Capítulo 26- O segredo de Juliet

- Mamãe, esses homens vão nos matar?- indagou Jimmy, preocupado, abraçado à mãe no chão frio acarpetado de cinza no Banco Central de Los Angeles.

- Não querido, vai dar tudo certo...- sussurrou Juliet, beijando o cabelo loiro do filho.

- Hey, você aí, fica quieta!- gritou um dos bandidos encapuzados.

Juliet ficou estática e olhou para o filho pedindo-lhe silenciosamente que não dissesse mais nada. As pessoas estavam em pânico, mas mantinham-se quietas com medo de levar um tiro.

- Nós temos que sair logo daqui, Mariner!- disse Manfield.

- È isso mesmo.- concordou Porter, o outro bandido. – Esse banco é o mais bem guardado do Estado da Califórnia, homem. A essa hora os federais e a Swat já devem ter sido mandados para cá.

- O Black disse que não era uma boa idéia.- afirmou Manfield.

- Sabem que não gosto de pouca coisa.- disse Mariner, zangado. – Ao invés de estarem me criticando já deveriam ter rendido a gerente. Precisamos que ela nos leve ao cofre.

- Meu caro, eu já fiz isso!- disse uma voz feminina sedutora. A mulher, assim como eles também estava armada e encapuzada, mas seus olhos verdes tão frios quanto os de Angel se destacavam no furo feito na meia, para que ela enxergasse.

Ela trazia consigo a assustada gerente, uma moça loira de aparência frágil e olhos tão claros que pareciam quase transparentes.

- Nossa amiga Charlote, a gerente do banco vai nos levar ao cofre e nós vamos poder sair daqui.

- Baby, você é única!- elogiou Angel. – A gente vai dar uma volta no cofre.- avisou o bandido. – Mas meus caros colegas permanecerão aqui tomando conta de vocês, portanto, não façam nenhuma besteira!- ele apontou Manfield e Porter. Em seguida, seguiu com a gerente e Cassidy Philips sua companheira de crimes em direção ao cofre.

- Psiu!- fez um rapazinho, tentando chamar a atenção de Juiet.

Ela olhou para ele temerosa, depois de alguns segundos de insistência.

- Senhora, tem um botão vermelho de emergência embaixo da mesa aos seus pés.- sussurrou ele para Juliet, se aproveitando que os bandidos não olhavam na direção deles.

- Não posso...- Juliet sussurrou de volta. – Eles vão me matar a mim e ao meu filho se descobrirem!

- È nossa única chance, senhora. Por favor! Se eu pudesse me arrastar até aí, o faria, mas da posição em que estou se eu me mexer eles verão.

Juliet olhou para o botão tentador, próximo a ela. Jimmy estava ainda mais próximo. Respirou fundo e disse ao filho:

- Jimmy, querido. Aperte aquele botão bem devagar, não deixe os homens maus perceberem.

O menino assentiu e devagarzinho e se esgueirou para apertar o botão. Porém, um dos assaltantes percebeu e gritou:

- Hey, moleque, o que está fazendo?

- Jimmy!- Juliet gritou em desespero, nervoso, o bandido acabou dando um tiro pra cima que ricocheteou no teto, bateu no tampo de metal da mesa perto de Juliet e acabou por atingi-la.

Ela gritou, sentindo seu corpo queimando com a força da bala, olhou para seu vestido, uma grande quantidade de sangue o manchava.

- Mamãe!- gritou Jimmy.

- P Manfield, o que você fez? Atirou numa mulher grávida?- repreendeu Porter.

- O moleque desgraçado apertou o botão de emergência.- bradou Manfield. – Agora não sairemos desse banco com vida, Nathan.

Juliet soluçava e sua vista estava turva. Uma senhora se aproximou dela e amparou, dizendo:

- Essa mulher e o bebê dela vão morrer, deixem-nos ligar para o hospital, chamar uma ambulância.

- Cara, nós estamos fritos, a polícia vai chegar a qualquer momento.- falou Porter.

- Não vamos chamar merda de hospital nenhum! Não deveriam ter acionado o alarme, agora ela vai morrer!- disse Manfield.

Jimmy começou a chorar desesperado.

- Cala a boca, moleque!- gritou Porter, apontando-lhe a arma, mas Jimmy não parou de chorar. Porter não teve coragem de atirar nele.

- Vamos chamar o Angel e a Cassidy, cara.- disse Manfield. – Eles saberão o que fazer.

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Ana-Lucia mal colocou os pés em seu apartamento e seu telefone celular soou estridente dentro da bolsa de mão. Ela, Jack e Sawyer tinham acabado de chegar do México. Seu marido havia sido transferido para o St. Sebastian, estava melhor mas ficaria em observação, Jack o acompanhou até lá enquanto Kate seguiu com Ana para o apartamento dela.

Naquele momento havia acabado de se instalar confortavelmente no sofá com Inezita tagarelando e acariciando seus cabelos quando viu a expressão de Ana-Lucia ficar preocupada ao atender ao celular.

- Mas acabei de chegar ao meu apartamento, diretor. – Sim, entendo que se trata de um caso grave mas...não, ele está bem, foi pro St. Sebastian com o meu cunhado. Certo, eu estou indo pra lá, pode mandar a viatura. Marshall está lá também? Ok, chego em quinze minutos, sim, ela irá comigo.

Ela desligou o celular e Kate indagou:

- O que houve Ana?

- Um assalto ao Banco Central, o diretor me quer nas negociações agora mesmo.

- Mas você acabou de chegar...

Raquel apareceu saindo da cozinha, estava preparando algo para Ana e Kate comerem.

- Hija?

-Madre, o diretor-assistente Goodwin acabou de me ligar, está tendo um assalto no Banco Central e ele precisa de nós no local.

Raquel assentiu, tirando o avental de cozinha e indo se preparar para a ação. Ana perguntou a Kate:

- Você vai ficar bem, sozinha?

- Vou sim, Inezita me fará companhia.

A garotinha fez cara de tolice.

- Sinto muito, mi amor, mas a abuela y mama precisam brincar de polícia e bandido agora. Mas prometo voltar logo.

Mesmo triste, a menina assentiu e abraçou a mãe.

- Eu te amo, mama.

- Também te amo.

Raquel voltou à sala, já pronta, Ana-Lucia pegou sua bolsa, também estava pronta e as duas deixaram o apartamento.

Quando a avó e a mãe saíram, Inezita sentou-se desolada em uma poltrona. Kate foi até ela e a colocou em seu colo.

- Hey, princesa, não fica assim.

- È que tenho medo que o homem mau mate minha mãe, como nos meus sonhos.

- Que sonhos?

- Os que eu tenho todos os dias, está cada vez mais perto, eu sei...

Kate ficou intrigada com as palavras da garotinha, ela era tão pequena e ficava dizendo aquelas coisas.

- Inezita, conte-me sobre seus sonhos.- pediu, talvez a menina estivesse tentando alertá-los sobre algo importante e eles não estavam se dando conta.

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Meio dia. O banco central estava cercado de policiais como os bandidos previram. O bando estava encurralado. Por trás das portas de vidro blindadas do lugar a situação era crítica, Juliet perdia muito sangue e manchava o carpete de vermelho. Angel Mariner tinha conseguido encher sua sacola com muitos dólares, mas como deixaria o local agora com uma refém baleada.

- Vocês dois são uns idiotas!- ele berrou. – Precisavam ter atirado nessa infeliz?

- È melhor a matarmos logo e acabarmos com o sofrimento dela, Angel.- opinou Cassidy.

- Talvez seja uma boa idéia.- disse Angel.

Várias pessoas estavam nervosas e chorando com medo e apiedadas pela situação de Juliet. Mas ela, não sentia nada, estava desacordada devido à dor.

O telefone dentro do banco tocou e Angel atendeu.

- Alô?

Do outro lado da linha, Ana-Lucia arrepiou-se de ódio dos pés à cabeça porque reconheceu de imediato o dono da voz.

- Mariner, seu desgraçado! È você?- ela estava ligando para negociar com os bandidos e saber se havia alguém ferido dentro do banco.

Ele desligou o telefone de imediato, não discutiria com Ana-Lucia agora, isso só poderia tornar as coisas piores para ele. O telefone tocou de novo e ele ordenou a Porter que atendesse.

- Alô?

- Angel!- Ana berrou do outro lado da linha, intimidadora e o homem gaguejou, dizendo. – Não...

- Um dos comparsas dele, suponho? Pois eu quero que você ponha o desgraçado na linha!

- Ele não...

- Não quer falar? Ótimo, vamos ser bem práticos então, rendam-se e libertem os reféns, assim pouparão suas vidas. A Swat está a postos e vocês não tem escapatória, já prendemos o comparsa de vocês que estava esperando do lado de fora.

Angel ouvia tudo através do viva-voz e gritou:

- Maldita!

- E agora, Angel?- indagou Cassidy.

- F! Eu vou fugir com o dinheiro!

- Mariner, não pode nos deixar aqui!- bradou Manfield.

Mas Angel o ignorou e dirigindo-se à gerente do banco, disse:

- Agora gatinha, me mostra uma saída desse banco onde seja mais difícil os tiras me encontrarem!

Sob a ameaça da arma que ele lhe apontava, Charlote mais uma vez obedeceu e guiou Angel e Cassidy para uma saída alternativa. A partir daí, tudo aconteceu muito rápido, a Swat invadiu o local e Porter e Manfield não tiveram outra escolha senão se entregar.

Angel conseguiu fugir com Cassidy pela porta dos fundos, roubou um carro e saiu cortando pelas ruas de Los Angeles em uma intensa perseguição. Porém, ele tinha seus contatos na Polícia Federal e com a ajuda deles, conseguiu fugir.

Chegou até uma ruazinha estreita que levava à outra estrada e abandonou o carro com Cassidy. Encontrou uma mulher esperando em outro carro.

- Foi muita loucura o que fizeram!- bradou Letty. – Marshall quase não consegue livrar a cara de vocês dessa vez.

- Não terá mais que se preocupar conosco cariño. Obrigado pelo carro.

Letty não teve nem tempo de entender o que acontecia e uma bala atravessou seu estômago saindo da arma de Cassidy. Eles deixaram o corpo jogado na estrada e fugiram para longe levando todo o dinheiro que tinham conseguido roubar do Banco Central.

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Depois que a Swat invadiu o banco, Juliet e seu filho foram às pressas levados ao Hospital St. Sebastian. O menino estava em estado de choque e não pôde dar nenhuma informação sobre aonde seu pai estaria.

Ana-Lucia reconheceu Juliet quando a colocaram na ambulância e resolveu acompanhá-la até o hospital. O médico que a atendeu disse que seria necessário operá-la imediatamente se quisessem salvar a vida do bebê.

Enquanto estava sendo preparada na sala de emergência, o Dr. Kane foi chamado para auxiliar o obstetra, além de cardiologista, Kane também era cirurgião.

- Juliet...- ele ficou chocado quando a reconheceu, a mulher que ele salvara uma vez de ser violentada por um bandido em um beco. Só haviam se encontrado naquele dia, mas ele nunca a esquecera. – Rápido, andem com isso, não temos muito tempo.- gritou se preparando para a cirurgia.

Duas horas depois, Kane deixou a sala de cirurgia com um semblante estranho. Benjamin já tinha sido avisado e estava com Jimmy na sala de espera, assim como Ana-Lucia que desejava saber notícias de Juliet. Jack estava com ela no momento em que Kane apareceu.

- O bebê nasceu. È um menino.- disse Kane.

- Oh, Deus!- exclamou Benjamin.

- E Juliet está bem?- indagou Ana-Lucia.

- Retiramos a bala e ela vai ficar bem, mas o bebê...

- O que houve?- indagou Benjamin, preocupado.

- Precisa de uma transfusão de sangue ou irá morrer. As chances são maiores se o sangue for doado por um membro da família. Qual o seu tipo sanguíneo, Sr. Linus?

- A negativo- disse ele.

- O sangue do bebê é B negativo e Juliet me disse que...o verdadeiro pai do bebê tem o sangue que ele precisa.

- O verdadeiro pai do bebê?- engasgou Benjamin.

Tudo bem que era uma situação delicada, mas eles precisavam ser práticos e Jack interviu:

- Certo. E a Sra. Linus disse onde podemos encontrá-lo?

- Creio que aqui no hospital mesmo.- respondeu Kane. – Porque o pai do bebê da Sra. Linus, segundo ela é James Sawyer.

Continua...