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Disclaimer: TWILIGHT não me pertence e nem a música MONEY HONEY... Mas o casal de irmãos que nos faz sofrer a cada capítulo sim! Então, por favor, respeitem! E curtam...

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N/A: Olá flores! *abraça todas* O capítulo demorou, mas foi por uma boa razão. Na verdade, a autora que vos fala ficou lendo e relendo cada linha do capítulo que considero um dos mais bonitos - e importantes - da nossa história. Também teve alguns detalhes médicos que tive que pesquisar para o enredo criar consistência; logo, precisei fazer uma pesquisa sobre traumas e exames de DNA, além daquela que eu já tinha feito quando criei a fic.

Pra quem perguntou quando a fic irá terminar, penso que ela deve chegar ao capítulo 30 - mais ou menos - fora o epílogo e o extra que pretendo postar. Vai ser difícil me desvencilhar desse mundo que criei para Money Honey. Também não tenho idéia de fic futura. Talvez eu dê um tempo, afinal, venho postando MH há um ano e antes dela, postei a minha fic "Armações do Amor" que também demandou tempo.

Ou talvez o bichinho da inspiração me morda novamente e venho com outra história procês. *smile*

A gincana "Money Honey" não acabou, mesmo que o mês de Abril tenha nos dado adeus. Na nossa última brincadeira, a ganhadora foi a leitora Andreia Mattos, que já está com a sua linda necessaire em casa... Parabéns Andréia!

Para o próximo brinde, trago o hidratante de corpo da Victoria's Secret, com fragrância de framboesa e almíscar. A loção se chama "Be seduced" e é uma delícia! Bem apropriada pra fic, não acham?

A propostinha é a seguinte: Dessa vez, vamos brincar com os números de reviews. Quem postar a review do número que vou dar dicas ao longo da semana, leva esse presente da VS. O que acharam? Vão postando porque na terça-feira eu darei a dica via twitter - (arroba)CarollDiva , no face - www(ponto)facebook(barra)CarollDiva e no tumblr moneyhoneyfanfic(ponto)tumblr(ponto)com (Só trocar a palavra ponto pelo símbolo correspondente). Quem quiser ficar com o cheirinho da Bella de MH, é só caprichar e mandar suas reviews!

Nesse capítulo, há uma música linda; na verdade é uma versão de "Kiss me" cantada pelo grupo "The Fray". Assim que eu a ouvi, soube que ela precisava entrar nesse capítulo. E vou confessar uma coisa: Chorei ao digitar as partes Beward ouvindo a música! Ouçam e não vão se arrepender!

De resto, continuem acompanhando a fic pelo tumblr e pelo face. É sempre uma honra conhecer novas leitoras e manter contato com todas vocês!

Parando o blá-blá-blá e fazendo as honras da casa. Afinal, esse capítulo tá uma lindeza!

Just enjoy, juizetes!


CAPÍTULO 22

Certezas

"É você que amo, raramente me engano" (Caio Fernando Abreu)

Chicago – IL – EUA ●

Quinta-Feira ●

EDWARD POV

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Acordei de um sono sem pesadelos. Passei a mão pelo rosto e senti a minha pele seca.

Sinal de que realmente eu não havia sonhado com algo perturbador.

Sentei na cama e inspirei o ar de uma Chicago movimentadíssima às sete horas da manhã. Era possível ouvir o barulho dos carros, algum apito ao longe; alguma música clássica me despertara de meu sono matinal. Estava na hora de agir.

Tomei um banho incrivelmente frio para o clima ameno em que estávamos. Vesti meu terno, minha calça social e pus meus sapatos; peguei uma gravata verde que havia sido presente de Tanya e a enrolei em volta do meu pescoço adequadamente. Eu sabia que era uma atitude tipicamente normal para quem trabalhava em um tribunal, mas para mim era um procedimento que me remetia às manhãs que eu passei ao lado da minha esposa.

Em breve, eu iria ao cemitério. Como todos os anos, eu levava rosas brancas a ela e ao nosso filho, Anthony. Passava ao seu lado, contando alguns fatos importantes, omitindo outros, como se eu pudesse sentir a sua presença ao meu lado.

Eu sabia que era algo mórbido e que eu deveria abandonar velhos hábitos e seguir com a minha vida. Mas o problema era que cada vez mais eu demonstrava sinais de não querer esquecer meu passado.

Cada vez mais, eu dava sinais de que não conseguiria seguir em frente.

Por alguns instantes, eu pensei que talvez fosse capaz de superar tudo ao lado de Bella. Mas me enganei. Seriamente.

Finalizei o nó e encarei o meu reflexo no espelho. Embaixo dos meus olhos havia manchas escuras e, embora eu dormisse relativamente bem e na quantidade necessária, eu me sentia cansado. Talvez pudesse antecipar as minhas férias e viajar, quem sabe ir à Nice. Conhecer melhor a Europa. Ir para bem longe de tudo.

Então era o que eu faria, depois do resultado do exame. Eu não iria ficar e ver Bella indo embora com o coração despedaçado por saber que a sua mãe a enganara. Eu não ficaria para vê-la ser consolada por Samuel. Eu não ficaria para ver as acusações dos meus irmãos, para ver a tristeza estampada no rosto dela.

Eu estaria longe. Eu fugiria de tudo o que eu sabia que iria sentir. E o pior, sem poder agir, sem poder consolá-la, já que ela queria manter-se afastada de mim.

Tomei uma caneca de café rapidamente. De certa forma, eu havia acordado estranho, até decidido em como seria a minha vida daqui para frente. Talvez ela voltasse a ser como antes. Talvez não. Mas pela primeira vez, eu sentia alguma certeza.

Eu estava gostando dessa quase normalidade. Trabalhando, fazendo meus julgamentos, voltando à rotina de antes. Mesmo que fosse um Edward diferente executando todas as tarefas de um Edward de outrora, havia algo de confortável em executar meu trabalho novamente. Porque ainda havia uma esperança.

Era como se alguma coisa ainda fizesse sentido por tudo que estávamos passando.

Toquei a superfície lisa do meu piano e me recordei da linda melodia que dedilhei a noite passada. Havia muito tempo que eu não compunha nada e, de repente, tive essa surpresa. Surpresa que ficaria só pra mim, sem ser compartilhada com o mundo.

Sem ser compartilhada com ela.

A música era a única coisa que eu pretendia guardar de tudo o que passamos.

Peguei os meus pertences e saí, chegando ao tribunal depois de algum tempo, devido ao trânsito caótico de Chicago. Revi alguns arquivos, participei de alguns julgamentos e dei o aval para classificar alguns processos. Assinei alguns documentos e, no fim do dia, ainda estava analisando alguns arquivos que estavam atrasados por causa dos meus dias de recesso pelo falecimento de Carlisle. O trabalho havia se acumulado e eu agradecia por isso, porque eu poderia manter a mente ocupada quando não queria pensar em fatos, coisas e pessoas.

Principalmente em pessoas.

Bebi mais uns copos de café até perceber que já passara das sete horas da noite. O prédio estava bastante silencioso, mesmo com a presença dos vigias. Dispensei Ângela assim que o horário do seu expediente terminou, aproveitando para examinar alguns processos com calma, tendo a certeza de que não teria alguém me interrompendo de cinco em cinco minutos para fazer perguntas inúteis.

Peguei a minha pasta, minhas chaves e coloquei a minha Glock devidamente carregada no coldre axilar escondido por dentro do terno. Verifiquei a bagunça que havia deixado na minha sala, sabendo que Ângela teria algum trabalho na manhã seguinte, o que de fato pouco me importava.

Logo em seguida, eu saí.

- Boa Noite, Juiz Masen. – O vigia me cumprimentou, abrindo a porta de vidro que dava para o saguão. – Deseja que eu peça um táxi para o senhor?

- Não, vim com o meu carro. – Ajeitei o terno, antes de ir em direção ao elevador. – Verifique se tranquei a minha sala. – Apertei o botão e esperei.

- Com certeza. – A porta do elevador se abriu para mim. – Tenha uma boa noite.

- Igualmente. – Segurei firmemente a pasta enquanto a porta se fechava e ouvi um singelo barulho das roldanas do elevador se movimentando.

Quando cheguei ao estacionamento, vi o meu volvo solitário reluzindo à meia luz. Eu estava acostumado a sair depois dos outros funcionários, mas não tão tarde. Algo me avisava que eu deveria ter mais cuidado.

Andei até o meu carro, com as chaves em mãos. Um barulho chamou a minha atenção, mas eu logo acreditei ser algum vigia trancando alguma porta. Entrei e coloquei a chave na ignição, dando a partida.

Assim que saí do estacionamento, segui o percurso para ir a Rose Hill. Eu precisava ver os meus irmãos, conversar com eles e ter a certeza de que tudo estava bem com relação ao exame. A minha urgência em resolver essa situação se agravava a cada instante que passava.

Bella. Como ela estava? Nós não nos víamos há alguns dias, mas parecia uma eternidade; o medo de esquecer o seu rosto ficava latente dentro de mim, junto com o receio de finalmente deixá-la ir... Mas eu já havia feito isso, não havia?

Eu precisava saber se ela estava bem diante de toda aquela situação. O covarde do Samuel estava fugindo de mim, protelando a nossa conversa que seria inevitável, mais cedo ou mais tarde. Eu realmente me enganara quanto ao seu caráter. E eu sentia por Bella não enxergar isso.

Liguei o rádio, conectando o meu MP3. Os primeiros acordes de "Once" do Pearl Jam invadiram o ambiente enquanto eu tamborilava os dedos no volante, no ritmo da música, tentando ocupar a cabeça com alguma coisa.

- "I admit it...what's to say...yeah" – Retirei um cigarro da cartela. – "I'll relive it...without pain...mmm"

A música falava sobre controlar, perder e amar. Três verbos interligados a minha vida medíocre. Três verbos que apareceriam em quaisquer lembranças minhas.

Acendi o cigarro e deixei a nicotina adentrar meus pulmões ao mesmo instante em que cantava com o vocalista da banda, Eddie Vedder. Minha cabeça estava cheia com as descobertas recentes e tudo o que eu mais queria era chegar em casa e dormir. Talvez beber um pouco, embora eu andasse reticente pelo último acontecimento em que me envolvi com bebida.

Se não era Bella, quem havia sido? Uma alucinação? Um sonho? E por que o seu cheiro ficara em meus lençóis? Para me torturar, como se tudo o que eu refreei em relação ao que eu sentia por ela não fosse o bastante? Para me lembrar do que ela era capaz de fazer comigo: o nível de fragilidade a qual sua presença me submetia?

E a cada passo que eu dava em retorno às lembranças, mais eu me sentia fraco, pusilânime, destituído de qualquer coragem para resistir a ela.

Mas eu me manteria forte. Eu manteria a promessa que fiz a mim mesmo e a ela.

Distraído com a música e com os pensamentos efervescentes em minha cabeça, não percebi que estava sendo acompanhado por um carro há alguns metros. Acelerei e entrei numa rua transversal qualquer para me certificar se eu estava certo ou não.

E para o meu pesadelo, eu estava.

Acelerei, jogando o que restava do cigarro fora. Virei bruscamente, entrando numa rua qualquer e notei que não era um único carro, mas sim dois.

Dois carros com os vidros escuros, impossíveis de reconhecer o condutor.

Peguei a minha arma, enquanto dirigia, acelerando o carro e passando velozmente pelas ruas sem me preocupar com qualquer sinalização. Depois de algum tempo, eu percebi que estava conduzindo por ruas desertas e que havia me afastado do centro de Chicago.

Eu fiz o que eles realmente queriam.

Esbravejei quando percebi que havia começado a chover, o que dificultava a minha visão.

Eu não sabia mais em qual parte da cidade eu estava.

A pista estava escorregadia, mas eu não podia desacelerar o meu automóvel. Eles estavam pertos demais e eu sabia que, qualquer atitude precipitada ou impensada, poderia ocasionar a minha morte.

Eu nunca passara por uma situação dessas, por isso dispensava segurança particular e carros blindados. Eu confiava somente em mim e na minha Glock; eu sabia da história de juízes que foram assassinados por seus próprios seguranças. E em seus carros blindados.

Peguei o meu celular, deixando a minha Glock preparada em cima da minha perna. Liguei para a delegacia e assim que fui atendido, meu corpo foi lançado para frente.

- Merda, seus filhos da puta! – Gritei, enquanto observava o carro encostado ao meu. – Vão pagar por isso! – Afrouxei a minha gravata, sentindo a blusa encharcada de suor.

Um dos carros estava atrás de mim, batendo no para-choque traseiro do meu volvo.

Quem era responsável por aquela perseguição?

Segurei a arma com uma das mãos e, quando o segundo carro se pôs ao lado do meu, eu atirei.

Atirei furiosamente algumas vezes até que o carro perdeu o controle e ficou desgovernado, saindo da principal. O vidro estava estilhaçado e pela quantidade de vezes em que disparei, eu tinha acertado alguém. Mais provavelmente o condutor.

Na velocidade em que eu estava, perdi o controle do volvo, até perceber que iria capotar. Minha arma caiu e eu tentei segurar o volante para controlar o carro porque sabia que seria inútil frear nas condições em que estava, mas o larguei assim que percebi que não teria mais jeito. O carro rodou na pista molhada antes de capotar algumas vezes. Tudo a minha volta girava e eu senti um líquido quente e viscoso descendo pelo meu rosto. Mas não consegui abrir os olhos.

Até que parou.

O silêncio era confortável e eu estava me sentindo bem. Onde eu estava? Ainda estava no carro? Ou estava deitado na rua, esperando por socorro? Mas eu estava com cinto de segurança, não estava?

Eu queria abrir os olhos, mas não podia. Algo estava me reconfortando e eu me lembrei de Bella e do seu sorriso. E de como daria a minha vida para vê-la nesse momento. Para senti-la ao meu lado, inspirando o seu perfume de framboesa, capaz de me causar alucinações.

De repente, ouvi a voz da minha mãe, se confundindo com vozes estranhas e em volume alto, que faziam a minha cabeça doer ainda mais. Eu queria pedir para que eles parassem, para que deixassem a minha mãe falar, porque ela estava se afastando de mim. Mas eles não paravam. Eles não entendiam e eu ainda estava tentando falar com eles.

E foi quando eu senti um toque quase angelical. E aquele toque descartava qualquer dor que eu começara a sentir; uma dor tão intensa que parecia que me corpo estava sendo tomado por chamas.

A dor era atordoante.

Tentei sentir algo, sentir meu coração, mas eu flutuava num espaço vazio. As vozes haviam sumido e até a voz inconfundível e pura da minha mãe não estava mais ali.

Eu estava sozinho.

A escuridão me levou cada vez mais longe. O peso era esmagador e quanto mais força eu fazia para me livrar dele, mais fraco eu me sentia. Onde estavam os condutores dos carros? O que acontecera a eles? Eu queria me vingar pelo estado em que eles haviam me colocado. Eu precisava me vingar!

Bella... Será que algo havia acontecido a ela? Será que tentariam matá-la como fizeram comigo? Ordenei que as minhas pernas se mexessem, mas o meu corpo não me obedecia mais; meus membros pareciam frouxos demais, sem nada para erguê-los.

Eu estava paralisado enquanto a dor me consumia, fazendo com que eu desejasse a morte. A minha garganta arranhava como se eu tivesse engolido toneladas de areia; meus pulmões estavam pesados e eu não sabia se continuaria respirando por algum tempo. Tudo era fraco demais, debilitado demais.

Tentei evocar o rosto de Bella em minha mente, mas não consegui. Só sabia que ela precisava ser salva, que alguém precisava protegê-la, cuidar dela.

Senti a minha pulsação fraca enquanto a dor em meus pulmões crescia a cada instante. A escuridão já havia me abraçado e eu sabia que dificilmente eu sairia dessa. A voz da minha mãe voltou ainda mais forte e eu me agarrei àquele único fio de esperança.

- Eu te amo, meu filho... – Eu estava me sentindo melhor. – Você vai ficar bem...

Eu queria levantar e rasgar o meu peito diante da dor dilacerante que me consumia, fazendo os segundos tornarem-se minutos. Mas eu não consegui sentir meus braços e muito menos mover algum dedo.

Com a última força que eu tinha, sussurrei o nome dela.

Bella, a quem eu daria a minha vida sem contestar ou sentir, a quem eu me daria por inteiro.

- Bella, eu te amo.

E então, não senti mais nada.

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BELLA POV

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Depois de algum tempo, acordei para o pesadelo que a minha vida estava prestes a se tornar. Alice me contou aos prantos que Edward havia sofrido um atentado e que estava internado em um hospital.

Seguimos diretamente para lá: Eu, Alice, Marc, Emmett, Rosalie, Jasper e Mike. Liguei para Samuel no caminho e expliquei o que havia acontecido.

Eu estava entorpecida e enquanto todos falavam, eu só pensava em Edward. E no seu sorriso. Em suas mãos tocando a minha pele. Na última conversa que tivemos e na mágoa que deixei em seu coração.

Depois de algum tempo, todos decidiram se calar. Alice chorava copiosamente e, embora fosse consolada pelo seu marido, ela não conseguia se acalmar. Eu entendia plenamente a dor que ela sentia.

Meus olhos estavam cheios d'água e embaçados. Eu estava inconsciente de tudo o que acontecia em minha volta enquanto a lembrança dos meus momentos com Edward me ricocheteava violentamente; por um momento acreditei que ele estivesse perto de mim em vez de uma cama de hospital.

Mas eu estava errada.

Os sons estavam sufocados pelo martelar do meu coração. A palpitação estava rápida demais; por mais que eu tentasse me acalmar através de exercícios respiratórios e pelas palavras encorajadoras de Jasper, eu sabia que seria impossível. Que só me acalmaria quando soubesse o real estado de saúde de Edward.

Chegamos ao Northwestern Memorial Hospital depois de alguns minutos, o que pareceu uma eternidade. Os outros se informaram na recepção, enquanto fui adentrando os corredores do hospital.

- Senhora! – Ouvi uma segunda pessoa chamar o meu nome. – Senhora!

Perambulei até que cheguei à sala de cirurgia. E fiquei por ali.

Depois de alguns minutos, eles apareceram. Mas diante da minha atitude, não se aproximaram para falar alguma coisa.

Somente Jazz.

- Ele vai ficar bem, Bella... – Permiti que Jazz me abraçasse. – Ele vai ficar bem.

Depois de algumas horas inexatas, o primeiro médico saiu da sala de cirurgia.

- Dr. James? – Alice se aproximou. – Eu sou irmã do paciente Edward Cullen, estamos aqui para...

- Sinto muito, mas depois passarei o quadro clínico do paciente... – O médico estava saindo quando eu parei em sua frente. – Mas o que é isso?

- Eu sou Isabella Cullen, irmã do paciente. – Disse veemente, sem qualquer vacilo ou hesitação. – E exijo saber como está o meu irmão. Agora! – Gritei fazendo com que os demais familiares de outros pacientes parassem para ouvir. – Ele sofreu um acidente e corre risco de vida!

- Eu não vou falar sobre isso agora. – Ele se aproximou de mim. – Passei um bom tempo tentando salvar a vida do seu irmão e há outras para serem salvas... Aguarde pelo boletim médico.

- Por... Favor... – Segurei a sua mão com toda a força que ainda me restava. – Eu preciso saber como ele está. – A urgência em minha voz era palpável. – Nós precisamos saber como ele está. Por favor. – Supliquei novamente.

O médico me encarou antes de olhar para Alice e Marc. Seu olhar transmitia frieza e indiferença.

- Acabamos de conter uma hemorragia abdominal... – Jasper segurou firmemente a minha mão para que eu não desabasse. -... Ele deu entrada no hospital com um quadro de parada cardiorrespiratória, mas conseguimos reverter a situação e reanimá-lo.

- E como ele está agora? – Minha voz estava embargada. – Podemos vê-lo?

- Não... – O médico bufou, visivelmente cansado. – Ele está em coma induzido.

- O quê? – Alice se aproximou e começou a falar com o médico enquanto eu me afastava.

Fechei os olhos enquanto uma lágrima caia pela minha bochecha... O que havia acontecido com Edward? Quem teria feito isso? Eram tantas perguntas, mas nenhuma se sobrepunha ao medo que eu tinha de perdê-lo.

Virando-me, saí para tomar um pouco de ar e ter forças para continuar ali por ele. Ouvi Jasper me chamando e sabia que ele iria me seguir, mas eu pouco me importava. Só queria acalmar meus pensamentos e começar a pensar numa maneira de tirá-lo daquela situação.

- O médico disse que o induziram ao coma porque não havia condições em acordá-lo. – Jazz sussurrou ao meu lado. – As próximas 72 horas são críticas. Edward ainda corre risco de morte.

- Eu sei. – Sequei mais uma lágrima que insistia em cair. – Talvez devêssemos transferi-lo para um hospital melhor, mais capacitado e...

- Bella, diante do quadro dele, é impossível uma remoção nesse momento... – Jazz tocou o meu ombro. – Se ele mantiver uma estabilidade por seis a oito horas, a equipe poderá pensar nessa possibilidade.

- Então vamos nos certificar de que ele está bem acomodado, com instalações adequadas... – Funguei mais uma vez, passando a mão no rosto. – Tenho certeza que eles pagarão qualquer quantia para vê-lo bem.

- Bella, não precisa se manter forte diante de mim. – Eu senti seus braços me envolverem. – Sou eu, Jazz.

- Eu sei. – Abracei fortemente o meu amigo. – Mas Edward precisa de mim agora. Eu não posso vacilar, não posso esmorecer... – Repeti quase como um mantra. – Eu vou ser forte por ele.

- Certo. – Jasper me afastou e encarou meus olhos. – Vou ajudá-la no que for preciso. Tenho certeza que o Juiz mais durão de Chicago vai sair dessa.

- Meu juiz vai sair dessa. – Peguei a correntinha de ouro que usava. Havia um crucifixo nela. – Ele vai.

Tomamos todas as providências necessárias enquanto Edward estava sendo removido para uma unidade de tratamento intensivo.

Realmente Edward estava sendo bem assistido. O hospital tinha uma estrutura impressionante e pelo o que Alice pesquisara em seu iPad, ele tinha ótimas referências.

Fiquei um pouco mais aliviada.

Conversei com a equipe médica que operou Edward e as notícias eram otimistas. O Dr. James, chefe da equipe, estava receoso quanto a possível transferência de seu paciente e eu garanti a ele que ela seria feita somente se não trouxesse riscos.

Eu acataria qualquer ordem médica.

Depois de algum tempo, Mike, Rose e Emmett resolveram ir embora com a promessa de voltarem mais tarde. Marc decidiu voltar a Rose Hill juntamente com eles, decidindo retornar ao hospital quando Edward pudesse receber visitas.

E eu fiquei por lá, na esperança de ainda vê-lo.

- Tome aqui. – Era o quinto copo de café que eu tomava no dia. – Você acha que nos deixarão vê-lo, Bella?

- Acho que sim, Allie. – Jazz tinha ido a lanchonete comer algo. – Eu só vou embora quando tiver a certeza de que ele está se recuperando.

- Eu também. – Alice sorriu ternamente para mim. – É difícil entender a relação de vocês dois, mas foi bonito ver você lutando por Edward... Pela vida dele. – Alice me encarou e eu senti minha pele esquentar.

- Eu faria isso por você também. – Bati meu ombro no seu. – Gosto muito de Edward, apesar de tudo.

- Eu sei. Eu vi isso hoje. – Alice suspirou profundamente. – É muito bom saber que ele encontrou alguém que goste dele de verdade.

- Como assim? – Tentei disfarçar, mas a minha mão trêmula denunciava. – Eu não estou entendendo aonde você quer chegar...

- Nem eu. – Alice depositou o copo de café ao seu lado e pegou a minha mão fria. – Seja o que for, sempre vou querer a felicidade de vocês. Mesmo que não concorde ou ache errado... Eu ainda não entendo, mas um dia vou entender. Só sei o que eu vi hoje... – Ela fechou os olhos e sussurrou. – Foi uma demonstração linda do que você sente por ele. Sua perseverança, sua atitude. Queria que ele tivesse visto.

- Eu pensei que você me quisesse com Samuel... – Minha voz saiu num sussurro; eu ainda não acreditava no que acabara de ouvir.

- E ainda quero, porque eu sei que vai ser menos doloroso pra você e pra ele, mas... – Alice sorriu pra mim. – Não posso negar que não vejo algo entre vocês dois. Tentei fingir que não via, mas hoje explodiu em minha frente e fiquei surpresa, sem reação. Edward tem a sorte de ter você na vida dele, Bella.

Meus olhos lacrimejaram à medida que eu abracei a minha irmã. Alice alisou as minhas costas enquanto meus olhos se fechavam e minha boca abria-se num sorriso impossível de descrever.

Eu sentia um... Alívio indescritível.

- O que aconteceu com as duas? – Jasper segurava dois sanduíches e um copo de suco. – Por que estão rindo?

Não falamos nada. Apenas rimos e nos abraçamos como duas irmãs que se entenderam da melhor forma que poderia ser.

[...]

Alice não voltou a tocar no assunto e eu também não disse nada, sabendo que o assunto voltaria à tona num outro instante.

Mas aquele não era o momento. Ele já havia passado.

Jasper decidiu descansar um pouco, enquanto Marc chegava ao hospital. Eu sabia que a presença do marido de Alice o incomodava e por isso, não fiz questão de que ele ficasse.

- Se precisar de alguma coisa... – Jazz depositou um beijo em minha testa antes de eu assentir.

E foi embora.

Dormimos no hospital até que, às sete horas da manhã, alguém da equipe nos avisou que uma pessoa da família poderia entrar, com todos os cuidados básicos.

- Pode ir, Bella. – Alice aproveitou que Marc saiu ao seu lado. – Eu sei o quanto você quer vê-lo.

- Obrigada Allie. – Depositei um beijo em sua bochecha e me afastei quando vi seu marido se aproximando.

Entrei na Unidade de Tratamento Intensivo devidamente vestida e higienizada.

E lá estava ele.

Com alguns fios conectados à sua pele, entubado... A sua aparência estava serena.

Forcei os meus pés irem para frente e cheguei perto dele, tocando a sua mão e a apertando.

Passei a mão nos seus cabelos e fechei os olhos, tentando guardar cada detalhe em minha lembrança. Seu corpo estava coberto por um lençol e ele parecia tão vulnerável.

Como eu queria protegê-lo!

Quantas vezes Edward me salvou? Dos outros, mesmo quando eu não merecia? Quantas vezes ele cuidou de mim, através de gestos sutis e palavras que só nós dois sabíamos o significado oculto? Eu iria salvá-lo dessa vez, ele não escaparia tão fácil de mim.

- Edward... – Sussurrei rente ao seu ouvido. - ... Eu preciso de você. – Fiz um carinho em seu rosto.

Verifiquei o quarto e quando uma enfermeira veio se certificar de que tudo estava bem, fiquei observando o seu trabalho ao longe.

Edward não se mexera nenhuma vez.

- Ele é forte. – A enfermeira murmurou, tirando-me dos meus devaneios. – É importante a ajuda de quem nos ama nessas horas.

- Eu sei. – Respondi com a voz embargada. – Quando ele sairá do coma?

- Quando o corpo dele responder melhor ao tratamento, ele ainda está muito debilitado. – A enfermeira pegou a prancheta. – Não perca as esperanças, minha filha. Ele vai voltar pra você.

- Ele vai voltar por mim. – Uma lágrima traiçoeira rolou pelo meu rosto. – Prazer, Bella. – Estendi a mão.

- Renata. – A loira de aparentemente uns cinquenta anos sorriu pra mim. – Tudo vai dar certo, você vai ver.

Fiquei pouco tempo para que Alice entrasse e visse o irmão. Antes de ir, depositei um beijo no rosto de Edward.

E ele não esboçou nenhuma reação.

Saí na Unidade com a sensação de vazio. Fui para Rose Hill para que Emmett e Rose seguissem para o hospital, enquanto eu tomava banho, trocava de roupa e me alimentava.

E foi assim por dois dias.

No terceiro dia posterior ao acidente, tivemos uma notícia preocupante: Edward apresentou febre alta durante a madrugada, o que decerto deixou os médicos preocupados.

- Ele está com muita febre. – Dr. James nos atendeu. – Quase 40 graus de febre.

- Meu Deus! – Alice se assustou. – O que vamos fazer?

- A equipe está colocando o corpo do seu irmão sob um colchão de temperatura baixa para conter a febre. – Dr. James nos alertou.

- E isso vai dar certo? – Eu estava cansada pelas noites mal dormidas e idas ao hospital.

- Teremos que aguardar. – Emmett e Mike estavam preocupadíssimos, assim como eu e Alice. – Vamos aguardar os remédios fazerem o efeito esperado.

Edward apresentava trauma ortopédico, pulmonar e abdominal. Ele ainda estava sendo mantido em estado de coma, respirando com a ajuda de aparelhos. A equipe médica estava confiante na sua recuperação, mas sabia que era um caso que dependia de muitos cuidados.

Eu, Alice, Emmett e Mike formávamos um grupo de apoio ao Edward. Nunca o deixávamos sozinho e, mesmo com a possibilidade de não vê-lo acordado, nós queríamos ficar no hospital e zelar pelo seu bem-estar.

Estávamos fazendo tudo que era possível ao nosso alcance.

Convenci o médico a me deixar entrar, mesmo sabendo que a febre não cedera. Entrei no quarto e vi o estado em que Edward se encontrara: ele não estava nada bem.

Eu podia ver pelo olhar de Renata, a sua enfermeira.

- O que houve, Renata? – Me aproximei da enfermeira. – A febre cedeu?

- Não. – Renata me olhou com pesar. – Isso significa que há um quadro de infecção e no caso dele, não é nada bom.

- Meu Deus! – Desabei na cadeira e deixei que as lágrimas rolassem. – O que eu posso fazer?

- Conversa com ele. – Franzi o cenho. – Quem sabe ouvindo o som da sua voz, ele não se anima a viver e a lutar?

- Mas eu já falei. – Limpei o rosto, me levantando. – Eu preciso fazer alguma coisa, qualquer coisa.

- Então dê um motivo pra ele viver. – Renata segurou a minha mão. – Todos nós precisamos de algum motivo ou de alguém para continuarmos com as nossas vidas.

Assim que Renata saiu, sentei-me ao lado de Edward. Sabia que faltavam poucos minutos para o horário de visitas terminar, então eu teria que ser breve com as palavras.

Peguei a sua mão cuidadosamente e a coloquei em meu rosto. Queria que ele sentisse as minhas lágrimas, que ele pudesse sentir a verdade das palavras que talvez não saíssem como eu queria.

MÚSICA: KISS ME – THE FRAY

- Não vou falar muito porque sei que vai sair em breve daqui... – Fiz um carinho em sua mão. -... Tenho certeza que vai sobreviver, tenho certeza que... – Minha voz falhou. -... Tenho certeza de que você ainda quer viver.

Abaixei a minha cabeça e a encostei em seu peito.

- Por mim, Edward. Tente viver. Quando eu fecho os olhos, é você quem eu vejo. Em todos os lugares, Em todos os malditos cantos, em todas as lembranças que quero esquecer... – Beijei suavemente a sua mão. – Seja forte porque vai ser preciso para gente se arriscar... Eu vou ficar com você, Edward. Eu quero ficar com você. Eu te amo. – Sussurrei, sorrindo idiotamente. – Não quero saber de medo, já tenho tudo pronto dentro de mim... Só preciso que você acorde nesse exato momento. Quero dividir os meus erros e minhas loucuras com você. Quero que apague todas as minhas interrogações e me ame... Eu preciso de você e do seu amor... Não sei viver sem ele. – Levantei o rosto e o encarei.

Toquei os seus lábios com os meus dedos, esperando que ele acordasse... Mas ele não esboçava nenhuma reação.

E o medo começou a crescer dentro de mim. Eu não estava sendo racional, queria que ele acordasse naquele exato momento.

- Edward, por favor... – Minhas lágrimas começaram a cair e a molhar o seu rosto. - ... Todos os lugares em que piso, eu procuro por você. Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz. Só quero que viva e seja feliz. Acorde... – Beijei os seus lábios suavemente, desejando que ele fosse despertado como nos contos de fadas. Segurei o seu rosto e mantive o meus lábios pressionados nos dele por mais alguns minutos.

Mas ele não despertou.

- Me beije... – Beijei seus lábios novamente, para em seguida beijá-lo na bochecha, nos olhos e na testa, acariciando cada parte do seu rosto.

Mas ele não reagiu.

Gemi em frustração e verifiquei se a sua febre cedera.

40 graus.

Ele ainda estava muito febril.

- Eu vou cuidar de você. - Puxei o seu lençol até que cobri completamente o seu corpo. - Eu sempre vou cuidar de você. - Deitei a cabeça em seu peito, ouvindo o martelar fraco do seu coração.

E assim adormeci.

[...]

- Bella? – Alguém me balançou. – Bella, o que está fazendo aqui?

- Renata? – Reconheci a voz e me lembrei de onde estava. – Como ele está?

- Vou verificar agora... – Me levantei, passando a mão no rosto. Eu havia dormido por quanto tempo? – A aparência dele está melhor.

Olhei e confirmei o que Renata dissera: Edward realmente parecia melhor. Não sabia se tinha sido a minha confissão e minha súplica ou o simples fato de ter ficado com ele. Ou os remédios. Só o que me importava era que o seu estado de saúde parecia ter melhorado.

- 37 graus. A febre recuou. – Renata sorriu pra mim. – Eu não sei o que você fez, mas surtiu efeito.

- Eu só fiz o que eu precisava fazer. O que eu deveria ter feito há muito tempo. – Desci da cama e ajeitei o lençol que cobria Edward. – E o que vai acontecer com ele agora?

- Eles devem reduzir a medicação. – Renata aplicou mais alguma injeção. – Logo ele vai acordar.

- Mal posso esperar. – Passei a mão no rosto de Edward e senti que a sua pele estava na temperatura normal. – Vou avisar aos outros.

- Eles foram embora. Alice pediu para você ligar assim que fosse possível. – Renata pegou a prancheta e se aproximou. – O médico não sabe que você está aqui.

- Obrigada, Renata. – A abracei, demonstrando a minha gratidão. – Vou esperar lá fora.

Procurei um telefone assim que saí do quarto de Edward.

- Alice? – Ela atendeu no terceiro toque. – O que houve?

- O Sr. Winger está aqui para você fazer o exame. – Meu coração acelerou diante da notícia. – Como ele está?

- A febre cedeu. – Ouvi Alice repassando o meu comunicado aos outros. – Vou ficar por aqui para saber do próximo boletim médico.

- Faça isso. – Alice parecia nervosa. – Vamos assinar os documentos e, assim que tudo estiver pronto, peço alguém para buscá-la.

- O exame será realizado hoje? – Minha voz saiu mais alta do que o normal. – Mas por quê?

- Porque o prazo para a autorização do exame já está terminando. – Minha cabeça estava confusa com toda aquela situação. – E o Sr. Winger tem outros compromissos também.

- Tudo bem. – Passei a mão no rosto tentando acordar daquele pesadelo. – Vou voltar para casa.

- Não, vamos diretamente ao laboratório. – Ouvi uma segunda voz, mas não reconheci de quem era. – Fica perto do hospital. O motorista irá buscá-la.

- Vou esperar. – Ouvi Alice se despedir e desliguei.

Precisava ficar atenta a tudo para resolver aquela situação.

- Bella! – Samuel veio se aproximando e me abraçou. – Como ele está?

- Por que só apareceu agora? – Me afastei dele. – Há dois dias tento falar com você e não consigo!

- O estado de saúde do meu pai piorou. – Samuel tentou alisar o meu rosto, mas eu não deixei. – O que houve, Bella? Eu estou aqui, não estou?

- Tarde demais. – O encarei friamente. – Pensei que quisesse o bem de Edward.

- Mas eu quero! – Ele esbravejou. – Também tentei falar com você, mas não consegui. Liguei inúmeras vezes para Rose Hill, mas sempre que atendiam, diziam que você estava aqui... Com você como enfermeira particular dele, pensei que dispensasse a minha ajuda.

Assim que ouvi seu comentário irônico, dei um tapa em seu rosto.

- Nunca mais fala comigo nesse tom. – Meus nervos estavam à flor da pele e eu não iria me desculpar por aquela atitude. – Edward está em coma induzido, sofreu um atentado e você ainda se acha no direito de vir aqui e nos ofender? Sinto muito que o seu pai tenha piorado, mas sinto ainda mais por ele ter um filho tão egoísta e prepotente.

- Não vou levar em consideração o que você disse e fez. Sei o quanto está nervosa e cansada. – Vi o semblante de Samuel mudar drasticamente enquanto ele passava a mão no rosto. – Vou ao laboratório para assistir ao exame. Fique e espere pelo motorista. Depois nós conversamos.

- Com certeza. – Respondi antes de vê-lo ir embora.

[...]

Minutos depois fui levada ao laboratório DNA Reference para que o exame de reconhecimento de paternidade pudesse ser feito.

Ignorei a presença de Samuel. Mike, Emmett e Alice também estavam por lá, juntamente com Perry Winger, o perito em DNA.

- Nos termos mais simples, o ácido desoxirribonucleico... ou DNA...É a molécula da hereditariedade. Contém o código genético singular de cada pessoa. Pode ser extraído de vestígios de sangue, saliva, raízes de cabelo e até dos ossos. Como o DNA do corpo de Carlisle Anthony Cullen foi degradado pela forma que foi encontrado, retiramos o material genético dos dentes molares e pré-molares do cadáver.

- Certo. – Emmett se pronunciou, enquanto Samuel me encarava. – E qual será o nosso material genético a ser retirado?

- A saliva. Como Edward encontra-se em coma, retiramos uma amostra do sangue dele. – O perito explicou.

- Vocês retiram uma amostra do sangue dele? – Esbravejei. – Mas como? Por quê? Alice, você concordou com isso? – Me dirigi a ela.

- Não, mas Emmett e Mike sim. – Ela desviou o olhar antes de continuar. – O juiz deu a autorização ontem. Não imaginei que fosse tão rápido.

- E era o que Edward queria? – Eu ainda estava revoltada e não sabia direito o motivo. - Ele está em coma, como puderem fazer isso sem o consentimento dele?

- Ele já havia consentido, Bella. – Mike me mostrou o documento no qual Edward assinara, autorizando o exame. – Inclusive, ele foi o único a estar presente quando o material genético de Carlisle foi retirado.

- Exato. – Perry Winger confirmou. – Edward queria muito que esse exame fosse realizado.

Só faltava a minha assinatura para o processo seguir em frente.

E foi quando eu percebi o quão receosa eu estava diante de tudo... O medo da paternidade não se confirmar, o medo de ser realmente irmã de Edward. Era um conflito de emoções e sentimentos que tive que omitir para demonstrar uma força que talvez eu não tivesse.

- Como eu estava dizendo, para a análise do DNA de Isabella Swan com o seu suposto pai falecido, será necessário o recolhimento do material de Alice, Emmett, Michael e Edward para melhor possibilidade de resultados conclusivos, já que não há avós paternos ou tios. – O Sr. Winger se aproximou de mim. – Está pronta, Isabella?

- Estou. – Assenti imediatamente.

- Bella, preciso que assine. – Samuel pediu sem olhar para mim.

- Okay. – Assinei o documento sem contestar.

Fomos guiados até a uma sala e lá recolheram a nossa saliva para análise. Alice parecia um pouco nervosa, mas até sorriu para mim, ao contrário de Mike, Emmett e Samuel.

Aliás, seus olhares me deram calafrios.

- Tudo resolvido. – O Sr. Winger assinou algum papel. – Dentro de alguns dias, nós teremos o resultado. E a partir dele, resolveremos tudo judicialmente.

- Certo. Obrigada Sr. Winger. – Alice virou-se para mim. – Vamos para casa?

- Não, quero ir ao hospital. – Respondi, vendo que Samuel ainda olhava para mim enquanto conversava com Mike e Emmett. – Você vai comigo?

- Bella, você precisa descansar. – Alice fez um carinho em meu rosto.

- Edward está sozinho, Alice. – Olhei o relógio e vi a hora que marcava. – Quero saber se o quadro dele mudou.

- Que tal se formos em casa, hein? – Alice pegou o celular e discou algum número. – Aí você troca de roupa, come algo...

- Okay, mas prometa que vai voltar comigo? – Pedi.

- Eu prometo. – Alice me abraçou de lado enquanto falava com alguém ao telefone.

Tomei um banho e comi um sanduíche, já que Alice me obrigara. Deitei para descansar um pouco e acabei adormecendo, já que ainda estava cansada pelas noites mal dormidas e pelos pesadelos que me assombravam.

- Bella? – Já estava acostumada com alguém me acordando. – O inspetor da polícia está aí.

- E o que ele quer? – Perguntei, já me levantando, um pouco mais relaxada.

- Ele quer conversar com você e os outros, já que aparentemente Edward sofreu um atentado. A polícia está investigando. – Jazz confirmou o que eu suspeitava.

Desci e conversei com o inspetor, na presença de Mike, Emmett, Rose, Marc e Alice. A polícia não havia encontrado nada e aguardava a melhora de Edward para fazer as perguntas cruciais a ele. O atentado não estava esclarecido, embora a polícia começasse a desconfiar de que havia sido um acidente.

Só eu, Emmett e Mike insistíamos na história do atentado, devido ao trabalho que Edward desenvolvia: Julgar pessoas importantes de Chicago e condená-las sem piedade ou suborno.

Com o interrogatório, desistimos de visitar Edward, indo somente ao hospital no dia seguinte.

Dessa vez Alice me acompanhara, juntamente com Emmett e Rosalie.

E eu entrei para visitá-lo por último.

Renata estava medicando-o.

- O Dr. James deseja falar com você, Bella. – Renata ajeitou o lençol de Edward. – Eu sabia que você viria visitá-lo e pedi a ele que esperasse.

- Obrigada, Renata. – Fui para perto de Edward. – Como ele está?

- O médico vai falar sobre isso. – Diante da minha preocupação, ela suavizou. – Converse logo com ele. Não deve ser nada grave.

- Tudo bem. – Fiquei confusa e saí do quarto, vendo os outros reunidos. – Bom dia, Dr. James. - o médico virou-se e sorriu para mim.

- Bom dia, Isabella. – Ele apertou a minha mão. – Podemos conversar? Preciso que venham até a minha sala.

Então seguimos o médico que coordena a equipe responsável pelo caso de Edward.

- Entrem e fiquem à vontade. – Entramos numa sala totalmente branca, sem muitos objetos. – Desejam alguma coisa?

- Não, obrigada. – Respondi, sendo seguida por Emmett, Rosalie e uma Alice estranhamente calada. – Qual é o estado de saúde de Edward?

- Por enquanto, estável. – Expirei o ar que guardara há algum tempo. – Mas diante da gravidade das lesões, devemos aguardar e observar.

- Tudo bem. – Emmett inclinou-se. – Quando ele vai ser acordado?

- Nós fizemos exames hoje e ele apresentou alguma reação... – Emmett sorriu para mim. -... Embora a reação não indique que ele já tenha algum nível de consciência.

- Como assim? – Inclinei-me sob a mesa. – Não estou entendendo.

- A sedação foi suspensa assim que a febre cedeu. Mas como há remédios na sua circulação sanguínea, não há previsão para que ele acorde. E ele ainda respira com a ajuda dos aparelhos.

- Meu Deus... – Passei a mão no rosto, visivelmente cansada. -... Então ele pode acordar hoje como pode acordar daqui a três dias?

- Exato. – O médico olhou para mim. – As atividades cerebrais estão lentas, mas nada preocupante devido ao trauma que ele sofreu. Acredito que ele estivesse passando por um estresse muito grande antes e agora o corpo dele quer repousar.

- Ele estava muito estressado mesmo. Até sugeri que tirasse umas férias. – Alice comentou.

- É como se ele estivesse dormindo para se recuperar? – Perguntei e o médico concordou. – Então não depende só da suspensão dos medicamentos? - Balancei a cabeça, confusa.

- Não. – O médico me olhou com pesar. – Depende dele também.

Afundei na cadeira enquanto Emmett era consolado por Rosalie e Alice me observava.

Então Edward estava cansado de tudo, era isso? O seu corpo estava querendo repouso por tudo o que ele havia passado?

Por tudo que causei a ele? Ele estava querendo se manter afastado da realidade, da vida?

Ou de mim?

A ideia de tê-lo dormindo por mais tempo me causou uma dor insuportável. Eu queria vê-lo bem, queria vê-lo acordado, mesmo que não ficássemos juntos.

Era o que doía mais: O sentimento de culpa por ele não querer acordar. Eu era a causadora de tudo isso?

E, depois de todos os passos errados que dei em direção a ele, eu faria o certo. Eu lutaria para que ele vivesse, mesmo que tivesse que esgotar as minhas forças. Mesmo que fosse julgada.

Saí rapidamente da sala e fui em direção ao quarto, sem me importar com os procedimentos básicos. Abri a porta imediatamente e agradeci por Renata não estar mais ali.

Aproximei-me dele sabendo que havia poucos minutos para nós. Logo viriam atrás de mim.

- Edward. – Sussurrei em seu ouvido. – É você que eu amo, eu tenha plena certeza disso. Você me reconhece e me conhece melhor que ninguém, e por isso tenho medo... Você me deixa vulnerável e completamente exposta. – Ouvi a movimentação, alguém estava se aproximando. – Descanse e volte pra mim, ok? Vou estar aqui esperando sempre, mesmo que não me queira mais. – Descansei a cabeça em sua testa. – Eu amo você, mesmo que tenha demorado para me dar conta disso. - Sorri fracamente. - Eu aceito ser punida por você. - Beijei suavemente os seus lábios.

- Srta. Swan, preciso que se retire. – O Dr. James estava parado na soleira da porta. – Você violou as normas básicas para visitantes. Está colocando a vida do Sr. Cullen em risco. – Ele se aproximou com mais alguém. Parecia ser outra enfermeira.

- É Masen! – Falei mais alto do que pretendia, deixando as lágrimas virem. – É Sr. Masen! Vocês não sabem de nada, ele precisa de mim. – Virei-me para Edward.

- Eu sei que ele precisa da família, mas agora ele precisa ficar sozinho. – Alguma enfermeira entrou e não era Renata. – Sua família espera por você

– Eu vou voltar, não se preocupe. Você não vai ficar sozinho. – Sussurrei em seu ouvido e beijei sua bochecha. – Eu escolhi você. Eu escolho você. - Sussurrei novamente.

- Por aqui, Srta. Swan. – O médico indicou a saída e eu fui, sem olhar para trás, mesmo querendo ficar.

Eu não desistiria tão facilmente. Ele precisava de mim. E eu queria ajudá-lo de todas as formas que uma mulher apaixonada pode ajudar ao homem que ama.

Eu ficaria ali por horas, dias e até meses. Edward não ficaria sozinho, não ficaria sem mim.

Pouco me importava o exame, a herança ou a paternidade. Samuel, Mike, Emmett e Rosalie não significavam nada para mim.

Contanto que Edward estivesse a salvo, a minha vida fluiria. Porque eu já estava conectada a ele mesmo sem ter consciência disso.

Ele era a minha vida agora.

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N/A: E aí? Valeu a espera? Espero que sim! Ler esse capítulo e ouvir "Kiss me" me fez ficar vyada³. É muito amor, Brasew!

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Obrigada mais uma vez a quem está indicando a fic e curtindo os comentários no face e no twitter! Se eu pudesse, daria um juiz Masen numa caixinha à cada uma de vocês. E poderiam fazer o que quisessem com ele, ok? Sem ciúmes da nossa Bellinha.

Esquema review=preview está suspenso por enquanto...

Beijos do Juiz!

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