Somebody to Love You
Capítulo 25
Rachel estava enraizada em seu lugar, quase incapaz de processar o que estava vendo. Enquanto isso, Giselle sorria maldosamente enquanto apertava sua mão no braço de Jesse. Este abriu a boca para falar, mas o que quer que dissera fora sufocado pelo rugido nos ouvidos de Rachel. Uma fúria ardente e envolvente a engolfou, tirando-se de seu transe momentâneo, enquanto ela avançava cheia de determinação para a vocalista rival.
"Como ousa?" Rachel questionou.
"Rach, me deixa explicar. Não é o que parece!" Jesse protestou.
Rachel nem mesmo lhe dirigiu um olhar. Seu foco total estava em Giselle. Com os olhos brilhando, ela parou a poucos milímetros da garota mais alta, disparando-lhe um olhar cheio de inalterada repugnância.
"Tire as patas dele".
Erguendo-se ao máximo de sua altura, Giselle sorriu desdenhosamente para a garota à sua frente.
"Quem vai me forçar?"
"Eu".
Jesse assistiu em choque quando Rachel jogou-se adiante. Apesar de ser menor, seus anos de balé e elíptico haviam lhe recompensado com uma força que poucos sabiam que ela possuía. Agarrando a mão de Giselle, Rachel arrancou-a do braço de Jesse e então empurrou a outra garota de modo que a mandou voando contra a parede. Jogada de seu centro gravitacional, Giselle tropeçou antes de cair nada graciosamente no chão. De sua posição de queda, ela deu um olhar suplicante a Jesse.
"Vai deixar que ela escape me tratando assim, Jesse? Ela só é uma ninguém do glee club perdedor de McKinley. Ela não significa nada pra você. Faça-a desculpar-se. Diga a ela que está usando-a de novo. Explique que a sua lealdade é do Vocal Adrenaline. Sempre foi e sempre vai ser".
Enquanto esperava que Jesse a defendesse, Giselle viu em choque a sua expressão ficar sombria. Os olhos dele, frios como gelo, refletiam profundo nojo, e ela repentinamente percebeu o quanto errara. Agudamente ciente de sua atual vulnerabilidade, ela ergueu-se, louca para colocar tanto espaço quanto possível entre si mesma e o rapaz que só vira assim bravo em apenas mais uma ocasião – imediatamente depois do banho de ovo de Rachel Berry. Lembrando-se da violência verbal que ele disparara contra ela na época, ela começou a recuar devagar, receosa de provocar a fúria dele mais uma vez. Contudo, incapaz de engolir uma última alfinetada, ela capturou os olhos de Rachel e, com a voz cheia de veneno, cuspiu o que esperava ser uma frase esmagadora.
"Ele só importa consigo mesmo. Você nunca vai ser algo além de mais uma na cama dele, ou então um meio para um fim. Ele é cruel e desalmado. É incapaz de sentimentos verdadeiros, e você é uma idiota se pensa o contrário".
Rachel não conseguiu impedir que lágrimas jorrassem de seus olhos diante das palavras odiosas da outra garota. Virando-se em uma esforço de impedir que Giselle visse o efeito de sua alfinetada, Rachel literalmente esbarrou em Nate. Preocupado com a duração do tempo que seus amigos haviam desaparecido, ele viera à sua procura. Esperando encontrá-los aos amassos, estava despreparado para a cena a sua frente. Observando os diversos rostos – o de Rachel, molhado de lágrimas; o de Jesse, furioso; e o da morena desconhecida, triunfante – sua própria raiva veio à tona. Agindo em instinto e movendo-se tão rápido que nenhum dos outros teve tempo de discernir seus propósitos, sua mão cerrou-se em um punho que, sem aviso, bateu com toda força no queixo de Jesse. Este gemeu de dor, mas não se esforçou para defender-se.
"Você jurou que ia tratá-la direito desta vez".
"E vou. E estou. Isso é um grande mal-entendido. Você tem que acreditar em mim".
"Por que deveria?"
"Porque estou falando a verdade".
Consciente dos diversos olhares curiosos que suas atitudes estavam provocando, Jesse puxou Nate de lado. Abaixando a voz quase em um sussurro, ele tentou defender seu caso o mais rápido e calmo possível.
"Eu sou inocente na história, cara. A Giselle me encurralou quando eu tava saindo do banheiro. Eu estava pra mandá-la pro diabo quando a Rachel nos pegou. Qual é. De todo mundo, você devia saber o que Rachel significa pra mim. Eu tenho sido absolutamente sincero contigo sobre ela desde que nos conhecemos".
Nate assentiu em silêncio, examinando as palavras de Jesse. Finalmente, chegou a uma conclusão.
"Tá. Acredito em ti".
"Graças a Deus. Agora preciso que você me faça um favor".
Nate ouviu calado enquanto Jesse falava, e então assentiu concordando. Virando-se, Jesse sentiu o coração apertar quando percebeu que Rachel desaparecera. Giselle, por sua vez, por motivos que Jesse nem mesmo podia começar a imaginar, havia ficado para trás. Enquanto ela o encarava sem piscar, sua expressão endureceu mais uma vez. Fechando a distância entre eles com alguns passos, ele brecou a milímetros de distância da garota que veria alegremente desaparecer – mas não antes que ela lhe contasse o que precisava saber. Agarrando-a pelos ombros, ele a forçou a encará-lo.
"AI! Jesse, me solta! Tá me machucando!"
"Acha que eu ligo pra isso? Do jeito que me sinto por ti agora, eu acharia com a maior alegria algum jeito de assegurar que você e essa sua bunda seca fossem expulsas do Vocal Adrenaline definitivamente. É seu único e último aviso. Fica. Longe. Da. Rachel. Se eu descobrir que você chegou perto dela, ou a contatou de algum modo, não vai gostar das conseqüências. E outra coisa. Nunca mais me toca de novo".
Ela estremeceu sob seu aperto de ferro, com pavor refletido nos olhos.
"Você é louco!"
"Talvez".
"Tudo isso por causa da veganzinha? Ela não vale o seu tempo, Jesse! Ela só vai te arruinar!"
"É você que não vale o meu tempo, Giselle, de modo que assim que você responder minha pergunta, pode se mandar".
"Por que eu devo te falar algo?"
As mãos de Jesse moveram-se, lenta e deliberadamente, dos ombros ao pescoço dela.
"Porque estou com uma forte vontade de arrancar as suas cordas vocais. Você não quer brincar comigo".
Notando a determinação nos olhos dele, ela bufou um suspiro resignado.
"O que quer saber?"
"Pra onde a Rachel foi?"
"Mas é claro. É tudo por causa dela. Eu não te devo nada, St. James. Descubra sozinho", ela cuspiu amargamente.
Um traço de ameaça estava evidente na voz dele quando ele respondeu.
"Ah, você me deve muito. Foi ideia sua jogar ovos nela. Foi você que ficou plantando idéias durante os ensaios sobre minha deslealdade ao time. Foi você que os fez questionar a minha fidelidade".
"Então sem mim ela não teria te odiado? Vai sonhando, Jesse. Você teria ferrado com tudo eventualmente por si mesmo. Você é defeituoso. Não nasceu pra um relacionamento sério".
Giselle de repente sentiu uma pressão forte em torno da sua garganta.
"Vamos tentar mais uma vez, Giselle. Cadê a Rachel?"
O pavor nos olhos dela aumentou quando ela começou a sufocar.
"Ela sumiu. Saiu correndo. Você tá atrasado, namoradinho", ela engasgou.
Diante da expressão maldosa no rosto de Giselle, Jesse teve que sufocar o impulso crescente de esganá-la. Afrouxando seu aperto subitamente, ele encarou-a, com o olhar abertamente cheio de desprezo.
"Você já causou muito dano por uma noite, Giselle. Se manda".
"E se eu não quiser?"
Ela sobressaltou-se com o som de uma voz inesperada atrás de si.
"Então vamos te persuadir a ir", Nate declarou.
Virando-se, ela viu-se cara a cara com um estranho, bem como dois rostos muito familiares – nenhum dos quais exibia o menor traço de prazer ao vê-la.
"Quando o Nate me falou que tínhamos um problema, eu devia saber que era você, Giselle. Qual vida você quer destruir hoje?" Vincent perguntou, com a expressão pétrea.
"Não tenho nada a te dizer, Mezzanotte".
"E a mim, Gi? Você não tem nada a dizer a mim?"
Sua expressão desafiadora sumiu, substituída por um olhar de profundo arrependimento.
"Stefan..."
Ele ergueu uma mão para calá-la.
"Não se perturbe. Não tem nada que possa sair da sua boca que me interessasse em ouvir". Ele deu um meio-sorriso antes de continuar. "Eu agradeço todos os dias ao Jesse por abrir os meus olhos... Pra me revelar que tipo de pessoa você realmente é".
"Por favor, Stefan", ela tentou de novo, mas ele a interrompeu uma segunda vez.
"Você devia se voltar pra pedra da qual você saiu", sugeriu.
As palavras dele a atingiram como um tapa na cara, e ela estremeceu como se tivesse sido acertada. Antes que pudesse formular uma resposta, sentiu-se cercada pelos três rapazes. Nate e Vince agarraram cada um, um de seus cotovelos, enquanto Stefan mantinha-se a uma distância curta, com cuidado para não tocá-la.
"Vamos acompanhá-la até a rua", Nate lhe informou.
"É, é o cavalheiresco a se fazer", Vince acrescentou sem um traço de ironia.
"Lembre-se, Giselle: o Jesse não quer nada contigo. E nem eu", Stefan firmou.
"Não mereço ser tratada assim!" Ela bufou indignada, enquanto era praticamente arrastada à saída.
"Tem razão", Vince retrucou, com a voz cheia de sarcasmo. "Você merece algo muito pior, mas somos bons rapazes".
"E eu não te conheço, mas parece que você tem uma má fama circulando", Nate observou.
"O destino é uma desgraça", Stefan concluiu quando o trio empurrou Giselle sem nada de gentileza na calçada.
Enquanto a furiosa garota corria para seu carro, os rapazes trocavam tapas e soquinhos de parabéns.
"Isso foi surpreendentemente bom", Stefan admitiu.
"Vingar-se de uma ex nunca é ruim", opinou Nate.
"Agora que jogamos o lixo fora, vamos entrar e cantar", sugeriu Vince.
Rindo juntos, eles cruzaram a multidão de volta à mesa. Grace, vendo-os aproximarem-se, estranhou quando notou a ausência de Jesse e Rachel.
"Cadê eles?" Perguntou ao primo sem rodeios.
"Achamos que estão lá fora. Esperamos que estejam juntos".
Amy, Grace e Julia viraram-se para Nate com evidente curiosidade.
"O que houve?"
"Uma guria da escola deles", Nate aprontou pra Vince e Stefan enquanto falava, "deu em cima do Jesse. Não ouvi muito do que ela disse, mas ela deixou a Rachel aos prantos. Enquanto o Jesse me explicava por que eu não devia matá-lo de porrada, a Rachel sumiu. O Jesse foi atrás dela?"
"Ele fodeu com ela?" Amy foi, como sempre, direto ao ponto.
"A Giselle? Ou a Rachel?"
"As duas. Qualquer uma. O que quer que vá ajudar a fazer isso", Grace respondeu.
"O Jesse dormiu com a Giselle uma vez, há anos, logo depois que ela entrou no Vocal Adrenaline", Stefan admitiu. "Foi uma ficada de uma noite só, nada mais. Já a Rachel... Eu não faço ideia".
"Ele me jurou que não fez nada com ela no sentido figurativo, e acredito nele", Nate declarou.
"Você acha que a Rachel vai acreditar?"
Grace tentou, sem sucesso, manter a preocupação da voz.
"O passado deles pode levá-la a conclusões precipitadas, mas não pode dizer com certeza. Espero que sim", Nate declarou fervorosamente.
De repente, nenhum deles, sentiu-se com vontade de cantar. Pediram mais drinques e, no esforço de passar o tempo enquanto ansiosamente esperavam pelo retorno do casal que todos concordavam estar louco um pelo outro, começaram a trocar histórias sobre si mesmos, e sobre Jesse...
No segundo em que teve certeza de que Giselle e sua tóxica presença seriam controladas, Jesse correu para fora. Olhando desesperadamente ao redor, ele exalou de frustração. Rachel não podia ser vista em lugar algum. Tentando colocar-se no lugar dela, ele revirou a mente atrás de descobrir exatamente aonde ela teria ido. Optando por confiar em seus instintos, ele dobrou à esquerda, dirigindo-se aonde, no estacionamento, tinham deixado o Range Rover. Ele suspirou aliviado quando avistou a silhueta delicada de pé perto do imenso veiculo. Pressentindo a aproximação dele, ela aprumou-se, mas não se dirigiu até ele.
Acelerando os passos, ele estava ao seu lado em um flash, antes de parar subitamente. Apesar de seu primeiro impulso foi o de tomá-la nos braços, estava ciente demais de que ela bem poderia estar furiosa com ele. A escuridão tornou seu rosto normalmente expressivo ilegível.
"Rach, por favor, me deixe explicar. Não foi nada do que pareceu..."
As palavras morreram enquanto ele esperava por sua resposta. Cruzando o pequeno espaço entre eles, ela ergueu as mãos e ele se preparou para um tapa. Em vez disso, ela colocou os dedos gentil, mas firmemente em cada lado do rosto dele e, movendo-se de modo que estavam banhados pela luz fraca do poste mais próximo, olhou nos olhos dele com uma intensidade que lhe causou arrepios.
"Eu te amo".
Por um momento, foi como se coração dele tivesse parado de bater, e sua respiração arrancada do peito. Certo de que devia estar sonhando, ele balançou a cabeça para desanuviá-la.
Você acabou de dizer que me ama? Apesar de tudo que a Giselle fez e disse essa noite, sem uma explicação, você ainda acredita em mim?
"Desculpa, achei que você disse..."
O olhar dela, claro e firme, nunca vacilou quando repetiu sua declaração.
"Eu te amo".
Não havia erro. Ela dissera novamente, sem hesitar. Em um momento em que ele menos esperava, quando estava aterrorizado que ela tivesse entendido mal a ceninha que Giselle causara, fora quando ela finalmente escolhera vocalizar o que ambos sabiam estar no coração dela há semanas, senão há meses. Ele estava tão cheio de euforia que pensou que podia explodir. Erguendo uma mão ao rosto dela, ele acariciou sua face, sorrindo quando ela se inclinou em seu toque. A intensidade repentina nos olhos dele refletiu a dela de antes.
"Eu também te amo".
Naquele instante, foi como se o resto do mundo desvanecesse. Como se nada nem ninguém mais existisse a não ser eles. Enrolando as mãos na camiseta dele, ela o puxou para si, enquanto os braços dele rodearam sua cintura. Seus lábios roçaram-se, a centímetros de distância, até que nenhum deles conseguiu suportar um segundo a mais. Seus lábios se encontraram e uniram, em um beijo que foi lento, e profundo, e gentil. Tudo que eles sentiam foi canalizado na união de suas bocas. Depois de muitos minutos, eles se afastaram apenas o bastante para poderem olhar um nos olhos do outro. Notando que os olhos de Jesse estavam suspeitamente úmidos, Rachel esticou-se e afastou gentilmente uma mecha rebelde da testa dele antes de mover os dedos para acariciar sua face levemente.
"Você está legal?"
"Legal? Ah, eu tô bem melhor que 'legal'. Nunca me senti tão bem em toda a minha vida".
"Eu também tô me sentindo muito bem".
"Exceto pelo fato de que você tá congelando", ele observou, quando o corpo dela estremeceu em seus braços.
"Talvez seja uma reação ao seu beijo", ela murmurou sugestivamente.
"Não que eu não poderia inspirar esse tipo de reação em você, mas sei que não é isso dessa vez. Estamos no lado externo sem agasalho no fim de novembro, e você tá tremendo".
Jesse moveu-se rapidamente para destrancar o Range Rover, e ele e Rachel entraram no banco de trás. Quando ele jogou um braço por cima dos ombros dela, ela aninhou-se contente no corpo dele, com uma mão traçando padrões distraídos na coxa dele. Ela falou sem encará-lo.
"Tem um tempinho que eu quero dizer isso".
"Eu também. Quando você soube?"
"Bom, eu não admiti pra mim mesma até pouco depois de você me mandar aquela foto. Mas eu sabia, no fundo, por muito mais tempo que isso".
"Desde quando..."
"... Achei aquele CD no meu porta-luvas. Assim que eu ouvi a sua voz, mesmo depois de um dia realmente péssimo, era como se tudo estivesse certo no mundo. Eu não entendia no começo. Estava namorando o Finn de novo, mas lá havia... não sei... um vazio no fundo de mim. como se algo estivesse faltando. E a única hora em que eu não me sentia assim era quando te ouvia cantar. Ou mandava mensagem ou falava contigo. Não demorei pra perceber o que o que eu sentia era bem mais que amizade. E você?"
"Quando de afastei de ti no estacionamento do McKinley".
Ela recuou para examinar o rosto dele, com os olhos questionando silenciosamente. Os lábios dele roçaram a testa dela antes que ele continuasse sua história.
"Me acertou como um soco no estômago. Eu disse as palavras naquele dia, mas me assegurei de as colocar no passado para não revelar o quanto eu estava envolvido. Não podia suportar o que tinha te feito, e tudo que eu queria era me virar, correr pra ti e implorar que me perdoasse. Mas é claro que eu não podia fazer isso. Então colei minha showface no lugar e me joguei nos preparativos pras regionais".
"Você me ama desde esse tempo?"
A voz dela tinha uma nota de surpresa.
"Eu acho que comecei a me apaixonar com você no momento em que cantamos 'Hello', mas ficava me convencendo do contrário. Quando me deparei com a tua perda, não pude mais negar".
"Queria que você tivesse me contado. Sofri por você o verão todo".
"Primeiro, eu estava pra ir pra UCLA. Não imaginei que você topasse a tal da distância. Mas, mais importante, você estava completamente furiosa comigo. Até onde eu sabia, você me odiava, e com bons motivos. Achei que te daria tempo e espaço..."
"Quer dizer que sempre planejou me contatar de novo?"
Só você pra perceber isso.
Ele riu suavemente antes de responder.
"O plano era esse. Na hipótese de que eu pudesse juntar coragem, é claro. Eu sonhei por semanas sobre como eu apareceria na sua porta – por essa época do ano, na verdade – trazendo flores, aquele latte de soja que você tanto ama, e dois ingressos para um fabuloso musical da Broadway. Eu faria serenata com uma das minhas músicas de perdão, imploraria que me perdoasse..."
Ela não pôde evitar a curva de seus lábios enquanto ele delineava sua estratégia para reconquistá-la.
"E como isso funcionava, nos seus sonhos".
"Variava. Algumas vezes, você caía nos meus braços, beijava-me com abandono e me arrastava pro seu quarto, onde fazíamos um sexo louco e apaixonado. Outras vezes, você me esculhambava, pisava nas flores, jogava o latte no meu rosto e dava um chute brutal em uma parte particularmente sensível da minha anatomia".
"Posso ver por que então você ficava nervoso", ela retrucou, com uma fina camada de riso evidente bem abaixo da superfície.
"É. Mas aí o Chris me falou sobre a Sunshine, o que me deu uma razão legítima pra te contatar alguns meses antes do planejado, e de um jeito que não me expunha a potenciais danos físicos".
"Fico tão feliz que você tenha se arriscado", ela murmurou.
"Fico tão feliz que você tenha me deixado reentrar a sua vida", ele retrucou enquanto estreitava seu abraço nos ombros dela.
Eles ficaram sentados juntos, calados, inteiramente confortáveis um com o outro, até que ela se lembrou de algo que tinha intrigado-a antes. Virando-se contra ele, ela gentilmente correu a polpa de seu polegar contra a maçã do seu rosto, como se enxugasse uma lágrima invisível.
"Você pareceu meio emotivo antes. Quer falar sobre isso?"
"Eu não podia acreditar no que você tinha feito por mim".
Ela pareceu genuinamente perplexa à resposta dele.
"O que foi que fiz por ti?"
"Acreditou em mim. sem questionamentos. Me viu com a Giselle, com as mãos dela em mim; ela fez acusações horríveis sobre as minhas intenções e mesmo assim... você não tomou conclusões precipitadas. Não imediatamente pensou no pior. Confiou em mim e nem mesmo pediu explicações. Fiquei simplesmente assoberbado com a fé que você demonstrou em mim... Na gente".
"Se ainda fosse a nossa primeira tentativa, eu teria chegado a todos os tipos de conclusões, e provavelmente estaria certa. Mas, nos meses em que voltamos a nos falar, você não me deu motivo qualquer pra duvidar de ti. Você tem sido um bom amigo. Me apoiou quando ninguém mais o fez. Me deu bons conselhos – até mesmo sobre o Finn – quando não tinha nada a ganhar fazendo-o. E fez de tudo pra estar do meu lado. Você se submeteu a interrogatórios incrivelmente pessoais pelos meus pais. Provou a si mesmo diversas vezes. Confio em você, total e sem reservas.
"Então por que a Giselle conseguiu te fazer chorar?"
Rachel abaixou o rosto, repentinamente sem vontade de encarar Jesse. Ele apoiou um dedo sob o queixo dela, erguendo gentilmente o seu rosto.
"É bobagem".
"Qual é, Rach. Sabe que não vou te julgar".
"Eu me senti mal... Por você. Ela tava soltando todo aquele lixo sobre você e isso só... não sei... me deixou triste".
Ele gemeu.
"Você percebe que foi provavelmente ver as suas lágrimas que fez o Nate decidir me bater".
"Ele te bateu?"
A face dela exibiu o choque que sentiu à revelação dele.
"Você não sabia?"
"Não. Assim que ele apareceu, eu me mandei. Desculpa, mas tive uma vontade sufocante de me afastar da Giselle e de todo o veneno dela".
Os olhos dela cuidadosamente examinou cada centímetro do rosto dele, procurando por hematomas. Quando os dedos dela deslizaram por seu maxilar, ele os segurou com os seus e ofereceu um sorriso reconfortante.
"Eu estou bem. Juro. Ele não causou nenhum dano permanente".
"Não acredito que ele fez isso. Ele mal me conhece".
"Vocês podem ter acabado de se encontrar, mas falei muito de você a ele. Acho que ele meio que se imagina como o seu novo irmão mais velho".
"Ah, que doce. Fico emocionada".
"Ele é um cara de muita confiança, mesmo que tenha exagerado na sua defesa hoje à noite".
Eles ficaram calados mais uma vez. Envolvidos pela escuridão, seus instintos naturais subiram à tona. O braço de Jesse caiu para a cintura de Rachel, e a mão dele subiu por baixo da blusa dela, traçando círculos acima do cós de sua saia. Os dedos dela começaram a deslizar pela coxa dele, e ele gemeu de prazer. Precisando ficar mais próximos um do outro, ela se virou e estava para 'montar' no colo dele quando uma batidinha na janela do carro os sobressaltou. Avistar Nate espiando-os, com um sorrisinho cúmplice, fez os dois rirem. Tirando Rachel de seu colo, Jesse abriu a porta e saiu para o asfalto.
"Olha, vocês dois ainda estão vivos. E obviamente se falando. O que é um alívio já que a gente tava apostando se ela tinha te matado ou não", Nate brincou.
"Estamos bem. Estamos ótimos", Jesse assegurou ao amigo.
"Isso é ótimo. Então talvez vocês possam voltar lá dentro e se unir à gente naquele grande número em grupo que temos discutido? Não podemos fazer isso sem nossas estrelas".
"Bom... Quando você coloca assim... Não podemos manter a platéia esperando", Rachel aconselhou a Jesse, que revirou os olhos afetuosamente para ela.
Enquanto retornavam, de braços dados, para o Key 'o Kara, Jesse inclinou-se para dar um beijo casto no rosto de Rachel. Movendo a boca sobre o rosto dela, ela sentiu a carícia de sua respiração quente quando ele murmurou palavras apenas para seus ouvidos.
"Eu te amo".
"Eu te amo", ela murmurou em resposta.
"Te ouvir dizendo isso me deixa louco".
"Vou me lembrar disso", ela prometeu.
De mãos dadas, eles aceleraram os passos para poderem alcançar Nate, que havia acabado de entrar no interior abençoadamente quente do bar. Quando se aproximaram de sua mesa, cinco pares de olhos fixaram-se em expectativa.
"Olha só quem eu encontrei!" Nate anunciou como se tivesse esbarrado em amigos há muito perdidos.
"Onde vocês estavam?"
"Vocês estão bem?"
"Ela te fez implorar esse tempo todo?"
"Por que estão com esses sorrisos idiotas no rosto?"
As perguntas vieram rápidas e furiosas, e Jesse jogou as respostas em uma sucessão igualmente veloz.
"Lá fora. Sim. Não. Que sorrisos idiotas?"
Rachel instalou-se ao lado de Grace, que prontamente atraiu a atenção de Rachel com um toque leve em seu ombro. Mantendo a voz baixa, ela fez algumas perguntas próprias.
"Você falou com o Kurt? Ele vai guardar o seu segredo?"
"Vai. Foi bem mais fácil de convencê-lo do que eu esperava".
"Ele te viu com o Jesse?"
"Viu".
"Aposto que foi só isso que precisou pra convencê-lo".
"Talvez. Mas tinha essa energia estranha entre eles dois. Ainda não falei com o Jesse sobre isso, então não sei isso influenciou ou não a decisão do Kurt".
"E quanto àquela garota, a tal Giselle? O Nate disse que ela é uma figura".
"Eu diria que ele está sendo bom até demais", interferiu Jesse, tendo ouvido a última frase de Grace.
"A Giselle não é um problema", Rachel assegurou à garota ao seu lado.
"Fico feliz de saber. Então tudo está bem entre vocês dois?"
"Nunca esteve melhor", eles disseram em coro.
De seu lugar do outro lado da mesa, Vince estalou os dedos para chamar a atenção de Jesse. Este relutantemente deixou de olhar Rachel para se focar em seu ex-colega de escola.
"Está ficando tarde, e acho que me lembro que vocês têm um prazo, então se vamos fazer isso", ele apontou para o título no catálogo que tinham concordado, "devíamos fazer logo".
"Vamos logo".
Levantando-se juntos, os oito adolescentes subiram ao palco. Jesse, Rachel, Vince e Julia assumiram suas posições diante dos microfones enquanto os outros se espalharam em torno deles. Todos começaram a se mover no ritmo do solo de abertura do violão, e então os quatro principais começaram a cantar.
Another turning point, a fork stuck in the road
Time grabs you by the wrist, directs you where to go
So make the best of this test and don't ask why
It's not a question, but a lesson learned in time
Stefan, Amy, Grace e Nate uniram-se no refrão. Quando uniram suas vozes, a harmonia explodiu, causando um silêncio na multidão.
It's something unpredictable, but in the end it's right
I hope you had the time of your life
Quando as últimas notas tocaram, a plateia os encheu de aplausos. Depois de abraçar Jesse, Rachel aproximou-se de Grace.
"Foi tão ruim assim?"
"Não. Foi ótimo", Grace admitiu, sorrindo.
"Teremos então que te empurrar lá pra cima de novo, logo", Rachel prometeu.
"Só se vocês estiverem comigo", Grace insistiu.
"Combinado".
Todos estavam reunidos em torno do Range Rover de Jesse, relutantes em ver a noite chegar ao seu final. Trocaram números de telefone e abraçaram-se quando começaram a se despedir. Julia foi a primeira da turma de Akron a se aproximar de Rachel.
"Eu me diverti muito. Fico tão feliz que o Vince tenha me deixado vir junto", Julia declarou.
"Eu também. Gostei muito de conhecer você", Rachel admitiu.
"Espero que possamos fazer isso de novo algum dia".
"Eu gostaria disso".
Quando Julia se afastou, Stefan era o próximo da fila.
"Você é exatamente o que o Jesse precisa na vida dele", opinou Stefan. "Ele finalmente encontrou alguém que pode aturá-lo, porque vocês são tão parecidos. E falo isso no bom sentido", acrescentou enquanto a puxava para um abraço rápido.
"Obrigada. Ele é exatamente o que eu preciso também, então acho que temos uma boa chance".
"Eu sei que tem".
Com essas palavras de despedida, Stefan dirigiu-se a Amy, e Vince tomou o seu lugar.
"Devo te contar que nunca vi o Jesse tão feliz, em todo o tempo que o conheço. É óbvio que ele é completamente apaixonado por você. Inferno, hoje ele foi uma fera em cima da Giselle em sua defesa. Ele quase a matou de medo, e ela não se assusta tão fácil".
Notando a pergunta silenciosa nos olhos dela, ele balançou a cabeça.
"Peça que ele te conte".
E abraçou-a calorosamente.
"Boa noite, Rachel Berry. Tenho certeza que vamos nos ver logo".
"Vou gostar disso. Tchau, Vince".
Quando Julia, Stefan e Vince se dirigiram para o carro deste, Jesse virou-se para Nate e lhe deu suas chaves.
"Acho melhor você dirigir, Steadman".
"Hum, por quê? Você não está bêbado".
"Não, mas os pais da Rachel me fizeram prometer que eu dirigiria como se eles estivessem do meu lado, e já que estamos saindo um pouco mais tarde do que o planejado e ela tem um prazo..."
"Não diga mais nada. Meu pé direito e eu vamos ficar felizes de bancar o chofer. Ei, Ames", ele chamou a prima, "já que eu sei que a Gracie vai cochilar no banco de trás, por que você não senta na frente e me faz companhia?"
"Claro", ela respondeu, concordando.
Quando os cinco adolescentes entraram no automóvel, Grace e Rachel se acomodaram em cantos opostos, enquanto Jesse ocupou o espaço entre elas. Ele imediatamente abraçou Rachel pela cintura, e ela apoiou a cabeça no ombro dele. Estavam na estrada há apenas alguns minutos quando ela lembrou-se do comentário de Vince sobre as ações de Jesse mais cedo naquela noite.
"O que aconteceu entre você e a Giselle hoje?"
"Eu disse a ela pra ficar longe de você".
"Só isso?"
"Basicamente. Por que a pergunta?"
"O Vince indicou que era mais do que isso".
"Ele tem razão", Nate interferiu. "O Jesse está sendo estranhamente modesto".
"Steadman..."
O tom de Jesse continha uma nota de aviso que Nate ignorou abertamente.
"E daí que você a apavorou fingindo que ia esganá-la? Qual o problema?"
Rachel arregalou os olhos quando encarou Jesse.
"Você fez mesmo isso?"
"Fiz".
"Por quê?"
Seu alívio à ausência de julgamento dela na única palavra foi palpável.
"Queria me assegurar que ela nunca mais perturbasse você, ou a mim, de novo. E eu precisava que ela me contasse pra onde você tinha ido. Já que ela não tinha motivo nenhum pra concordar com qualquer uma dessas coisas, achei que precisava de um método melhor de persuasão".
"Funcionou?"
"Bom, ela me deu detalhes o suficiente pra poder te achar. Além disso, não sei".
"Ela ainda estava bem desafiadora quando nós a levamos pra fora", Nate confessou. "Mas acho que ela entendeu a mensagem".
"Obrigada, aos dois, por me defenderem".
"De nada, Rachel", Nate assegurou a ela, antes de concentrar sua atenção à estrada.
"E você não precisa me agradecer, Rach. Sempre vou te apoiar, isso é uma promessa".
Ela lhe deu um radiante sorriso antes de beijar levemente seu queixo, aninhando-se ainda mais em seu abraço.
Enquanto os quilômetros passavam, a conversa diminuiu. Grace, como presumido, dormiu logo, enquanto Nate e Amy caíram em reminiscências sobre antigas reuniões de família e encontros estranhos com parentes raramente vistos. O jazz suave de um dos CDs mixados de Jesse soava pelos alto-falantes causando uma atmosfera relaxada. Jesse e Rachel falavam em voz baixa, nada cansados apesar do adiantado da hora.
"Você se divertiu?"
"Muito. Seus amigos são ótimos".
"Eles também gostaram de você. A propósito, como se sai ficando quieta?"
Ela virou sua cabeça para encará-lo, intrigada com a mudança abrupta de assunto. A expressão enigmática dele não deu pistas, mas suas ações logo responderam todas as perguntas dela, pois a mão dele deslizou de sua cintura e veio pousar na beira de sua saia, antes de escorregar por sua coxa, acima de suas meias. Ela ofegou, e ele capturou sua boca com a dele, abafando mais sons enquanto seus dedos deslizavam ainda mais acima. Suas línguas entrelaçaram-se silenciosamente enquanto os dedos dela enroscaram-se no cabelo dele, e sua outra mão escorregou por baixo da camiseta dele, ansiosa por sentir o calor de sua pele, os batimentos do seu coração.
Ela gemeu suavemente à perda súbita de contato quando a mão dele afastou-se ainda mais do lugar que ansiava por seu toque. Os lábios dele curvaram-se contra os dela quando sua palma deslizou por trás dela, tocando gentilmente sua nádega nua. Rompendo o beijo, ele aproximou a boca do ouvido dela.
"Adorei essa surpresa", murmurou com voz rouca.
"Achei que fosse gostar", ela ronronou, sedutora.
O coração dele acelerou e suas calças apertaram-se perceptivelmente quando ela silenciosamente estendeu uma perna sobre as dele, fazendo sua saia erguer-se e deixando-a ainda mais aberta à exploração dele. Aceitando o convite implícito, ele trilhou os dedos acima até chegarem à beira de sua lingerie. Ela torceu-se silenciosamente de antecipação. Ele estava tão perto...
"Ei, St. James".
A voz de Nate rompeu a névoa de sua luxúria, sobressaltando a ambos. Rachel imediatamente reposicionou a perna em uma posição mais comportada, enquanto Jesse recolocava a mão na cintura dela. Ele pediu desculpas em silêncio antes de dirigir a atenção ao amigo.
"O que foi, Steadman?"
"Vamos precisar de combustível. Qual a distância do posto mais próximo?"
Olhando janela afora, Jesse ficou aliviado de perceber que estavam aproximando-se de uma área conhecida. Depois de indicar o retorno mais próximo para a estrada, e aceitando que o clima havia acabado, ele e Rachel trocaram sorrisos marotos. Procurando um lençol no banco de trás, Jesse trouxe Rachel para mais perto ao envolver ambos em uma manta quente. Aninhando-se um no outro, fecharam os olhos. Em minutos, ambos caíram no sono.
