A segunda parte, que virou um capítulo.
Notas:
Aludi a duas músicas nesse capitulo. Se quiserem escutá-las.
A música agitada é "Cherokee Fidler"
www. /file/177689037/2294a2f2/06_Cherokee_
A música lenta é "Lookin´for Love"
www. /file/177705661/3f7a8ec/09_Lookin_For_
Ambas de meu filme guilty pleasure "Cowboy do Asfalto" com John Travolta e Debra Winger, um casal extremamente Skate, por sinal.
2. O Colin de quem falo é o Colin Farrell, pq qdo estava escrevendo esse capítulo passou "Swat" com ele e a Michelle Rodriguez e claro que não deixei passar barato. Sim, eu faço muito plágio, kkkkkkkkkk.
CAPÍTULO 26
Ali estava algo que ela não esperava.
Pela aparência de Sawyer e comentários dos vizinhos, Kate concluíra que Sawyer era um homem de muitas mulheres. Mas, estranhamente, ela via isso como algo do passado dele, antes dela ter entrado na vida dele.
Era como se, agora que se conheciam e estavam juntos, ele nunca mais fosse estar com outra mulher.
Não ocorreu a Kate que ela e Sawyer não estavam juntos propriamente, que ela não tinha direito nenhum sobre a vida dele e que Sawyer podia fazer o que quisesse com quem quisesse.
Isso era o lógico, mas não Kate não conseguia raciocinar e ser lógica, apenas sentir. A sensação aguda de perda e traição continuava a aferroar-lhe os sentidos.
Sua primeira reação foi de virar o rosto, incapaz de continuar olhando e correr o risco de presenciar os dois se beijando. Isso ela não agüentaria, não depois do beijo incrível que ela e Sawyer haviam trocado.
Pior era nem saber de onde tinha vindo esse sentimento descabido: como podia ter ciúme de alguém que mal conhecia? Tinha que ser algum engano!
Kate se reconhecia uma pessoa territorialista, que não gostava de perder posição para ninguém. Daí sua antipatia com Juliet e até com Ana Lucia.
Daí uma vez ter pensado seriamente em romper com Jack e desistido, por imaginar que a médica tomaria seu lugar na vida dele!
Era mesquinho e infantil, mas fazia parte de sua natureza.
Porém o que acabara de experimentar era completamente diferente, mais profundo, doloroso, desestabilizante, surpreendente.
Olhando para a mesa, teve a satisfação de pelo menos, os dois estarem sentados onde estavam. Sem beijos. E agora, até sem conversa.
Será que tinham combinado alguma coisa para depois?
Respirando fundo, Kate se concentrou, resolvida a confrontá-los na mesa. Não iam se ver livre dela tão fácil.
- Então, perdi alguma coisa? – indagou, com falsa alegria.
- As bebidas chegaram – ele respondeu, indicando a caneca de cerveja.
Tomando um grande gole, Kate achou os dois vagamente desconfortáveis.
Ana Lucia estava quieta e parecia ruminar alguma coisa.
De um salto, esta se levantou e disse por alto:
- Preciso dar um telefonema, já volto.
Tomando mais um gole, Kate falou um tanto mais agressiva:
- Atrapalhei alguma coisa?
Com a consciência meio pesada, ele se fez de bobo:
- Atrapalhou o quê?
- Algum clima entre você e Ana... não quero atrapalhar nada.
Sawyer a olhou sem responder nada.
- Se vocês quiserem, a gente vai embora, você me deixa em casa e fica livre pelo resto da noite.
Kate se arrependeu assim que disse isso, ao ver a cara, primeiro de curiosidade, depois de progressivo entendimento, e por fim, de total arrogância. Ele passou a língua nos lábios e sorriu convencido:
- Quem ouve você falar assim, vai pensar que você ta com ciúme de mim, Sardenta!
Foi a vez dela de sorrir arrogante e virar os olhos, em negação.
- Por favor!
Sem tirar os olhos dela, lendo suas reações, Sawyer a provocou:
- Tudo bem então, Sassafrás! Nesse caso, não ia nem precisar te levar em casa. Você voltava com meu carro e eu ia com a Ponce De Leon pra onde ela me levasse...
E riu, triunfante, ao vê-la desorientada, sem saber como responder.
A principio Kate ficara confusa com o que ele dissera, mas ela também sabia ler Sawyer muito bem e percebeu, na hora, que ele tinha falado aquilo para espicaçá-la.
Ela topou o desafio:
- Combinado então – devolveu ela, alegremente.
O garçom trouxe os pratos e os ajeitou na mesa.
- Eu levo o carro e você fica com a Ana – ela propôs, fingindo indiferença.
Ele acabou entendendo uma outra coisa que ela não tinha nem cogitado e uma desconfiança dolorosa assaltou Sawyer:
- Peraí... você ta querendo ir embora e me largar aqui? É por isso que ta arrumando briga comigo? Pra ter uma desculpa e se mandar atrás do noivinho bom?
Ela arregalou os olhos em assombro. De onde ele tirou isso?
- Como é que é? Você enlouqueceu?
- Se você quer ir atrás do Doc, é só dizer, Sardenta! Não precisa me enrolar! – reclamou sombrio e também enciumado.
Há apenas dez minutos atrás ele se dispusera abertamente a dormir com Ana Lucia Cortez para amortecer seus sentimentos por Kate. Agora tudo que ele mais temia era que ela fosse embora por causa de Jack e o deixasse ali.
Os dois se encararam zangados e temerosos.
Cansada e furiosa, Kate mastigou as palavras:
- Não é nada disso! Não to enrolando ninguém! Tudo que eu quero é ficar e jantar em paz, será que dá pra fazer isso? Se você quer ir embora, então vai, mas não põe a culpa em mim!
De cara amarrada ele rebateu:
- Não vou pra lugar nenhum!
Eles se tranquilizaram um pouco, mas sem querer dar o braço a torcer, ela reclamou:
- Aonde a Cortez se enfiou? Eu quero comer!
Sawyer rosnou:
- Sei lá, acho que foi ligar pro tal do Colin...
- Ela foi ligar pro Colin?!
- É! É o cara que ela gosta – explicou ele.
- Eu sei quem é Colin! Eles estão separados. Ela falou dele pra você?! - estranhou Kate.
Sawyer fez um gesto de resignação:
- Vai entender!
O alivio que Kate sentiu pela conversa entre eles ter sido sobre o ex de Ana Lucia foi tão profundo e indisfarçável, que chegou a ser humilhante.
Ela soltou o ar com força e nem tinha reparado que estava com a respiração presa.
Sawyer sentiu uma incômoda e envergonhada felicidade por Kate ter esclarecido, mesmo zangada, que estava lá porque queria.
Ainda escabreados, eles se sondaram, cuidadosamente.
Meio conciliador, Sawyer indagou sério:
- Tá com fome? Olha, como essas torradinhas – ofereceu, passando patê em uma delas e entregando a Kate – Pra tapear a fome.
Ela aceitou, agradecida e, inesperadamente acanhada, tapou a boca com a mão, enquanto mastigava.
Sawyer achou aquele gesto bobo, uma coisa linda.
E tão rápido quanto tinham surgido, toda a insegurança, inquietação e raiva que os abalaram tanto, se desvaneceram, ficando no lugar, uma euforia luminosa.
Desistindo de esperar a parceira resolver seus problemas amorosos, Kate atacou o grosso bife com entusiasmo, fazendo ruídos de satisfação.
Fascinado, Sawyer continuou a observá-la. Incomodada ela exclamou:
- Para de ficar olhando e come logo... a vitela tá incrível!
Ele seguiu o conselho e devorou um bom pedaço. Eles brindaram com a cerveja alegremente. De repente, uma idéia ocorreu a Sawyer e ele não ia deixar passar.
Ele começou:
- Sabe de uma coisa, Sardenta? Desde que eu te conheci, essa é a terceira vez que você come carne por minha causa. Primeiro, teve a carne de porco que eu levei pro churrasco. Depois teve o rosbife do almoço, que eu pedi e você também quis. E agora, a vitela! E pensar que você costumava ser uma boa vegetariana...
Ele fez uma cara consternada.
Kate virou os olhos, divertida, adivinhando o que vinha em seguida: Imagina se ele ia deixar barato!
Destemida, ela indagou:
- E a conclusão é...
- Que eu sou uma péssima influencia sobre você – concluiu, cheio de si, fazendo-a rir. E acrescentou sugestivamente :
- Parece que eu tô te levando pro mau caminho, Chapeuzinho.
Ele ficou sério de repente e esperou o que ela diria. Ela levantou os olhos verdes, cheios de mistério e desafio:
- Sawyer... ninguém me influencia a fazer o que eu não quero. Se estou indo por um caminho, é porque eu desejo!
Ele foi rápido e rasteiro:
- Prova!
Eles sorriram, insolentes e excitados pelo vislumbre de infinita libertação que nascia daquelas palavras.
Ana Lucia voltou por fim, com uma expressão mais leve no rosto.
À guisa de desculpa, Kate explicou:
- Você demorou muito e estava morta de fome...
A outra respondeu, mansamente:
- Não faz mal.
Curiosa, Kate não se segurou:
- Então, falou com Colin?
- Falei, a gente vai se encontrar amanhã, ele tá de serviço agora.
Mas pelo jeito menos rígido da parceira, Kate calculou que o papo pelo telefone já tinha sido bastante favorável para o casal brigado.
O jantar prosseguiu muito agradavelmente. Os colegas da delegacia acabaram chegando e se uniram ao trio, formando um só grupo.
Até Sawyer acabou relaxando,mesmo cercado por policiais e quando deu por si, estava jogando sinuca com dois guardas e um sargento. E surpresa! Estava se divertindo!
Acompanhando o jogo, Kate se permitiu encantar-se pelo lado prazenteiro e feliz de Sawyer.
Ela lamentou do fundo do coração, ele temer tanto revelar essa parte dele e camuflá-la em cinismo, mau humor e muitas vezes, grosseria.
Ele estava tão à vontade e comunicativo, tão acessível e agradável... e mesmo assim, em seus olhos ainda brilhavam um pingo de perigo e petulância. Um travo de amargo, levemente contrabalançado com somente um pingo de doçura.
Ele podia ser sempre assim... sonhou ela.
Ele podia ser sempre assim... então, ela também poderia ser sempre a pessoa que estava sendo nessa noite, feliz e livre, para ser o que quisesse.
A canção agitada tocava alta e estimulante e Sawyer acompanhava o ritmo com a cabeça, esperando as tacadas dos outros.
Ali parado, ele lembrava um personagem de filme ou romance barato. Um assaltante de banco do velho Oeste ou um pistoleiro procurado.
Para um cowboy perfeito, só faltavam o chapéu e o colt.
Ela teve uma breve e vívida fantasia de Sawyer domando cavalos selvagens numa pradaria... sem camisa.
Kate gostava muito de Sawyer sem camisa.
A certa altura ele sentiu os olhos dela em cima dele e correspondeu.
Durante um bom tempo os dois ficaram de olhos presos um no outro, docemente, até que o alertaram a empurrões, que era vez dele de jogar.
A canção agitada acabou e as primeiras notas de uma balada romântica se espalhou pelo bar.
Obedecendo a um impulso – louco – Kate deu a volta na mesa, convidando:
- Vamos dançar?
Ele ergueu as sobrancelhas de surpresa. Sem esperar pela resposta, ela o puxou pela mão até a pista de dança, cheia de casais.
Inesperadamente tímido, ele ficou a encará-la, sem palavras.
Ela também ficou sem saber o que dizer, de pé, diante dele.
Finalmente, ele a tomou nos braços e eles começaram a rodar no ritmo da canção.[url]
Eles começaram devagar, dançando como os outros casais - juntos, mas com uma certa distancia entre os corpos.
Mas a música foi seguindo, a cadencia tomando conta deles, a letra fazendo sentido, os toques cada vez mais suaves e os corpos, cada vez mais próximos.
Kate envolveu os braços em torno da nuca de Sawyer, que a puxou para bem perto de si. Seus rostos ficaram muito próximos, e eles balançaram, sensualmente.
Empolgada pelo clima country do lugar, e se lembrando da fantasia que tivera, Kate indagou:
- Já pensou em comprar um Stetson?
Ele piscou, confuso:
- Um Stetson?
- É, um Stetson! Chapeu de cowby é a sua cara, Tex!
Ele deu uma risada engraçada:
- Tá certo, Calamity Jane, da próxima vez que eu for laçar gado, compro um, só pra te agradar.
E eles continuaram rodando pelo salão, torcendo para que o momento não acabasse nunca.
Mas o momento, e a noite, chegaram naturalmente a seu fim.
Cansada, Ana Lucia se despediu e foi embora, bem como o grupo de colegas.
No carro, voltando para casa, tanto Sawyer quanto Kate repassavam as horas felizes que tinham passado juntos, imaginando o que poderiam fazer para que coisas assim continuassem acontecendo – quer dizer, desde que isso não mudasse demais suas vidas, claro.
Quando eles pegaram a rua onde moravam e Sawyer se preparava para entrar no estacionamento, Kate segurou o braço dele:
- Para! Para o carro!
Assustado ele freou:
- Que foi? Alguma coisa errada?
Apontando para um veículo parado bem no portão do estacionamento, ela exclareceu:
- É o carro do Jack. Ele deve estar me esperando, lá em casa! – concluiu, dando um suspiro desalentado.
Sawyer franziu a testa e indagou:
- E agora? O que você quer fazer?
Ela balançou a cabeça:
- Não quero ver o Jack hoje... nós vamos brigar... não quero brigar essa noite! Essa noite, não! Eu queria ir pra qualquer lugar, longe daqui! – desabafou ela.
E olhou súplice para Sawyer.
Aquela tinha sido uma noite para entrar na historia. Discutir e se exasperar com Jack arranharia o brilho de um instante memorável em sua vida, que ela desejava defender como um tesouro.
Sawyer compreendeu.
Pensando um pouco, ele sugeriu:
- Escuta, eu conheço um lugar onde a gente pode ficar... até quando você quiser.
Ela fez que sim com a cabeça e eles foram, sem perda de tempo.
Os dois ficaram calados depois disso e Kate se sentiu grata por Sawyer não ter feito nenhum comentário engraçadinho sobre ela fugir do 'noivinho', como ele gostava de falar para incomodá-la.
Ela se recordou dele mais cedo, cortando as ruas temerariamente, com destreza e pericia, só para que ela não perdesse a palestra: a própria imagem do perigo e da excitação.
Tinha sido embriagador.
Ela olhou para ele, seguro e determinado, dirigindo para algum local desconhecido, lhe provendo fuga e esconderijo, mesmo que por algumas horas.
A luz dos postes batiam rapidamente, como flashes, em seu rosto, deixando-o ainda mais fascinante.
Eles se entreolharam numa intimidade reconfortante.
Recostando-se no banco do carro e suspirando profundamente, Kate parou de lutar e abraçou a noite que ainda viria, com tudo que pudesse lhe oferecer.
