Conversa a dois, clara e sombria,

Espelho que a alma em si procura!

Fonte do Ser, límpida e impura,

Onde pulsa uma estrela fria,

Farol irônico, infernal,

Archote aceso a Satanás,

Consolo e glórias sem iguais

- A consciência dentro do Mal!

- Charles Baudelaire

Sigurd pensava que seria capaz de odiar o sobrinho por aquilo que ele representava e a irmã por aquilo que ela aceitava - por vezes de forma tão contente, ele observava. Com efeito, enquanto ela esteve em seu exílio na Alemanha ele conseguiu expressar seu desgosto como lhe convinha, auxiliado pelo fato de estar acordando para coisas novas em sua vida. Igor Karkaroff. A ida dele para a Grã-Bretanha tinha uma razão de ser muito diferente do que se tornou na prática, e somente naquele sentido o alemão agradecia ao irlandês, pois se o russo tivesse se casado com sua irmã, ainda que fosse um contrato de fachada, ele não se sentiria tão à vontade dormindo com ele ao seu lado.

Quando estava com Valkiria em Durmstrang em tempos passados, Sigurd observara Igor como quem observava uma criança brincando de lançar azarações nos outros com a irmã mais nova. Por vezes se juntava a eles apenas para rir um pouco, aproveitando-se do fato de que naquela época a loira tinha sorrisos mais abertos e sinceros, se aproximando tanto da imagem da mãe que ele jamais conseguira desvincular depois as duas em sua mente. Amava Valkiria e era indiferente a Karkaroff e aos outros eventuais membros da pequena gangue.

Então, naquele fatídico dia em que o amigo da irmã chegara em sua casa sem nenhuma espécie de aviso prévio e despretensiosamente pousara a mão em sua perna, encarando-o com os olhos cinzentos tão a fundo e ouvindo-o com tanta compreensão quando ele desabafou todas as suas considerações ao ver Valkiria aparecendo confusa e sem nenhuma aliança no dedo; naquele dia o mundo mudou tão rapidamente que ele teria caído, se não fosse o braço forte do russo a lhe amparar.

Primeiro veio a negação. Não conseguia compreender como aquilo acontecera, pois se ele fazia alguma coisa direito em sua vida eram as poções, já que desde o princípio temia aquela possibilidade, tanto, que lutou para torná-la impossível. Porém seu esforço esvaíra-se pelo ralo perante a determinação de alguém vingativo e ambicioso. Ainda assim Sigurd gastava longos minutos olhando a irmã, que mesmo profundamente abatida ainda usava suas maquiagens e sorria como se nada estivesse acontecendo, e ele queria acreditar naquilo com a veemência com que ela tentava convencê-lo. Olhava para a sua barriga e não conseguia imaginar que lá dentro havia um bebê se formando.

Depois veio a revolta, despertada pela visão daquele homem asqueroso em sua casa mais uma vez. Quebrou o seu nariz, e teria quebrado ele inteiro, até não restar nada além de uma poça disforme de sangue no chão, se Igor não o tivesse segurado e murmurado em seu ouvido o quanto seria pior se ele desse vazão a toda aquela cólera. Não, ele era superior àquilo. Ainda assim rugia toda vez que via aquele desgraçado, e toda a ira que queimava nos seus braços pela vontade de esmagar qualquer coisa que pudesse gritar com a voz dele, acabar com sua raça, destruir o presente que substituíra o passado e uma promessa de futuro que ele esperava; tudo aquilo ele reprimia e canalizava em outras coisas, por vezes até descontando em quem não possuía culpa alguma.

E então, no dia em que uma palavra errada ferira Igor, veio a tristeza. Andava por todos os cômodos da grandiosa mansão e os via vazios, apenas Ziggy, o elfo mudo, lhe fazia companhia, e ele se lembrava das épocas em que se sentiu mais miserável, como quando os pais morreram. Aquilo se parecia com elas. Desejou ir embora daquele lugar, voltar para a Alemanha, fingir que jamais tivera qualquer relação com Reiniger, Valkiria, Voldemort ou mesmo o Quartel de Aurores da Grã-Bretanha. Queria ficar de fato só e longe de qualquer coisa que lhe apontasse como o mundo era sórdido e as pessoas, todas elas, miseráveis por dentro.

Foi quando conseguiu sentir o braço de Karkaroff a envolvê-lo pelos ombros uma noite, e ele aproveitou para deitar com a cabeça em seu colo e chorou. E o russo permaneceu ali, tomou sua boca entre os lábios ignorando o sal das lágrimas e prometeu que lhe mostraria que a vida ia muito além do que ele havia se condicionado até então; afinal chegara o momento de jogar fora todos os votos fictícios que ele tinha com os pais. Como Sigurd sentia facilmente que todos em sua volta eram mais sábios do que ele, sentiu o mesmo em relação ao moreno, no entanto, mesmo que fosse obtuso e imaturo, ele ainda sentia aquele olhar cinzento encarando o seu com doçura e o sorriso brincando nos lábios finos do outro. Igor desejava-o, não importava como fosse.

Aceitou ter com ele planos e perspectivas, conseguia ouvir e compreender os pontos de vista do amante, que se aproximavam muito dos pontos da irmã, mas ela nunca tivera tanta paciência e dedicação em expô-los. Mudou-se para um apartamento relativamente pequeno em Bristol, mas nada modesto, e algumas vezes passava a noite em claro aguardando Igor retornar. Sabia perfeitamente que ele se juntara aos Comensais da Morte, conhecia seus motivos, depois de um tempo viu a marca em seu braço, e por algum motivo estranho, aquilo não o incomodava tanto quanto o caso de Valkiria e Augustus. O homem amado lhe contava e lhe mostrava tudo. Agia sem medo de se mostrar humano, e a confusão que aquele relacionamento poderia provocar, Sigurd resolveria depois.

Talvez estivesse o mais próximo de compreender o que a irmã sentia do que jamais esteve.

O ápice da aceitação foi quando ela retornou com um bebê gordinho, loiro e de grandes olhos azuis. Claro, uma vez que Sigurd se ofereceu para segurá-lo, Valkiria aprendeu que poderia delegar a ele aquela missão sempre que se visitavam; e enquanto ela fumava seus cigarros como se estivesse tentando recuperar o tempo perdido, ele se via brincando e rindo junto com o sobrinho, quando ele irresistivelmente gargalhava por alguma coisa completamente gratuita. Era um ser simples, livre de culpas e acusações, pois só o que sabia à priori era mexer bracinhos e perninhas, olhar em volta curioso, rir, chorar e mamar. O que poderia ter feito de errado?

Valkiria então se aproximava e olhava nos olhos do irmão; ela sim possuía conhecimentos, capacidades e complexidades absurdas e por isso Sigurd usava agora de toda a Oclumência que aprendera com os aurores para não permitir que aquele olhar passasse de um mero contato visual. Perguntava sobre Igor, e ele era sempre sincero ao responder sobre a incrível capacidade que o namorado tinha em estar constantemente bem, livre de qualquer confusão e inteiro. Ela sorria enigmaticamente, como se soubesse daquilo perfeitamente e talvez de alguma coisa a mais, já que provavelmente trabalhava ao lado do russo agora que retornara a Voldemort. Ele não se importava, continuava confiando no moreno.

Perguntava sobre os aurores, eventualmente sobre Scrimgeour e sua miserável atual vida de debilidades motoras e questionava, então com interesse sincero e aparentemente ingênuo, sobre a farda que o irmão ganhara.

Sim, porque Sigurd se formara e atuava sob a tutoria ainda de Rufus em plantões e rondas diárias, apesar de ainda não ter prendido ninguém e se dedicar a casos mais simples de investigações, escoltas e, especialmente, a Hogwarts. Depois do evento que chocara a todos, o Ministério interveio ativamente dentro da escola, tirando o pleno poder que Dumbledore possuía e colocando aurores para patrulhar o local vinte e quatro horas por dia. Por vezes Sigurd ainda passava informações aos Comensais por meio de Igor, mas sabia escolher bem as palavras que usava. Alguns cuidados ainda tomava com os próprios companheiros, pois não importava o quanto amadurecia e passava a ver as pessoas como elas deveriam de fato ser vistas, com filtros maliciosos no olhar a cada gesto e palavra proferida. Ainda não queria que ninguém se ferisse por sua causa.

A irmã um dia contou a ele que fora convidada, por um feliz intermédio de Slughorn que ingenuamente simpatizava ainda com ela e Rookwood, a integrar o corpo de dança de uma pequena companhia que fazia apresentações somente para a elite londrina, já que ela não iria mais trabalhar com papéis e políticas; e treinar o balé, como naturalmente já fazia antes de engravidar e prosseguiu assim que o bebê nasceu, não lhe roubaria tanto de sua família. A arte era de extrema importância em tempos conturbados como aqueles e as pessoas necessitavam de coisas belas como válvulas de escape. Quando questionada pelo irmão sobre a seriedade daquilo, ela respondeu simples e firmemente:

- Há outras maneiras de estar perto de quem importa do que trabalhando no Ministério.

No meio da conversa Caesar adormecia nos braços de Sigurd, depois de choramingar e reclamar irritado com algo invisível. Era simplesmente manha, Valkiria elucidara a própria indiferença ao incômodo expresso pelo filho da primeira vez, e então o tio aprendeu a mimá-lo um pouco quando fazia aquela cara de quem dera azar ao comer feijõezinhos de todos os sabores. Com o pequeno dormindo tão pacificamente no colo, a loira se inclinava e lhe fazia a pergunta que justificava a visita de uma vez: se ele poderia ficar com o filho no sábado à noite, ou na quinta-feira durante a tarde, ou na manhã de domingo, enfim, era sempre um ou dois turnos por semana, com o pretexto de treinos e ensaios. Nem sempre aconteciam coisas nesses dias que eram noticiadas pelo Profeta Diário, mas ela sempre retornava para pegar o filho com cheiro de sangue e morte. Cada vez mais, especialmente, morte.

E Sigurd se perguntava se a convivência com o corvo fizera a águia aprender a bicar cadáveres.

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- Era eu quem deveria ter interesse por essas coisas. – Brincava Korbinian.

Ele entrava sorrateiramente, as mãos nos bolsos e o sorriso jovial ao rosto, observando o taciturno irmão gêmeo debruçado sobre o cadáver de um sangue-ruim qualquer, abrindo-o, dissecando-o, tentando desvendar os mistérios que faziam a morte abater o corpo e expulsar a alma para sempre dele, sem retorno fácil ou completo. Koloman não compreendia os caminhos estranhos que a alma tomava perante a escuridão da morte – céu, inferno, limbo, retrato, existência fantasmagórica... o jovem, por mais que estudasse, não conseguia encontrar respostas satisfatórias, concluindo apenas que aquilo era algo desconhecido e sombrio, mas sem conseguir aceitar o fato com naturalidade. Não sabia exatamente o que procurava, mas iria até a exaustão com aquele assunto.

E então o gêmeo sempre entrava e fazia a piadinha sem graça com o próprio nome, Korbinian, o corvo.

Koloman, a pomba, dava uma risada diplomática e voltava a trabalhar como se não tivesse um espectador. Não desgostava do irmão, na realidade, amava-o mais do que todos naquela época, no entanto não achava que ele era capaz de compreender sua fascinação por certos assuntos mais profundos, herméticos, desconhecidos até para os próprios bruxos. O irmão vivia mais para jogos tolos, guerrinhas com soldadinhos de chumbo, para andar de peito inflado e galantear com todos à sua volta. Tudo aquilo era barulhento e hostil demais na consideração do taciturno curioso.

- Por que você acha que alguns deles nascem bruxos, mesmo não descendendo de sangues-puros? – Korbinian perguntou, se inclinando para observar a colorida pintura do interior exposto do objeto de estudo.

- Conhece a lenda de Prometeus, irmão? – Ele olhou para os olhos idênticos aos seus por segundos esperando ver algum entendimento neles, e como não o encontrou, prosseguiu: - São descendentes do ladrão do fogo divino, não percebe? Da mesma maneira que seríamos filhos de Loki, eles seriam filhos daquele que teve a audácia tola de assaltar aquilo que Loki nos deu. Hoje Prometeus jaz na condenação eterna, na mutilação perpétua, no castigo incessante. E os sangue-ruins terão o mesmo caminho. Muita coisa se explica pela ascendência...

Naquela época Korbinian ouvia calado, fazendo suas próprias e perigosas considerações sobre aquilo apenas para si. Quando aprendeu a ser menos displicente e focar a sabedoria, inerente e mal-utilizada até então, em alguma coisa promissora, decidiu focar na guerra.

Perante a ascensão de Grindelwald, os dois já eram conhecidos por curiosos títulos que chamaram a atenção do jovem ditador; der Hexentod e der Hexenkrieg. Nunca estiveram tão unidos quanto na época de ouro da primeira dominação das Artes das Trevas, como se finalmente os opostos tivessem se juntado e se unificado fortemente por uma mesma causa e as duas mentes, trabalhando como uma, pudessem construir uma potência mágica que qualquer líder invejaria.

Porém Korbinian amava a ação e o poder, enquanto Koloman amava o conhecimento e a um homem.

Quando o poder do homem caiu, os gêmeos se separaram definitivamente. Um continuou atrás da ação e do poder de outrem e outro continuou amando o conhecimento. E o homem.

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Era quase um déjà vu o que Valkiria tinha, fumando seu cigarro encostada à parede, observando Augustus e um pequeno grupo de Comensais cometendo barbáries com dois jovens que eles acreditavam pertencer a tal Ordem secreta da Fênix ou o que quer que fosse. A loira sabia que eles representavam um risco maior que os patéticos aurores, mas ainda considerava-os tão medíocres perante tudo que estavam conquistando que sequer se dava ao trabalho de juntar-se à diversão. Não era sádica como os outros, não lhe agradava nem desagradava ouvir os gritos desesperados, os inevitáveis olhares suplicantes ou a exposição excessiva de sangue. Via em tudo aquilo um objetivo, e se aquele era o caminho, seguiria ele friamente até o final.

Sabia que, naquele dia, o marido estava lutando especialmente para trazer a insanidade até as mentes daqueles rapazes. Nem todos conseguiam entender que lidar com a morte, de qualquer ponto de vista e com qualquer intenção, era sempre uma arte obscura e terrível. Para o que Augustus tentava fazer, a loucura deveria beijar a pessoa muito antes da morte, para que a alma perdesse completamente a capacidade de seguir seu curso natural e permanecesse arraigada na materialidade podre do corpo que se deterioraria lentamente. Sob a guia perversa dos magos das trevas, virariam seus soldadinhos obedientes e indolentes.

Koloman Reiniger desenvolvera seis maneiras de reanimar um corpo sem vida e transformá-lo em um Inferi a serviço de seu senhor, Grindelwald. Augustus Rookwood criara uma sétima tática, a que usava agora nos rapazes torturados. Der neue Hexentod montava um exército de Inferi para Voldemort baseado nos extensos estudos do der alt Hexentod para o antigo Departamento de Mistérios alemão, antes de eles serem considerados profanos, ultrajantes e proibidos. Seguia as palavras do velho tão perfeitamente que Koloman se orgulharia dele como o filho que jamais teve. Com efeito, há muito já o rodeava sobre aquilo, e se havia um motivo para a boa recepção excepcional que oferecera ao marido da neta, era pelo fato dele ser alguém com quem conversar sobre os incríveis Mistérios. Anos de reclusão deixaram o pobre velho, ex-bispo, atual Ministro usurpador, terrivelmente solitário e sentimental.

Enquanto o marido trabalhava em sua parte preferida do processo, Valkiria, cria dos dois Reinigers igualmente e sem dificuldades em agir da maneira que a ocasião lhe mandava, estava ali por ter auxiliado na captura, mediaria e participaria do ritual. Não somente porque ninguém ali sabia ler e entoar tão corretamente as runas como ela, mas porque Augustus sempre fazia questão de sua presença em tudo que fazia, como se não pudesse confiar em ninguém além dela e não quisesse exclui-la das noites mais sombrias de sua vida. Sentia-se à vontade para liberar seu monstro interior quando tinha a cumplicidade silenciosa e incondicional da esposa.

No momento a alemã se contentava em tragar lentamente a fumaça para os pulmões enquanto observava o marido com aquele sorriso sádico no rosto. Os olhares para eles como um casal, uma unidade familiar formada tão às pressas, simplesmente cansaram-se de ser tortos e muito mais coisas ocupavam as mentes das pessoas. A única exceção Valkiria não confrontara nenhuma vez desde que voltara à Grã-Bretanha, apesar de ter ficado interessada em como ele estava atualmente, não era um pensamento que lhe roubava a atenção além de segundos. Os olhos castanhos do homem em sua frente lhe tiravam bem mais os pensamentos, reluziam por entre o suor que escorria em gotículas pelo pescoço, trilhando um caminho pecaminoso pela pele descoberta de seu peito.

Ele a olhava por vezes e lançava aquele sorriso assassino, que ela respondia com um manejar de cabeça desafiador, empinando o nariz com orgulho e mirando-o de cima, algo que o atiçava de várias maneiras desde a primeira vez que botou os olhos nela. De provocação em provocação, mesmo casados, criando uma criança juntos e dividindo a cama na maior parte das noites – ainda que houvesse vezes em que ele chegava de madrugada, bêbado e cheirando a perfume feminino barato –, eles ainda sabiam exatamente o que fazer para dançar aquele tango em meros olhares. Era tão natural quanto ele a desejá-la gritando em seus braços e ela a perder a cabeça sob ele.

Valkiria então despertava para a cena e percebia que já era hora de intervir. Se aproximava e, com um sinal, fazia a tortura cessar e os carrascos dispersarem para descansar enquanto ela virava o rosto de um jovem loiro displicentemente com a sola da bota, olhando-o nos olhos e então averiguando as suas condições físicas além do sangue empapado pelo corpo. O rapaz obviamente tentava se agarrar em sua perna, puxá-la, implorar por algo, sendo imediatamente repelido por Augustus em todas as tentativas.

- Podem continuar com este aqui. Aquele... – ela apontava um corpo aparentemente sem vida mais afastado, com as orbes dos olhos vítreas, focando o nada, – claramente já está pronto.

- Vocês vão nos matar...? Por que não fazem isso agora...? – O loiro murmurara com dificuldades, a voz embargada em desespero.

- Porque não é do nosso interesse. – Ela respondia friamente enquanto se voltava ao outro e fazia uma análise minuciosa apenas para concluir o que falara.

Poucos minutos depois Dolohov e seus capangas deixariam o casal a sós com dois cadáveres. Augustus prepararia o círculo ao chão; Valkiria entoaria corretamente as palavras invocatórias; ele faria os mortos se erguerem e se contaminarem com o sangue maldito que transformaria suas vítimas em seus iguais; ela conjuraria uma águia de fogo apenas para mantê-los sob controle, e então os dois novos Inferi se juntariam aos outros tantos que Voldemort tão precavidamente reunia em algum lugar secreto. E absolutamente ninguém gostaria de ser dono de uma curiosidade tão grande a ponto de arriscar-se descobrir o lugar ou o motivo daquele número tão grande de mortos-vivos que ele demandava.

Era um mero dever e, uma vez cumprido, eles voltariam para a casa e tomariam um banho juntos antes de Valkiria retornar ao irmão para apanhar o pequeno e incauto Caesar, que possivelmente choraria noite a fora sem deixar nenhum dos dois dormirem – apesar da alemã ter se perguntado mais de uma vez se seria muito maléfico usar um feitiço silenciador no filho de poucos meses. Mas ainda que não fosse a mais amorosa das mães e o pai não fosse exatamente responsável e zeloso, cabendo a um cobrir a falha do outro constantemente, o garoto crescia tão bem que nem mesmo Sigurd era capaz de duvidar do caráter do casal enquanto tutores da criança.

E como Augustus era visto cada vez mais como um distinto Inominável e sua esposa era tão afável e dedicada bailarina, que sempre permanecia nos jantares beneficentes e ocasiões sociais para ter com seu público com o sorriso mais aberto e perfeito, nada jamais fora levantado contra eles. Até porque quem os via sem máscaras e sem escrúpulos ou eram outros fiéis Comensais, ou eram futuros Inferi.

Nada poderia abalar o equilíbrio do lar montado tão fortemente na beira do precipício.


Herkunft = Origem, início, casa, base.

Hexentod = Necromante, feiticeiro dos mortos

Hexenkrieg = Seria algo como feiticeiro da guerra, foi meio neologismo meu.

Der neue/der alt Hexentod = O novo/o velho necromante.