Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.

O dinheiro não traz felicidade. Me de o seu e seja feliz. :D

Ela é o cara.

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Problemas a vista.

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Muito bem Kagome concentre-se, queixo empinado, olhe para frente, balance os quadris, mas não demais para que você não pareça alguma perua destrambelhada maluca, mas também não balance de menos, para que não pensem que você está travada, isso mesmo muito bem, e sorria, faça pose e agora volte, e não se esqueça de balançar os quadris! Você tem uma beleza incomum, use-a ao seu favor, o mundo está com os olhos postos em você, faça-o comer na sua mão, ele precisa se arrastar aos seus saltos, hipnotize a todo com o azul de seus olhos, mostre como é bela e sorria nunca se esqueça de sorrir, você não quer que eles pensem que você é metida, e as câmeras, elas são importante também, você nunca pode se esquecer delas.

Não se esqueça... Sempre haverá alguém de olho em você.

Suspirei. Bem, por onde começar?

Há três dias, Kohaku e eu encurralamos Sango, sobre o porquê das chaves dela estarem com o colega de quarto de Kohaku...

_Parem de me olhar assim! – ela reclamou. – parece até que vocês acham que eu matei alguém!

_E como podemos saber que não matou? – perguntei – Afinal, nem eu nem seu irmão temos a menor ideia do que você andou aprontando ontem de madrugada.

_Mas não foi nada demais, não é nada tão grave assim! – ela defendeu-se.

Kohaku estreitou os olhos com suspeita.

_Pode até não ter sido nada demais. Mas nós ainda queremos saber o que você estava fazendo ontem de madrugada.

_Ai pelo amor de Buda. – ela reclamou – O que é isso, agora eu estou sendo investigada ou o que?!

Kohaku e eu a olhamos fixamente, e ela suspirou e apoiou as costas no encosto do assento.

_Alguma vez eu já falei como vocês são chatos?

_Já. – respondi – Mas você nos ama mesmo assim.

_Agora vai falando.

Disse Kohaku cruzando os braços sobre o peito, apertando o maxilar em uma expressão séria que eu só vi duas vezes antes: quando Sango arranjou de ter a ideia de apresentar uns dois ex-namorados seus, a sua família. E por falar nisso, eles só são "ex" porque Kohaku os pôs pra correr.

_E não me diga que é conversa de meninas, porque dessa vez eu não vou arredar o pé daqui. – ele completou.

Eu nunca ouvi Kohaku falando assim.

_Bem... Kagome se lembra de quando eu fui ao parque de diversões com... – ela olhou para Kohaku – Aquela pessoa?

De inicio não entendi porque Sango evitou falar o nome de Miroku, até que vi a expressão sombria de Kohaku, seu rosto parecia feito de pedra, engoli em seco. E pela primeira vez ele não me pareceu o garotinho meigo e gentil que eu sempre via quando olhava para ele, mas sim um homem feito, rígido e ameaçador. E percebi que nem de longe a Sango é o membro mais aterrorizante da sua família... E pensar que eu não conseguia entender como Kohaku conseguia assustar os pretendentes de Sango.

_Lembro... – respondi um pouco receosa.

_Bem... Nesse dia eu, por acaso, comentei que já não comia uma pizza descente desde que cheguei aqui.

Eu franzi o cenho.

_Mas eles vendem mini pizzas aqui.

_São horríveis. – Sango decretou – Uma vergonha para a Itália se quer saber.

Na verdade as pizzas surgiram originalmente nos E.U.A.

_Concordo. – assentiu Kohaku – Mas o que o seu encontro secreto no parque de diversões...

_Não foi um encontro, foi apenas uma saída de dois não amigos! – Sango defendeu-se.

_Tem haver com a sua chave estar com o meu colega de quarto, hoje de manha? – completou Kohaku, sequer a ouvindo.

_Então... – Sango parou para comer mais um pedaço de seu sanduiche, e quando voltou a falar eu não entendi uma só palavra do que disse.

E aparentemente Kohaku também não.

_O que? – perguntamos os dois juntos.

_Eu disse... – ela deu mais uma mordida no sanduiche e voltou a falar de boca cheia.

Irritada eu peguei o sanduiche de suas mãos – atenção: não façam isso em casa, você pode perder um braço – e disse:

_Pronto. Agora pode falar!

_Ele meio que... Bateu na minha porta ontem com uma caixa de pizza contrabandeada na mão. – confessou envergonhada

Lembro-me que Kohaku tinha o cenho tão franzido que eu cheguei a pensar que nunca mais ele teria novamente aquela expressão doce e gentil de sempre.

_Você o deixou entrar?

_Não. A Kikyou podia sentir o cheiro, acordar e pedir um pedaço.

Eu juro... Às vezes Sango é simplesmente inacreditável.

_Então você saiu. – eu disse – Sozinha, na companhia de um quase completo estranho, no meio da noite... Só por que ele tinha uma pizza na mão?

_Bem quando se coloca dessa forma... – ela pareceu um pouco envergonhada – Mas ele também tinha duas latas de Coca-Cola.

Ela defendeu-se. Mas acho que isso não ajudou muito.

_E então? – Kohaku quis saber.

_Ficamos comendo pizza, e bebendo Coca-Cola, enquanto conversávamos por um tempo, depois eu voltei para o meu quarto e descobri que tinha perdido as minhas chaves. – ela finalizou.

_E ele não tentou nada com você?

Sango pegou meu suco e tragou um gole calmamente.

_Se tivesse tentado eu teria batido nele, bem naquele lugar que dói mais.

Aquela resposta pareceu fazer Kohaku relaxar.

_Bom. – ele disse – Isso é bom. Mas ainda não explica porque Miroku estava tão zangado quando entrou no quarto hoje de manhã, com as suas chaves.

Sério. O Kohaku é um amor de pessoa, mas quando ele quer... É de apavorar, Sango parece até um anjinho agora. E de repente de alguma forma ele era novamente aquele mesmo garotinho doce e meigo que eu sempre conheci, mas de algum jeito, isso foi ainda mais assustador.

Muito bem Kagome, mantenha o queixo erguido, olhos fixos a sua frente, não olhe para os lados, mantenha o equilíbrio, e não deixe esses livros caírem da sua cabeça.

E tem mais! As coisas não pararam por ai.

Tirei os livros de minha cabeça, e a girei lentamente, alongando o pescoço, enquanto massageava meu ombro esquerdo com a minha mão direita, até senti-lo um pouco mais relaxado, depois me apoiei num salto só, e puxei o outro para trás. Ah, já tinha me esquecido, de como isso é tremendamente chato.

Voltei a colocar os livros na cabeça e reiniciei meu ensaio de desfile particular.

Mas eu reconheço que até o dia seguinte, ainda estava bem intrigada com a razão de porque Inuyasha iria acreditar que eu pretendia despachar Sango.

No dia seguinte Sango não veio me acordar como sempre faz, e como eu não gosto de tomar café da manhã sozinha eu me auto convidei para ir tomar café da manhã com Inuyasha.

_Kagome me disse que você foi mais educado com ela da ultima vez que almoçaram, quero comprovar se isso realmente é verdade. – justifiquei-me.

Ele olhou-me parecendo incomodado.

_A sua irmã te dá um relatório de cada um de meus passos, é?

Ah se você soubesse...

_Basicamente. – encolhi os ombros reprimindo um sorriso. – Tire os cotovelos da mesa.

Repreendi assim que nos sentamos. Não foi de propósito sabe, saiu assim... Sem querer.

Ele girou os olhos, mas fez o que pedi (COF, COF ordenei COF COF).

_Feh. Você parece até o Sesshoumaru falando.

_É coisa de irmão mais velho, quando se tem alguém mais novo que você por perto é fácil ficar mandão. – eu sorri.

Isso não é totalmente mentira. Os irmãos mais velhos são mandões na maioria das vezes, mas eu sempre consegui dobrar Souta (e antigamente ao papai também) com meus "grandes e adoráveis" olhinhos azuis, e acho que esse "poder" de "dominar" as pessoas que acabou me deixando meio mandona.

_Você vai comer só isso mesmo? – perguntou-me olhando para o meu prato com curiosidade – Vai acabar desmaiando no treino.

_Eu vou ficar bem. – respondi.

Sem querer minha mão esbarrou num dos três ovos cozidos que havia em meu prato, e o mesmo caiu, eu ainda tentei apanhá-lo, mas foi em vão, e ele acabou rolando para baixo da mesa, naturalmente eu abaixei-me para pegá-lo.

_Caramba Inuyasha, eu acabei de matar uma aranha! – Ouvi alguém lamentar-se, sentando-se a mesa – Não foi de propósito, eu acordei e ela estava andando pelo meu nariz, aí acabei dando uma tapa nela. Sabe quanto azar dar matar uma aranha pela manhã?

Nem me fale. Girei os olhos. Uma vez eu me assustei com uma aranha e matei-a no impulso, horas depois eu levei simplesmente o maior banho de água e lama da minha vida, quando um carro passou de propósito a toda velocidade por cima de uma poça que estava bem ao meu lado, e eu sei que foi de propósito porque antes de ver a poça o motorista vinha dirigindo pelo outro lado da pista! Detalhe: eu não podia faltar aquele dia porque tinha prova. E não dava tempo de voltar pra casa e trocar de uniforme.

Mas que coisa! Por que esse ovo tinha que rolar pra tão longe?

_E tem também a Sango. – disse a pessoa, cuja voz eu reconheci como sendo de Miroku, também ouvi Inuyasha pigarrear – Eu não sei o que fazer com ela! Sabe, eu vou te contar uma coisa... – Inuyasha começou a tossir, e eu pude ouvir claramente um "Higurashi" implícito ali – Tome um pouco de água. Bem então, eu achei que ela e eu estivéssemos nos entendendo melhor, nós até saímos umas duas vezes, e segunda-feira à noite, nós dois comemos pizza e tomamos refrigerante. Foi bem legal. E realmente achei... – ele suspirou. Ouvir conversas de debaixo da mesa é considerado bisbilhotar? – Então no dia seguinte a encontrei abraçando o Higurashi e dizendo que o amava.

Então foi por isso que, segundo Kohaku, ele estava tão zangado!

_Ai! – reclamei quando bati a cabeça no tampo da mesa.

Levantei-me com o ovo cozido numa mão, e massageando a cabeça com a outra, Miroku olhou-me surpreso de olhos arregalados. E eu lhe dei um sorrisinho sínico:

_Bom dia.

Automaticamente ele virou-se para Inuyasha.

_Por que não me avisou que ele estava aqui?!

_Eu tentei! – Inuyasha protestou – O que mais você queria de mim? Um letreiro luminoso?!

Miroku afundou o rosto entre as mãos.

_Aí está minha punição por matar a aranha.

Balancei a cabeça, e levantei-me com minha bandeja.

_Acabo de ver Kohaku chegar, é melhor eu ir indo.

Nenhum dos dois me respondeu, e eu fui me sentar com Kohaku, quinze minutos depois Sango juntou-se a nós ainda com a cara inchada de sono, o despertador não havia tocado naquela manhã.

Lembram-se de que Sango disse, que Naraku provavelmente não tinha ouvido nada, e que se tivesse ouvido já devia ter esquecido? Pois adivinhem só... Ela estava certa!

Mentira! A Sango não podia estar mais errada!

Ah cara, é sério eu estou muito ferrada!

E eu não vou nem perguntar se tem como piorar, porque sempre tem como piorar, e fazer essa pergunta sempre pioram as coisas!

_Ops. – deixei escapar quando os dois livros desequilibraram-se de minha cabeça.

Eu consegui pegar um, mas o outro caiu no chão, abaixei-me equilibrando-me nos saltos e o apanhei.

Mas então onde é que eu estava? Ah sim, é mesmo, já me lembrei.

Eu estou ferrada.

Ontem por volta de umas 14h00min ou algo próximo disso, estava eu correndo a toda velocidade, porque precisava urgentemente de um livro da biblioteca para fazer um trabalho – e daí que era para entregar somente no mês que vem? – quando Naraku veio dobrando um corredor e surgiu a minha frente. Ele franziu o cenho ao ver-me correndo na sua direção, mas não saiu da frente como faria uma pessoa em seu perfeito uso de suas faculdades mentais, ao invés disso ficou parado bem ali bloqueando o caminho, mas nem por isso eu diminuí a velocidade, porque ainda poderia desviar dele com facilidade – havia aprendido alguns truques com todos esses treinos de futebol – mas então no ultimo segundo ele esticou os braços, espalmando cada mão em uma parede ao seu lado.

Eu bati direto em seu cotovelo, e cambaleei para trás ouvindo sinos ressoarem em minha cabeça, teria caído se ele não tivesse fechado a mão ao redor de meu braço direito.

_Ah... Naraku. – resmunguei meio zonza, tocando o meu nariz para ter certeza de que não estava quebrado ou sangrando – Normalmente você tem que sair da frente, quando vê alguém vindo correndo em sua direção rápido demais para conseguir parar, e não bloquear o caminho.

_Finalmente está sozinho. – ele disse.

_O que? – eu olhei-o atordoada.

_Eu ouvi você no domingo. – ele disse – Falando com a sua mãe, usando voz de garota, sobre sapatos de salto e desfiles.

Meu coração bateu na garganta.

Como eu disse a Sango não poderia ter estado mais enganada, pois Naraku havia ouvido tudo e não se esquecido de nada.

Eu podia dizer que não sabia do que ele estava falando.

_Eu...

Ou então dizer que estava treinando para uma peça de teatro, como Sango me aconselhou, mas não pude, pois o coração batendo em minha garganta, não deixou que as palavras passassem.

Eu simplesmente não herdei o dom para mentiras, dos gêmeos.

Naraku me olhava desconfiado, e eu estava ficando cada vez mais nervosa.

_Você sempre chega antes e vai embora depois de todos. Quando usa o vestiário, deixa seus "seguranças" na porta do vestiário, no começo e no final do corredor. O que você esconde afinal? Quem é você?

_Eu...

Eu deveria ter dito que sou um travestir igual como a Sango disse a Kouga no dia em que ele me descobriu, afinal Naraku não me viu praticamente sem roupas, seria mais fácil para ele acreditar.

_Eu sou um...

Não sei mentir. Eu precisava desesperadamente de ajuda.

E como que respondendo as minhas preces, Kouga surgiu vindo pelo mesmo corredor que Naraku tinha vindo, carregando dois livros debaixo do braço, e tendo um terceiro aberto diante os seus olhos.

Estava distraído com sua leitura.

_Ah Kouga! – eu exclamei. De algum jeito me livrando da mão de Naraku – Eu estava mesmo procurando você!

_Hã... O que? – ele ergueu os olhos de seu livro – Estava?

_Sim estava!

Desviei-me de Naraku, antes que ele pudesse pegar-me novamente, e investi contra Kouga, empurrando-o de volta pelo caminho de onde viera.

_Espera, eu estava indo...!

_É eu sei, também estou indo nessa direção!

Empurrei-o com um pouco mais de pressa, e entrei com ele numa sala que, por sorte, estava vazia, apoiei-me na porta com um suspiro aliviado.

_Muito bem. – Kouga deixou seus livros numa cadeira ali próxima – Pode me dizer o que exatamente está havendo aqui?

_Naraku. – eu respondi, olhando cautelosamente pela janelinha de vidro na porta, com medo de que ele tivesse nos seguido.

_Hã? Ah é, vocês estavam conversando, mas por que...?

_Não estávamos conversando. – eu virei-me rapidamente – Naraku ouviu-me falando com voz de menina, e agora estava interrogando-me sobre isso!

_O que? – Kouga espantou-se. – Quando você...?

_Foi domingo. – respondi – Estava falando com minha mãe no telefone, e ela tem a habilidade de me tirar do sério.

_É... Normalmente as mães tem esse dom. – Kouga sentou-se em uma cadeira ao lado da que ele botou os seus livros. – O que pensa fazer agora?

Voltei a espiar através da janelinha de vidro.

_Eu não sei.

_Ele já foi. – disse-me Kouga.

_Como você sabe? – olhei-o cheia de desconfiança.

Kouga tocou levemente a ponta do nariz.

_Um youkai sabe quando outro youkai, ou meio-youkai neste caso, está por perto.

Descrente eu cerrei os olhos.

_Os lobos são aqueles cujo olfato é o menos apurado na família dos caninos.

_Pode ser. Mas também somos aqueles com melhor audição e visão noturna. E, de qualquer forma, qualquer um de meus sentidos continua sendo mais apurado que os seus.

_Touché. – sentei-me numa cadeira próxima da porta – De qualquer forma, vamos ficar aqui por mais algum tempo, só por segurança.

_Vamos? No plural?

_Eu... Não quero ser pega sozinha de novo. – corei.

_Tudo bem então. – Kouga apoiou os pés numa cadeira e pegou um de seus livros – Só achei que não iria querer ficar sozinha comigo, depois de eu a ter beijado aquele dia.

Oh. Certo admito que na hora tenha me esquecido disso.

Mas agora que ele tinha feito o favor de me relembrar, eu estava perigosamente a ponto de sair correndo e... Acabar encontrando Naraku novamente. Ah, que me aconteceria se ele estivesse em algum lugar lá fora a minha espera? Mas eu também não queria ficar ali sozinha com Kouga.

Tentando me distrair, eu decidi tocar num assunto sobre o qual vinha me perguntando há algum tempo.

_Kouga. – chamei.

_O que? – ele olhou-me por cima de seu livro.

_Sobre aquelas... Coisas que comprou para mim sabe... A peruca, e todas as roupas e sapatos...

_Algum problema? – ele ajeitou-se em seu lugar – Não gostou de alguma coisa? Ou precisa de mais? Eu sabia que deveria ter comprado mais de cinco pares de sapatos! As garotas adoram sapatos!

_Não é isso. – falei – Eu só queria saber... De onde você tirou o dinheiro para comprar tudo aquilo?

_Do banco. – respondeu-me com simplicidade.

Ah meu Buda, eu estava certa o tempo inteiro!

Ele realmente assaltou um banco! Rápido eu tenho que denunciá-lo a policia... Não, eu não posso, porque todo o dinheiro que ele roubou foi para comprar coisas para mim, de forma que se o pegarem vão me prender junto como cúmplice, mas se eu não o denunciar serei cumplice de qualquer forma.

AAAAH! Não sei o que fazer!

_Eu saquei uma pequena parte do dinheiro que meus pais depositam mensalmente na minha conta, para as despesas.

Pisquei ao ouvi-lo dizer isso.

_Hã? – então ele apenas sacou dinheiro da conta dele, ele não roubou nem nada do tipo... Mas espera! – Você disse que pegou só uma pequena parte?!

Kouga confirmou. Aquelas coisas não foram nada baratas, tenho certeza, só a peruca de cabelos naturais deve ter custado uma fortuna. Eu engoli em seco.

_Kouga... Quanto dinheiro mais ou menos, tem a sua família?

_Não sei... – ele passou as mãos pelos cabelos distraidamente – Algo entre a fortuna do Tio Patinhas e a do Riquinho Rico.

Juro que se eu já não estivesse sentada, teria simplesmente caído.

_Se você tem assim tanto dinheiro... – comecei calmamente – POR QUE É UM BOLSISTA?!

_Ai! – Kouga tampou os ouvidos – Que é? Se uma garota pode vestir-se de menino e vir à faculdade no lugar do irmão, porque um menino rico não pode ter uma bolsa de estudos?

Admito. Nessa, ele me pegou.

Eu tenho uma mente muito fértil – e paranoica eu admito – mas nunca, nunquinha mesmo, cheguei a imaginar que Kouga fosse rico, nem algo parecido com isso.

Só de graça eu levantei os braços, deixando-os perfeitamente reto com a linha de meus ombros e inclinei-me para frente à perna direita para trás deixando-a num ângulo de exatamente 45° em relação à esquerda.

Há eu sou boa nisso! Aposto que poderia fazer isso até em cima de um...

_O que você está fazendo?

_O que?!

No susto virei à cabeça de repente derrubando os livros no chão, e acabei me desequilibrando e me estatelando no chão também.

_Ah... Taisho! – eu coloquei-me de joelhos e comecei a juntar os livros – Eu não ouvi você chegando.

Inuyasha inclinou a cabeça de lado e franziu o cenho.

_O que você estava fazendo?

_Eu? – ah droga, o que é que eu estava fazendo?! – Eu estava estudando! Só isso!

_Com os livros na cabeça?

A cor vermelha se espalhou rapidamente por meu rosto.

_Ah eu... Isso ajuda na concentração você não sabia? Você lê um trecho do que você precisa estudar, e então coloca o livro na sua cabeça e tenta equilibrá-lo enquanto pensa no que você acabou de ler. É ótimo!

Óbvio que eu não estava estudando coisa alguma. Eu estava apenas treinando o meu andar de salto, assim como minha mãe me pediu (mandou).

_Você é meio louquinho Higurashi, já comentei isso alguma vez?

Eu dei um sorriso amarelo.

_Bem... Eu...

Inuyasha esticou o pescoço para o lado, e fez uma cara do tipo "que diabo é isso?".

_E os saltos altos?

Ah. Meu. Buda.

_Ah... Isso...!

Eu joguei as pernas para frente e chutei os sapatos negros com estampa de oncinha e saltos de 12 cm para longe o mais rápido possível, mas atrapalhei-me e caí de costas no chão, ergui-me sobre um dos cotovelos enquanto ainda segurava os livros com o outro braço, e sorri constrangida.

_Ajudam também. – menti descaradamente – Aumentam mais a dificuldade de manter o equilíbrio, e por tanto aumentam a concentração. Já tentou ficar em cima de uma dessas coisas?

_Não.

Ele esta me olhando estranho. Isso está ficando desconfortável...

De repente Sango abriu a porta com força entrou correndo no quarto e trancou-se no banheiro, desviando a atenção de Inuyasha – graças a Buda! – de mim.

Ele voltou a me olhar.

_O que foi isso?

_Sei lá. – eu levantei-me olhando para a porta trancada do banheiro e ouvindo o suspiro de alivio que Sango emitiu – Eu a conheço há muito tempo, mas juro que ela ainda é um enigma para mim às vezes.

Inuyasha coçou a cabeça e ficou olhando a porta trancada do banheiro, sem sequer me notar catando meus saltos no quarto e os atirando sem qualquer cuidado para debaixo da cama.

Eu já estava acabando de calçar os tênis novamente quando Sango abriu a porta do banheiro com uma expressão de profundo alivio.

_Higurashi, vem comigo. – ela chamou – Preciso da sua ajuda.

_O que? – eu terminei de amarrar o meu cadarço – Tá bem, mas não vamos demorar né? Daqui a pouco tenho treino, e o treinador jurou matar qualquer um que falte hoje e enterrar o corpo no gramado do campo, porque segunda-feira terá um jogo e...

_Para de tagarelar e anda logo! – Sango agarrou-me pelo braço e me arrastou.

Sango, a delicadeza encarnada.

Enquanto eu era arrastada decidi iniciar um pequeno diálogo. Sabe só pra... Tá bem, eu estava mesmo procurando uma oportunidade para alfinetar ela.

Ei eu não sou má! Só convivi com Souta durante todos os anos de minha vida, um irmão que acredita piamente que um dos deveres básicos do irmão mais velho, é alfinetar, cutucar e irritar a irmã mais nova até o limite!

_Sango... – chamei – Você saiu com Miroku depois daquele dia que foram ao parque?

Sango tropeçou no nada, mas eu a segurei par impedi-la de cair.

_O que?

_Quarta-feira, antes de ele me ver, ele comentou com Inuyasha que saiu com você duas vezes, fora a vez que vocês saíram de madrugada para comer pizzas ilegais.

_Ah... Bem... – ela pigarreou – Só no dia que você saiu para jogar sinuca com o Inuyasha.

Ela virou-se e começou a caminhar num passo rápido e meio ligeiro, mas eu não tive problemas em acompanha-la. Sabe que eu tenho notado que nesses últimos dias a minha resistência física tem aumentado? Com certeza é o futebol.

_E então?

_Bem... Depois que a Kikyou te expulsou do nosso quarto, eu fui atrás para te acalmar, não queria que você ficasse pensando que ela iria chamar a policia ou qualquer coisa assim.

Senti meu rosto pinicando.

_Isso nem sequer passou pela minha cabeça.

_Passou sim, eu te conheço.

É. Pior que ela conhece mesmo.

_Mas voltando a você e Miroku. O que houve depois que saiu para me procurar?

_Bem, eu encontrei Miroku, e ele me disse que estava indo ao hipódromo, tinha combinado de ir junto com o Inuyasha, mas quando passou no quarto dele, você disse que ele não estava.

_É verdade... Ele passou mesmo por lá. – Concordei pensativa.

_Então ele perguntou se eu não queria ir com ele... E eu fui.

Olhei-a surpresa.

_Sango! – repreendi – Você não deve ir a esses lugares! Estes jogos de azar viciam você em suas apostas, eles podem...!

_Viu só foi por isso que eu não te contei. – Sango girou os olhos – Mas relaxa Kagome, eu não fiz nenhuma aposta, só um pequeno... Investimento.

Desconfiada cerrei os olhos para ela.

_Investimento, você diz? Mas que tipo de investimento?

As bochechas de Sango começaram a ficar rosadas. Aí tem...

_Miroku perguntou-me... – ela limpou a garganta, as bochechas um pouco mais rosadas – Se eu o deixaria me beijar, caso ele ganhasse e me desse metade da bolada...

Olhei-a surpresa.

_E você o beijou?!

Ela encolheu os ombros.

_Não. O cavalo em quem ele apostou chegou em sétimo lugar.

Não sei o que está havendo com Sango, uma vez quando ela estava no ultimo ano do fundamental, teve uma festinha lá na escola, e nessa escola fizeram um bingo, o ganhador levava uma bicicleta novinha, e um garoto se aproximou de Sango e perguntou-lhe como ela agradeceria a ele, se ele ganhasse a bicicleta e a desse para ela, e a resposta de Sango foi um belo de um murro no meio da cara do rapaz que deixou ele de nariz quebrado, isso antes de uma torrente de palavras nada bonitas que deixaram meus ouvidos quentes, algo sobre fazê-lo engolir a campainha da bicicleta e enfiar o resto em um lugar onde o sol não bate.

Sorte que Kohaku não estava por perto na hora, porque tinha ido ao banheiro, já Souta riu tanto que saiu ponche pelo seu nariz, enquanto ele continha a Sango, e outros dois garotos ajudavam o primeiro a se levantar.

Ele foi embora chamando ela de maluca, e sabe o mais engraçado? É que ele ganhou a bicicleta.

_Pode tentar negar, mas você gosta dele. – falei, essa é a única explicação plausível – Do contrário teria acertado um murro na cara dele.

Fechei a mão em torno da maçaneta da porta do quarto dela e tentei girá-la, mas estava trancada, olhei para Sango de sobrancelha arqueada.

_Você poderia...?

_Não. Kikyou colocou algo do outro lado da porta, para barrar-me.

_Por quê?

_Ela é doida.

_Bem... E o que você quer que eu faça? Não posso arrombar a porta, iria acabar deslocando o ombro.

_Não é isso... – Sango tocou a nuca e desviou o olhar – Kikyou gosta de você. Eu só estava pensando... Sei lá? Você não poderia usar seu charme com ela para fazê-la abrir a porta ou qualquer coisa assim?

Ruborizei.

_Nem pensar!

_Ah vamos lá Kagome, eu já te vi fazendo isso antes! – ela implorou de olhinhos brilhantes.

Ela pegou meus braços e virou-me de costas para ela e de frente para a porta, eu voltei a ruborizar, soltei-me dela e virei-me novamente.

_Sango, eu nunca...!

_Já sim. – ela cortou-me – Ano passado você comprou um par de patins com kit de segurança completo para você, só com o dinheiro do lanche que economizou, porque Hojo ficou o ano inteiro pagando o seu lanche.

O.K. Eu sou culpada. Fui criada por uma mulher que estava sempre a dizer que eu nasci com uma beleza incomum e era minha obrigação usá-la a meu favor, é claro que ela estava falando de minha carreira como modelo, mas e daí? Processem-me se quiserem!

E também, Hojo nunca me deu medo da mesma forma que a Kikyou, e nunca demonstrou nenhuma segunda intenção comigo, mas talvez ele só estivesse com medo de Souta e Kohaku, porque as meninas sempre diziam que ele tinha uma quedinha por mim.

_E no ano retrasado você conseguiu escravizar todos os meninos da sua sala, e alguns da sala ao lado também, para arrumar a sua sala para a feira cultural, para que eles arrumassem tudo enquanto você ficava sentada olhando.

Hã... Não foi bem escravidão. Eu só pedi uns favorzinhos e eles disseram que sim, nesse dia Souta comentou algo sobre meus olhos serem mais letais que um par de pistolas ou algo assim.

Mas mesmo assim...

_Não vou fazer isso! E além do mais, por que ela me deixaria entrar se surta sempre que você me traz aqui?

_Mas isso é outra história. – Sango girou os olhos – É que ela tem ciúmes.

Balancei a cabeça vigorosamente

_Não! Não e não!

Ela voltou a virar-me para a porta.

_A não ser que me queira novamente em sua cama...

_Kikyou! – chamei batendo na porta. O que? Sango é bem convincente – Oi? Sou eu o Souta. Quer abrir a porta, por favor? E não chamar a policia. – completei mentalmente.

_Souta? – ouvi-a do outro lado da porta – O que você faz aqui?

_Eu... Bem... – olhei para Sango e perguntei sussurrando: – O que eu estou fazendo aqui?

Sango limitou-se a balançar as mãos como se dissesse: Vá em frente se vira!

_Não importa. – Kikyou gritou lá de dentro. – Vai embora agora!

Virei-me com um sorriso amarelo.

_Bem Sango, você ouviu a moça!

Mas Sango agarrou-me pela blusa e aproximou-me até nossos narizes se tocarem e crispou os olhos.

_Vai me ajudar a entrar em meu quarto Higurashi. Agora!

_Tá certo. – engoli em seco – Me mostre a janela.

Sango soltou-me e piscou.

_Isso nunca vai dar certo! – disse-me minutos depois, enquanto nos arrastávamos para baixo da janela dela.

Era fácil de reconhecer qual era a dela: porque ela era a única com uma cortina rosa bebê de um lado, e outra negra que nem carvão do outro lado.

_Acha que eu já não tentei isso? Ela fechou os trincos também, gênio!

Balancei a cabeça e analisei bem a janela. É, até pode ser... Sentei-me debaixo da janela escorada a parede, e comecei a apalpar nos bolsos da calça.

_Relaxa. Eu sei o que fazer.

Finalmente achei o que procurava e puxei uma caixinha de fio dental do bolso.

_Você acha de tudo e mais um pouco nas calças de Kohaku. Imagino o trabalho da sua mãe para esvaziar todos os bolsos antes de lavar.

Puxei a mão dela e peguei emprestado o anel prata com o símbolo do signo de gêmeos gravado, que ela usava no dedo indicador.

_Kohaku lava as próprias roupas. – ela olhou-me curiosa enquanto eu amarrava seu anel na ponta do fio dental.

_Certo... Fique de quatro, por favor.

_O que? – ela me olhou surpresa.

Apontei para cima.

_Preciso alcançar o balancinho.

Ela fez careta, mas fez o que eu pedi.

_Desculpa. – murmurei logo antes de por o pé em suas costas e subi nela.

Sango cuspiu um palavrão assim que eu subi, mas não se moveu do lugar e nem me derrubou, agradeci mentalmente por isso e empurrei suavemente o balancinho para abri-lo, depois deslizei meus dedos magro por ali e apalpei o lado de dentro à procura dos trincos, encontrei-os e os empurrei para baixo com um delicado sorriso nos lábios.

Tentei empurrar a janela, mas tal como previra, ela também havia fechado os trincos de baixo, passei o anel de Sango amarrado no fio dental para dentro do quarto e comecei a dar-lhe mais corda, e mais e mais, até sentir que anel havia batido no parapeito da janela, então o puxei um pouco e fiquei pescando o trinco.

_Dá pra acelerar um pouco? – Sango arfou abaixo de mim.

_Fale baixo, ela vai nos escutar. – sussurrei. – Tenha paciência, esse é um trabalho delicado... Consegui!

O anel prendeu-se no trinco e eu puxei-o, destrancando-o com um pequeno estalo metálico, depois de achar o primeiro, o segundo foi fácil, eu destranquei-o e pulei de cima das costas de Sango, que suspirou aliviada e sentou-se.

_Vou ver qual o problema dela. Depois você entra.

_Vá em frente. – disse cansada.

Eu abri a janela vagarosamente e espiei lá dentro, Kikyou não estava à vista em parte alguma. Será que ela saiu pela porta enquanto a Sango se matava aqui para que eu abrisse a janela?

Não, a penteadeira dela está na frente da porta, não tem como ela ter saído sem movê-la de lá, e, além disso, eu podia ouvir a sua voz murmurando coisas sem sentindo em algum lugar.

_Kikyou? – chamei pulando cuidadosamente para dentro. – Kikyou?

A voz de Kikyou calou-se, e então, alguns segundos depois:

_Souta?

_Sou eu. – fui me encaminhando para a porta do banheiro – Você está bem?

_Por que sua voz parece tão próxima? – ela pareceu nervosa.

_Eu entrei. – respondi pegando a maçaneta e a girando. – Está tudo b...? Ah!

Gritei quando um vidro de shampoo passou voando por cima da minha cabeça.

_Não olha pra mim! – Kikyou gritou virando-se rapidamente e cobrindo o rosto – Como você entrou aqui?!

_Eu tenho meus truques... Nos bolsos. – respondi entrando no banheiro como se pisasse em um campo minado.

_Não seria nas mangas? – perguntou.

_Minhas mangas não são tão compridas, e eu tenho muitos bolsos.

Peguei-a pelo ombro e a fiz virar-se para mim, que deu um pequeno gritinho e comprimiu ainda mais as mãos no rosto.

_Ei por que está escondendo a cara?

Perguntei tirando suas mãos de lá.

_Não! – ela gritou.

Mas era tarde demais, seu rosto já estava exposto, e bem ali alojada em sua alva bochecha direita, uma espinha grande e vermelha piscou para mim. Os olhos de Kikyou encheram-se de lágrimas, quando ela percebeu que eu estava encarando a sua espinha.

_Pare de me olhar! Você nunca devia ter me visto assim! Ah que vergonha!

E deu-me as costas novamente.

_Uma espinha? – eu disse – Por isso não deixa Sango entrar?

_Também não quero que ela me veja assim! – Kikyou bateu o pé no chão.

Suspirei. E eu não quero que ela volte a dormir na minha cama, tudo bem que eu amo a Sango e tudo mais, mas dividir a cama já é demais. Por isso... Teremos de dar um jeitinho nisso.

_Vem. – chamei pegando-a pelo pulso – Eu vou dar um jeito nisso pra você.

_O que vai fazer? – perguntou quando a fiz sentar-se em sua cama – Vai... Espremê-la? Isso deixa marca.

_Não vou espremer. Isso poderia te dar alguma inflamação ou infecção. Onde está sua maquiagem?

Ela fungou e apontou para a sua penteadeira na frente da porta, eu fui até lá e achei numa das gavetas uma bolsinha azul escura cheia de maquiagem, vendo pelo espelho o reflexo de Sango, com a cabeça deitada sob os braços cruzados na janela, girando os olhos.

Eu quase posso ler os pensamentos dela: tanto escândalo por uma espinha?

_De quantos batons uma mulher precisa?

Girei os olhos, imitando o que Souta sempre dizia quando era obrigado a ficar esperando aquelas equipes acabarem de me arrumar para alguma seção de fotos. E ajoelhei-me em frente à Kikyou.

_Vire um pouco o rosto, me deixe ver melhor a sua bochecha.

Eu pedi, e ela relutantemente me obedeceu.

Na verdade, não é nada de mais um corretivo do mesmo tom da pele, um pouco de pó compacto e base... E pronto! A espinha sumiu!

_Aqui. – falei colocando um pequeno espelho em suas mãos, minutos depois – Veja como ficou.

Kikyou pegou o espelho e analisou seu rosto como se fosse a primeira vez que o visse na vida, tocando cuidadosamente a região ao redor da espinha e piscando surpresa.

_Mas isso é... Como fez isso? Ela sumiu!

_Não exatamente. – levantei-me – Só está camuflada, assim pelo menos você pode sair do quarto e ir até a farmácia comprar um secante de espinhas.

_Oh sim. É claro... – ela cerrou os olhos desconfiadamente – Mas como você sabe fazer uma coisa dessas?

Recuei.

Oh-oh. Supõe-se que eu seja um garoto, e garotos não sabem mexer com maquiagem, não é?

_Bem... Eu fui criado entre mulheres! – respondi – Depois que meu pai morreu, minha mãe passou a arrastar-me junto com ela para os trabalhos de minha irmã, e eu tinha que ficar horas entediado vendo aquele bando de pavões maquiando e penteando a minha irmãzinha... Acho que peguei o jeito.

Isso é só meia mentira. Depois que meu pai morreu, eu estive seis meses sem fazer qualquer trabalho, e então quando eles recomeçaram, mamãe passou a arrastar Souta junto conosco, ele ficava lá no canto reclamando, mas não creio que tenha aprendido qualquer coisa, e depois quando nos mudamos para o templo e mamãe passou a deixa-lo com vovô... Ele passou a implorar para vir conosco.

_Um secante para espinhas! – Kikyou levantou-se num pulo – Preciso comprar um secante para espinhas!

Ela pegou a bolsa dela, empurrou a penteadeira abriu a porta e foi embora correndo, ao mesmo tempo em que Sango entrava no quarto saltando a janela.

_Achei que ela nunca fosse embora!

_Não a julgue assim. – falei sentando-me na cama de Sango – Ou já se esqueceu de que você também já teve um chilique parecido, também por causa de uma espinha? Já se esqueceu daquela na ponta de seu nariz?

Sango ruborizou sentando-se ao meu lado.

_Mas aquilo foi diferente! Por mais que eu não quisesse ter uma festa de quinze anos, eu também não queria depois ter que olha para as minhas fotos e ver aquela espinha horrorosa pelo resto da minha vida! – Eu dei uma risadinha. – Não ria!

_Tudo bem. – eu sorri – Mas sabe, você e Kohaku ficaram lindos dançando a valsa juntos. Ele foi um príncipe perfeito.

Toda cheia de orgulho pelo irmão gêmeo Sango estufou o peito:

_Obvio que sim! Por isso eu o escolhi!

_Sei... – olhei-a descrente. – E o fato de que ele gentilmente ameaçou cortar as mãos de qualquer um que a tocassem não tiveram nada haver com essa escolha, certo?

Eu estava lá naquele dia, Sango e eu estávamos no quarto que ela dividia com o irmão, sentadas no chão vendo revistas com vestidos para bailes, com ela fazendo caretas a cada página que virava.

_Todos vão me deixar parecendo um bolo de quinze anos. – ela reclamava – Não quero festa alguma! Por que ninguém me escuta?

_É melhor não escolher um de saia muito cheia, pode se atrapalhar na hora de dançar com seu príncipe.

_Príncipe?

_É mana. – Kohaku nos olhou lá de cima de sua cama, Sango e ele dormiam em um beliche, a cama dele era a de cima – Na festa de quinze anos, a aniversariante deve dançar a primeira valsa com o pai, e depois com o seu príncipe, representando a passagem dela da fase de criança para a fase adulta.

Sango ergueu a cabeça.

_Você está passando tempo demais com Kagome. – e olhou-me – E mais isso agora? Também tenho de escolher um príncipe?!

_Do que está falando mana? – Kohaku perguntou descendo as escadas – Você não vai precisar escolher príncipe algum.

_Mas você disse...

_Eu vou ser seu príncipe mana. – ele a beijou no topo da cabeça e depois fez o mesmo comigo – Do contrário cortaria as mãos de qualquer um que ousasse tocá-la.

E ele falou aquilo com um sorriso tão ingênuo e fofo, que eu até fiquei em duvida, se ele sabia ou não o significado do que estava dizendo.

Pensando bem, acho que os gêmeos são mais parecidos do que eu imaginava, só que Kohaku, ao contrário de Sango, usa mais o seu lado tímido e meigo do que o seu lado obscuro e assustador.

_Sabe Sango, as aniversariantes que completam15 anos eram chamadas "debutantes" que vem da palavra francesa debutante, que significa iniciante ou estreante, pois era nesse baile que a donzela era apresentada oficialmente a sociedade... Na verdade, era mais usado para que ela pudesse arranjar um marido.

Sango deitou-se em sua cama, com os braços cruzados atrás da cabeça. Eu imitei-a, deitando na posição inversa a dela: com a cabeça ao lado de seus pés, e os pés ao lado de sua cabeça.

_Kagome, como é que você sabe tantas curiosidades que ninguém quer saber?

(N/A: mesma pergunta que meu irmão está sempre me fazendo).

Encolhi os ombros.

_A minha teoria é que meu cérebro e como uma esponja, que absorve aleatoriamente coisas que leio, escuto ou vejo por aí.

Sango apoiou-se nos cotovelos e olhou-me de sobrancelha arqueada:

_Tipo como arrombar janelas?

_Cortesia do Souta. – respondi.

_Souta? – ela sentou-se.

_É. – dobrei a perna e apoiei o calcanhar sob o joelho com os olhos fixos no teto, e os braços cruzados atrás da cabeça – Desde os quinze anos, até o ano passado, ele esteve saindo algumas noites escondido de mamãe, e quando voltava ele entrava pela minha janela, que era a única com uma árvore do lado, às vezes eu trancava a janela, só pra deixar ele encrencado, mas ele sempre entrava então uma noite fiquei acordada para ver como ele fazia... Depois foi fácil. Só tive que treinar um pouco.

Sango franziu o cenho para mim.

_Sem querer ofender Kagome, mas acho que seu irmão exercia uma má influencia sobre você.

Estiquei as pernas e levantei-me na mesma hora.

_Não diga isso! Os conhecimentos de Souta lhe foram úteis agora a pouco não foram?! – saí em defesa de meu irmão. – E além do mais, você sabe como são os meninos!

Sango encolheu os ombros.

_Kohaku nunca saiu escondido de casa.

Pisquei.

_Nunca?

_Ele não precisava, nossos pais confiavam nele, ele podia chegar tarde desde que ligasse avisando antes.

_Nossa. – assoviei. – E você também tinha essa mesma liberdade?

Sango ruborizou e pegou para abraçar o macaquinho azul que Miroku lhe deu.

_Só se eu estivesse junto com Kohaku, sozinha até no máximo 23h.

Dei uma risadinha.

_Sango, você é a ovelha negra da sua família.

Sango corou mais um pouco, e então, eu percebi uma coisa: a cama dela está arrumada.

Sango nunca teve o hábito de arrumar a cama, antes da faculdade, as únicas vezes em que a cama dela esteve arrumada foram quando Kohaku as arrumou, e eu duvido que ele tenha vindo por vontade própria ao dormitório feminino, e Kikyou a está altura do campeonato já deve ter entendido que não é bom pra saúde mexer nas coisas de Sango.

_Você arrumou a sua cama! – conclui com assombro – E tem um bichinho de pelúcia nela! Você odeia bichinhos de pelúcia!

_Eu não...!

Meus olhos pararam em seu criado mudo, com a foto emoldurada dela e Miroku no carrossel, Sango seguiu meu olhar, e então rapidamente voltou a encarar-me de olhos arregalados.

_Você não tem treino de futebol agora? – perguntou-me antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

_Ah, é mesmo. – eu pisquei e levantei-me.

_Então vamos logo! Você não quer se atrasar, quer?

Ela colocou o macaco de volta ao seu lugar, levantou-se de um pulo, e saiu empurrando-me quarto a fora, como se tivesse pressa para que eu saísse logo de seu quarto... E parasse de fazer perguntas.

*.*.*.*

Pronto desde 09/04/13, eu e essa minha mania de anotar tudo!

Enquanto escrevia esse capitulo eu, inevitavelmente comecei a chorar, pois quando Kagome comentou sobre a festa de quinze anos de Sango, eu lembrei-me de que me recusei a ter a minha, preferi ter um quarto próprio, não queria mais dividir o único quarto da casa com meu irmão e minha mãe.

Minha avó que seria quem bancaria a festa de 15 anos concordou, ela me daria o meu quarto ao invés de minha festa, o que foi ótimo na hora, afinal eu provavelmente sequer dançaria a valsa dos quinze anos, pois ficaria envergonhada de pedir a alguém que fosse meu príncipe, e meu pai (se ele aparecesse), provavelmente não dançaria, pois têm os nervos do pé esquerdo todos mortos.

Mas meu aniversário veio e passou. Hoje já tenho 16 anos, e minha avó construiu no espaço que seria o meu quarto um mini apartamento, e o deu para a sua sobrinha, eu continuo dormindo na cama debaixo do beliche, com meu irmão na cama de cima, e minha mãe na cama de solteiro ao lado.

E hoje fico olhando minhas amigas, trocando histórias de suas festas de 15 anos e mostrando suas fotos umas as outras... Com muitas lágrimas nos olhos, e nenhuma história para contar.

AGORA MUITA ATENÇÃO!

Vamos continuar com nosso joguinho? Vamos lá continuem mandando suas perguntas! Sejam criativas, enviem quantas perguntas quiserem, para quantos personagens quiserem.

Surpreendam-me!

Respostas as review's:

patyzinha: KKKK Sango em encontros secretos com o Miroku, no que isso vai dar?

Não, eu já passei por várias experiências de ver fic's legais sendo abandonadas e não passarei isso adiante, então pode ficar tranquila. ^^

ThaliCarvalho: Ah veja bem... A Kagome é uma menina meio surtada, não foi de propósito, ela só entra em pânico facilmente.

Bem agora já sabemos, não é? :D

Bem... É, está, mas quanto tempo será que vai levar pra ela se dar conta disso?

Esperando ansiosamente as suas perguntas! *_*

nane-chan: Não. Não, ela tinha muitas ideias, mas perdeu a vontade de escrever, e parou porque a mãe dela disse que aquelas estorinhas não a levariam a lugar algum. U.U

E mais eu acabei me esquecendo de botar o conto daquela menina "Cachinhos de ouro" e da "A bela e a fera", apesar de suas versões originais não serem tão diferentes...

Agome chan: KKKK verdade. Sabe eu estou pensando em parar de sacanear com a Kagome, tipo assim a Sango cortou os cabelos dela, não muito tempo depois meus cabelos que chegavam aos quadris foram cortados na altura dos ombros. A Sango invadiu a cama dela, e no dia seguinte ao que eu postei isso, meu irmão invadiu a minha... Eu deveria parar de sacanear com ela... Nããããão! :D

joh chan: Pois é a Sango só apronta! KKK

Sabe que eu adoro colocar essas pequenas curiosidades da Kagome? É divertido! ^^

Verdade... Ah e eu me esqueci de colocar a da Pequena Sereia, prefiro bem mais a versão original! U.U

Mais baixos do que altos, mas é... Obrigada pelo apoio.

Yogoto: Ah sim eu também, mas ainda não consegui criar nada.

Ah eu também não consigo, especialmente desta que é minha favorita. ^^

DafnyMalik: O dom para a comédia? KKKK Isso soa irônico, considerando-se a pessoa melancólica e ranzinza que eu sou! É sabe tipo quando tá num lugar alto e ai tu diz "não olha pra baixo" e o que a pessoa faz? Olha pra baixo na hora! Ah o que? Essa curiosidade aí eu não conheço! Agora fiquei curiosa! Por que abril não é o primeiro mês do ano? Y.Y

KKK É talvez.

P.S: liga não que eu também sou uma pessoa confusa, então eu entendo... Mas eu prefiro a versão original da Pequena Sereia eu até tinha um livro dele.

Meel Jacques: Vejo que é nova por aqui. Então seja bem vinda e espero que esteja gostando! ^^

Brbara Souza: Ela é o cara, é sem dúvida algo que eu não conseguiria abandonar, mesmo que eu quisesse.

Eu me divirto escrevendo, mas francamente... O que me faz bem mesmo é ler as review's! ^^