CAPÍTULO VINTE E SEIS
Desencontro
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And the hardest part
(E a parte mais difícil)
Was letting go not taking part
(Foi deixar tudo ir sem tomar partido)
Was the hardest part
(Foi a parte mais difícil)
O céu estava cinzento e nublado, assim como os olhos de Draco ao assistir Harry dobrar a esquina correndo com a bicicleta. O loiro ficou contemplando sem ação, seu corpo ainda tremendo pelas sensação ainda frescas em sua pele, sua mente trabalhando veloz, relembrando as palavras do moreno, repetindo-as e fazendo com que elas ecoassem em sua mente.
"Se você está pensando que tudo vai ser como antes, está muito enganado, entendeu?". Não, ele não queira que fosse tudo como antes! Queria que Harry o aceitasse e que retribuísse seus sentimentos, mas as atitudes do moreno diziam exatamente o contrário. Uma amizade arruinada? Um amor perdido. Longe. E Draco não tinha feito nada para impedi-lo de se afastar. Essa era a parte mais difícil. Não tinha dado um soco em Harry por tê-lo abandonado, nem tinha o apertado em seus braços, impedindo-o de abandoná-lo, nem tinha gritado com todas as suas forças que ele era um cabeça-rachada idiota que não tinha entendido nada.
"Me solta!". Harry não tinha entendido que aquele simples empurrão ainda ardia em seu peito, como se as mãos dele estivessem tatuadas a fogo em sua pele. Não tinha entendido que aquelas palavras machucaram profundamente, que havia um nó em sua garganta que o impedia de falar, de se justificar, que seus olhos ardiam e um desespero consumia sua alma conforme a realidade o atingia, cruel.
"Eu não vou ser seu brinquedinho, Draco. Não vou deixar que você faça comigo o mesmo que fez com Pansy". Não, ele não tinha entendido nada.
Era estranho o modo como aquele seu ímpeto de coragem começava a despertar um profundo arrependimento. De que valia ter tido a oportunidade de tê-lo em seus braços, de provar de seus beijos, daquela sensação patética de contentamento com sinos soando ao fundo, quando depois de experimentar tudo isso ele estava tão desolado?
And the strangest thing
(E a coisa mais estranha)
was waiting for that bell to ring
(Foi esperar aquele sino bater)
It was the strangest start
(Foi o inicio mais estranho)
Draco sentiu as primeiras gotas na pele nua dos braços e voltou a face para o céu, recebendo a garoa gelada diretamente no rosto, de olhos fechados. Inspirou lentamente o cheiro de chuva, talvez para impedir um soluço que ameaçava subir por sua garganta.
Era como se seu mundo estivesse desmoronando como aquela fina garoa. Ele temera tanto por isso, por ser rejeitado, por perder tudo o que tinha alcançado durante o último mês, a proximidade, a confiança, a amizade do moreno... E estava tudo arruinado por causa daquele beijo, cujo gosto adocicado Draco ainda podia sentir. Só lhe restava esse gosto e o remorso que ele lhe trazia. Um relâmpago traçou uma linha prateada no céu carregado.
I could feel it go down
(Eu pude sentir tudo desmoronar)
It is sweet I could taste in my mouth
(Doce-amargo, eu pude sentir na minha boca)
Silver lining the clouds
(Forrando de cinza as nuvens)
Oh and I
(Oh, e eu)
I wish that I could work it out
(Eu queria poder consertar)
Se não tivesse provado aquele gosto, ainda teria Harry?
Um trovão seguiu o raio e Draco abriu os olhos, voltando a encarar a rua com uma expressão amarga. Se não tivesse provado, enlouqueceria tendo-o tão perto e tão inalcançável. O céu derramava suas lágrimas, mas Draco não o faria. Não tinha o que se arrepender, na verdade.
And the hardest part
(E a parte mais difícil)
Was letting go not taking part
(Foi deixar tudo ir sem tomar partido)
You really broke my heart
(Você realmente partiu meu coração)
Determinado, virou de costas para a rua e entrou, batendo o portão atrás de si, sem se preocupar em fechá-lo. Era obrigação do porteiro, não sua. Assim que cruzou o gramado do jardim, encontrou Narcissa na porta.
- Draco? Acordado há essa hora? E ainda tomando chuva?
Draco não deu atenção a ela e continuou sua marcha Mansão a dentro.
- Draco, você está bem, querido? Draco? Draco!
O loiro subiu as escadas de dois em dois degraus, seu rosto se contorcendo conforme a raiva crescia em seu peito. Avistou Winky abrindo a porta de seu quarto e rosnou:
- Agora não, Winky.
- Sim, senhor, eu só vou pegar a bandeja...
- AGORA NÃO! - ele explodiu e a mulher baixinha deu um passo para trás, arregalando os olhos.
Se recusando a sentir remorso também por isso, Draco entrou no quarto e bateu a porta com força, seu peito subindo e descendo descompassadamente. O quarto permanecia da mesma maneira que eles tinham deixado, a cama desfeita, algumas peças de roupa espalhadas, os cds todos empilhados ao lado do computador, a bandeja com restos de torradas e geléia, a jarra de suco vazia e os copos sobre a mesinha. Cada um daqueles objetos remetendo-lhe lembranças vívidas em sua memória, risos, os olhos de Harry...
And I tried to sing
(E eu tentei cantar)
But I couldn't think of anything
(Mas eu não conseguia pensar em nada)
That was the hardest part
(E essa foi a parte mais difícil)
Draco caminhou até a janela fechada. Nunca mais abriria aquela janela. Então virou-se para a cama desfeita. Lembrou-se da madrugada, quando tinha o abraçado. Tinha dormido abraçado a Harry! Tinha beijado seu ombro, aspirado o perfume de seus cabelos, sentido a textura de sua pele, tinha sido tão bom... e aquele gosto... aquele gosto nunca deixaria sua boca. Estava gravado em seus sentidos.
O cheiro de Harry estava mesmo impregnado na roupa de cama, ou era só sua mente lhe pregando peças? Bem, não importava, realmente. Num ímpeto de raiva, puxou os lençóis, embolou-os e mirou contra a porta, acertando a parede e derrubando os copos no trajeto do tecido ao chão. Ignorou o barulho do vidro se estilhaçando. Chutou o pé da cama, tendo o impacto amortecido pelo tênis.
O loiro, ofegante, contornou o móvel e entrou no banheiro, mas ali também havia a presença marcante de Harry em cada parte que ele olhasse. A escova de dentes que Draco tinha-lhe dado, novinha, foi atirada contra a parede, assim como o frasco de xampu.
Draco puxou a toalha que Harry tinha se enxugado e atirou no chão, então ficou encarando-a, respirando rapidamente. Abaixou-se e abraçou o tecido, cheirando-o, porém atirou-o longe, como se tivesse levado um choque, quando sentiu os olhos voltarem a arder. Passou as mãos pelos cabelos e puxou-os quase dolorosamente, encostando-se no batente da porta do banheiro.
I could feel it go down
(Eu pude sentir tudo desmoronar)
You left the sweetest taste in my mouth
(Você deixou o gosto mais doce na minha boca)
Your silver lining the clouds
(Você forrou de cinza as nuvens)
Oh and I
(Oh e eu)
Oh and I
(Oh e eu)
I wonder what it's all about
(Me pergunto o por quê de tudo isso)
Draco contraiu o rosto com raiva. Raiva dos lençóis e de tudo mais em seu quarto que trazia uma vaga lembrança do moreno, raiva das lágrimas que pediam passagem, do nó em sua garganta, raiva de si mesmo por não ter feito nada. Do que ele tinha mais raiva? De quem?
I wonder what it's all about
(Me pergunto o por quê de tudo isso)
Por que tudo tinha que dar errado? Por que ele tinha que ter estragado tudo? Por que tinha que ser tudo tão complicado? Por que ele tinha que ter se apaixonado por Harry? Por quê?
Everything I know is wrong
(Tudo o que eu sei está errado)
Everything I do just comes undone
(Tudo que eu faço simplesmente se desmancha)
And everything is torn apart
(E tudo está despedaçado)
Por que Harry não tinha entendido? Será que ele não tinha sido óbvio o bastante? E aquele beijo! Por que tinha correspondido se era pra escorraçar com ele depois?
Mas ele não choraria, não se lamentaria, nem imploraria para que Harry o escutasse. Tocaria sua vida. Não precisava de ninguém. Sempre fora sozinho, sobreviveria sem Harry. Não importava o quanto doesse dizer isso para si mesmo.
Oh and it's the hardest part
(Oh e é a parte mais difícil)
That's the hardest part
(Essa é a parte mais difícil)
Yeah that's the hardest part
(Sim, essa é a parte mais difícil)
That's the hardest part
(É a parte mais difícil...)
Voltou-se para o banheiro novamente, mirando-se no espelho. Arrumou os cabelos, ajeitou a roupa, lavou o rosto - apesar de não ter derramado sequer uma lágrima - e saiu do quarto. Quando voltasse, seu quarto estaria limpo. Tanto da sujeira quanto das recordações.
Assim que saiu, foi abordado por sua mãe, que informou-lhe que Lucius estava recebendo o Sr. Bagman, e que este fazia questão de sua presença para o almoço. Excelente! Nada como uma tarde de negócios em pleno domingo para esquecer dos problemas. Até o final do dia, ele estaria provavelmente querendo estrangular Bagman e Lucius, mas pelo menos se esqueceria de... de Harry.
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Remus saiu do banheiro do namorado enxugando os cabelos em uma toalha e colocou a cabeça para fora do quarto.
- Padfoot, onde está sua escova de cabelo? - ele perguntou, sobrepondo sua voz ao som da televisão.
- Eu é que sei? - veio a resposta. - Pegue a do Harry.
Remus rolou os olhos, inconformado e caminhou até a sala, onde encontrou Sirius deitado no sofá e Snuffles assistindo atentamente à televisão.
- E o Harry tem escova de cabelo? - perguntou o professor.
Sirius gargalhou.
- Por incrível que pareça, ele tem.
- Humm, e suponho que ele só não perde a dele porque não usa?
- Bem, eu costumo perder a escova dele, porque nunca acho a minha - Sirius sentou-se, dando de ombros.
Nesse momento, Snuffles desviou a atenção para a cozinha e segundos depois eles ouviram o barulho da porta se abrindo. O cão latiu e saiu em disparada. Sirius levantou-se e os dois homens dirigiram-se para a cozinha, onde avistaram Harry de costas, fechando a porta e ignorando a festa que Snuffles lhe fazia.
- Agora não, Nuf - murmurou ele com a voz rouca e quando finalmente virou-se, estacou ao perceber Sirius e Remus o encarando, intrigados.
Harry tinha a roupa e os cabelos úmidos por causa da garoa e os óculos cheios de gotículas, o que disfarçava um pouco seus olhos vermelhos.
- Oi - resmungou o garoto abaixando os olhos e tentando passar por eles sem dizer nenhuma palavra, porém foi barrado por Sirius.
- Onde você pensa que vai?
Harry suspirou cansadamente, deixando os ombros caírem e respondeu, ainda sem levantar os olhos:
- Vou para meu quarto, Sirius.
- Ah, não... - começou Sirius, porém Remus colocou uma mão em seu ombro, puxando-o levemente, para que ele desse passagem ao garoto.
- Agora não, Padfoot - falou Remus, suavemente, completando com um olhar que dizia "ponto final".
Sem esperar por alguma reação do padrinho, Harry se esgueirou para o corredor e entrou no próprio quarto, fechando a porta. Sirius olhou para Remus com as sobrancelhas franzidas.
- O que há com ele?
- Não sei... - respondeu o professor, pensativo.
- Eu vou lá...
- Na-na-não! - Remus segurou o namorado mais firmemente para que ele não saísse do lugar.
- Por que não? Ele é meu afilhado! Eu tenho o direito de saber o que está acontecendo!
- É claro, mas o assunto pode ser delicado.
- E você está insinuando que eu não sei lidar com assuntos delicados? - disse Sirius, sarcástico, cruzando os braços diante do corpo.
Remus bufou.
- Eu conheço muito bem sua sutileza, Padfoot. Quanto mais se tratando possivelmente de Malfoy. Você vai ficar aqui e eu vou pegar a escova de cabelo do Harry, ok?
Sirius simplesmente se virou, emburrado, caminhando a passos pesados até o sofá como uma criança mimada que acabara de ouvir um "isso é assunto pra gente grande", seguido por Snuffles. Remus não deu atenção para ele e foi até o quarto de Harry, batendo suavemente na porta. Quando não recebeu resposta, Remus abriu uma frestinha da porta lentamente e deparou-se com Harry encolhido na cama, sentado, abraçando as pernas com o rosto enterrado nos joelhos e os óculos largados sobre a cama.
Remus voltou a bater na porta aberta.
- Harry, será que eu posso pegar sua escova de cabelo? - perguntou suavemente.
O garoto fungou e murmurou um "um-hum", sem se mexer. Remus entrou e foi até o banheiro, onde penteou os cabelos molhados rapidamente e voltou ao quarto, só para encontrar Harry ainda encolhido, porém agora com a cabeça encostada na parede, os olhos voltados para a janela e rastros de lágrimas no rosto. O professor aproximou-se e sentou-se na cama encarando-o.
- Você quer conversar, Harry?
Esperou pacientemente até que Harry fungasse novamente e falasse, com a voz controlada.
- Ele me beijou, Moony.
A única reação do homem diante da informação foi levantar ambas as sobrancelhas antes de perguntar:
- E você não gostou?
Harry voltou-se para ele, o cenho franzido em confusão.
- Como?
- Qual foi sua reação, Harry? - Remus perguntou, calmamente.
- Moony, acho que você não está entendendo. Eu disse que...
- Eu entendi perfeitamente, Harry. Eu imaginei que isso aconteceria em algum momento, só não achei que você voltaria chorando para casa depois disso. Você não gostou de ele ter te beijado?
- Mas... - Harry piscou algumas vezes, tentando ordenar os pensamentos. - Como assim, você imaginou que isso aconteceria?
- Bem, estava meio óbvio, Harry - Remus deu de ombros e continuou, diante da confusão do garoto. - Estava lá, pra quem quisesse ver, a maneira como ele te olha, como ele parece mudado quando está com você, eu já peguei vocês sorrindo um para o outro mais de uma vez, de uma maneira meio cúmplice, a proximidade entre vocês... Pensei que você tivesse percebido também, ou pelo menos desconfiasse. E... bem, eu não quis me intrometer. Você não tinha reparado ainda?
O garoto tinha perdido o foco de sua visão e sua mente parecia ser levada para algumas memórias daqueles momentos aos quais Remus descrevera, então os olhos verdes começaram a se encher d'água novamente. Remus preferiu não interrompê-lo.
As palavras de Remus tinham feito com que Harry se recordasse de pequenos detalhes, flashes de memórias, como os sorrisos que Draco lhe lançava na sala de aula; a maneira como Draco o encarava, com tanta intensidade; o olhar observador no vestiário; o quase-beijo na sala de aula por causa de uma simples caneta caída no chão; as mãos do loiro deslizando suavemente de sua canela até a planta de seu pé de modo a lhe provocar arrepios; os toques, acidentais ou não, cada vez mais freqüentes; o momento de hesitação na piscina; a música que Draco tinha tocado para ele; o maneira como ele tinha dito para Narcissa Malfoy que estava com a "garota por quem estava apaixonado", sem conseguir soar sarcástico; a sensação reconfortante de acordar sendo abraçado pelo loiro; o desespero daquele beijo...
Harry tinha estado tão preocupado em esconder as evidências de seus sentimentos, em reprimi-los, que nem sequer tinha notado as pistas que Draco deixava. Não, ele não tinha reparado. E tinha feito tudo errado... E se Draco realmente gostasse dele? Afinal, não era como se a descoberta sobre o namoro de Sirius e Remus tivesse despertado a curiosidade dele, pois isso já vinha de algum tempo e Draco só tinha descoberto havia dois dias. A descoberta só tinha feito as coisas tornarem-se mais evidentes, e ainda assim Harry não tinha reparado...
O garoto sentiu as lágrimas quentes escorrendo pelo rosto e limpou-as, voltando a atenção para o presente novamente.
- Eu estraguei tudo, Moony - lamentou-se, a voz um pouco mais que um sussurro.
- Por quê? - perguntou com suavidade Remus, que tinha esperado pacientemente.
- Eu achei... achei que ele só estava... só estava curioso, entende? Pensei que talvez ele quisesse só experimentar, saber como era beijar outro cara... eu fiquei confuso... pensei que... eu não sei...
Harry deixou a respiração escapar em um soluço e fechou os olhos, fazendo com que mais lágrimas escorressem, então mordeu o lábio inferior desviando os olhos, envergonhado por estar chorando.
- Calma, Harry - Remus percebeu o desespero do garoto e estendeu uma mão para tocar seu joelho, confortadoramente. - É normal se sentir confuso. Essa situação não é tão simples.
- Se você visse a maneira fria como ele tratava Pansy, Moony...
- Parkinson?
- Sim - Harry limpou o rosto na camiseta e continuou a falar. - Eles eram amigos desde a infância, ela foi a primeira garota que ele beijou e nunca sentiu nada realmente por ela! Eles ficaram tanto tempo juntos! E ele simplesmente disse que nunca passaram de amigos, que Pansy estava confundindo as coisas... Em nenhum momento ele me disse que sentia alguma coisa diferente de amizade por mim, Moony...
Os olhos de Harry tornaram a marejar e sua voz tremeu.
- Certas coisas não precisam ser ditas, Harry.
- Eu queria que ele dissesse - Harry deixou escapar.
- Isso tudo quer dizer que você gostou do beijo, então?
Harry deixou um sorriso envergonhado se espalhar por seu rosto.
- Acho que sim... - mas então seu olhar perdeu o foco novamente e o sorriso foi morrendo. - Não, na verdade acho que isso não devia ter acontecido. Moony, nós nunca daríamos certo! Quero dizer... veja a família dele... Lucius Malfoy nunca permitiria isso... e não é como se fosse possível esconder alguma coisa do tipo por muito tempo, já que você mesmo disse que está tão obvio... - Harry respirou profundamente antes de continuar. - Daqui pra frente não vai ser mais a mesma coisa... não acho que seja possível nós voltarmos a ser amigos. Eu acho que... preferiria que nada disso tivesse acontecido. Nos ainda poderíamos ser amigos...
- Sabe, Harry? - começou Remus assim que percebeu que o desabafo tinha terminado. - Tem uma aluna minha do terceiro ano de Administração que sempre coloca algumas frases no topo das folhas dos trabalhos de Estatística. Aquelas frases que nos fazem refletir - Harry remexeu-se, para mostrar que estava prestando atenção. - Depois que Sirius se declarou pra mim, eu passei um tempo mergulhado nos meus afazeres, corrigindo trabalhos, e acabei lendo uma das frases dessa garota. Ela dizia: "Em que momento a amizade pode se tornar amor? Em que momento o amor pode se apagar e restar só amizade?".
- Eu passei bem uma meia hora refletindo sobre ela - continuou o professor. - Concluí que é muito mais fácil uma amizade se tornar amor do que o contrário. Padfoot e eu fomos grandes amigos, partilhamos muitos momentos em comum, tanto ruins quanto maus, nos ajudamos, nos conhecemos... desenvolvemos um tipo de amor, sim, desde pequenos. Esse sentimento se transformou, não só no caso dele. Eu também sentia alguma coisa forte demais por ele, uma ligação forte e bonita, só não tinha parado pra pensar o que significava até aquele momento. Então pensei: e se eu tentasse ignorar isso? Será que nós conseguiríamos voltar ao estágio anterior? Somente amizade?
- Não é algo totalmente impossível, mas seria muito diferente. Haveria sempre aquele "talvez", olhares tristes, momentos desconcertantes, assuntos incômodos... não nos sentiríamos mais tão à vontade um com o outro e acabaríamos nos afastando. É isso que você quer, Harry?
Harry engoliu em seco, baixando os olhos para as próprias mãos.
- Eu assumi o risco de tentar, Harry. Não poderia viver com o "talvez". E você?
- Eu tenho medo, Moony - Harry finalmente se manifestou, a voz hesitante. - E se não passar de um capricho dele? Se ele se cansar de mim? Eu nunca senti isso o que sinto por ele, nunca foi tão intenso...
- É perfeitamente compreensível sua insegurança, Harry. Dê um tempo a si mesmo e a ele. Pense com calma. E quando se sentir mais à vontade, converse com ele.
- Não sei se consigo. Aliás, não sei se ele vai querer olhar pra minha cara depois de hoje...
- Bem, o tempo responde todas as perguntas, cura todas as feridas. Eu precisei de uma semana pra me decidir, talvez você consiga em menos tempo - Remus piscou brincalhão e Harry sorriu.
- Obrigado, Moony.
- Você não tem o que agradecer.
- Tenho sim, como você conseguiu convencer o Sirius a não vir até aqui me interrogar ou fazer ameaças de tortura e morte a Draco?
Remus riu e olhou para a porta entreaberta.
- Ouviu isso, Padfoot? - ele falou para a porta e alguns segundos depois, Snuffles entrou trotando no quarto, exigindo o carinho que Harry lhe negara quando chegou.
Logo em seguida, a cabeça de Sirius apareceu, emoldurada pelos cabelos soltos e bagunçados.
- Erm... Harry, você poderia me emprestar sua escova de cabelo?
Remus riu novamente e Harry voltou a limpar as lágrimas secas de seus olhos e vestiu os óculos.
- Padfoot, há quanto tempo você está ouvindo? - perguntou o garoto, meio incerto.
- Eeeeeu? - Sirius fez-se de indignado. - Ora, o que faz você pensar que eu estava ouvindo a conversa de vocês?
- Bom, você não costuma pedir a escova emprestada - respondeu Harry, mais aliviado pela descontração do padrinho. - Você simplesmente entra e pega.
- Ah bom, vou entender isso como um sim, então - Sirius foi até o banheiro e voltou com a escova, penteando os cabelos. - Bem, sobre o que vocês diziam?
Harry lançou um olhar de "ajude-me, por favor" a Remus, que adiantou-se:
- Nós falávamos sobre o fato intrigante de você ainda não ter feito um interrogatório a Harry ou despejado ameaças de tortura e morte a Malfoy. O que você me diz disso?
- Bem - Sirius coçou o queixo com a escova de cabelo, então deu de ombros. - Foi só um beijo, não foi? E foi você já deu chilique, Harry. Então eu acho que não tenho com que me preocupar. Assunto encerrado - Ele levantou uma sobrancelha, desconfiado. - A menos, é claro, que você queira me contar os detalhes da noite que passou na Mansão dos Malfoy. Foi mesmo só um beijo, não foi?
Harry acenou positivamente, um tanto sem graça com as suspeitas do padrinho, que deu de ombros novamente.
- Então eu realmente não tenho porque matá-lo. Torturá-lo, talvez.
Sirius jogou os cabelos desembaraçados para trás e assim Harry pode ver o hematoma ao lado do olho esquerdo.
- O que é isso em seu olho? - perguntou Harry. - Você se machucou?
- Erm... hum... é... umdesententimentozinhobásicocomSeboso - resmungou Sirius, coçando a cabeça.
- O quê?
- É uma longa história, Harry - respondeu Remus. - Venha, eu te conto na cozinha enquanto você me ajuda a fazer uma macarronada. Está com fome?
- Eu estou - Sirius adiantou-se, porém Remus ignorou-o, aguardando a resposta de Harry.
- Não muito - foi a vez de Harry coçar a cabeça. - Eu tomei café da manhã faz pouco tempo...
- Acordando tarde, heim, Harry? - provocou Sirius.
- Bem, eu estou com fome - admitiu Remus. - Ainda nem tomei café da manhã e já é hora de almoço.
Harry olhou para os cabelos úmidos de Remus e não conteve a pergunta.
- Você dormiu aqui?
A expressão de Sirius tornou-se a mais safada possível, levantando e abaixando as sobrancelhas rapidamente.
- Erm... sim - resmungou Remus, sem jeito e já se levantou, dirigindo-se à porta. - Vamos para a cozinha? Eu preciso ir para casa, tenho algumas aulas pra planejar ainda.
- O quê? Você não vai passar a tarde conosco? Vai trabalhar em pleno domingo? - Sirius seguiu-o para fora do quarto e Harry ainda pode ouvi-los conversando no corredor.
- Sim, Sirius. Eu devia ter feito sexta-feira, mas você estava carente, lembra? E disse para eu deixar para hoje.
- Bem, eu achei que você não estivesse falando sério...
Harry sorriu e colocou-se de pé, determinado a não passar o dia se lamentando. Foi até o banheiro, lavou o rosto e recolocou os óculos. Então passou a mão pelos próprios lábios, fechando os olhos e se permitindo recordar das sensações daquele beijo. Então voltou a encarar seu reflexo no espelho e respirou fundo.
- Vamos, Nuf?
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Logo depois do almoço, Remus foi embora, deixando a cozinha por conta de Sirius e Harry. Depois de deixar tudo em ordem, os dois sentaram-se no sofá e assistindo os programas chatos de domingo à tarde. Snuffles, contagiado pelo desanimo dos donos, deitou-se de frente para a televisão, vez ou outra lançando olhares carentes aos dois. Harry deixou o pensamento vagar, tão distraído que nem sequer notou que seu padrinho o observava atentamente.
- Harry - Sirius chamou, fazendo com que Harry desviasse os olhos da televisão, então bateu em sua própria coxa, convidando-o. - Deite aqui.
Harry franziu a testa. Snuffles pensou que o convite era pra ele e aproximou-se abanando o rabo.
- Não, você não, Nuf - Sirius empurrou-o até que ele se sentasse. - Não precisam brigar por causa do meu colo, ok? Mas agora é a vez do Harry. Anda, Harry, você viu que tem fila, né? Aproveita!
Harry sorriu e deitou-se no sofá, apoiando a cabeça no colo do padrinho e fechando os olhos conforme este começou a deslizar os dedos por seus cabelos. Harry estendeu a mão para acariciar o pêlo de Snuffles, enquanto isso.
- Está melhor? - perguntou Sirius, algum tempo depois.
- Um-hum - Harry concordou, sinceramente.
- É, eu sabia. Sempre funciona comigo. Mas acho que Moony é melhor nisso do que eu...
Eles ficaram em um silêncio confortável por mais algum tempo.
- Padfoot?
- Hum?
- Tem uma coisa que eu não te contei.
- O quê? - Sirius perguntou rapidamente, alarmado.
- Sexta-feira eu fiz um teste para uma vaga na área de pesquisas de uma empresa de tecnologia da informação e... fui aceito.
- Jura? - exclamou Sirius, visivelmente aliviado. - Que ótimo, Harry! Seu estágio em Hogwarts acaba amanhã, não é mesmo? E você já começa na terça?
- Pois é, eu não sei - resmungou o garoto, tristemente.
- Como assim, eles ainda não te chamaram?
- Já chamaram sim. Eu deveria começar na terça, mas... não sei se devo ir.
- Por que, Harry? - Sirius continuou a fazer carinho nos cabelos do afilhado com o cenho franzido.
- É na empresa de Lucius Malfoy que eu fiz o teste, Padfoot.
Houve um momento de espantada incredulidade, então Sirius riu.
- Caramba, essa foi boa, Harry! Eu confesso que não esperava por uma piada num momento desses...
Harry levantou-se para olhá-lo nos olhos com seriedade.
- Não é uma piada, Sirius - o sorriso do homem morreu instantaneamente. - Draco me chamou para participar da seleção, sem compromisso e eu aceitei. Tinha duas vagas, eu fui um dos escolhidos.
- Mas... mas... - titubeou Sirius, piscando. - Harry, como Lucius permitiu uma coisa dessas? Como ele deixou que Draco te colocasse na empresa?
- Lucius não sabe de nada ainda. E Draco me garantiu que eu fui escolhido sem que ele interferisse...
- Ora, conte outra - Sirius fez um gesto de impaciência. - Você acreditou nisso? É obvio que ele te colocou na empresa pra desafiar o pai!
Harry bufou e encolheu as pernas para cima do sofá, abraçando os joelhos.
- Muito obrigado por confiar na minha capacidade tanto quanto eu - disse, sarcástico.
Sirius passou uma mão pelos cabelos, a expressão fechada.
- Não foi isso que eu quis dizer, Harry. Não estou duvidando de sua capacidade. Estou duvidando da honestidade de Malfoy. Quem garante que ele não mexeu os pauzinhos para que você fosse aceito? Talvez ele só tenha inventado essa história porque sabia que você não aceitaria trabalhar de favor.
Harry inspirou profundamente.
- Ninguém garante, Sirius. É só a palavra dele. Eu cheguei a desconfiar disso quando soube, mas ele ficou tão bravo com minha acusação que... bom... eu ainda acredito nele. Ele me mostrou relatórios, notas, disse que o outro cara que ganhou foi um tantinho melhor do que eu nos testes...
Sirius coçou o queixo, pensativo.
- Bem... é possível... - então ele olhou de esguelha para Harry antes de virar-se no sofá e colocar uma mão em seu ombro. - Olha, Harry, você tem noção do tamanho da briga que Malfoy está comprando com o pai? Você vai entrar no meio desse rolo, está ciente disso?
Harry encarou o padrinho com firmeza, acenando positivamente e achou ter visto um brilho de entusiasmo nos olhos dele. Com certeza aquele ponto agradava muito Sirius Black.
- Então, filhote, mergulhe de cabeça! Mostre o seu valor! E não deixe aquele furão albino pisar em você, senão eu vou ter que entrar na dança também, ok?
- Ok - Harry sorriu e recebeu tapas entusiasmados nas costas.
- Ah, Harry, que pena que você desistiu do loirinho - Sirius lamentou-se e Harry encarou-o, descrente do que seus ouvidos registravam. - Eu já estava me acostumando com a idéia, sabe? Além disso, eu queria muito ver a cara do Ranhosão quando soubesse que o afilhadinho dele é gay. E Lucius então? Lucius provavelmente deserdaria o filho se soubesse que ele beijou Harry Potter!
Sirius deu uma risada maligna.
- E quem disse que eu desisti? - Harry fez carinha de inocente quando Sirius encarou-o com olhos arregalados.
- Você não desistiu? - Harry balançou a cabeça lentamente em negação e Sirius engoliu com dificuldade. - Harry, eu estava brincando!
- Mas eu não, Padfoot. Vou lutar por ele, agora que sei que existe a possibilidade de ele gostar de mim.
- Mas... - Sirius vasculhou a mente por algum argumento. - Mas e aquela história de não querer se machucar, Harry? Se você correr atrás de Draco Malfoy, invariavelmente você...
- Padfoot - Harry cortou-o. - Durante esse tempo que nós temos nos relacionado quase diariamente, eu dei mais mancadas com Draco do que o contrário. Ele tem feito tudo certinho, só eu não conseguia ver isso. Segundo Moony, foi você mesmo quem percebeu primeiro o interesse dele por mim. Por acaso você me ouviu reclamar alguma vez sobre algo que ele tenha feito durante as últimas quatro semanas?
- Bem, eu... erm... não - Sirius admitiu.
- Então! Mas eu, ao contrário, já magoei muito ele, duvidei da palavra dele, falei algumas verdades dolorosas mesmo sem perceber... - Harry lembrou-se de quando conversara com o Príncipe Slytherin sobre um certo garoto mimado, sem tomar cuidado com as palavras, sem saber que era com esse mesmo garoto mimado que falava. - Você me apoiaria, Padfoot?
Sirius bufou, coçou a cabeça, se remexeu no sofá e cutucou uma manchinha de molho em sua camiseta.
- Você não precisa que eu aprove nada, Harry - ele deu de ombros. - A vida é sua, você tem todo o direito de gostar de seja quem for, queira eu ou não.
- Mas a sua opinião é importante pra mim - insistiu o garoto e Sirius torceu o nariz de um lado para o outro.
- Bom... é... sevocêgostatantoassimdele - Sirius deu de ombros novamente, a voz apenas um murmúrio.
Harry sorriu, satisfeito. Isso era o mais próximo de uma aceitação que ele podia alcançar no momento. Com o tempo, quem sabe, as coisas não melhorassem? Isto é, se é que ele ainda tinha alguma chance com Draco...
- Está mesmo tão óbvio assim que eu gosto dele? - Harry deixou a pergunta escapar.
- Oh, sim - Sirius balançou a cabeça freneticamente, parecendo aliviado pela conversa ter tomado outro rumo. - Veja bem, Harry, você andava cabisbaixo por causa do namoro do Rony e da Mione, se sentindo isolado. E então de repente aparece Malfoy. Nas primeiras vezes que você saiu pra correr com ele, tudo bem, você tinha uma desculpa. Depois isso se tornou um dos momentos mais esperados da semana! Você voltava satisfeito, sorridente, pensa que eu não reparei? E então Moony começou a me contar sobre certos olhares, toques, risos... você começou a dormir mais do que o de costume, se perfumar... enfim, isso não são evidências de uma criatura apaixonada?
- Hum, eu pensei que você não tinha reparado no perfume... - Harry bagunçou os próprios cabelos, envergonhado.
- Ora, assim você subestima minhas capacidades de observação, Harry - Sirius fez-se de indignado.
- Tudo bem, eu me rendo - Harry levantou as mãos. - Vou tentar ser mais sutil daqui pra frente.
O garoto bateu as mãos nas coxas e Snuffles ficou alerta novamente, ameaçando pular no sofá.
- Hey, Harry, o que acha de darmos um passeio de bicicleta? - propôs Sirius. - Eu não sou nem um adolescente loiro, mas posso ser uma boa companhia. Eu e Nuf, é claro, o que me diz?
- Bem... já que eu não tenho outra opção - Harry encolheu os ombros e teve que se levantar rapidamente para escapar de Sirius, porém este agiu rápido e segurou uma das canelas de Harry bem quando ele se preparava para andar e o tombo foi inevitável.
No momento seguinte, os dois estavam empenhados em uma luta com direito a socos cinematográficos e efeitos sonoros - que incluíam os latidos de Snuffles. O cão ficou rodeando, abanando o rabo, até conseguir abocanhar a barra da calça de Harry e puxar, rosnando. Só sossegou quando arrancou um pedaço do tecido e teve que ouvir um sermão do garoto - no que foi fervorosamente defendido por Sirius.
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Na manhã de Segunda-feira, Harry arregalou os olhos assim que o despertador tocou. Sentou na cama esfregando o rosto com as mãos. Tudo lhe pareceu pesado demais, principalmente sua cabeça. Sua mente estava cansada, parecia não ter tido descanso durante toda a noite - apesar de que ele realmente não se lembrava de seus sonhos. Somente lhe restava a sensação de abandono ao lembrar-se da manhã anterior, quando acordara sendo tão deliciosamente abraçado...
Por mais que tenha se divertido na tarde anterior, não conseguia tirar aquele peso da consciência. Sirius não lhe dava muito tempo para pensar, por ser tão espoleta e contagiante, mas de noite, na solidão de seu quarto, Harry não tivera tanto sucesso em manter certas questões longe do pensamento. Como Draco estaria se sentindo naquele momento? Estaria sentindo sua falta tanto quanto Harry sentia falta dele? Será que se lamentava tanto quanto Harry pelo que acontecera?
Em menos de uma hora estava chegando na faculdade, indo para o segundo andar, onde Hermione o Ron já o aguardavam.
- Bom dia, Harry! - cumprimentou a garota, animada.
- Dia - Harry respondeu, forçando um sorriso nos lábios e sentando-se no assento diretamente atrás de Ron.
- Então, cara, como foi o final de semana? - o ruivo virou-se para encará-lo.
- Hum... - Harry foi salvo de responder quando o professor entrou na classe e Ron voltou-se para frente novamente.
Porém Hermione já não era tão fácil de despistar. Harry limitou-se a encolher os ombros diante do olhar perscrutador da amiga e concentrou-se em seus materiais. A garota piscou algumas vezes, mas também voltou a atenção para o professor.
Quando a aula acabou, porém, Harry não teve escapatória. Eles deixaram a sala e desceram as escadarias para o primeiro andar, onde teriam a próxima aula. O moreno não tinha conseguido se concentrar muito na aula, e agora tentava convencer a si mesmo que não estava procurando por Draco em todos os vislumbres de cabelos loiros, mas empenhava-se com toda determinação em puxar assunto sobre a matéria com Hermione. Por algum tempo ele achou que tinha se saído bem, até que eles pararam em frente ao quadro de avisos e ficaram um olhando para a cara do outro.
- O quê? - perguntou Harry.
- Como assim, o quê? - perguntou Hermione.
- Por que nós não vamos para a aula?
- Bem - começou Ron, encarando-o como se ele não estivesse em seu juízo perfeito. - Você não vai ver o quadro de avisos hoje, Harry? Você vê todos os dias, lembra?
- Ah... bom... - Harry empurrou os óculos no rosto e ajeitou a mochila, olhando para todos os lugares menos para os dois amigos. - Eu já consegui um emprego.
- Sério? - entusiasmou-se Ron. - Cara, isso é excelente! Mas por que você não contou nada pra gente?
- É que eu deixei pra contar hoje... acabei esquecendo.
- Harry, você está bem? - Hermione finalmente manifestou sua preocupação. - Aconteceu alguma coisa que nós não sabemos, além de você ter conseguido um emprego? Ou será que esse é o motivo para essa sua inquietação?
Ron franziu a testa, encarando-o de alto a baixo, como se só agora o visse realmente.
- É, cara, você está esquisito. O que aconteceu?
Harry abriu a boca para dizer alguma coisa, porém no instante seguinte, ele já não se lembrava nem mesmo do próprio nome, quanto menos do que pretendia dizer. Um reluzir inconfundível de cabelo loiro quase branco chamou sua atenção e ele nem sequer teve noção da cara de bobo que ficou, boquiaberto, ao assistir Draco Malfoy passar muito perto dele, com jeans preto e camisa azul escura.
O estômago do moreno despencou ao perceber que nem sequer fora notado, talvez propositadamente. Com certeza, fora propositadamente. Harry seguiu-o com o olhar. A pose inabalável, o andar elegante, o rosto impassível, movimentos calculados... o olhar gelado. Dirigido a todos e a ninguém ao mesmo tempo. Duas piscinas de gelo que não tinham se encontrado com seus olhos uma única vez. E ainda assim Harry tinha estremecido. Ainda assim o moreno se sentiu a pior criatura da face da Terra.
Ron e Hermione também tinha seguido seu olhar e enquanto a garota franzia a testa pensativamente, o ruivo adquiria uma expressão de profundo contentamento.
- Hey, Harry, aquele lá era Malfoy?
- É claro que era Malfoy, Ron - Hermione respondeu, impaciente, depois de reparar que Harry parecia nem ter ouvido a pergunta.
- Então por que ele não te cumprimentou? Vocês brigaram? - Ron nem sequer tentava disfarçar seu entusiasmo com a possibilidade.
- Ron - Hermione avisou.
- É por isso que você está desse jeito, não é, Harry? Eu bem que te avisei, cara. Eu disse que ele mostraria as asinhas mais cedo ou mais tarde... ARGH!
Ron esfregou o braço no local onde Hermione o tinha beliscado.
- Qual é, Mione? - perguntou, indignado.
Hermione limitou-se a fuzilá-lo com o olhar e apontar para Harry, que ainda tinha o rosto voltado para o corredor pelo qual o loiro tinha desaparecido, com as sobrancelhas caídas e o semblante sofrido os olhos ameaçando ficarem mais brilhantes que o normal.
- Harry, o que aconteceu? - Hermione tornou a perguntar, com brandura, adiantando-se para colocar uma mão no ombro do amigo.
O garoto abaixou os olhos e respirou fundo.
- Agora não, Mione. Vamos para a aula?
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Draco quase tinha arremessado o celular contra a parede quando este despertou. Só não o fez porque o aparelho escorregou de sua mão para a cama antes que ele pudesse realmente atirá-lo. Cochilou sem querer e quase perdeu a primeira aula. Sorte que a professora estava de bom humor. Pelo menos alguém ali estava de bom humor.
A primeira aula se passou sem que ele conseguisse prender a atenção em uma palavra do que a professora dizia. Assim que o sinal indicou o término da aula, Draco levantou-se e saiu, sem se importar se a professora ainda continuava falando. Estava inquieto, não suportava mais ficar sentado no sala de aula. Encostou-se na parede em frente à porta e ficou observando o movimento. Nunca tinha suportado cigarro, mas se Pansy passasse na frente dele com um, ele tomaria da mão dela. Então se sentiria sufocado e tossiria até não agüentar mais. Que bom que Pansy não passou perto dele. Na verdade, ninguém passou perto dele. Sua cara devia estar realmente ótima.
Draco tentava não pensar no motivo de estar ali, parado, de frente para o quadro de avisos que Harry sempre visitava de manhã. É claro que Harry não tinha mais motivo para analisar os avisos, porém teria que passar pelo pátio para a próxima aula, como o loiro já tinha observado antes. E quando já ameaçava se perder em pensamentos novamente, viu-o descer as escadas com Weasley e Granger, conversando normalmente.
Uma expressão amarga tomou forma em seu rosto, curvando os cantos de seus lábios para baixo e contraindo suas sobrancelhas. Então era assim? Harry não parecia sentir sua falta, em meio a seus amiguinhos. Draco tinha sido um estúpido ao pensar que pelo menos ele estaria calado, cabisbaixo, meditativo, triste... qualquer coisa, menos normal. Enquanto Draco se desmanchava por dentro, se consumia, se recriminava.
Ora, já estava farto de ser tão vulnerável. Já estava farto de perder a compostura, o orgulho, o controle quando o via. Mostraria para ele que também sabia ser indiferente e com muito maior efeito. Imediatamente vestiu sua máscara impenetrável, fechou os olhos e quando tornou a abri-los eles estavam frios e cortantes, recompôs sua pose confiante, levantou o queixo para encarar a todos de cima e cruzou o pátio bem à frente do moreno, tomando cuidado para ter certeza que seria notado ao mesmo tempo em que o ignorava completamente.
Doeu. Doeu como garras se cravando em seu peito, mas ele tinha que suportar, tinha que provar para si mesmo que ainda era capaz de ser indiferente. E realmente foi capaz. Talvez tivesse doído mais nele do que em Harry, mas com o tempo tudo se tornaria mais fácil.
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Natalie estava terminando uma ligação quando Draco entrou, apressado, o semblante impassível como havia muito tempo ela não via.
- ... igualmente, Sra. Jorkins. Obrigada - ela pôs o telefone no gancho. - Boa tarde, Sr. M...
A mulher deu um pulo na cadeira ao ouvir a porta bater com estrondo. Prendeu a respiração por algum tempo, surpresa. Ela definitivamente não esperava por uma entrada intempestiva dessas depois dos momentos íntimos que presenciara na sexta-feira entre o loiro e o objeto de sua obsessão. Assustou-se novamente com o telefone tocando duplamente. Respirou fundo e retirou o aparelho do gancho.
- Pritchard, em que poss...
- Aspirina, Natalie... - disse a voz contida de Draco, antes de emendar, de última hora. - Por favor.
- Em um segundo, Sr. Malfoy.
Natalie desligou e levantou-se rapidamente pegando um comprimido na gaveta de sua escrivaninha e enchendo um copo com água em temperatura natural, já que o tempo não estava tão quente naquele dia. Na verdade, o tempo estava imprevisível, assim como certo alguém. Com passos rápidos, a secretária alcançou a porta e bateu suavemente antes de abri-la com lentidão.
Instintivamente olhou para a mesa, porém esta estava vazia. Então olhou para o sofá e viu Draco sentado, inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, massageando as têmporas. Natalie cerrou a porta atrás de si e aproximou-se com passos silenciosos.
- Aqui está, Draco.
O loiro nem sequer levantou os olhos, apenas aceitou o copo e o comprimido, tomando-os de uma só vez e devolvendo o copo. A secretária jogou o copo descartável no lixinho ao lado da mesa e tornou a aproximar-se do loiro, que agora afrouxava a gravata.
- Não quer se deitar um pouco, Draco? - perguntou suavemente, sentando-se na poltrona de frente para o garoto sem esperar ser convidada.
- Não posso - Draco rosnou, mirando-a com a cabeça levemente abaixada, num brilho gelado nos olhos. - Aquele insuportável do Bagman vem visitar a empresa hoje e quer que eu esteja presente, juntamente com Lucius. E ainda tenho que passar alguns assuntos para meu pai do tempo que ele ficou fora.
- O Sr. Malfoy saiu pra almoçar e ainda não chegou - tranqüilizou-o Natalie. - Descanse um pouco. Eu aviso quando ele chegar.
Draco esfregou o rosto com as mãos e deixou-se desabar para trás, amparado pelo encosto do sofá.
- Droga - resmungou, a expressão ainda fechada, as narinas alargadas.
- O que aconteceu, querido?
Draco soltou uma risadinha desdenhosa pelo nariz.
- O que eu já devia ter imaginado que aconteceria, Natalie - disse com azedume. - Voltei à realidade, à minha vida de merda. O sonho acabou. É admirável que tenha durado tanto tempo.
Natalie engoliu em seco, sentindo um peso no coração ao perceber tanta amargura na atitude desdenhosa do garoto. Justo quando ela achava que tudo se resolveria! Não precisou dizer nada antes que Draco voltasse a se inclinar para frente, continuando, com a mesma paixão furiosa que ela tinha presenciado em tantos desabafos antes desse.
- Eu o beijei, Natalie. E ele fugiu. Ele não me aceitou. Pela segunda vez - Draco engoliu ruidosamente. - Eu fui um idiota, dei o braço a torcer novamente, devia ter aprendido aos onze anos. Me entreguei de bandeja e ele recusou.
- Calma, Draco. Como assim, ele te recusou? Talvez ele só esteja assustado por você tê-lo beijado, Draco. Afinal vocês são dois garotos...
- Não, Natalie - o loiro cortou-a, impaciente. - Não tem nada a ver com isso. Ele não é homofóbico, o padrinho dele se relaciona com meu professor de Estatística e ele apoia! Ele correspondeu ao meu beijo! Mas então disse umas idiotices e foi embora, dizendo que nunca mais seria a mesma coisa entre nós!
A voz do loiro tremeu no fim e seus olhos carregavam muitos dos sentimentos que ele tentava esconder. Natalie tentava decifrá-los, apesar de poder adivinhar muitos deles. Franziu a testa para a menção do padrinho de Potter, mas achou melhor deixar esse assunto para outra hora.
- Mas... mas como isso aconteceu, Draco? Eu não consigo acreditar que ele não tenha te aceitado! Explique-se direito, sim?
Draco passou as mãos pelos cabelos com um pouco mais de força, respirando fundo para recuperar a firmeza na voz.
- Nós conversamos muito no sábado, passamos o dia inteiro juntos, praticamente. Eu levei ele para a mansão, nós brincamos na piscina, assistimos filme, ouvimos música... eu puxei o assunto sobre históricos amorosos, tentando especular se ele tinha alguém em vista, ou se ainda gostava da ex-namorada dele. Mas ele devolveu as perguntas e eu acabei falando da Pansy. Eu fui sincero com ele, Natalie. Disse que ela nunca passou de uma amiga para mim. Tudo bem, ele não fez nenhum comentário a respeito, o assunto morreu ali. Então meu pai chegou mais cedo que o esperado...
- Oh - Natalie arregalou os olhos, tapando a boca com a mão.
- Lucius não chegou a ficar sabendo de Harry, porque eu fiz ele passar a noite no meu quarto, fazendo minha mãe pensar que eu estava com uma garota - Draco fez uma pausa, encarando as unhas e quando voltou a falar, sua voz era pouco mais que um sussurro. - Eu dormi ao lado dele, Natalie. Pude tocá-lo enquanto ele dormia. Fui totalmente inconseqüente, fiquei maluco com nossa proximidade. Na manhã de ontem, quando eu levei ele pra fora da mansão pelos fundos, eu... eu perdi o controle só por ver ele rindo, Natalie.
Draco esfregou as mãos com mais força, parando um pouco pra respirar conforme sua voz dava sinais de querer falhar novamente e seus olhos brilhavam mais que o normal. Natalie levantou-se e se sentou ao lado do garoto, pousando uma mão em seu braço, como para apoia-lo.
- Ele correspondeu - Draco continuou. - Me vez sentir a pessoa mais afortunada do mundo por alguns poucos minutos e então me empurrou, dizendo que não seria meu brinquedo, que não seria como Pansy - Draco fez um gesto vago com as mãos trêmulas, seu rosto se contorcendo. - Saiu correndo, me deixou...
Draco levantou os olhos para o alto, tentando recuperar a voz novamente, os olhos quase transbordando. Natalie mesmo tinha um nó na garganta depois daquela narração tão carregada de sentimentos.
- Oh, meu bem - ela fez a coisa que julgou mais apropriada, acariciando os cabelos do loiro e puxando-o gentilmente de encontro a si.
Foi o que bastou para que um soluço escapasse da garganta do loiro e ele fechasse os olhos, deixando as lágrimas correrem. Draco se deixou ser acomodado nos braços de Natalie e abraçou-a de volta, com força, soluçando e deixando as lágrimas correrem, como havia muito tempo não fazia.
- Eu não posso chorar, Natalie. Não quero. Não por isso - Draco resmungou entre os soluços.
- Chore, querido - a mulher continuou acariciando os cabelos do loiro. - Você vai se sentir melhor, eu garanto.
- Por que dói tanto?
- Calma. Já vai passar.
- Por que ele fez isso?
- Oh, meu bem, eu não tenho como te responder por ele. O ideal seria você perguntar isso a ele...
- Não. Eu não quero mais me aproximar dele - Draco choramingou.
Eles permaneceram assim por mais algum tempo, até que o loiro se acalmasse, seus soluços foram diminuindo até cessarem e Draco finalmente se afastou, fungando e limpando os olhos com cuidado para não esfregá-los. Tudo o que ele não precisava no momento era ter os olhos inchados e vermelhos enquanto falava com Lucius Malfoy.
- Querido - Natalie segurou uma das mãos de Draco, chamando sua atenção. - Eu vou dizer o que penso. Harry errou dizendo aquelas coisas pra você, mas talvez você não tenha deixado claro seus sentimentos.
- Natalie, eu cantei pra ele, dormi abraçado com ele, beijei ele... será que não fui claro o bastante? - o loiro ironizou, apesar de ainda não conseguir soar tão expressivo.
- Bem, talvez você devesse ser mais direto.
- Não, ele está muito bem sem mim - Draco levantou-se e Natalie fez o mesmo, relutante em terminar a conversa desse jeito.
- Ele gosta de você, Draco.
- Como você pode ter tanta certeza? - Draco soou mais firme e desdenhoso dessa vez.
- Eu acertei quando percebi que você gostava dele, não foi? Chame de intuição, de palpite, de observação, o que quiser. Mas eu sei que ele gosta de você tanto quanto você gosta dele. A maneira como ele fugiu de você só me faz ter ainda mais certeza do que digo.
- Ótimo, então ele que venha atrás de mim, porque eu não vou atrás dele.
Draco desvencilhou-se dela e caminhou apressado até o banheiro, onde trancou-se.
Natalie suspirou e deixou a sala. Assim que tomou seu lugar novamente, ligou para o ramal de Davi Gudgeon.
- Olá, Sr. Gudgeon? Boa tarde. O Sr. Malfoy me pediu para verificar se o senhor já ligou para os dois rapazes selecionados na sexta-feira, para avisar que eles irão ocupar a vaga? Não, não tem problema, não se preocupe. Eu gostaria de fazer isso, tudo bem? O senhor poderia me passar os telefones? Ótimo, obrigada.
Assim que anotou os telefones, Natalie tratou de ligar para o primeiro deles, Ralph Zeller, e avisou-o. O garoto confirmou que estaria na empresa na tarde seguinte e ela agradeceu, passando para o segundo número. De celular.
- Alô - disse a voz masculina do outro lado.
- Sr. Harry Potter?
- Sim?
- Boa tarde - Natalie esperou que ele respondesse e continuou. - Eu sou Natalie Pritchard, secretária do Sr. Draco Malfoy, lembra-se de mim?
Houve um breve momento de hesitação antes que Harry respondesse, parecendo intrigado.
- Sim, claro que me lembro. Como vai você?
- Ótima, obrigada - Natalie sorriu diante da simpatia do garoto. - Estou ligando para falar sobre seu novo emprego. Sei que o senhor já sabe sobre ter sido selecionado, mas gostaria de confirmar sua presença às duas horas da tarde de amanhã, sim?
- Oh... bem... sim, eu estarei aí. Mas creio que já pedi que me chamasse de Harry, certo?
Natalie sorriu novamente.
- Como quiser, Harry. Você deve procurar o Sr. Davi Gudgeon no setor de pesquisas, os porteiros podem te indicar a direção.
- Está bem, obrigado.
- Se você precisar que alguém conhecido o acompanhe, pode me avisar, ok? Draco já deve ter te passado o telefone na empresa. Meu ramal é o 20. Ah, eu estou te atrapalhando? Me desculpe, você deve estar em seu estágio!
- Não, não tem problema. Hoje não há realmente nada a fazer. Não há mais tempo de fazer matérias para o site, nem razão.
- Oh, sim, Draco tinha me falado a respeito da publicação das suas melhores matérias em revistas de grande circulação! Por acaso já saiu a publicação? - Natalie mordeu o lábio inferior, aguardando a resposta. Sabia que Draco ficaria muito interessado em saber disso, caso ainda não soubesse.
- Sim, saiu na edição dessa semana. Eu não sabia, nem tive oportunidade de comprar as revistas ainda.
- E quais são?
Natalie anotou os nomes das revistas e estendeu ainda um pouco a conversa, informalmente, para certificar-se de que Harry se sentisse bastante à vontade com ela. Então despediu-se e fez outra ligação, pedindo para entregarem três exemplares de cada revista. Respirou fundo ao colocar o telefone no gancho. Não deixaria Draco desistir assim tão fácil.
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N.A. Tempo, tempo é o que me falta! Inspiração eu tenho, só não tenho tempo para sentar e escrever, que pena... bem, mas aos poucos eu chego lá! Dessa vez, como vocês puderam ver, eles vão demorar um pouco mais pra se acertarem. Mas quando isso acontecer, vai ser definitivo!
A música é The Hardest Part - Coldplay. Acho incrível a mistura de uma letra tão melancólica em um ritmo animado! Obrigada, Gê, por me ajudar na tradução novamente! E o brigada Marcos Tardeli pela frase maravilhosa que você sugeriu. Viu só? Eu consegui colocá-la no capítulo! Fê, se eu fosse citar e agradecer por toda a ajuda que você me dá, eu teria que fazer um capítulo especialmente para isso rsrsrs.
Bem, eu pretendia responder os reviews antes de postar, como sempre, mas então copiei tudo no Word e deu 50 PÁGIANS, com uma letrinha minúscula... pois é, então vocês terão que ser pacientes. Eu respondo durante a semana para as 91 (O.O) pessoas que comentaram, ok?
Respostas por e-mail: Mathew Potter Malfoy, Ann-Christin Snape, Gabi Potter-Malfoy, Amelia Ebherrardt, Enjouji, Clara dos Anjos, Maaya M., Dana Norram, zu marshal, Calíope, »»Drika®««, sam crane, FerPotter, msmdhr, Sofiah Black, Louise, Lady nina, Ivinne, Marck Evans, Mewis Slytherin, MutsumiChan, Nikkih, Paty Black, Sha, Marjarie, Ayla Potter, July Slytherin, Half-Dane, Bianca W·, Paula Lirio, Tallentiertgould, Eowin Symbelmine, Thatah, Mikage-sama, Sofia Magrid, AganishLottly, Torfithiel, Cin, Leka Moreira, Dark Wolf 03, Brunu, juh t., Nina Black Lupin, LeNaHhH, Yuki Jaganshi, Lucca BR, Sy.P, Yellowred, Nostalgi Camp, Bruno Malfoy, Baby Potter, usagui no ashi, Konphyzck F. Lacerdinha, Arwen Mione, Monica Dias, Kirina Malfoy, Nynph Lupin, Mascote, Bela-chan, Paulili, Nyym-chan, Dark Silver Moon, Ana Paula, kitScott, Mione de Avalon, Rei Owan, Ge Malfoy, Millene Haeer, Alice, Ferfa, Amanda Poirot, Tachel Black, Marcx, Mr.Marple, Hermione Seixas, Cherryx, Mel Deep Dark, Marcos Tardeli, Ju, Hanna Spotter, bella-riddle, Mari, -Bem-Te-Vi-, Fernando Miai, kikaa, Serim, Bru, TEREZINHA-FLEUR.
E pra quem não deixou e-mail: Marcia (ufa... que bom que vc recebeu alta... espero não ter causado nenhuma recaída sua com o atraso.. xD Sim, eles se beijaram! E que bom que vc gostou! Acho que o Seboso não vai mais apanhar, sinto muito rsrsrs Bjo!) Lís (ahá! Te peguei desprevenida, então! Foi fofo sim, o Draco se entrou naquele beijo, só o Harry não percebeu... .. E... bem, eles ainda não se acertaram, como você pdoe ver, mas vai acontecer, mais cedo ou mais tarde rsrsrs. Bjos!) Sakuya (presentinho pra vc, o capítulo 25, né! uhauhauhau Sim, as coisas estão acontecendo! Mas algo sempre dá errado... bem, nem sempre, na verdade ehehe. Ora, tenho certeza que vc pode realizar seus desejos! Bem, não sei quanto a dormir daquele jeitinho com o Draco, mas... hahaha Beijão!)
Adoraria poder dar um prazo para a atualização, mesmo que fosse quinzenal, mas não posso dessa vez. Colocar prazos está me deixando maluca! Vou escrever assim que possível, vou postar assim que conseguir e espero que vocês compreendam, como sempre.
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No próximo capítulo...
Depois de terminada a explicação, Snape passou alguns exercícios na lousa e aproveitou para passear entre as carteiras enquanto os alunos trabalhavam.
- Sr. Malfoy - disse o professor, encarando o afilhado do alto de sua pose intimidante assim que passou por sua carteira. - Eu gostaria de ter uma palavrinha com o senhor ao final da aula.
