Disclamer: Saint Seiya não me pertence, nem seus personagens.

Esta é uma fic yaoi, ou seja contém relacionamento homossexual entre homens.

Esse extra é parte integrante do Capítulo 19 de Aprendendo a Seduzir

Extra: Seiya

Seiya POV

— Não quero ouvir mais nem uma palavra sobre isso – ela disse alto. – Você tem que fazer, e tem que ser imediatamente.

Mergulhado numa desconfortável poltrona, que embora tivesse sido recentemente forrada de seda azul-pálido estava na família por aproximadamente um século, eu disse somente:

— Precisa gritar desse jeito? Estou com uma dor de cabeça infernal.

— Parece que tenho que gritar – ela disse, andando de um lado para o outro na frente da minha poltrona. – Porque você está claramente insensível, não quer raciocinar. Estou te dizendo, Seiya, esta é a única maneira.

— Sim, mas querida... – eu falei, levantando o rosto que havia mergulhado nas mãos, e olhando pra ela com uma cara péssima – isso é tão drástico!

— Tempos drásticos pedem medidas drásticas. – Ela disse simplesmente, pondo fim a discussão, e então se virou.

Linda como nunca num vestido de musselina rosa pálido, caminhou até o recamier aos pés da cama e retirou um ornamentado vestido de festa de uma de suas inúmeras sacolas de compras atirando-o pra mim.

— Tome, querido – disse – Veja o que pode fazer com isso. Virou um emaranhado só.

Eu troquei a poltrona em que estava por um chaise-longue de veludo, mais confortável.

— Querida... – eu tentava desfazer os nós dos fios de contas do vestido.

— Sim? – ela respondeu mirando seu próprio reflexo no espelho de corpo inteiro do armário

— Ele sabe? – eu perguntei preocupado.

Ela piscou, valendo-se dos bastos cílios negros para dissimular por um instante seu olhar, perguntando:

— 'Quem' sabe, Seiya?

— O Camus, é claro – eu disse baixinho. – Quem você achava que fosse?

Ela levantou as sobrancelhas perfeitamente contornadas

— Do que você está falando? – perguntou. – É óbvio que ele não sabe.

— Você tem certeza? – Eu a olhei intrigado – Porque naquela noite eu poderia jurar que o Hyoga havia desconfiado de alguma coisa. Esse sumiço dele...

— Não seja bobo, querido – ela fez um gesto de descaso com a mão – . Você está aqui, não está? Se ele soubesse de alguma coisa, você nem teria conseguido sair do país, pra começar. Talvez tenhamos que ser mais cautelosos no futuro, mas vai valer a pena, não vai?

— Claro que sim. – Eu respondi, embora estivesse começando a ter dúvidas quanto a isso. – O Camus... Ele te disse algo? No telefone? Algo que indicasse que poderia... saber?

— Pare com isso. - Ela caminhou até o console da lareira e arrumou uma estatueta, depois se virou para mim outra vez – Eu estou te dizendo: ele não tem nem idéia.

— Mesmo? – Eu perguntei – Porque eu tenho certeza de que alguém anda me seguindo.

— Seguindo você? Ora, Seiya, faça-me o favor! Quero dizer, você não pode estar achando... – Só então sua auto confiança pareceu balançar um pouco. – Bem... ele estava um tanto diferente da última vez.

Eu olhei pra ela assustado:

— O que está querendo dizer?

— Bem, ele não quis... você sabe... durante algum tempo...

— E você acha que ele desconfia, por isso...

— Não! – Ela me interrompeu – É claro que não. – Ela respirou fundo com desagrado - Só está apaixonado, o idiota. – Sua careta de desgosto aumentou - Por Milo Scorpion. – Ela fez outro gesto de descaso com a mão - Pelo menos é o que estão todos comentando, sabe. Que eles estão tendo um caso. – Ela soltou o ar dos pulmões outra vez - Na verdade, eu já suspeitava de algo assim da última vez que o vi. Estava escrito na testa dele. Bem que eu falei que aquele Afrodite era uma influência péssima.

Eu estava atônito.

— Mas não pode ser! – Exclamei. – De jeito nenhum. Você não pode deixar isso acontecer. Você precisa mantê-lo interessado, Sao. Não podemos deixá-lo desistir. Não agora.

— Sei disso. – Disse ela dando uma piscadela – Acha que não tenho consciência disso? Não se preocupe. Tenho um belo plano. E é por isso que estou te dizendo, querido: Você tem que fazer isso. – Ela continuou incansável. – Eu arrumarei tudo. Então só vá para o seu quarto, faça as malas, e pegue o primeiro avião de volta pra New York ainda esta noite.

Eu fitei as bonecas de louça nas prateleiras no alto. Odiava o modo como olhavam maliciosamente para mim, com seus olhos de vidro julgando-me, zombando de mim.

— Não dá pra ser esta noite. – Eu falei com cuidado. – Já tenho planos pra esta noite.

Eu ouvi o barulho dos saltos de seus sapatos batendo no chão. Ela não era o tipo de mulher que fosse sensato contrariar. Se eu tivesse olhado pra ela e não para cima pra responder, provavelmente teria dito aquilo de modo diferente. Como o fiz ainda olhando para as prateleiras, não vi as nuvens de tempestade se formando no horizonte.

Antes que eu pudesse reagir, ela avançou rapidamente na minha direção e agarrou meu nariz com força entre suas unhas perfeitamente cuidadas.

— Você vai... fazer... as malas... e viajar... esta noite. – Sibilou ameaçadoramente – Ou sofrerá as consequências, "Onii-chan".

Alarmado, eu agitei o braço e conseguiu escapar de suas garras. Com um salto a frente e esfregando meu nariz ainda sensível eu perguntei:

— Por quê você teve que fazer isso, Sao?

— Eu te disse. – Ela respondeu com os olhos semicerrados – Você vai fazer o que eu mandei, ou então...

Eu respirei fundo e voltei a me sentar. Era inútil discutir.

Ela voltou-se mais uma vez pro espelho, aparentemente para ver quanto a pequena turbulência que tivéramos havia desmanchado do seu penteado.

— Por que eles a querem, afinal? – Eu perguntei depois de um tempo.

— "Quem" quer "o quê", Seiya? – Ela perguntou enfastiada, sem desviar os olhos da própria imagem refletida.

— Pandora. A tiara. – Eu respondi impaciente.

— Sei lá. - Ela deu de ombros - O que isso importa?

— Não sei, Sao, é estranho. E essa carta de doação ao museu que eles te fizeram escrever?

— O que foi, querido? – Ela olhou pra mim através do espelho - Deu a grandes pensamentos, agora? Você nunca foi disso.

— Eu só acho estranho, só isso. – Eu falei - E você não vai ter que devolver o dinheiro do seguro quando a jóia estiver no museu?

— É claro que não, bobinho. - Ela sorriu, se voltando pra mim outra vez - Porque quando isso acontecer, todo o dinheiro já estará muito bem investido em fundos na Suíça, e nós estaremos vivendo uma vida abastada em algum país paradisíaco qualquer.

— Mas... E se...

Ela silenciou meus lábios com um dedo.

— Não se preocupe. – Ela falou outra vez. – Sao-chan tem tudo sob controle. Você vai agir conforme o combinado, eu vou me casar com meu rico príncipe, a tiara desaparecerá misteriosamente, nós nos livramos de Pandora e da máfia. Saldamos as dívidas da família, colocamos as mãos no dinheiro do seguro, e, de quebra, ainda salvamos a Fundação. Então eu me divorcio, saio do casamento como uma mulher rica outra vez, nós nos casamos em segredo em Toscana e tudo sairá como planejamos.

Eu soltei o ar de uma vez, inclinando-me para frente e afundando o rosto nas mãos.

— Querido, o que foi? – Ela disse, levando uma mão ao meu ombro. – Não gosta da Toscana? Creio que, em vez disso, poderíamos ir ao Caribe, ou América do Sul, quem sabe.

— Não é isso. – Eu falei, com um gemido – Não tem nada a ver com isso.

— O que é, então?

Mas eu não podia contar a ela, é claro. Pareceria um fraco. E eu nunca quis parecer assim. Não na frente dela.

— Querido, o que foi? Diga-me. – Ela me olhava agora com preocupação – É só porque você acha que está sendo seguido?

Eu afundei os dedos nas pálpebras, massageando-as e respondi:

— Sim, é por isso.

— Mas isso não é nada. – Ela disse, pondo atrás da orelha uma mecha escura do cabelo que se soltara – Desde que você tome cuidado.

— É claro que tomo cuidado. – Eu falei sem tirar o rosto das mãos – Você sabe como sou cuidadoso

— Então o que importa? – Ela perguntou, sorrindo – Contanto que ninguém suspeite.

Eu levantei o rosto. Não estava certo sobre até que ponto ainda conseguiria aguentar tudo aquilo.

— Você não entende! – Murmurei, em desespero – Você realmente não entende.

— Não entendo o quê? – Ela perguntou - Querido, o que está acontecendo?

Mas eu apenas balancei a cabeça. Como iria lhe contar? Como dizer que não podíamos continuar com aquilo? Que havíamos sido descobertos? Como fazer isso sem assustá-la, ou sem que ela me achasse um fraco, um perdedor? Sem que ela deixasse de me amar? Eu não queria perder o seu amor. Eu a amara desde o primeiro momento em que pusera olhos nela, quando tínhamos dez anos e o Senhor Kido me tirara daquela instituição pra onde me levaram, depois que meus verdadeiros pais me abandonaram, me dera seu sobrenome e me levara pra uma casa. Quando ela me sorrira pela primeira vez e eu pensara que jamais havia visto nada tão lindo. Eu a amava.

Então o que mais poderia fazer quando voltara ao Japão há dois anos e descobrira a empresa e a fundação afundada em dívidas, todos os patrimônios da família comprometidos após a morte dos nossos pais? A Saori não sabia viver sem dinheiro. Nunca soubera. Nós teríamos que deixar a faculdade, não havia mais como nos manter em Boston, os cobradores não paravam de bater às nossas portas, e o nosso avô não tinha mais condições mentais de dirigir os negócios. Alzheimer, fora o que o médico diagnosticara.

Mas o pior fora descobrir que no desespero nosso falecido pai havia se envolvido com negócios ilícitos atrás de empréstimos arriscados: a fundação estava agora nas mãos da máfia. E a máfia japonesa costumava ter um jeito muito peculiar de cobrar suas dívidas. Nossa própria segurança estava ameaçada.

Então aquele homem apareceu: Wyvern era como o chamavam, 'o juiz'. Ele tinha contatos dentro da máfia, e de alguma forma parecia saber tudo sobre nós. Sabia onde morávamos, os lugares que frequentávamos, onde estudávamos, com quem saíamos e com quem tínhamos conhecimento na universidade. Com a autoconfiança de um homem de vinte anos, eu me metera nisso sem querer, atraído inocentemente, como um cordeiro indo pro abate. Bem, talvez não de modo tão inocente assim. Cordeiros obviamente não se envolviam com organizações criminosas.

Mas a proposta de Wyvern havia sido irrecusável. Eles só queriam a tiara, ele havia dito, e todas as nossas dívidas seriam perdoadas. Era um plano simples. Nós não fizemos perguntas. Você não faz perguntas à um homem como Wyvern.

E por algum tempo, não havia sido um mau arranjo. Nós também sairíamos com um bom dinheiro no final de tudo. O suficiente pra viver bem pelo resto da vida.

Eu não gostava muito da idéia de ter que dividir a Saori com outro homem, é claro, mas a verdade é que eu já havia me acostumado a isso. Em um relacionamento tão pouco convencional quanto o nosso eu não podia cobrar fidelidade dela. Bastava-me que o seu coração fosse exclusivamente meu, e ele o era.

Mas o futuro seria diferente. E finalmente eu via um futuro pra nós. Nós nos casaríamos em algum país distante e poderíamos ser enfim como qualquer casal normal. Pandora teria a tiara, nós teríamos nossa liberdade, e todos viveriam felizes para sempre. Bom, talvez não todos. O Hyoga teria que se machucar um pouco no processo, e o irmão dele talvez pudesse sair magoado, mas não se pode ter tudo, não é?.

E estava correndo tudo melhor do que eu esperava, a Saori conquistara o francês e conseguira a tiara, eu soubera nas docas do velho chinês que diziam ter trabalhado com o Ladrão Fantasma - eu me lembrava do caso do Ladrão Fantasma dos jornais. Ele era tudo o que nós precisávamos, pra conseguir o dinheiro do seguro e afastar qualquer suspeita -, até a noite em que me mandaram eliminar o Hyoga.

Ele reconhecera o juiz, e era uma ameaça aos planos agora. Eu provavelmente não deveria ter comentado sobre o que ele me contara na Ação de Graças, mas tive medo. Medo do que ele poderia fazer, do que poderia dizer... e a quem. Mesmo assim, eu não queria fazer aquilo, nunca quis atirar nele. Eu fizera muitas coisas ruins, é verdade, mas matar uma pessoa? Meu Deus, eu nem gostava de armas! Mas ninguém em sã consciência questiona uma ordem de Pandora.

Então o loirinho sumira, e por algum tempo eu achei que estivesse a salvo. Que ele não dissera nada. Que ninguém sabia. Como alguém poderia saber? Nós havíamos sido tão cuidadosos.

Mas agora eu tinha certeza. Havia visto o homem – o que estava tentando desesperadamente não ser visto – quando saía do meu apartamento em NY há alguns dias. É claro que eu não teria estranhado nada se não tivesse visto o mesmo homem de novo, perto do meu carro em frente ao Jean Georges, onde eu havia ido jantar logo depois.

Aquilo me dera a certeza. Eu havia sido descoberto. Teria que enfrentar os fatos...

E apesar da idéia de que a polícia pudesse estar atrás de mim fosse inquietante, era o pensamento do que Pandora faria quando descobrisse minha falha que me apavorava.

— Sei-chan, querido – a voz fina da minha irmã e amante, interrompeu meus pensamentos, soando preocupada – deixe eu te ajudar. Você sabe como sou capaz de fazê-lo se sentir melhor.

Eu tirei as mãos do rosto e olhei pra ela desesperado.

— Você não pode! – Gritei, consciente de que estava soando como um selvagem. – Entendeu? Não há nada, nada, que você possa fazer para me ajudar.

Ela fez cara de espanto.

E sem dizer mais nada se abaixou e levantou a barra do vestido, deixando à mostra suas longas pernas nuas e uma fina lingerie de renda branca presa por laços de seda. Os quais, ela logo mostrou, eram fáceis de tirar.

— Nada? – ela perguntou, enquanto trazia minha cabeça para o seu colo.

Eu relanceei os olhos pela parte escura e convidativa entre suas pernas e suspirei.

— Bom – admiti –, talvez alguma coisa.


Segundo extra da noite pra vcs ˆˆ. Com muitas informações aqui pra relembrar todo mundo. E grande surpresas certamente pra os novatos. Espero que curtam. ˆˆ.

Bjos