Capítulo 25 – Malfoys são eternamente leais

As amarras se partiram, e Severus tentou se erguer. Contudo, ele tonteou. Harry correu para seu lado.

– Severus, você está bem?

Com esforço, Severus conseguiu se sentar em cima da mesa, esfregando os pulsos. Ele olhou para Harry, o rosto cheio de preocupação, os olhos verdes tão impossivelmente brilhantes, e o coração de Severus se quebrou por saber que ele não o amava.

– Sim, estou. – Ele desviou o olhar. – Obrigado por perguntar.

Harry, por sua vez, sentiu a frieza na voz de Severus.

– Severus, o que há de errado?

– Eu aprecio sua atenção para comigo, mas agora que você já cumpriu a profecia, acho que não tem mais motivo para fingir que gosta de mim.

– Do que é que você está falando?

– O Lord explicou tudo antes de morrer, Harry. Não precisa mais fingir. Pode voltar para sua Hermione, ou seja lá o nome de sua prometida.

De repente, quando Severus menos esperava, recebeu uma bengalada na cabeça.

– Ai!

Harry protestou:

– Ei! Cuidado com meu Sev!

– Você andou cheirando pó de Floo, é, Severus? – perguntou Lucius, possesso. – Larga de ser tapado! O garoto adora você!

– Mas o Lord...

– O Lord morreu, Snape! E tudo que ele falava era um bando de sandices, então não vejo por que você tenha que dar ouvidos àquilo.

– Você não estava lá! – redargüiu Severus. – Não viu como Harry deu as costas para mim!

Harry juntou as mãos de Severus nas suas e beijou-as, dizendo:

– Eu queria falar com você, mas tinha feito um voto de silêncio. Não podia falar com ninguém além de Ron. Era parte do meu teste.

– Voto de... silêncio?

– Sim. Ron quase perdeu a prometida dele por ter violado o voto. Hermione é a prometida dele.

Os olhos de Severus se arregalaram por um minuto. Contudo, ele não se convenceu.

– E a sua prometida? Não é alguém assim como Hermione? Não me diga que não prometeram alguém para você. Eu não acredito que não tenham prometido!

Harry sorriu suavemente e acariciou o rosto de Severus:

– Sim, eles me prometeram. Prometeram-me a princesa mais linda deste lugar. Prometeram-me a única pessoa que eu quis, aquela que cativou meu coração. Por essa princesa, eu enfrentei as provas, os testes, os perigos e os inimigos.

Severus não entendeu de quem Harry falava, mas sabia que tinha perdido o príncipe de seus sonhos. Num impulso, ferido no coração de um jeito que acreditava irreparável, Severus se pôs de pé, afastando-se de Harry, tentando segurar as lágrimas:

– Então o que está esperando? Vá para ela! Deixe-me em paz!

Harry puxou suavemente o braço de Severus, fazendo-o encarar seus olhos verdes e disse:

– Ela está aqui. Minha princesa Severina.

De seu traje de noviço, ele tirou o retrato que Lord Voldemort lhe dera e mostrou a Severus.

– Esta é minha princesa prometida.

Severus encarou o retrato e soltou um sorrisinho no canto do lábio.

– Esse retrato é meu?

Lucius esticou o pescoço e teve um choque:

– Gente, eu não tinha visto isso. Ai, cruz credo, que coisa abominável! Severus, você fica pavoroso de mulher. Isso é mais do que horrível. Parece drag queen barata. Se eu fosse você, processava!

Mas Severus estava ocupado demais para responder. No momento, ele e Harry estavam praticando hóquei de língua, num entusiasmo que deixou Draco vermelho.

Quando finalmente se desgarraram, Harry convidou:

– Venha, meu amor. Vamos voar no nosso alazão.

Draco cochichou:

– O nome dele é Tetê. E aparentemente, ele gosta muito de você, Severus.

Severus reconheceu o animal, que veio afagá-lo:

– É o cavalo da Luna!

– Tenebroso é o seu nome completo – disse Harry. – Vamos, vamos ser felizes para sempre!!

E os dois subiram no cavalo alado e rumaram para a terra de Dumbledore.

Próximo capítulo: Um epílogo que conta o final