Domo pessoal

Eu sei que demorei um pouco pra postar o capitulo, mas prometo não decepcioná-los. Antes de começarem a ler só tenho um aviso. Esse capitulo é bem maior do que os outros. Eu não pretendia escrever tanto, mas foi preciso, e bem... Não queria cortar na melhor por isso estendi mais o capitulo. Sinceramente espero que gostem... A partir de agora começa a contagem regressiva para o ultimo capitulo. E sim, Ariel vai até trinta.

Então, vamos ao que interessa...

Boa leitura!

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Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Ariel, Aishi, Alexia, Alister e Carite são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

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Capitulo 26: Lembranças do Passado.

"O amor não vê com os olhos, vê com a mente. Por isso é alado, é cego e tão potente".

Shakesperare (Sonho de Uma Noite de Verão).

I – Conversa de Garotas.

-Acho que você agora pode entender porque ele não lhe contou isso antes; Saori falou calmamente.

Vendo que a sereia parecia petrificada, ou melhor, embora estivesse com os lábios entreabertos, não conseguia emitir som algum depois de ler o que lhe mostrara, era surreal de mais, pra não dizer inacreditável, mas sabia que ela não mentiria com algo tão serio assim; Tétis pensou, sentindo as mãos tremerem ao colocar o livro novamente sobre a mesa.

-Porque ele não me contou antes? –ela balbuciou.

-Acho que essa não é a pergunta certa a se fazer; Saori respondeu. –E sim, o que o levou a tomar essa decisão, acima de qualquer coisa;

-...; Tétis voltou-se para visivelmente confusa. –Não entendo;

-Deixe-me explicar de uma forma clara então; a jovem começou. –Quando você levou o Jullian para o santuário do mar, no dia do aniversario dele, o que foi que você sentiu com relação a isso? Digo, não com a manifestação do cosmo de Posseidon, mas o que sentiu sobre ele;

-Lembrança-

Estava sentada entre alguns corais próximo ao pilar do pacifico sul, a muito decidira tornar-se marina, desde que começara a treinar para ser amazona, decidira que serviria a Posseidon.

Muitas garotas que conheceu durante o período de treinamento, almejavam o titulo de 'Amazona de Athena', porém sempre pensara o contrario, não sabia ao certo o porque, mas desde sempre tivera essa fascinação pelo deus dos mares o que por fim, lhe levou a escolher o caminho de tornar-se marina.

-Tétis; a voz do marina de Dragão Marinho tirou-lhe de suas divagações.

-O que deseja, Dragão Marinho?

-Esta na hora; ele falou, aproximando-se.

A jovem voltou-se surpresa para o cavaleiro. Sim, chegara a hora de trazer o imperador de volta. Ainda se perguntava porque Kanon pedira justamente a si que fosse buscá-lo na superfície, mas não iria contestar, pelo contrario, sentia-se honrada por trazê-lo de volta.

-...; Tétis assentiu. –Então, eu já vou indo.

-Tétis; Kanon chamou novamente, vendo-a parar e voltar-se em sua direção.

-O que foi?

-Nada. Não é nada. Você já pode ir; ele falou, balançando a cabeça de forma imperceptível. Deveria ser apenas coincidência; ele pensou.

-o-o-o-o-

Frustração, era a única coisa que viu nos orbes azulados do adolescente. Seu senhor e imperador, como poderia sentir-se daquela forma tão derrotada; ela pensou, ao observá-lo de longe.

Da encosta do cabo Suinon, observou os belos fogos de artifício iluminarem o céu, comemorando o décimo sexto aniversario do jovem herdeiro da família Sollo e que dali a poucos minutos seria também uma das maiores divindades veneradas e existentes que caminharam sobre a terra desde os primórdios.

Viu-o aproximar-se da sacada, afrouxando levemente a gravata. Ele fitava o mar, parecia apenas uma estatua de marfim ornada de belas peças; a sereia pensou. Desde que Kanon lhe dera a missão de 'vigiá-lo' notara os olhares vagos para o mar, ou quando ele caminhava pela praia no final do dia, assistindo ao pôr-do-sol. Parecia alguém intocável;

Respirou fundo, era melhor parar de pensar nisso, como seus próprios pensamentos lhe disseram. Era alguém impossível.

Saiu de seu esconderijo, era hora de começar a agir; ela pensou, caminhando para as proximidades da prisão de pedra. Kanon lhe dissera que tinha algo a buscar lá primeiro.

-o-o-o-o-

NUNCA. Mas nunca mesmo em toda sua vida, ele admitiria levar um fora tão ridículo daqueles de uma garota pré-adolescente, que não aceitara casar-se com ele. COM ELE? Julian Sollo.

O jovem imperador dos comércios marítimos gregos, sim, ele era o imperador daqueles mares e mesmo assim aquela garota petulante não aceitara 'reinar'
a seu lado; ele pensou, bufando exasperado. Debruçou-se sobre o alpendre da sacada, porém isso não durou muito, ao longe viu uma luz surgir no céu, mas não era dos fogos de artifícios;

Seus olhos perderam momentaneamente o foco e sua mente ficou em branco. Desceu quase que inconscientemente as escadas da sacada, indo até uma pequena ilhota nos fundos da grande mansão, onde uma pequena replica do templo de Posseidon fora construído a muitos anos atrás por algum dos chefes da família.

-O que é aquilo? –ele falou espantado, ao ver cravado no chão, próximo as águas, um tridente dourado. –Um tridente;

-Esse tridente volta para você depois de muito tempo; uma melodiosa voz chegou a seus ouvidos, virou-se para trás, deparando-se com uma bela jovem de cabelos dourados e orbes azuis.

-Quem é você? E o que quer dizer, com este tridente é meu? –ele perguntou confuso.

-Sim, jovem Jullian, ou melhor, meu senhor. Posseidon; ela falou, numa respeitosa reverencia.

-Do que você me chamou? –Jullian perguntou.

-"Agora não tem mais volta"; Tétis pensou, com um olhar triste. –"É evidente que Posseidon e Jullian Sollo tem bastante coisas em comum, mas o principal é o sentimento que nutrem desde os primórdios por Athena, que não podem ser mudados"; ela pensou.

-Fim da Lembrança-

-Frustração. Impotência; ela respondeu, num sussurro, abaixando a cabeça. Era como se houvesse revivido novamente todos aqueles momentos; Tétis pensou.

-...; Saori assentiu, compreensiva. –Achou que o que ele 'supostamente' sentia por mim, sofreria ainda mais influencia devido ao passado;

-Foi; a sereia respondeu.

-Mas como você mesma pode ver, estava errada; ela completou, com um meio sorriso.

-Eu nunca pensei que ele... Bem, você sabe, fosse fazer algo assim; Tétis falou, voltando-se para a deusa.

-Bem, pra quem sempre teve um pouco de dificuldade de tomar uma atitude de primeira sem precisar de ajuda, é difícil mesmo; Saori falou com um sorriso maroto. –Mas o que quero que entenda é que não o estou defendendo, ou querendo que você acredite no que está ai. Como te disse no começo, historias podem ser manipuladas. Alguns livros são prova disso. Então, acreditar em tudo que leu, é uma escolha sua; ela completou.

-...; Tétis assentiu.

-Acho que ele já terminou de conversar com Alexia e esta lhe esperando na sala principal; Saori comentou, casualmente.

-Tá certo; a sereia falou sorrindo. –Acho que já vou então;

-...; Saori assentiu, pelo menos agora algumas coisas seriam diferentes; ela pensou.

-Saori; Tétis falou, parando na porta e voltando-se para ela.

-Sim;

-Me desculpe, tinha uma opinião completamente diferente sobre você e bem...; Ela falou, com um sorriso sem graça.

-Não se preocupe, isso não é mais importante; a jovem falou, calmamente. –Agora vai, ele esta lhe esperando;

-...; Ela assentiu. –Até mais;

-Até; Saori respondeu, vendo-a sair da biblioteca, fechando a porta em seguida. Suspirou, encostando-se na poltrona melhor.

-Quem diria que meu querido tio ia tomar uma atitude descente pelo menos uma vez a cada reencarnação; a voz divertida de Aishi soou na sala.

-Nem me fale; Saori respondeu. –Mas sabe, eu ainda me pergunto se teria sido diferente se Sorento não houvesse interferido;

-O que? –Aishi perguntou, aproximando-se e sentando onde Tétis estava, anteriormente.

-Você sabe, parar a guerra daquela forma; a jovem respondeu com um olhar perdido.

-...; Aishi assentiu. –Nesse ponto eu concordo, mas sabe, acho que o Sorento sempre foi à voz da consciência dele; ela completou, com um meio sorriso.

-Lembrança-

200 anos atrás...

Batalha entre Posseidon e Athena, no Cabo Suinon / Grécia.

Era um campo de guerra, as fronteiras estavam fechadas. Sendo divididas entre cavaleiros de ouros e marinas. A guerra logo iria estourar.

Os marinas poderiam ser a minoria, se comparado aos doze sagrados de Athena, mas estavam longe disso. Eram tão ou mais poderosos que os mesmos, o que os levariam a travarem uma batalha ferrenha por ambas as divindades que lutavam. Nenhum dos dois exércitos pareciam mover-se.

Na entrada do santuário do mar, o jovem de longas melenas vermelhas observava a distancia, tudo aqui com ar frio, porém intimamente sentia-se inquieto, lançou um olhar de soslaio a sua direita. Onde estava ela? –Ekil pensou.

-Senhor; um jovem de melenas azuis, quase acinzentadas chamou, aproximando-se.

-O que deseja Sorento? –o jovem Sr respondeu.

-Precisamos conversar; o marina falou cauteloso.

-...; Ekil pretendia contestar, porém ele interrompeu.

-É importante;

Sem outra alternativa, afastou-se com o marina para um lado mais afastado da entrada do templo, onde não seriam ouvidos. Sabia que Athena não iria atacar, não enquanto não tivesse certeza da presença de Nikke ali; ele pensou.

-O que é tão importante pra me tirar de lá Sorento? –o jovem herdeiro da família Sollo perguntou.

-Tétis; ele balbuciou, olhando para os lados, certificando-se que ninguém via.

-Aconteceu alguma coisa com ela? Aonde ela esta Sorento? Vamos me diga; ele exigiu perdendo completamente os resquícios de calma.

-Calma Sr, ela esta bem é só que; ele tentou acalmá-lo.

-Mas então?

-É um assunto delicado; o marina falou, respirando fundo. –Tétis est-...;

-Estou aqui meu senhor; a jovem de longos cabelos azuis que caiam numa cascata cacheada pelos ombros aproximou-se, vestindo a armadura de sereia.

-Finalmente; ele falou, com um sorriso imperceptível nos lábios, aliviado por finalmente tê-la a seu lado naquele momento.

-Sorento não deveria ficar importunando nosso imperador com coisas desnecessárias; ela falou, lançando um olhar envenenado ao marina, que suspirou frustrado.

-Como quiser, me desculpe Sr, com licença. Vou deixá-los a sós; Sorento falou apressadamente, afastando-se. –"A decisão é sua ao esconder isso dele Tétis, mas é imperdoável permitir que um ser inocente sofra com suas inconseqüências"; ele pensou.

Ekil viu o marina se distanciar, Sorento não perdia a calma com facilidade muito menos se esquivava assim. Será que, o que ele pretendia dizer era realmente muito importante? –ele se perguntou, balançou a cabeça de forma imperceptível, deveria ser só impressão.

-Onde estava? –Ekil perguntou, voltando-se para a sereia.

-Apenas terminando de vestir a armadura; ela respondeu, com um sorriso nervoso. A verdade é que tivera muito trabalho pra vestir aquela armadura, mas não diria isso a ele por nada.

-Mulheres, como demoram pra se arrumar; ele brincou, provocando-a.

-Mas quem usufruí do resultado final é sempre quem reclama; ela rebateu, com um olhar cúmplice.

-Não disse que isso era algo ruim; Ekil respondeu aproximando-se, tocou-lhe a face delicadamente, vendo-a fechar os olhos e suspirar. –Quando isso acabar, quero que seja minha esposa; ele falou.

-Como? –Tétis perguntou, surpresa.

-...; Ele assentiu. –Isso se quiser, é claro;

Arregalou os olhos surpresa, ao vê-lo tomar-lhe uma das mãos e colocar uma delicada aliança dourada. Sentiu a cabeça dar voltas, não soube ao certo se era por causa da emoção do momento, ou por outro motivo. Segurou-se firmemente nele, tentando manter os olhos em foco.

-Tétis; ele chamou, preocupado. Tomou-a em seus braços, andando a passos rápidos para dentro do templo, sentindo-se estranhamento inquieto e perturbado com o que estava acontecendo a sereia.

-o-o-o-o-

Ela cairá no sono; ele constatou aliviado. Ao vê-la com ar sereno, repousando sobre os lençóis de cetim, respirando de forma suave e com ar tranqüilo. Ouviu passos apressados no corredor, pelo som, sabia perfeitamente que era Sorento. Não se importou com o mesmo abrindo a porta do quarto em um rompante.

-Sr, a Tétis; Sorento começou, ofegando pela corrida.

-Ela esta dormindo, só isso; Ekil respondeu, calmamente.

-Não é isso Sr; ele começou, aproximando-se com cautela.

-O que foi, diga logo então? –ele falou impaciente.

-Ela esta grávida; o marina respondeu, vendo a face do imperador perder a cor, será que seria ele agora a desmaiar? –o marina pensou.

-O QUE? –Ekil gritou, porém nem mesmo assim a sereia acordou, o que serviu parcialmente de alivio. –Me explique isso direito; ele ordenou, arrastando o marina para fora do quarto e fechando a porta.

-Bem... Vamos ver por onde começar. Ahn! Aquela parte da cegonha, você concorda que é mero folclore, não é? –o marina perguntou, com um sorriso nervoso.

-Sua situação não esta favorável para piadinhas, Sorento; Ekil falou, cortante.

-Me desculpe Sr, mas você melhor do que ninguém deveria saber disso; ele rebateu, com um sorriso maroto.

-Bem...; Ele balbuciou, porém parou processando o que Sorento acabara de falar.

Tétis estava grávida. Não havia porque duvidar, a criança que ela esperava também era sua, mas porque ela não lhe contara? Ou melhor, porque insistira em estar a seu lado naquela guerra, mesmo nessas condições, correndo esse risco?

-Ela não queria ser um empecilho, Sr. Não queria atrapalhar seus planos, por isso não contou; Sorento respondeu, como se lesse seus pensamentos. Sempre se dera bem com a sereia, eram amigos e ele fora à única pessoa que ela contou a verdade.

-Mas...;

-Sugiro que vá até o cabo Sr, creio que a batalha já vai começar. Pode deixar, eu fico aqui com a Tétis; Sorento falou.

-...; Ekil assentiu. –Por favor, cuide dela por mim; ele pediu.

-Não precisa pedir, Sr; o marina respondeu calmamente.

Encostou-se na porta, vendo-o se distanciar. Mesmo com a porta fechada, ouviu um baixo soluço de dentro do quarto. Respirou fundo, era melhor que fosse assim, nunca se perdoaria se ela perecesse levando consigo aquela criança que nada tinha a ver com a ambição sem medida do pai.

-o-o-o-o-

Já trajando a armadura, Ekil tomou a frente dos marinas. Elevou seu cosmo, vendo não muito longe de onde estavam três jovens que aos olhares mortais passavam despercebidas. Entre elas uma apenas lhe chamou a atenção, balançou a cabeça, estava começando a achar que aquela era a manifestação de sua consciência, porque em toda batalha era a mesma coisa; ele concluiu, dando um discreto suspiro.

Deu um passo a frente erguendo a mão, mandando que os marinas não se movessem.

Caminhou até uma linha imaginaria que dividia o limite de ambas as divindades. Viu os doze cavaleiros de ouro observarem-no prontos para atacar, porém, dessa vez não lhes daria esse gosto.

-"Fico me perguntando Harmonia, se você não está aqui apenas pra me lembrar o quanto sou um idiota, por não ter percebido isso antes e tê-la deixado correr tantos riscos"; Posseidon pensou, como se isso pudesse chegar a deusa não muito longe de onde ele estava.

Era sempre assim, a jovem era a rebelde entre os deuses e sua presença nos bastidores de uma guerra sempre queriam dizer a mesma coisa. Athena sairia vitoriosa enquanto tivesse o apoio dela, de Aurora e Nikke, mas sabia que os motivos que levavam Harmonia a estar ali eram outros, era certamente para garantir a proteção da sereia. Afinal, ela sempre sábia a hora de manifestar-se.

-O que pretende Posseidon? –a jovem de melenas esverdeadas perguntou, mantendo sobre a mão esquerda o famoso escudo da justiça, enquanto Nikke permanecia a seu lado, oculta de olhos mortais.

-Quero que fique bem claro que não é pela terra que tanto ama que estou fazendo isso; ele falou, com um olhar frio.

-...; Athena fitou-o confusa, porém esse olhar deu lugar a surpresa, ao vê-lo jogar o tridente dourado sobre a areia e dar as costas ao campo de batalha.

Não vou permitir que uma criança inocente, muito menos a mulher que amo vivam em meio a esse inferno, aprecie a vitória Athena, pois da próxima vez você não terá tanta sorte; ele completou.

Uma leve brisa passou por todos, arrastando os delicados grãos de areia sobre o tridente, aos poucos escondendo-o completamente. Cavaleiros de ouro e marinas pareciam surpresos com aquilo, que não eram capazes de nem ao menos formular qualquer pensamento.

Mas o pensamento era unânime. Posseidon estava desistindo da guerra contra Athena e seus cavaleiros pela sereia e pela criança que logo passariam a caminhar por essa terra.

-Vamos; Ekil ordenou, antes que algum resolvesse bancar o rebelde e lhe causar problemas.

-Mas Sr; o marina de Rymunades falou.

-Não me ouviu. Vamos; ele falou, de forma que não admitia contestação.

Todos os marinas assentiram, afastando-se em seguida, seguindo seu senhor.

-Fim da Lembrança-

-É, dizem que no amor e na guerra vale tudo, mas como lidar com isso, quando nos deparamos com os dois ao mesmo tempo; Aishi comentou.

-Não é todo dia que nasce a harmonia entre esses extremos; Saori brincou, mas sabia que ela tinha razão.

As lendas que envolviam Tétis e Posseidon não eram meras lendas, ou historias contadas pela vovozinha para fazer uma criança pentelha dormir, e sim, uma historia de amor que atravessava os séculos.

-Jullian não queria influenciá-la ao contar o que aconteceu, não é? –Aishi perguntou, vendo-a assentir. –Foi o que pensei. Aquela vez, quando falei com ele. Eles estavam em Nápoles, ele havia contado a verdade pra ela, mas apenas que recordara de tudo;

-Mas Jullisn escondeu que recordara de tudo mesmo; a jovem completou. –Bem, em um ponto concordo com ele;

-Qual?

-Dar a chance de escolher um outro caminho, se ela permanecesse com a mesma escolha de ficar ao lado dele, era porque tinha mesmo de ser assim, não era algo imposto;

-Almas gêmeas que vem a muito se encontrando; Aishi completou, com um olhar perdido.

-Por falar nisso, e Ariel e Sorento? –Saori perguntou curiosa.

Aishi parou, sentindo um cosmo estranho aproximar-se. Serrou os orbes de forma perigosa.

-Depois conversamos; ela falou, desaparecendo rapidamente.

II – A Ninfa dos Vales.

Subiu as escadas do templo de Áries para Touro correndo, não sentia cosmo algum, mas sabia que aquilo era apenas uma ilusão para desviar as atenções. Como Mú lhe dissera, era melhor tomar cuidado; Kanon pensou.

Parou surpreso, ao ver Aldebaran lutando contra um intruso que usava uma capa preta nas costas, ocultando-lhe a face. Viu o taurino recuar surpreso, pela força empregada nos golpes do desconhecido.

-Aldebaran; Kanon chamou, vendo-o ser arremessado contra um pilar do templo e estranhamente ficar imobilizado.

Era realmente forte; ele pensou, pra conseguir causar aquele efeito no amigo. Viu o estranho voltar-se para si e pode ver um brilho avermelhado incendiar-se na face oculta. A capa voou para longe, revelando a imagem de uma mulher de cabelos castanhos e orbes azuis, frios e mortais;

-Mais um cavaleiro de Athena; Electra falou, com um sorriso de escárnio nos lábios.

-Você deve ser Electra; Kanon falou, com cautela.

-Uhn! Então já sabe o nome de quem vai lhe mandar pro inferno, cavaleiro; ela rebateu. –É uma pena ter de matá-lo, na verdade um desperdício, mas ordens, são ordens; a garota falou, com falso pesar.

-Não sinta, porque eu não vou sentir nem um pouco ao acabar com você; Kanon respondeu, com um olhar de gelar o inferno.

Segundos depois, ambos atracavam-se numa lutar mortal. Os golpes da jovem eram agressivos, diferentes dos que vira Orestes usar contra Mú. Desviou rapidamente de uma voadora dela, saltando para longe.

Respirou com dificuldade, observando-a rapidamente sumir das suas vistas.

-'Droga, aonde ela esta?"; ele pensou, olhando para todos os lados.

-Me procurando cavaleiro? –a voz da jovem soou de forma sedutora e calculada nos ouvidos do cavaleiro.

Tentou virar-se para trás, mas sentiu o corpo não responder, como se estivesse petrificado.

-Uhn! Creio que Afrodite pode esperar um pouco mais; Electra falou, parando a frente dele, com um olhar insinuante.

Precisava se mexer, mas parecia completamente impossível. Caindo no erro de fitar-lhe os olhos diretamente. Novamente aquele brilho vermelho, sentiu uma onda de vertigem envolver-lhe, seu corpo pareceu ficar mais pesado, fazendo-o cair de joelhos no chão. Agora seu cosmo também se recusava a reagir.

Só um milagre o salvaria agora...

-o-o-o-o-

Precisava chegar logo até lá. Não podia permitir que aquela bruxa destruísse a vida de sua amiga novamente. Ainda não conseguia se perdoar por ter envolvido-se com Anteros naquele plano estúpido para separá-la de Sorento.

Achou que a estava protegendo, livrando-a daquele mortal impertinente. Mas antes de ser um mortal qualquer. Era aquele que ela amava, deveria ter respeitado isso. Não se deixado levar pelo desejo de vingança e discórdia, implantadas tão facilmente em seu coração devido às ultimas experiências; Carite pensou.

Deu um salto rápido, parando em frente a Áries, notou a presença de seu guardião, que aproximou-se na defensiva.

-Venho em paz, cavaleiro. Não se preocupe; Carite adiantou-se.

-Quem é você, amazona? –Mú perguntou. Não sentia um cosmo hostil vindo dela, mas todo cuidado era pouco.

-Carite, amazona de Carites; ela respondeu.

-"Uma ninfa"; ele pensou, intrigado. –O que deseja no santuário?

-Sirvo a deusa Anfitrite, mas seu amigo esta enfrentando alguém no próximo templo que me interessa, então, agradeceria se me deixasse passar; a jovem de melenas verdes falou.

-Se veio em paz, pode passar; Mú falou, dando-lhe passagem.

Viu a jovem passar por si correndo, sem ao menos olhar para trás. Ela vestia uma armadura que nunca vira antes. Não conseguia classificá-la entre uma kamui ou uma adamas. Era completamente nova.

Usava uma saia branca canelada, os cabelos cacheados estavam presos num baixo rabo de cavalo, a armadura era toda em tons prateados, com mesclas verdes, representando as cores da ninfa dos vales. Deveria ter um poder incrível, se levar em consideração todos os signos cujos elementos principais eram terra e ar; ele pensou.

-o-o-o-o-

Estava pronta para acertar um golpe certeiro sobre a garganta do cavaleiro, isso o mataria de uma vez; Electra pensou. Ergueu o braço, mas num milésimo de segundo, sentindo uma onda forte de ar envolver-lhe fazendo-a chocar-se contra um pilar do templo de Touro.

-Oras, sua; Electra vociferou, levantando-se.

Viu uma amazona parada entre ela e o cavaleiro...

-É melhor se levantar, Kanon; Carite mandou.

-Não dá; ele respondeu entre dentes.

-Puff; a amazona bufou, elevou seu cosmo.

Antes que Electra pudesse fazer qualquer coisa para impedi-la, sabe-se lá como aconteceu, porém todo o templo de Touro foi tomado por uma densa bruma. O cosmo da ninfa queimava cada vez com mais intensidade.

Estranhamente, Kanon sentiu que já podia se mover. Não sabia ao certo como aquilo era possível, mas intimamente agradeceu aos deuses pela presença da amazona ali, se não, certamente seria seu fim. Levantou-se rapidamente, parando ao lado dela.

-Obrigado; ele agradeceu.

-Deixemos os agradecimentos para depois; Carite falou. –Vá até o templo de Athena e impeça que Édipo chegue a Ariel; ela mandou.

-Como? –Kanon perguntou surpreso, pensou que fosse apenas Orestes e Electra, mas pelo visto Afrodite realmente montou um time interessante. Só complexados.

-Vá logo;

Sem outra alternativa, deixou a amazona, subindo para os templos...

-Vou acabar com você; Electra falou, elevando seu cosmo. Com um soco no ar, dissipou as brumas, mas não foi capaz de desviar de uma investida da ninfa, que deu-lhe um chute certeiro no estomago.

-Se eu não fizer isso primeiro; ela rebateu.

As duas amazonas atracaram-se, porém, os motivos que levavam a ambas a lutarem daquela forma eram completamente distintos. Uma cortina de eras começou a formar-se nas portar de Touro, enquanto Carite lutava contra Electra.

-Esta na hora de acabar com isso; Carite falou. Elevou seu cosmo, lançando-a novamente sobre os pilares de touro, mas dessa vez, encontrando a cortina de eras pelo caminho.

Como se fossem sanguessugas, elas envolveram a amazona, impedindo-a de se mover. Um grito ecoou pelo santuário, no momento que mais um golpe foi desferido e a cortina de eras simplesmente desapareceu, como se nunca estivesse estado ali, levando consigo Electra.

-"Falta um"; Carite pensou, começando a subir os templos, quem sabe teria tempo de impedir que Édipo fizesse algo.

III –Mãe e Filha.

Templo da Coroa do Sol...

-O que quer aqui? –Aishi perguntou, com a voz fria. Em meio à paisagem paradisíaca do templo do sol.

-Ora filhinha, não sente saudades da mamãe? –Afrodite perguntou, com um sorriso debochado nos lábios.

-...; À jovem estreitou os orbes de maneira perigosa, mas parou, notando-a aproximar-se envolta em uma capa. Os cabelos estavam caindo; Aishi notou. –Pelo visto o castigo chegou mais cedo;

-Aquela Circe, ainda pagara caro; Afrodite avisou, lembrando-se de que agora, não dispunha mais do que alguns fios dispersos de cabelos.

-Você não aprende, não é mesmo; ela falou, balançando a cabeça.

-Vou acabar com aquela sereia que me desafiou, Harmonia; Afrodite falou, com um olhar mortal. –Mas estou lhe dando a chance de ficar do meu lado e não sofrer com a minha ira;

-Você é louca; Aishi falou.

-Não meu bem; ela falou, com falsa amabilidade. –Mas não posso dizer o mesmo dos meus servos fieis.

-O que quer dizer com isso? –a jovem perguntou, surpresa.

-Bem... Electra, Édipo e Orestes não são os melhores exemplos de servos, mas servem para alguma coisa, as vezes; ela completou, com um olhar de desprezo.

-Maldição; Harmonia vociferou, desaparecendo em seguida.

-HÁ HÁ HÁ HÁ; eu disse que não deixaria ninguém no meio caminho Harmonia, mas foi bom lhe distrair um pouquinho, filhinha; ela completou desaparecendo, em meio a uma gargalhada ensandecida.

IV – A Hora da Verdade.

Templo de Virgem...

Passaram por um longo momento de silencio, desde que Eurin mencionara o nome de Alister. Três batidas na porta lhes chamou a atenção.

-Vou ver quem é; Aaliah falou, ameaçando levantar-se, mas sentiu a mão de Shaka sobre a sua, virando-se em direção ao cavaleiro.

-Pode deixar, eu vou; ele falou, como se já soubesse quem era.

Viu o cavaleiro afastar-se indo até a porta. Voltou-se para a tia, que lhe observava curiosamente.

-O que foi?

-Ahn! É impressão minha ou você e o Shaka, bem...; Eurin comentou, com um sorriso maroto nos lábios.

-Não é nada do que a Sra ta pensando tia; Aaliah falou, com a face em brasas.

-Olha, sou obrigada a discordar; a jovem rebateu. –Conheço o Shaka há anos e nunca o viu agindo assim. O que andou acontecendo nos últimos anos que eu não estou sabendo? -ela completou, num murmúrio, pensativa.

-...; Aaliah balançou a cabeça, com um meio sorriso, ah se ela soubesse.

-o-o-o-o-

Abriu a porta deparando-se com um pisciano extremamente tenso, também pudera; Shaka pensou.

-Como vai Shaka? –Alister perguntou, com um sorriso nervoso.

-Bem meu amigo, e você?

-...; Alister assentiu, num suspiro cansado. –Ahn! Eu poderia falar com a Eurin?

-Claro que sim, fiquei a vontade. Vou levar Aaliah para Twin Sall e deixá-los mais à vontade, só me de um minuto; o virginiano falou, entrando no templo.

-Obrigado; ele ouviu Alister falar.

-Quem era Shaka? –Aaliah perguntou, curiosa.

-Apenas um amigo; ele respondeu de forma enigmática, estendendo-lhe a mão para que ela se levantasse.

Aaliah fitou-o confusa, mas viu-o menear a cabeça como se a induzisse a continuar. Levantou-se do sofá para segui-lo.

-Eurin, nos da licença um minuto; Shaka falou, voltando-se para a amazona.

-Tudo bem; ela falou, sem entender o que estava acontecendo. –Mas aonde vão?

-Twin Sall, se bem me lembro, trouxemos algumas mudas da floricultura da Isadora e Aaliah ficou de dar um jeito nelas pra mim, então, daqui a pouco voltamos; ele falou, puxando a jovem consigo, antes que ela pudesse contestar, dizendo que não havia muda alguma em Twin Sall.

-Como o Shaka ta estranho; Eurin murmurou, confusa.

-Isso se chama 'Efeito Aaliah'; alguém falou atrás de si.

Sentiu todos os pelos da nuca arrepiarem-se, conhecia aquela voz, mas era humanamente impossível que a estivesse ouvindo justamente agora. Virou-se incerta para trás, porém não viu nada. Deveria ser apenas sua imaginação; Eurin pensou.

-Há quanto tempo Eurin? –Alister perguntou. Surgindo agora sentando sobre a mesinha de centro, perigosamente próximo a dela.

-Alis-ter; ela falou, com a voz tremula. Deparando-se com um intenso par de orbes acinzentados a fitar-lhe, num isto de saudade e incerteza.

Palavra alguma foi dita de imediato. No momento seguinte, sentiu-o puxar-lhe para um abraço apertado, deixou-se aconchegar entre os braços do cavaleiro. Como tinha saudade daquilo. Saudade de estar com ele, de sentir sua presença, ou simplesmente de ouvir sua voz.

Num ponto concordava com ele. Eram dois orgulhosos, que só admitiam as coisas, quando perdiam ou estavam prestes a perder; ela pensou, sentindo as lagrimas que durante tantos anos reprimira, caírem numa chuva torrencial por seus olhos.

-o-o-o-o-

-Shaka, desde quando trouxemos mudas da floricultura; Aaliah perguntou, sendo guiada a sala das arvores gêmeas pelo cavaleiro.

-Bem... A intenção é que vale; ele falou, com um sorriso sem graça.

-Vem mentiu pra minha tia; ela falou, com uma expressão horrorizada na face, embora estivesse se divertindo com isso.

-Hei, digamos apenas que eu omiti parcialmente a verdade, mas em partes estou certo, estamos indo pra Twin Sall, as mudas são meros detalhes; Shaka completou de maneira displicente.

-Ahn! E aquele lance de reencarnação de Buda e santo homem? Pensei que fosse proibido mentir; ela comentou.

-Duas coisas você esta certa. Sou a reencarnação de Buda e um homem. Ambos são mortais, não faz mal cometer alguns desvios de vez em quando; Shaka respondeu com um sorriso maroto nos lábios. –E eu nunca disse que era um santo; ele completou.

Aaliah sentiu a face incendiar-se com o comentário extremamente direto dele, mas procurou desviar a linha de pensamentos. Viu-o abrir as portas para o jardim das arvores gêmeas.

-Shaka, quem era o amigo que você falou? –ela perguntou, curiosa.

-Alister;

-O QUE? –Aaliah gritou, acabara de ouvir ele e a tia falar que o cavaleiro estava morto, como ele poderia ter batido na porta? –ela pensou confusa.

-Xiiii. Vai chamar a atenção; ele repreendeu. –Aqueles dois já são meio devagar para tomar atitudes que não envolva o egocentrismo deles, agora se forem atrapalhados sabe-se lá o tempo que vão levar pra se acertar. Entre; Shaka falou, indicando o caminho.

-Ah! Pode me contar o que esta acontecendo; ela mandou, sendo ela agora a arrastar o cavaleiro para dentro do jardim.

-Contar o que? –ele fez-se de desentendido, falara de mais.

-Tudo o que sabe sobre isso e não me venha com mentirias por uma boa causa; ela falou em tom ameaçador.

-Como quiser; o cavaleiro respondeu, engolindo em seco.

Continua...