Capítulo vinte e cinco: Plano de batalha
Por Kami-chan
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Memórias de Itachi
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– Por que está agindo dessa forma? Antes de a Sakura chegar aqui você era discreto e não ficava confabulando coisas que eu não consigo decifrar. – O moreno era calmo até mesmo quando queria ou precisava discutir com alguém.
– Exatamente por isso Itachi, porque antes da Sakura chegar aqui você era um e tinha apenas uma coisa em mente. Com ela aqui você mudou e seus planos mudaram.
– E por isso você precisa caminhar por aí colocando coisas na cabeça dela? Ela não conhece você e vai acreditar nas coisas que falar.
– Sim, ela acredita e se você acreditasse um pouco mais eu não precisaria agir assim.
– Vai fazer o que? Matar o Sasuke antes que ele chegue até mim? Isto não é necessário.
– Ah é sim, é necessário. Mas fique mais clamo eu não vou matar seu irmãozinho de dons preciosos não tenho mais condições para tanto. Mas você devia tomar ciência da força que o ódio deu pra ele.
– Grave suas palavras Madara, elas não fazem sentido.
– Grave você minhas palavras filho, pra saber usá-las quando for preciso.
– Chega! Eu não sei o que vim fazer aqui. – Se levantou e fez menção de ir embora.
– Ah você sabe sim. Estou levando sua valiosíssima namorada para uma missão, longe dos seus olhinhos protetores. Você simplesmente tem medo das coisas que eu posso manipular Sakura a fazer, principalmente se encontrarmos o resto da família no caminho. – Disse sorrindo.
– Nós não sabemos onde o Sasuke está. – Ele apenas parou onde estava e se virou para o mais velho.
– Só sabemos o que ele está procurando não é mesmo... – Os rubros de seus olhos se encararam refletidos, como a imagem em um espelho brilhava o mesmo poder invejado e temido por todos.
– Você pediu pra Sakura curar você tão depressa assim não pela missão, não é? Você quer todos saibam que há um par Mangekyou andando por aí.
– É, você ainda pega as ideias mais rápido do que qualquer um.
– Eu não vou deixar você levar ela até uma emboscada com o Sasuke. Você tem condições de lutar contra ele, ela não.
– Ela é capaz de suportar muito mais coisas do que você imagina, devia confiar mais na força da flor cerejeira. E já que você não deverá se lembrar dessa conversa, eu posso te dizer que ainda vai ficar muito mais forte que se possa ser capaz.
– Do que está falando agora?
– Porque a Sakura vai fazer exatamente o que eu mandar e tudo em que você vai conseguir pensar amanhã é na dor de cabeça com que vai acordar, vai sofrer um pouco já que a dor só deve passar quando a Sakura voltar de missão e for cuidar de você.
– Ela não vai fazer o que mandar assim do nada.
– Ah vai sim, vai sim porque ela ama você e vai fazer qualquer coisa que tenha você envolvido.
O Uchiha abriu os olhos no meio da escuridão do quarto, se deitou de barriga pra cima e então se sentou no colchão. Aquele foi um sonho muito estranho, não podia dizer ao certo se havia sido mesmo apenas um sonho ou algum tipo de lembrança.
O fato de Madara ter dito que ele não deveria se lembrar daquela conversa o deixou ainda mais confuso. Podia ser apenas parte de um sonho estranho, ou realmente lembrara de uma conversa que deveria ter sido completamente esquecida.
Fechou os olhos para ver o que se lembrava da manhã em que acordara com aquela dor de cabeça insuportável. Lembrou-se que ela falava tão baixo no quarto como que se já esperasse que ele acordasse assim.
Voltando ao último dia em que estiveram todos juntos o moreno se lembrou de um momento em que Sakura tinha parado de cuidar da sua dor para falar com Pain enquanto Ino e Deidara não apareciam no jardim onde já estavam todos. Ela falou alguma coisa rápida ao ruivo e se dirigiu à Konan, falavam alguma coisa do bebê provavelmente, pois Sakura sorria e passava as mãos delicadas pela barriga da azulada.
– Você está estranho. – Comentou o Uchiha mais velho.
– Hm.. Enxaqueca. – Justificou.
– Ah mas você sempre teve várias, não deve ser nada. – Disse simples.
– Ignorando o fato que até o barulho das folhas no alto das árvores está me matando.
– É muito ruim sentir dor não é mesmo. – O moreno mais velho parecia não se importar com o fato de que o outro estava com uma forte enxaqueca, situação em que se almeja silêncio acima de tudo, e continuou falando.
– É. – Concordou mal humorado.
– Nessas horas de dor extrema é bom ser um membro do clã Uchiha.
– Não entendi.
– Ah, eu aposto que você nunca desejaria para uma pessoa que você ame, como a Sakura, por exemplo, sentir uma dor dessa proporção.
– Não.
– Pois bem, um bom membro do clã usaria o Tsukyomi em alguém que ama com muita dor e o faria morrer sem dor alguma.
– Você está ficando velho e gaga. Esqueceu-se do ponto em que isso a mataria.
– Bom, mas se fosse em uma situação em que ela morria de qualquer forma seria uma boa ação tirar a vida mais rápido e sem dor. Seria até como uma última declaração de amor. – Concluiu olhando o pupilo com o canto dos olhos.
– Tudo bem Madara, se você tiver alguma fratura nessa missão eu uso o Tsukyomi em você. – Disse levando as duas mãos na cabeça enquanto ouvia a risada do mais velho.
– É sério, apenas pense nisso. Não hoje nem amanhã, mas vai haver um dia em que um de vocês dois vai morrer, esse é o destino dos ninjas. Se achar que ela está sofrendo demais, dê esse último descanso a ela. – Disse e saiu dali deixando Itachi com a certeza de que Uchiha Madara estava ficando gaga.
– O que ele quis insinuar com isso afinal? Minha dor de cabeça não durou por mais do que aquele dia, mas ele acreditava que eu estaria a sentindo até agora. – Ele pensou e se lembrou do estojo de couro com remédios que ela lhe deu somente na última hora.
Acreditou que o raciocínio adiantado da rosada a fez esperar até o último momento para que ele não visse. Isto significava que não havia feito exatamente tudo o que ele tinha pedido, e por isso a lembrança tinha lhe voltado como um filme nostálgico. O moreno levantou rápido da cama e se vestiu.
– Itachi-san estava indo procurar você, eu...
– Konan, onde está Pain? – O moreno a cortou.
– Na sala do líder ele está... – Mas Itachi não a deixou terminar de falar e correu até o local.
– Pain eu aca... – Ele se deparou com o olhar do ruivo deitado sobre si e em sua frente estavam Hidan e Kakuso. – Desculpe interromper, mas eu acabo de me lembrar de umas coisas e...
– Itachi, senta. – O ruivo mandou.
E como diz o velho sábio ditado: "manda quem pode, obedece quem tem juízo"
Itachi sentou-se sem tirar os olhos de cima do ruivo.
– O que descobriram? – Quis saber.
– Primeiro diga o que ia dizer quando invadiu a sala. – Ordenou.
– Algumas coisas que o Madara disse fazem sentido agora. – Pain olhava para o moreno dando incentivo para continuar – Eu acho que ele vai tentar atrair Sasuke.
– Tudo envolve o irmãozinho de cabeça quente. – Disse Hidan.
– Cala boca animal, não é hora pros seus comentários sem fundamentos. – Ralhou o outro membro imortal da sala.
– Itachi, se Madara é a lenda dos Uchiha vai dar conta do seu irmãozinho. Afinal ele ainda é mais fraco que você.
– É. Ele ainda é mais fraco, mas tem 20 anos e é completamente cheio de energia. Eu acho que Madara não tem pique pra enfrentar o ódio de Sasuke.
– Então por que ele iria querer atrair o caçula? – Kakuso se virou pra poder encarar bem o Uchiha. – Seria como um suicídio.
– Já faz algum tempo que ele tenta me fazer mudar de planos com Sasuke.
– Mas os seus planos não eram matar e roubar os olhos do mais novo? – Hidan parecia realmente confuso.
– Não. – Pain falou mais alto. – Esse era o motivo que nós queríamos divulgar. – Explicou o líder. – Sakura mudou as coisas.
– Não interessa o que mudou. Eu acho que ele sabe muito bem que enfrentar Sasuke significa morrer e acho que não está nem aí. Mas ele sabe que se qualquer pessoa chegar a fazer algo com Sakura, eu mato.
– E Sasuke mataria Sakura por quê?
– Eram do mesmo time em Konoha e Sakura manteve uma paixonite por ele, estar aqui a favor da pessoa que ele mais odeia o faria a matar sem piedade.
– E você iria cego de raiva matar Sasuke da forma como ele queria. – Pain completou o pensamento.
– Sim eu iria. – Admitiu pesaroso, sentia falta e amava o irmão, mas matar um Uchiha a menos ou a mais não lhe faria diferença se Sasuke encostasse em sua mulher.
– Eu acho então que você vai. – Hidan disse sem medir suas palavras.
– O que descobriram? – Quis saber já prevendo o que ouviria.
– Nada muito concreto. Tem muitos ninjas de Konoha por aqui e ali, espalhados como que se procurassem por algo. Nossa antiga sede já é pública e não duvido que muitos dos nossos inimigos já não tenham ido lá atrás de rastros. A única informação relevante é a notícia de chamas negras que ninguém foi capaz de apagar e que consumiram tudo o que tocavam durante dias.
– Amaterasu. Só eu e Madara temos capacidade pra isso. Descobriram para que ele o usou?
– Não, mas só pode ter sido em batalha, não foi tão longe daqui. – Disse Kakuso.
– Se aconteceu tão perto daqui já deveriam ter chegado.
– Hidan e Kakuso fizeram o que lhes foi pedido Itachi, agora você e Deidara irão com eles checar o local de origem do Amaterasu. Itachi, por que lembrou dessa história assim repentinamente?
– Não era pra eu lembrar, não era esse o plano de Madara. Mas Sakura me deu um estojo com remédios, acho que ela fez isso contra a orientação dele.
– Ele deixou você doente de propósito? – Pain não estava entendendo o que se passava em sua organização por trás de seus olhos.
– Eu acho que sim. – Respondeu apesar de também não crer na resposta, afinal para Madara nada acontecia sem um propósito.
– Vão logo e descubram que merda é essa que está acontecendo. Tomem cuidado, Konoha certamente está atrás da mesma coisa que nós.
Imediatamente Itachi se levantou de onde estava e saiu da sala. Sabia que seu comportamento naqueles últimos dias estava muito longe do jeito tipicamente desinteressado pela opinião alheia.
A idade certamente havia feito Madara enlouquecer de vez, mas no fundo não conseguia sentir ódio do antigo sensei que há essa altura já deveria estar morto. A capa balançava aos paços largos do moreno e bateram em suas pernas quando parou para invadir um dos quartos do longo corredor.
No interior do mesmo, Deidara dava os últimos retoques em uma obra em tamanho real, um busto perfeito e bem detalhado de Ino e deu um salto para trás ao ouvir o barulho repentino da porta arrombada pelo moreno. Que fez com ficasse o olhando enquanto tentava prender, inutilmente, uma mecha teimosa da franja atrás da orelha com o dorso da mão cuja palma estava completamente suja de argila.
– Itachi un, de todos os animais daqui achei que você fosse o mais educado e que sabia bater antes de entrar.
– Desculpe. Estamos de partida. – Disse simplesmente, conhecia Deidara melhor que o loiro pudesse supor e por isso sabia que soubesse das informações piraria, explodiria coisas sem pensar e mais atrapalharia que ajudaria.
– Hidan e Kakuso tiveram notícia delas, un?
– Parece que sim, estamos indo agora. – Virou as costas e deixou o loiro pra trás.
– Hei hei hei.. Isso é injusto un... Se há algo com Ino eu tenho direito de saber. – Ele simplesmente correu atrás do moreno.
– É o que estamos indo descobrir Deidara. – Quem respondeu não foi o moreno e sim Kakuso que também já tinha saído da sala de Pain e ao lado de Hidan esperava pelo restante do grupo que seguiria junto em missão.
– O que vocês descobriram un?
– Que temos que ir Deidara.. Somente que temos que ir! – Disse o moreno já perdendo a paciência.
– Não até eu ter pleno conhecimento dos fatos, não é apenas a Sakura que está lá Itachi! – O loiro disse ameaçador fazendo o moreno bater com as costas na parede, enquanto sua mão ainda pousava pesada em seu ombro mantendo-o ali.
– Tira a mão. – O aviso único foi breve e preciso e tão rápido quanto suas palavras, o negro se tingiu de vermelho em seus olhos.
Sabia muito bem que não era apenas Sakura, a namorada do loiro também estava lá e por isso podia entender o nervosismo quanto a si próprio. Mas não aturaria nenhum tipo de comportamento impensado do loiro, se quisessem encontrá-las teriam que agir com extrema precisão.
– Hei, os noivos querem se acalmar? – Kisame havia acabado de entrar na cena – Deidara acha que o Itachi está menos preocupado que você ha? Deixa de burrice, nervosos assim um dos dois vai acabar morto e você não tem um histórico favorável.
– Eu não confio em nenhum Uchiha. – Rosnou soltando Itachi. – O que faz aqui Kisame un?
– Ahh o Pain bateu agora no meu quarto e me mandou acompanhar vocês.
– Cinco pessoas pra uma missão? – Hidan estranhou.
– Vai ser melhor. – Disse Kakuso – Vamos de uma vez.
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Shikamaru, Hinata e Neji estavam abaixados ao redor de um tronco serrado, todos estudando um mapa que Neji riscava, destacando a região onde viram chamas negras. Era muito longe de onde estavam, mas a AMBU contava com equipamentos de suporte para movimentação.
– Chegaremos lá em poucos dias. – Disse Neji largando o pincel.
– É muito tempo. – Disse Shikamaru apreensivo.
– Ainda assim é menos da metade do tempo normal. – Defendeu Neji.
– Shika-kun – A voz doce de Hinata se fez ouvir entre o silencio que havia se formado ali – Você está nervoso, como que se estivesse apreensivo com algo.
– Estamos atrás da Akatsuki – Justificou falsamente.
– Eu sei e com todo respeito, imaginava você agindo com extrema cautela e com passos muito bem pensados e planejados, da maneira como somente você faz. Mas você está agindo de maneira puramente instintiva e obcecada. Há algo que você não nos contou? – Perguntou mesmo sabendo que fazer perguntas não era permitido.
Diferente de Neji e Shikamaru, ela não pertencia à ANBU. Estava ali apenas por ser uma Hyuuga, mas se sentia no direito de saber a verdade uma vez que aceitou deixar o clã nas mãos de Hanabi temporariamente para poder ajudar Shikamaru.
– Hinata-sama – Neji disse muito baixo, numa espécie de repreensão à prima pela forma com que falava.
– Calma Neji, ela tem razão. Hinata nem precisava estar aqui, poderia ter mandado qualquer membro do clã Hyuuga em seu lugar. Eeu reconheço que arrumou um tempo que não tinha para estar aqui. Não contei porque são apenas especulações, mas merecem saber. A morte de Sakura e Ino ainda não foi completamente respondida e Tsunade-sama, Kakashi-senpai e Jiraya-sama tem motivos para acreditar que elas possam estar vivas ainda. Há uma probabilidade muito grande de terem simulado suas mortes para se unirem à Akatsuki.
– Isso não é possível. – Disse Hinata – A Sakura-chan... Eu lembro da forma como as duas amavam tanto o Sasuke-kun que brigavam por ele, jamais entrariam para aquela organização que representa... Representa a morte de Sasuke e de Naruto.
– Mas aconteceu. E provavelmente uma delas matou Sai também. Kakashi seguiu coordenadas diretas até onde elas podem estar, mas há também um boato de que estão acompanhadas de um Uchiha..
– Itach... – Começou Neji.
– Não é Itachi, isso é certo. – Shika o cortou – Mas se houve um Amaterasu, foi um Uchiha quem fez e se chegarmos ao Amaterasu...
– Chegamos a elas... – Concluiu Neji, entendendo o nervosismo do outro em seguir adiante.
Ainda assim não concordava, afinal eram ANBUS. Seu dever era seguir ordens diretas da Hokage e não correr em um pique esconde cego atrás de um grupo extremamente perigoso por meras especulações.
– Como Naruto não sabe disso? – Quis saber a morena impressionada.
– Veja como ele age em relação à Sasuke, imagine como ele correria direto atrás da Akatsuki se soubesse de Sakura. Naruto não pode cair nas mão da Akatsuki de jeito nenhum.
– Eu sei, mas como conseguem esconder isso dele? Ele sempre descobre tudo.
– Ele está no vale ANBU – Respondeu Neji – Achei que fosse para treinamento, a iniciação requer meses de exílio, mas agora compreendo que deve estar lá para ser vigiado.
– Correto. – Confirmou Shikamaru e Hinata fez um sinal positivo com a cabeça.
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– Todos já se foram. – Ela disse em sua maneira delicada.
Pain estava claramente preocupado. Todas as últimas vezes que tinha procurado pelo namorado ele estava pensativo ou olhando o kanji em seu dedo buscando por alguma resposta.
– Espero que encontrem logo os três. – Ele respondeu sem a olhar, mas acomodando o olhar sobre ela assim que ela se aproximou de si por trás da mesa.
– Sinto falta do meu namorado. – Queixou-se se sentando no colo do ruivo.
– Estão sendo dias cheios de estresse. – Justificou. – Eu prometo que logo isso tudo vai passar. – Falou alisando o rosto que a gravidez deixava menos pálido.
– Sim. – Concordou – Logo tudo vai passar. – Disse entre um sorriso malicioso buscando os lábios de Pain para um beijo.
