N/A: Laarc - Muito obrigada! *_*
A Selene vai botar as garras um "pouquinho" mais de for dessa vez.
Bjs.
A maldade de Selene
"Levante-se e venha comigo", disse Selene olhando Darien por cima, "Ainda não me diverti o suficiente por hoje".
Ele olhou com desprezo para a deusa, que selou os lábios no dele.
Quando sentiu seu paletó deslizando até o chão, Darien enrubesceu de leve provocando as risadas debochadas de Selene.
– Envergonhado? Você é tolo demais! Não viu hoje a extensão de meu poder? A grandeza do meu reino? Não se sente nem um pouco envaidecido pelo lugar especial que guardei pra você?
– Você só está me usando pra ameaçar Serena, pra ela resgatar Endymion em seu lugar. Não há nada de especial nisso.
– Eu sou uma deusa e ela é uma de minhas guerreiras... Não tenho que me justificar... E, sim, nesse momento, ela está no reino de Hades pra trazer o que eu quero e ter você de volta... Mas pode ser que ela não consiga e fique por lá mesmo. Nesse caso, você ficaria aqui pra sempre...
– Isso não vai acontecer. Ela vai cumprir a parte dela nesse acordo sujo.
Selene soltou um sorriso maquiavélico. Tão ingênuo ele se saía, não era à toa que nunca desconfiou dela.
"Mas você não vai", prosseguiu ele, "Você não tem a intenção de..."
– Fazer a troca? É claro que não! Se ela trouxer meu amado de volta, ficarei com vocês dois. Não haverá troca nenhuma. Você vai ser meu até eu enjoar de você... – Completou a deusa, cínica como sempre.
Ele deu um passo para trás horrorizado com a frase que ouvira. Não concebia que Selene pudesse ser assim, tão sórdida a ponto de não cumprir sequer com a palavra dada.
– Como pode ser tão baixa? O que ganha me forçando a ficar a seu lado? Eu tenho pena de você... Usando esses artifícios sujos pra ter uma pessoa à força. Você não tem nenhum caráter! E não passa de uma desgraçada!
Os olhos de Selene se encheram de ódio ao interromper a fala dele com um tapa.
– O que eu avisei a você? Que se ousasse me contrariar os humanos pagariam o preço.
Ela gritou a plenos pulmões pela Harpia, ordenou-lhe que lhe trouxesse um dos casais abrigados no palácio.
– O que pretende fazer?
– Você vai ver...
A harpia trouxe rapidamente os dois. Era um casal já idoso, que trazia o medo estampado no rosto por estar ali. Eles foram jogados de joelhos diante da imponente deusa da Lua.
– Peço desculpas por atrapalhar o sono de vocês, mas alguém precisa sofrer as consequências pela desobediência do guardião da Terra.
Selene foi implacável... Em suas mãos se formou uma adaga de prata, que ela usou para verter o sangue do homem e da mulher à sua frente.
Ela cortava a carne dos dois com um sorriso diabólico na direção de Darien. O sangue do casal corria generosamente pelo chão formando uma poça.
Darien, por sua vez, queria ajudá-los, mas a Harpia o segurou e ele foi obrigado a ver a cena sem poder interferir.
– O que ganha com todas essas maldades? – Gritava Darien tentando se livrar das mãos da harpia – Eles não têm culpa, eu nem ao menos conheço essa gente...
– Eles são humanos! Não é sua missão proteger a Terra e o povo que nela nasceu? Então, vou começar por esses só pra mostrar pra você a extensão do meu poder... Eles podem morrer porque você está sendo idiota! Porque não entendeu ainda que pertence à deusa da Lua, não mais à tola princesa Serena!
Selene ria diante da dor do casal. Eles estavam vivos, mas muito feridos e gritavam de dor, enquanto o sangue deles escorria pelas mãos da deusa.
– Vou testar sua inteligência, meu querido. O que você precisa me dizer nesse momento? O que precisa fazer para que essas pessoas não sangrem até a morte bem na sua frente e por sua culpa?
Darien olhou para aquelas pessoas gritando e se contorcendo à sua frente; ele cerrou os punhos e baixou levemente a cabeça olhando diretamente para o sofrimento do casal antes de começar a falar.
– Me perdoa... Eu não vou mais falar assim com você.
– Só isso? Agora há pouco você estava bem mais falante...
– Por favor, Selene, cuide deles... Assim, eles vão acabar morrendo... – A voz de Darien era quase abafada pelos gritos do casal, que sentia uma terrível dor atravessando o corpo.
– Me convença a fazer isso! Mas seja rápido, pois eles não vão durar muito!
– Não vou... – Disse ele – Não vou mais contrariar você. Eu dou a minha palavra. Eu farei o que você quiser, mas não os mate... Eles não têm culpa de nada...
– Mais ou menos... podia ter sido mais romântico, mas tudo bem... – Olhou-o com certo desprezo Selene, que logo usou a energia de seu diamante lunar para curar o casal.
Os dois levantaram-se sem entender ao certo o que estava acontecendo. E foi com alívio que regressaram para seu quarto quando ouviram a ordem da deusa para que dali se retirassem.
Também a harpia recebeu ordens para se retirar, deixando os dois, deusa e humano, ali a sós.
Novamente.
De repente, porém, as feições da deusa, que deixavam transparecer uma loucura eminente, transformaram-se. Os olhos brilhavam e o rosto, sereno, iluminava um sorriso carinhoso:
– Acho que agora podemos continuar do ponto em que paramos – Disse, tirando a camisa dele.
Em seguida, Selene o enlaçou, seus cabelos o cobriam como se fosse uma capa. As mãos dela percorriam agilmente o corpo de Darien. Conforme a palavra dada, ele não a contrariou. Ninguém mais seria ferido por causa dele; não iria permitir isso.
E a deusa da Lua se divertiu tal qual havia planejado, sem o mínimo constrangimento.
Por fim, com a respiração cansada em cima do corpo dele, as mãos trêmulas passeando por aqueles cabelos negros, tinha ela plena certeza de que não o devolveria, de que Serena não o teria de volta, de que ele deveria ficar à sua disposição para que ela pudesse possuí-lo quando bem entendesse, como fez agora. Endymion teria sempre seu lugar, mas não abriria mão desse que estava ali com ela... Quando cansasse dessa brincadeira, ela mesma daria cabo da vida dele para que a ninguém mais pertencesse.
– Agora, sim. Dou a noite por encerrada. Tenha bons sonhos, meu caro. Descanse... Amanhã é um outro dia... Se é que me entende.
