Capitulo 25- Os trunfos de uma mãe

Primeiro, esse capitulo parece não acontecer nada de mais, mas da pistas do enredo final da fic ;) Segundo, sem betagem, mas relido diversas vezes, passível de erros

Quando você perceber estará preso de mais para sair, quando conseguir sair percebera que esteve envolvido de mais para querer se afastar. Quando cair em si estará perdido de mais para voltar atrás. Você está de mãos atadas e quem manda agora é o seu coração.

Orion não estava com o melhor humor do mundo quando entrou na sala da mansão Black. Sua esposa estava sentada na poltrona com um sorriso vitorioso nos lábios e alguns papéis em mãos.

-Onde aquele fedelho arrogante se meteu?

-Está nos Potter, onde mais estaria?

-Eu já disse a você...- Andou na direção da mulher e a encarou com frieza- Ele está desse jeito por sua causa! Ele vive nos Potter, não tem mais casa e vive sofrendo todos os tipos de influencia por culpa daquela sua prima tresloucada.

-Esqueceu que Dorea foi da Sonserina? Esqueceu que ela é puro sangue tanto quanto Potter ou nós? Eu não deixaria meu filho na casa de qualquer um por tanto tempo.

-Eles estão trabalhando para Dumbledore.

-E você acha que não sei? Acha que não estou fazendo nada para trazer nosso menino de volta ao lar?- Esticou os papeis para o marido que os pegou desconfiado. Ele começou a ler e sua expressão passou de fria para incrédula. Virou o papel vendo o de trás e franziu o cenho contrariado

-Você enlouqueceu Walburga? O que pretende fazer com esses proclames? – Sacudiu o contrato no alto- Como pretende forçá-lo? Acaso acha que ele vai se importar com algo além dele?

-Ele vai.- Murmurou com um sorriso de lado- Você acha que ele seria capaz de trair aquele amiguinho traidor do próprio sangue? Claro que não e mesmo que ele fosse ela não seria.

-Quanto ao comportamento dos Potter? Na terça eles entraram com uma ação judicial para ficar com a guarda de uma fedelha sangue ruim. Sim! Sangue ruim e estão brigando com dois trouxas por ela! Perderam completamente o juízo.- Walburga arqueou a sobrancelha de um jeito que o marido odiava, era o mesmo trejeito que Sirius tinha e o fazia querer socar a cara do filho.

-Sabe onde o problema começou?- A mulher encarou o marido- Com o maldito do seu irmão! Alphard perverteu o nosso menino! E sabe de quem é a culpa? SUA! Se você passasse mais tempo em casa ele admiraria você e não a primeira figura paterna que aparecesse na frente.- Orion sabia disso, sabia que Sirius era apegado ao tio porque ele era um pai ausente e sabia que o menino tinha ido para a Grifinória porque Alphard era contra Voldemort e o elitismo. Tudo porque a mãe deles o separou de uma trouxa. Suspirou buscando auto-controle e encarou a mulher

-Eu estou ciente de tudo isso. Mas se você fosse mais controladora...

-O que você precisa agora é assinar esses papeis para mim. Como um dos chefes de execuções das leis mágicas você pode.

-Posso perder meu emprego e nosso prestigio.

-Não a partir do momento que esse contrato engloba até mesmo um acordo silencioso. - Ela encarou o marido- As pontas estão amarradas querido. - Levantou e se aproximou do homem- Teremos nossa família restaurada.- Beijou a bochecha dele.- E em breve um herdeiro que nos dará mais orgulho do que nossos filhos.

-Como você conseguiu a assinatura deles?

-Truques.-Sorriu satisfeita quando viu o marido assinar o contrato.

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-Oh meu amor pare de chorar, por favor.

-Mamãe.- Amanda chorava no colo de Dorcas. Ela parou de mexer a comida que fazia para a irmã e sentou na cadeira da cozinha com a pequena no colo

-Mandy o que você tem?

-Mamãe, papai.-Pediu apontando para a porta e a loira encarou a irmã. Ela era acostumada com elfos e empregados para ajudá-la com a comida e a irmã, mas depois do que aconteceu com sua mãe era obrigada a viver escondida e chamando o mínimo de atenção

-Papai está trabalhando Mandy, mamãe também.- A boca da pequena começou a tremer e os olhinhos encheram de água.

-Mamãe!- Pediu tentando sair do colo dela. Dorcas suspirou e deixou a menina descer. Ela tinha acabado de fazer dois anos, não entenderia sobre "Não ter mais a mamãe". Dorcas andou até a sala e a irmã a seguiu, ela pegou o livro encantado que seu pai tinha dado a Amanda e abriu deixando uma música infantil tocar de dentro dele. A garotinha se distraiu com os sons, brilhos e luzes que saiam do livro e parou de chorar. Dorcas foi até a cozinha e pegou uma xícara de chá desligando o mingau que preparava para irmã. Voltou para a sala e sentou no batente estofado da janela enquanto fitava o dia chuvoso. Estava muito quente, era um típico final de tarde em pleno verão com uma chuva torrencial e temperatura elevada. Tomou o primeiro gole do chá e um raio cortou o céu. Cinco segundos depois um trovão alto ecoou assustando sua irmã que correu de maneira desengonçada, típica de crianças pequenas, até ela.

-Você é uma medrosinha não?

-Dosinha.- Repetiu a pequena esticando os bracinhos. Dorcas a pegou no colo e ela sorriu encostando a mão no vidro. Não viam nada além da rua trouxa e o portão de cerca baixa. Ninguém além dos confiáveis ao segredo sabiam daquele local- Auau.- Dorcas olhou para o vidro e viu manchas disformes que a água formava. Uma delas parecia um cachorro

-E aqui?- Apontou para uma redonda. A menina falou algo enrolado numa língua típica dos pequenos e Dorcas sorriu

-Papai.- Bateu as duas mãos no vidro e ficou eufórica. Começou a pular no estofado e cantarolar- Papai, papai.- Dorcas sorriu e estranhou o fato de seu pai voltar cedo. Apertou os olhos vendo uma pessoa parada no portão. Usava um casaco cor de areia e um guarda chuva preto. Franziu o cenho. Seu pai era o único que aparatava direto em casa, não tinha necessidade de pegar chuva. Colocou sua irmã no chão e abriu um pouco a janela sentindo a água da chuva bater em seu rosto

-Estou ensopado.-Ouviu uma voz conhecida falar e sentiu o coração dar um impulso mais forte que o usual.

-Mandy, eu já volto ok?- A pequena nem ouviu, já estava entretida com o livro novamente. Pegou o guarda chuva no balde ao lado da porta e saiu correndo. Estava de short e chinelos e pode sentir a água gelada em toda sua perna. Encostou a mão no portão e este se abriu. Mais uma artimanha de seu pai para protegê-los. Quando viu o amigo sorrindo na sua frente se jogou nos braços dele e deixou o guarda chuva cair. Não se importou, muito menos ele e se abraçaram.- Não sabe quanto fico aliviada em te ver.- Sussurrou abraçada a ele. Remus sentiu a bochechas arderem- Vem. Vamos para dentro, você precisa ficar seco e minha irmã está esperando um mingau.-Ele assentiu e pegou o guarda-chuva dela do chão. Quando o portão se fechou ele pode sentir uma lufada de vento e olhou para trás. Não viu nada de mais- Escudo protetor.- Ela murmurou- Não é como o de Hogwarts, nem pensar, mas é algo.- Abriu a porta e ambos despojaram-se dos calçados encharcados.- Essa não é nossa casa. É uma casa trouxa. Queremos o mínimo de desconfiança possível. Nunca vão nos procurar num bairro assim.

-Foi inteligente. Eu falei com o pai do James para conseguir te achar.

-Como Lily está?

-Eu não sei.- Ele respondeu sem jeito- Ela estava na casa da irmã e James foi junto.

-Encontrou com Mellani ou Sirius por lá?- Remus negou- Eles estavam na casa do Sirius com a mãe do James.

-Por que raios?

-Eu acho que talvez seja porque as mães deles sejam primas.

-Isso faz do James e do Sirius primos de segundo grau?

-Na verdade de terceiro ou quarto. A mãe do James é filha da prima de segundo grau da mãe do Sirius.

-Que confusão.- Dorcas murmurou parada na porta- Eu preciso me trocar...Mandy?

-Dotas!- Ouviu a voz infantil da irmã chamar de volta e riu

-Tira esse casaco. Vou arrumar um roupão pra você ou sei lá, assim não fica molhado por muito tempo.

-Ok.

-Aguenta só uns minutos.- Ela saiu e Remus ficou parado no hall de entrada. Olhou para o teto e depois para os próprios pés. Estava encharcado devido ao abraço efusivo que Dorcas lhe deu, mas não deu à mínima. Mesmo que ainda estivesse gripado e em período de transformação. Ouviu passos apressados e a irmãzinha de Dorcas apareceu no hall correndo até ele.

-Papai.-E grudou nas pernas dele. Remus arregalou os olhos e ficou olhando para baixo sem saber o que fazer. Estava estupefato.

-Mandy!- Dorcas apareceu enrolada num roupão e um coque frouxo no cabelo- Larga ele.- A menina olhou para cima e percebeu que não era o pai que abraçava. Franziu a testa e seus lábios começaram a tremer. Ela deu as costas e saiu correndo de braços estendidos para a irmã. Dorcas a pegou no colo e estendeu toalha e roupão para o amigo- O banheiro é seguindo a direita.

-Desculpa, não queria assustá-la

-Não vemos outras pessoas desde a noite da batalha. Só vemos papai e ela sente muita falta dele.- Abraçou a irmã e encarou Remus com os olhos marejados- Que bom que está aqui.- Remus teve uma sensação estranha de estar em casa. Qualquer um que visse de fora imaginaria se tratar de uma jovem esposa recebendo com alivio o marido que estava numa viagem perigosa.- Eu vou dar comida pra Mandy, fique de roupão e coloque suas roupas atrás da geladeira, secam como se estivessem perto de uma lareira.

-Você está extremamente trouxa hã?- brincou e ela assentiu indo para a cozinha. Remus não estava exatamente confortável por ficar apenas de roupão na casa da amiga- Seu pai não vai achar ruim?

-Ele vai chegar tarde. Eu descobri um tal de VHS que roda histórias como se fossem no teatro. É incrível!- Disse da cozinha.

-Lily tinha comentando algo sobre isso.- Ele respondeu indo na direção do banheiro. Retirou as roupas com certo alivio visto que estavam incomodando devido à água e ficou apenas de cueca. Puxou as meias ensopadas dos pés e as torceu na pia. O banheiro era claro com um box de vidro e um chuveiro elétrico tipicamente trouxa. Ele se perguntou como os chuveiros bruxos funcionava visto que a diferença entre eles era mínima. Secou-se com a toalha e enrolou o roupão no corpo. A peça ficava no meio das canelas o que evitava um maior constrangimento por parte dele. Ao se olhar no espelho constatou que o roupão fechava tão bem que deixava apenas uma minúscula parte do peito à mostra bem no começo abaixo do pescoço. Saiu do banheiro pegando suas roupas molhadas e andou até a cozinha. Parou no batente da porta e sorriu com o que viu. Dorcas estava sentada na cadeira e a irmã na mesa. A mais velha dava de comer para a pequena que enrolava e ficava brincando com a comida

-Vamos Mandy, você sabe muito bem que eu não sei fazer essas coisas.

-Eu acredito que você o faça bem até de mais. Parece um dom natural.- Ela olhou para trás e viu Remus fitando-a divertido. Iria responder se um pequeno pedaço de pele não tivesse chamado sua atenção. Não era nada de mais, uma bobeira, apenas as "saboneteiras" do rapaz apareciam. Aquela parte onde tem dois ossos logo abaixo do pescoço. Não era algo sexy ou diferente, mas chamou-lhe a atenção pelo fato de nunca ter visto nada do Maroto além do que ele mostrava em público. Sentiu vontade de tocar com a ponta dos dedos a pele dele para saber a textura, principalmente onde se destacava a enorme cicatriz. Corou com esse pensamento e sorriu para o que ele disse:

-Você só pode estar louco. Ali está a geladeira.- Apontou para o canto da cozinha- Atrás tem uma grade de ferro, pendura ali.

-Por quê?

-O motor dela é quente e vai secar suas roupas.

-Mas isso não pode danificar o motor?- A expressão dela foi o suficiente para que ele desse de ombros e fosse lá colocar as roupas- Não precisa me fuzilar com os olhos.

-Poxa você quer ficar mais tempo sem roupa comigo e nem me pagou um café?- Remus sentiu as bochechas arderem e agradeceu por estar de costas para ela. Ouviu a risada dela e meneou a cabeça negativamente- Nossa eu deixei o senhor argumentos calado?

-Senhor argumentos?- Ele virou sorrindo- Que isso? Eu nem falo tanto.

-Fala sim! Ui tenho embasamentos e bla bla bla.- Os dois se encararam e caíram na gargalhada, a irmã de Dorcas sem entender o que acontecia imitou os dois e fingiu gargalhar. O gesto da pequena foi tão fofo e engraçado que ambos riram mais ainda.- Eu vou preparar um chá para nós. Toma segura ela aqui.- Pegou Amanda e deu nos braços de Remus. A menina o encarou com aqueles olhos redondos e azuis idênticos aos de Dorcas e tocou o rosto dele com as mãozinhas rechonchudas. Ao fazer isso puxou a pele as bochechas dele e falou algo em seu próprio linguajar enquanto sorria. Remus sentiu seu coração aquecer com aquele gesto. Sorriu para ela e fez uma careta, a pequena gargalhou. Em seguida Amanda bocejou e esfregou os olhos

-Quer que eu leve ela para sala? Ela está com sono.

-Você faria essa gentileza?

-Sim, sem problemas. – Ele saiu e Dorcas sorriu. Ela não se lembrava de sorrir desde a morte de sua mãe. Amanda tinha ataques de fúria e rompia em choro sentido durante a noite preocupando Dorcas. Ela mal podia contar com a ajuda do pai já que depois da morte de Mariene ele passou a trabalhar com afinco para acabar com Voldemort e achar o homem que ceifou a vida dela diretamente. Dorcas não acreditava que a vingança o levaria a uma estrada feliz e brigaram várias vezes em razão disso, mas ela cansou. Ela não queria mais brigas, ela queria apenas cuidar de sua irmã. Uma vez na semana a babá que ajudava sua mãe aparecia em casa, no entanto estavam escondidos e não podiam correr o risco de capturarem a babá. Era uma maneira de preservar a vida de todos. Ao terminar o chá foi até a sala. Parou no meio do caminho e sorriu com a imagem que teve. Remus estava com os braços esticados para o alto segurando Amanda e balançando a menina fazendo barulhos engraçados. A pequena estava até com as bochechas vermelhas de tantas risadas.

-Ela acabou de comer um prato de mingau. Vai vomitar na sua cara.- Ele fez uma careta e desceu a menina colocando-a no sofá. Amanda esticou os braços e ficou pedindo colo.- Pronto ela já grudou em você.- Remus sentou no sofá e Amanda se jogou no colo dele. Dorcas ligou a TV e colocou um desenho para assistirem- A Mandy adora Aristogatas. Depois que ela dormir posso colocar algo descente.

-Tudo bem.- Ele sorriu- Nunca vi essas animações trouxas mesmo.- Sorriu pegando a caneca de chá da mão dela- Obrigado.

-De nada.- Ela sentou um pouco longe deles e ficou observando o jeito maravilhado que o amigo e a irmã olhavam para a televisão. Segurou o riso e olhou para a tela vendo o desenho colorido dos gatinhos e a música bonita. Quando virou novamente a cabeça ficou constrangida com o olhar de Remus em cima de si. Ele fez um movimento de cabeça chamando-a a vir mais perto e ela ficou tensa por dois segundos "É apenas Remus" ela tentou se acalmar "É só meu amigo". Tomou ar e foi até ele. Amanda estava deitada no peito dele olhando para a tela concentrada. Sentiu o braço de Remus em seu ombro e suspirou com o coração apertado em angustia.

-Como você vai ficar?- A preocupação dele a tocou de maneira profunda. Ela sentiu uma torrente forte de emoções e arfou com a dor que acometeu o peito. As lágrimas começaram a cair e ele e puxou mais para si.

-Eu não sei se posso criar a Mandy. Meu pai não me ajuda Remus. Ele está obcecado em acabar com Voldemort para vingar minha mãe. Eu não sou capaz de fazê-lo ver que a presença dele é fundamental para Mandy. Ele não percebe que se ele perdeu a esposa nós perdemos a mãe.- Suspirou deixando o pranto sair. Remus sentiu que Mandy estava jogada de mais em seu colo.

-Eu acho que ela dormiu.- Comentou preocupado. Dorcas olhou para a irmã e assentiu. Se levantou pronta para pegá-la no colo, mas Remus não deixou e levantou ajeitando a menina com um pouco de dificuldade. Ele não levava o menor jeito.- Onde eu posso colocá-la?

-Por aqui.- Seguiu Dorcas através da sala e por um corredor com três portas. Uma delas era a do banheiro onde ele se trocou. Entrou na última porta do corredor e viu uma cama pequena com uma grade baixa e outra grande ao lado.- Esse era o berço dela, mas ela já está grandinha então meu pai adaptou.- Remus assentiu e a colocou na cama. A menina dormia tranquilamente. Virou na direção da amiga e andou até ela. Sentia uma necessidade absurda de confortá-la. Atribuía aquele sentimento a retribuição pela amizade dela. Puxou-a para si e a envolveu protetoramente em seus braços. Ela suspirou e começou a chorar. – Ela era incrível. Minha mãe sabe? Ela me entendia tanto, mas tanto.- Agarrou as costas do amigo com certo desespero. Ele beijou o topo da cabeça dela diversas vezes enquanto dispensava um carinho fraternal em suas costas. Quando ela olhou para cima ele limpou as lágrimas dela com carinho. Viu a amiga fragilizada, com medo e completamente sem rumo, mas além de tudo enxergou naquele momento o quanto ela era atraente. Engoliu em seco com o pensamento e se afastou. Ela também engoliu em seco e ambos perceberam algo diferente, algo que não conseguiram identificar, mas que os deixou constrangidos.

-Eu vou arrumar a cozinha para você. Precisa dormir um pouco antes que sua irmã acorde.

-Não posso te fazer arrumar a casa pra mim.

-É uma retribuição ao que fez por mim. Somos amigos esqueceu?- Dorcas sentiu algo estranho quando ele afirmou a condição deles. Não soube reconhecer o que era. Franziu o cenho e assentiu. Ele se aproximou e beijou a testa dela.- Deite-se e descanse.

-Ok.- Ela se afastou e deitou na cama cobrindo-se. Remus saiu do quarto confuso com a leve atração que sentiu. _/_
Lílian apertou a mão de James quando entraram em sua casa. Tudo era diferente agora, a única parte que a fazia ter prazer de voltar ao mundo trouxa eram seus pais. Não que ela desprezasse o lugar que veio, mas ficava encantada e deslumbrada bem mais vezes enquanto estava no mundo bruxo. Sentia que podia ser ela mesma em meio ao povo mágico. O que não acontecia em meio aos trouxas. Entrar na sua casa e saber que seus pais não estariam ali estava se mostrando uma prova um tanto quanto árdua. Sentiu o polegar de James massagear as costas de sua mão e o olhou

-Vai ficar tudo ok.-Ela assentiu com receio. A afirmação dele a confortava

-Quando eu voltava da casa do Severus.- Lembrar do amigo a deixou pior ainda- Ela sempre estava na cozinha preparando chá. Petúnia separava biscoitos nos pratos e por mais que nós brigássemos o tempo inteiro ela sempre colocava o meu prato. Eu passava tanto tempo preocupada em responder as provocações da minha irmã que não percebia que aquele momento era um dos poucos que mamãe nos tinha inteiramente para ela como quando éramos pequenas.- Suspirou deixando as lágrimas caírem e sentiu o cheiro de chá vindo da cozinha- Queria ter brigado menos com Tunia. –Saiu andando puxando James pela mão. Quando entrou na cozinha Petúnia limpava uma lágrima teimosa enquanto servia Vernon de chá. Lílian parou na porta e James passou o braço nos ombros dela. Petúnia olhou para James e depois para ela de maneira indignada

-O que essa aberração está fazendo em nossa casa?- Vernon perguntou apontando para James e fuzilando Lílian com o olhar. A menina mordeu o lábio inferior e entrou na cozinha desvencilhando-se do abraço de James

-Essa casa não é sua. Essa casa é minha e da minha irmã. Da mesma forma que ela tem o direito de te deixar aqui dentro eu tenho direito de ter James junto a mim.

-Somos casados Lílian.- Petúnia disse com desprezo- Podemos ficar juntos e devemos. Você ficará conosco.

-Por quê? Acaso gosta de mim ou esse chupeta de vulcão quer colocar essas mãos gordas na minha parte da herança?

-A família é o mais importante e levando em conta que sua parte seria gasta com gente da laia desse aí é...

-Como você é cínico!- Lílian quase gritou e James andou parando na frente de Vernon- Ele é rico. Mais rico que sua família foi ou será em todas as gerações!- O marido de Petúnia ficou vermelho e ela bufou- Meu assunto não é com você mesmo. Quer a casa? É sua, quer minha parte? É sua! Só me deixa ir embora.

-Não.- Ela respondeu friamente e Lílian sentiu que viria as lágrimas a qualquer segundo

-Por quê?- Perguntou com a voz fraca

-Você não vai ter tudo que quer. Se eu sou obrigada a viver nesse mundo lembrando dos meus pais mortos porque não você? Acaso esqueceu que foi tudo sua culpa? SUA CULPA!- Lílian sentiu os lábios tremerem e estava prestes a romper num choro sentido. James se aproximou e parou atrás dela segurando-lhe os ombros

-Calma Lil's.- Sussurrou e ela conseguiu se controlar. Respirou fundo e encarou a irmã com magoa

-É muito fácil para você se enfiar nesse mundinho de mágicas e truques e enfiar nossos pais na cartola como faz com tudo. Se eu tenho que lembrar da morte deles sempre você também.

-O que a faz pensar nessa sua cabeça doente que eu vou esquecê-los? Que assim que eu pisar meu pé por lá eu vou agir como se não tivesse pais? Embora não tenha a capacidade de enxergar eu os amei e vou amá-los o resto da minha vida e além. As pessoas que nós amamos não são esquecidas assim Petúnia. Se você tem essa facilidade de excluir, como fez comigo , tudo que te incomoda um pouco o problema é SEU!

-Você acha que vou acreditar nisso? Acha mesmo que eu não sei o que você quer?- Lílian engoliu em seco- Você estava louca para se livrar deles. Eu duvido muito que não tenha suspirado aliviada quando pensou que não precisaria voltar pra cá! HÁ! Vernon descobriu seus planos.

-Então é ele? Bom saber que dá mais crédito a ele do que a sua própria família.

-Você não é minha família!

-Devia ter deixado isso claro antes de aceitarmos cuidar dos filhos uma da outra.- Disse com raiva e saiu andando na direção das escadas. A menção da conversa amigável que tiveram antes da morte dos pais deixou Petúnia mais triste. Aquilo a tocou de um jeito que a jovem sentiu as lágrimas vindo aos olhos. James parou na frente dela e se aproximou

-Petúnia...

-Não fale comigo aberração.

-Quando Lily entrou na escola ela estava triste e preocupada com você.- Petúnia estava decida a ir embora não queria ouvir os relatos sobre os momentos felizes de sua irmã na escola que ela foi recusada, mas James a encurralou entre ele e a parede. Ela observou o rosto do rapaz vendo o quanto era atraente e revirou os olhos, até aquele tipo de coisa a irmã queria esfregar na cara dela. Ao menos era o que pensava- Ela estava muito chateada e insegura.

-Aposto que ela passou bem com aquele amigo estranho.- James revirou os olhos e bufou

-O que eu estou tentando dizer é que ela te ama e sempre se preocupou com você. Sempre! E que se você tem o mínimo de amor a ela atenderia a esse pedido.

-Grande amor. Se ela me ama tanto porque quer ir embora para sempre justamente nesse momento?

-Céus.- James murmurou- Você age como se fosse culpa dela. Seu marido a odeia e você a trata mal. Você o tem por perto, tem quem ama por perto. Está contando com o apoio dele, da irmã dele e dos seus sogros. Por que ela não pode ficar com os amigos dela? Se você está com seus porque ela não pode ficar com os dela num momento complicado desses?

-Me solta.- Ela murmurou irritada

-Eu custo acreditar que a senhora Evans tenha criado uma pessoa egoísta. Você deve ter um pingo de bom senso Petúnia.

-Me deixa sair daqui!- Ele se afastou e apontou o caminho livre- E vai embora daqui antes que eu chame a policia!

-Vai! Chama! Passe pelo ridículo de tomar uma bronca. Sua irmã me deixa ficar aqui e ela é tão dona da casa quanto você. – Saiu andando e Petúnia foi para a cozinha com os pensamentos a mil.

Lílian suspirou e jogou-se na cama sentindo cheiro do próprio shampoo no tecido. Suspirou e abraçou o travesseiro ouvindo a porta abrir e fechar logo em seguida. Dois segundos depois James entrou no campo de visão olhando-a longamente:

-Hey Lil's precisa comer, vamos descer e ver um quarto para eu ficar?

-Como assim um quarto para ficar?-Lílian o olhou longamente- Vai dormir comigo.-Ele engoliu em seco e ela sorriu triste- Preciso de você comigo, e é exatamente aqui que você vai ficar.- Apontou para a cama- Por que se eu não conseguir dormir sei que você me faz dormir e se eu tiver pesadelos... Você me acalma.- Ele sorriu:

-E se não tiver fome te faço comer. Agora vem logo.- Fez a ruiva levantar da cama e puxou-a para si, ela sorriu e o abraçou, ele suspirou

-Heyyy quero ver você bem ouviu?-Ela assentiu e olhou para cima, os lábios dele eram sempre convidativos. Ela se aproximou e beijou-o, James suspirou e aprofundou o beijo sentindo-a arfar e apertar-se mais a ele como se o ato de beijar fosse uma fuga da realidade dolorosa. Ele puxou-a mais contra si e ela gemeu levemente:

-James...-Sussurrou e ele soube que ela queria esquecer por um instante a dor da perda- Promete que vai parar de doer?- Ele suspirou

-Faremos o possível.

-Por que ela não pode entender que estamos sofrendo a mesma dor?

-Às vezes alguns laços se rompem apenas com palavras mal colocadas ou atitudes impensadas. Aí é bem mais complicado reconstruir.- Lílian abraçou-o mais forte :

-Você acha que Remus e Black voltam a se falar algum dia?-Queria mudar um pouco de assunto. James deu de ombros:

-Acho difícil, mas é da natureza de Remus ser benevolente. Ele vai acabar perdoando Almofadinhas.

-Ele te escreveu esse verão?

-Sim, e ele está arrasado. Disse que a Camila acabou ajudando-o muito. O visita sempre e o arrasta para fora de casa.

-Ela gosta mesmo dele não é?

-Você acha?

-E você tem alguma dúvida?

-Quanto a Dorcas?

-O que tem?

-Quando ele soube o que aconteceu deu um jeito de correr até ela.

-Eu não sei. O que aconteceu com a Dorcas?

-A mãe dela foi morta.- Lílian arfou

-Céus.

-Sim. Ela vai precisar muito de todos nós. Precisaremos uns dos outros agora. Acredito que nesse momento complicado Sirius e Remus tenham uma aproximação. Isso me alivia muito, eles são minha família.

-Eu nunca podia imaginar que você era mais do que um idiota metido quando te conheci.- Os dois riram -Onde estava esse James durante todos esses anos?

-Na sua frente o tempo todo, um pouco sombreado pelo ego gigante, mas estava ali acenando.

-Ainda bem que eu consegui ver.

-Ainda bem que eu te deixei ver.- Ela sorriu e resolveram sair do quarto. No momento Lílian teve três certezas, tudo estava realmente perdido, seu mundo mudaria para sempre, e independente do que acontecesse, seus amigos estariam ao lado dela como uma verdadeira família.

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Então deixa eu te beijar até você sentir vontade de tirar a roupa. Deixa eu acompanhar esse instinto de aventura e de menina solta...

Sirius jogou-se para o lado no sofá arfando, alguns fios de cabelo grudavam no rosto e ele tinha um sorriso satisfeito nos lábios. Olhou para o lado e viu Mellani em igual estado. Duas semanas, em apenas duas semanas e ela estava deixando-o completamente louco e esgotado. Sirius sempre se julgou um rapaz de apetite um tanto quanto voraz. No entanto enquanto passava aqueles momentos de puro deleite ao lado de Mellani chegou à conclusão de que até então nenhuma garota que ficou esteve à altura. Fechou os olhos e suspirou. Estava impressionado, ela estava sempre disposta a fazer qualquer coisa, em qualquer lugar e aquilo o excitava cada vez mais. Todas as vezes que acordava ficava esperando por um próximo passo dela e como ela o surpreenderia. Aproveitaram a ausência dos Potter quando foram ao tribunal e usaram piscina, aproveitaram a ausência de James e usaram o quarto de hospedes, aproveitaram a reunião da ordem e usaram o corredor, aproveitavam qualquer brecha e qualquer cômodo vazio. Ela sempre o puxava para qualquer canto, qualquer brecha ou oportunidade que via o agarrava ou o enlouquecia a ponto dele agarrá-la. Mellani o fazia louco, perdido, sem razão, dava a ele o céu e depois desaparecia. Abriu os olhos pronto para iniciar uma conversa agradável com ela sobre a vinda de Lílian e do quanto James devia estar feliz por terem conseguido a guarda provisória dela. Daquela vez eles aproveitaram que os Potter foram buscar Lílian e James no bairro trouxa e deixaram-se levar na sala. Só que ela já tinha desaparecido. Era sempre assim, ou ela ficava calada fingindo dormir, e ele sabia que ela estava fingindo, ou saia rápido, antes mesmo que ele pudesse terminar de curtir o cansaço pós sexo. Ele nunca a via sair de perto dele. Sirius podia ter achado aquele comportamento estranho, mas atribuía as saídas rápidas de Mellani ao receio de ser pega pelos tios ou qualquer coisa do tipo. Ele não conseguia pensar muito bem sobre ela, todas as vezes que o fazia ficava com os sentidos anuviados pelo desejo que sentia. Como estavam passando muito tempo sozinhos na mansão Potter ele passava quase que o tempo integral com as mãos em cima dela e a boca ocupada. Não só a boca, mas o corpo inteiro ficava com atenção nela. Não tinha tempo para reparar no comportamento frio dela na presença de outras pessoas já que pelo menos ali, durante as férias, tinha a liberdade constante de tocá-la como, quando e onde quisesse. Decidiu subir e tomar uma ducha, ao entrar no chuveiro ouviu vozes na sala. Ficou aliviado com a sorte que teve de não ser pego.

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Lílian suspirou emocionada quando viu os pais de James.

-Seja bem vinda Lílian.- O senhor Potter disse com um sorriso largo ao qual James tinha idêntico. – Ficamos muito felizes com sua presença em nossa casa.- A garota sorriu e abraçou o homem com certo alivio. Ele e Margaret seriam as pessoas que cuidariam dela daquele momento em diante.

-Muito obrigada senhor e senhora Potter.- Se afastou de Charlus e foi na direção da mulher abraçando-a com carinho. Margaret se distanciou e passou a mão pelos cabelos dela, ao olhar Lílian nos olhos teve a certeza de que seriam tão ou até mesmo mais amigas do que era de Mellani.

-Lílian!- Mellani desceu as escadas correndo.

-Mellani!- O senhor Potter chamou irritado e ela terminou de descer as escadas pulando. Saiu tropeçando e parou de andar na frente do tio quase caindo nos braços dele.- Que roupas são essas?

-Ela usa isso todos os dias.- Margaret disse segurando o riso. Mellani deu de ombros, estava com um short jeans claro de cintura alta que ficava alguns palmos acima do joelho e uma camisa preta do The Who cortada deixando ombros e uma faixa e pele da barriga a mostra. Estava tipicamente trouxa e com as curvas acentuadas em destaque. O senhor Potter ficou com as bochechas vermelhas e Lílian percebeu mais uma semelhança entre ele e James

-Se gosta de se vestir feito trouxa porque não igual à Lílian?- Apontou para a ruiva que usava um vestido de verão claro com algumas flores desenhadas. James já tinha visto a ruiva com aquele modelo outras vezes e chegou à conclusão de que era a roupa que ele mais gostava de vê-la usando.

-Ihhh.- Mellani revirou os olhos e abraçou a amiga fortemente.- Que saudades Lily.

-Também senti muito sua falta tampinha. Como passou esses dias praticamente sozinha aqui? Conseguiu aguentar o Black?- Mellani sentiu o rosto arder, mas se conteve. Afastou-se da amiga e a olhou

-Eu fiquei o mais longe possível dele e vice versa.- Lílian sorriu desconfiada-Que foi?

-Depois a gente conversa.

-Cadê o Sirius?- James perguntou subindo as escadas

-Sei lá.- Mellani respondeu dando de ombros- Tomara que tenha se afogado na privada!

-Sonsa você em?- Sirius respondeu encontrado James no meio das escadas e abraçando o amigo. Apenas Margaret percebeu a troca de olhares entre Mellani e Sirius, foi algo breve e quase imperceptível, mas o suficiente para deixar a mulher encucada. Passaram o resto da tarde na área da piscina conversando e comendo guloseimas. A senhora Potter ficou mais desconfiada ainda por perceber que Sirius não tirava os olhos das curvas de sua sobrinha. Era algo sutil, mas Margaret conseguiu ver todas as vezes que ele mordeu a bochecha contendo algum ato ou palavra mal pensada bem como todas as vezes que os olhos dele fixaram no decote ou no traseiro da menina. Tudo que Margaret menos queria era aquele tipo de dor de cabeça, muito menos do Walburga em cima dela do jeito que estava. Se perdeu nesses pensamentos por longos minutos e voltou a realidade sobressaltada quando ouviu uma gritaria.

-Me solta Sirius!- Mellani gritava e o rapaz a levava no colo para a beira da piscina.

-Joga, ela já jogou todo mundo.- Margaret viu que seu filho, Lílian e seu marido já estavam dentro da piscina. – Vai Almofadinhas!- James ria e os outros dois que foram empurrados por Mellani ajudavam com gritos de deboche.

-Eu vou te matar.- A loira gritou quando Sirius começou a lhe fazer cócegas. Margaret franziu cenho. Sirius bateu no peito e urrou fazendo as pessoas dentro da pisicina rirem.

Sirius gritou e pulou dentro da água com Mellani em seu colo. Sentiu o gelo envolve-lo e abriu os olhos vendo-a tentar fugir dele nadando para longe. Ele a puxou pela cintura e subiu agarrado a ela. Começou a rir e ela o empurrou tentando sair do abraço.

-Você é muito esperta não?- Ela riu e tentou se afastar

-E você acabando com a minha brincadeira.- Ela tentou sair do abraço dele e o rapaz a puxou para mais perto. Mellani sorriu de lado e o empurrou. Sirius a soltou caso contrário ficaria animado de mais para sair da água.

-Oh que agarra agarra é esse?- Charlus gritou- Mag meu amor! Junte-se a nós.

-Nem morta. Está gelado!- Ela lançou um olhar de "depois você vai ouvir" a Mellani e outro a Sirius. Lílian começou a gritar quando James tentou afundá-la e passaram o inicio da noite se divertindo na piscina.

N/A: Gosto e desgosto desse cap. Gosto dos momento do Remus, mas dá uma impressão parada das coisas. Não se preocupem, a chuva passou e vem trazendo a tempestade. Logo mais teremos muito mais coisas acontecendo. Entendam, climão de velório é difícil e não passa de uma hora para outra.

Obrigada muitão quem comentou. Quem não comentou e nem ta pensando em fazer isso, lembra que gostar da história é muito bom, mas pra eu saber que está gostando você tem que dar o ar da graça. Incentivem a fictiwer e comentem. Eu me dedico tanto a proporcionar isso a vocês o que custa um comentariozinho? Chega de choradeira. Flores lindas do meu jardim obrigadaaaaa por comentarem. Isso me incentiva nos próximos caps. Beijossss e até a próxima att.