Título: A Razão na Emoção
Autora: Lab Girl
Categoria: Bones, B&B, 6a temporada, angst, hurt/comfort, drama, romance
Capítulo: 25/?
N/A Capítulo 25: As investigações continuam complicadas, e fatores-surpresa vêm por aí... o que será que vai acontecer?
Boa leitura!
CAPÍTULO 25
Frustrado, Boooth suspira em sua sala no FBI. Se os últimos dias não foram fáceis, as últimas horas menos ainda. Foi procurar Paula Acker e não foi nada fácil a aproximação. Ele havia contado a ela a respeito da descoberta de uma nova bala, mais potente do que as que Broadsky comumente usava, e sobre a cabeça de alce que o ex-professor lhe enviou. As dúvidas dela, porém, embora compreensíveis, não podiam mais ser justificadas. Ela se negava terminantemente a colaborar com a investigação e insistia que Broadsky era inocente.
Ao agente, não restou alternativa além de prendê-la por ser cúmplice de um fugitivo da lei. Broadsky pode ainda não ser acusado formalmente pelos assassinatos de Heather Taffet e da segunda vítima, mas é procurado pela Justiça há muito tempo. E se Paula o está encobrindo, Booth sabe que como agente da lei fez o que era o certo ao mandar prendê-la como cúmplice. Pena que isso não redundou em nenhuma informação proveitosa. Broadsky segue desaparecido, mesmo depois do terreno que registrou em nome de Booth ter sido todo vasculhado e a cápsula de cobre que encontraram no local ter sido analisada, nem sinal dele. Onde ele deve estar agora, o agente não faz ideia. E sua última esperança era apelar à consciência de Paula, o que foi em vão.
Mesmo sabendo que cumpriu seu dever ao prendê-la, não o agrada a sensação de prender uma oficial a quem considerava sua igual na promoção da ordem e da justiça. Infelizmente, porém, Paula escolheu ficar ao lado de um fora da lei.
"Acalme-se, agente Booth" a voz de Lance Sweets quebra o silêncio na sala. "Eu sei o quanto não gosta desse tipo de coisa, mas você fez o correto. A oficial Acker se tornou cúmplice de um desertor foragido."
"Eu sei" o agente deixa os ombros pesados caírem, suspirando. "É o que tento usar para me confortar um pouco. Mas é sempre uma pena perder oficiais assim como ela."
"Pena ela ter se envolvido com um sujeito como Broadsky."
"Sem dúvida. Jacob pode ser muito sedutor e persuasivo com as palavras, deve tê-la convencido das suas boas intenções."
Jogando o corpo cansado sobre a velha cadeira, Booth encara o psicólogo, que toma assento à sua frente, do outro lado da mesa.
"Esses não são dons incomuns em oficiais e agentes da lei" Sweets diagnostica.
De repente, vem à lembrança de Booth as insistentes comparações de Brennan em relação a ele e Jacob Broadsky. Remexendo-se desconfortavelmente na cadeira, acaba deixando a queixa escapar.
"Ela continua me comparando com ele porque fomos atiradores e nos colocando na mesma cesta."
"A Dra. Brennan? Interessante…"
"Ei! Você devia dizer que não, Broadsky e eu definitivamente não somos iguais."
"Tem certeza disso?"
"Mas é claro!" Booth exclama, exasperado.
"Então não precisa que eu diga. Nem a Dra. Brennan. Se você sabe que são diferentes, não é preciso que ninguém lhe diga isso."
"Mas essas comparações dela me irritam profundamente. Sei que nossa relação já não é mais a mesma de antes, mas, pôxa, fomos parceiros durante anos, ela me conhece. Ou devia me conhecer melhor do que isso."
"Você se importa tanto assim com o que a Dra. Brennan pensa a seu respeito?"
"É claro que sim" Booth percebe a respiração alterada e tenta se controlar. "Claro, eu acabei de dizer, fomos parceiros durante anos… amigos… como ela pode me comparar com um sujeito como Broadsky?"
"É natural."
"Natural?" o agente fica indignado.
"Sim. A Dra. Brennan é uma pessoa bastante racional, e, racionalmente falando, você e Broadsky têm traços semelhantes, o que não significa que são iguais. Ambos são exímios atiradores, comprometidos com o que se propõem a fazer, meticulosos. Ambos tiveram que exterminar vidas em guerra…"
"Espere aí, Sweets" Booth ergue a mão, sentindo o outro tocar em sua ferida. "Eu nunca quis puxar o gatilho. Não foi escolha minha, era guerra, foi uma necessidade, cumpri minha responsabilidade."
"Eu entendo, agente Booth."
"E por que será que a Brennan não consegue entender isso também?"
"Talvez ela entenda."
"Então por que me compara sempre com Broadsky?"
"Talvez, na mente dela, agora as semelhanças entre os dois estejam mais visíveis do que as diferenças."
"Como? Broadsky se tornou um assassino, eu sou o oposto disso, Sweets."
"Broadsky já foi um homem bom. Como você."
"E é justamente o que eu não entendo. Não consigo entender o que aconteceu com ele, por que se tornou esse cara que agora eu tenho que caçar" o agente olha para Sweets em busca de uma resposta.
"E você quer que eu lhe responda isso?"
Booth balança os ombros. "Bem, você é o psicólogo aqui, não? Supõe-se que você entenda a mente humana, o que motiva as pessoas a serem ou agirem de uma forma ou de outra."
Sweets inclina-se para a frente, apoiando os cotovelos sobre a mesa e entrelaçando as mãos, assumindo ar profissional.
"Você quer saber o que dá a ele o direito de decidir quem vive ou quem morre. Bem, a resposta não é simples, agente Booth. Ser causador da morte de alguém, não importa sob quais circunstâncias, deixa um grande fardo sobre os ombros de um homem. E as pessoas lidam com esse fardo de modos diferentes. Alguns comemoram, deleitando-se na sensação de poder para justificar seu ato. Outros, como Broadsky, se justificam de uma outra forma. Eles sentem que é seu destino fazer justiça. Eles convencem a si próprios de que possuem um alto valor moral, suficiente para decidirem quem merece morrer."
"E no meu caso?"
"Você é um homem de bem, agente Booth. Um homem saudável. Você aceita o que teve que fazer, assim como a dor, a tristeza e o arrependimento que vêm com isso. Nem todo mundo tem a força para aceitar e lidar com essa realidade."
Booth abaixa a cabeça. Talvez Sweets tenha razão. Ele espera que tenha. Afinal, nunca foi fácil lidar com toda a carga que o trabalho impôs sobre seus ombros, especialmente a carga do passado como atirador das Forças Especiais. Se ao menos Brennan pensasse assim também…
O resto do dia passa de modo arrastado e quando chega a hora de voltar para casa, o agente agradece internamente. Girando a chave na porta de entrada de seu apartamento, deixa o corpo cansado entrar pelo corredor com um longo suspiro.
Assim que termina de retirar o paletó do terno, pendurando a peça num dos ganchos do cabideiro pregado à parede, um movimento inesperado chama a atenção de sua visão periférica e ele se vira a tempo de ver a figura de Jacob Broadsky surgir das sombras do interior de seu apartamento empunhando uma arma.
"Boa noite, Booth."
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