N/A: Aí está! Antes do que eu havia prometido. Bom, talvez tenha ficado menor do que eu imaginava, maaaassss... É só que eu não quis misturar os assuntos!

Então... Também escrevi este ouvindo música (ai nãããoooo!). Elas não são citadas no texto como da outra vez, pq somente me inspiraram, mas os personagens não as estavam ouvindo, ok?

Escolhi três delas para a trilha sonora, são elas:

Coldplay - In my place

Skank - Dois rios

Ronan Keating - Iris

Coloquei os links no meu perfil. Escolham uma ou leiam ouvindo todas(não necessariamente na ordem acima)!... E divirtam-se!


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25. DOCE PRELÚDIO

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Passamos pela primeira e enorme galeria onde até pouco mais de uma hora nos divertimos na pista de gelo, e seguimos pelo túnel da gruta, de onde Alice e Bella saíram.

O perfume das flores nos guiava pelos corredores cobertos de gelo.

– Esse lugar é incrível! – exclamou Lucca. Eu olhei para ele e sorri.

Continuávamos caminhando. Não havia pressa... Só quietude e paz. Estávamos de mãos dadas como namorados. Lucca olhava tudo encantado. A escuridão da gruta não era problema para nenhum de nós, era impressionante a melhora nos sentidos e na força dele.

– Tem muito tempo que não venho aqui... – respondi, finalmente.

– Como nunca descobriram este lugar?

– Eu não sei... É inexplorado. O que para nós é ótimo! – ele sorriu e completou:

– Principalmente hoje... – rimos juntos.

Da primeira galeria, onde ficava a pista do trenó, até a galeria central, onde Alice e Bella prepararam a surpresa para o nosso encontro, havia corredores que formavam um labirinto de gelo. Então, nós seguimos pelo caminho que exalava o perfume de flores.

Elas deixaram algumas pétalas furtivamente espalhadas pelo chão rochoso e escorregadio para nos guiar pelo labirinto, embora isso não fosse necessário.

Lucca ficou calado subitamente e um pouco preocupado, então perguntei:

– O que foi?

– Nada... É que... – ele hesitou.

– Pode me perguntar o que quiser. – eu o instiguei.

– Eu estava aqui pensando... Você me disse que sua segunda vida já dura dez séculos...

– Sim... E...

– E que você e suas irmãs sempre tiveram um estilo de vida livre. – começou ele, lentamente, como se escolhesse cada palavra. – Sempre gostaram de se divertir e que...

– Já estivemos com muitos machos? – completei, mas foi mais uma pergunta.

– É... Isso... – disse ele de cabeça baixa.

Fiz uma pausa tentando entendê-lo.

– Eu tão somente buscava prazer... – falei, por fim, baixo, como quem justifica. – Nunca houve o amor que sinto por você, Lucca. Aprendemos assim com Sasha. É claro que gostávamos... Não criamos um mito à toa. Mas essa noite é o início de um novo ciclo pra mim... – então parei e virei para encarar seus olhos negros, antes de completar. – Você me modificou para sempre...

– Não estou te julgando meu amor... – disse ele um pouco alarmado, e continuou envolvendo minha cintura suavemente – Não me importa o passado. Não era nisso que eu queria chegar... Eu só temo não ser capaz de atender...

– Shhh... – levei a ponta dos meus dedos rapidamente até seus lábios para calá-lo. – Não se preocupe com isso. Você não disse que o passado não importa? – ele balançou a cabeça de leve, ainda inseguro; eu continuei. – Não há expectativas, Lucca. Não alimente inseguranças. Viva o presente comigo e haveremos de construir juntos algum futuro.

Lucca apenas assentiu e sorriu um sorriso de quem agradece silenciosamente.

Continuamos andando na trilha das flores. O cheiro aumentava, ficava mais forte, na medida em que avançávamos, e começamos a ouvir um som. Uma melodia incomum.

Era como se um quarteto clássico de cordas estivesse tocando em algum lugar neste labirinto de gelo. Ao mesmo tempo em que parecia impossível que músicos humanos fossem capazes de produzir aqueles sons tão doces e guturais.

Mas afinal... O que Alice fez ali?

A expectativa nos fez apressar um pouco o passo. O cheiro das flores se intensificava e a música ficava mais alta, mais próxima.

Até que adentramos a galeria principal, enfim.

Alice não me decepcionou. Era o cenário perfeito para o nosso encontro.

Descobrimos de onde vinha o som. Como não podia contar com energia elétrica aqui, a baixinha foi muito criativa.

Acontece que a galeria tinha o formato de cúpula, todo arredondado, com uma grande abertura no alto, por onde entrava uma corrente de ar que descia em espiral. Elas, então, penduraram dezenas taças de cristal presas sobre pequenos lampiões a gás utilizando fios imperceptíveis dispostos em forma de cascata, como um móbile. Cada taça continha quantidades diferentes de água cristalina. O vento então, roçando suavemente as taças, não fazia o zumbido característico, mas produzia sons agradavelmente melodiosos e distintos uns dos outros, por causa das diferentes quantidades de água nas taças. O fogo dos lampiões impediria por várias horas que a água congelasse.

Então, tínhamos uma sinfonia particular, que se modificava ao sabor do vento, mas que era relaxante, doce e suave aos ouvidos.

O chão estava coberto por um tapete de flores. Perfumadas, coloridas... Formavam um mosaico.

Movendo-me como um borrão, subi por uma rocha próxima de uma das paredes cobertas de gelo e vi a imagem que o tapete de flores formava:

– Venha ver Lucca. – o chamei.

Lucca então, se juntou a mim e arfou emocionado com a nossa estampa no chão, como uma pintura de Renoir. Nossos rostos não eram nítidos, mas os traços marcantes estavam lá, como os cabelos nas cores exatas. Estávamos de mãos dadas caminhando, do mesmo jeito que chegamos aqui.

Lindo!

Havia uma rústica mesa de madeira com dois banquinhos. Sobre a mesa, uma toalha branca e rendada esticada, e uma cesta de piquenique de palha. Perto da mesa, elas montaram uma charmosa tenda, toda enfeitada com flores, e com um tapete fofinho cobrindo o chão e algumas almofadas.

Lucca soltou um assovio em aprovação e falou sorrindo:

– Mas aquelas duas capricharam mesmo...

– Eu não tinha dúvidas... Conheço Alice. – balbuciei fazendo uma nota mental de agradecê-las depois.

Descemos de lá e fomos nos sentar à mesa. A cesta continha muita comida e bebida para ele.

Conversamos por várias horas. Compartilhamos nossas histórias. Falei de Sasha para ele e Lucca falou de seus pais. Falei das muitas viagens que eu e minhas irmãs fizemos e Lucca contou suas aventuras mundo afora por quase três séculos, desde que começou a se transformar. Falei sobre alguns homens que passaram por minha vida, os mais marcantes, alguns até célebres, e Lucca descreveu sua relação com as mães de seus filhos.

Nós rimos e choramos juntos.

Notei que quando ele falava de Marconi e Gianna seus olhos oscilavam entre um brilho afetuoso e uma tristeza antiga. Reparei em sua forma de mastigar a comida, a maneira como a mandíbula se apertava ao maxilar era hipnotizante. Quando ele bebia, seu pomo-de-adão ondulava sensualmente. Reparei em sua elegância na forma de falar, o modo com que revirava os olhos e ria de algumas das minhas piadas sem-graça. Percebi que ele prestava atenção em cada palavra que eu falava como se fossem de vital importância.

A noite por fim caiu e escureceu a gruta, uma vez que os lampiões se apagaram aos poucos com o vento; mas isso não era problema para nossas visões. A escuridão trazia paz e a ventania acabou levando consigo as nuvens que encobriam o céu, presenteando-nos com a lua crescente rodeada de estrelas. Deixamos a mesa, puxamos o tapete e as almofadas da tenda e nos deitamos lado a lado para contemplar o céu do norte. Nossos dedos estavam entrelaçados e, cessada a música do móbile de cristal e água improvisado por Alice, o coração dele passou a marcar os segundos mais perfeitos de toda minha existência.

Horas depois Lucca adormeceu e, inconscientemente, virando-se de lado veio aninhar-se em meu colo, o braço esquerdo me envolvendo. Afaguei seus cabelos e inspirei profundamente desfrutando o perfume de obsidinium, misturado com os perfumes das outras flores do chão. Mas não havia nem comparação, o perfume dele era muito melhor.

Procurei aconchegá-lo da melhor maneira em meu corpo de pedra, que de frio chegou a ficar um pouco quente, uma vez que o corpo de Lucca parecia em chamas, apesar da galeria gelada onde estávamos. No entanto, ele ressonava baixo, parecendo confortável.

Passadas algumas horas, o céu aos poucos começou a tornar-se prateado, a lua já não era mais visível e uma estrela cadente caiu rasgando o nosso pequeno pedaço de céu bem ao meio. Lucca, então acordou e buscou meu olhar sorrindo, coçando os olhos:

– Bom dia, meu amor. – disse ele. Sua voz rouca me pareceu tão sexy, que o auge do nosso momento terno e romântico, finalmente acendeu a corrente elétrica pelo meu corpo. Foi tão forte e intenso que eu comecei a ofegar, e ele percebeu a mudança.

O ônix líquido dos seus olhos endureceu juntamente com outras partes do seu corpo que tocavam o meu por baixo do jeans. Seu braço ficou arrepiado, eriçando-se todos os pelos, e eu sabia que não era frio.

Lucca se sentou lentamente e eu acompanhei seu movimento como se fôssemos dois imãs. Nossos olhos não se desprendiam.

Finalmente, um novo dia começou a amanhecer, e os primeiros raios da aurora invadiram, avermelhados, a abertura no teto de catedral da ampla galeria, que foi o nosso refúgio nas últimas horas. Deixamo-nos de fato levar pelo desejo contido nos últimos dias, desde que nos conhecemos.

Poderíamos ter nos despido com urgência, esfacelando nossas roupas, no desespero que sentíamos por nos ter um nos braços do outro; mas ao invés disso, nos despimos lentamente, nos sondando sem pressa, para conhecermos cada milímetro do corpo um do outro.

Poderíamos ter nos tocado com violência e força, na tentativa desesperada de acalmar a ânsia mútua e profunda que sentíamos, mas pelo contrário, nossos toques traduziam leveza e paz. Minhas mãos deslizaram por seu corpo sem pressão, sem medo e sem cuidado. Senti sua beleza perfeita na ponta dos meus dedos e me ofereci em troca, e Lucca, não me decepcionando, tocou meu corpo com tanto carinho e serenidade, que finalmente percebi que o que estava prestes a acontecer entre nós era algo sem precedentes no meu milênio de segunda vida: eu finalmente faria amor... Não se tratava mais somente de obter e dar prazer, além disso, tratava-se de compartilhar sentimento, essência e destino.

Poderíamos ter nos beijado como se fôssemos nos devorar, a julgar pela forma que necessitávamos experimentar a todo instante o prazer de ter o gosto vívido de nossos cheiros em nossas línguas. Mas não foi o que aconteceu; nossos beijos eram suaves, doces e afetuosos.

Eu poderia ter tomado o controle como vinha fazendo há dez séculos. Escolhendo a forma das carícias, as posições, os sussurros, o tempo de duração... Tudo. Contudo, não foi o que fiz. Eu simplesmente me entreguei a ele e deixei que Lucca tomasse o controle, e ele surpreendentemente me levou a uma viagem de conhecimento do meu próprio corpo.

Lucca poderia ter me invadido com força e intensidade, pela forma como seu corpo pulsava e latejava clamando pelo meu. Mas não foi o que ele fez. Cada investida sua era longa e amorosa, sem ansiedade e afobação. Ele sabia o que estava fazendo. Ele estava me levando acima do céu e sabia disso. Ele descobriu pontos sensíveis em mim, que eu jamais imaginei que tivesse; ele me beijou de uma forma que transformou meu desejo agudo em algo crônico. Eu sempre iria amá-lo e desejá-lo, jamais estaria saciada dos seus lábios e da maciez e calor deles em minha pele. Eu estava, irrevogavelmente, viciada na sensação de ter sua língua traçando caminhos de brasa elétrica por cada parte do meu corpo. Jamais me saciaria de tê-lo dentro de mim, tocando partes da minha intimidade que eu sequer sabia que existiam. Meus ouvidos nunca se cansariam do prazer orgulhoso de escutar os sons que eu produzia em sua garganta.

Cada gemido, cada resfolego, cada sussurro estariam tatuados em nossos corpos pela eternidade sem fim.

Foram várias horas, muitas rodadas ininterruptas em inexplicáveis posições diferentes.

Em uma das pausas, em que estávamos deliciosamente entrelaçados e sentados frente a frente sobre o tapete de flores; notamos que o sol fraco do inverno ia alto e seus raios invadiam nosso refúgio formando inúmeros arco-íris pelas paredes de gelo, por causa da água nas taças que agora já estavam congeladas. Meu próprio corpo reluzia explodindo em milhares de diamantes minúsculos. Olhei ao redor e sorri, mas ele sequer piscava olhando para meu corpo em adoração. Sua mão escaldante veio moldar meu rosto, e eu o rocei nela revirando e fechando os olhos.

– Case-se comigo. – disse ele, a voz rouca e baixa, mas resoluta.

Abri os olhos um pouco assustada e, imediatamente, lembrei da imagem que Nessie colocou em minha mente e do desenho já pronto que Alice me dera no chalé.

Não hesitei, não fiz qualquer pausa dramática de suspense. Também não respondi com a pressa de uma solteirona desesperada. Simplesmente selei meu destino em alto e bom som:

Sim. – o sorriso de Lucca em resposta parecia que daria a volta em toda sua cabeça. Seus olhos embora também sorrissem da maneira que eu amava, encheram-se de lágrimas de alegria, que não chegaram a cair, mas espelharam minha própria felicidade.

Ele me beijou profundamente e a rodada que se iniciou veio mais intensa do que as outras. Descobri até onde eu poderia ir com minha força nele, tomando o controle dessa vez, e mostrando ao... meu noivo, exatamente tudo do que eu era capaz.

E logo após nossos gemidos altos em êxtase ecoarem pela galeria e toda a gruta, escutamos uma voz familiar chamando ao longe:

Tanya... Lucca... – os ecos ainda eclodiam enquanto a voz de Rose continuava, sem gritar, mas alto o suficiente para que ouvíssemos. – Desculpe por incomodar... Mas vocês precisam voltar... Há... Uma emergência...

Lucca e eu nos olhamos paralisados por um segundo, depois nos vestimos com pressa e disparamos ao encontro de Rose e no meio do caminho reconheci o cheiro de Carmem também.

Elas aguardavam por nós perto da pista de gelo do trenó e dispararam correndo assim que chegamos após Rose gritar:

Vamos! Depressa!

Lucca nos acompanhou sem dificuldade visivelmente mais veloz e forte do que ontem. Perguntei enquanto corríamos de volta ao chalé:

– Rose, o que houve?

– Uma emergência... – disse ela sem esforço, apesar da corrida. – Alice está em agonia, como se sentisse dor de cabeça...

O quê? – perguntei sem entender como isso era possível.

– Isso acontece quando ela não consegue 'ver'...

– Mas o que ela não consegue ver? – perguntei já ficando irritada.

– Nós. – respondeu Rosalie. – Nosso futuro. Todos nós sumimos...

Olhei para Lucca e ele corria tenso, evitando me olhar, mas demonstrando que compreendia a gravidade do que estava acontecendo. Em pânico, percebi que as horas que acabei de passar com Lucca foram o prelúdio de algo definitivo e muito grave que aconteceria. Mas o quê?

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N/A: Acho que posto o próximo na 2ª feira!

Espero que tenham gostado! Comentem!

Tudo obra de Stephenie Meyers! Criei alguns personagens a partir do universo dela.

**bjokas**


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