O início do fim.

{Inoue Orihime}


Aquele não era o Sexto Espada que eu conheci...

Ele estava me assustando...

Por que estava agindo assim?

Podia ser tudo um truque... não é? Eu espero que sim.

– Por que retornou, traidor? – Ulquiorra perguntou.

– Ora, onde estão os seus modos? – Grimmjow perguntou de volta.

De tão assustada que eu estava, não conseguia falar nada.

– Não preciso gastar meus modos com alguém como você.

– Ahhh... Isso me deixa tããão triste. Vou perder noites de sono por causa disso! – ele respondeu, rindo. – Vejo que tem que cuidar da princesinha, não é?

Grimmjow estava se aproximando devagar. Me encarando com um sorriso terrivelmente assustador. Ele parou bem ao meu lado e não deixou de me encarar.

– Minhas ordens foram apenas proteger o Las Noches. – respondeu Ulquiorra, indiferente comigo, como se eu não significasse nada.

– E o que vai fazer com ela? – ele fez algo que me deixou ainda mais assustada.

Grimmjow segurou no meu queixo, erguendo o meu rosto. Forçando-me a olhar diretamente para ele.

– Seria uma pena destruir um rostinho tão bonito. – ele disse, com o rosto próximo do meu.

– Enquanto não me for dada a ordem de executá-la, ela continuará ilesa. – ao ouvir isso, a expressão do rosto do Sexto Espada mudou bruscamente.

Aquele sorriso amedrontador se transformou numa expressão de fúria. Largou o meu rosto e olhou para o Quarto Espada.

– Pena que você não vai viver o bastante para receber essa ordem, Ulquiorra...!

Puxou a espada e atacou Ulquiorra brandindo a lâmina para a frente com uma velocidade enorme, mas no mesmo instante em que foi atacado, Ulquiorra defendeu com o braço.

Por instinto, eu chamei o Santen Kesshunpara me proteger e me afastar dos dois.

Grimmjow estava fingindo.

Agora eu entendo...

Ele não poderia simplesmente entrar aqui e atacar.

Agora, estava lutando por mim... Outra vez...

A cada investida, faíscas saiam das lâminas das espadas. Ulquiorra lutava sem alterar a expressão do rosto, enquanto Grimmjow mostrava os dentes como um predador faminto.

O Quarto Espada desviava e bloqueava os ataques com elegância e rapidez. Eu mal podia ver os movimentos dos dois naquela luta. Quando Ulquiorra atacou, eu não consegui ver o braço dele se movimentar, foi tão rápido que meus olhos não conseguiram acompanhar, porém, Grimmjow desviou daqueles ataques tão rápido que não precisou bloquear.

Aquelas investidas – pelo o que eu consegui enxergar – pareciam estar mirando em pontos vitais como cabeça, coração e pescoço. Mas então, o Sexto Espada agarrou o braço direito de Ulquiorra com a mão esquerda. Grimmjow sorriu de canto a canto e com a outra mão que segurava a espada, desferiu um golpe direto no peito dele.

A roupa do Quarto Espada rasgou-se, deixando a pele pálida e ferida a amostra. Ele levou a mão até o ferimento e esta ficou suja com o sangue escuro e vermelho. Afastou-se alguns metros de onde o Sexto Espada estava.

– Da outra vez que lutei com você, nenhum de nós havia sacado a espada. Eu pensei que você fosse mais cuidadoso, Ulquiorra. – eu podia ver quase todos os dentes do Grimmjow. – Que vergonha... Deixar-se ser ferido por um Espada inferior a você!

– Vergonha?

Ulquiorra cravou a lâmina da espada no chão. Uma terrível Reiatsu estava vindo dele. O chão estava rachando, as paredes, as colunas, o teto do palácio. Tudo pela enorme força que emanava do Quarto Espada.

– Eu me deixar ser ferido por você? Realmente seria uma vergonha, mas... Parece que ter atingido o meu nível, o deixou bastante feliz, não é?

Ulquiorra sumiu do lugar onde estava e reapareceu bem na frente do Grimmjow. No mesmo instante, ele desviou de alguma coisa e se afastou, mas Ulquiorra já estava atrás dele pronto para desferir outro golpe. Tudo estava acontecendo muito rápido.

Eu precisava acompanhar os movimentos deles...

E se...

Se Ulquiorra for mais rápido?

No mesmo instante que Grimmjow se virou para defender a retaguarda, Ulquiorra já não estava mais lá. Ele ficou indefeso.

Eu não podia deixar aquilo acontecer.

Criei meu escudo envolta do Sexto Espada, protegendo-o do Ulquiorra. A espada dele foi parada pelo meu escudo que se partiu em pedaços, a tempo do Sexto Espada se afastar e repor a guarda. Ambos olharam para mim.

– O que está fazendo? – Ulquiorra perguntou.

Eu não respondi nada.

– Estou perguntando porque o salvou.

– Por quê...?

– É porque ele é seu amigo? Então por que não o protegeu desde o primeiro ataque? Por que não o fez?

– Eu não... – não sabia o que dizer.

– Não sabe? – ele insistiu.

– Você está muito falante hoje, Ulquiorra. – o Sexto Espada interrompeu. – Fica falando dessa porcaria de motivo para ela ter me salvado. Isso não importa nem um pouco. – Grimmjow logo olhou para mim e sorriu levemente.

O sorriso dele. Aquele que achei que jamais veria outra vez.

– Isso vai ser perigoso, garota, então se afaste.

– Você prometeu... Que não iria se machucar. – lembrei-o.

Ele havia me prometido... Não pode quebrar a promessa...

Se está dizendo que vai ser perigoso, não é só para mim. É para ele também.

– Vou tentar me lembrar disso, garota. – ele disse. – Agora se afaste.

A única coisa que podia fazer agora era obedecer.

– Eu pensei que você fosse mais quieto, Ulquiorra. Mas vejo que você fala bastante!

A luta recomeçou.

O barulho das lâminas chocando-se uma contra a outra era o único som naquele palácio.

Era como se eu estivesse assistindo a luta entre dois Titãs.

Mas não era isso que me preocupava. Eles poderiam destruir todo aquele lugar com aquela luta... Eu só queria que o Sexto Espada... Os meus amigos... Só queria que todos ficassem bem.

O chão estremeceu. Eu achei que foi por causa do impacto das Reiatsus dos dois, mas eu estava enganada. Logo atrás de onde Ulquiorra estava, uma enorme mão saiu de debaixo do chão, quebrando o piso para que pudesse sair. Uma poeira enorme subiu antes que eu pudesse ver quem ou o que estava ali.

– Ulquiorra! – era a voz de um homem. Rouca e grave. – Eu vim te ajudar!

Era um homem enorme. O mesmo homem que viera ao Mundo Real com Ulquiorra daquela vez. Quando ficou ereto, me senti totalmente insignificante diante do tamanho dele. (N/A: Então imagine como a Rukia se sentiria... .-.)

– Quando foi que eu pedi a sua ajuda, Yammy? – Ulquiorra não olhou para trás, continuou encarando o Sexto Espada.

– Não diga isso. Parece que esse Grimmjow ficou bem forte! Deixe eu lutar também! – pediu o gigante.

– Não se meta onde não é chamado, Yammy. – Grimmjow revidou.

– Que isso? Não sejam ruins! – ele virou o rosto e olhou para mim.

– Ulquiorra, por que essa garota ainda está aqui? – o gigante perguntou.

– Pergunte para ela. – respondeu o Quarto Espada, sem se virar.

– É verdade. – ele começou a se aproximar de mim. Cada passo era como um terremoto. Assim que chegou bem próximo, ele se agachou. – Ei, menina, por que ainda está aqui? Está atrapalhando.

–... – eu estava com tanto medo dele que não conseguia falar.

– Ahhh! Lembrei! Você é a namoradinha do Grimmjow, não é? – ele ergueu a mão, como se fosse me segurar.

– AFASTE-SE DELA, YAMMY! – eu ouvi o Sexto Espada gritar.

Quando olhei de lado, vi o Grimmjow correr até onde eu estava empunhando a espada, mas Ulquiorra se colocou no caminho antes que ele pudesse me alcançar.

– Por que fez isso? – o gigante perguntou, com uma expressão confusa.

– Não confunda isso com um salvamento. – o Quarto Espada respondeu friamente.

As espadas deles se chocaram como um estrondo ensurdecedor.

– SAIA! – ordenou o Sexto Espada.

– Tente me fazer sair. – falou Ulquiorra, tranquilamente.

Ulquiorra forçou com o braço e obrigou o Sexto Espada a se afastar. Logo eles estavam lutando novamente. O gigante estava observando a luta com um sorriso enorme no rosto. Como se estivesse louco para lutar também.

Grimmjow ergueu a mão direita e desta surgiu um brilho vermelho. Era um Cero enorme. Ele o lançou diretamente para Ulquiorra. No mesmo instante eu o vi vindo pela lateral a toda velocidade, mas Ulquiorra defendeu-se do Cero apenas com a espada, e no exato momento em que o Sexto Espada passou por ele, eu apenas vi um enorme clarão verde vir na horizontal diretamente para o Sexto Espada.

Quando eu pensei que o Grimmjow tinha sido atingido, ele não estava mais lá, o Cero de Ulquiorra destruiu quase toda a parede do lado direito. O Sexto Espada estava do outro lado, pronto para desferir um golpe direto no Quarto Espada.

Antes que fosse atingido, Ulquiorra sumiu de onde estava e ressurgiu novamente bem perto de onde eu e o gigante estávamos.

– EU ESTOU MANDANDO SAIR! – ordenou novamente.

– Se quiser lutar com algum inimigo além de mim, faça isso depois de me matar. – Ulquiorra falou, tranquilamente e frio como sempre.

– CALE A BOCA! SAIA!

O Sexto Espada não estava mais gritando, estava rugindo.

Rugindo como se quisesse matar o seu oponente.

Ulquiorra não estava deixando que Grimmjow chegasse até mim.

– HAHAHAHAHA! – o gigante estava gargalhando ao vê-los. – Ei, Ulquiorra! Já posso matar essa mulher?

– PARE! – rugiu o Sexto Espada.

Houve outro choque entre as espadas.

A mão do gigante veio até mim. Uma mão enorme que poderia me esmagar. Fechei os olhos e me encolhi de tamanho medo que sentia naquele momento. Não tinha como me defender dele. Ulquiorra não deixaria que Grimmjow pudesse me salvar. Não havia mais ninguém por perto.

Aquele parecia ser o fim.

Ouvi o barulho de algo explodindo. Aparentemente veio de trás do gigante. Senti a presença de mais alguém na minha frente e um choque da mão do gigante com alguma coisa metálica.

– Kurosaki? – a voz do Grimmjow parecia surpresa e apreensiva ao mesmo tempo.

– Recomponha-se, Grimmjow.

Era a voz do Kurosaki-kun. Era a presença do Kurosaki-kun.

Quando abri os olhos, ele estava de costas.

O cabelo laranja, o quimono negro. Me protegeu do ataque do gigante com a espada.

Ele virou o rosto levemente e olhou por cima do ombro. Sorriu para mim.

Aquele era mesmo o Kurosaki-kun.

E não estava sozinho.

– Concentrem-se no seu oponente. – agora era a voz do Ishida-kun.

No mesmo instante todos os outros entraram por uma enorme abertura na parede do palácio. Cada um se colocou ao meu redor. Me protegendo.

– Nós daremos conta desse aqui.

– Rukia-san... – ela estava bem do meu lado, sorrindo para mim. – Sado-kun... Ishida-kun... Renji-san... Kurosaki-kun...

Estavam todos ali. Estavam todos bem.

Acho que naquele momento, eu não poderia estar mais feliz. Não por eles terem me salvado, mas sim, por estarem todos bem.

– Que bom que está bem, Inoue. – falou a Rukia-san, sorrindo.

– Quem são vocês? – o gigante perguntou, furioso.

Afastou a mão e a fechou como um punho gigante, para esmagar todos nós ao mesmo tempo.

– Não precisamos dizer... – o Sado-kun usou um golpe do braço esquerdo e abriu uma rachadura no chão.

Não esperando aquilo, e antes que fizesse seu ataque, o gigante despencou no enorme buraco que foi aberto no piso do palácio. Rukia-san, Renji-san e o Sado-kun pularam e foram atrás dele.

– Como foi que vocês...? – Grimmjow parecia tão surpreso quanto eu.

– Quer um relatório no meio de uma luta? – Ishida-kun estava olhando por cima do ombro, assim como Grimmjow que não baixou a guarda diante de Ulquiorra. – Você é tão imprudente quanto o Kurosaki.

– Ah, esquece. – ele estava de costas para mim, mas eu podia perceber na voz dele um tom de alívio. – Vão logo cuidar do Yammy.

Imediatamente, o Ishida-kun saltou na abertura do piso, mas antes ele olhou para mim e sorriu. O Kurosaki-kun estava comigo no colo.

Comigo no colo?

– Kurosaki-kun? – senti meu rosto queimar.

– Se eu não tivesse te segurado, você iria cair naquele buraco também. – ele explicou, sorrindo e me colocou de pé no chão.

Meu rosto devia estar mais vermelho que um tomate.

– Proteja-se.

Em segundos, ele se colocou ao lado do Grimmjow. Empunhando a espada.

Os dois iriam lutar juntos, por mim...

Aquele parecia ser o início do fim.