Oi pessoal, trago mais um capítulo para vocês em menos de... um mês? É, eu acho! Hehehehehe
Bem, eu pretendia postar esse capítulo de continuação do baile em seguida do outro, mas viajei com uns amigos e acabei ficando fora mais tempo do que o previsto. Ok, eu estava precisando dessa farrinha, então tudo bem. Mas, vejam só, cheguei à toda, aproveitando as férias que me restam antes que eu acabe por desaparecer outra vez ao início do semestre. :(
Bem, antes de tudo gostaria muito de agradecer à Amanda Catarina e à MViana que muito têm me incentivado! Fico extremamente feliz por vocês estarem acompanhando e me dando forças, aproveito para tentar retribuir e, nesse singelo espaço fazer breve propaganda:
Para aqueles que curtem Seiya e Serena como casal, não deixem de ler a fanfic "E eu não posso substituí-lo?" da Amanda, Cat-chan! Fic muito bem escrita, UA.
Para os que gostam de Kunzite e Sailor Venus, aconselho para ontem que vão dar uma olhada na página da MViana aqui no FFNET, além da fanfic "Você Estará de Volta" há uma infinidade de oneshots maravilhosas sobre o casal do Milênio de Prata!
Bem, antes de irmos ao capítulo já peço desculpas pelo TAMANHO do bicho, só que eu queria terminar o baile nele, para não ficarmos com três capítulos voltados ao evento. Embora esteja grande, na minha opinião está bem interessante! Espero que gostem... e comentem! Hehehhehe ;)
A minha queda será por você
Capítulo 25 – O baile: parte II
Os integrantes da festa mal se deram conta, mas as horas corriam soltas e, em uma piscadela, já era quase meia-noite. Por mais divertido que fosse valsar, os jovens do salão começaram a pedir por músicas mais agitadas, inclusive Reiko. Mas, antes que esse pedido fosse acatado, pelas grandes portas envidraçadas duas belas mulheres entraram. Uma era o oposto da outra: enquanto a primeira tinha cabelos áureos, avermelhados nas pontas e trajava um longo e justo vestido branco, a outra possuía as madeixas escuras como a profunda treva, trajava um vestido solto e, como seus cabelos da cor do breu, apenas com detalhes em branco, o que a iluminava eram as joias – uma gargantilha de brilhantes que cobria seu pescoço e colo, brincos e anéis ostentáveis, e a pele irresistivelmente pálida. O trio Amazonas ao avistá-la parou tudo o que estava fazendo para tomar-lhe a frente numa reverência.
— Seja bem-vinda, gloriosa rainha Neherenia! — falaram em uníssono.
— Meus meninos... — acarinhou o queixo de cada um — Há quanto tempo! — Rei Helios, o que tem feito deles?
— Eles foram muito bem treinados para serem os guardiões de Elysium, pode ficar orgulhosa, majestade. — Helios aproximou-se com Rini abraçando-o de lado. Largou-se da esposa por breve instante, apenas para, por cordialidade, beijar a mão delicada e esguia da rainha do povo de Lua Nova. Rini mordeu-se de ciúmes por dentro, afinal, aquela mulher considerada por muitos a mais bela de todo o universo já tivera sentimentos por seu marido.
— Desculpem-nos pelo atraso — a acompanhante de Neherenia reverenciou os reis, antes que pudesse justificar-se pela chegada tardia, uma pessoa tomou seu partido:
— Apesar de viver no mesmo planeta que nós e termos chegado primeiro que você, está tudo bem, não deve ser fácil desembaraçar esses cabelos, Galáxia. — a princesa de cabelos ruivos passou os dedos nas madeixas douradas, ao seu lado as três fiéis companheiras sorriam.
— Olá, princesa Kakyuu! – ela sorriu terna.
— Vocês vivendo juntos em Kinmoku, quem diria? — Rini, passado o ciúme bobo, riu — Mamãe adoraria estar presente para ver-nos todos reunidos — suspirou.
— Você não faz ideia da saudade que sinto de sua mãe... — uma das mulheres que mais cedo Olho de Tigre apontara à Reiko, a do vestido similar a um céu noturno, confessou.
— Todos sentimos, Sailor Star Fighter. — Galáxia assentiu. — Somos muito gratas por ela, com o poder do cristal de prata, ter nos prolongado a vida e a juventude, além disso, graças a ela o planeta Kinmoku foi reestruturado!
— E graças a ela o meu reino tornou a ser próspero e eu deixei de ser tão solitária! — Neherenia acrescentou.
— Vocês precisam conhecer Crystal, ela é extremamente parecida com Sailor Moon — a rainha de Tóquio de Cristal falou empolgada — Ah, estou tão ansiosa para apresentá-la a vocês! — olhou para o centro do salão, procurando a filha — Mas, onde ela estará?
A princesa, nesse tempo, estava em seu quarto na companhia de príncipe Diamante. Poderiam estar aproveitando o momento a sós para diversas coisas as quais pessoas mais maduras conhecem muito bem, no entanto, a garota desajeitada atirava do armário para a cama diferentes vestidos de festa, e o príncipe, de braços cruzados, apenas observava o ato esquisito com um olhar perdido.
— Ai, ai, ai! Qual deles escolho? Não posso voltar ao salão com esse vestido aqui! — apontou para o traje que usava, encardido e amassado por ter entrado em contato com grama e terra de jardim.
Quieto, Diamante foi até o armário, correu a mão pelos vestidos pendurados nos cabides, puxou um diferente de todos os que Crystal atirara sobre a cama, não era branco, também não mimetizava o modelo "Serenesco". Era lilás, de estilo romântico, solto da cintura para baixo, possuía um singelo decote bordado em fitas prateadas e pedrinhas.
— Este aqui. — entregou-o nas mãos da menina.
— Mas, esse é muito diferente do que minha mãe gostaria... — surpreendeu-se. Como ele adivinhara que aquele era seu favorito?
— Este combina mais com Crystal. Não acha? — rolou os olhos pelos cabelos castanhos, depois pelo rosto corado, a boca entreaberta, as pequenas mãos apertando o nobre pano que seguravam, sorriu. Era difícil de acreditar que aquela mesma menina, tão inofensiva, discursara ferozmente a favor de sua autenticidade.
... E ela, ao vê-lo prezar o que a fazia diferente, não pensou meia vez. Agarrou o vestido, acatando a ideia e correu destrambelhada até o banheiro de seu quarto. Fez o esforço de tentar vestir-se rápido, e, obviamente não deu muito certo. Primeiro enfiou um braço no lugar errado, depois se perdeu com a cabeça enfiada nas três camadas de saia e caiu sentada sobre o piso liso. Diamante, ao ouvir um gemido, bateu à porta para ver se estava tudo bem. Ela, morta de vergonha, só deu um grito de "estou bem" e, depois de tanto sofrer, conseguiu se enquadrar na roupa. Todavia, seus braços curtos mal alcançavam o fecho que deveria subir da lombar até o meio das costas para terminar o serviço. Mesmo olhando-se no espelho, sua coordenação desajeitada continuava atrapalhando-a, não tinha jeito.
— Será que você pode me ajudar? — completamente desconcertada, pediu, em tom alto o suficiente para que ele a ouvisse e girasse a maçaneta da porta para entrar.
Diamante se pôs atrás dela, equilibrado. Enquanto Crystal encolhia-se envergonhada, para ele a situação era natural. Sentia-se atraído pela pele quente e rosada dela, mas ver-lhe as costas era normal, já a havia visto mais. Subiu o zíper de cristal e pronto, rápido, estava feito. Crystal soltou a respiração que até então havia prendido, ele riu discretamente. Inacreditável que ela, depois do que passaram na outra noite, ficasse nesse estado por um motivo tão besta. O nemesiano não resistiu, enredou-a pela cintura, encaixando o queixo entre sua clavícula e ombro, na posição perfeita para aspirar o perfume adocicado de seu pescoço e beijá-lo. Ela fechou os olhos e pôs as mãos sobre as dele.
— Melhor não nos demorarmos, não acha? — sussurrou provocativo.
— É verdade! — ela caiu em si, deu um pulinho. — "Droga, mas justo agora? — o rosto avermelhou-se ainda mais.
— Me teletransportarei para os jardins, de lá irei ao salão. É melhor que cheguemos separados, assim sua mãe não arruma encrenca com você hoje. — soltou-a devagar.
— Certo! — Crystal, entusiasmada e espontânea, ergueu os braços para o alto como quem tem garra e saltitante sairia do banheiro, mas seu punho foi puxado com firmeza, seu corpo rodopiou até ficar de frente para o príncipe, selada a ele. Antes que um som emitisse de sua garganta ele a devorou num só beijo, intenso, porém ligeiro.
— Vá. — liberou-a.
A sua Sailor Love partiu atordoada, quase se esbarrando nas paredes, ele, já mais calmo, fez como o combinado: seu corpo materializou-se no jardim, novamente próximo ao chafariz de Serena. Prendeu o olhar na antiga regente lapidada em cristal, suspirou, concentrado nas lembranças de um tempo tão antigo e atual para ele.
— Serena e Crystal, Crystal e Serena... — devaneou. Antes que perdesse o rumo dos minutos e das horas ali, deu as costas para a escultura e retornou ao salão, para o seu desgosto a primeira figura que encontrou foi Damien a bailar com Marine, a mocinha loura lhe pareceu uma figura fosca, a sua mira estava no homem cuja armadura reluzia refletindo as cores das luzes do salão, tal efeito fez Diamante lembrar-se do pequeno arco-íris da gruta, fato que apenas o irritou mais. Deu de ombros e encostou-se em uma das portas de vidro que abriam-se para os jardins ornamentais, aproveitou que um garçom estava por perto e pediu uma taça de vinho seco.
— Então você vem de um planeta distante como os príncipes acomodados no castelo? — Marine se mostrava deslumbrada, Damien contara a ela toda a sua trajetória de Sedna à Terra, descrevera os planetas pelos quais passara, e comentara sobre a sua nau espacial. — Poxa, eu nunca vi uma nave que se assemelhasse a um barco, navio ou caravela! Adoraria vê-la! — percebeu que se empolgara além da conta, o que não era de seu feitio – Quer dizer, se vossa alteza não se importar... — enrubesceu.
— Mas é claro que não me importo! — animou-se — Passarei uma temporada por aqui, então haverá tempo para isso! Marine, seu nome, não é? Fico feliz que meu planeta atraia a sua curiosidade!
— Muito obrigada, alteza... — estranhamente, a confiante e esperta guardiã das águas sentia-se vulnerável diante ele. Ela, que normalmente encarava as pessoas diretamente nos olhos fugia dos dele. Marine não estava acostumada com eventos como bailes, tampouco já passara tanto tempo a papear com um homem tão bem apessoado, e diferentemente de Olho de Tigre, Damien não era apenas um "rostinho bonito", era inteligente, conhecia coisas inéditas para ela, despertava-lhe o interesse.
— Ah, por favor, me chame de Damien! — além de animado e inteligente era simples.
— Com licença... — alguém delicadamente tocou a ombreira cintilante do príncipe extraterrestre fazendo-o pausar os passos com Marine e virar-se para ver de quem se tratava.
— Pois sim? — sorridente, deparou-se com Olho de Peixe, o danadinho conseguira se esquivar dos reis e dos conhecidos.
— É que... — incrivelmente sem jeito, sem encará-lo diretamente, cruzou uma mão à outra — Será que poderíamos dançar uma valsa antes que os movimentos sejam encerrados?
— Claro, bela dama! Marine, você se importa?
— Ah, eu? Não, mas... — olhou Peixe de cima a baixo, não conteve um risinho ao reparar que ele estava de bojo. Antes que fizesse algum comentário que o entregasse, o rapazote lhe lançou um olhar inquisitivo. — Divirtam-se! — afastou-se, dando espaço para o integrante do trio circense se esbanjar.
"Como podem ser tão parecidos?" — Olho de Peixe pensou ao ser puxado pela cintura e, fatalmente, se ver encarado pelos profundos olhos azuis, através deles enxergava um certo cavalheiro de smoking preto, cuja identidade terrena era conhecida como : — Darien... — sussurrou.
— Damien. — corrigiu-o, conservando o mesmo sorriso cativante. — E você é?
— Oi? — que encrenca! Se apresentasse o nome ao príncipe acabaria por se entregar. — Veja, a princesa voltou! — encontrou uma fuga ao apontar Crystal a descer pelas escadas.
Lá estava ela, olhando a todos de cima, a mão direita repousava sobre o corrimão dourado. Aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer a lendária Sailor Moon não evitavam de comentar sobre a semelhança entre as duas. Crystal não os ouvia, mas era capaz de ler seus lábios.
Mas, elas são muito parecidas!
Os olhos, os traços, o jeito, tudo!
Então os boatos devem ser verídicos!
... princesa Crystal é reencarnação de Sailor Moon!
De novo aquilo... Reencarnação. Uma sombra apoderou-se de seu coração e, por breve instante, sentiu que iria sufocar. Ao descer os degraus, por conta do aperto que sentia, distraiu-se e consequentemente se desequilibrou. O susto foi geral. A sorte da menina foi estar segurando-se no corrimão, abraçando-o com os braços e quase com as pernas evitou a queda que poderia ser sido para lá de feia.
— Crystal, sua destrambelhada! Igualzinha à avó até nisso! — Rini riu, mesmo nervosa, e correu até a menina para ajudá-la a descer. Estranhou a mudança de vestido, mas não comentou-a.
— Igualzinha à avó! — imitou a voz da mãe fazendo careta, arrancando-lhe outra risada.
Desceram juntas, abraçadas de lado. Crystal desejava poder esconder-se atrás da mãe depois do vexame na escadaria. Quando puseram os pés sobre o piso de cristal, a primeira pessoa que esperava para cumprimentar a neta de Serena era Sailor Star Fighter.
— Bombom! — puxou-lhe as mãos, fitando-a com ares de encanto.
A princesinha não soube o que dizer, ficou parada diante da mulher, teve de erguer o rosto para encará-la, era esguia, elegante. Não compreendeu porque havia sido referida daquele modo, cogitou se não era por causa da cor chocolate dos cabelos. Não teve tempo de questionar, pois logo foi tomada em um abraço caloroso. Naquele ato, Sailor Star Fighter a deixou sem reação, somente seus arredondados olhos azuis arregalaram-se e piscaram, confusos, e, claro, a face queimou de rubor.
— Fighter! — a princesa de Kinmoku a cutucou, repreendendo-a. — Controle-se!
— Oh! — afrouxou o abraço, notando Crystal sufocar. — Eu sinto muito, princesinha! — riu e afagou-lhe a testa, arrepiando a franja castanha. — É que, sabe, você me lembra alguém de quem eu gostei muito!
— Deixe-me adivinhar... minha avó. — respirou fundo, recuperando o ar.
— De fato, são incrivelmente parecidas, mas... — Sailor Galáxia se aproximou e tomou uma madeixa de Crystal nas mãos, sem cerimônia. — de quem será que você puxou essa linda cor de cabelo?
— Isso é um mistério até para nós. — Helios comentou.
— Ah, meu pai possuía os cabelos negros, minha mãe era loura e olhem só para mim! — Rini apontou para seus cabelos róseos.
— Talvez o cabelo castanho da princesa seja um meio termo entre o louro de Serena e o negro de Endymion. — Sailor Star Healer aproximou-se de Crystal, as duas eram quase da mesma estatura.
— Até que faz sentido. — a princesinha coçou a bochecha com o dedo indicador, pensativa.
— Sendo filha de Helios, será que também se transforma em um cavalo alado? — Neherenia indagou.
— Eu espero que não! — Crystal respondeu de imediato, constrangida ao se imaginar na forma de um pônei cor-de-rosa de crina amarronzada. —... Definitivamente não! — enfatizou, diante do desastre que sua imaginação criou.
O grupo conversou durante um bom tempo, sem demora a neta de Sailor Moon se entrosou com todas aquelas pessoas, descobriu suas origens e como cada uma delas conheceu a sua avó, acabou por conhecer mais ainda do passado de sua ancestral. Era muito mais emocionante conhecê-la pelos relatos das pessoas do que pelas páginas dos livros, sentia-se como se estivesse vivendo a história, só não sabia se como Serena ou como Crystal. Sem tardar, o grupo que veio da lua à Terra juntou-se aos que papeavam.
— Diana, minha amiga, há quanto tempo! — Rini agarrou-a como se ainda fosse um filhote de gato, apertou-lhe as bochechas e, num abraço, a suspendeu.
— Majestade, calma, não sou mais uma gatinha! — Diana riu.
— Como está o reino lunar? — Helios perguntou a Artêmis.
— Próspero! — o belo lunariano de longos cabelos brancos respondeu entusiasmado — Venham nos visitar qualquer hora! Rini precisa ver como o nosso reino lembra a era de ouro, ou melhor, o Milênio de Prata!
— Bem que gostaríamos, mas, no momento, estamos enfrentando alguns problemas em Tóquio de Cristal. — o rei falou em baixo tom, buscando não chamar a atenção dos outros visitantes e de Crystal, que conversavam tranquilamente.
— Eu notei. — Luna com sua audição "felina" ouviu e intrometeu-se — Como Diamante e Saphiro tornaram à vida, majestade? — quase sussurrou para que somente ela, Artêmis e Helios ficassem a par do assunto.
— Não sabemos. Surgiram no reino, e, aparentemente, também não sabem como regressaram. Não parecem ser inimigos, no entanto, desde que surgiram, Tóquio de Cristal tem sofrido certos ataques. Suspeitamos que o responsável por eles seja de Nemesis, suspeitamos também que quem trouxe os príncipes de volta é a mesma pessoa que nos ataca. O pior, amigos, é que esse alguém conseguiu instaurar a sua consciência em Elysion. No fundo do grande lago há uma lasca negra de cristal.
— Cristal negro? Mas, como pode? — Luna, sem querer, aumentou o tom de voz diante da surpresa. Artêmis lhe fez sinal de silêncio com o dedo indicador. Por sorte, apenas Rini notou o estranho movimento e se aproximou.
Neherenia, aproveitando-se de que a rainha caminhara até o esposo, a acompanhou.
— Importam-se de eu fazer um pedido? — a líder do circo da Lua da Morte dirigiu-se aos regentes.
— Imagine, Neherenia! — Helios tornou a sorrir, desfazendo a postura séria.
— Antes que encerrem a valsa, eu gostaria de pedir a você, rei Helios, uma dança. — ergueu-lhe a mão. Antes de aceitar, Helios olhou Rini como se pedisse a sua aprovação, foi acatado com um suspiro.
— Claro. — tomou a mão da rainha das trevas e caminhou ao seu lado para o centro do salão.
Um dos integrantes da orquestra tomou a frente no palco e anunciou a última valsa da noite. Crystal, ao ouvir, pediu licença aos visitantes de outros planetas e, afoita, correu pelo salão procurando por seu príncipe. Ele estava de pé, encostado em uma das grandes portas de vidro que davam para fora. Ela tomou as mãos dele, puxando-o num pedido para que dançassem. Ele, nada à vontade, olhou ao redor e notou as pessoas observando-os, entre elas surgiu o odioso sósia de Endymion. Os profundos e surpresos olhos azuis do sedniano cruzaram-se com os púrpuros do nemesiano. Instigado a afrontar o rival, o líder do clã Black Moon se permitiu levar pela princesa até o centro, onde posicionaram-se preparados para valsar. Crystal não conseguia esconder o encanto no semblante e nos gestos empolgados. Damien, confuso, contemplava-a. Rini percebeu a gravidade da situação e tratou de aproximar-se do príncipe viajante.
— Ele a ensinou a valsar. — a rainha disse, justificando o ato de Crystal.
— Quem é ele? — Damien perguntou intrigado.
— Um hóspede. — não sabia se deveria falar muito mais sobre isso.
— Estranho...
— O que, príncipe?
— A presença dele me perturba.
"A mim também" — ela pensou.
— Artêmis, olhe lá. — Luna apontou Crystal, sorridente, girando no salão com Diamante.
— O jeito como ele a olha... — Artêmis comentou — Os olhos dele não mentem, sequer tentam esconder.
— Os olhos dela também. — Luna completou.
— Você aprendeu bem. — Diamante, satisfeito, constatou enquanto suspendia Crystal no ar e a trazia de volta ao chão.
— Graças a você! — sorridente, ela entrelaçou seus dedos aos dele, ele a girou novamente e, por fim, a puxou pela cintura. Pousou a mão dela sobre seu ombro e diminuiu a velocidade dos passos.
— Ai! — Mizumi gemeu ao ser bruscamente puxada pelo ombro, apartando-se do seu par.
— Pode deixar, é comigo que ela vai dançar agora. — Olho de Água soou autoritário perante o rapaz que dançava com Mizumi.
— Passarinho, o que é isso? — ela riu.
— Disse que dançaria comigo, essa é a última valsa e até agora sequer me incluiu na lista de espera, então tomei meu posto! — puxou-a de encontro a si, impaciente, tomou-lhe a mão à força e ainda mais violento foi o aperto que deu nas costelas da guardiã dos mares.
— Está me machucando! — ainda ria — Achei que estivesse bem servido com Hotaru, se bem que ela logo o abandonou... Vai ver você não tem talento para valsar, passarinho!
— Não me provoque, Mizumi! — inclinou o corpo dela para trás e o dele foi junto. As pontas esverdeadas das ondas de Mizumi tocaram o chão, uma de suas pernas ergueu-se.
— É, talento você tem. — ela disse tranquila.
— Qual é o ponto, Mizumi? — a pôs de pé outra vez. — Quer me enlouquecer, é isso?
— E se for? — piruetou graciosa.
— Está conseguindo. — ele a trouxe de volta, irritado.
— Se eu me considerasse um homem, a tiraria para dançar. — distante do centro onde os casais dançavam, Olho de Peixe encontrou Yumi sentada, solitária. Puxou uma cadeira à sua frente e encarou-a.
— Não seja ridículo, sou mais homem do que você. — ela afirmou seca.
— Disso eu não tenho dúvidas! — ele riu — Talvez seja mais homem do que Águia, por isso Sailor Ocean gosta tanto de você!
— Cale a boca. — bufou.
— E você, gosta dela?
A guardiã do vento pôs as mãos sobre a toalha de seda da mesa, alisou-a e depois apoiou o queixo no dorso de uma mão, ficou em silêncio. Seus olhos de prata refletiam o nada. A boca, num risco insosso manteve-se fechada. Um afago em seus cabelos chamou-lhe a atenção.
— Não me toque. — foi a sua resposta à tentativa de Olho de Peixe consolá-la.
— Você é triste. — ele disse, vendo-a levantar-se, pronta para deixar o salão.
— Você é inconveniente. — afastou-se enfim.
— Como alguém pode gostar tanto de ser infeliz? — ele se perguntou.
— Deixe ela. — Hotaru, surgiu à frente de Peixe, atrás dela estava Valkyria.
— Que eu saiba esse baile não é de Dia das Bruxas! — implicou ao reparar nas vestimentas de ambas.
— Yumi sempre será uma incógnita, deixe-a confortável dentro de seus mistérios. — Valkyria aconselhou-o.
— O que me deixa inconformado é que Mizumi magoará Olho de Águia por causa de Yumi. Se Yumi cedesse à Mizumi, Olho de Águia deixaria de ser uma peça nesse jogo e poderia ser feliz.
— Entendo, Olho de Peixe. — Hotaru tocou-lhe o ombro — Só que não adianta pressionar Yumi...
Enfim, a orquestra encerrou a valsa num acorde intenso e contagiante. Reiko pulou de alegria, aliviada de que a longa valsa findara. Olho de Tigre também se mostrou aliviado, já estava cansado de rodar como um bambolê pelo piso cristalino, e, no fundo, sentia-se frustrado por não ter conseguido driblar Reiko um único momento que fosse para tentar a sorte e puxar Marine para uma dança. Ele havia reparado a empolgação de sua lourinha ao dançar com o príncipe da armadura de cristal. Suspirou, desconsolado. Perdera a vez, acreditou, se é que houve uma vez sequer para ele.
— Ei, Tigrinho, o que foi? Agora que a festa vai ficar boa! Olhe só! — puxou-o pelo braço e apontou o palco.
As luzes amenas, num repente, transmutaram-se para grandes esferas luminosas e coloridas, a cúpula que reproduzia a imensa galáxia em astros, planetas e nebulosas se abriu, e lá do alto um grande globo feito em pedrinhas de cristal furta-cor desceu girando. No palco, iluminado por luzes vermelhas, amarelas, azuis e verdes, três mulheres se posicionaram, dessa vez microfones foram instalados. Aquela apresentação com certeza soaria por toda Tóquio de Cristal. As três sobre o palco, de braços abertos, abriram os olhos em conjunto. As luzes as envolveram em feixes e, em segundos os corpos esbeltos de curvas bem projetadas transformaram se em corpos masculinos, trajados em smokings.
— Mas o quê? — Olho de Tigre quis se esconder atrás de Reiko.
— Oh, olhe só! Não eram elas que você queria paquerar! — a guardiã da mãe natureza não conteve as gargalhadas, curvou-se, quase perdendo a firmeza das pernas de tanto rir.
— Mas, mas... Elas... Elas não são elas! Elas são eles! — estupefato, apontou para cada um dos indivíduos que eram aplaudidos com comoção pelos convidados.
— Nessa noite especial, convidamos para cantar conosco a bela e delicada princesa de Tóquio de Cristal, neta de nossa querida amiga Sailor Moon! — Seiya ergueu o braço para frente, apontando Crystal no meio do salão. Príncipe Diamante sentiu-se ofuscado pela luz branca focada na princesa, atraindo-lhe todas as atenções.
— Oi? Quê? — Crystal apontou para si mesma, confusa. Notando a mão do jovem que outrora era a moça que a abraçou discerniu que o seu gesto fosse um convite para que ela subisse no palco. Imediatamente, a face da princesinha terrestre ardeu e, ela, encolhida, em passos curtos, direcionou-se ao palco. Chegando a frente dele, voltou o olhar Diamante, parado onde estava, desorientado. Antes de se perguntar o que deveria fazer foi puxada pelos braços e, desajeitadamente ficou de pé no palco, de fronte para aquele mesmo mar de gente de antes, todos afoitos, ansiosos, e gritando por ela.
— Tome! — Seiya a puxou para perto e entregou em suas mãos um microfone prateado. Crystal apertou o objeto contra o peito. — Não fique nervosa! — sorridente, confiante, afagou o rosto da menina com as duas mãos — Solte a sua voz como mais cedo fez, deixemos que todo o reino contemple a sua performance. Não. — pausou — A nossa performance! — O líder do trio deu o sinal, os outros dois prepararam-se com seus instrumentos e, imediatamente, combinaram os acordes. Uma bela e conhecida melodia animou não só o salão, mas ecoou por toda Tóquio de Cristal. Em todos os Outdoors e mesmo nas grandes telas, ou simplesmente nos vidros das janelas, o show seria transmitido. Quem sabe alguém, em algum lugar do universo, não presenciaria aquele momento épico em que uma promissora princesinha soltaria a doce voz para os confins do universo?
Procure por seu amor...
A canção, enfim, se iniciou. Enquanto Taiki e Yaten tocavam cada um seu instrumento, Seiya fazia um belo dueto com Crystal. Olhava-a encantado.
Procure por seu amor...
— O que é isso, Quartzy? Está ouvindo? — Ametista, virada de lado sobre a cama, abriu lentamente os orbes violáceos ao ouvir, zunindo em seu ouvido, duas vozes numa melodia.
— Sim, senhorita! Vem de longe, de muito longe!
— E não é só isso... Parece que todas as estrelas do universo reproduzem essas vozes, essa música, em coro!
— O que quer que seja, vem da Terra. — Onyx, que acabara de entrar no quarto, afirmou mostrando-se interessado.
— Fechem os olhos... — Ametista disse — fechem os olhos, assim podem ouvir melhor!
— Humpf! — Topazio desdenhou, mas suas duas seguidoras fiéis acataram, ambas fecharam os olhos afoitas por sentir a magia daquela música.
— É estranho... — Ametista, estranhamente, sorriu — esse som me faz sentir bem, como se minha enfermidade não fosse tão grave...
— Senhorita, isso é bom! — Jade a segurou nos braços, ajudando-a a sentar.
— Sim... Mas, quem faz isso por mim?
Você sempre brilhou tanto...
Seu sorriso é como uma pequena estrela
Realmente muito valiosa...
(eterna luz das estrelas)
...
Naquele dia não pude vir e lhe proteger
Apenas segurei dentro de mim as lágrimas de arrependimento.
Esta dor ainda permanece aqui...
(não lhe esquecerei, querida)
Uma lágrima contida escorreu pelo canto do rosto de princesa Kakyuu – a princesa tão querida e procurada pelos três em uma época antiga – lembrar-se daquele tempo a comovia, comovia-a mais vê-los cantar, entusiasmados, e felizes por a dona de suas preces estar lá, presenciando-os e recebendo a tão bela mensagem. Mas, havia algo naquela apresentação que a tornava ainda mais especial: o brilho de uma semente estelar pura, cuja aura era lilás. Essa semente pertencia à dona de uma voz de mel, as notas eram como pétalas de lírios desabrochando para voarem ao infinito das constelações. Seiya, contemplando-a a reluzir em diversas cores, notou o contraste da luz amarela nos cabelos castanhos. Facilmente enxergou neles odangos, nas costas dela asas de anjo. Achou ser uma peça pregada pela imaginação. Como imaginaria ele que todos presentes no evento viam a mesma coisa?
Procure por seu amor, pelos cristais do universo
Procure por seu amor, por favor não chore
Procure por seu amor, a verdade é que quero muito abraçá-la...
...
Seu cheiro, estarei sempre (procurando por ele)
Minha voz a alcançará (eu te amo)
Onde está agora? (princesa da luz da lua)
Minha princesa...
— Olhe isso! — Saphiro apontou o céu para Hina.
— Ué, mas a lua não era crescente? — a menina assustou-se ao ver uma enorme lua cheia preenchendo o escuro céu noturno.
— Está sentindo isso? — ele pousou a mão ao peito, sentindo o coração acalentado.
— Sim, é tão reconfortante! — Hina tocou o colo e afagou-o, quente.
— Parece que há algo querendo brilhar, mostrar a sua força aqui dentro...
— Talvez sejam as nossas sementes estelares. — apoiou o rosto no ombro dele, confortou-se ao abraçar seu braço. Tímida, fechou os olhos e afundou o rosto no tecido da farda clara de Saphiro. — estou feliz...
— Hina... — afagou-lhe o rosto, sentiu o calor das bochechas róseas da guardiã do fogo, ergueu-lhe a face e, então, safiras encontraram-se com esmeraldas, ambas reluziam intensas. Não tardou para que as preciosidades se cerrassem permitindo o selar de um beijo. As bocas mornas, úmidas, se encaixaram. Uma deslizou pela outra traçando diferentes contornos, um lábio sobre outro. A luz momentânea, as sensações e aquela música entregue ao universo propiciou a eles ao menos um momento em que a timidez não fosse uma barreira. Aos beijos, caminharam até o gramado, sentaram-se sobre o verde coberto por pétalas vermelhas, entorpecidos, deitaram-se um de frente para o outro e, banhados pelo lume dos astros, trocaram muitos beijos mais.
Responda! (responda pra mim)
Agora mesmo! (responda pra mim)
Responda! (responda pra mim)
Suavemente... (responda pra mim)
...
Correndo através do distante céu noturno
Agora eu imploro este desejo a uma estrela fugaz
Sussurrando "eu quero estar com você"
(por favor, diga a ela, luz das estrelas)
...
Conforme o tempo passa, nos tornamos adultos
E finalmente me dou conta de que
As lembranças não são suficientes...
(por favor, fique ao meu lado, querida)
— Eu vejo! — Ametista abriu os olhos num súbito, pôs-se de pé com agilidade, algo árduo para ela — eu vejo de quem são as vozes, são de... Ah! — arregalou os olhos-ametista, neles a imagem de uma mulher de longos cabelos dourados cujos fios entrelaçavam-se ao vento refletiu. Na testa, a lua dourada piscava, os olhos oceânicos reluziam e um poder conhecido a envolvia — Sailor Moon, o cristal de prata!
— Isso é impossível senhora! Sailor Moon está... — Quartzy disse
— Sim, mas é ela! É ela através de...
— Através daquela princesinha insossa, daquele projeto de Sailor Moon. — Topázio concluiu.
— Sailor Moon... — os olhos de Diamante semicerraram-se não querendo acreditar no que viam. E ela, lá daquele palco abria-lhe os braços como se o chamasse. Ao seu lado, príncipe Damien mostrava-se tão atônito quanto ele. Os olhos de todos naquele recinto brilhavam, mas os que mais se sobressaíam eram os de Seiya, ao lado da criatura que despertava as atenções.
Procure por seu amor, no oceano prateado
Procure por seu amor, o navio flutua errante
Procure por seu amor, você será arrastada
Por essa loucura...
— Olhe só para ela... — Rini abraçou Helios, atordoada. — Quem é ela? A nossa menina ou eu sou a menina dela?
— Incrível! — Os olhos de Reiko e Marine brilhavam, estavam em transe.
Os integrantes do Trio Amazonas também, aliás, não tinha um único convidado que não estivesse inebriado. Todos tentavam compreender o fenômeno que ocorria com Crystal como o que ocorria com eles mesmos. Se havia algo em unanimidade naquela noite era que todos os corações estavam atrelados por fios singelos, mas firmes. E, não, não eram somente os convidados do palácio, ou todos os habitantes do reino, mas todos os seres vivos em toda a extensão de vida que há na via láctea. No céu, antigas sementes estelares escapavam do interior de suas flores e voavam rumo ao além, da Terra quem olhava além do horizonte as via como chuva de estrelas cadentes azuladas.
Seiya segurou a mão de Crystal e fê-la virar-se de frente para ele. Cantavam olhando-se nos olhos. Através da princesa sorridente e empolgada, a figura de Eternal Sailor Moon se mostrava satisfeita, mirando-o com ternura. O líder dos Three Lights pensou que antes do fim da canção ele desfaleceria.
Seu cheiro, estarei sempre (procurando por ele)
Minha voz lhe alcançará (eu te amo)
Onde estás agora? (princesa da luz da lua)
Minha princesa...
...
Responda! (responda pra mim)
Agora mesmo! (responda pra mim)
Responda! (responda pra mim)
Suavemente... (responda pra mim)
Enfim, a prece, a canção de busca pela princesa se findou e Seiya encontrara o que procurava:
— Serena! — segurou o rosto de Crystal com as duas mãos e, numa atitude irracional, furtou-lhe um beijo ansioso. Ali, no palco, na frente de todos.
— Seiya! — os companheiros e sua princesa o repreenderam em coro, todavia já era tarde. O beijo fora dado.
Rini ficou boquiaberta, Damien ainda mais confuso do que já estava, Diamante, por sua vez, preparava na palma de uma mão uma esfera turquesa de energia, a qual desferiria contra o corpo franzino do astro do pop. Porém, antes que o Black Moon pusesse tudo a perder e destruísse tudo ao redor, uma forte pancada em seu ombro o desconcentrou, os dentes rangeram de ira. Fora Damien esbarrando-lhe e, num salto, chegando ao palco. Num movimento apenas, afastou Seiya de Crystal e a pôs para trás de si. O líder dos Three Lights desculpou-se para os dois, Damien não quis criar caso, pois viu que a menina aceitou as desculpas apressadamente. Desceram de mãos dadas. Embora a jovenzinha aceitara a mão do sedniano apenas para descer do grande e alto palco, a única coisa que o nemesiano adiante enxergava eram os dedos do rival entrelaçados aos da amada. De punhos cerrados, Diamante fincou os pés no piso, esperando-a no mesmo lugar onde estava desde que ela cantara. O pai da menina veio à frente, abraçá-la e acalmá-la, os convidados aplaudiram-na tentando fazê-la sentir-se melhor, enquanto isso Seiya conversava com a rainha, explicando-se, Kakyuu desculpava-se por ele insistentemente, Rini amoleceu logo e pediu, para que ele e os companheiros cantassem algumas músicas agitadas para compensar, afinal, os adolescentes estavam loucos por diversão. O que mais poderiam fazer os Three Lights se não aceitar a proposta? O salão adquiriu, então, a luminosidade de um clube noturno. Para muitos o lazer se iniciaria, para Crystal, vendo-se desorientada e percebendo o modo como Diamante a encarava, a noite seria longa. Aproximou-se, temerosa, antes que de todo estivesse próxima alguém a puxou pelo pulso. Era o outro.
— Dança comigo? — ele pediu.
— Não. — uma voz grave e impiedosa respondeu antes que ela pudesse. — Ela dança comigo. — Diamante completou autoritário.
Encararam-se os dois homens, ambos sérios, ambos hostis. Um forte aperto espremeu o peito de Crystal. Ela sabia que, do outro lado, seus pais a observavam, e pelos seus olhares, a desconfiança era clara.
— Solte-a. — Diamante ordenou, num tom mascarado de calma.
— Por favor... — a neta de Serena fitou Damien, submetida à vontade de Diamante, coincidentemente a dela também.
Sem desviar os orbes azuis da face do nemesiano, Damien soltou Crystal devagar.
— Saia do meu caminho. — o Black Moon sussurrou no exato instante em que o cavaleiro de cristal passou ao seu lado.
— Me obrigue. — e recebeu uma resposta à altura.
A princesa aflita, tentou animar o seu querido ao chacoalhá-lo pelos ombros, induzindo-o a dançar. Fracassou. Embora ele, sem jeito algum movesse singelamente o corpo ao som da batida, não demonstrava agitação ou alegria. Seus traços jaziam sérios, as maçãs do rosto rosaram de raiva. Por segundos encarava Seiya encantando as garotas com sua voz e coreografias, depois olhava para todos os lados e procurava por Damien, que não tão de longe cuidava de suas atitudes e de Crystal. Não importava para onde fossem, seriam observados por ele, e mesmo por Rini, muito mais firme do que Helios. No entanto, a grande soberana exibia certa sombra no semblante, Diamante arriscaria pensar que fosse tristeza, e se fosse, certamente não lhe causaria comoção. Estava enraivecido e enciumado, mas mais do que isso: estava confuso. Vira Sailor Moon no palco nitidamente. Não era Crystal. Estava certo disso. Fitou-a, as luzes fugazes e intensas o confundiam, repentinamente encará-la tornou-se tarefa sacrificante, virou o rosto. Sem querer, a afligiu. Ela o chamou três vezes, não foi ouvida, sacudiu-o pelos braços, cutucou-lhe as bochechas e ele voltou, não para ela, sim para a imagem que via.
— Sailor Moon... — sussurrou.
O nome foi como uma apunhalada no coração dela. Baixou a cabeça, respirou fundo. De novo aquilo.
— Eu sinto muito, Crystal. — suspirou — Eu sinto muito! — passou a mão pela testa, sentiu-se a transpirar. Estava zonzo. Seria o vinho?
— Tudo bem... — ela respondeu num sorriso turvo, mais do que convencê-lo queria convencer a si mesma. — Não é só você... — fitou Seiya com o canto dos olhos, o astro evitava encará-la, envergonhado. Fitou cada convidado daquele salão lembrando-se de como a olharam durante a sua última apresentação. Julgava-se culpada por não se sentir feliz, afinal, todos a prestigiaram. Não... Não foi à ela que prestigiaram.
Quieta, largou-se de Diamante e, em silêncio o deixou sozinho no meio daquela multidão alegre. Quis segui-la, porém não teve coragem, o fez com os olhos: viu-a aproximar-se dos pais, falar-lhes alguma coisa, em seguida, observou-a subir as escadas às pressas, ela notou, lhe sorriu e acenou a despedir-se. O outro, o seu rival, fez menção de ir atrás, o pai da menina o impediu. O príncipe da Lua Negra viu-se necessitado de conversar com o irmão mais novo, mas onde ele estaria? Caminhou pelo grande salão, foi empurrado por braços e pernas de pessoas que dançavam empolgadas, manteve a calma e prosseguiu. Nada encontrou. Seu irmão caçula não estava naquela confusão barulhenta e movimentada, encontrava-se nesse momento no coreto onde viu a sua bela ruivinha pela primeira vez: ambos estavam sentados ao piano, ela delicadamente punha uma mão dele sobre as teclas e tentava ensinar-lhe uma simples e infantil melodia. Ele, acanhado, tentava tocá-la sozinho e as notas destoavam estridentes. Ela ria, também acanhada. Estavam ainda sob efeito da última canção, seus corações permaneciam acalentados. Ignoravam o ocorrido no salão, por isso estavam tão contentes. Naquele instante, eram os dois apenas, o piano, as estrelas e a lua que se fechara novamente no sorriso crescente.
— Jamais me esquecerei dessa noite, desse seu sorriso. — Saphiro confessou, afagando a face quente de Hina. — ficará em minha memória como uma tela.
— Saphiro... — sussurrou, encabulada. Abraçou-o singelamente, quase sem saber por onde passar os braços. O rapaz azulado a retribuiu, singelo. Acomodou-a no peito, permitindo-a escutar-lhe as palpitadas e sentir-lhe a vida correr. Foi apertado pelos dedos trêmulos dela, a apertou também, aquecendo-se e perdendo-se nas chamas de sua pele.
Quis beijá-la outra vez, assim o fez. A princípio, temendo assustá-la, cativou-lhe a boca devagar, segurando-a pela nuca. Hina entregou-se facilmente, os braços penderam sobre as pernas, inertes. O calor subiu pelas entranhas de Saphiro, num repente ele se encontrou em similar contexto do dia em que a espiou experimentando o vestido da festa, o que nesse momento ela usava. Resgatando a silhueta semidespida da guardiã do fogo, tornou o simples ósculo numa invasão, forçando-a a arregaçar a boca, tomando-lhe o ar. Sua Sailor Fire apertou o banquinho onde sentavam, tensa. As mãos frias de Saphiro pesaram-lhe nas costas, escorregando por elas, puxando-a para perto, quase sentando-a em seu colo. Hina não resistiu, mesmo vertiginosa, amoleceu o corpo e deixou-o ir para onde o homem quisesse levá-lo. Os lábios úmidos do nemesiano escorreram pelas maçãs rosadas de Hina, caminharam por seu queixo, desceram a ladeira do pescoço adornado por pérolas e repousaram em um ombro, depositando um beijo prolongado ali. Sentiu-se estranhamente entusiasmado ao furtar da menina um suspiro, afagou-lhe os braços na tentativa de acalmar-lhe a tremedeira. Sequer notara que ele próprio tremia.
— Desculpe-me, não quis assustá-la... — tentou se retratar, envergonhado, no entanto ainda encalorado.
— Eu te amo tanto... — de olhos fechados, rosto inclinado para o alto, rubra como um rubi, Hina confessou. — Eu te amo tanto que dói... — pôs a mão entre os seios, sentindo o órgão vital latejante. Abriu os olhos vagarosamente, apartando as longas e densas pestanas, olhou-o diretamente, como nunca antes havia feito. Não saberia dizer o que o surpreendera mais, as suas palavras ou o jeito como o olhava, ansiosa, quase ofegante. — Não posso perdê-lo, Saphiro! — a coragem se dissipou, baixou a cabeça e comprimiu o corpo, quase abraçando a si mesma. Seguiu os conselhos de Crystal à risca, encorajou-se e pronto!
— Hina... — expandiu os orbes azul-safira o máximo que pôde, desacreditado. Estavam entrelaçados por algo muito forte, sabia, só não imaginara que ela se confessaria, tampouco que chamaria aquilo de amor. O mais próximo que o príncipe conhecera do amor foi o sentimento fraternal, nunca o amor dos amantes. Que distraído era, pensava! A felicidade permeou cada pedaço dele, e então ele percebeu que era feito dela naquele instante. Os seus dilemas obscureceram e quase foram esquecidos, a razão anulou-se e somente o instinto de abraçar aquela menina e não desejar apartar-se dela jamais foi o que ficou. Ah, sim, foi parecido com o seu irmão mais velho, sabia. — "então isso é o amor, é sim!" — enrolou os dedos nos cachos alaranjados — Também a amo Hina.
No coreto de vidro o romance perdurou, na luxuosa festa a animação era o guia. Reiko, à essa altura já subira no palco e dançava ao lado do trio cobiçado, o único que se incomodou com a atitude de Sailor Nature foi Yaten, Taiki e Seiya divertiam-se e interagiam com ela. Olho de Peixe, esperto, conseguiu convencer Damien de dançar ao seu lado. Enquanto requebrava e induzia o príncipe a remexer-se quase sem ritmo, interrogava-o sobre suas origens e sobre como conhecera a Terra. A música alta não ajudava-o a manter a conversa. Olho de Tigre, finalmente liberto de Reiko, tentou erroneamente convencer Marine de acompanhá-lo em uma dança. Cercou-a como pôde, encurralou-a contra uma pilastra. Ágil como era, Marine escapava irritada, outros não ouviam seus gritos de protesto e as ofensas por causa do volume da música.
Olho de Águia perdeu-se de Mizumi outra vez, ela sumiu em meio à grande confusão de dançarinos. A ave teve o azar de encontrá-la, enfim, outra vez rodeada por belos homens. Antes que pudesse arrumar uma confusão, Hotaru chamou-lhe a atenção. Águia conteve-se e, cansado, deu-se por vencido naquela noite. Sentou-se a uma mesa e, para afogar as mágoas, bebeu quantos copos de uísque pudesse aguentar, sem muito demorar Olho de Tigre juntou-se a ele e, bêbados, confessaram seus martírios e suas derrotas.
Yumi há muito desistira do baile, encontrava-se no conforto de sua cama a mirar o teto azul, ornamentado por imagens de astros celestes. Valkyria, também nada entusiasmada com todo aquele clima festivo, despediu-se de Hotaru e dos reis, partiu do grande palácio a caminhar, foi até o único e enorme cemitério do reino no gastar das solas dos pés. Em frente ao mausoléu onde costumava repousar, sentou-se. O espectro que a acompanhava mostrou-se azulado sobre seu ombro, como se naquele lugar a tivesse esperado por todo esse tempo, Sailor Phantom o acomodou flutuante sobre as palmas das mãos e lhe sorriu – um sorriso triste, de luto.
Nos jardins do grande palácio de cristal, Diamante se prostrou no mesmo lugar onde mais cedo ficara, de pé diante do chafariz onde seu antigo amor fora esculpido. Ali, observando o sorriso e os olhos inanimados, refletia sobre seus sentimentos confusos. Ora parecia que superara o passado, sentia-se atraído por Crystal pelo que ela era, ora Sailor Moon voltava a assombrá-lo e tomá-lo de volta. A dualidade em seu coração amortecia-o e desnorteava-o. Temia que, por conta dessa dualidade acabaria por perder o seu maior trunfo: um amor finalmente correspondido. E mais: Damien, o maldito que chegara para romper com a sua paz. Precisava manter a cautela e, também, estar sempre próximo da princesa. Ela lhe pertencia.
"Ela me pertence... Tenho realmente o direito de tomar posse dela na situação em que me encontro?" — ajoelhou-se perante a imagem de Nova Rainha Serena — O que devo fazer? — buscava a resposta além dos olhos cristalizados da escultura, como se fosse cair de graça em suas mãos.
Se a ama, deve prezar a sua felicidade acima de tudo!
As palavras e a saudosa voz entraram por seus ouvidos como uma suave brisa.
— Sailor Moon? — a procurou — É você? — correu para um lado, para o outro, obteve o vento como resposta. Gotículas de água vindas do chafariz respingaram em seu rosto, escorreram pela insígnia lunar em sua testa — O que quer dizer com isso?
A madrugada se prolongou até onde pôde, mas a uma certa hora o nascimento do sol tornou-se inevitável. Muitos convidados recolheram-se nos aposentos que lhes foram destinados, entre os remanescentes, estavam Reiko, ainda animadíssima, Olho de Tigre e Olho de Águia desmaiados, apoiados sobre a mesa, cada um a segurar um copo vazio, Mizumi, os Three Lights já exaustos, Olho de Peixe assediando-os, visto que Damien há muito fora dormir, os reis, claro, que deveriam encerrar a farra finalmente, e de forma polida mandar aquelas criaturas dormirem. Assim que a música de fundo cessou, pois claro que os Three Lights não poderiam cantar a noite inteira e abusar tanto de suas pregas vocais, os últimos farristas se dispersaram e encaminharam-se aos seus devidos quartos. Reiko tentou acordar Tigre, mas não obteve êxito, o pobrezinho quase salivava sobre a toalha de mesa. Olho de Peixe, nada delicado, tratou de buscar um balde de gelo e despejar sobre os companheiros, ambos acordaram no susto e ele e a guardiã da natureza por pouco não rolaram de tanto rir. Seiya entregou nas mãos de Rini a rosa vermelha que enfeitava o seu smoking, pediu-a para dá-la de presente à Crystal como um pedido de desculpas. Antes que partisse, Rini o abraçou dizendo para que não se preocupasse com o ocorrido e que ele mesmo poderia entregar a flor. Sentia-se feliz por alguém como ele ter amado e protegido sua mãe, compreendia-o. Pena não poder sentir a mesma compaixão por Diamante.
... Então, quando todos os convidados finalmente foram descansar, Helios abraçou Rini ternamente, aliviado de poder estar a sós com a esposa.
— Que festa longa... — ela disse, exausta — Acabou não saindo como o planejado, estou preocupada com Crystal, Helios...
— Ela precisará de seu apoio e você do dela, querida. — segurou-lhe o queixo com calma, fazendo-a fitá-lo.
— Achamos que podemos proteger a nossa criança de tudo, mas quando ela cresce nos vemos incapazes de evitar que a vida a maltrate... — disse com pesar.
— Sim, porque há certas escolhas que os pais não podem fazer por seus filhos. — ele suspirou.
— Crystal é tão boa, Helios, não quero que Diamante se aproveite disso.
— Interfira até onde pode, e não até onde deseja, Rini.
— Eu sei, eu sei...
— É bom que saiba, pois não estarei aqui para ajudá-la, ao menos não por um tempo. —soltou-a devagar.
Ah sim, estava na hora! Quase esquecera... Rini segurou as mãos do marido com firmeza, notou-o preocupado e entristecido. Mordiscou o lábio inferior, apreensiva, tentou não mostrar-se cabisbaixa, no entanto o peso no olhar a entregava. Helios beijou-lhe a testa.
— Pequena dama — sorriu doce — não se aflija! Estou indo a Elysium para descobrir qual a procedência do caco de cristal negro, e se eu conseguir destruí-lo, o mundo dos sonhos voltará ao normal. Sejamos otimistas! Não me demorarei por lá!
— Está bem, Helios, serei positiva! — obrigou-se a sorrir, forte.
— Não entendo o que aconteceu, mas sinto-me revigorada! — Ametista caminhava pelo quarto alegremente, sem sentir-se fatigada.
— Isso é maravilhoso, senhorita! Mas, acalme-se, não extrapole os seus limites! — Quartzy advertiu.
— Quartzy, obrigada por se preocupar tanto comigo, mas você deve compreender que não posso perder tempo! Agora que recuperei minhas forças devo usar todos os poderes que tenho para cumprir os nossos objetivos! — a líder saiu do quarto as pressas, quase aos saltos foi ao grande salão do palácio nemesiano e sentou-se sobre o tatame de costume.
— Senhorita, o que vai fazer? — Jade a seguiu, Quartzy veio logo atrás, as duas perguntaram.
— Atacá-los-ei de modo diferente dessa vez!
— Como? — Jade perguntou, curiosa.
— Observem... — suspendeu os braços, abriu as mãos um pouco acima do piso, e, do círculo nele desenhado o pingente de cristal negro surgiu flutuando, cintilando raios escuros de energia. Sem demora o fragmento negro criou ramificações, num segundo passou de um simples pingente a uma flor de cristal negro a flutuar e girar. Os olhos de Ametista se fecharam, no momento em que abriram-se estavam completamente negros, como os olhos de uma besta. Quartzy empalideceu, Onyx, recém-chegado, alargou um sorriso diabólico, os outros permaneceram em silêncio, prestando atenção.
... Num repente, Crystal, adormecida, se retorceu na cama e sua pele rosada começou a empalidecer.
Continua...
Notas da autora:
Opa, opa, opa! A coisa está ficando tensa! Hihihihihi! O que acharam do drama? Espero que não tenha ficado nada corrido ou confuso, principalmente em relação à apresentação de Crystal com os Three Lights, que na minha cabeça foi uma cena épica, miraculosa, enfim... Reconheceram a canção? Se cogitaram ser AQUELA musiquinha que o trio canta na fase Stars a resposta é SIM! E o nome da música é: Nagareboshi He. Lindinha a tradução, não é?
Voltando a esclarecer, principalmente porque nesse capítulo aqui apareceram diversos personagens da série: a fanfic é baseada no anime antigo, embora agregue alguns detalhes do mangá. No anime antigo os Three Lights só são mulheres quando transformados em Sailor, mas como humanos normais são homens, ao menos assim sempre deu a entender. No anime antigo, Neherenia e Galáxia se redimem, lembram? Não sei se ficou claro, mas tanto as duas quanto os Three Lights e Kakyuu, aqui na fic, permanecem com aparências joviais e possuem uma longa vida porque foram "abençoados" por Sailor Moon com o poder do Cristal de Prata. Certinho? ^^
Bem, o próximo capítulo não será curto (claro), mas com certeza será menos longo, portanto fiquem aliviados! Acho que vão gostar... Só não falarei muito mais porque não quero dar spoiler :P
Ah, e quanto à Hina e Saphiro, eu mesma quero me deixar um review: AMEI as cenas deles nesse capítulo aqui, espero que mais alguém concorde! He, he, he
Kissus, queridos leitores! Por favor não desistam da leitura no meio pelo tamanho do capítulo!
