CAPÍTULO 25

Céu Vermelho desceu as escadas para encontrá-los, Sam quase não o reconheceu, tamanha a mudança. O imenso ruivo estava abatido e emaciado, barba por fazer de vários dias, profundas olheiras que denunciavam um extremo cansaço físico e mental. E mais do que isso, ele parecia profundamente abalado. Derrotado.

Esperava que Dean não fosse cruel com ele, como tinha a impressão que seria. Mas não foi. Na verdade, O gigante encarou Dean com apreensão e um apelo angustiado por perdão nos olhos, e Dean apenas o abraçou forte, sendo retribuído pelo homem maior:

_É bom te ver vivo, cara... É bom te ver vivo.

Sam torceu os lábios, emocionado, enquanto ficava imóvel olhando ao lado do pai. E um pouco assustado com o sentimento forte que apertou seu coração. Dean e Céu Vermelho eram muito amigos e isso agora parecia uma constatação incômoda. Enquanto ele, Sam passara anos tendo delírios juvenis com o caçador, Dean realmente o conhecia. Dean caçava com ele. Dean tinha um amigo e Sam tinha ciúmes de que Dean tivesse um amigo, mesmo que fosse Céu Vermelho.

_Posso dizer o mesmo, Dean!

Obviamente o pai deles aparentava ter os mesmos sentimentos, pois tratou de ser desagradável assim que pode:

_Bobby me disse que você está mantendo seu próprio filho prisioneiro. Desconfia do que exatamente, e porque não entrou em contato comigo se entrou em contato com Bobby? Você deixou Dean para lidar com aquilo tudo sozinho e não teve nem a decência de me avisar?

Antes que Sam pudesse reagir à notícia sobre o filho de Céu Vermelho, Dean contemporizou, chamando a atenção para si:

_Pai, se ele pudesse ter avisado ele teria. E ele não tinha como imaginar que eu...

_Calado, Dean._ John sibilou.

_Você está sendo precipitado, John. Até parece que não é o caçador que eu conheço._Jordan falou, com voz cansada e irritada. Sam viu que não seria boa idéia os dois discutirem naquele momento, Céu não estava no melhor de sua calma e o pai era muito orgulhoso e rancoroso para recuar caso aquilo se tornasse sério demais.

_Pai, isso é assunto dos dois. Dean é adulto. Nós viemos aqui para ajudar, não foi?_ele pegou o braço do pai, falando com calma.

John olhou Dean como se o visse novamente depois de 20 anos longe. Dean estava absolutamente embaraçado por toda a cena, mas mantinha-se quieto e olhando o chão.

_Ah, certo. Pelo menos eu vou poder saber o que aconteceu lá naquela maldita cidade dos infernos. Você com certeza não sabe que Dean perdeu a memória.

Jordan MacKeenan olhou surpreso para Dean, que se justificou:

_Não lembro o que aconteceu lá, Céu. Não muito, pelo menos.

Uma expressão de extrema angústia surgiu nos belos traços do caçador ruivo:

_Dean, Leon abriu O Selo.

...

Sam pensou muitas coisas estranhas no momento em que ouviu aquilo. A mais estranha foi "eu não acredito que isso tinha que acontecer justo agora" e ele reagiu a seu próprio pensamento infantil e mesquinho com horror. Ele esquadrinhou o rosto de Céu Vermelho e não viu sinais de loucura aparente ali. A voz de Dean soou estranha naquela situação toda, falando com cuidado exagerado:

_Seu filho não fez isso.

_Sim, ele fez. O maldito jogou tudo no ventilador e disse sim, pelo simples prazer de fazer isso.

Agora era o pai quem olhava com desconfiança para o caçador ruivo. As palavras que ele dizia não faziam muito sentido. Sua voz saiu entredentes, seus olhos eram meras faíscas de raiva contida:

_Ok. Comece do começo. Você e Dean foram para Sheneny e você sabia que Leon estava lá? Quer dizer, você encontrou com ele lá ou isso foi depois? Porque se você levou Dean sabendo o que ia acontecer lá, seu desgraçado, eu acabo com você!

_Claro que não! Leon não estava lá, no começo. Ele chegou depois. Estávamos investigando a névoa e Dean descobriu sobre as pessoas... Algumas delas eram as crianças que nós rastreamos anos atrás. As crianças que passaram por tentativas de rapto, todas com ligações com as tempestades elétricas e que supostamente eram paranormais._o olhar cansado do caçador desviou-se do irmão mais velho para o irmão mais novo._Como Sam.

Então nós começamos a ligar os fatos... De algum modo aquele fosso era o fosso do abismo citado nas Revelações... E isso significava que estávamos lidando com algo bem maior do que achávamos no começo. E então nos ficamos bem ferrados quando percebemos que estávamos cercados por demônios em corpos de paranormais..._sua voz tremeu, ele olhou novamente para Dean, que o observava com atenção, parecendo empático, mas como se jamais estivesse arriscado o pescoço pessoalmente numa situação daquelas.

Sam sentiu um arrepio e um pavor devastador, ao visualizar a gravidade do perigo que Dean enfrentara. Era um milagre que tivessem sobrevivido.

_Então Leon chegou. Toda a minha alegria se foi quando ele disse que tinha aberto o selo. Você não se lembra de nada, Dean?

_Sim, algumas coisas... Me lembro do cara que chegou com ele. Na verdade, não consigo esquecer, o que é diferente.

_Céu! Um grito indo lá de cima interrompeu a conversa, Sam sentia-se como se tivesse chovido agulhas em cima deles. John apoiou o seu braço no mais novo, resmungando:_Mas que porra é essa, isso não pode ser verdade...

_Pergunte para ele mesmo, John. _Céu cuspiu as palavras, subindo as escadas. Os Winchester o seguiram, Dean no final da fila. No andar de cima Sam já pode sentir em seu âmago a intensidade das magias de contenção. Todas as paredes estavam marcadas com símbolos dos quais Sam conhecia muito poucos. Algo pulsava atrás daquelas cadeias e Sam sabia que era Leon, outro paranormal como ele, mas talvez muito mais poderoso.

Entraram no cômodo onde estava Leon, só de calças, e algemado a uma cadeira no centro de um círculo intrincado. Não havia nenhum outro móvel na sala.

_Ah, temos visitas..._o jovem de cabeça baixa sussurrou. Do menino magricelo que aparecia nas fotos com Céu Vermelho só restaram os cabelos muito escuros e sedosos, agora caindo longos sobre os ombros. A pele era muito branca e mostrava a força de músculos no corpo atlético, porém pequeno. E ele levantou o rosto para encará-los e Sam viu os olhos azuis mais brilhantes que já tinha visto pessoalmente.

_Alguém pode me dar água? Por favor?_a voz era carregada de ironia e rancor.

O pai dele foi até a garrafa de água no canto e serviu um copo plástico. Os Winchester observaram em silêncio o caçador tirar os sapatos e entrar no círculo, dar a água a Leon. Depois que este bebeu, e Céu Vermelho saiu do círculo, Leon encarou o ruivo:

_Até quando vai me manter aqui? Acha que isso vai desfazer o que já fiz?

_Já disse que, apesar da sua traição, não quero que eles venham atrás de você. Você está seguro aqui. Por enquanto. E se você colaborasse...

_Eu já disse que não tenho lado nenhum. Não fiz isso para os demônios "ganharem" a guerra, Céu Vermelho..._era bastante difícil de acreditar na sinceridade das palavras do rapaz aprisionado quando seu tom de voz era tão cheio de desprezo.

_Então, me diz, me diz, por que porra você fez isso, se você sabe que podemos todos ser destruídos, Leon? Por quê? Será que está louco? Foi aquele homem que colocou estas idéias na sua cabeça? Como é que você pode abrir um selo simplesmente sabendo exatamente o que estava fazendo e encarar isso como uma coisa certa a se fazer? Passei dez dias tentando entender, mas ainda não compreendi! Pelo amor de Deus, por quê?_o ruivo berrava, completamente fora de si, parecia já ter chegado ao limite de sua paciência.

Dean puxou o caçador pelo braço, sussurrou:_ Não adianta discutir. Acalme-se, cara!_enquanto tirava o grandão da sala. Sam sentia-se grudado no chão, olhando com fascinação para o cara que tinha feito a maior burrada da face da terra e nem sequer se arrependia disso. Seria louco? Será que os anos longe de Céu Vermelho tinham sido assim tão ruins? Ou era apenas um homem mal e destrutivo e inconseqüente que não merecia nem um segundo dos anos de busca e do amor que o pai adotivo lhe dedicara todo este tempo?

_Então garoto, será que então você pode explicar como foi que se meteu nessa merda toda?_John trovejou, dirigindo-se ao garoto do círculo.

CONTINUA


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