Capítulo 25 – A Fonte de Lágrimas (EdD 72)

Severino andava veloz entre as moitas de samambaias, seguido por Harry e Hermione, que se enroscavam nos galhos baixos. Por fim, foram instruídos a entrarem numa bela gruta de calcário branco, e a caminharem pela borda de um magnífico lago de águas azuis. Minutos depois estavam de volta aos caminhos do templo, agora todos de calcário claro.

- É incrível como esse Templo se ilumina sozinho. – comentou Hermione – É como se aqui estivesse de dia.

Harry caminhava pelo lugar um pouco cauteloso.

- Harry?

Harry ergueu a mão, pedindo silêncio. A água do lago corria por uma fina e rasa canaleta do templo, escorrendo ao lado de uma grande escadaria, tudo muito claro.

- ...Aqui tem cabelo de anjo. – disse, quase sussurrando.

- Cabelo de... oh!

Hermione imediatamente olhou ao redor, procurando, em silencio. Olhou para o teto e percebeu que nele e nas paredes vários fios de luz brilhavam. Ela pôs a mãos na boca, e como Harry, disse num sussurro:

- ...Como você percebeu?

- ...Meu ouvido anda bom. – riu, dando de ombros – A vibração do som ecoa nele...

Hermione se aproximou de uma coluna de calcário, ao lado da canaleta de água, e viu de perto as formações de calcário da espessura de um fio de cabelo, presas á rocha, uma após a outra, como se fosse mesmo os "cabelos de um anjo", brilhantes. Formações rochosas únicas, que balançavam suavemente até mesmo com a respiração de Hermione.

- Milhões de anos para fazerem estas agulhas... – sorriu, encantada com aquilo.

- Ótimo, seremos bons alunos e não as danificaremos. – sussurrou Harry – Agora vamos em frente.

- Você parece preocupado. – comentou Hermione – Há algo de errado?

Harry suspirou, sem se mover, sério, e disse:

- ...Tem alguma coisa vibrando nos cabelos além da gente.

Hermione arregalou os olhos. Nisso um estalo metálico fez os dois olharem para frente, na ponta da escadaria que descia Templo adentro, onde via-se a bela e negra Espada das Trevas de Leah fincada entre as rochas.

- ...Conhecem a espada?

- ...Conheço essa voz. – murmurou Harry, em tom baixo.

Bellatrix subia a escadaria usando uma longa capa negra, e, por baixo dela, o uniforme preto e vermelho dos cavaleiros do apocalipse.:

- Estou surpresa por terem chegado tão longe. – sorriu, pondo o barco sobre o cabo da espada – Mesmo porque a sua querida professora não o fez.

- Seja lá o que você acha que tenha feito com a Leah... – comentou Harry, sorrindo torto – Acredite, Bellatrix, você não conseguiu fazer bem feito.

- Ora, seu... – bellatrix não terminou, porque sacou a varinha velozmente para rebater um feitiço atirado por Hermione, que a essa altura em guarda do lado no lado oposto o Templo. - ..Quem diria... a tal sangue ruim estudiosa deixando de lado a conversa e diplomacia e partindo pra força bruta...

- Leah sempre disse que você era muito "proza ruim".

Bellatrix gargalhou estridentemente, e Harry pôs as mãos nos ouvidos:

- Você está quebrando os cabelos de anjo!

- Silêncio! – ordenou Hermione, enfeitiçando a bruxa. - Ela pareceu se enfurecer de ser pega de surpresa, e com um feitiço tão básico. – Aprenda a preservar o espaço dos outros. Essa caverna é quase um patrimônio. – sorriu Hermione.

Bellatrix realmente se enfurecera. Sem poder gritar ou urrar como gostaria de fazer, limitou-se a apontar a varinha para o teto. E um poderoso feitiço em forma de labaredas azuis explodiu em ondas percorrendo todo o teto e paredes da caverna, fazendo cair sobre todos uma chuva de grãos cintilantes de calcário, como gotículas luminosas. Imediatamente dois feitiços atingiram o peito da bruxa, que foi jogada com violência na parte debaixo do templo, depois da escadaria por onde ela tinha vindo.

"Bem treinados", foi a incômoda conclusão que a bruxa chegou, ao abrir os olhos, do chão. Hermione desceu a escadaria, a varinha em punho, apontando Bellatrix. Harry, por sua vez, mostrou extrema segurança e saltou do topo da escadaria para o chão, obrigando bellatrix a rolar para o lado, ao mesmo tempo em que, às pressas, conjurava um escudo para se proteger do ataque mágico de Hermione.

Ergueu-se e teve de recuar, passo a passo, encolhida atrás do pequeno escudo conjurado. Não conseguia brecha para atacar. E, sem voz, seria muito mais difícil executar um bom feitiço. Enquanto isso os feitiços dos garotos começavam a trincar o escudo.

Com uma forte explosão, sua defesa foi estilhaçada.

- Finalmente! – aliviou-se Hermione.

- Avada kedavra!

Da poeira do escudo, um jato verde espirrou, veloz. Hermione saltou para o lado, enquanto desviando do feitiço, que explodia uma estatua.

- ...Quase! – gemeu.

Bellatrix se ergueu, a varinha apontada para Hermione:

- ...Malditos...!

Imediatamente ela girou a varinha no ar, e disparou inúmeras esferas de fogo nos dois, que desviaram como puderam. Hermione esquivou, mas Harry se confundiu, um pouco nervoso, e não teve tanto êxito: duas esferas atingiram a proteção dos braços de seu uniforme, jogando-o com força no chão, chamuscando a forte proteção mágica dos braços.

Bellatrix avançou contra ele:

- Avada Kedavra!

Harry desaparatou com um estalo, e o feitiço furou o chão. No instante seguinte ele apareceu na borda da canaleta de água, se desequilibrando.

- Flippendo! – atacou Hermione.

Bellatrix rebateu o feitiço, que acabou atingindo uma pedra ao lado de Harry, jogando-o de costas na água com o impacto.

- Cuide da sua mira, querida! – sorriu bellatrix – Expelliarmus!

A varinha de Hermione escapuliu de sua mão. No momento em que foi correr até ela, bella mirou o chão á frente dela e, com outro poderoso feitiço, o explodiu, lançando Hermione com violência em uma serie de colunas de calcário do templo, praticamente reduzindo-as a pó.

Hermione tossiu por causa do pó, sentindo o rosto arder, machucado por alguma lasca de pedra afiada. Nessa hora bellatrix saltava sobre ela, segurando seu pescoço e lhe apontando a varinha, sorrindo:

- Achou que era esperta? Avada Ked-

Hermione imediatamente bateu a mão direita, aberta, no peito da comensal:

- Flippendo!

Com outra explosão, Bellatrix foi jogada longe. Mas a bruxa imediatamente se levantou. Esticou novamente a varinha pra Hermione, que se levantava, zonza:

- Você me paga, sua... quê!

O encharcando tecido da capa de Harry batia em seu braço, prendendo-º na outra ponta, com o braço esquerdo também firmemente preso ao tecido molhado, Harry, de pé, parecia furioso. Bellatrix puxou seu braço direito, mas o tecido encharcado os unia firmemente.

- ...O que você...?

- Tente escapar. – rosnou Harry,r espirando fundo e enchendo o punho direito de energia, atingindo em cheio o rosto de bellatrix, que recuou, zonza.

E, assim, Harry, sem dó, disparou com raiva inúmeras pancadas na bruxa, que não tinha tempo sequer de imaginar uma saída.

Hermione, aparentemente, ainda se recuperava do ataque, com vários cortes pelo corpo, coberta do fino pó claro das pedras.

Bellatrix sentiu a ponta de uma estátua atrás de si, e puxou Harry com força, que acabou se desequilibrando e sendo jogado contra a estatua, vitima da própria estratégia. Imediatamente Bella se livrou da capa, trocando a varinha de mão e cortando o tecido com um feitiço. Harry escorregou entre as pontas afiadas de uma antiga estatua de dragão, e caiu no chão, também zonzo, sentindo os cortes arderem.

- Seu... – gemeu bellatrix, sacando a espada que carregava na cintura, pisando com força no estomago do rapaz – Vou ter o prazer de espetar você tantas vezes quanto um...

Ignorando varinhas e espadas, Hermione saltava nas costas de bellatrix, passando os braços pelo seu pescoço. A bruxa das trevas imediatamente bateu a lâmina da espada nos braços de Hermione, mas, para sua infelicidade, a lâmina não cortava o rígido uniforme de cavaleiro do apocalipse.

- Se encostar nele de novo, é uma bruxa morta. – ameaçou Hermione, sem larga-la.

- Olha quem fala! – gemeu bellatrix, segurando os braços de Hermione e jogando-a de costas com força em outra estátua de dragão, também cheia de unhas e escamas lascadas e afiadas. Como Hermione não largou, Bella então continuou se jogando de costas contra a estátua, tentando ferir Hermione mais ainda, até ela soltar.

Hermione sentia a cabeça latejar com as pancadas que estilhaçavam as estatuas. Mas não a largaria.

Harry se levantou, com a parte interna do braço, os nós dos dedos e o rosto sangrando. Recuperou a varinha com um Accio e tentou mirar bellatrix:

- ...Estupef...

Mas Bellatrix conseguiu girar o corpo e lançar Hermione ao chão, que também estava tonta e machucada pelas pancadas. Ergueu a espada no ar, mas alguma coisa zuniu pelo lugar, fazendo ela gritar de dor, largar a espada, e segurar a mão, onde um corte vermelho se abria. Harry se endireitou, enquanto hermione recuava e se recostava na borda da canaleta.

- ...Maldição, o que... Ai! – gemeu, dando dois passos pra trás, com um corte se abrindo na perna.

Tentou prestar atenção no que era: um fino borrão negro cortou o ar, dessa fez atingindo o nariz da bruxa de raspão, deixando-a irritada. No quarto ataque, Bellatrix bateu a mão com força no que lhe atingia. O tal objeto espirrou para o alto, e desceu suavemente flutuando pelo ar, até repousar no chão. A bruxa se aproximou. Uma grande, brilhante e delicada pena negra aparentemente inofensiva descansava entre os estilhaços da batalha.

- ...Uma pena preta?

Foi quando ela percebeu algo atrás de si, vindo das escadarias superiores.

Um enorme pássaro negro, ou seu vulto, estava á sua frente, pousando veloz, as longas assas negras abertas na sua direção.

- Mas...

Imediatamente o vulto se transformou, e a ultima coisa que Bellatrix viu foi a pesada sola de titânio das botas de Leah cravarem com violência bem no meio da sua cara.

Bellatrix foi jogada de costas, enquanto Leah pousava delicadamente no centro da câmara do templo.

- ...Sentiu minha falta? – perguntou, sorridente, se erguendo.

Mas a bruxa levou as mãos ao rosto, erguendo-se zonza de dor.

- Desculpe tê-la deixado sozinha tanto tempo. – continuou Leah, natural, erguendo a mão direita – Accio Espada – a espada das trevas voou do alto da escadaria para a mão de sua dona – Então bella... levante-se. Vamos recuperar o tempo perdido.

Bellatrix se ergueu com as costas da mão na boca, o nariz começando a sangrar.

- hum. Desculpe se a carimbada que te dei machucou um pouco. – comentou, irônica.

- Como... – rosnou bellatrix - ...Eu tinha certeza que...

- Seja lá o que você tenha achado que tinha feito, Bella, não o fez bem feito. Como é seu costume.

Bellatrix fez um brusco movimento com a varinha, enquanto leah velozmente ergueu a espadana altura do rosto, defendendo-se do feitiço com facilidade. No instante seguinte Bellatrix estava na sua frente, novamente sacando sua espada, no chamado battoujutsu. Leah saltou a tempo.

- Ora... – comentou, ficando em guarda. – Quem te ensinou a suar isso, Bella?

- Praticamente aquele que lhe ensinou tudo. – sorriu.

- Ah, garanto que não foi. – sorriu de volta, com desdém. Em seguida disse para harry e Hermione – Ei, vocês dois, desçam, rápido! Achem a espada!

Hermione concordou com a cabeça e correu até Harry. Bellatrix se virou para ataca-los, mas Leah prontamente se pôs na frente:

- Eu disse para os garotos. Você "se incluiu fora dessa", mocréia.

Bellatrix imediatamente pos a mão na frente do rosto, esticando a espada na horizontal, e gritou:

- Lex máxima!

O feitiço rebateu-se na lamina da espada, e um flash cegante atordoou Leah e Hermione, que não envergaram nada além de um clarão branco. Mas antes que Bellatrix aproveitasse da situação, Harry puxou Hermione pela cintura, e saltou com ela para dentro da canaleta de água.

- ...Malditos! – exclamou bellatrix, que acabou sendo agarrada pela capa por Leah, que ainda sentia a vista latejar de dor, cheia de estrelinhas brancas.

Harry deitou-se na canaleta e ele e Hermione escorreram velozes escadaria abaixo. Hermione, deitada sobre ele, começava a voltar a enxergar, e não ficou menos apavorada ao perceber o radical e perigoso tobogã em que estavam.

- VOCE FICOU LOUCO!

- Era a única saída! – respondeu, abraçado à cintura dela, sem saber ao certo pra onde iam.

Os dois desciam muito, muito rápido. Galerias e mais galerias, escadarias e mais escadarias.

- HARRRYYYYYYYY! HARRRYYYYYYYY! – gritava Hermione, apavorada.

Harry pôs a mão na boca dela, e a segurou forte contra o corpo:

- ... pare de gritar! Me atrapalha achar uma saída!

Hermione , mesmo com a boca tampada pela mão de Harry, continuava a gemer. Ainda mais quando viu que uma grande estatua vinha de encontro a eles, num brusco desvio do canal. Hermione fechou os olhos, enquanto Harry sacou a varinha e gritou:

- Flippendo!

Com uma forte explosão a estatua foi despedaçada e os dois lançados com força de volta á galeria. No ar, os dois amigos se separaram, caindo em cantos opostos com violência.

A água da canaleta quebrada começou a lavar a galeria, enquanto os cacos do calcário ainda caiam no chão, entre a poeira. Hermione, deitada de lado com as costas na parede, os braços e as pernas esticados, foi a primeira a se mexer, abrindo os olhos, sentindo seus ossos estalarem:

- Hum... ai... – com extrema dificuldade ela se sentou, muito tonta ainda – Harry? ...Harry!

Harry, metros abaixo, estava caído de bruços, as mãos próximas á cabeça, escondendo o rosto, virado para o chão. Hermione engatinhou até o amigo:

- Harry, tudo bem?

Ela passou a mão na franja de Harry , e seus dedos saíram sujos de sangue. Com cuidado ela virou Harry. Na lateral da sua cabeça, próximo a cicatriz, um profundo corte tinha abrido, e seu cabelo se molhava de sangue. Na mesma hora Hermione se ajoelhou, segurando a cabeça dele com firmeza, dando sustentação ao seu queixo.

- Ah, meu deus, Harry, fale comigo...

Assim que Hermione fez a cabeça de Harry ficar numa posição ereta, ele tossiu, e segurou a mão da amiga. Abriu os olhos, gemendo, dolorido:

- ...Estou bem. Não se preocupe. Foi só alguma pedra pontiaguda... acho ,e acertou ainda no ar...

- Está sangrando muito. – disse – Espere, eu dou um jeito.

Hermione desabotoou toda a parte de cima do uniforme e o retirou, ficando apenas com a regata negra que usava por baixo dela. Sua tatuagem estava coberta por uma gaze, que ela não relutou antes de tira-la para passar na testa de harry, tentando estancar o sangramento.

- Precisamos de... ei. – comentou, ao erguer o olhar, ao tentar ajudar Harry a se levantar – Uma luz.

- ...Luz? – murmurou harry, se erguendo cambaleante, a mão na testa .

- Sim. – disse, ainda apoiando Harry – Há uma escadaria escura aqui. Mas tem uma luz vindo lá de cima. Aqui está como numa penumbra... mas no fundo desse corredor escuro há uma luz bem forte.

- Luz... é uma saída pro exterior. – gemeu – Sinto uma corrente de ar morna vindo de lá.

- Vamos ver o que é. – disse – talvez seja uma saída, podemos achar algum elfo...

- ...Ou curupiras e sacis carnívoros loucos de fome. – murmurou Harry – nem pensar, vamos em frente.

- Nem pensar, Harry. – disse, ríspida – Vamos lá, se não acharmos nenhum elfo para ajudar, pelo menos poderei ver seu machucado com maus calma.

- Ah, Mione... – gemeu – Eu estou bem. Temos coisas mais importantes! A Espada dos Deuses...

- A Espada dos Deuses que nos espere. – cortou, fazendo Harry se calar, apesar de angustiado em perder tempo.

Hermione, com cuidado, subiu a estreita e íngreme escadaria guiando Harry, na direção da saída.

- Estamos chegando.

Ao saírem, Hermione pôs a mão no rosto, por causa da luminosidade. E, ao ver onde estava, ficou sem reação.

Era um santuário, cercado de gigantescos paredões de pedra e floresta verde. O chão era feito de pequenas pedrinhas cor de grafite, com delicadas plantinhas e minúsculas flores brancas. E, ao fundo, um pequeno lago. Não um lago comum, mas um lago cercado de colunas brancas de calcário, com duas estatuas de dragão contornando-a. E protegendo-a do paredão de pedra. E, ao centro, também cravada na parede de pedra, um magnífico anjo de asas abertas, olhando a seus pés a imagem de um olho em calcário, que dava saída para a água que circulava no lago, que também saia das bocas dos dragões, cujas cabeças pareciam repousar na flor da água. O chão do lago era de pedrinhas brancas, e sua água era cristalina, porem num tom muito azul.

O local passava uma indescritível paz. Não ventava. O calmo barulho da água e os cantos dos passarinhos prevalecia. As plantas cravadas ao redor do paredão eram trepadeiras que se entrelaçavam as colunas e estatuas da fonte, com belas flores brancas e lilás, que lembravam muito delicadas orquídeas.

Harry percebeu a "magia" do lugar e a emoção de Hermione.

- ...Mione?

Hermione estava boquiaberta. Instantes depois, ela sorriu, quase emocionada:

- Harry... essa é a fonte. A Fonte de Lágrimas.

- Ah. – murmurou, não muito animado.

- Nós achamos! – vibrou, pondo as mãos na boca – A Fonte de Lágrimas! Ela existe! Harry, ela existe!

- ...Hermione... francamente, você não acredita nela, acredite?

- Claro que acredito!.

- Você nunca acreditou em lendas e milagres.

Hermione parou. Respirou fundo, e puxou Harry pelo braço, aparentemente ignorando o comentário.

- Vamos entrar nela. – disse.

Harry suspirou. Apesar de sentir que, de fato, aquele lugar tinha o mesmo ar mágico do templo, sabia que não era nada de muito especial. Mas não teria coragem de dizer isso para Hermione.

Hermione entrou devagar na água, que era morna. Puxou harry até que ficassem com água um palmo acima da cintura. Ela olhou dos lados, como se procurasse um "botão de "ligar". Harry, quieto, resolveu usar seu tempo para passar a água nos seus ardidos machucados, sujos de sangue e de poeira de pedra.

- E aí? – perguntou Hermione.

- E aí o que? – retrucou, interessado em apenas se limpar.

- Como se sente? ...nada?

Harry virou-se para a amiga:

- Não, Hermione. Essas águas não estão me curando.

- ...Você não deve estar fazendo direito. – murmurou entre os dentes.

- ...Você não vai desistir dessa idéia não? – Harry, então, de repente se sentindo irritado, encheu as mãos de água e lavou o rosto inteiro – Pronto. Está vendo? Continuo cego. Quer que eu mergulhe?

Hermione ficou em silencio, olhando Harry.

- Mas essa é a fonte. – comentou Hermione, baixando o olhar – ou talvez... quem sabe... não seja. Pode ser que...

- pare com isso, Hermione! – exclamou Harry – Estamos, sim, na fonte de lágrimas! Mas não é nenhuma fonte milagrosa, A lenda é só isso mesmo! ...não passa de crença popular. Essas águas jamais vão cicatrizar nossas ferida,s muito menos curar minha cegueira!

Hermione ficou quieta, vidrada em Harry, que suspirou:

- Olhe, Hermione... eu não culpo você, mas... nada vai acontecer. Tio Gon teve razão quando disse que eu jamais poderia enxergar de novo. Não só eles, todos os médicos trouxas e bruxos que me viram naquele meio tempo disseram isso. – e em seguida suspirou mais uma vez – Na verdade... no momento em que senti o ataque do basilisco... aquele acido... eu tive a certeza de que eu ficaria cego pra sempre. Na verdade, achei até que morreria.

Harry percebeu que, de repente, hermione não parecia bem. Resolveu ficar em silencio, e esperar o nervosismo passar. Hermione, na sua frente, pôs a mão na testa, aparentemente começando a perceber que toda aquela mágica lenda começava a ruir. E voltou a sentir aquela dolorida sensação de culpa naquilo tudo. Tantos anos sendo extremamente racional, e ela se deixou levar por uma bela e folclórica lenda do lugar.

- Hermione... – chamou Harry, esticando a mão para tocar Hermione. Mas ela recuou, erguendo os braços, respirando pesado.

- ... Me deixe. – pediu, se afastando, começando a visivelmente se alterar.

Harry andou pela água, tentando perceber para onde ela tinha ido, mas perceber que a amiga estava transtornada com aquilo o havia deixado inseguro, e, conseqüentemente, desligado de sua aguçada percepção.

- Mione, não volte a se culpar pelo...

- COMO NÃO? – exclamou, quase explodindo em choro inconformada, Hermione estava com os olhos cheios d'água – como não vou me culpar! Harry, se alguém é responsável por você ter ficado cego, este alguém sou eu! Se naquele dia eu não tivesse sido tão irresponsável e impulsiva...

- Pare com isso... – pediu Harry.

- Eu não vou parar! – Gritou Hermione, chorando, batendo as mãos na água – Porque eu não admito esse meu erro monstruoso! Pela minha irresponsabilidade você ficou cego! ... E de repente minha maldita ingenuidade, ou desespero, ou burrice, me fez acreditar nessa lenda absurda, pela primeira vez na vida! – Harry, que já tinha tido seu momento de nervosismo, achou melhor ficar quieto e escutar Hermione colocar tudo aquilo pra fora, chorando sem parar, por mais que ele tivesse com vontade de agarra-la nos braços e gritar bem alto que ele detestava ver ela se punindo daquele jeito – Eu não suporto olhar você, harry, ver você tateando os moveis, o olhar perdido, precisando ser guiado pela rua... por mais poderoso que você tenha ficado... Me dói muito ver você assim e não poder fazer absolutamente nada por você!

Harry continuou em silêncio. Hermione, alguns passos a frente, estava com as costas da mãos no nariz, chorando, soluçando. Ele respirou profundamente, e disse:

- ...Eu não me arrependo do que fiz, já lhe disse. – falou, em tom baixo – Não mesmo, Hermione.E quero que saiba que também dói muito em mim ver você se culpando pelo meu estado.

-...É que eu...

Harry não esperou ela terminar, porque também começava a se sentir frustrado:

- Eu me sujeitei à todo aquele treinamento por você, Mione. No momento em que perdi a visão, eu prometi que me tornaria um bruxo tão poderoso que não precisaria mais dos olhos para ser forte. E hoje... eu sou assim... porque que queria que você se orgulhasse de mim. Não que tivesse vergonha ou pena, ou raiva quando olhasse pra mim.

Os dois permaneceram quietos, de pé. Hermione não tinha reação. Silenciosas lágrimas desciam pelo seu rosto. Passou a mão tentando seca-las, inutilmente, já que sua mão também estava molhada. Tentava não chorar, mas as lagrimas não paravam, estava tão confusa...

Ela tentou falar, mas não conseguiu. Foi quando tanto ela quanto Harry começaram a sentir os machucados arderem. Ao redor, a água começava a evaporar, e em instantes a fonte estava tomada pela neblina. Hermione se preocupou. Aquela bela fonte de repente lhe pareceu traiçoeira e perigosa. Sentiu e braço arder agudamente, e, por instinto, passou a mãos que estava na água no machucado, como quando se bate num pernilongo ou numa formiga por puro reflexo. Sua ferida começou a ferver, a espumar, em contato com a água. Foi quando Harry imediatamente começou a gritar de dor, com as mãos no rosto, perdido na neblina. Hermione se desesperou, porque a única cosia que escutava era Harry gemendo, gritando de dor, visivelmente se debatendo. Ele provavelmente não tinha percebido que era a água que estava fazendo mal para os machucados, e provavelmente tinha ido para mais fundo da fonte ainda.

Hermione correu atrás de harry, e viu que ele tinha ido um pouco mais para o lado raso, e estava com o rosto sobre uma das colunas na horizontal, visivelmente se debatendo de dor, o rosto contorcido, dando murros na pedra, como se tentasse aliviar a dor:

- Harry, acalme-se, vamos sair daqui! – exasperou-se, tentando segurar o amigo.

Mas Harry não parava de esmurrar a coluna, se livrando dos braços de Hermione, chorando de dor, rangendo os dentes.

- Harry, por favor, esta me deixando com medo!

Harry, chorando de dor, pôs os braços no rosto, apertando o rosto. A dor que ele sentia era tão grande quanto a do ácido. Ele respirava ofegante, curvado, com os braços ainda cruzados sobre a cabeça. Hermione se aproximou, passando a mão na sua franja:

- ...Por favor, acalme-se, Harry... – assim que ela tirou a franja molhada da testa dele, percebeu que ele novamente só estava com sua tão famosa cicatriz de raio. - ...Seu machucado...

Harry virou-se, como se tentasse recuperar o fôlego. Finalmente conseguiu abrir os olhos, e passou as mãos no rosto, ainda sentindo dor, piscando dolorosamente, olhando para a água. Hermione, atrás de Harry, olhava suas próprias mãos.

- ...As lágrimas... – sussurrou Hermione – Elas fizeram a fonte... Harry?

Harry piscava, a cabeça baixa.parecia mexer as mãos sem para. Em seguida ergueu a cabeça por toda a fonte,a te vira-se para a amiga. Hermione ficou quieta. Harry, mais uma vez, piscou, e esticou a mão até ela, lhe tocando o rosto. Foi quando Harry sorriu torto, de repente começando a rir:

- ...É você... exatamente como antes.

Hermione, estática, sentiu que, mais uma vez, seus olhos se enchiam de lágrimas. Harry olhou para si mesmo, e para a amiga:

- ...Eu estou vendo. De verdade. Você não se enganou... a fonte... funciona.

- É... – foi o que disse, fugindo do olhar de Harry.

- Mione. Você acertou. De novo.

... Acho que sim. – sorriu, tímida.

Harry a olhava, ainda maravilhado. Ela, sem reação. Curiosamente, agora não tinha coragem de olhar o amigo nos olhos. Mas Harry parecia querer explodir de felicidade, e estava inconformado da "não reação" de hermione.

- HERMIONE! – gritou, sorrindo largamente, batendo as mãos na água – Eu estou enxergando!

- ...Está. – sussurrou.

- Não está feliz!

- ...Estou.

- E foi você quem em curou! – berrou, feliz como uma criança.

Hermione piscou algumas vezes, sorrindo torto:

- Eu? Ah, claro que não, só...

- Claro que foi você! – gritou Harry, saltando sobre Hermione e a agarrando pela cintura, com força, erguendo-a no ar. Ria, sem parar. Hermione, começando a acreditar, também ria, entre um choro de alivio e felicidade.

Harry devolveu a amiga pra água, e olhou ao redor, vendo a entrada do templo:

- ... De repente eu fiquei cheio de vontade de achar essa Espada! – sorriu, andando na água até a margem. Mas passos depois parou, e olhou Hermione, que tinha ficado parada, ainda chorando, e murchou o sorriso - ...O que houve?

Hermione, com a mão na boca, não conseguia parar de chorar. Harry se aproximou, e ela balançou a cabeça, como se pedisse para que ele não se preocupasse:

- Não é nada... só estou... feliz. – disse, rindo, balançando a cabeça, respirando profundamente – Tão feliz... Que eu me pergunto se eu mereço.

Harry, de frente para Hermione, sorriu, consolador. Hermione riu, balançou a cabeça, e esticou os braços, puxando a cintura de Harry e se abraçando ao amigo, sorrindo, aliviada. Ele prontamente também a abraçou, de repente se sentindo igualmente aliviado.

- ... É claro que você merece. – riu Harry, consolador.

Hermione o abraçou com força, sentindo um enorme peso sair de suas costas. De repente, tudo aquilo que eles estavam passando ali naquele templo parecia um passado e um futuro muito distantes. Era como se o que realmente importasse ra aquele momento, onde Harry, por milagre, mágica ou qualquer outro motivo, tinha sido curado. Ela respirou fundo e afastou o corpo, enquanto harry ainda a segurava pelos ombros, particularmente feliz de ver o quanto Hermione parecia estar "em paz". Ela ainda passava as mãos pela blusa da roupa dele, molhado pela água:

- ... Eu acho que eu nunca me senti tão bem em toda a minha vida. – suspirou, sorrindo, erguendo o olhar para Harry. Ela a olhava de um jeito tão sereno e encantado que a fez perder o sorriso, sentindo-se um pouco lisonjeada - ...O que houve?

Harry passou os dedos tirando o cabelo molhado do rosto da amiga, parecendo perdido em algum pensamento, extremamente sereno, ainda passando as pontas dos dedos no contorno do seu rosto. Seus olhos, antes cegos e enevoados, agora eram novamente estupidamente verdes e brilhantes, e pareciam deixa-la paralisada.

- ...Harry?

Antes que Hermione terminasse de respirar, Harry puxou seu rosto, e esticou o seu, fazendo suas bocas se encaixarem quase que perfeitamente. Durante alguns segundos ela prendeu a respiração, segurando com força o tecido da blusa de Harry. Só soltou a respiração quando os lábios de Harry descolaram-se dos seus. Ele ainda segurava delicadamente seu rosto com os dedos da mãos direita, pousados em sua bochecha. Os dois se olharam alguns poucos segundos, ainda com o nariz encostado no do outro, sentindo a respiração sobre a pele molhada. Tanto Harry quanto Hermione respiravam com a boca entreaberta, como se, de repente, aquele toque tivesse tirado o fôlego dos dois.

Harry mais uma vez fechou os olhos, puxando o rosto de Hermione. Beijou com calma seu lábio inferior, sem saber se aquele delicado sabor adocicado era das águas da fonte, das lágrimas dela, ou se simplesmente seria aquele o sabor do seu beijo. Beijou-a uma, duas vezes, para depois,s em pressa, tombar o rosto e lhe beijar o lábio superior, respirando profundamente. Foi quando Hermione, que até então parecia sem reação, empurrou levemente seu rosto contra o dele, parecendo finalmente render-se e retribuir. Os dois se beijaram com extrema calma e docilidade, duas, três vezes, até virarem o rosto e trocarem seus lábios de posição, mais uma vez sem pressa alguma. Harry suspirou, afastando o rosto dele, descendo seus dedos para o queixo de Hermione, sem deixar de olha-la com uma certa e discreta surpresa, e sorrir. Hermione, por sua vez, lhe parecia um pouco mais espantada por ter feito aquilo, e, suspirando, olhou para as próprias mãos, ainda segurando o uniforme do amigo com firmeza.

Hermione respirou profundamente, de repente sentindo-se extremamente ansiosa. Ergueu o olhar para Harry e sussurrou:

- Me de...

Os dedos de Harry que estavam em seu queixo imediatamente fizeram ela parar de falar, como se pedisse silêncio. Ele se afastou um passo, e, também um pouco inseguro, disse:

- ...Por favor... não diga nada que possa...

- ...Estragar? – completou, ainda de cabeça baixa, mas o olhando fixamente.

Harry mais uma vez pensou, pondo as duas mãos na boca, tentando raciocinar. Suspirou e fez que sim com a cabeça:

- ...É.

Hermione o olhou alguns instantes, para aproximar-se, segurar-se ao cinto de Harry e colocar a testa em seu peito. Harry esperou alguns instantes, até ela sussurrar:

- ...Eu jamais estragaria, Harry... eu jamais estragaria.

Harry fechou os olhos, respirando profundamente, e passou os braços por Hermione, apertando-a com força, abaixando o rosto e lhe dando um apertado beijo na cabeça, sorrindo.


Harry e Hermione desciam mais uma vez pelas escadarias do Templo, até finalmente chegarem a uma grandiosa câmara, metros abaixo da caverna que dava cesso à fonte de lágrimas.

A câmara era toda clara, como a maioria do templo. Seu piso era liso como mármore, e tão brilhante que refletia quem estava sobre ele. Pelas paredes, as esculturas de vários dragões e basiliscos, se entrelaçando. E, dos quatro cantos do salão, as esculturas de outros quadro dragões, longos como serpentes, pareciam se rastejar, até chegarem ao centro do lugar, se encontrando, se contorcendo, como se brigassem para possuir um objeto. E, do meio deles, surgia outra imagem de um furioso dragão serpente, de dentes á mostra, furioso, olhando para suas patas. E entre suas curtas patas estava este objeto, o prêmio máximo de quem se atrevesse a chegar até ali.

Hermione sentiu o coração bater mais forte ao ver aquela escultura. Segurou o braço de Harry e sussurrou:

- É ela, Harry. É A Espada dos Deuses.

Harry olhava aquilo com o olhar estreito. Parecia capaz de sentir o poder dela, mesmo que estivesse repousada entre as estátuas, intocável, lacrada.

- Sim, é ela. – respondeu, em tom serio.

Hermione se adiantou, olhando ao redor:

- Vamos tira-la daí, e logo.

Ela se aproximou do pedestal. Escalou as estátuas e ficou na frente da espada. Era longa, larga, tinha a bainha negra, e a ponta feita de um metal cor de esmeralda. Da ponta da bainha saía uma fina corrente prateada, que ligava a base, como uma alça. O cabo da espada também era grande e imponente, feito do mesmo metal precioso, com um couro preto entrelaçado onde se segurava a arma. A cabeça de dragão, principal característica da espada, parecia ser real, e transmitir toda a fúria de ser poder. Os chifres negros e pontiagudos, o olhar estreito e vermelhos, de rubi. Na verdade, eram duas cabeças simétricas, uma colada à outra.

Hermione a contemplou durante muito tempo, com medo. Não medo de armadilhas, mas, sim, medo da própria espada. Respirou profundamente e esticou a mão para pegá-la.

- Pode parar.

Hermione olhou pra trás e deu de cara com a ponta da varinha de Harry, que, furioso, lhe olhava sem piscar.

- ...O que foi? – perguntou, assustada.

- Saia daí. Agora. – continuou.

Ela percebeu que Harry não brincava. Ergueu as mãos e recuou para longe do altar.

- Harry, você ficou doido! – exclamou.

- Cale a boca! – gritou – Eu não vou ser enganado de novo!

- ...Do que está falando?

E, assim, os dois caminhavam, saindo de perto da Espada dos Deuses.

- Você não vai me enganar. – murmurou Harry – Eu já fui enganado, e não vou ser de novo. Você é o que? Um shiki? Um comensal usando poção polissuco?

Hermione estava chocada:

- Ah, por favor, Harry, pare com isso! O que você tem na cabeça!

- Achou que eu fosse cair nessa de novo e deixar você ficar com a Espada dos Deuses? Eu sei que você não é Hermione!

- Você tem problema? – exclamou Hermione – É claro que eu sou a Hermione!

- Hermione nunca foi um Comensal da Morte! – berrou Harry.

Hermione prendeu a respiração, e olhou seu braço. A negra tatuagem de Leah entrelaçava-se ao à sua pele. Sentiu a espinha inteira gelar. Sempre escondera seu segredo, e, na tentativa de curar Harry, havia deixado para trás seu casaco, e a gaze que usava. E harry, que havia sido enganado por uma Iara, e depois feito de bobo por Kojiro, achava que aquilo poderia ser alguma outra armadilha.

- Harry... eu posso explicar. – murmurou Hermione.

- E se eu preferir escutar sua explicação depois que você estiver agonizando?

- Ah, isso seria interessante de se ver.

Os dois olharam para o lado, na direção da escadaria. Voldemort colocou a mão na boca, como se sentisse constrangido:

- Ops. Não queria atrapalhar. Me desculpem. Continuem.

Harry sacou a espada, e velozmente trocou os alvos: colocou a ponta da lamina no pescoço de Hermione, e apontou a varinha para Voldemort:

- Não mova um passo.

- Harry... – gemeu Hermione – É Voldemort.

- Você também não se mova! – ameaçou Harry.

- Tire essa maldita espada da minha cara!

Voldemort gargalhou. Parecia se divertir com a cena, e nem um pouco interessado em ataca-los. Harry estava indeciso.

- Harry... acredite em mim. – gemeu Hermione – Sou eu.

- Tem certeza? – perguntou Voldemort, sorrindo – Sua amiga não parece ter algo... de diferente harry? Agora, assim.. olhando de perto?

- Cale a boca! – xingou Harry.

- Sua amiga matou meu comensal. Foi para a Sonserina. Se deu bem em quadribol. Usou maravilhosamente uma espada. Agiu sem pensar. Ela é mesmo a mesma pessoa?

-Harry olhava de um lado para outro. Voldemort começou a descer as escadas, e caminhar pelo salão:

- Tem certeza, Harry?

- Eu mandei não avançar!

- Harry, reaja! – pediu Hermione, nervosa.

- ...E se eu lhe disser que ela é minha mais preciosa criação, e dissesse "obrigada, garota, você me entregou Harry Potter como havia ordenado"?

- Se você continuar andando... – ameaçou Harry – Eu acabo com ela!

- Ah, e eu amaria ver isso! – sorriu voldemort.

- Harry... escute seu coração. – sussurrou Hermione, entre os dentes.

Harry puxou Hermione violentamente, a abraçou, e pôs a lamina da espada em seu pescoço:

- Você duvida de mim, Voldemort?

- Não duvido! – sorriu, extasiado – Só tenho certeza de que, neste caso, você não teria coragem.

- Harry, pelo amor de Deus... – choramingou Hermione, enforcada pelo amigo, se desesperando – Não faça isso...

Harry respirou profundamente, pronto para terminar de executar o serviço. Foi quando uma imagem assombrosa lhe invadiu a mente: seus pesadelos. E ali, ele estava no lugar de voldemort. Uma onda de pavor lhe assolou: e se ele cortasse o pescoço de Hermione pra valer?

- Ao menos uma vez na vida... – choramingou Hermione – Faça o que eu te peço, menino...

Harry sentiu seu corpo inteiro tremer. Hermione sussurrou, quase chorando de pavor da situação:

- ...Não faça nada que possa... estragar tudo.

Imediatamente Harry a largou. Hermione cambaleou, dando dois passos para frente, e olhou para Harry. Voldemort sorriu:

- Ah, tarde demais!

Um rugido tomou conta da câmara. Harry saltou para trás na hora em que um enorme tigre passava pela sua frente, num bote frustrado. Ele também cambaleou, e se reergueu, olhando o tigre:

- ...Amicitae! – gemeu.

- ...QUEM! – exclamou Hermione, também recuando e olhando o tigre.

Voldemort, ainda no mesmo lugar, parecia se divertir com todo aquele jogo "psicológico", e parecia seguro o suficiente para não se dar ao trabalho de interferir. Hermione, em um dos cantos do lugar, olhou Harry, que parecia apavorado:

- Amicitae... não me reconhece? – perguntou Harry.

A resposta foi uma potente mordida, avançando em Harry, mordendo o braço esquerdo de Harry. A roupa de auror supremo não cedeu. Um braço nu já teria sido arrancado, mas não um bracelete de Auror Supremo. O tigre sacudiu Harry, e o jogou contra a parede.

- Por favor, acorde! O que houve com você, garota? – exclamava Harry, agora sem realmente saber quem atacar.

- Ela não é seu tigre, Harry! Acabe logo com ela! – gritou hermione, sem ação.

- É claro que é! O que você fez com ela, maldito! – vociferou, olhando voldemort.

- Harry, ataque! – gritou Hermione.

Harry recuou até a parede. O tigre subiu sobre um dos dragões do chão, pronto para atacar. Hermione pôs a mãos na espada, e avançou:

Não a machuque! – pediu Harry.

Hermione vacilou. Olhou voldemort, olhou Harry e o tigre.

- Diga adeus ao seu pescoço, potter. – sorriu voldemort. – Acabe com ele, gatinho.

- Desaparate, Harry! – gritou hermione, ignorando o pedido do amigo e disparando na direção deles.

- ...Não posso. – sussurrou Harry,m olhando nos olhos do tigre.

O tigre saltou. Harry encolheu-se. Hermione agachou-se, pegando impulso em outra estatua de dragão, e saltou também, na direção do felino, em pleno ar. Ela encheu o peito... e rugiu. Um rugido que estremeceu todo o templo. E, no instante seguinte, em pleno ar, as pesadas patas de Amicitae atingiam o corpo do outro tigre, atirando-o para longe, pouco mais de um metro antes de dilacerar o pescoço de Harry.

Ele, pálido, via, mais uma vez, à sua frente, sua tigreza de estimação pronta para protege-lo, curvada, arrepiada e feroz, pronta para o ataque. Voldemort finalmente parecia perder seu sorriso, ao ver seu plano fracassar. Harry tirou a mão da frente do rosto, em estado de choque.

- ...Hermione..?


N.A 1: BOM... vocês devem estar se perguntando porque diabos um capitulo da EdD saiu depois de 2 dias que outro foi postado, sendo que provavelmente você nem sabia que o primeiro estava lá. (no caso, o 71) Bom, a culpa disso é da INna, que vocês provavelmente conhecem bem. Essa cabaçuda do inferno chegou chapada drogada e violentada em casa, viu que "tinha capitulo da edd" e foi lá se excitar comentado. E, bem, ela comentou o capítulo que sairia em AGOSTO, onde a maioria dos grandes segredos da EdD seria revelados, e, ora, essa, selaria o shipper Harry e Hermione.

N.A 2: A importância de deixar esse capítulo pra Agosto e, conseqüentemente a "gravidade" do pecado da doa Inna refere-se ao fato de que a maioria dos leitores da EdD chegaria de férias semana que vem. Leriam o capitulo 71 e ficariam na expectativa do próximo, onde TODOS iam ler praticamente AO MESMO TEMPO.

N.A 3: Mas agora já foi, o capítulo está aí. Espero que gostem dele. Uma pena aquela ansiedade de "o que vai acontecer" com cenas tão importantes tenha sido perdido. Não acho que tenha muita graça ler dois capítulos da série de uma pancada só. Mas, fazer o quê.

N.A 4: O que acontece é que: o próximo capítulo (73) é o último, e está pela metade. Último porque só escrevi até ele. E ter a garantia de que teria um mês para continuar a EdD me deixava tranqüila pra continuar a história com paciência. Agora eu não tenho mais capítulo para postar, porque as coisas se atropelaram. Então, não sei se corro pra adiantar o capítulo pra daqui 15 dias, onde o 71 deveria ser postado, ou se Agosto não vai ter EdD, o que eu acho muito mais provável. As duas formas são ruins. A primeira, porque eu estaria correndo com o enredo e eu odeio correr com isso. E a segunda, porque ficar um mês sem EdD faz os leitores se dispersarem, o que seria péssimo visto que tem tanta coisa acontecendo.

N.A 5: Enfim, vamos ver mais pra frente o que acontece. Como castigo, a Inna, que era a segunda beta, só vai receber os capítulos com uma semana de antecedência, enquanto a Bruna, a primeira beta, recebe todos adiantados, e de uma vez, assim que eu termino de escrever. Isso é pra ela aprender a não ter ejaculação precoce.

N.A 6: Quantoa vocês, leitores... lamento termos perdido a graça do "friozinho na barriga" da expectativa por um capítulo que eu tanto estava preparando para postar em 5 anos de EdD. Você provavelmente chegarão das férias e não verão muita graça em lê-lo junto de outro. Mas, enfim... é a vida. Ainda existem muito mais surpresas na série, e você se assustarão com elas no tempo certo. Se a Inna não beber de novo, é claro. xD

N.A 7: Até o próximo capítulo!