Rodrigo – Pois é, os guerreiros de Brafma apareceram e eles são fortes, pode ir se preparando que vai muiiiiiito trabalho para os dourados.

Se a Rosa não contasse, a Rita jamais iria contar, então ela teve que intervir no assunto e suas suposições estão certas, a fala não é das duas. Shaka está preocupado com outras coisas, que nem ver o que acontece debaixo do nariz dele, mas ele vai acordar e não gostar nadinha quando descobrir. O próximo capitulo a verdade será mostrada para todos, tudo que envolve Rosa e os demais será revelado.

O que você leu, eu tirei da internet, tem um texto sobre os Yuga e o fim do mundo, essa passagem vai voltar a aparecer na fic. Aguarde.

Suellen –san – Shion vai se arrepender muito por não ter dito a Shati que gosta dela. Ele vai sofrer demais por causa disso.

Gabu Sevs – Se dependesse da Rita, Shura nunca iria descobrir mas felizmente tudo acabou bem. Kiki tomou coragem e vai falar com a mãe, eles vão se acertar.

Shati e Shion = água com açúcar. E com o rumo que as coisas vão tomar, eles não vão se acertar tão facilmente. Shion vai sofrer muito por causa disso. Outra que vai se arrepender muito por não dizer que está apaixonada é a Meilin, ela vai deixar a felicidade escapar e vai demorar muiiiiiiito para ter ela de volta. Esnobou agora agüenta!

Mabel – Parece que agora as coisas estavam caminhando para a paz e a Clarice some, pois é, os problemas só começaram e que problemas! Os vilões não estão para brincadeira e será um prenuncio de uma nova guerra. Sim o santuário vai entrar em guerra. Aguarde.

Pure-petit-cat – Shion e Shati vão sofrer muito, ate porque muita coisa vai acontecer e eles não vão ficar juntos, pelo menos por enquanto. Kiki deu sorte, foi para a Noruega e vai ficar por um bom tempo. Como eu disse para a Mabel e aviso a todos, o santuário vai entrar em guerra. Você achou que a Shati era a pessoa importante? Bem... de certa forma ela é uma peça desse quebra cabeça. Aguarde.

Capitulo 25

Desaparecimento

Cindy olhava de forma nervosa para o relógio. Esperava ansiosa para o horário de ir ate o aeroporto buscar o filho. Desde que soubera, no dia anterior, de sua vinda, mal se continha de felicidade. Tinha dado por perdido uma possível aproximação com ele, mas agora estava cheia de esperanças.

- Ainda não foi mana?

- Não Ângela.

- Pensei que já estivesse lá. – disse uma senhora entrando. – está tão ansiosa.

- Meu filho mãe, ele resolveu vir ate mim. Claro que estou nervosa.

As duas mulheres, a mais velha e a mais jovem, sentaram perto de Cindy.

- Rezei muito para que esse dia chegasse. – disse a senhora. – espero que agora sejamos uma família completa.

- Eu também desejo. – disse Ângela. – estou doido para rever meu sobrinho.

- Ele é tão lindo. É ruivinho como nós. – olhou para o relógio. – eu já vou. Se ficar aqui tenho um enfarte.

- Boa sorte. – desejaram as duas.

A garota pegou o carro e seguiu para o aeroporto, no trajeto ensaiava o que diria a ele, estava muito nervosa e temia dizer alguma palavra errada.

Já no aeroporto não esperou por muito tempo, o vôo não atrasou.

Estava no saguão olhando para a porta de desembarque. Tremia. Sentiu o coração parar quando viu em meio aos passageiros duas figuras distintas. Mu assim que a viu dirigiu-se a ela.

- Bom dia Cindy.

- Bom dia Mu. Fez boa viagem?

- Sim.

Kiki segurava a blusa do mestre, como uma criança assustada. Olhou a moça, achou-a ainda mais parecida consigo.

- Oi Nicky. – ela tentava não chorar.

- Oi.

- Sejam bem vindos a Noruega. Vamos, parei o carro lá fora.

Os dois seguiram com ela. Kiki permaneceu o trajeto todo em silencio, apenas observando a paisagem. Mu e Cindy conversavam coisas triviais.

Cerca de quinze minutos depois o carro parava em frente a uma bonita casa.

- Chegamos.

- Essa é a sua casa? – pela primeira vez o pequeno abriu a boca.

- Sim. Moro com meus pais e minha irmã mais nova.

Ele não disse mais nada. Desceram e a passos lentos dirigiam-se para a entrada. Kiki seguia agarrado em Mu.

Quando a porta foi aberta, o pequeno ficou surpreso. Era uma casa bem bonita. Reparou que na sala havia três pessoas.

- Mu, esses são meus pais e minha irmã.

- Prazer. – disse o lemuriano. – Meu nome é Mu.

- Igualmente. – o senhor estendeu-lhe a mão. – me chamo Peter.

Os dois apertaram as mãos. Peter reparou nas pintas de Mu, se não conhecesse a historia ficaria surpreso.

- Meu nome é Ângela.

- Prazer.

Apertaram as mãos.

- Eu sou Annie. – disse a senhora.

Kiki os olhava, então aqueles eram seus avós e sua tia.

- Kiki. – Mu o cutucou.

- Olá, sou o Kiki.

- É a cara do meu pai. – disse Peter.

- Seja bem vindo Nicky. – disse Ângela. – espero que goste daqui. – sorriu.

O garoto sorriu de volta. Ângela também era ruiva, tinha os olhos azuis, só era um pouco mais alta que Cindy. Alias, toda a família era ruiva.

- Posso te dá um abraço? – indagou Annie. – te carreguei tanto quando era pequeno...

Ele olhou para o mestre que o encorajou. Timidamente Kiki aproximou, recebendo um afetuoso abraço da avó.

- Você já está um rapazinho e muito bonito.

- Obrigado. – respondeu acanhado.

Cindy fitava-o, como ele se parecia com Atlas. Voltou a atenção para Mu. Sabia que o amado teve cabelos lilases, então de certa forma achou que Atlas deveria ser como Mu quando mais jovem.

- Devem está com fome. – disse a senhora. – preparei algo para vocês.

Todos foram para a sala de jantar com Kiki sempre perto de Mu. Começaram a conversar assuntos triviais.

O.o.O.o.O.o.O

Rosa voltava para o santuário, na companhia de Shion e Atena, durante o trajeto tentou comunicar com a cunhada, mas sem sucesso.

O.o.O.o.O.o.O

Depois de pegar Clarice, Ranna e John a levaram para Coroa do Sol. Com todo o cuidado o guerreiro de Brahma a deitou em cima do altar que ainda resistia ao tempo. Ranna elevou seu cosmo por alguns segundos. Minutos depois sentiram um aumento de cosmo no recinto. Apareceu diante deles Sadi.

- Senhor. – os dois fizeram uma reverencia.

- Então essa é a sacerdotisa?

- Sim.

- Muito bem. – aproximou do altar. – sentem algum shakti vindo dela?

- Pelo que percebi meu senhor, ela não tem consciência de quem é.

- Memórias bloqueadas.

Sadi não a tocou, fechou os olhos ficando assim por um tempo, deu em seguida um grande sorriso.

- Realmente as memórias dela estão bloqueadas, mas vi algo interessante.

- O que seria meu senhor? – indagou John.

- Precisam pegar mais uma pessoa para mim.

- Mais uma? – indagaram os dois ao mesmo tempo.

- Sim. Farão o seguinte.

Sadi passou as instruções para os dois.

- Sejam rápidos.

- Sim.

- Preciso ir, não consigo materializar meu corpo por tanto tempo.

- Seremos rápido.

Sadi não disse nada sumindo.

- Vou para as proximidades que ele informou, John. Não vou demorar.

- Está bem.

O.o.O.o.O.o.O

Aldebaran fechou a cara, detestava quando a mulher simplesmente não atendia o telefone.

- Só pode ser de propósito. – disse irritado.

- Boa tarde.

- Oi Rosa.

- Que cara é essa?

- A Clarice que não atende o telefone.

- Não deve ter escutado. Não se preocupe ela não vai demorar.

- Assim espero.

Mas isso não aconteceu, passou uma, duas, três horas e nem sinal da brasileira. O taurino já estava impaciente.

- Depois eu fico nervoso eu que sou o chato.

- Ah nem... – a brasileira levantou do sofá. – eu vou procurá-la para você. – disse saindo.

- Não some você também!

O.o.O.o.O.o.O

Noruega...

Depois de almoçar com a família, Kiki mostrou-se mais desinibido. Já conversava e comentava algumas coisas, Cindy estava adorando, pois era um bom sinal. Queria muito conversar com o filho, mas esperaria ele tomar a iniciativa.

- Eu agradeço a recepção, mas eu preciso ir. – disse o ariano.

Kiki o fitou na hora.

- Já?

- Sim Kiki.

- Fique um pouco mais Mu. – disse Peter.

- Eu preciso ir mesmo senhor Peter. Vim apenas para trazê-lo.

- Há que horas é o seu vôo? – indagou Ângela.

- Na verdade...

- Meu mestre vai teleportar. – disse Kiki simplesmente.

Os três ficaram sem entender.

- Atlas disse que fazia muito isso. – disse Cindy. – mas depois da guerra seu poder diminuiu.

- Atlas era irmão de Shion, Cindy. – disse Mu.

- Como? Irmãos? Ele nunca me disse.

- Esse era o recado de Hakurei. Ele deixou uma carta em Star Hill.

- Então Shion é meu cunhado? – riu.

- Sim. Não reparem mas eu preciso ir.

- Está com essa pressa toda por causa da Rosa. – Kiki torceu a cara.

- Também. – Mu não negou. – alem do mais estamos sem o Gustavv e o Dohko.

- Mais uma desculpa...

- Kiki...

- Está tudo bem, pode ir.

Mu deu um suspiro desanimado.

- Volto para te buscar. – aproximou tocando os cabelos ruivos. – comporte-se, por favor.

- Sou um santo.

- Eu sei o quanto é santo.

Cindy os via conversar, era notório que os dois se davam muito bem.

- Muito obrigado Mu.

Ele a fitou sem entender.

- Por ter cuidado dele todo esse tempo. Devo muito a você.

- Não foi nada. – brincava com os cabelos. – comporte-se está bem.

- Sim...

Mu o abraçou. Apesar de está tranqüilo, estava apreensivo, nunca deixara o garoto sozinho. Ele sempre estava no santuário ou no Japão com os bronze.

- Se precisar liga.

- Está bem.

- Vamos cuidar bem dele Mu . – disse Ângela. – pode ir despreocupado.

Ele balançou a cabeça afirmando. Torcia para que nesse período ele e mãe se acertassem.

O.o.O.o.O.o.O

Santuário...

Aldebaran já tinha colocado Kanon e Saga para procurar por Clarice tamanha preocupação. Rosa pegando um ônibus foi para o lugar que a cunhada disse que iria.

- "Ela sumiu mesmo." – disse olhando para todos os lados da feira. Tentou o celular e nada. – a Rita! – exclamou.

A brasileira ligou para a amiga no serviço, mas Rita não sabia do paradeiro de Clarice.

- Estranho... – desligou o aparelho.

O.o.O.o.O.o.O

China...

No aeroporto de Xangai, Dite olhava impressionado para a quantidade de pessoas que circulavam por aquele local. Dohko ria das caras que o pisciano fazia.

- Vai se acostumando, é esse volume de pessoas mesmo.

- A Terra inteira mora aqui! E todo mundo igual!

- Não somos iguais.

- E achava que Athenas tinha gente demais... estou pagando a língua.

- Onde é o nosso hotel?

- Este. – passou folheto a ele. – faça as honras, eu não entendo nada desses pauzinhos.

- E namora uma chinesa...

- Vamos logo que quero vê-la.

Dohko abaixou o rosto.

- Não faça essa cara Dohko. Façamos o seguinte, vou reconhecer o terreno e depois você aproxima.

- Sinceramente não sei o que estou fazendo aqui.

- Eu sei, em busca da sua felicidade. Vamos.

Pegaram um taxi e durante o trajeto Dite parecia uma criança que acabava de descobrir o mundo, estava encantando pela cidade. Cerca de quarenta minutos depois estavam no quarto reservado por Atena.

- Essa viagem me cansou. – o libriano deitou na cama.

- Depois que recebeu a missão de Atena não voltou mais aqui?

- Não...

- Deve está achando tudo estranho. Xian deveria ser um vilarejo quando saiu daqui.

- Confesso que estou tão surpreso quanto você. A cidade cresceu demais. Acho que nem sei onde era a minha antiga casa.

- Eu tenho o endereço.

Dohko o fitou.

- Yue e Meilin moram próximos.

- Eu não quero ir.

- Dohko...

- Posso te perguntar algo?

- Claro. – Dite sentou na outra cama.

- Está pensando realmente em casar com a Yue? Digo não está indo rápido demais?

- Nós não vamos casar amanha.

- Não é disso que estou falando. Tem quinze dias que a conhece, como sabe que ela é a mulher certa para você?

- Sabendo. Sei que para quem está de fora parece ser rápido demais, mas para mim não é. Lembra do enrolo que foi Aldebaran e Clarice? Rosa e Mu? Aquela água com açúcar todo? Eu sou pratico.

- Ainda acho que está sendo rápido.

- Só porque não quero ficar cozinhando ela? Já disse: sou pratico.

- Só estou expondo a minha opinião...

- Você deveria fazer o mesmo. – levantou. – não está com idade para ficar demorando mestre ancião.

Ele não disse nada.

- Vamos sair.

- Aonde vamos?

- Vou ver a minha lindinha. – Dite sorriu.

Tomaram um rápido banho seguindo de taxi para a área residencial da cidade. Dohko fitava a paisagem, aquela Xian que conheceu não existia mais. No lugar das casas antigas e dos templos hoje eram prédios modernos. O taxi parou em frente ao prédio que Yue morava, Meilin morava a algumas quadras.

- Espero que ela esteja em casa. – disse Dite tocando o interfone.

Dohko se quer o ouviu, apesar da modernidade ter chegado a cidade, aquela parte especifica ainda guardava muito da Xian antiga. O cavaleiro viu ao final da rua um pequeno templo, lembrava-se dele. Sem avisar a Dite caminhou ate o local. Se suas memórias não falhavam, ao lado dele tinha uma ruela que saia em outra em forma de cruz, sua casa ficava ali. Com o coração na mão transitou pela ruela saindo em frente a um conjunto de casas antigas, não estavam totalmente preservadas, mas conservavam muitas coisas. Os olhos do libriano marejaram, aquela era pequena vila onde morava. Brincara tantas vezes naquelas ruelas, lembrou dos vizinhos. A passos lentos dirigiu-se para a ultima casa, os portões de madeira continuavam lá e o sobrenome da família esculpido num pedaço de madeira. Lembrou que tinha sido o avô que havia feito. Levou a mão ate o objeto... as lagrimas desceram... sentiu o peito oprimir, a saudade acumulada todos esses anos veio a tona. Queria muito ver os pais e os irmãos.

- Dohko...

Ele olhou para trás deparando com Afrodite e Yue. A chinesa ficou surpresa ao vê-lo com aquela expressão. Deveria ter sido muito difícil esses anos todos de solidão.

- Você está bem? – indagou o pisciano.

- Estou. – limpava o rosto. – só estou relembrando o passado.

- A sua casa é essa, não é? – indagou Yue.

- Sim. Vovô Ling que fez essa placa... a outra, estava com o nosso sobrenome, bastante apagado.

- Preservamos muitas coisas, não quer ver?

- A Meilin...

- Ela não esta aqui. Está em Shangai.

Sentiu um golpe, a viagem tinha sido em vão já que ela não estava ali.

- Vamos Hian, entre, afinal a casa é sua. – Yue sorriu.

Dohko estava apreensivo, não sabia se era uma boa idéia...

- Vá Dohko. – Dite o encorajou.

Ainda receoso Dohko tocou a porta de madeira, lentamente arrastou o objeto que rangeu com o contato... o cavaleiro parou estático, a sua casa continuava ali apesar dos anos que tinham se passado. Foi inevitável, as lagrimas desceram. Ainda via o caminho de pedra que levava ate a entrada principal, a grama que tinha nas laterais com o pequeno jardim da mãe. Viu claramente ele e os irmãos brincando na grama. Piscou os olhos vendo a realidade, o caminho de pedra e a grama não existiam mais, agora tudo era cimentado.

A cada passo que dava a mente era bombardeada por imagens, as vozes dos irmãos, pais e demais parentes pareciam está ao lado dele. Dohko chegou a porta principal e igualmente temeroso abriu- a. Sua vida voltou ao passado, na sua mente, os primos passavam correndo pelos corredores, no jardim interno, via a mãe e as tias conversando. O barulho do pai batendo no ferro quente chegava ate os ouvidos.

- Não quero ficar aqui. – recuou um passo. – eu quero ir embora.

- Calma Dohko. – Dite o amparou.

- Eu quero sair daqui. Me tira daqui Dite.

- Está bem.

Tanto ele quanto Yue notaram o quanto o libriano ficara perturbado ao entrar em sua casa. Resolveram tira-lo de lá. Ao chegar no hotel, o cavaleiro deitou na cama e cobriu-se por inteiro. As vozes não iam embora, as imagens não saiam da mente.

- É melhor deixá-lo descansar. – disse Yue.

- Concordo. Vamos.

O casal saiu, ao notar que estava sozinho Dohko deu vazão as lagrimas.

O.o.O.o.O.o.O

No santuário as buscas continuavam, o taurino só não chamou a policia pois Mask o impediu, dizendo que também começaria a procurar pela brasileira.

Noruega...

Depois da partida de Mu, Cindy chamou o filho para dá um passeio. Ele aceitou.

Andavam pelas redondezas e apesar do clima ameno Kiki sentiu frio, pois estava acostumado ao sol quente da Grécia.

- Imaginei que sentiria frio. – abriu a bolsa. – trouxe essa blusa. – deu a ele.

- Obrigado.

O garoto vestiu ficando em silencio, desviou a atenção para a paisagem, a capital Oslo, era uma cidade muito bonita. De repente parou de andar, seus olhos pousaram numa praça que havia a poucos metros dali, tinha a sensação que já havia estado naquele local. Cindy notou o interesse.

- Quando era pequeno trazia-o aqui para brincar na neve.

- As vezes... – iniciou. – sonhava que estava num lugar repleto de neve... fazia bonecos de gelo quando alguém me chamou... ao me virar vi uma moça... – a fitou. – sempre acordava sem saber quem era a moça, de certo era você.

- Como tenho saudades daquele tempo... eu tinha você comigo.

- Por que me abandonou? Foi só por isso? – mostrou as pintinhas.

Cindy respirou fundo.

- Vamos sentar.

Ela caminhou para o banco, Kiki a seguiu.

- Sei o que eu disser não vai justificar o que eu fiz com você. Foi egoísmo da minha parte te deixar em Jamiel.

- Se mestre Mu não tivesse me encontrado o que seria de mim?

- Não sabe o quanto sou grata a ele.

- Mestre Mu me criou como se eu fosse um filho, me deu uma casa, me deu carinho...

- Eu sei e longe de mim querer tirar isso de você. – o fitou. – se alguém tem direitos sobre você é ele, não eu. – abaixou o rosto.

- Depois que me deixou o que aconteceu?

- Voltei para a Noruega, achando que tinha feito o melhor. Nos primeiros dias não contei aos meus pais o que tinha acontecido. A Ângela acabou descobrindo e contou a eles. Tivemos uma briga feia. Papai me apoiou dizendo que tinha sido o melhor, mas a minha mãe me recriminou. Disse que eu teria é que ter enfrentado a situação. Saí de casa. Andei por vários países ate parar na França, vivendo alguns anos.

Kiki ouvia com atenção.

- Mesmo achando que tinha feito o melhor, minha mente me recriminava, diversas vezes perdi as noites sem dormir pensando em você. Pedia perdão a Atlas por ter sido tão fraca a ponto de abandonar o nosso filho...

- E depois...?

- Comecei a ser consumida pelo remorso, era uma dor tão grande, eu tinha sido uma grande idiota em ter de deixado. – os olhos marejaram. – eu não sabia se você estava vivo ou não e aquilo me torturava. Ficava imaginando que talvez não tivesse sobrevivido e isso... Nicky eu sinto muito. O que eu fiz foi monstruoso. – deixou as lagrimas caírem.

O lemuriano a olhou compadecido.

- Como me achou?

- Cerca de um ano voltei para casa. Estava disposta a te encontrar de qualquer forma. Ângela me ajudou muito. Primeiro fui a Jamiel, no lugar que tinha te deixado, mas não havia sinal de nada. Entrei em desespero. A única informação que tinha sobre você era aquele local e ele parecia fechado a muito tempo.

- É muito raro irmos ate lá.

- Voltei para a Noruega arrasada. Não havia mais pistas e você estava perdido para sempre.

- E então desistiu de mim novamente. – disse não de modo recriminatório.

Cindy foi pega de surpresa, os olhos marejaram novamente.

- Sempre fui fraca, no primeiro obstáculo eu desistia. Foi assim nas montanhas. Eu sofri aquele acidente pois tive medo. Eu te abandonei, pois tive medo, eu não te procurei por esses anos por medo. Tudo pelo medo.

- E o que aconteceu depois?

- Ângela não permitiu que eu desistisse, ela me pediu que eu contasse tudo sobre Atlas e o tal santuário em que ele vivia. Pelas informações dele, ela constatou que o tal santuário deveria existir em Athenas. Mas era procurar uma agulha no palheiro. Se ele era um local oculto ao mundo eu jamais iria descobrir.

- É assim para a nossa segurança. "Ou por que só agora conseguiu achar o santuário. Lembre que nós estamos escondidos do mundo." – lembrou das palavras de Rosa.

- Estava prestes a desistir novamente quando li num jornal sobre a fundação Graad. Li a reportagem sobre a instituição que era regida por Saori Kido. Lembro que o que mais me chamou a atenção foi a imagem dela. Lembro perfeitamente que havia uma estatua da deusa Atena atrás dela.

- Sério?

- Sim. Aquilo me encheu de esperanças, - sorriu. – a forma como encontrei o jornal foi tão surpreendente que pensei que tinha sido minhas preces sendo ouvidas.

- Como assim?

- Estava sentada numa praça, como essa. Olhava uma mãe brincando com seu filho e me lembrei de você. Pedi que um milagre acontecesse, para que quem controlasse o destino o colocasse no meu caminho novamente. No minuto seguinte eu olhei para o lado e havia um jornal meio aberto. Quando o peguei vi a reportagem.

- "Por que nossos destinos só se cruzaram agora?...Porque se estivesse com ela desde sempre enfrentaria vários problemas."

As palavras de Rosa vieram-lhe na mente imediatamente. Então era isso? Era para eles se encontrarem só agora?

- Depois que achou o jornal o que fez?

- Fui para Grécia, procurar o escritório da fundação. Fui levada ate Marin. Eu só tinha uma chance e ela poderia me achar uma louca dizendo sobre santuário e Atena, mas eu tentei e por sorte foi certo. Eu falei as palavras certas para a pessoa certa.

- "Será que... – Kiki pensava. – foi uma mera coincidência ou..."

- Quando o vi... você se parece tanto com o Atlas. – os olhos encheram de água. – sei que o que fiz não tem perdão, eu fui egoísta e fraca pensando apenas em mim, mas eu me arrependo, me arrependo muito. – a voz saia embargada. – sei que não mereço nada vindo de você, mas me perdoe, por favor.

Kiki a fitou, ficando com pena. Realmente ela tinha sofrido com a separação. Não fora justo o que ela fizera, mas...

- Nunca perguntei ao Mu sobre meus pais. Era feliz com ele e não sentia falta de ter pais. Como cresci num meio onde a maioria é órfão, julgava ser normal a minha situação, mas... eu tenho uma amiga que chama Raissa. Ela é irmã de um cavaleiro. Sempre que posso vou brincar na casa dela... – abaixou o rosto. – eu ficava olhando a forma como a tia Beatriz a tratava... naquelas horas eu queria ter uma mãe para saber como era...

Cindy o olhou penalizada, poderia ter evitado tantas coisas.

- Tudo culpa minha... eu sinto muito. Sinto mesmo.

- Poderia termos sido felizes. – ele disse. – poderíamos ter sido uma família.

- Eu sei... eu sei... – abaixou o rosto. – sei que não mereço seu perdão... mas eu sinto tanto...

Cindy foi surpreendida por um abraço, o pequeno a envolvia.

- Nicky...?

- Está tudo bem agora... sei que está arrependida.

- Nicky... – foi a lagrimas.

Foi a vez dela o abraçar.

- Me perdoe, eu jamais vou te abandonar de novo. – o abraçou mais forte. – meu filho, meu pequeno Nicky...

O garoto começou a chorar, aquela era a sensação de um abraço materno? Aquele era o sentimento de ter uma mãe? Era tudo tão maravilhoso.

- Minha mãe...

Ao escutar ela chorou ainda mais.

- Sempre vou está com você. Sempre.

O.o.O.o.O.o.O

Mu subia tranquilamente as escadarias que levava a sua casa a Touro. Estava feliz por Kiki, tinha certeza que ele e Cindy se acertariam.

Entrou em Touro encontrando seu morador nervoso.

- O que foi Deba?

- Oi Mu, como foi a viagem?

- Foi boa, mas o que houve? Está com uma cara...

- A Clarice que sumiu.

- Sumiu? Como assim?

- Ela saiu cedo para ir ao mercado e ate agora não voltou. Já tentei o celular e nada. Saga, Kanon e o Mask saíram para procurar.

- E a Rosa?

- Foi atrás dela também.

Mu não gostou do que ouviu, por algum motivo não queria a noiva colocasse o pé para fora de casa naquele dia.

- Estou preocupado Mu, estou com um mau pressentimento.

- Não há de ser nada Deba. Também vou ajudar a procurar.

- Agradeço. Vou pedir para o Aioria e o Miro ajudarem.

Em pouco tempo Aldebaran colocou o santuário inteiro para procurar pela esposa.

Já era pouco mais de três horas da tarde e nem sinal de Clarice, para piorar todos tinham voltado para o santuário de menos Rosa.

Mu estava apreensivo. Tentara o celular mas sem sucesso.

- Eu liguei para todas as amigas delas e nada. – disse Deba.

- Conversei com a Vanda e ela também não as viu. – disse Aiolos.

- Faremos o seguinte. – disse Atena que também estava apreensiva. – Aldebaran ficará aqui caso elas voltarem. Vamos dividir a cidade ao meio. Do Pathernon a oeste Mu, Kanon, Shaka, Miro, Shion e Aiolos. Da esquerda Saga, Aioria, Shura, Diego, Kamus e MM

- Está bem. – disse o lemuriano. – vamos.

Atena via os grupos partirem, a aflição aumentou. Estava prestes a acontecer alguma coisa.

Rosa já tinha rodado por muitos lugares, sem qualquer sinal da cunhada. Segurava o celular na mão, mas ele não lhe era útil pois tinha acabado a bateria.

- O jeito é voltar para o santuário...

Ela pegaria um taxi, contudo algo a fez mudar de idéia. A expressão do rosto ficou séria. Pegou o taxi, mas não foi para o santuário, pediu que o motorista a levasse nos arredores da cidade. Ele a deixou perto de um ponto turístico, as ruínas de Delfos. Rosa seguiu para trilha acompanhada por diversos turistas, contudo ao chegar num determinado ponto entrou pela floresta. A medida que andava a vegetação ficava mais densa.

O cenário mudou, Rosa sentia o cheiro de carne queimada e ouvia gemidos. Aquilo a deixou bastante entristecida, mas continuou a andar. Em seu intimo dizia para continuar andando. Ela andou por mais quinze minutos ate chegar numa parte um pouco descampada. Ficou surpresa ao ver um templo em meio as arvores.

- Se parece com o templo que eu fiz... – murmurou. – como pode existir um templo aqui?

Olhou para o relógio, este marcava quatro horas, tinha que voltar para o santuário, mas algo a mantinha ali. Aquele local parecia-lhe tão familiar... não resistindo a curiosidade caminhou ate a entrada. As escadas que conduziam ate a entrada estavam tomadas por mato, a cada passo, Rosa sentia-se mais atraída a aquele local.

Havia uma porta de madeira, mas ela não teve dificuldades para abri-la. Um amplo corredor abriu-se para ela.

- Eu já sonhei com isso...

Olhou para as paredes vendo que elas eram cobertas por pinturas, hoje encobertas e estragadas pelo mofo e vegetação. O chão outrora de mármore branco estava esverdeado. A umidade naquele local favorecia o aparecimento de plantas rasteiras.

- Que lugar é esse...

Tocou a parede. Sentiu um grande arrepio.

Seguiu pelo corredor parando numa grande porta. Rosa sentiu os olhos marejarem, lentamente tocou a porta, sentiu saudades daquele local.

- Que sensação é essa? – limpou o rosto. – porque sinto que esse lugar faz parte da minha vida?

Sem grande esforço abriu a porta...

- Uau... – deixou escapar.

O salão era todo feito em mármore branco e adornado por estatuas, ao olhar para o teto palavras lhe faltaram. O teto parecia o céu. Dezenas de milhares estrelas cintilavam como se fosse noite, não havia só estrelas até as galáxias eram retratadas, a impressão que se tinha era que o lugar era a céu aberto. Rosa contemplou as estrelas até reparar que nos quatro cantos do teto estavam retratadas as fases da lua e que elas moviam-se.

Sorrindo voltou o olhar para o centro do salão.

- O que...? – murmurou admirada.

Havia um enorme bloco de vidro, bem ao meio. O bloco era iluminado pelas estrelas que jaziam sobre ele. Rosa aproximou lentamente e curiosa tocou o objeto.

- Gelo? – a mão esfriou. – isso é gelo?

Com o toque dela, as luas pararam de girar e as luas crescente, minguante e cheia perderam seu brilho. Viraram luas novas.

- Que lugar é esse? – afastou-se do gelo. – o que é esse lugar?

Voltou a atenção para a esquife, no seu sonho havia uma pessoa presa nele, contudo agora não havia ninguém. Sentiu o peito oprimir, era uma dor muito forte na altura do coração.

- Ai. – foi de joelhos ao chão. – dói... dói muito... Mu. – chamou pelo ariano. – Mu... – o rosto estava aflito. – Miro...

Santuário...

Miro descia as escadas, acharia Rosa a qualquer custo. De repente o rosto ficou sério, sentindo uma fincada na perna foi de joelhos ao chão.

- Ai.

- O que foi Miro? – Kamus aproximou.

- Não é nada... – a voz saiu fria e imperativa, Kamus percebeu.

- Você vai conosco? – indagou Saga reparando na voz.

- Vou.

Mu que seguia na frente parou. Sentiu um aperto no peito.

- Algum problema Mu? – indagou Deba.

- A Rosa...

Ele voltou a atenção para Miro.

- Miro...

- Vamos encontrá-la.

Templo...

Rosa continuava no chão sentido uma forte dor no peito.

- Esse lugar nos tempos de glória deveria ser magnífico. – uma voz masculina fez presente.

A brasileira ergueu o rosto deparando com um rapaz.

- Dói não é? O local que foi atingida pelo seu amigo, dói não é?

- Quem é você...?

- Alguém que pode ajudá-la. – agachou diante dela. – me chamo Sadi.

- Que lugar é esse?

- Sua antiga casa, não lembra?

- Não sei do que está falando.

Sadi tocou a testa dela, Rosa sentiu o corpo levar um choque dando um grito, na sua tez formou-se uma lua crescente. Não agüentando desmaiou. Sadi a amparou.

- Bem vinda, deusa do destino.

Santuário...

Miro e Mu sentiram um estralo.

Olimpo...

Asteria que conversava com Apolo e Perséfone silenciou-se.

- Algum problema Asteria?

- Não é nada... só uma sensação estranha.

Coroa do Sol...

Ranna e John olhavam as duas mulheres desmaiadas sobre o altar.

- Então é ela que a feiticeira? – indagou John.

- Sim. Ela que vai libertar os poderes de Vishnu. Vamos voltar para a Índia.

O rapaz pegou Rosa, enquanto Ranna pegou Clarice. Um portal se abriu e os dois atravessaram por ele.

O.o.O.o.O.o.O

Depois da conversa no parque Cindy e Kiki se acertaram, os dois voltaram para casa conversando sobre os mais diversos assuntos. Ao chegar a residência, o lemuriano ficou surpreso pela quantidade de gente que havia na casa.

- Quem são essas pessoas?

- Sua família Nicky. – disse Ângela aproximando. – são os nossos tios e primos. Estamos preparando uma festa para você.

- Para mim?

- Sim. – disse Cindy. – a família está completa agora.

Quatro garotos aproximaram-se de Kiki.

- Então você que é o Nicky?

- Sou...

- Minha mãe falou que você morava no Tibete com seu pai é verdade?

O garoto fitou imediatamente a mãe, ela sorriu e então ele entendeu. Apenas a tia e os avós é que sabiam de toda verdade.

- Morava sim.

- Sabe jogar bola? – indagou outro garoto.

- Sei...

- Kiki esses são seus primos. Louis, Henry, Karl e Mikael.

- Podemos jogar bola no quintal?

- Claro que podem. – Cindy olhou para o filho. – vá com eles, mas não se esqueça...

- Eu sei. – sorriu. – não vou fazer nada.

Kiki seguiu com eles sobre os olhares atento da mãe e da tia.

- O bom que nossos primos tem filhos da idade dele. – disse Ângela. – ele terá companhia.

- Estou muito feliz. Saber que meu filho brinca no quintal...

- Terminou tudo bem mana. Agora é so aproveitar.

Kiki corria junto com os primos, estava muito feliz, tinha uma família enorme e não se sentiria tão sozinho.

O.o.O.o.O.o.O

Aos poucos foi abrindo os olhos, a cabeça girava.

- Onde... – sentou olhando para o lado. Estava numa sala escura, parecia um local abandonado. – que lugar é esse? – virou o rosto. – Rosa?

Clarice foi ate a cunhada que estava deitada numa outra cama.

- Rosa. Rosa acorda.

Aos poucos a morena acordava.

- Clarice...?

- Você está bem?

- Estou. – sentou. – que lugar é esse? O que estamos fazendo aqui?

- Eu não sei... lembro que estava conversando com uma moça, aí um rapaz apareceu e tudo ficou turvo e você?

- Ran estava preocupado com a sua demora, resolvi ir atrás, quando estava voltando para o santuário senti vontade de ir ate Delfos.

- Delfos?

- Não vai acreditar no que eu encontrei! – exclamou. – sabe a maquete que fizemos? Encontrei um templo igualzinho.

- Como assim?

- Era exatamente igual, só estava bem gasto, o interior era igual ao que eu desenhei, e tinha um esquife de gelo, o céu tinha estrelas, e...- dizia tudo afobada.

- Calma Rosa.

- Você tinha que ter visto ele era tão...

- Depois você me mostra o importante é sairmos daqui. – levou a mão no bolso. – meu celular deve ter caído.

- O meu também não está aqui.

- Precisamos arranjar um jeito de sair daqui.

- Sim.

As duas olharam para o cômodo, não havia janela, estava iluminado por uma fraca lâmpada e existia uma única porta.

Alguns andares acima. Sentando em seu trono dourado Sadi fitava as duas por meio de uma imagem refletida num espelho.

- E pensar que elas carregam toda a sabedoria do mundo grego antigo.

- Quais seus próximos planos senhor? – indagou Ranna.

- Lunette, Ravi.

Apenas pronunciou o nome deles e os dois estavam ajoelhados.

- Sim senhor.

- Quero que vão ao submundo dos gregos. Quero que peguem uma encomenda.

- E o que seria? – indagou Lunette.

- Há dentro da morada de Hades, uma mulher acorrentada, preciso dela.

- Sim senhor.

Os dois partiram.

- Desculpe a pergunta senhor, mas por que precisa do corpo? – Ranna o fitou sem entender.

- Talvez ela deseje voltar para seu corpo original.

O.o.O.o.O.o.O

No santuário as buscas continuavam, alem dos cavaleiros, Atena tinha chamado a policia para localizá-las.

Meikai...

Minos estava fora de Guidecca fiscalizando algumas prisões, apenas se encontravam no palácio os dois juízes. Aiacos estava em seu quarto e Radamanthys fazia ronda.

Duas entidades materializaram-se diante de uma grande porta de madeira negra.

- É aqui?

- Pelo que Brahma falou sim. – disse o rapaz.

A moça apenas assentiu e com um soco abriu a porta.

Os dois ficaram surpresos ao ver no fundo da sala uma parede de vidro onde uma mulher estava presa por correntes douradas. Seus braços estavam esticados em formato de cruz. A pele alva sobressaia sob o vestido negro longo, as madeixas negras desciam em ondas ate o chão. No alto da testa o desenho de um circulo negro. Encravada no peito uma flecha vermelha mesmo assim seu semblante era sereno, parecendo que apenas dormia...

- Só pode ser ela.

- Vamos terminar logo com isso. – disse o rapaz.

Ele aproximou da deusa e tocou as correntes, elas emitiram uma luz seguida de um forte barulho.

Na hora Radamanthys e Aiacos sobressaíram, indo em direção ao salão.

- Tenha mais cuidado Ravi... – brincou Lunette.

- Silencio. – grunhiu.

- Use os encantos que nosso senhor mandou.

- Já sei, mas...

- Quem são vocês?

Rada e Aiacos chegaram ao recinto.

- Cuide deles enquanto eu faço o encanto. – disse Ravi.

- Tudo bem.

A jovem deu meia volta e andou alguns passos.

- Quem são vocês e o que querem aqui? – Rada tomou posição de ataque.

- Somos seres superiores a vocês ashuras. E apenas queremos a moça.

- Não vai tocar nela. – Aiacos adiantou-se.

- Por que não resolvermos isso sem batalhas? – ela o olhou de forma preguiçosa. – será melhor para vocês.

- Não vou me conter por ser uma mulher. – Aiacos cerrou o punho.

Radamanthys desviou o olhar para o outro que estava atrás. Reparou na armadura dele, era diferente de tudo que já tinha visto, não fazia idéia de qual deus eles eram subordinados apenas sabiam que eram fortes.

- Aiacos cuide dela, eu vou deter o outro.

- Está bem.

Enquanto isso Ravi liberava seu cosmo e recitava um mantra. Sua energia começou a circular a corrente dourada.

- Oh... então os Ashura tentaram nos deter. – Lunette sorriu.

- Vai pagar caro por ter vindo aqui. – Aiacos liberou seu cosmo. – Vôo de Garuda!

Ele disparou seu ataque, aproveitando disso Radamanthys correu ate onde Ravi estava contudo...

- São umas graças... – Lunette sorriu elevando seu cosmo. – Makka Jinbara. – disse baixo.

O cosmo de Lunette tomou conta do recinto, imediatamente Radamanthys e Aiacos ficaram paralisados.

- O que? – Garuda tentava se mexer em vão.

- Eu... – Radamanthys estava suspenso no ar.

- Não podem se mexer, fisicamente e nem usar seus cosmos.

- O que? – disseram ao mesmo tempo. Eles tentaram queimar suas energias, mas não conseguiram.

- Fiquem quietos.

Enquanto isso as correntes estavam sendo desmanchadas, em poucos minutos, a deusa estava com o corpo quase que todo tombado para frente.

- E essa flecha? – indagou Lunette.

- Apenas Sadi pode retirá-la.

Paralisados os dois juízes assistiam a cena.

- Desgraçados... – Garuda tentava se mexer.

- Fiquem em silencio.

Lunette ergueu seu cosmo, os dois juízes sentiram como se seus corpos estivessem sendo rasgados por dentro.

- Terminei. – disse Ravi.

Apenas com um leve movimento ele pegou a deusa nos braços.

- Podemos ir.

- Não vão a lugar algum. – Radamanthys tentava queimar seu cosmo.

- Dê um jeito neles Dwapara. – disse impaciente.

- Claro. – ela sorriu de forma vil.

O cosmo da guerreira aumentou rapidamente chegando a grandes proporções. Ela concentrou-o em uma das mãos e com grande velocidade partiu para cima dos juízes.

- O que?

Ela apareceu diante de Radamanthys acertando-o no estomago. O juiz sentiu um forte impacto sendo atirado longe, batendo de forma violenta contra a parede.

- Rada! – gritou Aiacos.

- Sua vez.

Lunette também o acertou no mesmo local, Aiacos sentiu todo o peso do cosmo dela atravessá-lo como se ele fosse de papel. A armadura trincou em vários pontos. Foi jogado longe.

- Fracos.

- Vamos Dwapara.

- Sim.

- Esperem... – Radamanthys tentou levantar, mas caiu desmaiado.

Ravi e Lunette desapareceram.

Minos sentiu dois poderosos cosmos vindo de Guidecca, rapidamente correu para lá encontrando os dois juízes caídos e a sala totalmente destruída.

- Aiacos! Radamanthys!

Correu ate Wyvern.

- Rada. – o fitou ficando pasmo, a surplice estava toda rachada. – Radamanthys!

Aos poucos ele foi abrindo os olhos.

- Minos...

- O que aconteceu aqui? Cadê a deusa?

- Chame a senhora Perséfone... rápido... – foi fechando os olhos.

Minos ficou assustado, para deixarem Radamanthys naquele estado tinham que ter um poder alem do normal.

Olimpo...

Perséfone que caminhava com Asteria sentiu o peito oprimir.

- O que foi Perséfone?

- Aconteceu alguma coisa no inferno. Precisamos voltar.

- Claro.

Em questão de minutos Perséfone, Asteria e Apolo voltaram para o inferno.

- Minos o que aconteceu?

- Temos um problema senhora. – ajoelhou diante dela. – a deusa foi levada.

- O que? – exclamaram os três deuses.

Asteria nem esperou que ele terminasse correu ate a sala onde ela estava. Ao chegar lá ficou temerosa.

- O que houve aqui? – notou a destruição.

- Dois guerreiros retiraram as correntes e a levaram.

- Que guerreiros?

- Não sabemos a origem.

- Onde está Radamanthys e Aiacos? – indagou a deusa do inferno.

- Na sala de recuperação, sofreram muitos ferimentos.

- O que? Eles são juízes, são fortes. – disse Apolo.

- Quem atacou tinha um enorme poder, a ponto de rachar as surplices.

Perséfone queria ver de perto seus juízes. Aiacos e Radamantys estavam acordados, mas bem feridos.

- Radamanthys.

- Senhora Perséfone, perdoe a minha falha.

- Não estou preocupada com isso, como está? – estava muito preocupada com seus espectros.

- Sofremos uma derrota vergonhosa.

- Quem foi o responsável? – foi ate Aiacos.

- Não sabemos. – disse Garuda. – era um homem e uma mulher, eles não se identificaram. O homem usou seu cosmo para liberar as correntes.

- E a fecha?

- Não tocaram nela senhora Asteria.

- Pode ter sido Zeus? – indagou Perséfone.

- Meu pai está no Olimpo.

- Nunca vi aqueles cavaleiros senhora Perséfone. – disse Rada.

- O que querem com a minha filha... – Asteria estava aflita. – se o selo romper...

- Vou ao santuário. – disse Apolo.

- Por que?

- Esse problema já não é apenas nosso Asteria. Quem a levou sabia exatamente o que estava fazendo. Irei ao Olimpo primeiro saber quais deuses estavam lá no momento do ataque, depois vou ao santuário da minha irmã. Ela precisa saber quem está sob seus cuidados.

O.o.O.o.O.o.O

Quando tirou o cobertor sobre a cabeça viu que era noite. Ouvia o barulho dos carros na avenida próxima e o barulho do chuveiro no quarto. Descobriu-se por completo, sentando na cama. Parecia que tinha dormido por horas.

- Boa noite Dohko. – Dite apareceu enrolado numa toalha.

- Por quanto tempo dormi?

- Não muito, duas horas apenas.

- Vai sair? – notou a roupa do pisciano sobre a cama dele.

- Haverá uma festa na casa da avó da Yue.

- Vai se apresentar como namorado dela?

- Ela me disse que iria sondar o terreno. Acho que os pais dela vão achar esquisito um namorado ocidental.

- Apesar da China ser moderna em certas coisas, em termos de relacionamento não é. Eles vão te receber com um pé atrás, não porque não gostem de você, mas pela segurança dela. E outra coisa, vão perguntar sobre casamento.

- O que quer dizer?

- Ocidentais que pensam em ficar, namorar, conhecer e só depois casar. As coisas aqui não funcionam bem desse jeito.

- E ficou me recriminando porque eu disse que queria casar. – o olhou incrédulo. – disse que eu estava sendo rápido demais.

- Você nasceu no Ocidente. Eu disse aquelas palavras para você e não para ela. Se der sua palavra que vai casar, promessa é divida.

- Eu vou. – pegou a blusa. – já disse que não sou de enrolar. Apenas vou esperá-la formar.

- Se diz...

- Não quer ir?

- Na festa?

- É na festa. A Meilin não vai está.

- Não é uma boa idéia. – abaixou o rosto. – quando entrei naquela casa, era como se voltasse ao tempo. Vi claramente meus pais e irmãos, foi uma sensação muito ruim.

- Por isso acho que deve ir. – Dite sentou na cama ao lado dele. – para acabar com esses fantasmas que rondam sua mente. Você tem que encarar o problema de frente. Vamos, só um pouco.

Dohko pensou por alguns segundos.

- Está bem. Vou tomar um banho rápido.

Cerca de meia hora depois os dois cavaleiros estavam na porta da casa de Dohko. O libriano olhava para a entrada enfeitada. Lembrou-se das varias festas promovidas por sua família.

- Oi rapazes.

A voz de Helena o trouxe de volta.

- Oi Helena.

- Quando a Yue me contou que estavam aqui nem acreditei.

- Ela já chegou?

- Sim. Ela pediu para apresentá-los como meus amigos. Inclusive você Dite, ela vai conversar com a mãe dela primeiro e só depois fazer as devidas apresentações.

- Eu sei disso. – sorriu.

- Então vamos.

Dite e Helena entraram na frente, Dohko seguia atrás ainda receoso, quando o olhou o pátio externo todo decorado com lanternas vermelhas, imagens de dragões, comidas típicas sendo servidas, sentiu um nó no estomago. A impressão que tinha é que o tempo não tinha passado.

- Gustavv. – Yue aproximou sorrindo.

- Oi. – queria abraçá-la, mas não podia. – você está linda.

- Obrigada. – corou. – oi Dohko. – o fitou.

- Oi. Yue é...

- Ela não está aqui.

- Não é isso. Me desculpe por não ter contado a verdade.

- Está tudo bem vô Hian. – disse baixinho. – eu entendo. O importante é que voltou para casa.

- Vô Hian... – murmurou Dite. – gostei. Vovô.

Os três riram.

- Aproveitem a festa. – disse Yue.

A chinesa havia arrumado uma mesa para os três. Dite logo quis saborear a culinária chinesa, Dohko não quis, apenas ficou observando a casa e as pessoas. A maioria delas eram descendentes dele.

- Dohko.

Ele olhou para a neta.

- Vem. Quero te apresentar ao meu pai.

- Mas...

- Por favor.

- Vá Dohko. – Gustavv o encorajou. – será um bom contato.

Ele concordou indo com a chinesa.

Yue o levou para o interior da casa. A casa ainda preservava muitas coisas do seu tempo e aquilo o deixou feliz. De certa forma realmente estava em casa. O pai de Yue juntamente com o irmão e outros parentes homens estavam num canto, conversando e observando uma espada nas mãos de um deles.

- Pai.

- Yue?

- Esse é o amigo da Helena. Ele é chinês de Pequim. – disse.

Dohko a olhou imediatamente. Ela sorriu e ele entendeu.

- Meu nome é Kim Dohko. Prazer. – curvou-se.

- Eu sou Fu Hang. Prazer Kim.

Ele foi apresentado ao restante das pessoas, todos sem exceção eram descendentes diretos dele. Dohko ficou um pouco incomodado. Ele era um adolescente perto deles, no entanto era avô de todos eles. Yue pediu licença retirando-se.

- Conversávamos sobre armas. Gosta? – indagou Hang.

- Muito.

- Nós temos um estilo próprio Kim. – disse Han, pai de Meilin. – é o estilo Hohko que foi passado de geração a geração.

- E como é o método? – perguntou pois queria saber se realmente tinham preservado o método.

- Bem, consiste em... – iniciou Hang.

Dohko ouvia atentamente completamente surpreso, pois eles realmente tinham preservado toda a forma de construir armas do modo Hohko.

- É um método muito antigo. – disse Han.

- E iniciou com quem? – sabia a resposta mas queria escutar.

- Com um ancestral nosso chamado Hohko Huhai.

O cavaleiro sentiu as pernas bambas. Era o nome do seu pai.

- Ele... teve filhos?

- Sim. Hian, Ryu e Liu. A minha filha é muito parecida com a ancestral Liu. Alguns membros da família possui olhos claros. – Han o fitou. – como os seus.

- Minha mãe é ocidental. – tratou logo de dizer.

- Minha mãe Lang, disse que Hian e Liu tinham olhos verdes.

- Compreendo.

- Conseguimos preservar quase cem por cento da técnica, mas tivemos que adaptar na parte da forja, pois perdemos os ensinamentos.

- Qual parte perdeu?

- No momento que modela o ferro. Encontramos um velho pergaminho que ensina, mas metade dele se perdeu.

- Ah sim. – Dohko sorriu. – é muito fácil. É só fazer o seguinte.

O cavaleiro pegou a espada da mão de um deles e usando as mãos começou a ensiná-los. O grupo o fitava surpreso.

- É só repetir o processo e está pronto.

- Como sabe disso?

Dohko sentiu um frio na barriga, tinha dado uma grande mancada.

- Bem... foi meu pai que me ensinou assim, eu não sei onde ele aprendeu, mas creio que deve funcionar para vocês. – deu um sorriso sem graça.

- Podemos tentar. Quer conhecer nossa oficina?

- Ainda a mantém? – indagou surpreso. – quero dizer, vocês tem uma oficina aqui?

- Sim, nos fundos. Venha.

O libriano sorriu. Era bom saber que a oficina tinha sobrevivido. Dohko permaneceu com eles por um bom tempo. Vê as velhas ferramentas do pai, o local onde as armas eram feitas trouxe certo alivio para seu coração.

- Onde esteve? – indagou Dite.

- Na oficina do meu pai. – sorriu. – eles conseguiram preservar muitas coisas. Fiquei feliz ao ver.

- E era daquele jeito vô Hian?

- Não me chame de vô. – disse sem graça. – me sinto muito velho.

Riram.

- Era daquele jeito Yue. Fico feliz que tenham preservado tudo. Realmente tenho uma família maravilhosa.

- Quem tem uma família maravilhosa? – uma voz idosa se fez presente.

- Vó Lang. – Yue levantou. – esse é Gustavv.

- Hum... seu namorado. – ela sorriu e Yue e Dite coraram.

- É um prazer conhecê-la. – disse o pisciano curvando-se.

- Não fique acanhado, Yue me contou tudo. Eu aprovo, você é um rapaz muito bonito.

- Obrigado.

- E esse é o Dohko. – sobre o chinês Yue não contou.

A senhora Lang o fitou demoradamente, Dohko ficou sem graça.

- É um prazer conhecê-lo Dohko. – demorou no nome dele.

- Igualmente.

Lang sentou-se com eles, começando a contar fatos da família e Dohko ouvia atentamente. Ele estava prestes a perguntar algo quando olhou para a entrada. Calou-se na hora.

- O que foi Dohko? – perguntou Helena.

Ele não respondeu apenas olhava de maneira fixa para a porta. Os três estranharam seguindo com o olhar para onde ele fitava.

- Mei... – Yue deixou escapar.

A chinesa tinha chegado a pouco e quando soube da festa na casa da avó não perdeu tempo indo para lá. A primeira pessoa que viu foi Dohko.

O libriano aos poucos foi levantando, Lang acompanhava atentamente. Já tinha idade avançada por isso descobria as coisas no ar. O rapaz tinha vindo da Grécia, chamando-se Dohko e as historias que a avó contava sobre o guerreiro sempre as considerou verdadeiras. Não era absurdo se pensar que um guerreiro de uma deusa pudesse sobreviver tanto tempo e diante dos olhares da neta e dele teve certeza.

- Meilin... – Dohko murmurou.

A chinesa fechou a cara e sem dizer nada, passou direto indo para o interior da casa. Dohko abaixou o rosto.

- Acho melhor eu ir.

- Tem certeza? – indagou Lang o fitando seriamente. – Hian.

Todos assustaram-se.

- Como sabe que eu...

- Vivi muitos anos, acho que posso me dar o luxo de adivinhar certas coisas. Sempre achei que a lenda de Hian fosse verdadeira e olhar para você... se parece tanto com a Mei e com um tio meu, que foi fácil deduzir. Só me pergunto como sobreviveu por tanto tempo.

- A Yue vai te contar toda a verdade. – deu um meio sorriso. – obrigado por tudo. – virou-se para Dite. – aproveite a festa. Ate mais.

- Dohko... – Dite o fitou penalizado.

Ele saiu e não quis olhar para trás.

- Gustavv, conte para minha avó eu vou falar com a Mei. – disse Yue saindo.

Meilin foi para o jardim interno, o que ele fazia ali? Por que ele estava ali.

- Mei.

- Por que o trouxe aqui?

- Eu não o trouxe. Gustavv veio me ver e ele veio junto.

- Por que não disse que ele estava aqui?

- Por que achei que não iria voltar hoje de Shangai.

- Tire ele daqui. Ele não tem o direito de ficar aqui.

- Claro que tem Mei! É a casa dele, não sua! – bufou. – deixe de ser infantil!

- Ele mentiu para mim!

- E daí? Ele não poderia dizer quem era! Não entende isso!

Meilin virou o rosto.

- A vó Lang sabe quem ele é.

- Você contou? – a fitou imediatamente.

- Ela deduziu, sabe como a avó é.

- Mais um motivo de se manter afastado de nós.

- Eu não quero que ele se afaste de mim. Tenho curiosidade por saber sobre a nossa família, alem do mais ele tem um bom coração. Quero conviver com ele.

- Não sabe o que está dizendo...

- É você que não sabe. Ele passou duzentos anos perdido e agora que está de volta, você o manda embora. Reflita enquanto é tempo. Ele teve sorte de está vivo ate hoje, isso pode acabar a qualquer momento.

Disse saindo. Meilin ficou calada.

O.o.O.o.O.o.O

Era noite, no templo de Atena estavam todos reunidos de menos Miro que ainda não tinha voltado. Mu estava sentado num canto, pensativo. A sensação que algo tinha acontecido a Rosa o atormentava. Aldebaran andava de um lado para o outro. Se não bastasse o desaparecimento da Clarice, ainda tinha a irmã.

Atena não saia do lado de telefone, aguardando noticias, já que tinha chamado a policia. O cenário era de tensão.

O.o.O.o.O.o.O

Índia...

Sadi apagava o cigarro, com um sorriso nos lábios, fitava um corpo preso na parede.

- Hekat...

O.o.O.o.O.o.O

Apolo foi ao Olimpo e voltou na companhia de suas amazonas. Ao saber que Rada tinha sido ferido, Faro queria vê-lo, mas devido ao acontecimento do jardim conteve-se. Não seria prudente um encontro entre eles.

- E então Apolo? – indagou Asteria.

- Estavam todos no Olimpo no momento do ataque.

- Poderia ser um disfarce. – disse Perséfone.

- Não creio. Apenas Zeus tem interesse nela.

- E o faremos?

- Irei ao santuário de Atena.

Continua...

Clarice e Rosa desapareceram, o corpo de Hekat foi levado do inferno e Brahma e seus guerreiros apareceram... ate o próximo capitulo!