N/A: Finalmente chegamos ao fim. Digo finalmente, porque o tanto que demorei pra terminar essa fic não tá no gibi hahaha. Mas é uma história que vai me fazer falta. Foi gostoso escrevê-la, mesmo eu mudando 60% das cenas e do rumo da história, finalmente eu consegui terminá-la. Eu ainda vou fazer o epilogo, mas, como quem acompanhou a THNL já deve saber, o clima de despedida fica sempre no último capítulo. O epilogo é apenas um bônus.
A THNL eu postei em apenas quatro meses. Quem me dera postar essa fic tão rápido hahaha. Comecei a escrevê-la em Outubro de 2010, postei ela em Dezembro do mesmo ano e olhem só, terminei a bendita ontem UHAUHHUAUHAUHA.
Enfim, esse capítulo ficou enorme! 15 páginas, praticamente dois capítulos normais que eu escrevo. Eu poderia dividi-lo, mas sei lá, não achei um lugar legal que poderia dar um novo capítulo, então deixei assim mesmo.
Obrigada, muito obrigada por terem ficado comigo durante esse um ano e quatro meses. Algumas pessoas saíram no meio do caminho, outras entraram na metade, mas cada pessoa que acompanhou essa história merece o meu agradecimento. Muito obrigada! Mesmo!
Obrigada pelas reviews lindas no último capítulo postado: Caroline Marques, MahRathbone, Kaarol, Isabella, Tatianne Beward, Gabi Doimo e Aninhah8!
E claro, obrigada Carol Marques por ter betado pra mim. Salvando minha vida since 2010
Espero que gostem desse capítulo. Eu particularmente adorei!
Capítulo 26 – Pontos de Interrogação.
Formatura.
A escola estava cheia de alunos, pais, amigos, familiares e professores. Todos conversavam animados enquanto terminavam de arrumar o palco que estava prestes a receber o orador da escola e os alunos que iriam pegar o seu diploma do terceiro ano, além do orador de cada das três salas principais. Alice soltou um suspiro pesado e feliz. Estava finalmente terminando o terceiro ano. Olhou em volta, sorriu e acenou para os pais de Edward e de Bella. Andou até o lugar destinado aos alunos e sentou-se ao lado do casal que estava rindo e brincando. Alice olhou em volta e viu um Emmett sorridente carregando uma bela Charlotte nos braços fortes. Tanto ela quanto Edward e Bella acenaram para ele e logo uma Rosalie sorridente sentou-se junto deles.
— Charlotte está maravilhosa – Bella elogiou ainda vendo a filha da sua amiga nos braços de Emmett. – Mas não é por nada não, mas se fosse filha do Emmett seria ainda mais linda. Olha para aquilo!
— Sim. Minha filha é maravilhosa – Rose a corrigiu rindo e ignorou o que a amiga tinha dito. Edward bufou e revirou os olhos.
— E você e Emmett? – a namorada de Edward perguntou e Rose deu de ombros.
— Estamos juntos. E para ser sincera, nunca fui tão feliz em toda a minha vida. Emmett me completa.
Alice abaixou a cabeça. Tudo o que ela não queria era ouvir uma linda história de amor. Por mais que Rosalie tenha merecido o final feliz e que ela esteja extremamente exultante, Alice ainda estava lutando para esquecer Jasper. O final de seu namoro com ele fora algo que ela não imaginou que fosse acontecer, pelo menos não daquela maneira. Ainda lhe doía. Olhou em volta e viu os familiares sorridentes e desejou que Lucy e Cinthya estivessem ali. Seu coração apertou-se ainda mais.
Ainda faltava um tempo para que a formatura começasse de fato. Alice estava distraída quando Rosalie a tocou de leve nos ombros.
— Emmett disse que quer falar com você. Agora.
A jovem franziu o cenho, mas levantou-se. Rosalie lhe disse onde o namorado estaria e Alice resolveu ir atrás dele, querendo saber o que ele tanto queria com ela. Eram amigos, claro, mas não conseguia imaginar o que ele poderia conversar com ela que fosse tão urgente a ponto de não esperar a formatura.
Alice chegou ao local combinado por Emmett, mas ele não estava lá. Franziu o cenho mais uma vez e olhou em volta, chamando o nome do amigo e sem obter resposta. Deu de ombros, ainda confusa e estava prestes a ir embora quando uma mulher de quarenta anos apareceu na sua frente. Os cabelos estavam presos em um coque leve e frouxo. O rosto continha uma maquiagem leve e o vestido que ela estava usando era discreto. Pelo menos, mais discreto do que ela costumava usar. E os olhos azuis estavam emocionados demais.
— Foi você quem...
— Disse para Rosalie que queria falar com você – Lucy concluiu a linha de pensamento de Alice. A jovem estava completamente confusa. Há quantos meses não via a sua mãe? Há quantos meses não ouvia a voz dela sendo direcionada para si? A vontade de chorar veio com força, assim como a vontade de abraçá-la forte.
— O que está fazendo aqui? – ela perguntou com a voz embargada. Sabia que os olhos também estavam marejados. Lucy sorriu pesarosa e deu de ombros.
— Vim... Pedir-lhe perdão. Eu sei que... Eu não mereço o seu perdão. Que o que eu fiz foi horrível. Que eu devia ter escutado você. Ter procurado te entender. Eu sei que eu não fui uma boa mãe, Alice. Sei que eu errei, mas eu sou humana. Mesmo quando eu não quero ou não devo, não consigo deixar de cometer erros.
— Você acha que as suas desculpas vão adiantar alguma coisa?
A pergunta de Alice atingiu Lucy bem no coração. Ela abriu a boca, gaguejou algumas palavras, mas desistiu. Pensou em falar algo de novo, mas desistiu mais uma vez.
— Eu não sei... Espero que sim – finalmente respondeu à filha que continuava sem dizer nada.
Estava confusa. Fora humilhada pela mãe. Aquele tapa era algo que ela não conseguia esquecer, mas valia à pena deixar as mágoas aparecerem? Valia à pena não aceitar o pedido de perdão de Lucy? Os olhos azuis da mulher a sua frente começaram a lacrimejar e algumas lágrimas rolaram pelo rosto maquiado e cansado. O coração de Alice continuava doendo, agora por ver as lágrimas nos olhos de sua mãe.
— Eu não mereço perdão. Sei disso. De qualquer forma, Alice. Saiba que você pode contar comigo com o que você precisar.
— Parece fácil, não é mesmo? - Alice indagou ainda olhando para Lucy. – Acreditar em qualquer coisa. Humilhar a sua filha e depois pedir perdão.
— Não é fácil – Lucy rebateu, mas Alice pareceu não se importar.
— Tudo o que eu passei durante estes meses... Eu jamais imaginei que eu poderia passar.
— Eu sei.
— No fundo, eu acho que eu devia virar as minhas costas e voltar para a minha formatura. É um dia importante para mim, afinal. Além do mais – Alice deu de ombros – não acho que um pedido de desculpas mude alguma coisa.
Lucy assentiu. Vá embora e me deixe em paz. Ela quase conseguia ver Alice dizendo isso. Na verdade, era o que ela estava dizendo, através daquelas palavras. Um jeito camuflado, para que doesse menos, mas acabaram doendo mais. Bem mais do que devia.
— Eu te entendo – a mulher respondeu apenas e deu de ombros. Tinha que ir embora, mas por que não tinha ido? Por que não conseguia? Alice ainda olhava para ela e ela não conseguia entender as emoções da filha.
— Acontece que eu não vou fazer isso. Não vou virar as costas para você e nem farei de conta que esta conversa nunca existiu. Não vou fingir que você não se arrependeu do que fez e tampouco irei jogar toda culpa em cima de você, assim como eu fiz com Jasper. Não há apenas uma pessoa errada nesta história toda, além do mais... – Alice engoliu em seco. O choro já estava se manifestando. – Eu escondi tudo de você. Eu mereci pelo o que eu fiz.
— Você me perdoa? – Lucy indagou com um fio de esperança na voz.
Alice assentiu e ambas deixaram com que as lágrimas saíssem de seus olhos. Sem dizer nada uma para a outra, ambas se abraçaram apertado e deixaram com que as lágrimas falassem por si só. Alice abraçou a sua mãe tão forte e aproveitou para sentir a textura da pele da pessoa que ela mais amava no mundo. O calor materno, o carinho, tudo o que ela sentia falta. Seu coração bateu ainda mais forte e seu sorriso agora era verdadeiro. Ainda havia mágoas, ambas sabiam bem disso, mas agora poderiam lutar juntas contra toda a tristeza que ficara entre elas. Ambas iriam superar isso. Juntas.
— Você também me perdoa? – Alice perguntou em meio às lágrimas e Lucy assentiu sorrindo para em seguida dar um beijo na testa da jovem que ela havia dado a luz dezoito anos antes.
Ambas continuaram olhando uma para a outra; Alice sorrindo feliz enquanto sua mãe acarinhava o seu rosto com devoção.
— Acho melhor voltarmos para a formatura – Alice propôs, mas Lucy meneou a cabeça e se afastou dela.
— Tem mais alguém querendo falar com você.
A jovem não acreditou quando Jasper apareceu na sua frente. Onde ele estava? Havia acompanhado toda a conversa? De qualquer forma, seu coração ficou contente ao vê-lo. Estava mais magro, parecia abatido e estava contido, como se não soubesse se podia se aproximar dela ou não. Ali, quem devia pedir perdão era ela. Por ter lhe falado tudo aquilo, por ter lhe jogado toda a culpa, por tê-lo feito sofrer. Ele não tinha culpa de nada, pelo contrário, a havia alertado várias vezes, mas Alice não soube lhe dar ouvidos. De todos ali, ele era o único que não tinha culpa nenhuma sobre o que aconteceu.
Sem pensar duas vezes, Alice saiu correndo. Correu e logo ela foi parar nos braços dele, finalmente, depois de tanto tempo. Ele a abraçou forte e escondeu o rosto em seu ombro, enquanto ela o apertava mais contra si. Ele a levantou no colo e ela não conseguiu não soltar um gritinho por causa disso. Seu coração parecia pular de alegria dentro de seu peito, como uma criança que havia acabado de ganhar o brinquedo que há muito tempo esperava.
— Me perdoe. Por favor, me perdoe, por favor... – ela sussurrou. – me perdoe, me perdoe, por favor, me perdoe...
Jasper afastou seus rostos um pouco, ainda sem soltá-la de seus braços. Acarinhou o rosto de menina e os cabeços soltos e sorriu.
— Volta pra mim? – ele pediu e deixou um beijo leve e cheio de saudade em seus lábios. – Por favor...
Ela não respondeu. Apenas retribuiu o beijo. E quando ele a soltou, Alice olhou para a mãe que olhava tudo com os olhos cheios de lágrimas e com um sorriso no rosto. Lucy ainda amava Jasper. Porque ela realmente o amou e uma paixão assim não se esquece de uma hora para outra. Ela nunca o havia esquecido, e depois de tudo o que aconteceu, o sentimento permaneceu em meio ao ódio e a mágoa. Mas Jasper não era seu. Era de sua filha e ela não pôde ficar mais feliz por isso. A sua filha, a menina que ela havia criado, agora estava nas mãos de um homem maravilhoso que prometia cuidar dela e Lucy sabia que ia fazê-lo. E ele estava do lado da mulher que ia fazer dele o homem mais feliz do mundo; e Jasper não merecia menos do que isso.
— Vocês formam um casal lindo – ela elogiou e Alice abaixou a cabeça sorrindo enquanto Jasper lhe deixava um beijo leve em seus cabelos.
Os três voltaram para a cerimônia de formatura. Alice sentou-se junto com os outros estudantes e sorriu quando viu Lucy brincando com Charlotte nos braços de Jasper enquanto Emmett tirava fotos de Rosalie, que estava fazendo o discurso da turma. Jasper notou o olhar dela sobre eles e sorriu, fazendo o coração da jovem bater ainda mais forte.
Alice finalmente foi pegar o seu diploma e sorriu quando notou a sua mãe tirando fotos dela e daquele momento histórico para a sua vida. Os três permaneceram um pouco na festa e Alice abraçou Cinthya que estava com os pais de Edward. A formatura estava acabando, os pais de Edward iam fazer uma festa em casa, mas nem Alice e Jasper quiseram ir. Lucy quis preparar um almoço apenas para eles e Cinthya. Queria aproveitar aquele momento, recuperar o tempo perdido. Mas a filha mais nova não resistira ao convite de ir com Bella para a casa dos Cullen.
— Ah, mas que droga! Não tem molho de tomate – Lucy resmungou enquanto revirava a despensa atrás do ingrediente. – E agora? Já comecei a preparar a macarronada.
— Se quiser, eu vou ao mercado para você – Jasper se ofereceu.
— Mesmo? Se você puder fazer este favor. Aí compre umas quatro latas e se não for pedir muito, compre os ingredientes para uma lasanha também, por que não?
— Lasanha com macarronada mãe? – Alice indagou enquanto cozinhava o macarrão.
— Sim, é verdade. Apenas o molho de tomate, está ótimo.
Jasper assentiu e pegou as chaves do carro. Andou até Alice, que estava sentada e encostada na bancada da cozinha e lhe deu um beijo estalado na bochecha.
— Quer que eu vá com você?
— Não precisa. Fique um pouco com a sua mãe. Eu já volto.
Alice sorriu enquanto o observava sair do apartamento. Lucy viu a expressão feliz da filha e sentou-se em frente à menina.
— Me sinto mal por ter separado vocês – Lucy sussurrou e Alice dirigiu o seu olhar para a sua mãe. – Vocês parecem que se gostam tanto.
— Você não teve culpa – Alice começou a brincar com o chaveiro que estava no molho de chaves em suas mãos.
— De alguma forma eu tenho sim.
— Nós duas tivemos – Alice deu de ombros. – Vamos esquecer isso.
— Você devia ter me contado – Lucy sussurrou e Alice mordeu o lábio.
— E como você reagiria? – Alice perguntou olhando nos olhos da mãe. – Acho que não seria diferente.
— Seria sim, por que você teria me contado a verdade. Eu não criaria fatos na minha cabeça.
Alice suspirou forte. A mão de Lucy tocou a mão pequena de sua filha. A jovem olhou para a mulher que lhe deu a vida e sorriu.
— Senti sua falta – Lucy disse em um sussurro.
— Eu também senti – Alice respondeu com a voz no mesmo tom.
xxx
Lucy preparou um almoço rápido. Jasper e Alice a ajudaram e depois de terem também ajudado a arrumar a cozinha, os três passaram algumas horas conversando. Não falaram sobre o que havia acontecido. Parecia que nunca havia acontecido. Lucy estava feliz. Via Jasper e Alice juntos e seu coração se enchia de alegria. Ficava imaginando como seria se Alice tivesse lhe contado tudo. Imaginou como seria se, desde o início, Jasper fosse namorado de Alice ao invés de seu.
Ambos combinavam, ela concluiu. Era lindo vê-los juntos. O sorriso de Alice quando estava com ele. Os olhos verdes de Jasper quando estava com ela. Tudo era lindo ali.
— Eu acho melhor irmos embora – Alice disse depois que o filme havia terminado. Lucy tirou o blu Ray do aparelho e olhou para a filha.
— Não vai ficar aqui? A proposta que eu te fiz de você voltar a morar aqui em casa foi sincera – disse enquanto caminhava até Alice que já havia se levantado.
A jovem pegou na mão da mãe e sorriu.
— Pensarei nisso, mãe. Acredite. Estou gostando de morar sozinha. É... Uma liberdade que eu nunca experimentei, entende? Não tem sido fácil, é verdade. Mas acredito que com vocês – ela olhou para Jasper que sorriu e depois voltou a encarar a mãe – agora tudo ficará menos difícil.
— Eu queria te ver morando aqui de novo. Mas você quem sabe – Lucy deu de ombros e abraçou a filha. – Espero te ver amanhã.
— Pode deixar – Alice disse sorrindo. Ambas se soltaram e Lucy abraçou Jasper com carinho.
— Espero que cuide da minha filha – pediu e o rapaz sorriu.
— Cuidarei.
Ambos se despediram de Lucy e foram até o carro de Jasper de mãos dadas. Alice estava sorrindo e Jasper não ficava atrás. Ele abriu a porta do carro para ela e depois se sentou no banco do motorista. Alice encostou sua cabeça sobre o vidro da janela do carro. Sentira saudade de fazer isso. Olhou para Jasper e o admirou enquanto o rapaz ligava o motor do automóvel. Ele olhou para ela e ambos sorriram, felizes demais para falarem alguma coisa.
— Vamos para onde? – Jasper perguntou e Alice deu de ombros.
— Não sei. Quer ir para algum lugar?
Desta vez, foi ele quem deu de ombros.
— Quero conhecer a sua casa. Pode ser? – ele disse e Alice riu.
— Claro. Bem. É só a minha casa que você quer conhecer? – indagou com um riso maroto. Jasper sorriu.
— Acho que a sua cama eu já conheço – ele respondeu maroto e Alice mordeu o lábio enquanto aproximava o seu rosto do dele.
— Eu não teria tanta certeza assim – ela arqueou uma sobrancelha.
— É mesmo?
— Sim...
— Então eu quero conhecer a sua cama... – ele disse baixo com o rosto cada vez mais próximo do dela – seu banheiro... – beijou-a de leve nos lábios – seu sofá... – Alice riu, fazendo-a rir junto.
— Eu te amo, sabia?
— Eu também te amo – ele respondeu rindo e a beijou nos lábios enquanto sua mão a segurava forte pela cintura.
Ambos trocaram um beijo apaixonado e cheio de saudade. O motor do carro estava ligado, mas quem se importava? Quando as suas línguas se tocaram, Alice sentiu-se completa mais uma vez. Colocou a mão no peito de Jasper, acarinhando-o sobre a camisa que ele vestia. Depois sua mão passou a percorrer o corpo do homem que ela amava e seus dedos começaram a brincar com os botões da roupa que ele estava usando. Jasper a apertou mais forte e não conseguiu evitar um gemido involuntário. Alice sorriu.
— Aqui não pequena – ele sussurrou e ela afastou-se dele rindo.
— Ok, doutor – ela respondeu brincando e voltou-se a sentar no banco do passageiro.
Estava feliz, feliz demais, feliz como não tinha estado há meses. Durante todo o trajeto, não tirou os seus olhos de Jasper. Ambos conversaram bastante, sobre diversos assuntos, mas não sobre as suas vidas. Sobre o que acontecera nos últimos meses. Queriam recomeçar de onde haviam parado, mesmo que isso fosse impossível.
Quando chegaram ao apartamento de Alice, a jovem abriu a porta do lugar e entrou. Pela primeira vez, aquele lugar estava iluminado e cheio de vida. Ele não seria mais o lugar para as suas depressões. Tampouco para a sua solidão.
— Seja bem vindo – ela disse sorrindo enquanto o rapaz entrava no pequeno apartamento em que ela vivia. – Sei que é pequeno, mas...
— É ótimo! Digo, você vive sozinha. Não precisaria de algo maior, não é mesmo?
— É verdade – ela concordou sorrindo e Jasper fechou a porta. – Eu quero que se sinta a vontade.
Jasper sorriu e abriu os braços para que ela se acomodasse ali. No lugar de onde ela jamais devia ter saído.
— Senti tanta saudade – ele sussurrou perto do ouvido dela. – Tanta saudade...
A jovem ainda sorrindo afastou-se do abraço apertado e olhou nos olhos verdes do homem que ela amava. Ainda não acreditava que estava de volta aos braços dele. Os olhos do rapaz brilhavam como duas esmeraldas e Alice sentiu o seu coração bater forte em seu peito. O amava tanto que a impressão que ela tinha era de que tanto amor não cabia mais dentro do seu peito.
Jasper a abraçou novamente e a beijou com paixão. Suas mãos apertaram a cintura pequena e Alice passou os braços pelo pescoço do rapaz. Alice assustou-se quando ele a pegou no colo, isso fez com que ela segurasse a roupa que ele estava usando com mais força. Jasper parou o beijo e sussurrou perto dos lábios dela:
— Onde fica o seu quarto?
Isso fez com que uma risada cristalina saísse dos lábios de Alice. Ela lhe respondeu que ficava no pequeno corredor e que ele saberia facilmente qual era o quarto, afinal, só havia o quarto e o banheiro ali. Ainda com ela nos braços, Jasper caminhou até o cômodo enquanto ambos trocavam beijos e carinhos.
Assim que adentraram o local, ele a deitou na cama e rumou os lábios macios para o pescoço da jovem. Alice passou as unhas de leve pelo pescoço de Jasper que gemeu baixinho.
— Assim você me enlouquece, pequena – ele sussurrou perto do ouvido dela que sorriu.
Ambos continuaram beijando-se ardentemente enquanto trabalhavam com maestria para que suas peças de roupa caíssem ao chão. Estavam sentindo tanta falta um do outro. Sentiam falta de seus corpos juntos enquanto cada um sentia cada pedacinho do outro. Sentiram falta do sentimento unindo-se à luxúria e ao prazer. Sentiram falta de se completarem. De formarem um só naquele momento tão íntimo para eles.
Alice gostava de fazer amor com Jasper. Não apenas pelo sexo em si, mas pelos sentimentos que compartilhavam um com outro. Compartilhavam amor. Paixão. Tesão. Luxúria. Compartilhavam tudo o que tinham de melhor. Alice gostava de senti-lo dentro de si, assim como gostava do modo como seus dedos a tocavam, do modo como seus olhos verdes vívidos a olhavam. Gostava de sentir os lábios dele por seu corpo assim como gostava de tocá-lo, de vê-lo se entregar ao prazer que ela lhe proporcionava.
E, como faziam antigamente, após terem se entregado ao prazer, ambos permaneceram unidos. Calados. Enquanto acarinhavam-se e ouviam apenas as suas respirações no local.
Entretanto, havia outro momento que Alice adorava: o momento pós-sexo.
— Senti falta disso – ela disse quebrando o silêncio. Jasper estava com a cabeça encostada em seu peito. Era assim. Era ela quem acarinhava os cachos loiros e suados enquanto ele ficava com a cabeça em seu peito, ouvindo as batidas de seu coração. Só depois que eles invertiam as posições. Quando invertiam. Alice gostava assim.
— Eu também senti – ele olhou nos olhos dela que sorriu. – Você não tem noção da falta que você me fez...
— Você também não tem.
Alice riu e isso o deixou confuso.
— Sabe. Nesses últimos meses pensei em tudo o que vivemos juntos. Assim. De como nos conhecemos...
Desta vez foi ele quem riu, deixando um beijo de leve nos ombros da jovem.
— Você não gostava de mim.
— Não é assim, Jazz. É que eu tinha vergonha. Qual é, eu te conheci quando você estava prestes a transar com a minha mãe. Não foi legal, ok?
— É verdade, não foi – ele riu. – Lembra do dia que eu tive que ir até a sua escola porque a senhorita fez o favor de fugir no meio da aula?
— Ah, Deus! – ela gargalhou. – Como esquecer? Me lembro como se fosse ontem da cara que aquela bruxa da senhora Smith fez quando você disse que era meu padrasto. Ela estava quase te comendo com os olhos!
— Eu lembro – ele disse rindo. – E você ficou com ciúmes – afirmou.
— Não fiquei!
— Claro que ficou! "Você vai me levar ao MC Donalds, não é?" – ele a imitou com perfeição e Alice gargalhou alto enquanto sentia o rosto queimando.
— Deus! – ela continuou rindo. – Parece que isso tudo aconteceu há décadas. Ao mesmo tempo parece que foi ontem. E já tem mais de um ano! Charlotte já está com quase quatro meses!
— É verdade.
— É muito estranho pensar na nossa relação de antes com a de agora. Eu nunca imaginei que poderíamos namorar. É tudo surreal... Como foi que você percebeu que estava apaixonado por mim?
Jasper sorriu. Ainda sentia os batimentos do coração de Alice. Tinha vontade de nunca mais sair dali.
— Na festa de Bella. Enquanto dançávamos. Na verdade, eu já devia ter reparado nos detalhes de antes. Em como eu ficava perto de você. Mas nunca levei a sério. Entretanto, tudo veio à tona naquela festa.
— Comigo foi assim também. E por que decidiu se afastar de mim? Você me machucou me ignorando daquele jeito.
O sorriso sumiu do rosto de Jasper. Ele soltou um suspiro pesado e olhou nos olhos de Alice.
— Eu já te falei que foi porque eu te amava. Falei isso quando você apareceu em casa, naquela chuva infernal, completamente desnorteada.
— Você tinha medo de ficar comigo? – Alice não desistiu.
— Medo? Acho que sim. Eu te achava nova demais para mim e o fato de você ser filha da minha até então namorada... Isso me deixou maluco. Eu queria te esquecer e forçar o meu relacionamento com Lucy. Não deu certo. Terminei com a sua mãe e o restante da história nós dois sabemos muito bem como foi.
Alice sorriu levemente e voltou a acarinhar os cachos loiros.
— Falamos tanto, mas eu queria saber o que você tem feito nestes últimos meses... Os meses em que ficamos separados – Jasper disse com a voz baixa.
A jovem suspirou.
— Não adianta fingir que eles nunca existiram, Alice.
— Eu sei. Enfim. Não fiz nada. Trabalhei. Me mudei para cá. Tudo o que você já sabe.
Jasper sorriu levemente e colocou um dedo debaixo do queixo dela.
— E como tem sido? Difícil?
— Um pouco.
— Não acha melhor voltar para a casa da sua mãe? – ele perguntou olhando nos olhos dela. Desta vez foi Alice quem sorriu levemente.
— Acho que não. Estou gostando dessa independência. Não vou negar que está sendo difícil, mas quando é que não é? Digo, a vida é difícil por si só.
— É verdade. De qualquer forma, estou ao seu lado. Você sabe disso, não é?
Alice sorriu abertamente agora.
— Eu sei sim – respondeu e o beijou nos lábios. – Está com fome?
— Sabe que sim? Já faz um tempo que almoçamos.
— É verdade. Vamos fazer algo para comermos então.
Ambos saíram da cama. Alice vestiu a camisa de Jasper enquanto ele usou apenas a calça jeans que ele estava vestindo. Ambos foram até a pequena cozinha de Alice enquanto riam, se abraçavam e se beijavam com paixão. O clima romântico impregnava o local e a felicidade de ambos poderia ser notada a quilômetros de distância.
Eles comeram algumas torradas que havia lá junto com canecas de chocolate quente. A noite não estava fria como estaria em um inverno, mas as temperaturas estavam mais frias do que o normal.
Alice caminhou até a sacada que ficava perto da sala. Observou a rua. Não havia muito movimento. Bebeu um gole do chocolate quente e suspirou pesadamente. Os braços de Jasper passaram por seu corpo esguio e ele a beijou no topo de sua cabeça enquanto as suas mãos acarinhavam a barriga macia dela por cima a camisa de botões.
— Estou feliz – ela disse.
— Eu também estou.
— Sinto vontade de congelar este momento. Por que não quero que ele passe. Tudo está parecendo um sonho e eu confesso que tenho medo de acordar e perceber que você não está mais aqui. Que tudo foi apenas um sonho. Que a minha vida real continua um inferno.
— Mas nada foi um sonho, Alice – ele disse enquanto colocava seu dedo indicador embaixo do queixo dela e fazia com que seus olhares se encontrassem. – Estamos juntos de novo. E ficaremos juntos. Acredite em mim. O inferno já passou.
— Eu sei.
Ambos continuaram em silêncio enquanto observavam a rua silenciosa naquela madrugada feliz. Jasper brincou com a mão livre de Alice e sorriu.
— Tenho algo muito importante para te dizer – Jasper quebrou o silêncio.
— Diga – ela pediu sem tirar os olhos da paisagem que estava vendo.
Jasper sorriu.
— Eu vou ser pai.
A frase caiu como uma bomba nos ouvidos de Alice. Ela virou-se, completamente chocada. Suas mãos começaram a tremer e sua boca secou. Como assim ele seria pai?
— Como assim? – ela perguntou sem deixar de demonstrar o choque em sua voz. Jasper riu e isso a fez morder o lábio.
— Fique calma, tá bem?
— Calma? Você me diz que vai ser pai e me pede para eu ficar calma? Que brincadeira é essa, Jazz?
— Não é brincadeira. Eu realmente vou ser pai, não estou brincando. E fique calma, também não é nada do que está pensando. Eu não engravidei ninguém. Até porque se eu tivesse engravidado, eu estaria ferrado, afinal, você só tem dezoito anos e...
— Cale a boca e me explique essa história – ela o interrompeu e Jasper se divertiu com o nervosismo de sua menina.
— Lembra do Nahuel? O garotinho que sofreu o acidente e perdeu a mãe na tragédia?
— Lembro.
— Então. Parece que o pai nunca viu a criança. A mãe faleceu e os avôs não o querem. Resolvi adotá-lo – Jasper deu de ombros. – Depois que nós dois nos separamos, ele tem me ajudado muito, digo, cuidar dele me ajudou muito a não sofrer por você. Me apeguei demais a ele e... Não quero que ele vá para um orfanato ou algo assim. Ele merece algo melhor do que isso. E... Resolvi adotá-lo. Já contratei um advogado e já levei todos os papeis para o juizado. Agora é torcer. Me disseram que as minhas chances são boas.
O coração de Alice cresceu dentro de seu peito. Parecia que ia sufocá-la. Doeu. Doeu muito. Mas doeu de uma maneira gostosa. De uma maneira que ela queria que doesse para sempre. Havia tanto amor naquele coração que é como se ele fosse explodir a qualquer momento. As lágrimas foram até os seus olhos e Alice não resistiu e colocou a caneca no chão, perto de seus pés. Precisava abraçá-lo. Sentir suas mãos em sua pele. Senti-lo respirar perto de seu corpo. Se antes ela já o amava muito, agora seu coração estava cheio de um sentimento ainda maior, mesmo ele ainda sendo amor.
— Eu não mereço uma pessoa maravilhosa como você – ela disse enquanto o abraçava.
Jasper deu uma risadinha e a abraçou forte.
— Eu quem não mereço alguém como você.
— Estou falando sério – ela disse enquanto quebrava o abraço. – Eu amo você... E eu quero ser uma mãe pra esse menino.
Ele riu para depois beijá-la nos lábios. Alice encostou sua cabeça no peito nu de Jasper que acarinhou as costas dela por cima da camisa. Alice fechou os olhos. Agora estava nos braços dele. Lugar de onde ela jamais devia ter saído. E então, ela finalmente podia dizer que os pontos de interrogação não estavam mais em sua cabeça. Não os pontos de interrogação que a sufocavam. Agora a sua vida havia tomado o rumo certo e não havia mais dúvida alguma quanto a sua felicidade.
Fim
N/A: Acabou! É uma sensação tão gostosa quando a gente termina uma história depois de tanto tempo! E eu não sei o que falar. Que vou sentir falta disso aqui, que é triste me despedir desses personagens, etc, isso vcs já sabem. Então, não tenho muito o que falar, além de agradecer todo mundo mais uma vez. Obrigada, obrigada, obrigada, mil vezes obrigada. Vocês são os melhores leitores que eu poderia ter! Muito obrigada!
E claro, quem quiser continuar mais um ciclo comigo, bora nos encontrar na You Complete Me! \o/
E, acho que é só isso. Logo voltarei com o epilogo...
Beijos! E obrigada mais uma vez! :')
