História Vinte e Quatro: A mulher guardiã dos Céus
O perigo de morte andava pelas ruas ensangüentadas do Santuário.
Os portadores das armas andavam sem pressa, aniquilando os soldados desprotegidos do Santuário. Cada ataque decepava uma parte do inimigo. Rios de sangue escorriam para fora do Santuário. Um ser de ébano, estando sobre a poderosa muralha do tombado Portão Sagrado, a tudo assistia. Seus olhos malignos brilhavam perversamente, com a mesma intensidade da lua cheia atrás de si. "Tolos são os guerreiros de Atena que não utilizam armas o tempo inteiro. Padeçam diante da soberania Espartana à guerra".
- Aniquilem até a última vida insensata deste antro! – gritou para seus soldados.
Nem precisava ter pedido. Todos já o faziam, e com muito gosto. A carnificina era sua diversão. Homens, mulheres, velhos, crianças, não importava quem fosse. Mais mortes, maiores recompensas, maior poder.
Então eis que surgiu um salvador. Voando por cima dos inimigos, uma mulher de máscara pisoteava-os com seu poder. Cada ataque seu causava o desmaio ou morte de sua vítima. Eram garras de águia aniquilando suas presas. Insatisfeito com o que via, o ser de ébano desceu de sua montanha particular e seguiu até a amazona. Não a deixaria matar seus guerreiros à toa. Por onde passava todos abriam para ele involuntariamente. Após chegar próximo a ela, aumentou seu Cosmo rapidamente, o suficiente para não ser percebido a tempo. Correu em sua direção, tomou-a por uma de suas pernas e a arremessou contra o chão causando uma enorme explosão. Atordoada, sem saber exatamente o que a havia acertado, a amazona pôs a mão em sua nuca sentindo a dor. Sentiu um fluxo furioso de Cosmo vindo em sua direção a tempo de evitar o ataque. O ser de ébano acertou apenas o chão. Graciosamente, a amazona caiu metros atrás, de pé. Observou o ser de ébano melhor. Sua armadura apresentava características semelhantes ao do lorde de Áries, mas não era tão completa e poderosa. Era um búfalo negro.
- Amazona, quem pensa que é? – falou com brutalidade – Não permitirei que destrua as tropas do mestre de Kydoimos. Identifique-se para que possa enterrá-la.
- Sou Alena de Águia, amazona de prata e guardiã dos céus. E você, bruto homem de ébano?
- Sou o tenente do Esquadrão do Caos do mestre Deacon, Brontë de Búfalo. Serei seu carrasco esta noite. – falou ironicamente.
- Veremos – replicou decidida.
A multidão apenas representava pedras soltas e escorregadias por onde pisar. Entretanto, Alena não estava muito segura quanto a confrontar alguém em tamanha vantagem. "Se utilizar seu poderoso machado poderei me machucar seriamente. Além disso, há muita gente inocente aqui. Terei que ser cautelosa".
Agilmente, a amazona aproximou-se do seu adversário, desviando de todos os obstáculos no caminho. Chegando próximo, ergueu-se no ar com grandioso salto. Realizou um mortal de costas e veio em direção ao inimigo com suas garras armadas. Era o que ele esperava.
- EAGLE FLASH! – gritou a amazona.
- SMASHING HORN! – retribuiu o homem.
Sacando seu machado rapidamente, o homem concentrou toda a sua energia de maneira espontânea, rápido demais para qualquer outro ser. Seu machado veio de baixo para cima, acertando a amazona em cheio. As garras da águia não foram capazes de superar o ataque devastador do búfalo negro.
Ela foi arremessada muitos metros à frente. Todos em seu caminho foram derrubados pela força e velocidade com a qual fora arremessada. Após bater em uma construção, toda ela desabou por cima da amazona, completando a tragédia. Não se via mais a presença da guerreira.
- Exterminada… – urrou o homem.
Usou de seu machado mais uma vez, agora contra os soldados do Santuário. Mais um pouco de luta e todo o Portão Sagrado seria de Esparta. Alguns guerreiros seguiam em direção a Praça do Relógio, que estava aceso. "O que significa isso?", perguntou-se o homem. "Ele estava apagado ainda há pouco. Por que acendeu?".
Não prestou mais atenção no relógio. Surgindo em meio aos escombros longínquos, Alena se levantava. Sua mascara estava meio rachada. Era hora de lutar com todas as forças. Machucada, mesmo com toda a proteção da armadura de prata que vestia, seguiu um pouco manca em direção ao oponente. Surpreso, este ficou feliz. "Hum", analisava-a, "Acredito que esta será uma oponente a se respeitar". Ergueu novamente seu machado.
- Bom, amazona. Agora a atacarei com meu verdadeiro poder. Prepare-se para arcar com as conseqüências de sua persistência.
- Seu gigante covarde – resmungou.
- Como disse?
- Covarde. Luta com a vantagem de uma arma. Um guerreiro de valor, de honra, utiliza apenas o corpo como arma. Mostrarei para você como uma frágil dama pode destroçar até mesmo o mais bárbaro combatente.
Enchendo-se de fúria, Brontë bradou seu machado contra sua oponente. Esta já sabia o que fazer.
- Insolente. Como ousa falar de mim assim. Morra, SMASHING HORN! – gritou.
Seu ataque cortou muito mais que o ar. Todo chão a sua frente foi despedaçado. Entretanto, a amazona desviou agilmente do ataque, até com um pouco de facilidade. Tinha um brilho no olhar. Correndo como uma cobra, ergueu-se no ar de fronte com o inimigo. Com os braços estendidos, atacou com um fechar brusco dos mesmos contra os seios.
- Um ataque não funciona duas vezes contra um mesmo cavaleiro. EAGLE STORM! – gritou.
Um poderoso tufão surgiu de seus braços, arrematando o grandioso homem até uma enorme altitude e o arremessando de lá. Sua queda provocou um abafado tremor. Levantando-se furioso, deixou que a areia escorresse ameaçadoramente. Pequenos machucados cobriam seu corpo enorme. Tomou seu machado e mais uma vez apontou para a amazona. Pega de surpresa, não teve reflexos para esquivar. Seria repartida em dois se a armadura não a defendesse.
Entretanto, um braço audaz interrompeu o ataque. De fronte para a amazona, um homem alto e forte, com uma lustrosa armadura variando entre o azul e o alaranjado e uma bela capa cinza, a olhava carinhosamente. Aquele rosto lhe era familiar. Seu inimigo as suas costas ficou impressionado com a força e ousadia do seu novo oponente. Segurava o ataque apenas com uma mão, e lhe dava as costas. Alena estava pasma.
- Não se preocupe. – disse calmamente o jovem Geord, cavaleiro portador da armadura de Lince – Esse confronto agora é meu.
