Meus amores, desculpa pela demora em postar, tive um probleminha no olho e o cap. acabou ficando atrasado. Sexta feira tem mais ok?
Obrigada pelas reviews e espero que continuem comentando! Ah sim, e que gostem desse capítulo. Eu sei que vai ter bastante angústia, mas faz parte ok? E as coisas vão melhorar...
Beijoquinhas e até sexta feira! 3
Capítulo 25 – Discoveries
Pov Bella
"Parece-me que pela primeira vez estou sabendo das coisas. A impressão é que só não vou até mais coisas para não me ultrapassar."
(Clarice Lispector)
- Alice decidiu manter o cabelo curto e eu sinto tanta falta disso... – Esme falou enquanto fazia uma trança em meu cabelo. Eu ainda me sentia um pouco deslocada e envergonhada aqui, afinal eram meus primeiros dias na casa dos Cullen, mas a mãe de Edward fazia ser quase impossível não relaxar. Ela agia comigo como se eu já fosse da família, ou como se nos conhecessemos há muitos anos.
As atitudes dela nesses últimos dias, me faziam pensar no quanto minha mãe tinha sido negligente comigo, e no quanto Alice e Edward tinham sido abençoados por terem uma mãe feito Esme. Eu tentava lembrar de situações em que passei com ela, mas por algum motivo bloqueava. Acho que a dor de ter sido abandonada, acabou construindo uma parede em minhas emoções quando se tratava de minha mãe.
Bom, mas eu partia do princípio de que para tudo tinha uma razão. E se hoje eu estava aqui, depois de tudo que passei, tendo Esme penteando meu cabelo, fazendo uma trança e me tratando como nunca fui tratada por uma figura materna antes, era porque Deus também queria que eu fosse feliz. E abençoada de alguma forma.
- Dona Esme.. – falei enquanto sentia meus fios serem tratados. – Eu só queria agradecer mais uma vez por isso tudo... – eu falava, mas ao mesmo tempo com vergonha de abrir a boca. Eu não sei porque ainda me sentia intimidada . – Eu estou sendo tão bem acolhida por vocês... – engoli em seco tentando medir minhas palavras sem parecer chata. – Se eu tiver alguma forma de retribuir, ficarei feliz em fazer... – voz tremida. Ótimo. – Eu.. eu... poderia ajudar com as tarefas de casa, e..
Esme apenas soltou um risinho abafado.
- Bella, primeiro, eu não sou dona de nada, querida. Coloque isso em sua cabecinha. – ela deu uns tapinhas de leve no tampo de minha cabeça, logo depois voltando a fazer a trança. – Segundo, você não precisa agradecer por nada. Você é parte de meu filho, e estou muito feliz de ter você aqui, principalmente em saber que você está segura e longe de pessoas de má indole. – eu sabia que ela estava falando de meu pai, mas não quis falar para não me magoar.
Ela suspirou, soltando minha trança ainda pela metade e pegou em meus ombros, nos fazendo ficar de frente uma para a outra. Os olhos de Esme eram exatamente iguais aos de Edward, e isso me passava a sensação de confiança que eu realmente necessitava agora. – Você é tão nova, meu anjo... – ela tirou a franja que caía em meus olhos com seus dedos macios. Esme cheirava a lavanda, e era tão gostoso que toda vez que eu respirava, sentia vontade de abraçá-la. – Você tem tanto a ver, tanto a descobrir... existe um mundo tão grande à sua espera... – ela sorriu. – Fico orgulhosa de saber que meu filho também percebeu isso e fez de tudo para ver acontecer. Ele nunca te abandonaria lá. Ele não descansaria em saber que você estava presa ao nada...
Eu estava tão embasbacada com as coisas que não conseguia argumentar. Apenas assenti e dei um sorriso tímido.
- E por último, mocinha... – ela pegou meu queixo entre seu polegar e o dedo indicador, levantando minha cabeça. – Não fique achando que tem que retribuir as coisas que fazemos por você. Fazemos porque amamos Edward, e fazemos porque estamos amando você. Sem contar que seu amor por meu filho, tudo que soube por Alice da história de vocês, é mais importante do que qualquer coisa. – seus olhos me fitavam e brilhavam, mais uma vez me lembrando Edward. – Agora, se sentir marasmo, e achar que não tem nada para fazer dentro de casa, está bem vinda para me acompanhar em minhas tarefas. Eu adoraria a companhia. Mas saiba que não tem obrigação nenhuma de fazer nada.
- Obrigada, Esme. – sorri, pensando imediatamente na vida que eu tinha em Monrovia. Eu acordava cedo para fazer o café de Charlie e ai de mim se eu não estivesse com tudo pronto no momento em que ele acordasse. Ele ia para oficina, e eu ia para o tanque, lavar as roupas cheias de graxa que faziam minha mão doer. Estudava, e começava a pensar no almoço. Ia para a creche, e era meu único momento de refúgio, onde sentia pequenos espasmos de felicidade perto das crianças. Na hora que voltava, já era o tempo de tomar banho e visitar minha professora, onde não passava mais do que uma hora, já que Charlie queria seu jantar exatamente quando chegasse em casa. Depois lavava todas as louças, e após as dez é que conseguia ler um livro, ou em um dia mais diferente, ficar bolando receitas novas na cozinha, ouvindo a televisão em aquele chato e incessante canal de esportes. Isso quando Charlie não aproveitava a minha presença na cozinha e pedia cerveja, petiscos, e coisas parecidas.
Não era lar. Isso aqui era lar.
Esme ficou me fitando enquanto eu passava esse tempo todo olhando para o nada e tendo péssimas lembranças de um passado recente.
- Eu sei que sua cabecinha deve estar pensando em milhões de coisas. E eu estou aqui para conversar assim que você se sentir bem para isso, ok? Meu diploma de Assistência Social finalmente servirá para alguma coisa. Já que nunca pude exercer.. – ela deu de ombros.
- Porque? – perguntei franzindo o cenho.
- Porque assim que me formei, Carlisle também estava terminando a faculdade de Direito, e como já trabalhava em um escritório muito bom, recebendo um ótimo salário, me pediu em casamento. Pouco depois, questão de meses, engravidei de Edward. Então não tive como correr atrás de trabalho. Preferi ficar em casa e cuidar do meu bebê. – ela deu um sorriso e suspirou, como se tivesse grandes lembranças de Edward como criança.
- Ele devia ser um bebê muito lindo. – falei sem deixar escapar meu sorriso.
- Lindo, lindo, lindo... – ela ligou seu modo mamãe coruja, e sorriu, com os olhos ainda brilhando. – Ele nasceu bem vermelhinho, e com os olhos enormes e bem verdes. Quase sem nenhum cabelo, acredita? Só tinha alguns fios.. – ela riu. – Achamos que ia pegar a cor loira de Carlisle, mas acabou puxando a mim. – ela sacudiu a cabeça perdida em pensamentos. – Não era uma criança chorona... Dormia bem, que nem um anjinho...
Eu não conseguia parar de sorrir.
- Me lembre de eu te mostrar as fotos antes de ele voltar pra casa. – ela falou pegando em meus ombros e me virando de costas novamente, para continuar minha trança. – Se ele souber que mostrei fotos dele fantasiado de He-man no Halloween, acho que ele tira minha prioridade de mãe. – ela riu, e fechei os olhos, rindo, e sentindo as mãos carinhosas de Esme em meu cabelo.
- Lembrarei.
Esme terminou com meu cabelo e falou para eu me vestir, porque Alice já devia estar chegando da faculdade. Ela estava louca para me mostrar o tal do "Times Square" e hoje era a oportunidade de irmos, porque era um dos poucos dias que ela ficava em casa após as aulas.
Dois dias atrás, Esme passou horas me convencendo que tínhamos que montar um armário para mim, e comprarmos roupas novas. Isso deixou Alice em êxtase. Eu não me importava tanto com roupas e achava que não precisava de tanta coisa assim. Já tinha algumas minhas, e os dois vestidos que Edward havia me dado, então não tinha necessidade de ter mais. Porém, Alice em toda sua animação e vontade de sair às compras, bateu o pé, falando que eu não conhecia a moda de Nova York e que eu definitivamente tinha que conhecer.
Assim que ela chegou, deu um beijo em Esme, jogou suas coisas da faculdade e do estágio na mesa da cozinha e subiu rápido para trocar de roupa. Pegamos o carro e ficamos ouvindo músicas pop por todo o caminho, até chegarmos na Times Square.
Eu sabia que estávamos muito perto de onde Edward estava preso, e quando perguntei, Alice me confirmou. Eu ficava ansiosa ao pensar que estávamos tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Saber que vinte minutos nos separavam diariamente me deixava ainda mais tensa. Vinte minutos. O que são vinte minutos? Nada. Exatamente nada. Eu caminhava por vinte minutos para ir até a casa de Rosalie. Eram vinte minutos de minha casa até a creche. Uma pequena caminhada. Uma pequena distância. Essa realização fazia meu coração sentir que ia afundar dentro do meu peito.
Ela estacionou seu carro em um estacionamento dentro de um prédio, falando que não tinha coragem de deixar o carro na rua. Não nessa área da cidade. O crime por aqui era um pouco mais freqüente, então ela não gostava de arriscar. Fiquei meio receosa ao ouvir Alice falar das coisas que aconteciam por aqui, mas relaxei ao perceber que ela não me traria se fôssemos realmente passar por algum perigo.
Nossa primeira parada foi uma loja chamada Macy's. Bom, eu achei que era uma loja, porque no momento em que pisamos no local, mais parecia uma mansão absurdamente gigantesca. Tinham elevadores, escadas rolantes, e muitas, muitas pessoas. Acho que o shopping que eu fui com Edward em Indiana caberia umas quinze vezes por aqui. Alice puxou minha mão, me carregando para a escada rolante. Cheguei a ficar tonta e com as mãos geladas de tanto medo de perder o degrau, que se mexia sem parar. Ela deu um sorriso tímido e me pediu desculpas. Falei que não tinha problema, - ela não sabia que eu não estava acostumada com essas coisas, - e eu mesma tinha vergonha de não saber andar num treco desses.
Passamos muito tempo lá dentro. Alice era detalhista e gostava de olhar praticamente tudo. Confesso que eu não estava mais agüentando, mas não tinha a coragem de comentar isso com ela. Minha garganta estava seca, eu estava com muita sede e louca por água, mas fiz questão de prestar atenção em tudo que ela tentava me ensinar sobre cores que estavam na moda, e estilos. Ela falava tudo com muita segurança, e pegava as peças que achava que iam ficar boas em mim. Chegamos no provador com um número absurdo de roupas. Entramos juntas e eu tencionei quando vi que teria que ficar de calcinha e sutiã na frente dela. Ela percebeu e franziu o cenho.
- Você quer que eu saia? Eu juro, não tem problema nenhum. Me desculpe é que estou acostumada a vir com minhas amigas e nunca nos importamos com isso...
- Não, não tem problema.. – falei. Eu não queria deixar Alice chateada. Ela já estava fazendo tanto por mim, o que custava nós trocarmos de roupa juntas?
- Bella, eu estou falando sério. – ela colocou a mão em meu braço. – Não fique querendo falar as coisas para me agradar. Você tem suas próprias vontades, ok? Você é livre, para pensar o que quiser. Vamos fazer o seguinte, eu estou aqui na cabine ao lado, está bem? Você coloca as roupas e me avisa, que venho ver.
- Es...está bem. – falei envergonhada.
Não sei quantas roupas experimentei, mas sei que foram muitas. Até peças que eu nunca tinha visto em minha vida, e outras que nunca imaginei vestir. Quando coloquei uma blusa sem alças, que Alice disse que se chamava "tomara-que-caia", fiquei olhando para meus ombros, me sentindo uma idiota. Eu não sabia me portar com aquele tipo de roupa e não estava acostumada a ver todo o meu colo de fora. Não sei se conseguiria andar com isso na rua.
Fiz um mini desfile para Alice e para a funcionária que ficava supervisionando o provador. Alice batia palmas quando minha a roupa ficava boa, e comentava com a moça simpática. Eu, por outro lado, corava, sentindo minhas bochechas ardendo de tão quentes, e no fundo desejava que Edward estivesse aqui, vendo essas roupas em meu corpo, comentando o que achava, e sorrindo para mim, aprovando cada uma de minhas escolhas. Tentei afastar esse pensamento o mais rápido possível. Eu não devia ficar triste. Faltava pouco. Muito pouco.
- O que quer fazer agora? – ela falou após pagar por todas as roupas e pegarmos as sacolas. Estávamos completamente carregadas, sem mãos livres.
- Estou exausta. – falei sincera. – E morrendo de sede. E com um pouco de fome também. Queria algo doce... – saí falando, sem me importar em achar que estava sendo chata com Alice. Ela, por outro lado, apenas riu e sacudiu a cabeça.
- Sou uma péssima cunhada! – ela continuou rindo. – Estamos há horas nessa loja e me esqueci de perguntar se você queria beber alguma coisa! – ela levantou o pulso, olhando para o relógio. – Vamos fazer o seguinte. Deixamos as sacolas no carro, e vamos andando até o M&M's World. Estou louca para que você conheça. Já que você quer doces, lá é o lugar. – ela abriu seus olhos, bem escancarados, como se estivesse ainda mais animada. Mais do que já era.
Colocamos tudo no carro e saímos pelas ruas, e inúmeras quadras de Nova York. Parecia que não ia acabar nunca. Alice me explicou que aqui, em Manhattan, tudo era calculado por quadras. Então, se por exemplo, você queria ir até o Central Park, você tinha que andar quatorze quadras. Broadway? Dez quadras. E por aí. Me explicou sobre as avenidas, que ficavam em sentido vertical na ilha, e várias outras curiosidades que essa parte de Nova York tinha. Quando paramos em um sinal, esperando os inúmeros carros passarem, eu senti vontade de falar. E então apenas falei.
- Você não é uma péssima cunhada. Você está sendo como uma irmã pra mim.
Alice me abraçou apertado, ali, na frente de todo mundo na rua e todos que estavam parados junto com a gente, esperando pelo sinal verde.
Mais algumas quadras, - não sei quantas, perdi a conta quando chegamos na décima, - meus pés já me matavam e finalmente chegamos à loja de M&M's. Eu já conhecia os confetinhos de chocolate, porque em Monrovia tinha, mas aqui aparentemente tinha uma variedade mil vezes maior do que eu já imaginara para um pequeno doce.
Todas as cores possíveis. Até algumas em tom pastel. Dourado. De amendoim, chocolate e outros sabores; Bichinhos de plástico com as balinhas de chocolate coloridas dentro. E todo tipo de artigo que remetesse ao doce. Blusas, mochilas, travesseiros, cadernos de colégio, bengalas, brinquedos... era uma infinidade sem tamanho. A loja tinha três andares e era maior que qualquer construção que eu vira em Monrovia. Tudo era muito colorido.
Alice pegou um punhado e colocou dentro de um saquinho, me oferecendo. Quando os coloquei na boca, parecia que tinha aberto o portal para minha insaciedade. Eu queria comer todos. Era impossível parar. Enquanto olhávamos os artigos divertidos, acabamos com quase meio quilo de confete. Não satisfeita, pedi para Alice pegar mais. Era simplesmente delicioso. Eu não comia com tanto costume em Monrovia, e estava faminta de tanto caminhar e experimentar roupas. Só de pensar que teríamos que voltar todas as quadras para pegar o carro, já me fazia querer comer mais, só para ter a energia necessária.
Escolhemos várias coisas. Pegamos alguns para Esme, em formato de coração, e eu peguei um em forma de Smiley, para que ela levasse para Edward em sua próxima visita. Alice sorriu, olhando para o meu anel, falando o quanto nós nos merecíamos e o quanto ficávamos lindos juntos. Eu ri, achando graça de ela achar isso, sem nem ao menos ter nos visto juntos antes. Ela me disse que eu estava muito enganada, porque tinha visto algumas fotos nossas no celular de Edward, quando foi buscar os pertences dele na delegacia.
Eu nem me lembrava dessas fotos. Peguei o meu celular em meu bolso, - aquele que ele havia me dado, - e mostrei mais algumas, que tiramos naquele mesmo dia. Ela pegou o aparelho de minha mão, e assim como Edward fez, tirou uma foto nossa, dentro da loja, mandando para seu celular e falando que mostraria a Edward quando o encontrasse novamente.
Nessas horas eu sentia muita falta dele. Muita. Senti vontade de chorar, ainda com um confete na boca, mas acabei mais uma vez conseguindo deixar isso de lado. Seria deprimente chorar aqui, em um lugar tão feliz e com tantos doces.
Assim que saímos, - com mais sacolas e com um travesseirinho verde em formato de confete que Alice me deu de presente, - vi a coisa mais estranha do mundo. Um morador de rua, gritando com uma mulher que passava. Ele berrava com ela, muito alto, chamando-a de tudo que é nome feio, e eu quase parei para ficar olhando. Quando ele começou a ameaçar tacar uma garrafa de whisky nela, Alice pegou em meu cotovelo, me puxando para atravessar a rua. Eu não conseguia parar de olhar para a situação; Como assim uma pessoa grita com a outra sem nem conhecer? Sem nenhum motivo? Porque as pessoas aqui não eram boas? Fiquei simplesmente chocada com aquilo, e me pus no lugar da mulher. Se eu fosse ela, acho que ia começar a chorar.
- Porque ele fez isso, Alice? – perguntei enquanto andávamos do outro lado da rua, pegando o rumo para os próximos quarteirões.
- Provavelmente porque ela não quis dar dinheiro para ele. – ela falou chateada. – Isso sempre acontece aqui, Bella. Se um dia ocorrer com você, não mantenha contato visual, nem responda. Apenas passe reto e ignore qualquer coisa que tenham para te falar.
Eu não queria passar nunca por isso. Só voltaria aqui se estivesse acompanhada.
Sozinha, jamais.
Ainda passamos por uma loja de bolsas e sapatos antes de pegarmos o carro. Voltei com um tênis, duas sapatilhas, uma bota e um sapato de salto, pelo qual eu tinha certeza que teria dificuldades para me acostumar. Alice era impossível - Era simplesmente coisa demais, e eu tinha que aprender a dizer que era a hora de ela parar de comprar. Mas não conseguia. Sempre ficava com vergonha. Eu sabia que um dia ainda ia me arrepender por conta disso.
A volta foi calada, pois estávamos exaustas. Ficamos apenas ouvindo música. Dessa vez não tinha trânsito porque não era o tal horário de rush, e sim um pouquinho mais tarde. A única coisa que eu queria de verdade era jantar, tomar banho e dormir. Mas ao olhar para o dia indo embora e a noite chegando, tive um pressentimento ruim. Sabe quando você tem aquela sensação que as coisas estão boas demais para continuarem acontecendo? Que uma hora todo seu castelo vai desmoronar e você vai junto com ele? Podia ser paranóia minha, mas eu simplesmente não queria perder isso. Não queria perder esse sentimento gostoso de família e a esperança de ter Edward junto a mim em pouco tempo.
Nós fizemos amor duas vezes e nem tivemos tempo de conversar sobre isso. Não tive oportunidade de falar para ele como eu estava nervosa na primeira vez, mas como já estava relaxada na segunda e me sentindo muito mais segura de mim... como tinha sido bom estar com ele debaixo daquele chuveiro, sentindo sua pele junto com a minha, sentindo o amor que ele tinha para me dar, o carinho, a lealdade...
Uma lágrima caiu de meu olho e virei meu rosto rapidamente para a janela, impedindo Alice de ver.
Quando chegamos em casa, o clima estava completamente pesado, estranho, silencioso e diferente. Parecia que eu tinha adivinhado. Podia sentir em meus poros. Ainda com a trança, senti o vento do ar condicionado da casa em minha nuca e fiquei toda arrepiada. Tiramos os sapatos na porta, e colocamos a enorme quantidade de sacolas ainda no hall de entrada, indo logo encontrar com Esme na cozinha.
Ela deu um sorriso fraco, um beijo na bochecha de cada uma e voltou a cozinhar.
- Seu pai está em casa, Alice. – ela falou, agora de frente para o fogão, e com a voz meio diferente. – Finalmente resolveu jantar conosco. – por aquele tom de voz eu podia perceber que ela não estava muito satisfeita com o pai de Edward, por algum motivo. Bom, eu estava aqui por quase cinco dias e ainda não havia visto Carlisle. Ele sempre ligava dando alguma desculpa, ou chegava tarde demais para encontrar com qualquer uma de nós. Quando eu acordava, ele já havia saído novamente.
- Finalmente. – Alice falou, abrindo a geladeira e pegando duas garrafinhas de água para nós. Depois de comer tanto doce, aquilo ali caiu perfeitamente em meu estômago. Mas naquele momento tive a certeza que tinha exagerado ao comer tanto chocolate, porque o gosto de M&M's ainda ficava em minha língua, me deixando enjoada. Estava louca por alguma coisa salgada, para tirar aquele mal estar logo. O cheiro da comida de Esme, logo deixou meu estômago roncando com essa realização. Tudo que ela cozinhava era muito gostoso. E pelo aroma, hoje era frango. – Bella, vamos colocar essas sacolas lá em cima? Mamãe, renovamos definitivamente o armário de Bella! Mas acho que teremos que tirar algumas coisas no armário de Edward, senão não vai dar certo. Ela vai ficar dormindo lá mesmo?... – Alice ameaçou desembestar a falar.
- Peraí Alice, muita informação. – Esme virou-se para nós novamente, levantando uma de suas mãos. – Primeiro, acho ótimo que tenham comprado roupas novas. Quero ver todas, e espero que você tenha deixado Isabella escolher com quais se sente melhor.
Dei de ombros, e apenas sorri enquanto terminava minha água. Alice meio que me empurrou bastante coisa, mas eu não ia falar isso para Esme parecendo uma criança reclamona. Elas estavam fazendo o melhor por mim, e a única coisa que eu tinha que fazer era agradecer.
- Mais tarde, depois do jantar, vamos resolver o negócio do armário, está bem? – ela pegou uns fios de cabelo que se soltaram de minha trança e colocou atrás de minha orelha. – Agora subam, tomem banho e preparem-se para o jantar. – Esme então parou e se tocou de alguma coisa. – Ah, eu já ia me esquecendo, Bella. Carlisle quer falar com você. Depois de seu banho dê um pulinho no escritório dele. Você lembra onde fica, não lembra?
- Lembro sim.. – falei entrelaçando meus dedos e não conseguindo esconder o quanto estava nervosa com isso. O que será que ele queria comigo?
- Não se preocupe. Ele só quer conversar. – ela sorriu, passando o dedo indicador em meu nariz.
- Tá... Tudo bem.
Subi as escadas da casa dos Cullen com meu coração em picos. Eu estava morrendo de medo de conversar com Carlisle. Porque eu não sei, mas simplesmente tinha esse medo dentro de mim. Será que ele ainda estava chateado comigo por não ter me encontrado aquele dia em Monrovia e consequentemente decepcionado Edward? Será que ele me daria uma bronca? Eu era uma besta. Porque eu só pensava em coisas negativas? Poderiam ser coisas boas também; como por exemplo o negócio da tutoria. Ou simplesmente me conhecer... ou notícias de Edward.
Tomei meu banho, colocando um vestido e penteando meus cabelos, tentando parecer o mais presentável possível. Peguei uma das sapatilhas que Alice comprou, calçando-as rapidamente e indo até o escritório de Carlisle.
Dei algumas batidas na porta antes, e eu sentia que podia desmaiar sem ar a qualquer momento. Escutei uma voz bem baixa vinda do lado de dentro, me falando para entrar. Então abri a porta, e avistei Carlisle sentado em sua mesa, digitando algumas coisas no computador. Ele não era muito parecido com Edward, nem com Alice, mas algo ali me indicava uma semelhança, algo de família. Com os cabelos molhados, todos para trás, e um óculos pendendo sobre o nariz, Carlisle levantou-se e estendeu a mão.
- Olá Isabella. Prazer em conhecê-la.
- O prazer é meu, Senhor Carlisle. – senti sua mão apertar a minha, não muito forte.
- Sente-se, por favor. Temos algumas coisas a conversar. – ele apontou para a poltrona de couro marrom que estava a meu lado. Eu me sentia em uma consulta médica.
Sentei-me, e mesmo com o coração disparado de tanto medo e as pernas bambas, reuni a coragem para falar.
- Senhor Carlisle, obrigada por tudo que vocês tem feito por mim. Eu sei que não tem sido fácil, ainda mais com Edward na prisão, e..
- É, não tem sido fácil. Mas chegaremos a uma conclusão. – ele me cortou, ajeitando o óculos no nariz. Em hora nenhuma ele me deu um sorriso, e me senti incomodada. Era impressionante como ele não tinha nada a ver com Esme. Ou com Alice. Ou com Edward.
- Si...Sim... Chegaremos. – falei desconcertada por ter sido cortada tão bruscamente. Olhei para a estante de livros que tinha atrás dele, e não pude deixar de notar os inúmeros porta retratos, com imagens de Edward, Alice e Esme. Carlisle era claramente um pai de família, e devia fazer de tudo para tê-los em segurança. Era visível.
- Isabella, eu gostaria de te informar que hoje pela tarde, seu pai foi preso em Monrovia. – ele falou assim, sem mais nem menos, como se fosse a coisa mais banal do mundo. – E a noite estará sendo encaminhado para a prisão municipal de Indiana.
- Ah.. er... ok? – falei, sem saber o que responder.
- Daqui a alguns meses, depois da apelação dos advogados dele, - que eu creio que não sejam bons, - você provavelmente terá que estar presente no julgamento, e até mesmo depor contra ele. Isso está bem para você?
- Er... Está. – eu ainda tinha raiva de Charlie, mas me sentia mal por isso também. Como um pai deve se sentir ao ter uma filha depondo contra ele em um tribunal? Charlie havia me maltratado sim, nunca agiu comigo como um pai, mas só de me imaginar expondo todos os nossos problemas para um monte de pessoas que eu mal conhecia, já me deixava nervosa.
- Certo. – ele começou a anotar algumas coisas no papel. – Isabella, você por algum acaso tem alguma pista de onde sua mãe se encontra?
- Não. – optei pela resposta básico. Eu não sabia mesmo. E eu ia responder somente o que ele me perguntasse, torcendo para que essa conversa nervosa terminasse logo. Minhas palmas e meus pés suavam, e eu ainda estava com vontade de comer alguma coisa salgada, porque o M&M's de amendoim havia deixado rastros em meu paladar.
- Nenhuma mesmo? – ele levantou uma sobrancelha, como se estivesse desconfiando de mim.
- Nenhuma, Senhor Carlisle. Desde que ela me abandonou, nunca mais tive notícias. Nem sei para onde foi. Talvez meu pai seja o único que saiba essa informação. – passei meu dedo indicador direito por minha palma esquerda, tentando suavizar minha ansiedade, mas nada adiantava. Eu não sei porque eu estava assim, mas não estava gostando nem um pouco dessa conversa.
Carlisle continuou escrevendo coisas em um papel, e daquele jeito ficou por muito tempo. Olhei cada detalhe de sua sala, a janela com a cortina tampando qualquer coisa que pudesse entrar, - até mesmo o sol da manhã, - a mesa em madeira escura, a enorme quantidade de papéis.. mas meus olhos pararam exatamente naqueles mesmos porta retratos, em uma foto somente de Edward.
Eu estava sentindo uma falta absurda dele. Tão absurda que chegava a me dar a sensação de ter um buraco em minha alma.
- Isso é por causa daquele negócio da tutoria? – perguntei curiosa, sem nenhuma noção de filtro. Não sei porque perguntei. Simplesmente saiu.
- Sim. – ele falou sem levantar os olhos. – Porque na realidade eu preferia que você estivesse com sua mãe biológica, ao invés de me ter como tutor.
- Mas... O senhor não quer ser meu tutor? – perguntei, me sentindo ingênua demais. Óbvio que ele não queria.
- Não, não é isso, Isabella.. – ele tirou o óculos e segurou na ponte de seu nariz. – É só que.. é melhor ficar com família, não é?
Dei de ombros. – É... acho que sim.
- Bem, era só isso que eu tinha para falar. Esme provavelmente está te esperando para o jantar. Avise a ela que desço daqui a pouco.
- Está bem. – foi só o que consegui tirar de minha boca, enquanto me levantava daquela poltrona.
Meu peito apertava de tanta dúvida e tristeza. Então era isso? Carlisle não queria ser meu tutor? Ele queria que eu voltasse para minha mãe? Eu não queria voltar para minha mãe, preferia ficar sozinha do que ter que forçá-la a me receber de volta. Se ela me abandonou e não veio me buscar durante tantos anos, porque agora ela ia me querer?
Eu precisava de Edward mais do que nunca. Não querendo diminuir todos os esforços de Alice e de Esme, ele seria o único que me entenderia agora. O único que poderia me dar o carinho que eu realmente precisava.
Acho que cheguei pálida na cozinha porque Esme simplesmente me olhou e fechou o semblante.
- O que houve?
- Nada. – respondi, e soou muito falso.
- Carlisle disse alguma coisa que te magoou? – ela se aproximou de mim e olhou para cima, como se procurasse por ele nas escadas.
- Não. – respondi da mesma forma. O medo de ser rejeitada por parte de uma família que estava me recebendo tão bem, - e principalmente a família da pessoa que eu amava, - me deixou completamente apática. Sem ação.
- Tem certeza, querida?
- Sim, absoluta. – resolvi sorrir. Sorrir era o melhor remédio para se fugir de uma situação constrangedora ou de uma pergunta não desejada. – Carlisle disse que descerá mais tarde.
Enquanto jantávamos em silêncio, comecei a imaginar os cenários que minha vida poderia ter se Carlisle negasse ser meu tutor. Como será que Edward iria se portar? E se ele achasse minha mãe e obrigasse ela a me aceitar de volta? E se minha mãe não me quisesse mais? Eu teria que ir para um orfanato?
Eu sentia hostilidade em Carlisle cada vez que ele respirava. Parecia que para ele eu não era bem vinda ali, e sim um estorvo. Parecia que ele estava fazendo isso apenas por Edward, porém nem um pouco satisfeito. Isso me deixou agoniada.
Eu sei que eu estava dando trabalho. Eu sei que eu estava atrapalhando e dando gastos a mais para eles. Eu estava por baixo em toda essa história, e confesso que tinha medo de ser humilhada por Carlisle... medo de que ele jogasse tudo que estavam fazendo em minha cara, e que eu não tinha como retribuir todos os esforços. Eu já sentia vergonha só de imaginar. E todo aquele ambiente agradável que Esme e Alice me deram de presente no dia que cheguei, se tornou mais uma vez desconfortável para mim, como em um passe de mágica.
Cansada de brincar com a comida em meu prato, e agora completamente sem fome, resolvi pedir licença e subir para o quarto. Esme e Alice estranharam meu jeito, e Carlisle permaneceu como estava, cortando seu frango na maior normalidade e mastigando como se nossa conversa tivesse sido a coisa mais comum do mundo. Para mim não era. Eu sabia que não estava exagerando com isso. Aquela pequena conversa poderia significar muitas coisas... uma interrupção na luz do fim do meu túnel. Voltar a estaca zero. E principalmente, ficar sem Edward.
Era terrível se sentir assim. Sem ter para onde ir, com quem contar... eu sabia que Esme e Alice tinham as melhores intenções do mundo, mas Carlisle era o dono da casa. Era ele que mandava nas coisas. Elas não bateriam de frente com ele se ele decidisse que eu deveria ir embora. A única pessoa que faria isso por mim, estava impedida. E até mesmo isso me deixava mal. Eu não queria que Edward brigasse com o pai por minha causa.
E assim, de uma hora pra outra, toda a esperança que eu tinha virou pó.
Olhei para as sacolas, com as compras que fiz mais cedo com Alice, e fiquei com medo de ela comentar com Carlisle que havia comprado tantas roupas para mim. Gasto tanto dinheiro com uma menina que eles nem conheciam direito. Eu estava envergonhada de mim mesma, e definitivamente sentia que tinha que dar um rumo em minha vida. Arrumar um emprego, procurar alguma coisa... Mas como?
Sem saber o que fazer e procurando ocupar minha cabeça com alguma coisa, peguei o smiley de M&M's que comprei para Edward e resolvi escrever um bilhete. Coloquei palavras de conforto e felicidade, contando que estava bem, que estava me divertindo com Alice e que não via a hora de encontrá-lo.
Eu me odiava por estar mentindo para Edward. Na realidade eu estava muito triste e precisando de sua presença mais do que tudo nesse mundo. Mas ele não precisava saber; Ele já tinha suas próprias angústias para sentir. Nada melhor do que desenhar um sorriso para cobrí-las. Nada melhor do que sorrir para escondê-las... e era isso que eu ia fazer enquanto Esme e Alice viessem me perguntar o que me incomodava.
Algum tempo depois Esme veio até minha porta, perguntando se podia entrar. Óbvio que ela podia entrar, essa aqui era a casa dela. Porque ela me perguntava? Fiz que sim com a cabeça e sorri no momento em que ela se sentou ao meu lado, com o semblante mais uma vez preocupado.
Passei um bom tempo tentando convencê-la de que eu estava bem, e ela mesmo não acreditando, resolveu mudar de assunto. Começou a olhar todas as roupas que tínhamos comprado, dobrando todas elas junto comigo e colocando-as em cima da cama. Ela então se levantou e foi até o armário de Edward, tirando algumas coisas de dentro.
- Tem coisa aqui que nem cabe mais nele.. – ela sorriu. – Acho que vou separar muitas coisas e doar para caridade. – ela estendeu à sua frente uma camisa azul escrita New York Knicks. – Ahh, essa era sua preferida, mas duvido que caiba nele. – ela riu. – Você acha que cabe? – ela mostrou para mim.
A imagem de Edward me veio a cabeça. E não foi qualquer imagem. Foram todas as vezes em que o vi sem camisa. Senti meu peito arder com as lembranças. Sorri. E minhas bochechas logo coraram. Ainda bem que Esme não percebeu.
- Provavelmente não. – respondi. – Mas Esme... posso ficar com ela?
Ela sorriu.
- Claro, meu amor.
Ela tirou mais algumas, todas no mesmo estilo da que ela havia me dado. Tinham bolas de basquete desenhadas e logo deduzi que era de seu time.
- Ele era um ótimo jogador de basquete. – ela falou enquanto dobrava um casaco e colocava em uma parte da cama. – Só não pegou a bolsa porque Carlisle não deixou. – ela deu um suspiro chateado.
- Como assim Carlisle não deixou? – franzi o cenho, enquanto ajudava, dobrando algumas calças jeans dele.
- Não deixou. Disse que seu filho não ia ser jogador de basquete, e sim um profissional de verdade. – ela revirou os olhos. – Por isso que Edward foi para Wisconsin. Ele quis obedecer a Carlisle, porém o mais longe que pôde. – Esme deu um suspiro cansado e vi que ela ficava muito chateada com isso.
- Ele ficou afastado bastante tempo, não é? – perguntei, me aproximando dela e ajudando com as roupas que já estavam fazendo pilha em seu antebraço.
- Bastante. E em parte foi por culpa de Carlisle, e isso me deixa tão chateada... Eu sinto falta dele também, querida. Muita. Só não quero deixar isso transpassar.. eu não vejo meu filho há quase um ano...
- Um ano? – perguntei incrédula sentindo que meus olhos estavam maiores que tudo. – Esse tempo todo?
- Aham. Ele não quis vir para Ação de Graças, nem outras festividades, daí agora ele foi preso e ficou por isso mesmo...
- Porque não vai visitá-lo? – perguntei baixo, com medo de estar me metendo na vida de Esme.
- Não sei se vou aguentar. Não posso passar por emoções fortes, querida... o médico mesmo disse que não me aconselhava. Prefiro estar bem e saudável para quando meu filho voltar para casa.
Sorri. E senti vontade de abraçá-la. Mas a quantidade de roupas que tinha entre a gente acabou tornando impossível o contato.
Ficamos mais algum tempo arrumando as coisas, e separamos em um cesto todas as roupas que ela ia dar para a caridade. Duas blusas dele, do basquete, ficaram pra mim. E foi justamente uma delas que coloquei por cima do meu pijama, procurando algum conforto para dormir aquela noite.
