A Amante
Shura estava muito desconfiado do comportamento nada normal do pai.
Para um observador externo e até atento, Yomi-sama não aparentaria nada muito diferente do seu comportamento habitual.
Mas para o filho que o conhecia muito bem e sempre notava qualquer vírgula fora de lugar que o pai dizia, sempre no intuito de se safar do trabalho ou da implicância do mesmo, definitivamente havia algo errado.
Já fazia um tempo que ele notava o pai diferente, mas desde o dia da última briga dos dois, ele percebia o pai muito relapso nas reuniões, parecia sempre distraído e distante, sem falar no riso fácil, seu pai era um homem muito rígido e sério, não costumava ficar rindo das piadas sem graça de alguns aristocratas do reino, parecia que era alguma desculpa plausível pra ele rir como gostaria.
Nos treinos a coisa andava estranha também, não sabia se era o seu poder aumentando ou do pai diminuindo, ele parecia mais esgotado do que o normal, seu pai era um youkai poderoso dominava um terço do mundo demoníaco antes da morte de Raízen.
Como podia aquilo?
Às vezes pensava que o seu Papa estava doente e não dizia nada a ele por medo ou algo assim.
Não queria nem pensar nessa hipótese, apesar de ele o pai viverem em pé de guerra nos últimos tempos, não queria que o pai morresse nem em mil anos.
Era a única família que tinha, já que não tivera uma mãe, portanto não o queria morto, mesmo dizendo isso várias vezes a ele quando estava chateado.
Naquela noite estava deitado na sua cama se sentindo péssimo, a última serva que levou tinha saído com cara de decepção, ele tinha acabado de broxar.
Broxar dá pra acreditar? Em todos esses quase trinta anos de vida, ele quase nunca havia perdido a ereção a não ser quando mais jovem e inexperiente.
Mas ele sabia bem o porquê disso, seu pai e seu excêntrico comportamento não lhe saía da cabeça, estava preocupado, a coisa estava séria a ponto de perder a foda, pensava ele.
Não aguentando mais saiu do quarto, queria falar com o pai, ele sempre estava disponível mesmo, saiu sem se importar em fazer barulho e assim que abriu a porta, suas orelhas sensíveis captaram gemidos abafados, ele não tinha o alcance de audição do pai mas ele o treinou o suficiente pra desenvolver um pouco, então conseguia ouvir um pouco melhor do que a maioria dos youkais.
Os gemidos abafados logo desapareceram como se fosse impressão sua, mas aquilo só atiçou sua curiosidade, já que o único cômodo além do seu naquele andar era o do seu pai, que era celibatário a séculos.
Isso seria possível?!
Pensava ele com os olhos arregalados, não querendo atrapalhar a possível transa do pai, voltou calmamente pro quarto como se não tivesse ouvido nada.
Então só podia ser isso, seu pai estava transando com alguma ou algumas fêmeas do palácio ou fora dele, nunca se sabe.
Isso seria a bomba do século depois da descoberta do filho humano de Raízen, deveria sair nos jornais de todo Makai, era um verdadeiro evento: Yomi-sama volta a transar depois de séculos de seca.
Ele não se aguentava e caia na cama rolando de rir, e dizendo: "Finalmente ele seguiu o meu conselho! Agora tá dando no coro de alguma sortuda! Será que é sempre a mesma mulher?! Ah Papa, mas eu vou descobrir quem é sua amante ou amantes!".
Depois ficou preocupado.
Será que ele tá comendo minha Naomi?
Não Naomi não, ele sabe que ela é a minha preferida, ele não seria louco! Pensava ele com medo dessa traição, que o pai come-se o palácio todo, menos a sua Naomi.
Por isso tinha que descobrir quem o pai levava pra cama, faria isso nessa semana.
Já tinha até uma ideia do que faria, e com a sorte de ter o quarto isolado poderia falar a vontade enquanto elaborava seu plano.
Assim que teve tempo livre na semana foi até a uma loja da cidade e comprou uma espécie de câmera espiã que gravava até áudio, era bem pequena quase imperceptível, e podia transmitir pra algum aparelho celular.
Estava ansioso para pegar o pai no flagra, aproveitaria que sabia a senha da porta e o seu cheiro era praticamente igual ao do pai, ele não perceberia que ele havia entrado, nesses horas agradecia por ser um clone, e não um filho propriamente dito.
Assim que conseguiu tempo entre uma reunião e outra foi para seu andar e se dirigiu até o quarto do pai, pegou a câmera e a fixou um pouco abaixo de um quadro na parede bem de frente pra cama, antes verificou se o ângulo pegaria os amantes no pulo do gato pelo celular.
Estava perfeito, assim que fosse por volta da hora que ouviu os gemidos da primeira vez ele ligaria a câmera remotamente, e veria tudo.
Torcia pra não ver sua Naomi em alguma cena quente com o pai, se fosse, seria briga na certa, ele ia tirar satisfações com o pai na mesma hora.
Enquanto pensava no que aconteceria mais tarde ele se dirigiu para o jardim, queria pegar um pouco de ar fresco aquele dia, quando entrou viu ao longe a selvagem do pai debaixo de uma árvore, parecia distraída, mal notou sua presença se aproximando, quando ela percebeu o reverenciou e perguntou o que desejava, ele que não tinha coisa melhor pra perguntar falou na lata se a mesma notava alguma coisa estranha no pai, afinal agora ela era o bibelô dele.
Ela parecia surpresa com a pergunta mas após chamá-la de bichinho mimado sua expressão mudou, seus olhos ficaram daquele jeito, como se ela pudesse matá-lo só com o olhar, ele odiava aqueles olhos de raposa dela, porque se pareciam com os do bastardo infeliz.
Logo a mandou pastar, garota irritante, o seu pai deveria tê-la mandado pra panela isso sim, não ficar botando manias na humana como se ela fosse uma criança.
Até um quarto no andar de hóspedes ele deu pra ela, sem falar no tratamento com remédios humanos que ele importava pra tratar a loucura da ningen, ele achava que o pai estava pensando que a humana era filha dele agora, só podia ser.
Era um bichinho mimado isso sim.
Mas dane-se, daqui a algumas horas saberia quem era a amante secreta do pai, estava pra não se aguentar de curiosidade.
Já estava de saída de um dia cheio de trabalho, logo iria pro seu quarto, mas ainda teria boas horas pra esperar, duas pra ser mais exato, era por volta de nove quando ele ouviu os gemidos, seria melhor esperar pra ligar a câmera só nessa hora, afinal dependia da bateria do celular pra ver tudo, primeiro deixou o telefone carregando e esperou e esperou.
Estava entediado mas não queria trazer nenhuma serva pro quarto enquanto não resolvesse isso, tinha medo de falhar de novo devido ao nervosismo, e ser ridicularizado pela ala feminina do palácio.
Não, melhor não, tinha uma reputação a zelar.
Assim que a hora chegou ele ligou a câmera, seu pai já estava deitado e com a luz do abajur ligada?!
Ai tinha coisa com certeza, ele nunca ligava luz nenhuma, e parecia estar esperando alguém, só podia ser a amante.
Alguns minutos se passaram e nada, estava ficando cansado de não ver nada acontecendo, já estava quase desistindo quando a câmera captou o som da porta abrindo, pelo menos o áudio estava ótimo, daria pra ouvir tudo.
Assim que a imagem de uma mulher de costas começou a aparecer Shura vibrava: "Consegui, mostra a cara safada, anda!"
Mas o que os seus ouvidos e olhos presenciaram foi além do que podia imaginar.
"Oi meu rei...Fique onde está, eu quero tentar uma coisa hoje, o senhor precisa ficar quietinho!" Ele ouvia a voz e começou a ver a figura da humana andando de quatro na direção do pai não demorou a ela se desfazer do yukata e começar a acariciar o sexo do mesmo.
Ele estava em choque, era como se ele não estivesse mais no próprio corpo, sentia-se esfriar e adormecer, aquilo não podia ser real, era alguma ilusão ou sonho que estava tendo, começou até a bater no próprio rosto pra ver se sentia dor, droga sentia.
E o pior vinha depois: "Não me torture desse jeito mulher! Você é má!" Era a voz do seu pai, e podia vislumbrar ele levando um braço pra acariciar os seios daquela criatura imunda.
Logo em seguida ouvia ela dizer: "Também tá me torturando com essa mão boba!" E pegava uma mão dele e começava a chupar, pra seu azar conseguia ouvir isso também, estava tão estarrecido que não conseguia mover um músculo, parecia paralisado com a cena de pesadelo que se desenrolava ali, não demorou até ela falar de maneira que até ele ficou arrepiado:" Quer que eu chupe ele assim?" E em seguida começava a puxar a calça do pai o revelando nu e...duro. Seu coração parecia que ia saltar pela boca, quando a boca da ningen desceu até o membro do seu pai, ela beijava, lambia, e já estava chupando ele.
Seu Papa estava se refestelando, sua face se contorcia de prazer e corava, a imagem realmente era boa, pensou ele tentando se distrair.
Enquanto a ningen o chupava com voracidade ele passava a mão por cima da calcinha dela e dizia: "Ah que delícia, Angel...vai com calma, você ainda tem muito pra aprender." E logo em seguida a puxava pelo cabelo no seu ritmo.
Shura estava quase chorando, seu pai, seu ídolo, devorador de seres humanos, recebendo um boquete de uma humana, era o fim do Makai.
Mas ele não conseguia parar de ver, parecia enfeitiçado, queria que aquilo acabasse logo, seus ouvidos não aguentavam mais ouvir aquilo, seus olhos pareciam petrificados, ele não conseguia piscar nenhuma vez, aquilo o traumatizaria pro resto de sua existência.
Após algum tempo que parecia eterno o seu pai tirou a humana de cima de seu membro e gozou, em seguida a sua amante disse aborrecida: "Poxa, eu pensei que o senhor queria gozar na minha boca! Deixa, eu limpo o senhor!"
Aquilo desencadeou uma espécie de quebra no seu transe, ele atirou o celular longe, como se fosse um objeto amaldiçoado, e na sua velocidade demoníaca saiu do quarto e quebrou a porta do quarto do pai, parando bem ao lado dos amantes, ele ainda estava muito chocado, tinha ainda um pouco de esperança que aquilo que vira fosse um tipo de mágica enganadora.
Mas era verdade, ainda conseguiu ver a vagabunda da ningen lambendo o abdômen do pai sujo de porra.
Estava decepcionado, quebrado por dentro, se sentia enganado e traído, ele tremia de terror e raiva.
Antes que algum dos dois falasse algo começou ainda trêmulo: "Eu não acredito no que eu vi, isso é alguma brincadeira pai?! Me responde!" Gritava ele.
A vadia humana se encolhia com medo dele e se agarrava a seu pai como a um bote salva vidas, pensou.
Queria matar os dois, fazê-los sentir a dor que sentia aquele momento, apagar do Makai aquela monstruosidade.
Seu pai levantou ainda nu e começou a falar com a amante o segurando por trás chorando e tremendo.
"Se acalme meu filho, não faça nenhuma loucura, eu po-" "Loucura, loucura o senhor tava fazendo com essa vadia imunda, eu não sou idiota pai, eu sei o que vi, não tem explicação pra isso, na verdade tem sim o senhor tá louco e deve ter pego dessa sua puta" Ele gritava e chorava, aquilo era demais pra conceber era uma decepção muito grande, seu pai era uma farsa.
"Fale baixo Shura, não fale assim de Angel, pare de chorar" Dizia Yomi enérgico, tentando alcançar o filho que o repeliu com um tapa violento na mão.
"Não toca em mim, eu tenho nojo do senhor, suas mãos tão sujas com o corpo dessa imunda, o senhor é nojento! Eu vou mandar os dois pro inferno!" E dizendo isso invocava seu youki.
O clima naquele quarto estava denso e escuro como num dia de guerra, Naru que estava quieta e chorando até aquele momento se manifestou com um sonoro: "Pare Shura-sama, não faça isso!"
Como se ela tivesse recitado algum encanto, Shura não conseguiu mais concentrar seu youki, parecia que a sua energia havia acabado.
O que diabos era aquilo? O que aquela espécie de bruxa ningen fez com ele?!
Aproveitando a oportunidade seu pai o atingiu com um soco que o apagou.
Ele acordou ainda tonto e com a cabeça doendo como uma ressaca infeliz, estava preso numa sala toda reforçada de ferro, e algemado com cadeias contentoras de youki.
Não demorou muito ao pai aparecer, já estava vestido pelo menos e falava com ele: "Shura olhe pra mim, sei o que está pensando! Acha que fiquei louco ou fui enfeitiçado por ela! Mas não foi nada disso, eu me apaixonei por ela, eu negava pra mim mesmo o que sentia, cheguei até a tentar matá-la mas não consegui, eu a amo meu filho, não me julgue mal por isso!"
"Já chega, não quero ouvir mais nada. Só quero saber o que raios foi aquilo antes de o senhor me apagar! Ela é uma bruxa pai acorda, ela enfeitiçou o senhor, e me bloqueou na hora que eu ia...Matar vocês dois!" Dizia ele caindo um pouco em si, estava tão louco que mataria o pai e a amante sem exitar, ainda queria matar a ningen feiticeira, mas agora queria pôr um pouco de juízo na cabeça do pai.
"Está vendo, você ia cometer uma loucura meu filho, ia tentar matar seu pai e uma humana indefesa! Não pense que ela é consciente do que faz, até ela ficou assustada com o que fez, o xamã com que falei a algum tempo atrás me disse que ela não tem consciência dos poderes que tem!" Falava Yomi tentando convencer o filho.
"Ah não pai, por favor! Tem que se livrar dela antes que ela descubra então, isso é perigoso! E me tira logo daqui, onde o senhor tá indo, pai não me deixa aqui pai!" Gritava Shura desesperado, estava com medo.
Será que a ningen estava controlando seu pai?
"Se acalme Shura, mais tarde falo com você, não vou deixar você apodrecer aí como o último!" E dizendo isso se retirou.
"Pai, por favor, volta!" Era inútil gritar, agora estava preso e indefeso como um humano, e seu pai falava de alguém antes dele.
Será que ele tinha outro clone que se livrou, quando descobriu a vida secreta dele?
O que aconteceria com ele agora naquele lugar?
Seu pai iria se livraria dele ?
Continua...
