"O coração tem razões, que a própria razão desconhece"

Pensées – Blaise Pascal.

O dia amanheceu e minha cabeça ainda estava uma confusão sem fim.

Eu resolvi ligar pra Esme assim que se passaram as primeiras horas da manhã.

- Edward? – ela atendeu.

- Oi mãe.

- Oi querido, está tudo bem?

- Mais ou menos. – fui sincero.

- Seu pai me disse o que aconteceu ontem. – ela disse. – Eu sei que você não está bem meu filho.

- Não, eu não estou. – disse cansado.

- Aposto que não dormiu e não come nada desde ontem. – ela disse.

- Acertou. – falei triste. – Como eu poderia dormir mãe? Bella aparece na minha vida, 4 meses depois de acabar comigo e carregando uma filha minha.

- É uma menina? – ela perguntou animada.

- Sim e até onde eu sei, é minha. – falei.

- Você duvida disso Edward? – seu tom era de repreensão.

- Mãe, eu já nem sei mais o que pensar. Ela mentiu tanto... omitiu minha filha. Eu... eu estou com tanta raiva dela nesse momento que só consigo pensar em coisas negativas.

- Vocês ainda não conversaram? – ela perguntou com cautela.

- Não. Eu não pude me aproximar dela. Eu preciso me acalmar antes de vê-la, ela não pode se aborrecer por causa do bebê e sua gravidez é de risco por causa dos abortos.

- Mas, ela parecia bem quando a viu?

- Ela estava feliz... pelo menos até me ver. – respondi.

- Ah meu querido, eu espero que vocês se entendam e que Bella volte com você pra casa. Eu sinto falta de vocês por perto e quero conhecer minha netinha.

- Eu não sei se Bella voltara comigo mamãe, mas a sua netinha você irá conhecer. – garanti.

- Edward não vá fazer besteira ouviu? Essa criança precisa tanto de você quanto de Bella. – lá estava sua voz de repreensão de novo.

- Eu não vou tirá-la de Bella mamãe. Não se Bella colaborar e me deixar participar da criação da nossa filha, mas se for preciso... sim, eu a tomarei dela. – ela não pensou em me esconder a menina até sabe Deus lá quando, pensei em completar, mas me calei.

- Tudo bem meu filho. Só pense antes de agir pra não se arrepender depois. Dê um beijo nela por mim quando encontrá-la e lhe diga que estou com saudades.

- Eu direi mãe.

Nos despedimos e eu desliguei.

Tomei um banho quente e coloquei uma roupa de frio.

Forks era frio, úmido e vivia garoando.

Ou seja, uma merda de cidade do interior.

Fui até o restaurante do hotel e tomei meu café. Algumas pessoas da equipe estavam por lá, mas eu me sentei sozinho.

Eu tinha a ligeira impressão que só a nossa equipe estava hospedada naquele hotel minúsculo.

- Eu não te culpo por não ter dormido. – a voz do meu pai chegou a mim. – Mas precisamos trabalhar.

Eu me virei a tempo de vê-lo se juntar a mim na mesa.

- Está tão evidente assim? – perguntei mexendo meu café na caneca.

- Está estampado. – ele forçou um sorriso. – Ainda temos um tempo até irmos pro hospital, vá descansar.

- Eu não quero pai. Eu não conseguiria fechar os olhos com tantos problemas. – eu soltei a caneca e cruzei os braços em frente o peito.

- Quer conversar? Me dizer o que aconteceu ontem? – perguntou com cautela.

Eu contei a ele tudo o que eu conversei com Sue ontem.

- O que você vai fazer agora? – ele quis saber.

- Eu preciso conversar com ela primeiro pai. Eu preciso saber por que ela fez isso tudo, porque escondeu o bebê de mim. – esfreguei o rosto com a palma da mão. – Ela sabia que meu sonho era ser pai... eu não entendo porque ela fez isso.

- Ela deve ter os motivos dela Edward. – meu pai a defendeu.

- Nada do que ela me disser vai justificar isso pai. Eu aceito que ela não me ame mais, que ela tenha me traído e me usado, mas não que tenha escondido minha filha de mim.

- Eu te entendo meu filho. – ele afagou minha mão por cima da mesa. – Vá descansar um pouco. O dia vai ser puxado com Lauren.

- Eu não vou conseguir. – disse derrotado.

- Já volto. – ele se levantou e saiu.

Minutos depois ele voltou e me deu um comprimido e um copo de água.

- Agora você vai conseguir. – ele sorriu e deu uns tapinhas no meu ombro.

Eu tomei o comprimido sem hesitar e 40 minutos depois eu estava apagado na cama do meu quarto.

Quando acordei já era depois do almoço e todos da equipe já estavam no hospital.

Eu peguei minha mochila e segui pro hospital, mas antes pedi ao taxisista que parasse no restaurante de Sue.

- Sue? – a chamei quando a vi, atrás de um balcão.

- Edward! Não deveria estar no hospital? – ela perguntou.

- Sim, mas... eu queria ver se conseguia ver Bella. – fui sincero.

- Ela não vem hoje, não está se sentindo bem. – ela me olhou e eu vi pena em seus olhos.

- O que ela tem? – perguntei preocupado.

- Apenas cólica, mas como a gravidez é de risco, o médico dela pediu que não deixássemos passar nada. – ela explicou.

- Ela está no hospital? – perguntei esperançoso.

- Ela esteve lá Leah a levou du... – eu já não ouvi mais nada.

Eu saí correndo do restaurante e fui a pé até o hospital.

Eu entrei correndo pela recepção, sem me preocupar em cumprimentar alguém ou colocar meu jaleco e procurei por ela como um louco na maternidade do hospital.

- Isabella Swan esteve aqui? – perguntei ofegante a uma enfermeira.

- Sim, ela foi liberada há uns 30 minutos atrás. – ela disse. – O senhor está bem?

- Ela passou mal? Digo, o bebê... está bem? – perguntei preocupado.

- Desculpe Dr. Cullen, mas não posso lhe passar essa informação. O senhor sabe disso. – ela disse com pesar.

Eu li seu crachá.

- Rosa, eu sou o pai daquele bebê, por favor, me diga como ela estava e o que estava sentindo, por favor. – pedi.

Sua boca abriu em um pequeno "o" de increduliddade e ela assentiu.

- Ela estava sentindo cólicas e tomou um buscopan intravenoso. – ela disse. – O Dr. Jones a liberou assim que o efeito colateral passou. Leah a levou pra casa.

- Você pode me dar o endereço dela? – pedi.

- Eu sinto muito Dr. Cullen, isso eu não posso fazer. – ela me olhou triste e eu assenti.

Eu avistei meu pai no final do corredor e andei até ele.

- Pai? – o chamei.

- Conseguiu descansar? – ele perguntou com sua atenção voltada pra uma prancheta que ele assinava nas mãos de uma enfermeira.

- Sim, obrigado.

- Bella esteve aqui. – ele disse animado.

- Você a viu? Como ela está? – eu estava quase eufórico.

- Bem, tecnicamente bem. – ele fez um gesto com a mão pra quem andássemos pelo corredor.

- O que você quer dizer com isso? – perguntei confuso.

- Nós conversamos muito Edward e sobre você. – ele disse enquanto caminhávamos. – Ela está feliz por conta do bebê, talvez a palavra certa seja radiante, mas ela não conseguiu esconder de mim a tristeza que ela carrega... vocês precisam conversar meu filho. Bella está triste e arrependida de algumas coisas e vocês dois devem perdão um ao outro.

Depois da pequena conversa com Carlisle nós fomos ver Lauren e pra nossa surpresa, pra não dizer o contrário, Mike estava lá.

- Então quer dizer que você é o pai do bebê de Bella? – ele perguntou na frente de todos quando eu acabava de examinar Lauren.

- Sim. – me limitei a responder.

- Que mundo pequeno! – ele riu.

- Eu achava que aquela criança não tinha pai. – Lauren disse. – Bella nunca falava sobre você e todos já estavam desconfiando.

- Aquela criança tem um pai Lauren e sou eu. – eu tentei não soar grosso com a minha paciente.

- Não ligue pra ela Dr. Cullen ela não gosta de Bella, tem ciúmes. – Mike disse.

Então eu me lembrei de Bella ter dito algo quando nos conhecemos sobre ter um namorado antes de Charlie morrer. Mike era esse namorado.

Talvez isso explicasse minha antipatia por ele.

- Porque vocês foram namorados? – perguntei e Mike e olhei Lauren.

Só então percebi que estávamos apenas nós três agora no quarto.

- Paixão de adolescente. – ele sorriu sem graça.

Ouvi Lauren bufar irritada.

- Amanhã virei vê-la novamente Lauren. – a avisei.

- Eu não posso ir pra casa? – ela fez um bico.

- Não, queremos mantê-la aqui caso algo aconteça até o parto. – eu disse escrevendo seus sinais e medidas no seu prontuário. – Não é tão ruim assim e logo quando os bebês nascerem você irá pra casa.

- Eles poderam ir junto com Lauren? – Mike perguntou.

- Não, eles vão ter que ficar na incubadora durante um tempo, até operarem eles. – esclareci.

Eu me despedi deles e sai do quarto de Lauren.

Foi quando estava guardando o prontuário dela no armário de fichas que eu tive uma ideia.

Como eu não pensei nisso antes?

- S, s, s, s... – eu murmurava correndo meus dedos pelas fichas até chegar na letra S.

Até que eu achei. Isabella Marie Swan.

Eu anotei o endereço no meu celular e fui até a sala dos médicos pegar minha mochila.

Assim que eu guardei meu jaleco eu saí.

Já anoitecia e caia aquela bendita garoa, mas os trovões escondidos por nuvens negras diziam que vinha chuva grossa por ai.

Eu peguei um taxi e fui pro hotel.

Minha intenção era tomar um banho quente e rápido e ir até o endereço que estava anotado no meu celular.

Mas quando eu comecei a me vestir, meus planos foram interrompidos por batidas na porta.

Eu gritei que já estava indo e vesti rapidamente uma calça jeans. Eu não podia atender a porta somente de boxers.

Eu peguei a toalha branca e continuei secando meus cabelos enquanto seguia até a porta.

Mas quando eu abri a toalha caiu da minha mão. Junto com meu queixo e meu coração, que nesse momento devia estar em algum lugar pelos meus pés.

- Oi. – ela sorriu pra mim. Eu não conseguia falar, não conseguia me mover. – Me... desculpe aparecer sem avisar, mas é que...ham... Sue disse que você esteve no restaurante me procurando... ai eu pensei em vir aqui.

Eu apenas a olhava. Ela estava tão linda que parecia uma miragem.

Seus longos cabelos castanhos estavam mais escuros porque estavam molhados. Suas bochechas levemente coradas e o seu sorriso derreteu meu coração.

Eu era e pior espécie de idiota que existia no mundo.

Ela estava ali na minha frente e de repente nada do que vivemos nos últimos meses me pareceu existir.

Tudo o que eu queria era abraçá-la e acariciar sua barriga que carregava confortavelmente nossa filha.

Ela usava uma calça preta justa ao corpo e um vestido de frio xadrez por cima.

Só então eu reparei que ela estava ensopada.

Quando havia começado a chover?

- Me desculpe. – ela mordeu o lábio. – Eu... eu não devia ter vindo.

Ela fez menção de sair, mas eu segurei seu braço. Sem usar força, apenas queria que ela entendesse que não era pra ir embora.

Eu queria aquela conversa tanto quanto ela. Talvez até mais.

- Me desculpe Edward, eu achei que a gente poderia conversar, mas... outra hora talvez. – ela parecia confusa.

- Entre. – foi a única palavra que eu conseguir fazer sair pela minha garganta seca e embargada.

Eu dei espaço na porta pra que ela passasse e assim que ela entrou eu fechei a porta atrás de mim.

Ela sentou na poltrona que havia ali e antes que ela começasse a falar eu disse.

- Vou pegar alguma coisa pra você vestir. – eu já mexia em minha mala.

- Não precisa. – ela já batia o queixo de frio.

Eu peguei uma blusa de malha e mangas compridas e uma boxer.

- Se troque Isabella. A última coisa que você precisa é de uma pneumonia. – lhe estendi as roupas.

Ela pegou sem hesitar e se trancou no banheiro.

Poucos minutos depois ela saiu de lá. Minha blusa batia quase em seus joelhos e eu reparei que ela colocou a boxer em cima da cama.

Ela voltou a se sentar na poltrona e eu fiz o mesmo, me sentando na cama.

Um silêncio torturante se instalou no quarto enquanto eu me ocupava em não olhar pra ela.

- Sue... me disse sobre a conversa de vocês. – ela disse e eu a olhei.

- Não fiquei chateada com ela. Acho que ela só quis ajudar. – defenfi Sue.

- Eu não estou chateada com ela Edward, na verdade estou agradecida. – ela sorriu timidamente.

Aquele maldito silêncio de novo durou uns bons minutos, até eu resolver quebrá-lo.

- Até quando você ia me esconder ela? – a encarei.

Ela não disse nada, mas sua reação me disse tudo. Ela suspirou e abaixou os olhos pro chão.

- Nunca, não é? Eu desconfiava disso. – assenti amargamente.

- Edward eu... – eu não a deixei falar.

- Você imagina quantas vezes eu imaginei ser pai Isabella? – perguntei friamente. – Ser pai de um filho seu?

Ela assentiu e ficou calada.

- Eu posso aceitar qualquer coisa que você tenha feito, mas isso... eu não sei. – a olhei. – Eu lidei bem com sua raiva, com suas mentiras, mas isso...

Ela soluçou baixinho e desviou os olhos dos meus.

- Eu entendo que você me odeie, eu mereço seu ódio e seu desprezo, mas eu estava com tanto medo. – ela enxugou umas lágrimas que escorriam pelo seu rosto. – Eu realmente saí de NY achando que você nunca me amou e quando a descobri... – suas mãos pousaram em seu ventre e eu senti inveja disso por nunca ter sentido minha filha. – Foi como se eu tivesse voltado a viver, era você comigo... através dela.

- Porque não me contou? – perguntei. – Você sabia onde eu morava, sabia de cor o telefone de uma casa que um dia foi sua... Porque não me procurou pra me falar que estava grávida?

- Eu tive medo Edward. – seus olhos me suplicavam pra que eu a entendesse. – Medo de você me odiar mais ainda, medo de que você a tirasse de mim, medo de perdê-la de qualquer forma... medo de você rejeitá-la. – eu a olhei incrédulo. Eu jamais rejeitaria minha filha. – Não me olhe assim Edward. Eu saí de lá achando que você pensava que eu era apenas mais uma puta pra você... o que você queria que eu fizesse enquanto eu achava que uma prostituta engravidou do seu cliente?

Eu tive vontade de sacudi-la até meus braços cansarem.

- Eu nunca te vi como uma prostituta Isabella. – disse cansado. – Durante 3 meses você foi tudo que eu tinha. Toda minha vida estava em você.

Ela abaixou os olhos mais uma vez e disse sem me encarar.

- Seu pai... ele me contou que você... – eu completei sua frase.

- Tentei me matar? – perguntei e ela levantou seus olhos até os meus. – Tentei uma vez, mas pensar foram inúmeras vezes.

- Me desculpe Edward. – suas palavras foram sinceras.

Mas eu não conseguiria perdoá-la. Pelo menos até a raiva por ela ter me escondido o bebê passar.

Jesus! Eu perdi 5 meses da gestação dela.

Se estivéssemos juntos eu estaria ao seu lado quando ela enjoasse, faria massagem em seus pés quando eles estivessem inchados e cansados, realizaria seus desejos e caprichos e seria o primeiro a sentir quando o bebê se mexesse nela pela primeira vez.

Eu só percebi que estava chorando quando algo quente cruzou meu rosto.

- Não me peça isso Isabella. – pedi segurando meus cabelos entre os dedos e abaixando a cabeça quando apoiei meus cotovelos no joelho. – Deus! Você não sabe o que sua insegurança fez comigo. Eu me arrastei nesses quatro meses, eu não conseguia pronunciar seu nome, eu não conseguia estar com outra mulher sem ver seu rosto nela... eu morri quando você me deixou sem nem ao menos me explicar porque estava indo embora. – eu levantei meu rosto e a fitei. – Como você pôde? – ela soluçava cada vez mais. – Como você pôde duvidar que eu te amasse Isabella? Eu dei minha vida a você, eu te pedi em casamento, nós nos apoiamos e esquecemos nosso passado juntos... fomos a única esperança do outro. Como você pôde? – dessa vez eu murmurrei perguntando pra mim mesmo, tentando buscar uma explicação praquilo.

Ela não falava nada e aquilo estava me deixando angustiado. Eu esperava que ela me respondesse e me explicasse, mas ela apenas chorava e muito.

- Sue sabe que está aqui? – perguntei a olhando.

Ela negou.

- Fique aqui, eu já volto. – me levantei e vesti uma blusa pra sair do quarto.

Eu fui até a recepção e pedi a mulher de lá que ligasse pra casa dos Clearwater e avisasse que Isabella estava no hotel comigo. Pedi também algumas coisas pra comer e um suco natural de laranja pra ela.

Quando eu voltei pro quarto ela ainda chorava e estava sentada na mesma posição de quando eu havia deixado o quarto.

- Você está bem? – perguntei.

- Fisicamente sim. – ela falou sem me olhar.

- Eu quero que se acalme Isabella, isso não faz bem pro bebê. – eu disse me sentando de novo na cama, mas ela chorou mais ainda.

- Porque está me chamando de Isabella? – me perguntou angustiada.

O que ela queria? Eu não conseguia chamá-la de Bella. Ela não era mais a minha Bella, mas sempre seria meu anjo. Sempre.

Graças a Deus ou as batidas na porta, eu fui impedido de verbalizar o que eu pensava a ela.

Eu atendi a porta e era a comida.

O cheiro da sopa me assaltou e só então eu percebi que estava faminto. E me lembrei que não tinha comido absolutamente nada hoje.

Eu peguei a bandeja e coloquei em cima da mesa e a chamei pra comer.

Nós comemos em silêncio. O único barulho no quarto eram os soluços de Isabella que estavam se alcalmando.

- Eu já vou. – ela disse quando acabamos de comer. – Sue vai ficar preocupada e amanhã tenho que trabalhar.

- Eu já avisei a Sue que está aqui e você não irá trabalhar amanhã. Você não precisa e não pode trabalhar. – deixei claro.

- Mas eu preciso. – ela disse firme. – Sue precisa de ajuda para o tratamento do tio Harry e as despesas da casa, eu não posso deixar de trabalhar.

- Isabella... – eu respirei fundo. – Eu sei que você não quer perdê-la, eu não sou seu médico, mas estou dizendo que é arriscado e imprudente você trabalhar. – expliquei a ela. – Eu vou cuidar de você, pelo menos até ela nascer... – ela abriu a boca pra falar alguma coisa, mas eu a interrompi. – Não estamos discutindo isso, ok? Eu vou cuidar de você enquanto estiver grávida e ajudar Sue, depois que a neném nascer você faz o que quiser.

Ela assentiu derrotada.

Ela sabia que eu tinha razão, por isso não discutiu.

- Eu já vou, não quero te incomodar. – ela se levantou com dificuldade da poltrona por causa da barriga.

- Você não vai. – eu disse. – Durma aqui. Está chovendo muito e eu não vou deixar que dirija nessa chuva.

- Mas é perto e eu já estou acostumada a dirigir na chuva. – ela disse. – Em Forks chove o ano inteiro. – ela revirou os olhos.

- Sim, mas... fique, por favor. – na verdade, eu não queria que ela fosse.

Eu não estava preparado pra deixá-la ir.

- Esta cansada? – perguntei a ela desfazendo a cama.

- Um pouco. Trabalhei a tarde hoje e nesse momento eu deveria estar ajudando Sue no restaurante. – ela disse.

- Vamos resolver isso amanhã e vamos arrumar alguém pra ajudar Sue. – falei. – Venha deitar.

- Você não precisa fazer isso Edward. – ela disse se deitando.

- Não discuta Isabella, por favor. – eu pedi a cobrindo. – Me deixe cuidar de você até ela nascer, depois eu te deixo em paz.

- E se eu não quiser que você me deixe? – ela mordeu os lábios.

- Durma Isabella. – eu disse indo até a poltrona e sentando de frente pra ela.

Ela estava deitada de lado, de frente pra mim, quando colocou um travesseiro em baixo da barriga.

Ela me encarava com os olhos marejados e por mais que eu tentasse, eu não conseguia desviar meus olhos dos seus. O marrom dos seus olhos me cegava e tudo que eu queria era deitar ao seu lado e abraçá-la, sentir nossa filha e dizer o quanto a amava. O quanto eu precisava dela.

- Será que um dia você irá me perdoar? – uma lágrima saiu dos seus olhos. – Eu espero que você possa, porque é tão difícil sem você. – ela soluçou. – Eu sei que eu errei Edward, não uma, mas várias vezes. Eu provei diversas vezes que não sou madura o suficiente pra você, mas eu nunca imaginei que fosse ser tão difícil. Eu devia ter te perguntado sobre aquela conversa, mas a minha insegurança e meu passado falaram mais alto na minha consciência e a única coisa que eu pensei foi ir embora antes que eu ouvisse aquelas coisas enquanto olhava nos seus olhos.

- O que mais me machucou foi você pensar que eu falava de você Isabella. Eu nunca me referiria a você daquele jeito. Eu estava conversando com Emmett sobre uma funcionária do hospital que estava se atirando insistentemente em mim. – expliquei. Eu não queria dizer que era Victoria e deixá-la preocupada pela mesma estar na cidade. – Era sobre ela que eu falava... das investidas frustadas que ela dava pra cima de mim. Se você tivesse ficado atrás da porta mais 10 segundos... se tivesse ouvido até o final... você me ouviria dizer a Emmett que eu te amava e ia te pedir em casamento naquele dia.

- Você já tinha me pedido em casamento. – ela sorriu.

- Sim, mas naquele dia eu... te daria um anel de noivado e conversaríamos sobre datas, mas quando eu cheguei só tinha uma carta em cima da cama.

Ela abaixou os olhos.

- Me desculpe.

- Tente descansar, amanhã nós conversamos. – eu disse.

- Vai ficar ai? Na poltrona?

- Não estou com sono. Na verdade, eu preciso resolver umas coisas. – menti.

Ela assentiu e se aconchegou aos travesseiros.

Logo ela dormiu e eu precisei sair dali.

A presença dela me inebriava, me sufocava por não poder fazer o que eu queria.

Eu queria ela nos meus braços enquanto nos amávamos e demostrávamos isso um ao outro.

Mas a minha razão travava uma maldita guerra contra o meu coração.

E assim que eu fechei a porta minhas pernas cederam e eu escorreguei pela parede até estar sentado no chão.

Lágrimas invadiram meus olhos com violência enquanto eu pensava em tudo que havíamos vividos.

Nos planos que eu tinha pra nós dois e que agora não passavam de planos frustrados de um futuro que nunca existiu.

- Edward? – eu ouvi a voz do meu pai e enxuguei o rosto rapidamente. – O que houve?

Ele se sentou ao meu lado no chão.

- Bella... ela está lá dentro. – apontei pra porta do meu quarto.

- E pressumo que a conversa de vocês não foi tão boa. – ele disse com pesar.

- Não... eu que... - suspirei - É tão difícil pai. Eu a amo tanto que dói vê-la e não poder tocá-la ou ter ela pra mim. Eu só queria que tudo fosse diferente e que estivéssemos curtindo esse momento juntos, como deveria ser.

- Venha, vamos beber alguma coisa. – ele se levantou e me ajudou a levantar do chão.

Nós tomamos uma cerveja enquanto conversávamos.

Ele disse que mamãe estava vindo pra Forks.

- Ela disse que está com saudade de mim, mas sei que é por causa de Bella e nossa netinha. – ele riu.

Disse também que logo precisaria ir embora e eu fiquei angustiado com a notícia. Eu teria que ficar ainda 1 mês naquela cidade e sem meu pai seria mais difícil.

- Eu sou o diretor do Presbiterian filho e um clínico como eu, não tem muita utilidade no caso de Lauren, por isso preciso voltar.

Mas de certa forma eu estava feliz que minha mãe viesse até aqui. Eu não havia matado a saudade dela do tempo que fiquei na Europa.

- Eu vou voltar. – disse me levantando. – Não quero que ela acorde em algum momento e não me veja por lá.

Me despedi de Carlisle e segui pro meu quarto.

Quando eu cheguei ao quarto, Bella ainda dormia como um anjo.

Meu anjo...

Eu sorri com aquele pensamento e sem pensar muito me ajoelhei ao seu lado na cama.

Eu precisava tocá-la de alguma forma e talvez ela não acordasse e visse o que eu estava fazendo, mas...

Eu só precisava sentir a maciez e o calor da sua pele. Sentir o nosso bebê.

Eu ergui minha mão direita e pousei em sua barriga coberta pelo lençol. No mesmo instante o bebê se agitou dentro dela e aquilo me fez sorrir como um bobo. Um pai bobo e apaixonado pela mãe da sua filha.

Bella se mexeu um pouco e eu puxei minha mão.

Durou pouco, mas foi tão mágico...

A umidade nos meus olhos aumentou com a sensação da minha filha se mexendo na minha palma e como tinha acabado tão rápido.

- Por favor, continue. – Bella disse de olhos fechados.

Eu não sabia se ela estava sonhando ou falando mesmo comigo, então fiquei imóvel.

Ela abriu os olhos e me encarou, o movimento das suas pálpebras fez uma lágrima rolar pelo seu rosto.

Sem dizer uma palavra, Bella tirou o lençol do seu corpo, puxou a camisa até um pouco abaixo dos seus seios e pegou minha mão, pousando-a na pele nua da sua barriga.

- Sinta ela. – ela disse com a voz embargada. – Nossa pequena cutucadora.

Eu sorri com meus olhos presos no dela enquanto lagrimas de emoção saia dos meus olhos por estar sentindo nossa filha.

O bebê parecia se embolar no ventre de Bella conforme eu a acariciava e sussurrava Kiss the rain pra ela.

Eu me sentei ao chão, pra ficar mais confortável e encostei minha testa em sua barriga, sem tirar minhas mãos.

- Eu queria que fosse tudo diferente. – Bella disse entre soluços. – Eu queria que você ainda me amasse e que fossemos uma família juntos.

Eu beijei sua barriga e a olhei.

- Eu amo você Bella. Eu nunca deixei de te amar... mas eu preciso de um tempo. Eu preciso de um tempo pra te entender. Entender os motivos que nos levaram até isso... até aqui. – eu disse entre os meus próprios soluços.

- Eu só quero que saiba que eu nunca deixei de te amar e que dizer aquelas coisas pra você quando esteve no Brooklyn foi a pior coisa que eu fiz na minha vida. – ela disse triste.

- Vai ficar tudo bem Bella. – eu voltei a deitar minha cabeça na sua barriga enquanto a acariciava. – Não vai bebê? Eu sou seu pai. – sussurrei pra sua barriga.

Bella riu enquanto o neném fazia uma estripulia.

- Eu acho que ela já sabia disso assim que você a tocou. – Bella disse rindo. – Deus! Isso faz cócegas.

Em algum momento Bella dormiu enquanto eu ainda acariciava a pele da sua barriga e eu não queria sair dali nunca mais.

Eu já tinha sentido milhares de bebê, assistido um zilhão de gestantes, mas nada se comparava a sentir a minha filha.

Amanhã eu precisava que Bella me dissesse informações sobre a gravidez.

Eu queria saber se nossa garotinha estava bem, se estava saudável. Queria saber o peso e as medidas dela, queria vê-la em um ultrassom e tentar adivinhar se ela tinha algum cabelo. Ver os dedinhos dos seus pés se movimentarem e ver se ela chupava dedo como alguns bebês das minhas pacientes.

Essas informações eu não consegui quando olhava o prontuário dela escondido.

Eu me inclinei sobre ela e sussurrei em seu ouvido que a amava.

E eu dormi ali...

Sentado no chão, com a cabeça e uma das mãos apoiadas na barriga de Bella.

Eu não me importava em como eu ia acordar no dia seguinte.

Eu só não queria sair dali...

Nunca mais.

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