26. Real

Aquela manhã havia sido conturbada. Pela insistência de Kagome, a loja de vestidos se tornara uma loucura. A empolgação de sua concunhada era tão grande que ela não foi capaz de esperar para reunir suas madrinhas a fim de buscar a elas o vestido ideal para a cerimônia de seu próprio casamento. Como prometera no dia anterior, Kagome não fizera questão de arrastar apenas Sango e ela, mas Ayame também. A ruiva havia sido praticamente convocada para a reunião e se cogitasse em não estar presente, Kagome ameaçou-a de buscá-la do outro lado do mundo se fosse preciso. Sabendo o quanto seria impossível escapar da empolgada noiva, Ayame desistiu e as acompanhou.

A busca pelos vestidos se tornara um caos, desta vez quem estava sentada na confortável poltrona e assistia tudo de perto era ela, a noiva da festa, que ao seu ver parecia se divertir em vê-las sofrendo para entrar em um bendito vestido justo, como se estivesse se vingando pela ultima vez em que estivera ali. Rin não soube ao todo quantos vestidos havia provado, na realidade sua mente estava longe, em outro lugar. Quando se deparara com Sango naquela mesma manhã a maneira como ela a olhou fez com que um burburinho de sensações lhe queimasse por dentro. Seu semblante apenas a denunciava. A futura Houshi ficara sabendo de seu ocorrido com Kohaku e a encarava de forma compreensiva, sabendo que o fato de ter magoado-o não era sua culpa. Seu irmão havia cultivado uma grande admiração pela nova moradora da cidade. No entanto, sabia que o romance entre eles nunca aconteceria.

Ela não possuía culpa alguma pelo irmão de sua amiga se interessar por alguém como ela, que já se encontrava envolvida o bastante com outro homem. Rin sentia sua língua formigar, queria perguntar a ela como Kohaku estava, todavia, tocar no assunto apenas a faria se sentir ainda mais estranha.

– Sesshoumaru já sabe que irá acompanhá-lo, Rin? – a voz de Kagome quebrou todas as linhas de seu devaneio.

Oh não! Havia se esquecido de contá-lo. Mas é claro que se esquecera, no dia anterior Sesshoumaru a manteve completamente ocupada.Procurou evitar um sorriso largo quando se lembrou de toda a tortura que ele lhe fizera passar, e em seu corpo ligeiramente dolorido que apenas constatava tudo o que haviam feito. Haviam demorado tanto naquela tarde que não soube como ninguém desconfiara. Alias, procurou ao Maximo recompor a aparência antes de descer as escadas e os encontrar.

– Ainda não conversei com ele sobre isso, não encontrei a oportunidade para entrar no assunto. – Puxou o zíper lateral do vestido e fez uma careta quando se olhou no espelho.

Sentiu-se sufocada, como se o vestido apertava-lhe as curvas bonitas. Na verdade, tinha a sensação de que tudo o que vestia parecia apertado o bastante. Precisava de um numero maior, sim era isso o que realmente precisava.

– Eu sei bem como é! – Kagome soltou um suspiro ao alto. – Você e Sesshoumaru estão bem agora?

Fitou a imagem de Kagome sentada na poltrona pelo espelho que usava para valiar os vestidos que provava. Sorriu pela preocupação que emanava de seu corpo. Kagome havia assistido a provável briga que tiveram, era natural perguntá-la se estavam bem.

– Sim! – afirmou, girando nos calcanhares para ficar de frente á ela. – Nós conversamos e tudo voltou ao normal.

Nem tudo! Até o momento não havia dito o que acontecera entre ela e Kohaku. Sesshoumaru vez ou outra a instigava a entrar no assunto.

– Que bom! Pensei que Sesshoumaru fosse tão orgulhoso quanto Inuyasha.

– Acredite, ele é! – puxou o zíper do vestido e uma onda de alivio a atingiu quando se viu mais confortável.

Você faz bem á ele, Rin! Desde que entrou em nossas vidas, Sesshoumaru tem mudado a cada dia!

– Você acha?

– Sim, todos percebem isso!

Conteve a vontade de curvar os lábios em um sorriso. As costinas do provador se abriram e uma Sango surgiu por entre elas, completamente elegante enquanto arrastava pelo chão a calda de seu vestido sereia até o enorme espelho. Por Deus, ela estava linda!

– Uau! – Kagome tivera que se levantar de sua poltrona e caminhar até ela.

Sua cintura fina e sua altura se destacaram, que por um momento Rin a invejou. Ela era o completo oposto de Sango, que era alta e esbelta. O vestido fazia jus ao seu corpo que era facilmente comparado com o de uma sereia. Repleto de curvas e volumes nos lugares certos. Ela girou nos calcanhares avaliando cada parte de seu corpo.

– Miroku terá uma ereção quando te ver! – Kagome comentou.

Sango parou de girar no próprio lugar e sentiu suas bochechas quentes. A funcionária que as acompanhavam engasgara-se com sua própria saliva.

– O que adianta Jakotsu não estar aqui se você é tão indelicada quanto ele, Kagome? – Sango a atacou.

– Porque se ele estivesse aqui também diria o mesmo. – se defendeu a noiva.

Sem argumentos, Sango se calou. Kagome estava certa sobre o amigo.

– Ele também diria que se não escolher este vestido, é melhor desistir de viver agora. Porque de todos os que provou, este é o mais bonito. – aconselhou.

– Miroku vai realmente gostar desse vestido? – Sango alisou o tecido com as mãos.

– E você tem duvidas? – Rin perguntou. O tom de deboche nítido em sua voz.

Motivada pelas amigas, Sango voltou para o provador decidida que seria este o vestido que alugaria.

– E você Rin? Não encontrou nada? – Kagome a questionou, mirando o caminho que Sango percorreu de volta para o provador.

– Nada que me agrade! – suspirou.

As cortinas do provador voltaram a se abrir, mas dessa vez quem surgiu foi a dona de longas cabeleiras ruivas.

– Eu também não achei nada! – Ayame marchou até elas vestindo um vestido alaranjado. – Olhar todos aqueles catálogos foi perda de tempo. – resmungou. – O caimento desses vestidos nunca ficará igual daquelas modelos magérrimas! – entortou o nariz arrebitado.

As outras duas as inspecionaram com atenção, também não aprovando a escolha de Ayame. Seu busto estava apertado demais e Rin pensou que a qualquer momento o tomara que caia cederia e seus seios saltariam pra fora.

– Sua escolha de cor não foi boa. – Rin palpitou.

– É verdade! Você parece uma coisa só Aya, seu cabelo e o vestido. – Kagome comparou. – Tente escolher uma cor que combine com você, um verde talvez. – sugeriu.

– Um verde combinaria com seus olhos!

Suas amigas tinham razão, Ayame não havia pensado por este lado. E para a sua sorte havia separado um vestido verde-água para provar. Com passos decididos voltou para o provador agarrando o vestido verde que pendurou ao lado de fora da cabine.

– E para mim? Alguma sugestão Senhora Taishou? – Rin brincou com seu futuro sobrenome.

Era impossível não sorrir. A cada dia que se passava mais perto seu casamento estava e Kagome se encontrava a um passo de realizar um de seus sonhos.

– Você é bem branquinha, cores fortes se destacariam em você.

Olhou de relance no espelho, aquele vestido mostarda estava longe de ser considerado uma cor forte. Seu rosto voltou a se contorcer em uma careta. As cortinas dos provadores se abriram e ela perdeu as contas de quantas vezes havia visto aquele tecido se mover. Sango apareceu já totalmente pronta enquanto entregava o vestido sereia á uma das funcionárias, anunciou que fecharia o contrato de aluguel e que em breve estaria de volta. Sumiu pelos corredores junto á funcionária que a acompanhou e nem se querer esperou para ouvir alguma resposta.

– Apesar de que cores claras também ficariam bem em você. – Kagome pareceu pensar.

– Alguma cor em mente?

– Não sei... Eu acho que... – Kagome cruzou os braços, olhou ao redor em busca de alguma cor especifica, mas não demorou para sua mente estalar com uma nova ideia.

Rin a viu caminhar até a cabine que Sango se trocara e procurou por entre alguns vestidos que ela escolhera, algo que lhe chamasse a atenção. Não havia nada ali que parecesse combinar com Rin, mas foi então que sua esperança voltou a brilhar para si.

Ayame pode me emprestar os vestidos que já provou? – Gritou do outro lado do provador.

Sem questioná-la, Ayame estendeu apenas a mão para fora da cortina de tecidos e estendeu-lhe todos completamente dos avessos. Kagome chamou-a com um balançar de mãos e quando se aproximou foi logo empurrando-a para dentro da cabine. Escolheu dentre todos os que julgou ser mais a cara de Rin e estendeu o vestido a ela.

– Você tem certeza? – Segurou o vestido coral, analisando-o rapidamente.

– Claro, confie em mim e se vista. – empurrou-a delicadamente pelos ombros provador á dentro.

Quando esticou o vestindo frente ao corpo, Rin não o achou nada mal. Porem a enorme abertura em suas costas fez com que arregalasse os olhos. Como usaria aquilo sem que se sentisse nua?

– Já vestiu? – Kagome gritou do outro lado, quebrando sua linha de raciocínio.

– Ainda não. – gritou de volta.

Deslizou pelos ombros o vestido que ainda estava em seu corpo e quase se enforcou com tantos babados que a rodeavam. Aquele definitivamente era o pior vestido que experimentara. Quando se viu completamente livre do tecido que parecia sufocá-la não conteve um suspiro de alivio, entretanto outro desafio a aguardava. O vestido coral, bordado por pedrarias de cores semelhantes estava bem ali, pendurado em um cabide aveludado esperando o momento para ser utilizado.

Não sabia realmente dizer o que era mais difícil naqueles vestidos, colocá-los ou tirá-los. Ambos eram terrivelmente complicados. Mas quando pensou que o vestido escolhido por Kagome fosse ser exatamente igual aos anteriores que vestira, se enganara. Ele havia sido incrivelmente fácil de vestir e seu caimento caíra como uma luva. Girou nos calcanhares olhando diretamente para suas costas nuas pelo espelho e em nenhum momento se sentira vulgar. Pelo contrario, o vestido a deixava sensual enquanto valorizava suas curvas nos lugares certos.

– Vestiu? – Kagome voltou a chamar sua atenção não se contendo e abrindo a cortina que a escondia.

Seus olhos percorreram o seu corpo minuciosamente assim que colocara a cabeça para dentro da fresta que abrira.

– Eu sabia que ficaria ótimo! – viu os orbes de Kagome brilhar.

– Não acha que é muito aberto atrás?

– Não! Pelo amor de Deus, não Rin! Por algum acaso você é cega?

Girou no mesmo lugar, ainda sem tirar os olhos da sua imagem refletida. Estava tentando se convencer se era este o vestido que alugaria. O que seu youkai acharia quando a visse assim? Uma sombra de um sorriso travesso lhe percorreu os lábios. No final das contas, Sesshoumaru faria questão de arrancar o bendito vestido que a deixava tão sexy.

– Deixe-me ver Kagome. – a voz de Ayame invadiu o pequeno cubículo que a rodeavam.

E por Deus, ela estava linda! Trajando um vestido verde-água que marcava sua cintura fina, Ayame se infiltrou por entre as cortinas. E o que a encantou foi que seu vestido combinou perfeitamente com seus olhos claros.

Ruiva, você está quente! – Kagome piscou um dos olhos. – E não, isso não é um trocadilho referente à cor de seu cabelo!

– Saber que isso não é um trocadilho me deixa feliz, estou cansada deles. – reclamou.

– Deixe disso, seu cabelo é lindo Aya. Se pegam no seu pé por causa disso, saiba que isso não passa de inveja incubada.

Ayame rolou os olhos, como se não acreditasse em uma palavra que Kagome acabara de dizer. E Rin conteve a vontade de rir por presenciar o jeito da amiga.

– Tem certeza de que não estou vulgar? – voltou a indagar a respeito de seu vestido.

– Não, não está! – afirmou. – Assim como Ayame, você também está quenteRin!

Um sorriso se infiltrou em seus lábios. Sesshoumaru pensaria o mesmo quando a visse?

– Vou ficar com este mesmo, porque eu não agüento mais colocar e tirar mais nenhum vestido. Alias, me sinto muito mais magra com este modelo.

– Como se você fosse enorme de gorda! – Kagome desferiu um tapa nas bonitas nádegas de Ayame, demonstrando seu tamanho com evidente exagero.

– Eu nunca disse que não era! – Ayame confessou, recebendo como resposta mais um tapa estralado de Kagome, desta vez de repreenda.

– Então vamos lá, mova essa bunda gorda e vá tirar esse vestido!

Ignorando o fato de que acabara de ser chamada de gorda, Ayame se afastou voltando para o seu provador. Rin ainda se olhava no espelho enquanto girava nos calcanhares para encarar a enorme abertura que deixava suas costas expostas.

– E você também Rin. Pode ir parando com essa avaliação toda porque o dia em que este vestido te deixar vulgar, o inferno irá congelar.

– Se você diz... – girou mais uma vez no mesmo lugar.

Pelo canto dos olhos viu Kagome se afastar, puxando o tecido da cabine para que lhe desse mais privacidade. Com cuidado tirou o vestido do corpo e voltou a colocar suas roupas jogadas sobre a poltrona ao seu lado. Haviam passado a manhã inteira vestindo tantos modelos diversificados que agora sentia o estomago reclamar. Imaginou que o horário de almoço se aproximava e só de pensar no tempero de Izayoi sua boca se enchia de água.

– Assim que sairmos daqui podemos passar no meu apartamento? – escutou Kagome perguntar.

– Por mim tudo bem. – Ayame foi a primeira a responder. – Não tenho nada combinado com Kouga hoje.

– E você Rin?

– Esse é o apartamento que você queria me mostrar? – Passou a gola de sua blusa pela cabeça antes de indagar.

– Sim, ele mesmo! E eu quero ir até lá justamente por isso, queria que desse uma olhada.

Enfiou um braço pela manga da blusa e parou, parecendo pensar no que faria. Sesshoumaru estava mais uma vez na empresa, junto a seu meio-irmão, então não haveria problema algum em conhecer o futuro apartamento de Kagome e Inuyasha, certo?

– Claro! – respondeu simplesmente, terminando de vestir a peça de roupa. – Sem problemas.

Quando saiu do provador completamente pronta, com suas roupas no corpo, Rin avistou a figura de Sango que havia retornado para a sala. E assim que Ayame surgiu por entre as cortinas, a ansiosa noiva fizera questão de acompanhar ambas para que assinassem seus contratos do aluguel dos vestidos. E quando colocara os pés dentro do escritório da loja, seu coração parou uma batida. Sentada em uma das mesas, estava Eri, a mesma funcionária que havia conversado a respeito do assassinato de uma das vitimas de Suikotsu.

Engoliu em seco. Receosa, Rin temeu que ela a reconhecesse e que viesse a lhe questionar sobre como andava as investigações sobre o caso da neta de Tsubaki, a qual havia sido sua amiga. Por mais que Eri lhe prometesse que não diria nada, Rin não confiava em suas promessas. Caso abrisse a boca na frente de suas amigas, não saberia como fugir daquela situação. Mas a sorteestava ao seu favor naquele dia. Bastou sentar-se em sua mesa para que Eri lhe sorrisse de forma cúmplice. Rin tivera que apertar os dedos das mãos quando os unira sobre o colo para aliviar seu nervosismo.

– Olá. – ela a cumprimentou com um sorriso no rosto. – Lembra-se de mim?

O-Olá...– incerta de como respondê-la, Rin apenas a cumprimentou.

Espremeu os lábios em uma linha rígida e procurou ao máximo não transparecer o sorriso forçado. Seu corpo estava tenso.

– Então desta vez sua vinda até a loja foi pelo vestido! – Eri brincou. – Como andas as investigações?

E lá estava a bendita pergunta! Rin engoliu em seco, sentindo a barriga gelar. Estava completamente incomodada pela forma como ela a abordara. Atrás de si conseguia sentir os olhares que as outras três trocavam em silencio.

– Investigação? – uma delas se pronunciou.

– Do que ela está falando Rin? – a pergunta lhe viera como uma facada.

Sua vontade de torcer o pescoço de Eri aumentava a cada instante. Onde ficava a promessa que havia feito dias atrás? Mas que mulherzinha línguapreta...

– Não sei! – respondeu com naturalidade. – Não sei do que ela está falando. Acho que me confundiu com outra pessoa... Eri... – inclinou-se, fingindo ler seu nome em seu cartão de identificação preso ao seu uniforme de trabalho. – É aqui que eu assino? – apontou para o papel a sua frente ao mesmo tempo em que apanhava a caneta com a outra mão.

Desconcertada e ao mesmo tempo sem graça, a jovem funcionaria balançou a cabeça assentindo para Rin. Desviou os olhos de si e Rin pediu desculpas em pensamentos pela maneira como a tratara. Mas Eri havia pedido por aquilo! Quase havia dito coisas que deveriam ser mantidas a sete chaves dentro de um baú.

A pequena pedida aos céus para que suas amigas esquecessem sobre aquilo e dessem o assunto por encerrado. Esticou o contrato assim que assinara e Ayame fez o mesmo. Deixou a sala com um breve até logo e se retirou evitando soltar o ar pela boca, em forma de um suspiro de alivio. Assim que resolvera toda a papelada, animada, Kagome as levara em direção ao carro ansiosa o bastante para mostrar-lhes o lugar onde passaria a viver com o homem por quem estava perdidamente apaixonada e que em breve se casaria.

O percurso foi em completa euforia, todavia, Rin não estava tão animada quanto as outras. Eri quase havia lhe comprometido dizendo coisas que a deixariam de saia curta. Se não fosse tão acostumada em mentir não saberia como sairia daquele sufoco. Seu silencio era tudo o que transmitia enquanto a conversa fluía e seus pensamentos a dominavam. Vez ou outra sorria como se estivesse prestando atenção na conversa, porem sua mente estava longe. Muito longe dali. E foi exatamente dessa forma que a viagem se seguiu, até que notou Kagome embicar o carro para dentro de um enorme portão de ferro. Manobrou e estacionou o veiculo em sua própria vaga, tendo certa dificuldade em manobrar por entre as colunas e outros veículos parados.

– O apartamento ainda está sendo mobiliado. – disse a futura Taishou, ao mesmo tempo em que desligava o carro e colocava o cambio em ponto morto.

Retirou seu cinto e destravou as portas, permitindo que todas saíssem. Quando firmou os pés no chão e agarrou sua bolsa com a mão, varreu o lugar com os olhos como uma forma rápida de analisar o estacionamento do subsolo. Era um estacionamento grande, constatou. E pela quantidade e modelos de veículos, imaginou que a estrutura do prédio era alta e que boa parte dos moradores fossem muito bem sucedidos em suas carreiras profissionais. Um edifício imponente, pensou.

– Aposto que quem está fazendo todo o trabalho é você! – comentou.

– Inuyasha não quer saber de me ajudar em nada, nem mesmo palpita a respeito dos preparativos do casamento. Ele só sabe reclamar. – Kagome apontou em direção ao elevador, guiando-as até ele.

Homens...– Sango revirou os olhos.

– Dizem que só conhecemos as pessoas quando passamos a morar com elas. – fora a vez de Ayame falar.

– Está ansiosa por isso Kagome? – Sango apertou o botão para chamar o elevador.

– De me casar? Estou contando os dias. Nunca uma festa me deu tanta dor de cabeça. – resmungou. – Eu perdi a conta de quantas vezes eu refiz a lista de convidados.

– No final to sacrifício vale à pena. – Sango puxou a pesada porta de metal quando o elevador chegara no andar em que estavam.

– E o grande dia está cada vez mais perto! – Ayame lembrou-a.

Enfiou-se dentro do elevador ocupando o pequeno cubículo junto as outras três que a acompanhavam.

– Ainda bem, não vejo a hora de tudo isso acabar! Só espero não matar Inuyasha antes da festa, minhas noites pensando em cada detalhe não serão em vão! – Kagome brincou arrancando risadas das outras três.

– Tenho dó do seu marido.

As risadas preencheram o lugar e à medida que o elevador se movimentava o painel digital mudava, indicando cada andar que percorriam. E ele só parou de se mover quando chegou ao seu destino. O numero cinco piscava em cores vermelhas, ressaltando que aquele era o quinto andar do edifício.

– Já se decidiu sobre a lua de mel? – Sango indagou, sendo a primeira a sair do apertado cubículo para segurar a pesada porta de metal.

– A lua de mel não acontecerá tão cedo! – Kagome vasculhou dentro da bolsa seu chaveiro com as chaves do apartamento.

– E porque não? – Curiosa, Ayame inquiriu.

– Fizemos os custos de tudo o que planejamos e decidimos investir mais no apartamento do que em uma viagem. – esclareceu. – Agora não seria o momento ideal para se programar uma viagem. Quem sabe futuramente...

Enfiou a chave na fechadura quando conseguiu encontrar seu chaveiro perdido dentro da bolsa. Girou a maçaneta e as puxou para dentro com ansiedade. O espaço era grande, exatamente como Rin imaginava em sua cabeça. E aos poucos Kagome transformava o ambiente deixando-o com a sua cara. Os moveis novos estavam em seus devidos lugares, mas todos cobertos por plásticos que os conservavam. Havia muita coisa para ser modificada, mas o pouco que Kagome havia feito já mudara completamente o espaço. Rin se encantou pelo papel de parede que enfeitava o ambiente da mesa de jantar e o grande espelho colocado estrategicamente na parede oposta refletia a sala de diversos ângulos. A falta dos lustres lhe chamou a atenção, apesar de que imaginava que Kagome já estava tratando de concertar este problema.

– Seu investimento não está sendo em vão. – Rin comentou, analisando cada detalhe do recinto.

– Sério? O apartamento está ficando tão bonito assim? – teve um rápido vislumbre dos olhos brilhantes da proprietária do imóvel.

– Sinto-me em casa! – Rin brincou.

– É para se sentir mesmo. – ela enganchou seus braços ao redor de Rin e a puxou para um abraço. – Venham, vou mostrar como o apartamento está ficando.

E bastou dar um passo em direção ao interior que o ruído alto de seu celular soou pelo lugar em forma de eco. Kagome deslizou a bolsa pelos braços e a acomodou sobre o braço do sofá plastificado, procurando o insistente aparelho que não se cansava de tocar. Quando o achou, seus dedos o sentiram vibrar e antes que caísse na caixa postal Kagome o apanhou para atendê-lo, mas sem antes conferir quem a telefonava.

– É Jakotsu! – disse, deslizando os dedos pela tela e levando o celular até a orelha. – Oi Jaky...

Porque não atende esse celular? Eu passei a manhã toda tentando ligar para cada uma de vocês!– Sua voz soou esganiçada, o que a fez estranhar e ela tivera que afastar o aparelho do ouvido quando o escutou gritar do outro lado da linha.

Franziu o cenho sem deixar de responder ao inesperado ataque de Jakotsu:

– Estávamos na loja de vestidos. Você sabia disso!

Elevou o olhar para encarar as outras três que a fitavam de volta. Escutou-o fungar do outro lado e sua desconfiança apenas aumentou.

– Jakotsu, por algum acaso você estava chorando? – perguntou com cautela.

Suas amigas se entreolharam e aproximaram-se de si na intenção de saber o que se passava.

– O que está acontecendo Kagome? – Sango foi a primeira a se manifestar, tão transtornada quanto as outras.

Se Jakotsu ligara chorando era porque algo realmente sério acontecera. Rin sentiu o estomago se embrulhar, desta vez, não de fome. Sua fome havia desaparecido em questão de segundos.

Kagome... – ele soluçou seu nome. – Eu estou quebrado!

– Jaky, o que aconteceu? Acalme-se e me diga.

Está tudo destruído Kah!

– O quê? O que foi destruído? – instigou-o a continuar falando.

– Meu salão! Meu salão está em ruínas!

Kagome mordeu o lábio inferior, contendo a respiração. Passou a mão na testa e fechou os olhos com força não acreditando no que acabara de ouvir. Jakotsu dissera aquilo mesmo? Seu ouvido não estava lhe pregando peças?

– O que ele disse? – Ayame se intrometeu, tirando-a de seus devaneios e fazendo-a acordar.

Elevou uma das mãos pedindo silenciosamente para que esperassem. Aquilo era real? Pedia para que não fosse, no entanto, o soluço de Jakotsu lhe parecia bem real.Muito real. Real o suficiente para fazê-la acreditar. Ignorando a pergunta de Ayame, ela voltou a dialogar com o amigo em prantos:

– Como assim destruído?

Destruído Kagome! Do tipo quebrado, em ruínas! – soluçou ainda mais alto. – Minha vida acabou...

– Não diga uma coisa dessas! Você está bem, não está?

– Não, eu não estou bem! Eu pareço bem para você?

Se Jakotsu estivesse diante de si e lhe dissesse isto, Kagome não hesitaria em lhe acertar algum objeto pesado. Sem duvidas, faria isso...

– O que quero dizer é que nada lhe aconteceu, isso é o mais importante Jaky! – como resposta Jakotsu fungou mais uma vez do outro lado da linha. – Me diga, você está aí no salão?

Sim... – respondeu baixo.

– Ótimo! Então não saia daí, eu e as meninas chegaremos em quinze minutos.

Tá... – e foi tudo o que ele lhe disse antes de finalizar a ligação.

Kagome soltou um suspiro, incerta do que fazer. Jogou o celular dentro da bolsa e como esperado uma enxurrada de perguntas caiu sobre si:

– O que Jakotsu tem? – Rin começou. – Ele está bem?

– O que está havendo Kagome? – Sango voltou a exigir por respostas.

– Jakotsu disse que seu salão foi destruído!

– Destruído? – A ruiva repetiu, sem acreditar. – Como?

– Isso me pareceu ser um assalto.

– Ele está muito mal? – Rin se preocupou.

– Está chorando, decepcionado por ver seu trabalho descer pelo ralo. Ele não disse em detalhes o que aconteceu, mas para isso seria legal se estivéssemos junto a ele. Ainda mais agora que essa loucura aconteceu.

Sim, era verdade. Mais do que ninguém, Jakotsu precisava de consolo. De alguém que o motivasse e lhe dissesse que tudo ficaria bem. Rin sentiu quando o nó preso em sua garganta se intensificou e uma vontade absurda de chorar começava a lhe atingir. Precisava vê-lo para só assim tirar suas próprias conclusões a respeito do que lhe ocorreu.

E foi com esses pensamentos que Rin se tornou mais instigada em querer descobrir toda a verdade. Kagome apanhou sua bolsa e trancou a porta do apartamento assim que pusera os pés para fora dele. Retomaram todo o caminho de volta para o estacionamento e maisuma vez ela se viu dentro daquele carro. Kagome voltou a assumir a direção, exatamente como fizera da vez anterior e se pós a comandar o veiculo. Seus dedos ficaram esbranquiçados e Rin se pegou observando do banco de trás que ela apertava o volante com força como se buscasse aliviar a tensão de seu corpo de alguma maneira. A futura Taishou não era a única que possuía o corpo tenso. Ayame que estava sentada bem ao seu lado tinha o rosto colado contra o vidro enquanto seus olhos verdes fitavam as casas que se afastavam com rapidez, mas vez ou outra olhava para a tela de seu celular como se esperasse por uma ligação. Sango, sentada no banco do passageiro, digitava uma mensagem no celular, possivelmente avisando alguém sobre o ocorrido. Miroku, talvez.

O silencio do carro apenas foi quebrado quando Kagome decidiu ligar para o noivo, e deixá-lo também ciente do que havia acabado de acontecer. Aproveitou o semáforo fechado para ligá-lo. Trocaram uma dúzia de palavras e Kagome finalizou a chamada lhe dizendo que voltaria a dirigir e que em breve estaria no salão de Jakotsu. O que não demorou a acontecer, em exatos cinco minutos ela já vasculhava em busca de uma vaga para estacionar. No entanto, o que a despertou foram as duas viaturas paradas em frente ao salão de Jakotsu, onde alguns curiosos se aglomeravam com o intuito de descobrir o que se passava. Voltou a sentir seu estomago se contorcer, a ânsia lhe subiu de supetão. Um frio na barriga a fez se contorcer em seu acento, indicando que sua ansiedade chegara a borda.

– Acho que Kouga está aí dentro! – Ayame se manifestou, inclinou-se de um lado ao outro para conseguir ter num vislumbre de seu namorado. – Jakotsu avisou você sobre alguma coisa do tipo Kagome?

– Ele não disse mais nada!

– Porque Kouga estaria aí? – Rin não conteve sua curiosidade.

Conhecia o namorado de Ayame apenas por menções de seu nome, nunca o vira pessoalmente em nenhum momento em que se reuniu com suas amigas. Era natural estranhar o motivo de sua presença, principalmente quando Jakotsu havia acabado de sofrer uma invasão.

– Eu nunca te disse? – Ayame franziu o cenho. – Kouga é delegado! – revelou.

Rin meneou a cabeça, negando. Não, Ayame nunca havia lhe dito isso.

– Ele vive ocupado, e pensei que por ser o salão de Jakotsu, um amigo meu, ele poderia estar aí assim que a policia foi chamada.

Fazia sentindo. Talvez fosse por isso que Ayame olhava para a tela de seu celular durante todo o caminho. Sem se preocupar se o lugar onde embicara o carro era proibido estacionar, Kagome não fez questão de buscar por alguma placa indicativa. Simplesmente desligou o carro e pulou para fora do mesmo sendo seguida pelas outras três que a acompanhavam. Infiltraram-se por meio dos curiosos passando por eles sem ao menos pedir licença, até alcançarem a fachada do salão, que até então parecia estar intacta. Quando fizeram menção de entrar um dos policiais as barraram:

– Não podem entrar! Estamos trabalhando aqui! – sua voz grossa era intimidadora e seu corpo atlético a assustavam.

– O dono do estabelecimento é nosso conhecido! – Kagome se prontificou, tentando avançar para o interior, sendo impedida mais uma vez.

– Não podem entrar! – repetiu, sem um pingo de paciência na voz.

– Então o chame já que não nos deixa passar. – Sango o enfrentou.

Rin viu o maxilar do policial se contrair mediante a tamanha afronta. Ela não o culpava, ele fazia apenas o seu trabalho. Antes que ele as afastasse novamente, Jakotsu surgiu por entre a entrada com os ombros caídos, a maquiagem borrada na região dos olhos e a expressão distorcida, como se estivesse sentindo dor.

– Jaky! – as quatro disseram o seu nome ao mesmo tempo.

– Deixe-as entrar, são minhas amigas. – pediu. – Eu os avisei de que elas chegariam em breve.Kouga está ciente disso.

A menção no nome do delegado fez com o que o rosto de Ayame se ascendesse. Então suas suspeitas estavam certas! O policial deu um passo ao lado liberando a passagem. Jakotsu foi logo surpreendido quando quatro pares de braços envolveram seu corpo em um abraço coletivo. Sentiu suas lagrimas voltarem com tudo e se não fossem por elas que o segurava, teria ido de encontro ao chão. Seu corpo tremeu violentamente e seus soluços eram como facas que as perfuravam com força. Por cima dos ombros fragilizados de Jakotsu, Rin teve um rápido vislumbre do que antes parecia ter sido um salão. Tudo estava ao chão. Destruído, massacrado. Os moveis brancos com as portas estourados, os espelhos quebrados onde suas partes se espalhavam por todo o chão. As poltronas rasgadas e largadas ao fundo como se houvessem sido arremessadas contra a parede com violência. Não havia nada ali que pudesse ser salvo. Tudo estava em ruínas, assim como Jakotsu.

– Olhem para isso! – ele desvencilhou de seus braços e girou nos calcanhares indicando to o salão com os braços estendidos. – Todo o meu trabalho duro, todo o meu sonho em crescer profissionalmente foi destruído em questão de segundos.

– Porque alguém faria isso? – Ayame murmurou, perguntando-se a si mesma.

– Nada foi roubado! – continuou ele. – Eu sei que foi algum vândalo preconceituoso que fez isso. – acusou.

– Não devemos acusar sem provas Jaky! – Kagome o censurou.

– Então me diga Kagome. Por qual maldito motivo destruiriam o meu local de trabalho a não ser para me atingir? – sua voz se alterou e seus olhos se tornaram ríspidos. – Se fosse alguma invasão normal teriam me assaltado. Mas olhe bem, tudo está aqui! Nada foi roubado! – repetiu.

Sua linha de raciocínio fazia sentido, jakotsu estava certo em pensar por aquele lado. Mas quem seria cruel o bastante para fazer uma maldade igual a essa? Involuntariamente, Rin se sentiu tonta. Ela conhecia bem uma pessoa que teria a audácia o suficiente para fazer algo como tal. Continuou a encarar o espaço destruído e fixou na figura forte que caminhava na direção em que estavam. Seus músculos destacavam-se por sob a camisa de botões, sua calça marcava suas pernas esguias e torneadas. Seus longos cabelos negros eram presos por um alto rabo de cavalo e seus olhos azuis se contrastavam com o escuro das madeixas. Pela maneira como Ayame sorriu a ele, Rin soube naquele instante. Que o homem que caminhava com passos firmes e decididos, era Kouga.

– O que estão fazendo aqui? – ele perguntou de imediato, não sem antes laçar a cintura de Ayame e cheirar-lhe os cabelos deixando-a envergonhada.

– Jaky nos ligou avisando o que aconteceu, não sabia que estava aqui. – Ayame o respondeu com doçura.

– Assim que soube que a chamada era referente ao salão de Jakotsu, vim pessoalmente.

A revelação fez o amigo se derreter. Oh, como se sentia querido. Ayame que o desculpasse, mas se o seu namorado continuasse a lhe dizer essas coisas ele não pensaria duas vezes antes de se jogar nos braços fortes de Kouga. Alem do mais, estava fragilizado então não seria nenhum problema realizar as suas vontades.

– Pare de me olhar assim, ruiva. – ele reclamou. Ignorando os olhares de repreenda que sua amiga lhe rogava.

– Isso é estranho, você não tem inimigos. – Kagome pensou por um momento, incerta. – Ou tem Jakotsu?

– Que eu saiba, não. – voltou a chorar. Não se importando se seu rosto estava uma verdadeira bagunça.

– Há algum suspeito em mente Kouga? – Ayame o perguntou.

– Meus homens estão trabalhando nisso! – Meneou a cabeça em direção aos dois policiais que trabalhavam em meio aos pertences destruídos.

– Talvez seja alguém preconceituoso que achei que apreciasse os mesmo gostos que os meus e por quem joguei todo o meu charme irresistível... Eu não sei, existem tantas possibilidades!

Rin engoliu o medo que desejava consumi-la. Alguém estava brincando consigo, usando seus amigos como forma para atingi-la. Conhecia bem esse filme e ele parecia querer voltar a se repetir. Aquilo estava começando a passar dos limites...

Não acho que seja isso... – disse em voz alta, o que deveria ter sido apenas um pensamento. – Isso aconteceu na madrugada? – perguntou, fazendo-os esquecer do comentário anterior.

– Sim, e nenhum morador da região se deu conta do barulho das coisas se quebrando. Quando cheguei pela manhã encontrei tudo assim, deste mesmo jeito. Eu não sabia o que fazer, o que pensar. Eu entrei em desespero, e foi então que liguei para o lobo mau... – quando se deu conta já havia falado e ele mesmo se interrompeu abruptamente procurando remendar o que havia dito. – Quer dizer, o Kouga!

– Será questão de tempo, quando mandarmos as digitais para analise descobriremos quem foi o maldito artista que fez isso. – Kouga procurou ignorar o que seria um novo apelido.

– O importante é que está bem! – Rin tentou tranqüilizá-lo.

– Estou quebrado, de todas as formas possíveis!

– Você vai se reerguer Jaky! – Ayame o consolou.

– Isso! Você vai dar a volta por cima e mostrar para quem for que fez isso, o quão forte você é. – Kagome deslizou os dedos por sua face avermelhada, afastando quaisquer resquícios de lagrimas. – Eu sei que recomeçar do zero será difícil, mas não é impossível.

– E nós estaremos aqui para ajudá-lo. – Sango completou.

Seus olhos vermelhos eram direcionados para as cinco faces motivadoras a sua frente. Céus, o que seria dele sem seus amigos? Não conseguiu conter novamente as suas lagrimas e quando se deu conta, já estava chorando de novo. Teve as lagrimas expulsas pelas mãos carinhosas de suas irmãs, a qual nutria um sentimento forte de carinho por elas.

– Já passou Jaky, tudo irá se resolver. – Rin o acalentou passando a mãos por seus cabelos, ajeitando-os com os dedos. – Eu prometo!

Os olhos pinicaram. Os primeiros indícios de que choraria começariam a se rebelar. A culpa a assolou e seu próprio martírio apertou seu peito comprimindo o coração. Até quando? Ele se perguntava. Até quando Suikotsu faria de sua vida um inferno? Até quando continuaria a machucar as pessoas que amava? Por um momento Rin desejou acordar, como se ainda estivesse presa no mundo dos sonhos. Porem, aquele choro que partia de Jakotsu era real. O sentimento que lhe rasgava por dentro, também era. Engolindo o choro, ela ignorou o intenso nó que se instalou em sua garganta.

O pequeno burburinho em suas costas ajudou-a a desviar inteiramente a atenção da figura de Jakotsu, e conseqüentemente aliviou sua dor. Bastou um olhar para trás para reconhecer o causador de todo aquele tumulto. A imagem de Inuyasha enfrentando o mesmo policial que as barrara anteriormente era exatamente como um espetáculo para ser assistido de perto. Mas na realidade, seus orbes não estavam fixos em sua figura e sim na montanha de músculos parada bem atrás dele.

– O que eles fazem aqui? – Ayame foi a primeira a questionar a vinda dos dois.

Sesshy... – Seus lábios sussurraram seu apelido.

E como se fosse um ímã o atraísse, seus olhos vorazes a encontraram passeando pela extensão de seu corpo, analisando-a dos pés a cabeça em busca de algo que despertava certa estranheza. Mas aparentemente, sua Rin estava do mesmo jeito que a deixara da ultima vez em que pusera os olhos sobre ela. Kouga desvencilhou-se de Ayame e foi acalmar o raivoso hanyou que estava tornando seu trabalho uma enorme confusão. O viu colocar a mão sobre o ombro do policial e acenar para que os deixasse passar. Trocaram algumas palavras e pela distancia Rin não conseguiu entender o que conversavam. Inuyasha parecia questioná-lo a respeito de mais informações sobre o que aconteceu, enquanto Sesshoumaru os deixava ali, passou por eles e caminhou em direção á sua humana sem desviar os olhos de seu corpo.

– Inuyasha avisou-me o que se passava. – varreu os temíveis olhos pelo recinto avaliando o enorme estrago que fizeram.

– Estava na empresa? – quis saber.

O suave aceno de cabeça confirmou suas suspeitas. O alto resmungo que se seguiu por sobre os ombros de seu youkai os fizeram olhar para longe. Kagome puxava seu noivo pelo braço e pedia para que mantivesse a calma, enquanto ele amaldiçoava a existência do petulante policial. Kouga os acompanhava de perto e Jakotsu arfava ao seu lado, sem saber ao certo em que direção olhava primeiro. Céus, o lobo mau e os irmãos delicia estavam juntos dentro de seu salão! Aquilo era emoção demais para um único dia.

– Me desculpe por interromper seus assuntos. – Jakotsu tocou-lhe o braço forte e sentiu quando os músculos de Sesshoumaru se retraíram abaixo de seus dedos. Apenas afastou-se quando um olhar carregado de ódio cruzou a face do youkai.

– Isso aqui está uma tremenda bagunça. – Inuyasha resmungou assim que se aproximava.

O rosto de Jakotsu se iluminou e um sorriso travesso se abriu.

– Se estiver disposto em ajudar-me a resolver este problema, podemos passar a noite aqui querido. – umedeceu a boca com a ponta da língua de maneira provocativa.

Seja lá que tipo de bruxaria Inuyasha e Sesshoumaru possuíam, ela conseguira transformar o humor de Jakotsu em segundos. Kagome fechou a cara e estreitou seus olhos para ele.

– Arranje outro para infernizar! – rosnou. – Não aprecio os seus gostose sou um homem muito bem compromissado. – puxou a cintura de Kagome fazendo-a se juntas para mais perto de si.

– Não vejo problema algum nisso, você vê Inuzinho?

A gargalhada que partiu da garganta de Kouga foi alta. Os olhos do hanyou pegaram fogo, lançados faíscas em sua direção. Era sempre assim! Sempre que Inuyasha e Jakotsu se encontravam, ambos lançavam provocações um para o outro. Levantou a mão esquerda e lhe mostrou o dedo do meio, o que o fez morder o lábio inferior provocativo.

– Pare de me chamar com esse maldito apelido diminutivo!– rugiu irritado.

– Apelidos diminutivos não condizem com o tamanho do que tem entre as pernas. Seu ego não irá abaixar por conta disso, não se preocupe. Tenho absoluta certeza de que não condiz, caso contrario Kagome não voltaria com um sorriso de orelha a orelha toda vez que via você. – continuou

E lá estava o velho Jakotsu de sempre! O rosto de Kagome se tingiu de roxo e ela nunca quis tanto cortar o pescoço de seu amigo com a sua própria tesoura que usava para trabalhar. Sesshoumaru parecia se divertir com as provocações lançadas para o seu meio-irmão. E Ayame estapeava o braço de Kouga pedindo-o para que parasse de rir. Sua risada esganiçada o irritou profundamente.

– O lobo sarnento se transformou em hiena? – perguntou com escárnio na voz.

– Sou a autoridade aqui cara de cachorro, ou será que deseja ser detido por desacato? – provocou.

Inuyasha estava pronto para retrucar e avançar na direção de Kouga, mas a futura Taishou interveio antes que ele fizesse parte do restante dos objetos destruídos.

– Já chega! Parem com isso! – vociferou. – Minha intimidade não diz respeito a ninguém! Agora não é hora e nem momento para distribuírem patadas. Estamos diante de um grande problema aqui! Seja lá quem fez isso, precisamos descobrir.

– Exatamente! Isso me faz lembrar de que tenho muito trabalho a fazer, em breve o lugar será interditado apenas para a perícia avaliar. – Kouga beijou os lábios de Ayame com rapidez, dando-lhes as costas. Mas não sem antes piscar um dos olhos azuis para Inuyasha, irritando-o ainda mais.

Rin juntou suas mãos frente ao corpo apertando-as quando as unira. Aliviando a tensão, o nervosismo e a tremedeira que se instalou em seu corpo. Sentiu umas das enormes mãos de seu youkai tocando o final de suas costas e uma rápida troca de olhares surgiu entre ele e Inuyasha. Coisa que ninguém percebeu. Eles haviam entendido o que se passava ali.

– Você verificou se a parte interna foi danificada Jaky? – Ayame apontou para os fundos do salão, diretamente para uma porta fechada.

– Não tive coragem de ir até lá. – ele admitiu.

– Precisa conferir se algo lá dentro foi roubado. – Kagome o instruiu. – Venha, nós vamos com você. – puxou-o pelo braço.

Deixou-se ser guiado por suas amigas, enquanto Rin continuava parada sentindo o calor das mãos de Sesshoumaru em suas costas. Os viu se afastar ao mesmo tempo em que via pelo canto dos olhos Inuyasha se aproximar.

– Isto está saindo fora do controle Sesshoumaru! – alertou, mantendo o tom de voz baixo para que só os dois o escutassem. – Esse merdinha está começando a passar dos limites.

Rin respirou com dificuldade. Então Inuyasha e Sesshoumaru também desconfiavam que fora Suikotsu o causador de toda aquela destruição.

– Até o momento nada aconteceu com pessoas do nosso meio social, mas olhe bem o que acabou de ocorrer. – o hanyou continuou. – Desta vez foi o purpurinado do Jakotsu, na próxima não saberemos quem será. Pode ser qualquer um de nós!

Ela se encolheu. Raios, tudo o que ele dissera era verdade. Imaginar que mais alguma coisa poderia acontecer com as pessoas que a cercavam fazia seu estomago se revirar.

– Não diga o que já sei! – seu youkai trincou o maxilar e uma das veias de seu pescoço se sobressaiu.

– Isso é como um maldito aviso Sesshoumaru! Um aviso de que estão de olho em todos nós. Seja lá o que estiver tramando, comece a agir logo antes que algo pior aconteça. – aconselhou. – A policia já está envolvida, será questão de tempo para iniciarem as investigações e quando menos esperar vocês também estarão envolvidos até o pescoço.

– Porque estaremos? – pela primeira vez, ela se pronunciou. – Somos tão vitimas quanto os outros!

Percorreu os olhos discretamente pelo lugar, os policiais faziam o seu trabalho enquanto Kouga e seus amigos haviam sumido de seu campo de visão, ninguém ali estava perto o bastante para ouvir o que discutiam.

– Uma coisa leva a outra, Rin.

Por mais que não quisesse negar, seu cunhado estava sendo racional e a razão estava ao seu favor. Era questão de tempo para que tudo fosse colocado em pratos limpos.

– Este Sesshoumaru ficará ausente por algum tempo. – anunciou. – Você será capaz de lidar com a empresa sozinho? Conseguirá deixar-me a par de tudo quando eu não estiver presente?

Ausente? Rin enrugou a testa. Mas por qual motivo? Olhou de um para o outro, pescando o olhar cúmplice que trocavam entre si. E foi então que ela se pegou recordando de uma antiga conversa que tivera a pouco tempo atrás com Sesshoumaru. Na conversa ele havia lhe dito que possuía intenções de visitar sua cidade natal. Ele se referia a isso? Se fosse como estivesse realmente pensando então... Ela veria sua família!

– Duvida da minha capacidade? – o hanyou provocou com um sorriso presunçoso brilhando em meio as suas feições.

– De forma alguma... – negou o youkai. – Inuzinho!– completando sua frase com o odioso apelido criado por Jakotsu.

Seu sorriso se transformou em uma linha dura, seus olhos semicerraram em chamas e o desejo de matar Sesshoumaru cresceu dentro do peito. Por muito pouco ele não desistira de ajudar seu irmão e sua humana a aniquilar um desprezível rato. Inuyasha estava começando a rever seriamente todos os seus conceitos arrependendo-se amargamente pela promessa que fizera.

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AMORES DA MINHA VIDA s2 Como estão todos vocês ? Eu sinto tanto, tanto por demorar com a atualização amores! Essas duas semanas passadas eu não tive tempo para nada por conta de um curso que fiz durante a tarde, por este motivo não mostrei as caras nesse período de tempo. Em compensação venho trazendo um dos maiores capítulos que já escrevi, sendo que o mesmo está recheado de emoções! Quero lembrá-los também que agora LO também pode ser encontrada no Social Spirit, LO e Haru Urara são as únicas fics minhas de inu que mantive naquele site! As restantes eu optei por excluí-las, todas, sem exceção. A razão para ter feito isso foi que eram historias muito antigas, as primeiras que escrevi, e não me orgulho nem um pouco delas kkkkk Confesso. Penso em mais pra frente reescrevê-las, mas enquanto não faço isso, continuarei com as postagens de LO que muito em breve acabará D: E Céus, eu custo em relembrar sobre esse detalhe! Lá a fic não está tão adiantada quanto aqui e no Nyah, mas aos poucos estou atualizando! E cheguei a me surpreender por encontrar leitores do Nyah acompanhando LO novamente por lá s2 Quero agradecê-los por todo este carinho, vocês são fantásticos e eu tenho vontade de morder todos vocês *w* UEHSOEUHSIE Aos interessados, meu perfil no Social Spirit também está como Anny Taishou, sintam-se a vontade para me adicionar no site amados. Desejo a todos um ótimo fim de domingo, um grande beijo e até o próximo capítulo :*