Sam balançou a cabeça, incrédulo - Sabe de uma coisa, Dean? Eu sou um fraco. Eu não consegui seguir em frente. Eu fiz um monte de bobagens, magoei as pessoas que eu amo... Eu fui um idiota, um egoísta. Mas isso não é nenhuma novidade, não é? Acho que se não fosse pelo Paul, eu... – Sam se levantou da cama e caminhou até a janela.

- Qual é, Sam? Você sempre foi o cara mais centrado que eu já conheci. – Dean o seguiu e tocou seu ombro de forma carinhosa.

- Fui. É a palavra certa. Eu já passei por muita coisa, por coisas horríveis e sempre consegui sobreviver, mas agora... Eu sinto como se tivessem me arrancado um pedaço. Como é que você consegue, Dean? Me ensina? – Sam o encarava com aqueles olhos pidões, fazendo o coração de Dean derreter.

- Como eu consigo? Como eu consigo o quê? Passar quase todas as noites em claro, imaginando como as coisas seriam se eu finalmente tivesse coragem de vir atrás de você? Ou passar horas olhando para o seu retrato, querendo ouvir o som da sua voz, querendo sentir o calor da sua pele mais uma vez? Você acha que isso é seguir em frente? Eu estou quase enlouquecendo, Sammy! – Dean encostou sua testa na do irmão e deixou as lágrimas escorrerem por sua face.

Num ato impensado, Sam secou suas lágrimas com as pontas dos dedos e em seguida tocou os lábios de Dean, que fechou os olhos, tentando guardar aquele momento.

Com certo receio, Sam tocou os lábios dos irmãos com os seus, esperando ser rejeitado. Mas ao contrário do que esperava, Dean o puxou pela nuca e o beijou com paixão, sem se importar com mais nada.

- O que você quer, Sam? Me diz? – Dean sussurrou em seu ouvido, assim que interrompeu o beijo – Quer que eu vá embora? – O mais velho prendeu a respiração, com medo, esperando por uma resposta.

- Não.

- Não o quê?

- Eu não quero que você vá.

- Então o que você quer? Por favor, Sam! Eu preciso que você me diga!

- Eu quero... Eu... Eu quero... Que você fique aqui comigo. Pra sempre! – Sam encarou o irmão com seus olhos cheios de lágrimas.

Dean finalmente sorriu e o abraçou com força.

- Eu tive tanto medo que você não dissesse isso. Eu tive tanto medo de te perder! – Dean o beijou novamente, enquanto seus dedos trataram de abrir os botões da camisa do mais novo, que fez o mesmo com a sua.

Se despiram com pressa, com urgência, mas mesmo assim Dean foi cuidadoso, afinal Sam ainda estava machucado e tinha alguns hematomas pelo corpo.

Dean o encaminhou até o lado da cama e o derrubou suavemente sobre ela.

Deitou ao lado de Sam e passou a acariciar e beijar cada pedacinho do seu corpo, arrancando suspiros e gemidos do mais novo.

Quando seus lábios e suas línguas se tocavam, era como se nada mais existisse ao redor, como se o mundo tivesse parado naquele momento.

Dean percorreu o peito de Sam com sua língua, provando o seu gosto e sentindo o calor da sua pele. Sugou seus mamilos enquanto sua mão direita acariciava o membro já desperto do irmão. Sam gemeu ainda mais alto e arqueou seu corpo quando Dean abocanhou seu pênis. A forma como seu irmão o chupava e lambia o deixavam enlouquecido de prazer.

Dean mal podia acreditar que estava mesmo ali, que tinha o seu irmão inteirinho a sua mercê. Sentir o seu cheiro, ouvir seus gemidos, sentir as mãos dele em seu corpo era algo que o deixava entorpecido, era tudo o que mais precisava.

Virou Sam de bruços e depositou beijos molhados em suas costas, em suas coxas e nádegas, enquanto o preparava com seus dedos.

Em seguida afastou ainda mais suas pernas, deitou sobre o seu corpo e o penetrou devagar, com extremo cuidado.

Sam soltou um gemido de dor, abafado pelo travesseiro, suportando a dor inicial. Mas logo a dor se transformou em prazer, a medida em que os movimentos de seus corpos foram se tornando mais intensos.

Dean entrava e saia com força, segurando o mais novo com firmeza pela cintura. Sam se agarrava aos lençóis e empurrava seu corpo de encontro ao do irmão, gemendo e delirando de prazer.

Era assim que ambos se completavam, que se sentiam um só. Precisavam um do outro como do ar para respirar. Era como um vício do qual jamais iriam querer se livrar.

Quando estavam juntos, se amando, nada mais importava... Apenas os toques, os gemidos e palavras desconexas, o cheiro e o calor do corpo do outro podiam ser percebidos.

O loiro acelerou os movimentos, arrancando suspiros e gemidos deliciosos de seu irmão. Quando chegaram ao êxtase, Dean virou Sam de frente e o beijou como se o mundo fosse acabar no minuto seguinte.

- Eu amo você! – Dean sussurrou entre os beijos.

- Eu também te amo Dean! Eu também te amo... – Sam falou baixinho e então deitou a cabeça no peito do mais velho, que o abraçou com carinho.

- x -

Quando John retornou ao apartamento de Sam, Dean estava preparando o jantar e Sam o ajudava na cozinha, apesar de que deveria estar descansando. Os dois nem notaram a presença do pai, brincavam um com o outro e riam de alguma bobagem qualquer.

John pensou há quanto tempo não via os dois rindo daquela maneira, felizes.

Pigarreou alto e entrou na cozinha, percebendo que o clima entre os dois mudara completamente na sua presença. Ambos ficaram sérios e tentaram disfarçar.

- O David ligou, parece que a loja está bastante movimentada, ele precisa de ajuda. Acho que o Sam já está bem melhor agora, não é? Eu vou embora amanhã pela manhã. Você vai comigo, Dean?

Dean engoliu em seco e Sam o encarou, para em seguida baixar os olhos, com medo da resposta.

- Pai, eu... Eu não vou.

- E quando você vai?

- No próximo fim de semana, apenas para buscar minhas coisas.

- O quê? – John perguntou surpreso.

- Eu e o Sam conversamos, e... Eu vou ficar aqui com ele. – Os irmãos trocaram um olhar cúmplice depois do que Dean falou.

- Bom, eu vou arrumar minhas coisas, e... Acho que eu não preciso esperar até de manhã então.

John foi até o quarto, pegou sua mala e já ia saindo do apartamento quando Sam o chamou.

- Pai...

John largou a mala no chão e finalmente os encarou.

- Garotos, eu... Acho que eu já esperava por isso, mas... Eu só preciso de um tempo, ok? Eu preciso de um tempo pra me acostumar, eu... – John engoliu o nó na garganta e falou com dificuldade - Eu só queria que vocês soubessem que, independente de qualquer coisa, eu ainda amo muito vocês.

Os três tinham os olhos marejados, John se aproximou de Sam, o abraçou e lhe deu um beijo na testa, depois fez o mesmo com Dean, antes de pegar sua mala e sair sem olhar para trás.

Alguns dias depois Dean estava arrumando sua mochila, afinal iria de ônibus até a casa do seu pai para buscar o Impala e suas coisas que ainda estavam lá.

Logo percebeu que Sam estava agitado, nervoso e foi tentar acalmá-lo.

- Hey! Eu não prometi que eu volto? Você por acaso não confia em mim? – Dean perguntou em tom de brincadeira.

- Confio! É claro que eu confio, eu só...

- Qual é o problema, então?

- É que eu estive pensando em tudo o que você está deixando pra trás, só pra ficar comigo...

- Sam, nós já conversamos sobre isso, o papai vai ficar bem, ele vai acabar aceitando!

- Eu sei, mas não é só o pai, Dean! Os seus amigos, a casa onde você cresceu, a loja, a cidade... É praticamente a sua vida toda que você está deixando pra trás.

- Sam, mesmo que o pai aceitasse, nós não poderíamos viver juntos por lá. Todos na cidade nos viram crescer como irmãos, iriam ficar nos julgando o tempo inteiro. E eu não me importo! Eu só quero estar com você, quanto ao resto, nós podemos dar um jeito! Agora para de pensar bobagens, eu quero ter certeza que você vai ficar bem enquanto eu estiver longe.

- Ok. Eu vou ficar bem, eu prometo! Só... Me liga assim que chegar lá, está bem?

- Eu ligo sim, benzinho. – Dean deu risadas, depois o beijou e saiu para a rua, indo pegar um táxi até a o terminal Rodoviário.

Quando chegou em casa, se surpreendeu com o bom humor de seu pai, afinal pensou que iria encontrá-lo de cara feia.

Ligou para Sam, o tranquilizando e depois foi visitar alguns amigos.

Explicou a situação aos mais chegados e aos outros deixou que ficassem sabendo através das fofocas, o que não iria demorar muito.

É claro que todos ficaram surpresos, mas era algo que não tinha mais como esconder. Lisa, como sempre, o apoiava em tudo e ficou feliz ao saber que finalmente ele e Sam iriam ficar juntos, pois já não aguentava mais ver o amigo sofrer e se lamentar.

Bobby e David já sabiam de tudo, John tinha lhes contado e mesmo achando a situação um pouco estranha, lhes desejaram boa sorte em sua nova vida.

As coisas até correram bem, melhor do que Dean esperava. Mas a parte mais difícil ainda estava por vir. Precisaria encontrar um novo emprego, e logo. Trabalhava dentro daquela loja desde garoto e ela já era parte da sua vida. Era mesmo difícil deixar para trás. Mas era algo que teria que superar.

Já era noite e Dean estava sozinho na loja, retirando suas coisas da gaveta quando John apareceu por ali.

- Você está mesmo certo de que é isto o que quer fazer? – John perguntou, sério.

- Eu nunca tive tanta certeza de algo em toda a minha vida, pai.

- E o que você pretende fazer por lá? Já pensou nisso?

- Não sei, mas eu vou procurar um emprego, não deve ser tão difícil.

- Não, com certeza não. Mas eu estive pensando... Lembra daquela ideia que nós tivemos há algum tempo, sobre abrir uma filial?

- Lembro sim, mas... Era um investimento grande, você acabou desistindo.

- Porque ainda não era hora, mas agora...

- Por que você está me falando isso? – Dean estranhou.

- Dean, tanto a nossa casa, como a loja, são suas e do seu irmão. É um direito de vocês.

- Pai, eu e o Sam não precisamos disso. Ele tem um apartamento e quanto ao resto, nós podemos nos virar, é só uma questão de tempo.

- Eu sei que vocês podem. Mas eu pensei... Por que não aproveitar a oportunidade e abrir uma filial por lá? Você e o Sam poderiam tomar conta e seria de vocês. Basta você encontrar um bom lugar, uma sala grande para alugar, o restante nós podemos dar um jeito, Dean! A loja está lucrando muito, você sabe.

- Por que o senhor está fazendo isso?

- É o mínimo que eu posso fazer por vocês, afinal vocês ainda são meus filhos, não são?

Dean finalmente sorriu.

- É um investimento ousado.

- É por uma boa causa.

- Tudo bem, vamos fazer isso então. Amanhã a gente pode ir conversar com o contador e ver o que pode ser feito.

- Ok, é um bom começo.

- Mas pai, o Sam... Eu não sei se é isso o que ele quer. Ele precisa voltar pra faculdade, e...

- Não me importa. De qualquer forma, vai ser de vocês, ele trabalha lá se quiser.

- Bom, acho que nós temos um acordo, então.

- Sim, nós temos.

- Pai... E você e a Jô? Como estão?

- Eu também queria conversar com vocês sobre isso, mas como o Sam não está aqui... Eu e ela vamos nos casar.

- O quê? – dean não conseguiu esconder a surpresa.

- É um sonho dela, sabe. E eu acho que vai ser bom.

- Claro que vai. E eu fico muito feliz por vocês, pai! – Dean falou com sinceridade – O Sam também vai ficar feliz, ele adora a Jô.

- Isso me deixa feliz e aliviado. Eu tive medo que vocês não aprovassem, sei lá. É estranho, depois de tanto tempo...

- Quem somos nós pra desaprovar alguma coisa, não é? – Dean forçou um sorriso.

- Dean, eu... Eu não posso dizer que aprovo o que vocês estão fazendo, mas eu estou fazendo o possível pra aceitar, acredite.

- Já é um começo, não é? – Dean pegou suas coisas e voltou para casa, ainda tinha algumas coisas a fazer antes de partir.

- x -

Sam andava de um lado para o outro dentro do apartamento, ansioso. Só ficaria tranquilo novamente quando visse Dean em sua frente.

Quando a porta do apartamento se abriu e o mais velho passou por ela, o coração de Sam disparou, emocionado.

Dean o abraçou e beijou, cheio de saudades.

- Se comportou direitinho na minha ausência?

- Acho que sim. – Sam sorriu – Mas e você? Correu tudo bem por lá?

- Tudo certinho. Eu tenho novidades.

Dean contou a Sam sobre a proposta de John de abrirem uma filial da loja, e também sobre os planos de casamento dele com Jô.

- É bom que ele se case com a Jô, acho que ela vai fazer ele feliz.

- Vai sim.

- E assim ele vai ter com o que se ocupar e vai esquecer um pouco da gente, não é? – Sam falou brincando.

- Eu espero. – Dean o abraçou.

- Eu também tenho novidades. O Paul me convidou pra trabalhar com ele na empresa. Pra ser tipo o seu braço direito, entende?

- E você quer?

- Eu até gostaria, mas não sei... Eu não sei nada de administração, não sei se vai dar certo.

- E desde quando você tem medo de arriscar? Se você conseguiu dar um jeito de colocar a nossa loja em ordem em menos de dois meses, sendo que nem sabia o que era uma bateria de carro antes, por que diabos não vai conseguir administrar uma empresa?

- Eu sabia o que era uma bateria de carro, idiota! – Sam resmungou – E eu não vou administrar a empresa dele, só vou auxiliar o Paul.

- Ele não tem outros filhos, tem?

- Não.

- Nem pretende ter?

- Ele é estéril, Dean. Minha mãe me contou uma vez.

- Então... Provavelmente ele quer te deixar pronto pra assumir o lugar dele algum dia.

- Claro que não, Dean! Será? - Sam franziu a testa, pensativo.

- É o que parece. Mas você não deve se preocupar com isso agora. E se você tem vontade, vai lá e mostra que você é capaz. Porque eu sei que você é, muito mais do que pensa.

- Eu pensei em ir pra faculdade de manhã e trabalhar lá a tarde. Assim eu fico com a noite livre.

- E pra que você precisa da noite livre? – Dean perguntou, cheio de malícia.

- Pra que? Porque eu sou um bom irmão, e tenho que cuidar do meu irmão mais velho. Principalmente fazer você se exercitar bastante, pra manter o seu corpo em forma.

- Me exercitar?

- Aham...

- E que tipo de exercícios você sugere?

- Vem... Eu te mostro. – Sam puxou Dean pela mão em direção ao quarto – Mas você vai ter que tirar a roupa, surte efeito mais rápido. – Sam o olhou com cara de inocente.

Dean deu risadas e o puxou pela cintura, colando os seus corpos e o beijando com paixão.

- Acho que eu posso fazer isso. Tudo pra manter meu corpo saudável. Mas eu só concordo se você prometer uma coisa...

- O que?

- Que vai ser meu personal trainer exclusivo e que vai fazer isso todos os dias, várias vezes por dia.

Sam gargalhou.

- Bom, talvez eu possa fazer isso, não deve ser um sacrifício tão grande.

Com seu típico sorriso de lado, provocante, Dean ajudou seu irmãozinho a se livrar das roupas de ambos e jogou Sam sobre a cama macia, o provocando e se deliciando com a maciez da sua pele.

Por mais dificuldades que surgissem dali por diante, pois sabiam que nada seria assim tão fácil, tudo o que importava agora era que estavam juntos.

Se o que sentiam um pelo outro era errado, ou doentio, se as pessoas aceitassem ou não, enfrentariam de cabeça erguida, pois um amor assim tão grande não podia ser algo de que deveriam se envergonhar.

Estavam começando uma vida nova, juntos... Se iria dar certo ou não, só o futuro poderia lhes dizer. A única certeza agora era que tinham um ao outro, e com isto sim, poderiam contar.

FIM.


OMG! Fim? Acabou mesmo? *suspira aliviada*rsrs

Quero deixar meus sinceros agradecimentos a cada leitor que acompanhou minha fic, principalmente àqueles que deixaram suas maravilhosas reviews, me dando apoio e me incentivando a escrever mais.

É mais uma etapa que se encerra e outra que começa... Para os que gostam de Padackles/J2, estou iniciando uma nova fic, chamada "Vida Bandida", em breve estarei postando o primeiro capítulo. Também tenho ideias para uma nova Wincest, mas ainda não comecei a escrever.

Um grande abraço a todos e até a próxima!

Beijos,

Mary.