No final da tarde, nuvens carregadas cobriram o céu e o vento forte sacudia as árvores, não tardaria a cair a tempestade que se anunciava.

Rin lia um livro enquanto o filho brincava sobre o tapete próximo dela. A noite já caíra há algum tempo e Sesshoumaru não havia retornado de sua incursão pelo vilarejo.

Midori entrou no aposento para informar a sua senhora que o jantar estava pronto e que poderia ser servido no momento em que ela ordenasse.

- Pode mandar servir Midori. Não faço idéia de quando Sesshoumaru vai retornar, não vou esperá-lo.

- Sim senhora.

Rin fez sua refeição no salão de banquete enquanto conversava com Midori, esta estava sentada em uma das cadeiras depois de muita insistência por parte da jovem. Ela tinha Heikou no colo e dava pequenos pedaços de uma fruta macia a ele. A mãe ria das caretas que o filho fazia ao provar a fruta, com um gosto que seu paladar apenas acostumado ao leite materno desconhecia.

Horas mais tarde Rin amamentou o filho e o colocou para dormir em seu quarto. A tempestade desabou com intensidade sobre as Terras do Oeste, tanta água que parecia ser capaz de deixar todo o país submerso. Rin já havia se recolhido aos seus aposentos, já era tarde e ela começava a se preocupar com Sesshoumaru. Os raios e trovoadas se tornaram freqüentes naquela noite sinistra. A jovem deitou-se na cama com seu leve quimono de dormir branco, rezava internamente para que Sesshoumaru chegasse logo e suas preces foram atendidas.

Sesshoumaru entrou no quarto e fitou a mulher que estava sentada agora na cama. Ele estava encharcado, como Rin previra, esteve vagando pela floresta sob aquela tempestade terrível.

- Eu estava preocupada. Ela disse para ele.

- Por quê?

- Você estava fora no meio dessa tempestade...

Sesshoumaru já se desfazia dos trajes completamente encharcados enquanto falava com a mulher.

- Eu sou um youkai Rin, o que uma tempestade como essa poderia me causar?Apenas me molhou. Ele disse com voz suave.

Já completamente nu ele entrou no quarto de banho saindo minutos depois de ter se lavado e vestido um outro quimono de cor branca. Ele ainda secava os cabelos com uma toalha quando se aproximou da cama.

- Por que Heikou está dormindo aqui? Ele perguntou falando baixo para não acordar a criança.

- Não quis deixá-lo sozinho por causa dessa tempestade ele poderia se assustar.

- Ele me parece muito tranqüilo.

- É. Parece não se incomodar com os estrondos provocados pelos raios e trovões. Eu já vou colocá-lo na cama dele.

- Não precisa levá-lo deixe que ele fique aqui.

Heikou realmente dormia tranquilamente na espaçosa cama dos pais sem se importar com o barulho da tempestade. Sesshoumaru deitou-se na cama próximo ao filho e o fitou por alguns instantes, ele estava crescendo rapidamente aos olhos do pai. Rin logo se deitou também no espaço que havia entre Sesshoumaru e Heikou. O youkai a abraçou por trás colando seu corpo ao dela que se aconchegou nos braços fortes dele. Sesshoumaru sentiu Rin estremecer ao ouvir ecoar o som de mais uma trovoada.

- Você não queria deixar Heikou sozinho???? Ele questionou.

- Certo eu admito, eu não queria ficar aqui sozinha.

Sesshoumaru sorriu levemente ao ouvi-la falar.

- Minha Rin tinha medo de tempestades quando criança e vejo que ainda tem.

- Eu não gosto do som que elas produzem, são assustadores além de me trazerem más lembranças. Foram horríveis as noites de tempestade que tive que passar sozinha na cabana de meus pais depois que eles foram mortos.

A jovem falava e se comovia com as lembranças, ela olhou para o filho desejando que ele jamais tenha que passar por nada parecido.

- Você está perfeitamente segura agora minha hime. Sesshoumaru disse apertando o abraço de forma confortadora e beijando a nuca da mulher.

- Eu sempre me sinto segura quando estou com você, não importa o local ou a circunstância meu príncipe. Rin disse enquanto sua mão deslizava sobre os braços musculosos que a rodeavam.

A chuva torrencial continuava a cair lá fora e os dois continuaram trocando simples carícias até que Rin adormeceu, já nem se incomodando com o som da tempestade que tanto a perturbavam.

No dia seguinte pela manhã os habitantes puderam constatar o estrago causado pelas chuvas da noite anterior. Descobriu-se tratar de um furacão que cruzou o mar e devastou toda a costa do país, destruindo várias casas e matando pessoas.

O céu ainda estava carregado com nuvens densas e escuras que prometiam novas chuvas durante o dia.

No aposento principal do castelo Rin ainda estava deitada embora não mais dormisse, ela velava o sono do pequeno Heikou que ainda não acordara. A jovem se levantou colocando o robe e caminhou até a porta da sacada abrindo-a. Pôde então ver o céu ainda muito escuro e sentir o vento frio que percorria as terras. Ela abraçou o próprio corpo e depois retornou para o aposento fechando a porta atrás de si, foi até o quarto de banho e se lavou, depois trocou de roupa.

Alguns minutos depois Heikou despertou e passou a engatinhar pela cama dos pais, a essa altura ele já começava a se segurar nos objetos e tentava se equilibrar para ficar de pé. Rin estava atenta aos movimentos dele para que não caísse, mas o deixou livre para explorar o ambiente. Ela se aproximou da cama e quando o menino a viu rapidamente fez ruídos como se a chamasse e Rin o estimulou a vir ao seu encontro.

- Venha para a mamãe meu filhote.

O pequeno logo se pôs a engatinhar ao encontro dela e quando a alcançou, Rin o pegou no colo com um lindo sorriso na face e o abraçou.

- Muito bem meu príncipe! Você logo estará andando e correndo pelos corredores desse castelo.

Rin afagou o filho por alguns momentos e brincou com ele, mostrando os objetos decorativos do quarto, como quadros e esculturas, Heikou os olhava fascinado com todas aquelas cores brilhantes.

Não demorou, para que fossem ouvidas batidas na porta.

- Entre. Ela ordenou.

A serva adentrou o local e a cumprimentou.

- Bom dia minha senhora!

- Bom dia Midori! Como está a situação aí fora depois daquela tempestade?

- Parece que houve muita destruição em vários vilarejos senhora, principalmente no litoral.

- Eu imagino, recebemos alguma notícia de feridos ou mortos nos vilarejos vizinhos?

- Até o momento não senhora.

- Espero que Inuyasha e os outros estejam bem. A jovem disse demonstrando preocupação.

- Quer que eu peça a algum servo para ir verificar senhora?

Rin pensou por um momento e depois respondeu.

- Não é necessário Midori. Sesshoumaru saiu não foi?

- Sim senhora.

- Certo, então vamos esperar que ele retorne.

- A senhora deseja que o desjejum seja servido aqui?

- Por enquanto não, ainda não sinto fome e primeiro vou alimentar Heikou.

- Sim senhora. Com sua licença vou sair para providenciar os afazeres do dia.

Midori saiu do quarto deixando Rin novamente sozinha com o filho. Ele estava na cama e iniciou um choro, que logo chamou a atenção da mãe.

- O que foi meu príncipe?

Ela o pegou no colo e passou a afagá-lo para que se acalmasse.

- Está tudo bem, sei o que você quer meu amor.

Rin se sentou na cama recostada à luxuosa cabeceira e abriu a parte superior do quimono expondo o seio para que o filho o sugasse. O pequeno hanyou logo parou de chorar e se pôs a sugar avidamente o seio da mãe em busca da saciedade do leite.

Enquanto aproveitava o momento onde se sentia mais próxima de seu filhote, Rin entoava uma linda canção para ele, que a observava atentamente com os lindos olhos dourados.

Algum tempo depois, outro par de olhos dourados admirava a cena, parado a porta do aposento estava Sesshoumaru que acabava de voltar de uma pequena jornada de vistoria por seu território.

- Olá! A mulher o cumprimentou sorrindo ao vê-lo.

- Bom dia! Ele respondeu no mesmo tom de sempre.

Heikou como sempre se atiçou ao ouvir a voz do pai e passou a procurá-lo com os olhos deixando de lado a atividade anterior que até então parecia ser a mais importante do mundo. Sesshoumaru se aproximou da mulher e a beijou, depois olhou para o filho que estendia os pequenos braços pedindo colo.

- O que foi chibiko? Ele se dirigiu ao filho com a voz suave já o pegando no colo cuidadosamente.

Rin ajeitou o quimono antes aberto para amamentar e permaneceu sentada, admirando os dois.

- Você dormiu bem? Sesshoumaru perguntou a ela.

- Sim. Você conseguiu me fazer esquecer completamente a tempestade. Ela respondeu sorrindo. – A situação está muito ruim por essas terras?

- Houve muitos prejuízos, mas nada que não possa ser sanado. Foi pior no litoral.

- Imagino que sim. Você sabe algo sobre Inuyasha e o vilarejo?

- Por que eu saberia algo sobre ele?

- Você passou por aquelas terras não passou?

Sesshoumaru a olhou sério e levou alguns segundos para responder.

- O pirralho está perfeitamente bem não tem por que se preocupar com ele.

Rin apenas sorriu, tinha certeza absoluta que Sesshoumaru procuraria por notícias de Inuyasha e sua família. Com o passar do tempo e tendo uma convivência mais próxima e intima com o youkai Rin pôde perceber que ele não odiava o irmão como costumava demonstrar. A questão era que Inuyasha o fazia lembrar de coisas que ele preferia esquecer, coisas que o incomodavam, como o sentimento de perda em relação ao seu pai, mesmo que sua lúcida consciência dissesse que Inuyasha não era culpado pela morte dele.

- Ele vai dormir novamente. Rin disse falando baixo e olhando para o filho que estava quietinho no colo do pai e brincava inconscientemente com uma mecha dos longos fios prateados dele envolvida na mãozinha. O pequeno hanyou já dava sinais de sono piscando os olhinhos várias vezes. A cabeça estava recostada ao peito de Sesshoumaru e ele podia sentir que a respiração e os batimentos do filhote iam se tornando mais e mais tranqüilos à medida que ele era dominado pelo sono.

Alguns minutos depois o pequeno já ressonava e Rin se levantou para pegá-lo.

- Vou colocá-lo na cama dele. Ela disse estendendo os braços.

Sesshoumaru entregou a criança à mãe com todo cuidado e fitou seu rosto angelical antes de acariciá-lo na cabeça.

- Ele está crescendo rápido.

- Sim está. Não vai demorar a o vermos correr por aí.

Rin deixou o próprio aposento para levar Heikou ao seu. Ela o colocou na cama e fechou as janelas, pois já começava a chover novamente naquela manhã nublada.

Esse capítulo foi tão fofinho! Eu adorei escrevê-lo.

Espero que vocês também tenham gostado e vou poder saber o quanto se vocês mandarem reviews.

Beijos!