Título: There's a Light... (ou a Cia. Hogwarts de Teatro apresenta Rocky Horror Picture Show)
Disclaimer: Fanfic escrita por diversão e para me botar de volta ao rumo. Os direitos autorais de Harry Potter pertecem a JK Rowling, a Warner Bros. e etc. Rocky Horror Picture Show também não é meu e eu não gostaria de ter problemas com quem possui os direitos. Eu não possuo nada e nem quero dinheiro por essa história.
Avisos: Slash, slash e mais um pouco de slash. Se você não sabe o que é isso, talvez seja melhor nem ler.
Capítulo 25: É uma daquelas semanas
O pouco tempo em que eu ainda fiquei nos Potter passou como um borrão. Tudo o que me importava é ele tinha dito que me amava. De algum jeito, minha vida havia se tornado mais exuberante em poucos minutos. As cores pareciam mais vibrantes, os sorrisos mais alegres e as estrelas mais brilhantes. Em algum momento daquela noite, Luna me deu um olhar que parecia dizer que agora eu via o mundo como ela. Ou eu posso ter entendido errado.
No dia seguinte, aquela sensação continuou e me senti perdido e confuso. Eu não sabia como agir a partir desse novo sentimento, que eu só poderia chamar de felicidade genuína. Não era como seu eu tivesse ficado o dia inteiro alegre ou que nada chato ou irritante tivesse acontecido. Era como se nada pudesse me abalar. Nem a faculdade, nem o trabalho, nem o ensaio. Eu estava me sentindo tão em paz que os olhares e fofocas durante a aula não me incomodaram. Muito menos e longo e tedioso discurso de Tonks sobre como aquela última semana de ensaio seria a mais importante de nossas vidas.
- Essa semana é a semana... – A diretora já falava há quinze minutos. – Nós precisamos estar completamente preparados. A atuação tem que estar perfeita, assim como o canto, a dança, os posicionamentos, as luzes, a música, os cenários... – Eu estava prestando apenas meia atenção. A mão de Harry entrelaçada na minha e seus comentários sussurrados no meu ouvido eram uma grande distração.
Tonks continuou falando e em alguns momentos era possível ver que Lupin tentava interrompe-la para que pudéssemos realmente ensaiar. Passaram mais ou menos meia hora até que ele conseguisse e a partir daí o ensaio pode começar. Como a estreia seria no sábado, a semana inteira seria de ensaios gerais. Isso quer dizer que nós teríamos que ensaiar, a cada noite, os três atos da peça em ordem. Entretanto, Tonks estava nos parando tanto que só íamos conseguir ensaiar o primeiro ato naquela noite. Então, Lupin tomou a rédea do ensaio quando conseguimos terminar a cena do casamento e uma discussão explodiu entre os dois. Na mesma hora, a porta do teatro abriu e Ronald Weasley (com quem Tonks tinha gastado dez minutos reclamando sobre o comprometimento) entrou discretamente. Ou seja, todo mundo parou para observar.
- Não achei que ele fosse aparecer... – Pansy comentou comigo, enquanto Weasley rapidamente andava até o palco, onde todo mundo tinha relaxado durante a discussão. Harry foi chegando perto de mim e se sentou ao meu lado na beira do palco, me dando a mão. Weasley chegou à frente do teatro, mas não subiu ao palco. Ele parou bem na nossa frente, completamente pálido e ficou algum tempo tomando coragem de falar algo.
- Harry... – Ele falou em voz baixa.
- Ron... – Disse Harry, cansado. – Se você veio falar mal do...
- Não, não... – Wealsey o interrompeu, rapidamente. – Eu vim me desculpar. Não sei o que deu em mim, mas... – De repente, ele parecia não saber o que dizer. – Eu devia ter te ouvido ao invés de tirar minhas próprias conclusões... – Harry o olhou friamente por alguns instantes e depois sorriu.
- Tudo bem, Ron. – Ele falou, dando de ombros. – Esquece. – As pessoas que estavam em volta assistindo, ficaram desapontadas. Elas queriam mais drama. Então, começaram a se dispersar. Entretanto, Hermione se aproximou ainda mais e parecia muito frustrada.
- Vocês dois são muito burros. – Ela falou, apesar de lágrimas nos olhos. – Além disso, você não tem nada para dizer ao Draco, Ronald? – Nós três olhamos para ela e Weasley começou a ficar ainda mais branco.
- Tudo bem, ele já me pediu desculpas... – Falei, rapidamente. Harry e Hermione me olharam incrédulos. Eu dei de ombros e eles olharam para Weasley, que estava ficando muito corado.
- Não era para falar para eles, Malfoy. – Ele disse, como se não fosse nada demais.
- Desculpe, Weasley, não sabia que você queria implorar o meu perdão pela segunda vez e em público.
Weasley me olhou confuso por um momento e então percebeu que eu estava apenas implicando com ele. Antes que ele pudesse dizer algo, Lupin e Tonks recomeçaram o ensaio e foi excelente. Mesmo tendo só ensaiado o primeiro ato da peça, algo havia mudado na Cia. Todos estavam mais concentrados e interessados, e chegou até a ser divertido, pois eu e Weasley havíamos começado a implicar um com o outro de uma maneira boba, que não faria mal a ninguém, para completo divertimento de Harry e desespero de Hermione.
- Sabe, Malfoy... – Disse Weasley no final do ensaio, para que todo mundo pudesse ouvir. – Estou começando a aprovar esse seu namoro com Harry. Desde que vocês não fiquem se pegando na minha frente... – Eu dei meu melhor sorriso de lado, puxei Harry e lhe dei o maior beijo. Weasley fez cara de riso e de contrariado ao mesmo tempo e Hermione suspirou, cansada.
- Meninos...
Let's do the time warp again…
Finalmente, tudo estava dando certo. Eu estava me dando bem na faculdade e no trabalho, os ensaios estavam sendo bons apesar da loucura de Tonks e Luna e eu estávamos guardando as coisas do apartamento para a mudança. Além disso, meu relacionamento com Harry não podia estar indo melhor. Nós víamos todos os dias e passávamos todo o tempo que podíamos juntos. E por incrível que pareça as coisas melhoraram ainda mais, pois Weasley e Hermione começaram a namorar alguns dias depois de ele ter pedido desculpas ao Harry. As coisas não poderiam estar melhores e, apesar de ainda me sentir genuinamente feliz, algo começou a me incomodar.
Luna e eu íamos nos mudar no sábado e eu ainda precisava pegar as minhas coisas na mansão. Eu tinha tirado folga no trabalho para a mudança e achei melhor deixar tudo para o mesmo dia. Já estava tudo embalado, pois, assim que eu tinha dito a minha mãe que ia mudar para um apartamento de dois quartos, ela começou a embalar tudo junto com a sra. Bates. Mesmo assim, seria estranho voltar a mansão. O Draco que morava lá era uma pessoa quase que completamente diferente de mim. E por mais que aquelas fossem as minhas coisas e eu tivesse animado para pega-las, eu me perguntava se elas eram realmente minhas. Enfim, era estranho saber que eu voltaria a casa onde eu cresci sendo que, agora, eu não sentia mais como se aquela fosse a minha casa (ou que tenha sido em algum ponto). Minha única sorte era que Lucius estava viajando e eu não teria que encontrá-lo.
E por mais feliz que eu estivesse, mais sério ia ficando conforme a semana foi passando. Não deixei isso afetar a minha vida como um todo, mas aqueles mais próximos de mim percebiam que havia algo estranho comigo. Luna, sempre que me via, me dava um olhar perdido, mas compreensivo. Hermione me perguntava três vezes por dia se estava tudo bem. Pansy estava me enlouquecendo, apesar de parecer ter adivinhado o que estava acontecendo. Até Blaise tinha me perguntado seriamente se estava tudo legal comigo. Entretanto, Harry não dizia nada e isso não me incomodava. Então, ele me surpreendeu na sexta feira, depois do ensaio.
- Draco... – Ele falou quando chegamos perto do meu carro. – Você quer que eu vá com você amanhã? – Eu não sabia o que dizer. Claro que eu tinha comentado com ele que iria na mansão no dia seguinte pegar minhas coisas, mas nós não tínhamos falado nada sobre o assunto e mesmo assim, ele sabia que eu não estava bem com aquela situação.
- Sabe, até que você não é tão tapado assim, Harry. – Ele deu um sorriso de lado, pois, de alguma forma, ele sabia que eu só estava ganhando tempo. – Acho que não precisa.
- Tem certeza? – Harry perguntou, preocupado. – Você sabe que pode me dizer o que está te incomodando.
- Eu sei, mas... – Admitir a verdade não era fácil. – Na verdade, eu nem sei direito o que está acontecendo dentro de mim.
Harry se encostou no meu carro e começou a me perguntar sobre como eram as coisas quando eu morava na mansão. Ele prestou muita atenção enquanto eu contava o quão miserável eu era morando lá. Fazendo de tudo para não causar problemas com Lucius ao mesmo tempo em que não fazia nada por mim mesmo. Enquanto eu falava com Harry sobre coisas que eu nunca tinha falado com ninguém, percebi que eu havia parado a minha vida completamente quando voltei da Itália para casa. Apesar de ir para a faculdade, eu não fazia nada que eu realmente gostasse ou me interessasse. Eu só ia seguindo a rotina, sem nem pensar, e ficava longe o mais longe do meu pai possível, para não me irritar.
- Você não acha que você pode estar com medo de voltar lá? – Harry perguntou, de repente.
- Como assim?
- Talvez, e isso é só algo que passou pela minha cabeça, você ache que voltando a mansão, você vai voltar sua vida de antes. – Ele fez uma pausa e pensei que ele seria um ótimo psicólogo um dia. – Talvez você ache que ao entrar lá, naquele lugar tão familiar, algo vai acontecer e você vai ficar preso lá para sempre, sendo infeliz novamente. E, como você não quer isso, você está preocupado e com medo de simplesmente ir lá pegar suas coisas. Ao mesmo tempo, fazer isso seria o seu último ato de seguir em frente. E, pode ser, que você também esteja com receio disso. – Não falei por alguns instantes, pensando no que ele havia dito. – Sei que parecem ser sentimentos contraditórios, mas...
- É... – Falei, o interrompendo. – Mas faz sentido.
Harry sorriu para mim e não disse mais nada. Ainda pensei um pouco mais, porém ele estava ali, tão perto de mim e tão bonito a luz do luar, que não me aguentei e o beijei longamente. Harry estava certo, eu não queria voltar a mansão. Eu não queria desistir dessa vida nova que eu havia encontrado e de toda aquela felicidade. E, mais do que qualquer outra coisa, eu não queria perde-lo. Mas, de algum jeito, aquele beijo me dizia que, mesmo que alguém me prendesse na mansão e eu nunca mais pudesse vê-lo, eu ainda o teria.
Let's do the time warp again…
Logo cedo, no dia seguinte, eu já estava dirigindo em direção a mansão. Fazia menos de dois meses que eu tinha ido embora de lá, mas o caminho já me parecia estranho. Além disso, eu me sentia como se estivesse indo em direção a uma armadilha. Porém, cheguei lá e minha mãe me recepcionou, muito feliz. Por mais que ela dissesse coisas como "Ah, meu bebê está indo embora", Narcisa Malfoy estava muito contente. Ela e a sra. Bates já tinham levado todas as caixas para o andar de baixo e rapidamente me ajudaram a colocar todas no carro. Não eram muitas e percebi que eu não tinha muitas coisas em comparação com outros rapazes na minha situação. E, mesmo sabendo que tudo estava ali (minha mãe tinha feito uma lista), não pude deixar de subir e dar uma última olhada no meu quarto.
Entrei no quarto, mas não tive nenhuma sensação de familiaridade. Mesmo tendo passado boa parte da minha vida ali e tendo sido meu refúgio nos últimos anos, aquele não era o meu quarto. Era só o quarto onde eu dormia. Olhei o guarda-roupa e não havia nada ali. Na verdade, o quarto estava quase que completamente vazio. Sentei na cama e percebi como o medo de voltar ali era completamente infundado. O sofá de Luna era muito mais meu quarto do que aquele cômodo tinha sido. Levantei para ir embora, mas resolvi olhar embaixo da cama para ver se não tinha nada caído ali. Porém, a única coisa que estava ali era uma caixa que me fez corar. Eu não poderia deixar aquilo ali, então a peguei e saí do quarto como se aquilo não fosse nada demais.
Quando desci, minha mãe me entregou uma sacola com alguns livros que pertenciam a biblioteca da casa, mas que ela sabia que eu gostava bastante deles. Disfarçadamente, coloquei a caixa junto e levei para o carro. Minha mãe veio comigo, perguntando se eu não queria fazer um lanche ou ficar para almoçar, mas eu queria sair dali o mais rápido possível. Não porque eu tinha entendido que o meu medo era irracional, que eu tinha parado de senti-lo. Despedi da sra. Bates, que parecia ter lágrimas nos olhos. Mas quando fui me despedir de minha mãe, um carro preto entrou pela garagem e veio dando a volta nos grandes jardins que haviam na mansão até onde estávamos. O carro parou e Lucius desceu do banco traseiro. A sra. Bates se adiantou e foi pegar as malas com o motorista, para depois correr para dentro de casa.
- Ora, ora, ora. Se não é o seu filho ingrato, Narcisa. – Ele falou se aproximando de nós.
- Achei que só voltaria amanhã, Lucius. – Minha mãe respondeu. Porém, ela não parecia surpresa.
- Resolvi voltar mais cedo para minha casa. – Lucius enfatizou o "minha". Tanto eu quanto minha mãe rolamos os olhos. Um pouco irritado por causa da nossa reação, ele se aproximou de mim e falou, friamente. – O que te traz de volta, Draco?
- Vim pegar as minhas coisas. – Imitei ele perfeitamente.
- As que foram compradas com o meu dinheiro?
- Lucius, pelo amor de Deus. Chega de criancice. – Meu pai olhou perigosamente para minha mãe, porém ela o ignorou. – É melhor você ir, querido. Ou vai se atrasar para a peça. – Dei um último olhar de ódio para ele e me despedi da minha mãe. Porém, enquanto entrava no carro, Lucius me provocou.
- Como vai o namoradinho? – Ele perguntou, zombeteiro. – Você não achou que a notícia não ia chegar em mim, achou? – Bati a porta do carro e o encarei. – Ainda mais sendo ele Harry Potter. – Lucius veio andando, completamente furioso até mim. – O que deu na sua cabeça, moleque? Você acha que isso vai dar certo? Que você e Potter vão poder namorar em paz? Que...?
- Chega. – Falei, friamente. Lucius não merecia nem a minha raiva. – Isso é um assunto particular meu e não tem nada a ver com você. Por que você não faz um favor a todo mundo e esquece que eu existo?
Entrei no carro, dei ré e fui embora. Eu tinha me descontrolado um pouco, mas não o suficiente para que Lucius achasse que tinha ganhado. Fui pegar Luna para irmos ao novo apartamento. Colocamos as caixas com as coisas dela e mais algumas coisas minhas que estava lá no carro, entregamos a chave ao proprietário, depois fomos para nossa nova casa. Por incrível que pareça, até porque nós mal paramos para comer naquele dia, terminamos de arrumar tudo no final da tarde, com tempo de sobre para ir para o teatro. Afinal, aquele também era o dia da estreia.
Notas: Eu realmente tenho que parar de fazer promessas.
Mas aqui está a últimas leva de capítulos e vocês ganharam um capítulo a mais que não havia sido planejado.
Isso tudo antes do final de 2015.
Espero que vocês gostem.
Vou desejar Feliz Ano Novo para todo mundo logo, porque eu sempre esqueço esse tipo de coisa.
Como vocês perceberam em todos os últimos capítulos postados.
Eu falei sobre ser Natal, mas eu não desejei Feliz Natal para vocês.
Então, Feliz Natal atrasado também.
E você que está lendo no futuro, Boas Festas também.
