E aí pessoas, como vão? Muito obrigada pelas reviews deixadas! Amei todas, sempre me animo quando comentam! E aí, como passaram as festas? Alguém aí que se empanturrou por mim? /o/ (?)

Peço desculpas pela demora na atualização, mas prometo posts semanais a partir de hoje *-*

A todos uma boa leitura!

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Quando Catherine conseguiu ficar sentada sozinha, Luciana e Erik comemoraram, ainda que ela não tenha conseguido se firmar por muito tempo. Mesmo depois do peso atingido eles continuaram se dobrando em cuidados com a menina que estava sendo mimada por todos os lados. Os cabelos estavam crescendo e se revelando iguais aos do pai, mas Erik não admitiu que isso o deixava encantado. Não em voz alta.

Com temperamento forte, a menina resmungava alto se não gostava de alguma coisa e eles não sabiam o que esperar quando ela começasse a falar. Pelo menos uma vez por mês eles recebiam um pacote de Boscherville, com presentes tanto de Madeleine quanto de Marie e Catherine adorava ver os tecidos coloridos dos vestidos que chegavam para ela, ficando entretida nos babados por muito tempo, puxando as fitas e alisando os bordados.

Não existia um dia sequer que a criança não exigisse a atenção dos pais e Luciana foi obrigada a levá-la para o quarto de costuras, se revezando entre lhe dar de comer e engomar algumas golas. Viu-se engomando uma fralda e seu rosto esquentou ao perceber esse erro. Como se entendesse o que estava acontecendo, Catherine começou a rir deixando a mãe ainda mais constrangida.

- Às vezes eu acho que você é muito esperta, mocinha. – disse enquanto pegava uma camisa branca.

Madeleine aproveitou e viajou para Roma a fim de rever a neta, agora com oito meses. Estava ansiosa para rever a menina e já havia decorada boa parte das cartas do filho que contavam cada artimanha da pequena, que estava conseguindo deixar os pais cada vez mais loucos de preocupação.

Assim que a menina aprendeu a engatinhar, não existia lugar no velho sobrado onde ela não pudesse ir, batendo as palmas da mão com força no chão. Madeleine ria ao ouvir o estalar de seu deslocamento e as risadas quase que debochadas da menina ao fugir da mãe, percebendo o desespero de Luciana correndo atrás dela.

- É tão esperta! – riu a sogra.

- Esperta demais... – Luciana suspirou depois de tirar Catherine do chão pela terceira vez.

A avó pediu a menina e ficou ninando ela em seu colo, fazendo jeitos e trejeitos para tirar um sorriso daquela criança tão linda. Poderia parecer coisa de avó, como a nora disse certa vez, mas Madeleine não se lembrava de ter conhecido uma criança tão encantadora como sua neta que a olhava com admiração descarada, se agarrando nas rendas de seu vestido para sustentar o próprio peso.

Era com muita frequência que isso a fazia se lembrar de Erik e de como poderia ter tido esse tipo de contato com o filho se quisesse. Nunca se preocupou para onde ele ia ou se acabava batendo em algum móvel pela visão limitada que a máscara causava e, com essa nova necessidade de compensar alguma coisa, começou a se interessar profundamente pelos projetos do filho. O que antes a espantava, agora a surpreendia de modo muito positivo.

Erik ainda se incomodava com tanta atenção e era difícil encontrar alguma brecha para conversar com ele, dividido entre as atenções para a filha e os projetos que chegavam cada vez mais. Deixava as correções, que considerava mais fácil, para a madrugada e de dia se concentrava em começar a traçar os pedidos de novos clientes. Era quase uma ofensa a sua genialidade. Poderia fazer tantas coisas diferentes e mais grandiosas! Limitar-se a uma casa de dois quartos ou um sobrado sem varanda era o mesmo que projetar um cercado para galinhas e por mais que se oferecesse para criar algo diferente, as respostas negativas sempre o recolocava em seu lugar.

Indignado com isso, viu-se desabafando transtornado para a mãe uma de suas ideias:

- Imagine um apartamento com sete andares! – disse animado, olhos faiscando como se pudesse ver a construção na sua frente.

- Sete! – Madeleine deixou escapar abismada. – Mas nem é um teatro para ter todo esse tamanho!

- Mas não seria apenas um apartamento com quartos! Pensei que poderiam ter também um espaço para sala e cozinha! Não precisa ser necessariamente um espaço grande, mas o suficiente para ter um pouco de privacidade, entende? – ela concordou com olhos estalados, ainda tentando montar tudo aquilo em sua mente.

- Mas não ficariam muito grandes? Quero dizer, e se caírem?

- Não há essa possibilidade. – negou veemente. Sabia até onde iam seus conhecimentos e eles eram muito abrangentes. – Se feito do modo correto, nada derrubaria meus projetos...

- Ainda se fosse, – recomeçou. – as pessoas não se cansariam por ter de subir tantos degraus? Acho que não iriam se interessar muito pelos últimos pavimentos...

- Pensei nisso. – disse, buscando uma folha em branco onde começou a rabiscar. – Imagine que isso é uma base: com o cálculo adequado ao peso médio de uma pessoa, ele poderia içar pelo menos duas a três pessoas para os andares de cima.

- Içar pessoas? – Madeleine ficou abismada. – E se isso cair?

- Não iria acontecer. – Erik riu-se por dentro. – O único problema seria achar um modo que elevasse essa base sem que fosse ao modo manual... – seus olhos tornaram-se opacos pela frustração.

- É uma pena... É um projeto e tanto! – sorriu antes de tomar um gole de café.

- Por que não se casou com Etienne? – Erik perguntou subitamente.

Etienne. Ainda que um passado distante, Madeleine ainda se lembrava dele, o belo homem, médico forasteiro que fez com que ela, mesmo perto de seus trinta anos de idade, perdesse a cabeça. Um romance juvenil naquela idade, ela só poderia mesmo estar louca! Se não tivesse ficado tão obcecada por ele, talvez tivesse dado mais atenção a Erik, talvez ele não tivesse fugido e talvez ambos tivessem tido um relacionamento de mãe e filho. Talvez, talvez, talvez... Sua vida se resumia nos inúmeros remorsos que guardava.

- Eu não quis... – deu de ombros.

- Estava apaixonada.

- Estava. – suas mãos começaram a tremer e ela soltou a xícara para poder escondê-las.

- Achei que fossem se casar. – e dito isso, Madeleine sentiu as lágrimas brotando em seus olhos. Seria possível sentir culpa mesmo depois de tudo?

- Meu filho sumido no mundo. – murmurou. – Eu não tive cabeça para mais nada, Erik.

Erik engoliu em seco. Ainda era estranho ouvir por parte da mãe que sua companhia fez falta. Fugiu por medo de ser trancado em um hospital e por querer livrar Madeleine do tormento de um filho deformado. Etienne poderia dar a ela lindas crianças.

Crianças perfeitas.

- Fui egoísta. – completou, respirando fundo para não chorar. – Sempre acreditei que as pessoas precisavam de alguém... – ela virou o rosto para Erik e ele pode ver todo o pesar e culpa que ainda existiam naqueles olhos. – Eu só precisava de você.

Antes que pudesse reagir, Catherine entrou na cozinha batendo fortemente as palminhas rosadas no chão, balbuciando alto e rindo, como se estivesse prevendo que logo a mãe viria atrás de si. Deu um grito agudo, seguido de uma gargalhada manhosa quando a avó a ergueu ao ver Luciana. Antes que Erik pudesse esticar as mãos para apanhar a filha, a menina se agitou e balbuciou:

- Papa!

Um momento de silêncio espantoso para enfim comemorarem, erguendo a menina no ar que, parecendo estar muito satisfeita com toda aquela atenção, repetia constantemente a palavra que tanto ouviu a mãe e a avó dizerem. Erik ficou encantado e era como se estivesse vendo tudo de outro ângulo. Viu-se lembrando de sua infância e de como a ideia de nunca poder formar uma família quase o levou a se matar na caravana cigana. Sempre viu nos olhos das outras crianças e jovens que acompanhavam o grupo o horror e ver os olhos dourados de sua pequenina brilhando de adoração era a melhor realização de sua vida.

..

Luciana precisou sair entregar uma série de encomendas. Estava contente em enfim ter conseguido retomar o ritmo das atividades e deixou Catherine aos cuidados do pai. Erik não reclamou: não era nenhum problema.

Agitada, não eram poucas as vezes que ela tentava levantar do chão, apoiando as mãos com força, mas sem muito sucesso. Dentro de algumas semanas completaria um ano de idade e a mesma parecia muito impaciente por não conseguir andar. Quando não estava ocupado, Erik apoiava a filha para que a mesma tentasse dar alguns passos, coisa que não conseguia por conta própria. Gostaria de perguntar à mãe como ele mesmo havia aprendido a andar, resposta dada depois de Madeleine disfarçar o constrangimento e murmurar que ele havia aprendido sozinho.

Ele devia ter imaginado...

Estava com Catherine perto da lareira quando ela recomeçou suas tentativas de se erguer. Resmungou contrariada até que Erik segurou-a pela cintura. A garotinha riu, mostrando os dois dentinhos na parte de baixo, e esticou os braços para o pai. Erik sentia que a filha estava conseguindo se firmar e arriscou soltá-la um pouco. Catherine permaneceu alguns segundos firmes até cambalear novamente. A menina apertou os lábios em contragosto e Erik não iria arriscar ir contra os desejos da filha. Correu pegar um pedaço de tecido e o envolveu em volta do tronco da filha, como um apoio, e ficou segurando o mesmo, ajudando-a a treinar os passos pouco firmes.

Mais rápido do que pode perceber, Erik estava vendo Catherine andando. Ao ver a pequena rindo satisfeita por enfim conseguir dar alguns passos tortos, ele se deixou rir de alegria. Era tão surpreendente que aquela criança que nascera tão miúda agora estava impondo com tanta veemência seus desejos! Sua menina estava andando e, sabia Deus quando começasse a querer correr por aí, causando o desespero por parte dos pais.

Ela parou de frente para o sofá, se apoiando nele para virar e, quando o conseguiu, esticou os braços para Erik rindo, conseguindo dar três passos firmes e diretos até ele:

- Papa! – gritou rindo, quando viu as mãos do pai esticadas em sua direção. Sua meta era conseguir chegar até ele, e se jogou no colo de Erik quando conseguiu terminar seu trajeto.

Catherine havia andando um metro e meio, mas para Erik era como se a mesma tivesse percorrido uma maratona. Ele pegou a criança no colo e levou para frente da casa: Luciana precisava ver o que a filha conseguia fazer. Estava animado e mesmo com o frio daquela tarde, não se agasalhou, temendo perder algum progresso da pequena. Um pouco ansioso soltou as mãozinhas de Catherine que arriscou dar alguns passos, tropeçando vez ou outra na neve fofa. Seus olhinhos dourados brilhavam para o pequeno portão de entrada e Erik soube a partir daí que teria problemas em conter a filha e sua curiosidade tão aguçada.

Segurou a pequena quando viu Luciana se aproximando ao longe e, quando a mesma parou em frente à entrada, estranhando ver a filha do lado de fora – e sem a blusinha de lã. Erik ergueu a mão esguia, pedindo para que a esposa esperasse, quando cochichou no ouvido da filha que caminhasse até a mãe. Quando Luciana viu os primeiros passos tortos da filha, riu emocionada, se ajoelhando na neve com os braços abertos, esperando que sua menina chegasse até ela. Abraçou-a e encheu-a de beijos, dizendo como estava orgulhosa e Catherine por sua vez, exibiu os dentinhos ao rir dos gracejos da mãe. Quando ela virou novamente para caminhar um pouco mais confiante para o pai, Erik sentiu como se aquele fosse o momento mais importante de sua vida.