Lily

Tudo o que eu ouvia ao meu redor eram zumbidos e murmúrios. A única coisa que fiquei sabendo foi que o funcionário que Lorenzo tinha demitido invadiu o restaurante armado. Agora, o porquê do imbecil do James ter levado um tiro, eu não fazia ideia. Como ele podia ser tão irresponsável? Perguntava ao mesmo tempo em que as lágrimas não paravam de cair.

Minha mente estava em transe e eu só conseguia pedir que ele estivesse bem.

- Calma, Lily... - ouvi a voz suave de Lorenzo me consolando enquanto chorava desesperada. Fui todo o caminho até o hospital assim, me impediram de acompanhar James na ambulância pois seu caso era grave. Eu tentava me manter otimista, mas a demora para ter alguma notícia estava me matando.

- São parentes do Senhor Potter? - virei automaticamente para ver o médico com um semblante derrotado. Ah, não!

- Eu sou - declarei com a voz trêmula e engasgada pelo choro. - Como ele está? Vai ficar bem, não é? - ele suspirou e moveu a cabeça em um gesto negativo. Meu corpo inteiro tremeu.

O chão parecia que ia me engolir. Não! Ele não podia me deixar!

- Nós conseguimos extrair a bala, mas as chances dele são mínimas. Fizemos tudo o que podíamos, sinto muito - lamentou.

- Não! - sussurrei balançando a cabeça. - Não! Ah, não! - voltei a chorar desesperadamente. Se não fosse por Lorenzo eu teria ido parar no chão tamanha era a dor que estava sentindo. Não podia ser verdade! Não! James não podia me deixar!

- Se quiser vê-lo, terá que ser agora - o médico informou. Assenti, meu corpo estava todo trêmulo. Respirei fundo tentando arrumar forças para me manter ereta.

- Tem certeza? - Lorenzo perguntou cauteloso.

- Eu tenho que ver ele - afirmei com a voz embargada. Afastei-me e segui o médico.

- Cinco minutos - avisou quando chegamos no local onde James estava.

Caminhei lentamente até ficar ao seu lado na cama. Ele estava cheio de aparelhos. Segurei sua mão com carinho. Estava fria. Solucei alto. James parecia tão frágil. Meu garoto perdido. Aproximei e passei a ponta dos dedos pelo seu rosto inerte.

- James... você não pode fazer isso comigo. Não pode me deixar. Por favor. Por favor - implorei soluçando. - Não me deixa... Eu preciso de você... Eu te amo, James. Amo demais - declarei sem conter as lágrimas que desciam pela minha face. Subitamente, o monitor cardíaco parou de oscilar e seguiu um ritmo só. Seu coração tinha parado. Não! Não!

Olhei aflita para seu corpo imóvel.

- NÃO! - balancei a cabeça. - SOCORRO! - gritei desesperada sem saber o que fazer. - James, não! Por favor... não faz isso! - dizia tocando seu rosto pálido e sem vida. Logo o quarto foi invadido pelos médicos. - VOLTA... volta pra mim! - implorava sem resposta.

- Ele está tendo uma parada cardíaca - ouvi alguém dizer. Não! Eu ia perdê-lo. Não!

- Tirem ela daqui! - senti alguém me puxando, mas eu lutava para ficar.

- Não! Me deixe ficar! - pedi chorando enquanto via eles tentando reanimá-lo. - Não! James, acorda! Acorda! - gritava aflita lutando com o enfermeiro que me segurava. O corpo de James ainda sem reação.

- Sinto muito, senhorita - disseram me colocando para fora e fechando a porta.

- Não! James... - protestei batendo na porta. O ar faltou e eu não aguentei sustentar mais meu corpo. Encostei na parede e deslizei até o chão chorando desesperadamente.

- James... não... - sussurrei apertando meus joelhos contra o corpo, tentando me manter inteira. Senti um toque suave no meu cabelo. Levantei a cabeça e vi aliviada que era Emmeline. Com certeza Lorenzo a teria avisado.

- Está doendo tanto - chorei a abraçando apertado.

- Eu sei.

- Ele está... - não consegui completar a frase chorando de forma descontrolada não contendo os soluços.

Ela me consolou enquanto eu não conseguia parar de chorar. A porta do quarto abriu de súbito. Levantei em um rompante e analisei a expressão do médico sem coragem de fazer qualquer pergunta.

- Como ele está? - Emmeline perguntou por mim. O médico abriu um leve sorriso que na hora me trouxe paz.

- Felizmente conseguimos reanimá-lo, acho que esse rapaz é mais forte do que pensávamos - suspirei aliviada abraçando Emmeline. - Teremos que esperar para ver como ele reage ao tratamento, mas só o fato dele ter sobrevivido a essa parada, indica que ele vai lutar.

- Posso vê-lo? - perguntei enxugando meu rosto da maneira que podia.

- Agora não, ele terá que ficar na UTI para se recuperar e as visitas são restritas. O melhor é ir para casa e descansar. Assim que tiver qualquer notícia eu ligo - até parece que ia ficar em casa enquanto James estava aqui.

- Eu não vou sair daqui! - disse decidida. O médico suspirou.

- Senhorita, não há nada que possa fazer. Vá para casa, logo que tivermos alguma notícia, avisamos - neguei com veemência.

- Não, eu vou ficar - o médico acabou sorrindo, vendo que eu não ia a lugar nenhum.

- A senhorita quem sabe, mas não poderá vê-lo por enquanto, só através do vidro - advertiu.

- Eu entendi - o médico assentiu e saiu.

- Lily, é melhor ir para casa - Emmeline tentou me convencer.

- Eu não quero, Emmeline. Só saio daqui quando James estiver fora de perigo - Emmeline suspirou e me olhou séria.

- Você precisa de um banho e trocar de roupa. Está toda suja de sangue - olhei minha blusa e percebi que ela tinha razão. - Te levo para casa. Você toma um banho, troca de roupa e depois voltamos - garantiu. Não tive outra alternativa a não ser concordar.

Antes de sair do hospital preenchi todos os dados do seguro e aprovei qualquer tratamento que James precisasse fazer. Felizmente, antes de tudo isso já tinha colocado ele no meu plano de saúde como meu parente. Assim que terminei de resolver todas as pendências no hospital, Emmeline me levou para casa.

Cheguei no meu apartamento e a porta estava destrancada. Estranhei, mas no momento não dei muita importância. Com certeza, devia ter esquecido de trancar quando saí para trabalhar. Entrei e fui direto para o banheiro tomar um banho. Emmeline insistiu em fazer algo para que eu comesse e ficou na cozinha.

Tudo o que tinha acontecido passava pela minha mente como em um filme. Minha decisão de ir atrás de Lorenzo no restaurante para terminar nosso relacionamento. Ver o restaurante cercado pela polícia. Lutar para entrar no local. Encontrar James todo ensanguentado no chão. Fechei os olhos com força, tentando não voltar a chorar.

Ele vai ficar bem, Lily. Tudo vai ficar bem.

Sem que pudesse evitar, sua declaração voltou a minha mente.

Eu te amo, Lils.

Respirei fundo inspirando aquelas palavras.

Eu poderia ter esperança?

Suspirei. Como? Se tinha tantas coisas entre nós. Lorenzo. Nosso passado. Minhas inseguranças.

Eu amava James, mas isso seria o bastante?

Balancei a cabeça a fim de parar de pensar nisso, antes James precisava se recuperar e eu resolver minha situação com Lorenzo. Só então poderíamos ver no que daria tudo isso.

Saí do banho enrolando a toalha no corpo e quando fui me trocar estranhei o vazio no meu armário.

Onde estavam as roupas de Lorenzo? Ele teria ido embora sem falar comigo?

Intrigada peguei uma roupa qualquer e coloquei. Em seguida fui para a cozinha.

- As roupas de Lorenzo não estão no armário - comentei com Emmeline. Ela pegou algo que estava sobre a mesa e me entregou. Eram as chaves que tinha dado a Lorenzo e uma carta.

- Ele deixou isso aqui para você - peguei a carta e a abri.

"Lily,

Sinto muito terminar dessa maneira, mas se fosse para fazer isso pessoalmente não sei se que conseguiria.

Eu havia percebido que você amava o James. Entretanto, foi somente com sua reação ao ver ele ferido que pude ver o tamanho desse amor.

Eu te amo e sei que você gosta muito de mim, mas só será verdadeiramente feliz ao lado dele. Estou desistindo, pois agora eu sei que ele é merecedor desse amor e de você, mia Lily.

L'amore vero vuole il bene dell'amato (O amor verdadeiro deseja o bem do amado).

Seja feliz, Lily

Com amor,

Lorenzo"

Eu lia e relia a carta sem saber o que pensar.

Como assim, agora ele sabia que James era merecedor do meu amor? Do que ele estava falando?

Sentia-me completamente perdida com tudo o que estava acontecendo. Eram coisas demais.

- Lorenzo me deixou - murmurei entorpecida olhando a carta e a chave que um dia foi dele.

Com certeza deve ter aproveitado o tempo que fiquei resolvendo os trâmites no hospital e arrumado suas coisas. Agora entendia porque a porta estava destrancada quando entramos.

- Como está se sentindo com isso? - suspirei profundamente e me sentei no banco à frente do balcão.

- Péssima, tudo o que eu não queria era magoar o Lorenzo e no fim foi só o que eu fiz - lamentei.

- Não fique assim, Lily. Lorenzo foi muito feliz enquanto estiveram juntos - tentou me consolar.

- Exceto pelos últimos meses - murmurei chateada.

- Como assim?

- Ele percebeu - Emmeline franziu o cenho e me olhou confusa. - Assim como você, Lorenzo viu que eu amava o James.

- Sério? - perguntou espantada.

- Sim, ele afirmou isso na minha cara. Eu neguei, mas ele não acreditou em mim, eu mesma não acreditei - confessei torcendo meus dedos.

- Mesmo percebendo isso ainda iria casar com ele?

- Não, assim que voltamos de viagem percebi que estava me precipitando. Estava indo no restaurante hoje para terminar com ele - Emmeline me encarou boquiaberta.

- Sério?

- É. Imagina minha surpresa ao chegar lá e ver cheio de policiais e o James ferido no chão? - tremi só de me lembrar. Afinal, o que tinha acontecido naquele lugar?

- Então, você ama o James? - Emmeline questionou me fazendo esquecer minhas divagações. Arqueie minha sobrancelha.

- Você fala como se não soubesse disso - ela sorriu.

- Você nunca me enganou. Mesmo em seus melhores dias com Lorenzo, você nunca estava lá 100% - Emmeline tinha toda razão.

- Eu bem que tentei afugentar esses sentimentos, mas tudo o que consegui foi machucar a mim mesma e o Lorenzo. Ele não merecia isso - lastimei.

- Tenho certeza que ele vai se recuperar, Lily - encarei Emmeline. Ela sempre defendeu Lorenzo com unhas e dentes. Por que estava tão diferente em relação a ele?

- Não vai me xingar e dizer como sou burra? - ela negou sorrindo.

- Não, na verdade te devo desculpas pela última vez que nos vimos. Eu fui ridícula.

- Eu também exagerei, Emmeline. Afinal você estava certa, sempre esteve.

- Mesmo assim, você estava frágil e confusa. Tudo o que eu fiz foi piorar as coisas mais ainda. Me desculpa? - aproximou de mim e me olhou envergonhada.

- Só se me desculpar também - ela sorriu e nos abraçamos.

- Você não fez nada, Lily - resolvi não discutir. - Agora me diz, o que vai fazer em relação ao James?

- Eu ainda não sei, principalmente depois do que ele disse antes de desmaiar nos meus braços - sua declaração voltou mais uma vez na minha mente e senti um aperto no peito.

- O que ele disse?

- Que me amava.

- Lily, isso é fantástico! - disse animada. Mas que droga estava acontecendo com Emmeline?

- Não estou te entendendo. Você sempre foi contra o James, o que está acontecendo? - perguntei desconfiada.

- Nada, eu só percebi que ele é o melhor para você - arregalei meus olhos. Quem era essa pessoa na minha frente e o que fizeram com Emmeline?

- Como é que é? Posso saber como percebeu isso? - indaguei abismada.

- Eu fui dura demais com ele, ok?

- Mudou rápido de opinião, hein? - questionei ainda não acreditando muito na sua mudança.

- Remus e o que aconteceu hoje me fizeram mudar - encarei-a confusa.

- Do que está falando? - ela suspirou se apoiando no balcão da cozinha e me olhou.

- Remus comentou como James estava se sentindo péssimo desde que soube que ia se casar - então, era por isso que ele estava estranho. Agora tudo fazia sentido.

- Por que nunca me disse isso? - questionei abismada.

- Porque achava que o James estava só querendo brincar com você de novo - suspirei entendendo bem a atitude de Emmeline.

- Eu não te condeno, ainda é difícil acreditar que ele disse que me ama.

- E o que vai fazer?

- Sinceramente, não sei. Nós temos um passado, Emmeline. Sei que o perdoei, mas nunca pensei que pudéssemos ter algum envolvimento maior que uma amizade e confesso que não sei se confio no James o bastante para ficarmos juntos - confessei cabisbaixa. Tudo o que eu mais queria era ficar com ele, só que tinha tanta coisa entre nós.

- Talvez fosse bom vocês conversarem honestamente.

- É, acho que tem razão, mas antes ele tem que se recuperar.

- Vai voltar para o hospital?

- Sim, quero conversar com o médico mais calmamente e ficarei lá o máximo que puder.

- Isso que é amor - afirmou sorrindo.

- Nem sei te explicar o que foi ver ele quase morrendo na minha frente. Eu achei que não ia aguentar tamanha era a dor que eu senti - fechei fortemente meus olhos por um segundo tentando esquecer a cena dele deitado no chão todo ensanguentado.

Foi então que me dei conta que Emmeline havia dito que o que ocorreu mudou sua opinião sobre James.

- O que aconteceu lá, Emmeline? Você disse que isso influenciou sua mudança em relação ao James, não entendi - ela se mexeu desconfortavelmente no banco.

- Acho melhor que ele lhe diga.

- Por que?

- Porque ele saberá lhe explicar melhor.

- Emmeline - olhei para ela incisivamente.

- Ok, Lorenzo me contou que o tal ex-empregado invadiu o restaurante ameaçando ele com uma arma. Parece que em um momento de distração, James conseguiu chamar a polícia e assim que ela chegou o rapaz atirou. Lorenzo explicou que tudo aconteceu muito rápido e antes que percebesse James estava ferido e caindo no chão.

- Ele errou o tiro?

- Não, James se jogou na frente de Lorenzo - arregalei os olhos assustada.

- O quê? Ele não podia ter feito isso! James prometeu que nunca mais ia tentar se matar. Ele prometeu! - Como ele podia ter quebrado assim sua promessa? Emmeline balançou a cabeça negando.

- Lorenzo tem certeza que não foi por isso que ele se jogou na frente dele - franzi meu cenho completamente confusa.

- Como assim?

- James pediu que Lorenzo cuidasse de você. Entendeu agora? - ofeguei. Não! Será?

- Isso não faz sentido, Emmeline.

- Como não, Lily? James não queria que você ficasse sozinha, e como achava que você amava o Lorenzo, o salvou. Lorenzo me disse que James foi muito rápido. Ele mesmo ficou estático quando ouviu o revolver disparar e a polícia entrar.

Ouvia atentamente tudo o que Emmeline dizia sem conseguir acreditar no que James havia feito. Estava pasma com sua atitude. Ele salvou a vida de Lorenzo. Por mim? Como não tinha me dado conta disso antes? Céus! Quem poderia ter quase morrido era Lorenzo! Sacudi a cabeça não querendo pensar nas hipóteses que minha mente maquinava. As coisas já estavam complicadas demais.

- Não parece ser algo que James faria - respondi ainda em transe.

- Eu também nunca pensei que ele fosse capaz de um ato tão altruísta. A única pessoa em que ele pensou foi em você - estava em choque com essa notícia.

- É difícil de acreditar. Talvez Lorenzo tenha se enganado e o rapaz errou o tiro ou James tenha realmente tentado se matar - Emmeline negou.

- Lorenzo garantiu que não. E quanto a se matar, pensa comigo, se ele te ama e queria você de volta. Por que salvar a vida do seu noivo? Ele podia muito bem ter ficado lá parado e depois te consolar caso Lorenzo morresse. Isso, na realidade, seria bem mais a cara do James - completou com um sorriso.

- Eu estou sem palavras, Emmeline - murmurei sem conseguir assimilar essa atitude do James.

- Eu também - olhei mais uma vez o bilhete de Lorenzo.

"Estou desistindo, pois agora eu sei que ele é merecedor desse amor e de você, mia Lily."

Podia entender um pouco melhor essa frase agora. Mesmo assim era difícil acreditar que James havia feito algo dessa magnitude. Sorri. Esse nem de longe era o mesmo egoísta e prepotente que conheci um dia. Esse James era aquele doce e bobo que passei a conhecer melhor e que me deixava ainda mais deslumbrada e apaixonada.

Perguntas sem resposta fervilhavam minha mente.

Desde quando ele me amava? Não seria apenas gratidão por tudo o que eu fiz quando o encontrei? Será que ele não estava confundindo as coisas?

Eu mesma havia confundido meus sentimentos. Queria tanto esquecer James e acabei achando que amava Lorenzo, mas tudo o que eu senti por ele foi carinho e admiração.

Lorenzo me mostrou o que era amor quando tudo o que eu tinha eram lembranças amargas.

Sempre estaria em divida com ele e teria que dizer isso pessoalmente. Quanto aos sentimentos de James, teríamos que ter uma conversa séria, sobre tudo.


Naquele mesmo dia, depois de comer o lanche que Emmeline preparou, ou pelo menos tentar comer, já que eu não sentia vontade. Emmeline me levou de volta ao hospital e pude conversar mais calmamente com o médico. Ele explicou que tiveram que induzir James ao coma para que pudesse receber todos os medicamentos necessários para sua recuperação sem forçar seu organismo. Quando estivesse melhor parariam de aplicar o sedativo para que pudesse acordar. O médico garantiu que as chances dele eram muito boas e que tinha sido um milagre ele voltar da parada cardíaca.

Todo dia depois do trabalho eu passava no hospital e ficava com James. Parecia que estava dormindo. Seu rosto sereno e quieto. Acariciava seus cabelos me lembrando de como ele gostava disso. Nesses momentos com ele eu pensava em tudo o que passamos juntos e em como seria quando ele acordasse.

Será que tínhamos um futuro juntos? James realmente me amava?

Sonhava toda a noite com isso, mas tinha medo de me iludir de novo. Suspirei e passei a ponta de meus dedos pelo seu belo rosto enquanto lia o livro de poemas que um dia foi dele.

Talvez viajar a trabalho fosse a melhor alternativa. Meu chefe, Benjamim, precisava que eu fosse para Atlanta por uma semana. Felizmente, ele entendeu minha situação e disse que esperaria até que James acordasse. Esse tempo seria bom para ambos. Olhei o relógio e infelizmente o horário de visitas tinha acabado, guardei o livro na bolsa e dei um beijo na testa de James.

Enquanto saía do seu quarto e retirava a roupa médica que precisava usar quando o visitava, seu médico apareceu.

- Boa tarde, senhorita Potter.

- Olá, doutor. Como James está indo?

- Muito bem. Era sobre isso que gostaria de falar com a senhorita - meu peito apertou.

- Algo sério? - perguntei com medo.

- Não - respondeu com um sorriso, respirei aliviada. - Hoje tenho uma boa notícia. Vamos parar de sedar o James.

- Isso quer dizer que ele vai acordar?

- Bom, vamos parar de aplicar os sedativos e esperar que ele acorde. Assim como lhe expliquei, há riscos de sequelas, mas não acredito que será o caso de James - sorri.

- E quando irão parar com os remédios?

- Hoje mesmo.

- Entendo, assim que ele despertar poderia me ligar?

- Claro - respondeu gentil.

- Obrigada por tudo, doutor.

- É nosso trabalho.

- E um trabalho magnífico.

- Obrigado - agradeceu sorrindo. - Tenha uma boa noite, senhorita Potter.

- O senhor também - despedi e saí do hospital.

James a qualquer momento iria acordar e o melhor seria que eu não estivesse aqui quando isso acontecesse. Pediria ao médico e ao pessoal para não dizerem a ele que eu o tinha visitado durante seu estado de coma. Preferia que não soubesse por enquanto.

Aquele dia antes de seguir para minha casa decidi fazer algo que já estava na minha cabeça desde do incidente de James. Dirigi até o restaurante de Lorenzo sabendo que com certeza ele estaria lá. Precisava conversar com ele pessoalmente.

Estacionei o carro e peguei a caixinha preta no porta luvas. Dentro, estavam minhas duas alianças. A de compromisso e a de noivado. Se tinha algo que me matava em tudo isso era ter magoado Lorenzo, só que teria sido muito pior levar esse casamento adiante.

Saí do carro e segui até a porta principal do restaurante. Um funcionário que já me conhecia informou que Lorenzo estava no escritório. Fui até lá e bati timidamente na porta. Ouvi sua voz pedindo para entrar. Respirei fundo e abri a porta. Ele ficou estático quando me viu.

- Desculpa aparecer assim sem avisar, mas fiquei com receio de ligar e não querer me ver - confessei sem jeito.

- Isso nunca aconteceria, Lily. Por favor, sente-se - disse educado indicando a cadeira à frente de sua mesa. Sentei e o encarei sem saber o que dizer. Tudo o que tinha planejado simplesmente se esvaiu da minha cabeça.

- Sinto muito pelo modo como terminei tudo - explicou antes que pudesse dizer qualquer coisa.

- Lorenzo, se alguém aqui deve desculpas, esta pessoa sou eu. Tudo o que eu não queria era te magoar e infelizmente foi só o que fiz - ele negou.

- Você me fez muito feliz, Lily, nunca duvide disso. A culpa foi minha, afinal quando percebi que amava o James eu tinha que ter terminado e não ido em diante com meus planos de casamento. Eu fiz algo infantil, querendo lhe prender a mim como se isso pudesse mudar seus sentimentos.

- Você não tem culpa sozinho, Lorenzo. Eu também agi precipitadamente, ambos agimos - ele assentiu concordando. - Eu quero lhe devolver isso - coloquei a caixinha na mesa.

- Lily, é seu, eu comprei para você - balancei a cabeça, negando.

- Não, Lorenzo, é seu - ele estendeu a mão e pegou a caixinha. - Eu também fui muito feliz com você - confessei. Não pude segurar a emoção e uma lágrima escorreu pelo meu rosto.

Lorenzo foi meu porto seguro. Meu companheiro. Não era tão simples dizer adeus.

- Eu sei, Lily, e quero que seja ainda mais feliz.

- Eu desejo o mesmo, Lorenzo. Você merece. É o homem mais incrível que eu já conheci - ele fez uma careta.

- Infelizmente eu não era o homem certo para você - lamentou.

- Eu queria que tivesse sido - confessei o encarando seriamente.

- Eu também.

- Vai para a Europa? - perguntei mudando de assunto.

- Vou, vai ser bom enfiar a cara no trabalho e me distanciar também.

- Sinto por isso.

- Eu teria que ir de qualquer forma, Lily. Só que agora irei sozinho.

- Espero que dê tudo certo - disse sinceramente me levantando. Lorenzo fez o mesmo.

- Obrigado, desejo o mesmo para você - ficamos em pé só nos olhando.

- Posso te dar um abraço? - pedi sem jeito. Ele deu a volta na mesa e abriu seus braços, eu fui até ele e nos abraçamos. - Obrigada por tudo, Lorenzo - murmurei contra seu peito. Ele beijou minha cabeça.

- Obrigado por tudo, Lily - repetiu minhas palavras e me apertou em seus braços em uma despedida.

Saí logo em seguida e assim que entrei em meu carro chorei. Eu quis tanto amar aquele homem fantástico, mas fracassei. Respirei fundo tentando me controlar. Tudo o que eu queria agora era que ele pudesse seguir sua vida e ser feliz como merecia. Quanto a mim, só o tempo seria capaz de responder.


Olá pessoal! Como estão? Felizes? Nuuuunca, em hipótese alguma eu poderia matar James Potter. Me perdoem pelo suspense e por fazê-los acreditar que era o fim para ele, muito pelo contrário, tem muita história pela frente ;)

Nãããão Deby, James está vivo e logo vai se recuperar, dai veremos como tudo vai ficar, principalmente agora que o noivado de Lily e Lorenzo terminou. Da mesma forma que eu não poderia matar o James, também não poderia matar o Lorenzo, ele não merece isso, ele somente vai sair de cena e esperamos que ele seja feliz na Itália.

Alguém postou esse comentário "Eita porra! Vim ler os comentários antes e tomei um spoiler na cara! NÃO É POSSÍVEL QUE O JAMES MORRA! Isso é mentira! Vai ter um milagre e ele não vai morrer. ELE NÃO PODE MORREEEER." Apareceu como Guest e não sei quem foi, mas acredite seu comentário sim foi um spoiler: aconteceu um milagre e James não morreu ;)

Outra que postou um spoiler foi você ClauMS: "um milagre vai acontecer e que ele vai voltar a vida no próximo capítulo". Querida pode passar pelo estado da aceitação porque o James está vivo sim :)

Eu só queria fazer um suspense Ninha Souma, não poderia tirar o James da Lily, pois ele é a metade dela e um não poderia viver sem o outro. Porém vamos aguardar, eles tem muito o que conversar ainda, e vamos ver sim a reação dele ao saber que Lily ia largar o Lorenzo, algum palpite de como vai ser essa reação? Hehe ;)

Muito obrigada Deby, Guest, ClauMS e Ninha Souma pela reviews e até o próximo capítulo. Beijos :*