Título: Caminho do Coração

Beta: Bibiss

Nota: Presente de Fim de Ano a todos que acompanham essa fic. Tenham um 2008 repleto de sonhos, pois sem eles, não existiria vida, e sem vida, não existiria amor e sem o amor não haveria felicidade!


Capítulo Final - Família

Cerca de dois meses depois...

Harry se espreguiçou sentindo seu corpo totalmente relaxado sobre a aconchegante cama e baixo o calor das cobertas e do corpo de seu marido. Esse pensamento lhe fez sorrir e girar o corpo para apreciar seu companheiro que ainda dormia.

Seus olhos percorreram as feições suaves de Draco. Ele era tão lindo e perfeito que logo seus dedos juntaram nessa contemplação, contornando com suavidade a curva do maxilar até o pescoço, onde foram se perder entre os fios platinados.

Ficaria horas contemplando esse homem maravilhoso, se o dever não o chamasse. Inclinou para depositar um beijo nos lábios amados e se incorporou com cuidado para descer da cama.

Antes que seus pés tocassem o tapete, braços fortes o envolveram pela cintura e o atraíram para aprisiona-lo num possessivo abraço.

- Draco!

- Não me contento com um selinho sendo que hoje é o dia em que retoma seu trabalho na creche... – disse com preguiça, depositando beijos pela nuca de seu esposo.

Harry corou quando seus corpos se enroscaram e sentiu o peso de Draco sobre si. Estavam nus e pelo visto, o loiro não o deixaria levantar sem antes lhe dar a merecida atenção.

Deslizou as mãos pelo cabelo platinado e sorriu-lhe com carinho.

- Te amo... – e seus lábios se encontraram com lábios ansiosos por se embebedar em seu sabor.


- Bom dia! – Harry entrou à creche trazendo Léo e Mett pelas mãos.

- Olá Harry – Hermione lhe saudou indo a caminho da enfermaria – Chegou em cima da hora.

Esse comentário o fez corar indevidamente, o que tratou de camuflar indo cumprimentar a todos. Ginny apenas lhe deu um beijo no rosto e Vincent um aceno da cozinha.

Leonard e Merriett logo correram para se sentarem em um grande puff e passaram a conversar animadamente coisas de crianças, foi o que Harry deduziu num sorriso.

Finalmente a creche estava abrindo as portas novamente.

- Olá Harry, como passou esse fim de semana? – Remus apareceu na sala e o abraçou apertado enquanto Sírius, que o acompanhava, tratava de esfregar a cabeça dos meninos.

- Ahn... Tudo bem Remus? – Harry estava confuso, vendo como o padrinho vestia apenas uma camisa de manga curta sendo que estavam em pleno meados de Dezembro e mesmo a creche estando aquecida com a lareira acesa, não era pra tanto.

- Oh sim... É que hoje amanheci com calor – deu de ombros indo para o pátio, vendo se estava tudo em ordem.

Sírius simplesmente sorria cheio de alegria.

- Harry... – o moreno o olhou – Poderia cuidar de tudo enquanto eu e Rem temos que tratar de um assunto importante?

- Claro! – sorriu.

- Ótimo! – Sírius foi em busca de seu aluado e tratou de arrasta-lo dali à força e impedindo qualquer tipo de protesto enquanto o beijava nos lábios sem vergonha alguma.

Harry sorriu. Vê-los assim era muito bom. Finalmente a paz voltava em suas vidas... Suspirou sentindo essa gostosa sensação de tranqüilidade e conforto que agora o dominava dia e noite.

Não teve tempo de pensar em mais nada, pois como havia dito Hermione, chegara bem encima da hora e nesse momento, crianças e mais crianças começavam a chegar, felizes por voltarem à creche.

Harry sorriu aos pequenos e passou a chamar os nomes de sua turminha e logo o trenzinho estava formado, com Mett encabeçando e seguido por Léo. Estendeu a mão ao loirinho e os conduziu para o quarto dos brinquedos onde os deixou desenhando e pintando enquanto tomava um puff e os observava enquanto folheava um livro de decoração.

Sua mansão era enorme e apenas os cômodos principais foram mobiliados tradicionalmente, o restante da casa estava vazio, incluindo os quartos e as demais galerias de visitas e descanso.

Draco havia dito que era para que decorasse conforme achasse melhor, pois a casa era sua. Sorriu quando avistou numa das páginas um maravilhoso quarto de bebê em estilo de época. Apesar de serem móveis antigos, eram extremamente delicados e com motivos infantis que tornavam o quarto um sonho.

Seus olhos se dirigiram então para Léo e Mett, quem desenhavam alegremente sentados juntos em uma mesinha redonda. Semana passada havia terminado de mobiliar o quarto deles. O de Mett era todo claro e ficava próximo ao quarto principal que era onde dormia com Draco, ao lado era o quarto de Léo, com cores mais vivas e sem um padrão específico.

Do outro lado de seu quarto era um cômodo vazio, onde poderia transforma-lo em um quarto ou em uma sala de descanso. Seria perfeito para um quarto de bebê.

Ficou um tempo olhando aqueles móveis, então sentiu seu estômago encolher. E se Draco não quisesse mais ter filhos? Evitando pensar nisso, fechou o livro e o pôs de lado, passando a dar atenção às crianças, assim logrando esquecer por enquanto esses pensamentos.


Remus era impiedosamente atacado por beijos ao pescoço enquanto era conduzido à cama. Suas mãos se agarraram firme à camisa de Sírius, ainda confuso por essa reação.

Quando em fim caiu deitado no colchão, tivera chances de protesta.

- O que... – Sírius tomou-lhe os lábios num apaixonado beijo. Sentiu o corpo maior o cobrir com cuidado e a essência pós-barba que o animago usava lhe invadiu os sentidos.

Tragou ar assim que tiveram as bocas separadas.

Sírius sorriu ainda mais, acariciando a bochecha corada de Remus. Ele ficava lindo e gracioso com esse semblante de entrega e levemente envergonhado. O corpo delgado e suave já estava levemente úmido de suor. O calor que o lupino sentia havia aumentado em proporções gigantescas depois desse assédio.

Sírius continuava com um caloroso sorriso e suas mãos passaram a carícias mais ousadas. - Vou fazer amor com você de forma intensa e delicada... Quero que você sinta apenas prazer e satisfação...

Remus corou ainda mais, perdido nos olhos azuis de seu marido. Fazia tempo que não via Sírius assim, tão apaixonadamente sexy e extremamente romântico, talvez ele só tenha ficado assim uma única vez na vida, e foi quando tiveram sua primeira noite de amor, quando ainda eram adolescentes.

Viu em êxtase o moreno se curvar de encontro a si e se arrepiou inteiro quando a respiração quente lhe tocou ao ouvido.

- Moony... – foi sussurrado com sensualidade, o levando ao estágio mais alto da loucura.

Abraçou o corpo forte sobre si e num leve mover de seu corpo flexível, uniu seus lábios aos de seu amante, aceitando numa sedutora entrega e ansiedade, ser amado.


No final do dia Sírius e Remus ainda não haviam aparecido, para indignação de Hermione, quem tivera trabalho em dobro. Sorriu, pois seu instinto dizia que eles estavam completamente esquecidos de deveres e horários, apenas curtindo um ao outro, o que era ótimo em sua opinião. Mas sua opinião era tudo o que menos Mione queria saber nesse momento.

- Como podem ser tão irresponsáveis? – ela se queixava, enquanto terminava de limpar a enfermaria.

- Garanto que tem uma ótima explicação pra isso, mesmo sendo um tanto embaraçoso para dizer-lhe. – Harry riu quando a cabeça da amiga se assomou pela porta, mostrando que assim mesmo eles não deveriam ter sumido assim, sem prévio aviso.

Hermione não sabia o que eles estavam a ponto de alcançar. Harry por outro lado ficou sabendo pelos padrinhos sobre a poção de Snape e em como estavam ansiosos para que desse resultado. Sírius principalmente parecia o mais emocionado e nervoso, sendo que quem ia carregar a criança era Remus.

Ficou feliz por eles e realmente agradeceu a Snape por isso... Sabia que Sírius também agradecia, mesmo este frisando que foi através de uma troca justa e era mais que um dever o seboso Snivellus cumprir com sua parte.

Pensando agora em Snape, como será que estava a relação dele com o patriarca Malfoy? Conversaria sobre isso com Draco e veria se iam até a Mansão para saber no que deu. A única coisa que soube sobre os dois foi quando Lucius se mudou definitivamente para sua verdadeira casa e junto estava indo Snape. O patriarca não estava lá tão feliz com isso, mas ao mesmo tempo estava bem passivo em relação ao ex-professor.

- Já estamos indo – Hermione cortou sua linha de raciocínio, ao aparecer na sala com os trigêmeos.

- Já acabei também – Ginny terminava de colocar o casaco.

- Ron ainda não chegou – olhou o horário e viu que o ruivo estava bem atrasado.

- Ele é auror agora Harry – Hermione sorria com orgulho enquanto dizia – E está de serviço em uma missão.

- Então esperem que logo Draco virá me buscar e podemos leva-las em casa sem problema. É perigoso duas mulheres e três crianças andarem sozinhas a esse horário.

- Não sou tão indefesa assim... – Hermione reclamou, mas notou o olhar zangado de Harry. Sabia que no inverno as ruas ficavam mais desertas, pois ninguém gostava de enfrentar o frio e o amigo tinha razão, era perigoso.

- Não se preocupe Potter, Weasley me avisou e pediu que eu as levasse em casa, caso Sírius não pudesse – avisou Vincent, que deixava a cozinha e vestia uma capa de frio.

- Certo então... – se despediu resignado e viu como deixavam a creche.

Com um longo suspiro seus olhos buscaram aos filhos que fazia pouco tinha os deixado no tapete brincando, masnãoosencontrou. Olhou nos quartos e na cozinha, também não os encontrando. Então o desespero começou a falar mais alto.

- Léo! Mett! – chamou assustado e prestes a ir pra fora, quando a voz de Leonard o deteve.

- Papai! Mett achou uma flor bem bonita no meio da neve. – Harry olhou para o pátio e viu o filho perto do carrossel. Levou a mão ao peito, sentindo seu coração voltar a bater ao normal.

- Que susto vocês me deram... – sorriu mais aliviado – E o que estão fazendo na neve? Vão ficar doentes.

Reprovou esse comportamento indo busca-los para que os filhos não ficassem nem mais um minuto ali fora, quando foi agarrado pelas costas. Gritou e quase agrediu quem o havia agarrado, quando ouviu a voz de Draco.

- Sou eu amor... Não quis te assustar – Draco o olhava preocupado. Seus olhos prateados logo buscaram ao redor algo que indicasse a alteração em Harry, vendo que o moreno estava sozinho na creche e os filhos no pátio, brincando na neve.

- Estamos bem... – Harry puxou o rosto de Malfoy para olha-lo nos olhos – É que eu tinha me assustado quando não vi as crianças onde as deixei e... Pensei que houvesse acontecido algo com elas...

Draco então relaxou o corpo e o puxou com delicadeza para um confortante abraço. Acariciou os fios negros enquanto depositava beijos em seu pescoço. Sabia muito bem como era essa sensação e isso lhe entristecia. Harry não estava recuperado do susto que passaram e certamente levaria um bom tempo para que todos realmente vivessem com tranqüilidade.

- Estou aqui agora... – Draco sorriu com carinho antes de pegar a varinha e apontar para os meninos – Mobillis Corpus - Léo e Mett gritaram para em seguida começarem a rir, adorando voar – Accio Léo e Mett.

Os meninos vieram voando em suas direções, de braços abertos e rindo alegremente. Harry prontamente os segurou, sentindo como estavam geladinhos por brincarem na neve.

- Oh Merlin... Agora será minha culpa se vocês ficarem doentes... – o moreno reclamou baixo, tratando de limpar as roupas e aquecer ambos os garotos.

- Ta bravo com a gente papai? – Léo e Mett ficaram quietinhos dentro do abraço caloroso de Harry.

- Não meus anjinhos, mas sabe que não podem brincar na neve nesse inverno, isso faz mal... – franziu o cenho ao comprovar que o narizinho de Mett estava vermelho e ele parecia querer espirrar.

Draco cobriu os ombros de Harry com seu casaco, o deixando confortavelmente aquecido, assim como aquecia ainda mais aos meninos.

- Vamos pra casa... – Harry lhe sorriu em resposta e abraçados, deixaram a creche seguramente trancada e com feitiços de proteção.

Acomodaram-se na carruagem num monte de braços e pernas para não se separarem e deixaram os filhos em seus colos, ainda envoltos num abraço. Enquanto repousava a cabeça no peito de Draco, lembrava de seu passado e das vezes que se via sozinho, sentado em sua cama em Hogwarts, ou na beira do lago, vendo como a chuva salpicava a água.

Nunca havia imaginado que sua vida seria assim, que quem lhe faria companhia fosse justamente Draco Malfoy.

E se sentia verdadeiramente realizado...


Lucius terminou de tirar as roupas e entrou debaixo da água quente. Passou as mãos pelo cabelo tentando se recuperar do forte mareio que o assaltou assim que se levantou. Depois franziu o cenho com repulsa ao se recordar dos trinta minutos que tivera que ficar abraçado indignamente a privada enquanto liberava qualquer coisa que ainda tivesse no estômago.

Definitivamente estava doente. Sentia-se enfermo.

- Lucius? – Snape abriu de leve a porta e notou a silhueta através do vidro embaçado que dividia o chuveiro do resto do banheiro.

- Acho que vou morrer... – veio a voz abafada e triste do loiro.

Severus não conteve o sorriso que brotou em sua boca. Somente um Malfoy para exagerar dessa forma. Caminhou até o patriarca e abriu o vidro para vê-lo melhor.

Gotas deslizavam pelo corpo pálido, ainda com suas belas formas de músculos e suavidade. Os fios platinados estavam mais escuros por estarem molhados. Notou algumas gotinhas adornando os cílios e os lábios desse homem que lhe dava uma irresistível vontade de traga-los com a boca, mas antes que pudesse ao menos se mover, olhos prateados se abriram e o fitaram com pesar.

- É sério Sev, estou morrendo... Me sinto fraco, mareado, passo a manhã vomitando, tenho calor repentino e tem vez que parece realmente que vou desfalecer e nunca mais abrir os olhos.

- Desde quando está tendo esses enjôos? – perguntou tranqüilamente.

- Duas semanas...

- E não me disse nada? Eu posso te ministrar uma poção fraca para que esse mal-estar diminua consideravelmente – passou a mão pelo rosto do loiro, quitando uma mecha molhada – Você não está morrendo.

Malfoy finalmente reparou que Severus estava com apenas a roupa íntima e corou um pouco recordando que desde que passaram a morar na mansão, dormiam juntos.

Por respeito a Narcissa, não utilizou sua suíte no terceiro piso, esta foi previamente passada à suíte do segundo piso onde passou a dormir com o moreno. Era o quarto onde seu bisavô ocupava.

Viu como Severus se desfazia da única peça que o cobria e o envolvia num abraço. Suspirou quando o corpo masculino se pressionou em suas costas. No mesmo instante o mareio desapareceu aos poucos e a pressão em seu estômago, que ameaçava leva-lo por mais um par de minutos a se fundir com a detestável privada finalmente se suavizou até se tornar quase imperceptível.

- Como fez isso? – perguntou curioso. Nunca soube de magias de cura instantâneas como essa.

- O que passa, Luc... – sussurrou de encontro à orelha – É que você está grávido... E pelos seus enjôos, de uns dois meses e meio.

- Quê? – quase berrou, só não o fez, porque era um refinado aristocrata Malfoy. Foi tentar se virar, mas Snape impediu, lhe empurrando contra o azulejo de mármore negro.

Apoiou os braços contra a parede fria e corou, sentindo como as mãos do moreno deslizavam suaves por seu ventre e leves beijos eram depositados em seus ombros e costas.

- Por isso minha presença, assim como minha magia, afastou seu mal-estar, sinal de que o bebê já está exigindo uma quantidade de magia maior do que você pode oferecer sozinho. Portanto, passaremos o tempo mais juntos, para que eu possa suprir com minha magia, a falta da sua.

Lucius fechou os olhos e respirou profundamente. – Mentira... Você está mentindo.

- Você sabe que não... Te vi em certas noites, confuso, sentado na cama e olhando para o próprio ventre. Nessa altura da gestação já pode senti-lo...

Lucius ia reclamar, mas Severus não deixou, o calando da melhor forma que poderia... Com um profundo e exigente beijo...


Draco olhou as horas e constatou ser quase onze da manhã.

- Prontos meninos? – chamou da sala de recepções, onde a lareira era conectada a rede flú.

Léo e Mett vieram correndo e se abraçaram em si. Os dois estavam bem vestidos, com casacos e gorros que cobriam os cabelos de ambos, só deixando as pontinhas de fora, e nas mãos luvas coloridas. Harry veio logo em seguida com dois cachecóis, um verde e o outro vermelho.

- Venham, deixem o papai colocar isso em vocês – ajoelhou no chão enquanto os meninos paravam frente a si com lindos sorrisos no rosto. Enrolou o vermelho no pescoço de Léo e o verde no pescoço de Mett.

Quando terminou de prender o cachecol no loirinho, tratou de passar a mão pela testa do garoto, verificando se a febre realmente cedeu. Havia passado uma semana depois de se descuidar deles quando brincavam na neve, o que realmente resultou em um resfriado em ambos. Como Merriett era mais sensível, demorou mais para se curar.

- Prontinho... – sorriu, dando um beijo em cada um.

Draco via a tudo com carinho e assim que sua família já estava pronta, ajudou Léo a entrar na lareira, depois Mett. Então estendeu a mão para Harry.

- Vamos amor? – Harry lhe sorriu largamente tomando sua mão estendida e ambos entraram na lareira segurando firme nas mãozinhas dos meninos sem se soltarem – Léo?

Leonard ergueu a mão com pó de flú que Draco lhe deixou pegar para ser ele quem iniciaria a viagem. Quando soltou o pó, Harry deu a indicação.

- Mansão Malfoy – e tudo girou.

Assim que saíram pela lareira, Harry teve que usar seus reflexos e rapidez de apanhador para segurar a um mareado Mett que quase caiu sentado. Leonard estava com os olhos bem apertados e agarrava firmemente a perna de Draco.

Os dois riram quando Mett tentou caminhar, mas ainda tonto pelos giros que deram através da rede, cada passo que dava era mais torto que o outro. Com dó, Harry o carregou para que se recuperasse, assim como Draco carregou a Léo, quem evitava qualquer movimento.

- Eu disse que eles eram muito pequenos para viajarem via flú – Harry reprovou o marido.

- Eu não gosto da lareira – Léo reclamou, chateado.

- Nem eu – Mett esfregava os olhos e fazia bico.

- Sinto muito, da próxima vez só usaremos a carruagem – Draco só teve que agüentar as reclamações pra cima de si. Não entendia porque sua família era tão complicada, visto que Blaise garantiu que seu filho de quatro anos viajava tranqüilamente via flú, sendo que Pansy ia toda semana com ele para o Beco Diagonal fazer comprar.

Harry lhe beijou o canto da boca. – É normal que fiquem tontos, até eu fico. Só preferimos algo não tão psicodélico e giratório.

Dessa vez Draco sorriu, percebendo que não trocaria sua complicada família por nenhuma outra no mundo. Ela era perfeita do jeito que era e por isso que os amava tanto.

Essa contemplação foi interrompida quando um desesperado e rabugento Severus Snape era praticamente enxotado pela escadaria por um revoltado patriarca Malfoy.

Snape ainda tratava de abotoar sua túnica enquanto Lucius vestia um roupão de seda com os cabelos pingando água.

- Apenas aceite e pronto! – reclamou o professor.

- Como se fosse a coisa mais simples do mundo, seu imbecil! – o loiro tratou de agarrar a primeira coisa que estava ao alcance e lançou contra o outro homem, que tivera que se desviar precipitadamente.

Draco e Harry se encolheram quando o som do mais caro vaso chinês que enfeitava o final da escada se estilhaçou contra o piso de mármore.

- Vamos Lucius, não seja histérico e dramático – espetou Snape, para lástima da família que presenciava a cena sem ao menos ser notada ali – Podemos com isso.

O patriarca estreitou os olhos perigosamente. – Não ser histérico e dramático? Podemos com isso? – sibilou carregado de ira – Por acaso inalou muito gazes de poções mal elaboradas Snape? – cuspiu o nome com desprezo – Como acha que faremos isso? Nem você e nem eu sabemos como cuidar de uma criança! Você nunca teve família! Eu nunca fiquei mais de meia hora perto da minha! Você nem gosta de criança pra início de conversa! – passou a mão pelo longo cabelo mostrando inteira frustração – Estamos ferrados!

- Tudo há uma primeira vez... – foi a resposta, bem calma e isenta de emoção por parte de Snape.

Harry sorriu um pouco, vendo esse lado do patriarca, o cabelo desgrenhado o roupão de seda caindo por um dos ombros e o semblante frustrado com um leve toque de preocupação e desespero, lhe parecia bem mais jovem do que era.

- Desculpem. Chegamos em má hora? – Draco aclarou, olhando para o pai e para o padrinho.

Lucius dedicou uma mirada perigosa a Snape antes de subir a escada e se enfiar no quarto, largando as inquisições dos jovens para que esclarecesse sozinho. Com cansaço e recuperando sua carranca de sempre, o professor passou os dedos pelo cabelo, também úmidos, o acomodando da melhor forma.

- O que vieram fazer aqui? – perguntou secamente.

- Bem... Meu pai nos convidou para almoçar e logo depois ir para as compras de Natal. Como hoje é sábado e os padrinhos de Harry permitiram que tomasse o dia livre, aqui estamos...

- Claro... Logo o almoço será servido, fiquem à vontade – então deu uma olhada para a escadaria – Vou ver se acalmo o seu pai.

- Hum... Melhor deixa-lo se acalmar sozinho, visto que ele está realmente zangado com você... – Harry não evitou sorrir um pouco ao receber uma mirada estreita por parte de Snape.

Léo e Mett nem ligaram com a briga, simplesmente se deram as mãos, quando foram postos no chão, e correram para a cozinha a fim de molestar o elfo doméstico para que lhes dessem bolo ou pudim antes do almoço.

Snape acompanhou os garotos com o olhar, fazendo uma careta de desagrado.

- É bom ir se acostumando através deles, já que vocês terão um... – Harry murmurou com divertimento, obtendo a atenção do professor – Assim que o senhor Malfoy desceu a escada, eu senti que ele levava algo especial – esclareceu, para a confusão de Draco e moléstia de Snape.

- Meu pai?

Harry abraçou o loiro nitidamente alegre. – Acho que seu pai te contará a novidade, ou o seu padrinho.

Ninguém mais tocou no assunto até o horário do almoço. Lucius se juntou a eles na mesa e permaneceu estranhamente quieto, perdido em si mesmo. Seus olhos pousaram sobre os dois garotinhos, que comiam animadamente sozinhos, apenas sendo ajudados por Harry quando este notava que era realmente preciso.

Em volta do prato deles parecia que tinha sido cuidadosamente regado de alimentos, como arroz, purê de batatas, alguns pedacinhos de carne previamente picadas por Harry e algo de refogado à francesa.

Mett tentava pegar com sua colher um pouco de estrogonofe e quanto mais empurrava o talher de encontro à comida, esta ficava perigosamente à beira do prato. Léo analisava minuciosamente seu champignon ao molho branco e decidiu, com uma careta, que não gostava daquilo e não ia comer, começando a empurra-los para fora do prato de propósito.

Lucius franziu o cenho e perdeu o apetite, passando a ponderar sua situação. Teria que lidar com isso sem a imprescindível ajuda de uma mulher e com o apoio de um zero à esquerda que se chama Severus Snape. Certamente não saberiam o que fazer, como agir, como educar...

Fechou os olhos e suspirou profundamente tentando controlar o impulso de chorar. Era estranho, mas passou a ter que batalhar para se manter à margem das emoções, como sempre conseguia fazer. Era como se ficou altamente sensível nesses últimos dias passando da raiva para a indiferença, da alegria à tristeza... Seu autocontrole havia desaparecido.

- Está tudo bem pai? – Draco observava a repentina falta de apetite em Lucius.

- Acho melhor dizer agora... – começou, de forma vaga e penosa – Você terá um irmão dentro em breve...

Draco arregalou os olhos, para em seguida sorrir abertamente. Ia parabenizar os dois, assim como Harry, mas foram prontamente cortados.

- Nenhuma palavra de elogio – Lucius abriu os olhos para fitar a mesa – Ainda estou no processo de aceitação.

Todos concordaram em silêncio, inclusive Snape, quem não contava que lidar com esse loiro seria mais difícil do que parecia. E a preocupação de Lucius só fez com que se preocupasse também. Tinha que admitir que seria uma experiência revolucionária em suas vidas.


Remus olhava uma das inúmeras vitrines enfeitadas com motivos natalinos no Beco Diagonal. Ao seu lado, tomando-o gentilmente pela cintura, estava Sírius, mais interessado em si do que nas coisas dispostas para venda.

Sorriu timidamente empurrando levemente o corpo do animago com o seu.

- Deixe disso Pad... Estamos no meio de uma multidão – sussurrou, vendo através do vidro como o marido lhe admirava.

- Eu li no Coração de Bruxa que quando os homens engravidam, eles tendem a ficar cada vez mais bonitos, atraentes e irresistíveis, pois o corpo passa a produzir uma restrita e fundamental quantidade de hormônios femininos. Hoje eu notei que suas bochechas estão graciosas com um leve tom rosado e seus olhos estão mais brilhantes...

Remus girou o rosto em sua direção e lhe beijou na boca. – Pronto, já me bajulou e eu já lhe agradeci os elogios com um beijo, agora... Poderia prestar atenção na vitrine?

- Pra quê olhar essas coisas se eu posso te olhar? – foi a resposta, junto com um irresistível sorriso.

- Vocês realmente são românticos – a voz de Draco atraiu a atenção dos dois.

- Chegamos... – Harry sorriu para os padrinhos.

Assim que deixaram a Mansão Malfoy, foram diretamente ao Beco Diagonal para se encontrarem com os padrinhos no horário marcado.

Draco e Harry vinham abraçados enquanto cada um levava um dos garotos pela mão. Snape vinha logo atrás com vestimentas negras ao lado de um homem de longo cabelo negro e olhos caramelos que prontamente deduziram se tratar de Lucius Malfoy disfarçado, já que este era tido como morto pelo Mundo Mágico.

- Você me parece diferente... – Draco analisou a Remus – Está mais radiante e gracioso, se me permite dizer, com todo respeito.

- Segundo Sírius é efeito de meu estado "gestativo" – riu um pouco.

- Oh, então é por isso que seu pai me pareceu diferente essa manhã? – Harry deu uma olhadinha ao mencionado, que observava as lojas muito distraído para ser o patriarca Malfoy. Realmente estar em "fase gestativa" alterava todo o organismo, incluindo o emocional. Como já havia passado por isso, sabia de antemão.

Olhou para o padrinho e teve pena dele. Logo Remus passaria por essas alterações de humor o que agradecia não estar na pele de Sírius caso o lobo incorporasse numa fase não muito amigável.

- Onde estão seus filhos? – Draco reparou que eles vieram sós.

- Como eram muitos, deixamos com a senhora Weasley, que fez questão de cuidar deles enquanto fazíamos as compras de Natal – Black esclareceu, para alegria de Snape, quem não era muito fã da idéia de ter que andar com tantos pentelhos endiabrados.

Passaram a caminhar até um Café, onde se acomodaram numa mesa ao fundo para esperar Rony e Hermione.

Enquanto conversavam de trivialidades, não demorou muito para que o casal aparecesse, sem os trigêmeos. Segundo Hermione seria impossível comprar os presentes deles com eles perto, xeretando e aprontando nas lojas, preferiram deixa-los com os avós.

Harry sorriu, imaginando o estado da Toca nesse momento, repleta de crianças bagunceiras.

Foi uma tarde maravilhosa para todos, entre risos e cappuchinos para os adultos e chocolate quente para as crianças, nem acreditava que ali na roda o patriarca Malfoy e o ex-professor de poções faziam parte, mesmo sem participarem muito das conversas, foi bom tê-los presente.

Quando a noite tomava o firmamento e as ruas se iluminaram magicamente, resolveram tomarem o calçadão para as compras, se consumindo nas belezas que cada loja podiam oferecer como presentes de Natal.

A alegria e o entusiasmo nos rostinhos dos meninos era o que mais iluminava a noite. Suas risadas enchiam os corações dos adultos enquanto apontavam ansiosos às mais singelas mostras de luzes e canções.

Harry não cabia em si, vendo sua família tão unida e tão deslumbrante. Os olhinhos brilhantes de Mett, a agitação em Léo, o sorriso nos lábios de Draco...

Nem imaginava que quem mais irradiava essa noite era ele próprio, tomado pelas emoções que transbordavam de seu coração, seus olhos iluminando seu semblante como flamas de um fogo interno envolvente, e na boca um sorriso tão mais arrebatador do que os demais...

Viu como Draco carregava os meninos para que pudessem ver as vitrines, o tom amarelado das luzes mágicas lhe dando um aspecto mais irreal, como se fosse feito de milhares de estrelas. E quando seus olhos se focaram em si, azul-prateado expressando tudo o que palavras jamais alcançariam, só soube que finalmente sua meta havia sido cumprida, que seus esforços não foram em vão e que seus sonhos, semeados durante tantos anos, finalmente floresciam...

Draco murmurou algo aos garotos, os olhos ainda presos aos seus, então seu coração estremeceu carregado de alegria, assim que Léo e Mett lhe dedicaram atenção e sorrindo felizes gritaram alegremente.

- Papai, nós amamos você!

E o que sentiu foi sublime e único, e que apenas seu marido pôde saber o quanto foi gratificante, através do resplendor esverdeado de seus olhos...

Agora entendia o significado da palavra Amor em toda sua essência... Agora acreditava que esse mar de sentimentos abstratos e altamente viciantes existia...

Pois o amor era o caminho que seus corações unidos percorriam nessa estrada chamada vida...

oOo

Fim


Nota da autora: Espero que tenham gostado do final. Pra quem pediu ler sobre os filhos de SíriusxRemus e SeverusxLucius, aguarde o capítulo Extra.

Pra quem pediu ler sobre LéoxMett juntos, subirei um Shortfic separado de Caminho do Coração intitulado Petit Amour. Com respeito a quem não é fã de incesto.

Obrigada a todos que estão acompanhando e até o capítulo Extra.

Agradecimento à minha beta: Bibiss.

Agradecimentos do capítulo 21: MalukaChan; May Malfoy Snape; Dark Wolf 03; Ninaa-chan (2 reviews); Ana Loks; Nanda Lilo; Cristal Black; Allexa Black; Scheila Potter Malfoy; Buh Malfoy; Srta Potter Malfoy; Nandda; HannaSnape (pelos vários comentários!); Fabi; Mira.chan2004; Ana Paula; Anne (pelos imensos comentários!); Belly Maltter; Nanda W. Malfoy e Vivvi Prince Snape.

Agradecimentos do capítulo 22: Ana Paula - olá, espero que tenha compensado nesse capítulo a falta de intimidade entre Sev e Luc. Bjs; Scheila Potter Malfoy; Miyu Amamyia; Nanda Lilo; DW03; Srta Potter Malfoy; Nanda W. Malfoy - olá, fico feliz que tenha gostado da dedicatória, afinal, quem ficou super emocionada fui eu, com tantos comentários que recebi de vc, nossa! Bjs; Vivvi Prince Snape; Nandda; Ninaa-chan (2 reviews); May Malfoy Snape; Sophia.DiLUA; Ploc; Buh Malfoy; Paula-Chan; SOPHIE BLACK30; Fabi - olá, que bom que gostou do lemon, não foi tão lemon quanto Olhar e Tocar, mas acho que era melhor assim, visto que Caminho é mais suave. Bjim; Mira.chan2004; Ge Black; HannaSnape; morjii malfoy; Anne - olá miga! Fico feliz que tenha conseguido nos alcançar. Já estava ficando triste que eu ia postar o último capítulo sem ti! Acho que você foi uma das mais entusiasmadas leitoras de Caminho do Coração, com seus enormes-gigantesgos-e-maravilhosos reviews! Sentirei saudades de seus comentários! TT , enfim, podemos nos comunicar por mail V. mas confesso que não será a mesma emoção quanto aos seus emocionantes comentários! Bjks minha linda, tbm te adoro!; Srta. Depp e Cynthia Malfoy – olá, demorou pra ficar listo o capítulo, mas espero que a espera tenha valido ao menos em parte! Bjs!

Acho que só tenho que agradecer tanto carinho de todos vocês, principalmente daqueles que acompanharam essa fic durante tanto tempo, desde os primeiros capítulos, e àqueles que me deixaram palavras tão lindas e emotivas dizendo o que sentiram, como reagiram e o quanto Caminho do Coração ficou na memória!

O carinho de todos vocês é muito importante pra mim, acho que pra qualquer pessoa, é a coisa mais gratificante do mundo!

Nunca na minha vida pensei que fosse receber tanto carinho de tantas pessoas, os elogios que foi muito além dessa fic e passou a ser sobre minha pessoa, nossa, foi incrível! O carinho de tantos que me fizeram sorrir, até gargalhar até chorar com os comentários humorísticos, as idéias e imaginações de cada leitor, e aqueles que foram fiéis em me dedicar sempre um pouco mais de emoção e inspiração em cada capítulo, sem faltar um.

Aqueles que pegaram o bonde andando e já no finalzinho, perto da última estação, mas que me passaram tanto afeto como se veio dentro dessa trama romântica desde o ponto de partida!

Aqueles que me acompanharam, mas que por algum motivo não puderam mais deixar reviews, não sei se continuam lendo essa fic até aqui, ou se desistiram dela, mas que eu ainda tenho guardado na memória e estou feliz que ao menos tenham acompanhado em parte. Àqueles que me deixaram reviews regulares, como quem diz "olha, não deixo em todos os capítulos, mas estou deixando nesse para que saiba que continuo lendo" e isso me emocionava e eu pensava "nossa, fico feliz que não tenha deixado de acompanhar!". E aqueles que nunca deixaram comentários, mas que acompanharam cada desfecho do início ao fim!

A todos vocês eu agradeço de coração cheio de entusiasmo e saudade! Obrigada!

Mas hei! Ainda tem o capítulo Extra! Estou chorando desde agora, mas tem o meu presente a todos que acompanharam Caminho do Coração!

Beijos enormes e abraços apertados!

Sanae.