O avião pousou suavemente e taxiava pela pista.

Draco estendeu a mão e entrelaçou-a com a da esposa. Astoria olhou para ele, deu-lhe um breve sorriso e olhou pela janela, tentando ver um pouco mais da paisagem, que ainda não revelava muita coisa.

Ela não estava muito confiante no sucesso daquela viagem. Aceitara partir junto ao marido apenas devido ao desespero que ele demonstrara em sua última briga, após destratá-la mais uma vez. Estava certa de que ele só ficara naquele estado porque, como de costume, não estava sabendo lidar com as próprias emoções. Ele parecia ter notado que ela estava chegando ao seu limite de tolerância e implorou-lhe que aceitasse viajar e tentar salvar o casamento.

Astoria não achava que uma mera viagem fosse salvar uma relação permeada por brigas, mas também não estava preparada para as conseqüências de negar-se a acompanhar o esposo. Isto significaria negar a possibilidade de uma reconciliação, e ela queria lidar com essa escolha. Dizer não àquele convite significaria abrir mão do casamento, e não era tão fácil acabar com uma relação de anos. Também não era fácil deixar de amar, ao contrário do que ela dera a entender à Charlotte

No entanto, duvidava que ele realmente fosse mudar. O pai exercia forte influência sobre Draco, e como a odiava, ela imaginava que ainda sofreria muito com aquela influência nefasta.

Desde que Astoria concordou com a viagem, Draco fez algumas tentativas de seduzi-la. Ela, no entanto, resistiu. Ele teria que se esforçar bem mais se quisesse tê-la outra vez.

O avião parou, e Draco esperou com impaciência que os passageiros à frente desembarcassem. Quando, enfim, chegou sua vez, deu a mão à esposa e saíram em direção ao saguão.

Astoria observava o ambiente, curiosa. Nunca estivera ali, apesar de não lhe faltarem dinheiro e interesse. Esperava viver coisas emocionantes naquele lugar.

Quando chegaram ao saguão, um homem elegante e bem vestido dirigiu-se a Draco. Num idioma que ela não dominava conversaram, e Draco deu algumas instruções ao homem. Após alguns instantes, ela percebeu que era um funcionário encarregado de buscar e carregar as malas do casal e dirigir o carro que os levaria ao hotel. Ele apontou em uma direção e recebeu um aceno de cabeça em sinal de concordância. Draco, então, seguiu com a esposa na direção indicada pelo homem até o estacionamento, e quando saíram de lá, já no carro, Astoria pôde ver um pouco mais da paisagem daquele fascinante lugar. Draco, ao vê-la sorridente admirando o que via, disse graciosamente: "Benvenuto a Italia".

Astoria, feliz, tentava guardar na memória cada pedacinho do que via. Embora já tivesse lhes ocorrido várias vezes viajar para vários países, era a primeira vez que iam juntos à Itália. Ela estava animadíssima.

Draco, satisfeito em vê-la contente, fez um carinho suave em seu rosto. Ela correspondeu com um sorriso meigo. Logo estavam diante de um luxuosíssimo hotel.

Ao chegarem ao quarto, Astoria ficou encantada com a beleza do lugar. Cansada após três horas de viagem, logo pôs a banheira para encher com alguns sais de banho. Draco, ao vê-la preparar a água, indagou: "O que você quer fazer aqui na Italia? Tem algum ideia?

"Claro!", respondeu ela. "Quero conhecer a Fontana de Trevi, o Coliseu e fazer um passeio pelos canais de Veneza. Ah! Quero comprar sapatos em Milão."

Draco riu.

"Sapatos? Você tem um closet cheio e quer comprar mais sapatos?"

"Sapatos de Milão eu ainda não tenho.", ela respondeu com dignidade. Draco deu uma risada, fazendo sinal negativo coma cabeça, como quem diz "essas mulheres...".

Algum tempo depois, Astoria entrou na banheira, experimentando a água quente e com o delicioso aroma dos sais de banho. Sentiu-se relaxada, tranquila, ouvindo canções italianas em um rádio trouxa que ela havia ligado. A música a fazia lembrar que estava em um país diferente.

Pensava em todas as questões que a levaram até ali, e perguntava-se se valeria a pena insistir para manter seu casamento. Draco estava se esforçando pelos dois, mas aquele esforço persistiria quando retornassem para casa, quando estivessem outra vez por perto de Lucius? Pensava com serenidade, apesar da gravidade do tema.

Enquanto brincava com a espuma, Draco se aproximou. Tinha tirado o blazer e desabotoado os primeiros botões da camisa. À porta do banheiro, perguntou: "Posso entrar aí com você?".

Astoria estreitou os olhos, percebendo as segundas intenções dele. Draco, porém, manteve uma feição serena, quase inocente, enquanto esperava a resposta. Ela respondeu, com um tom desconfiado: "Sim, pode.".

Draco entrou no banheiro e fechou a porta. Então, de um modo deliberadamente sedutor, começou a desabotoar lentamente a camisa, lançando olhares furtivos para ela.

Ele sabia muito bem o efeito que provocava na esposa, e como não poderia deixar de ser, ela estava se sentindo bastante atraída ao vê-lo se despir daquele jeito.

"Mas que safado!", ela pensou, sem conseguir tirar os olhos dele. "Assim não dá, como é que eu vou resistir a isso?", ela pensava, segurando o ímpeto de morder o lábio.

Draco terminou de se despir e entrou lentamente na banheira, do lado oposto ao dela. Olhou em seus olhos e sorriu. Ela desviou o olhar, enrubescendo.

"Tantos anos casados e ainda deixo você tímida?", ele indagou, divertindo-se. Ela riu, mas não disse nada.

Draco a observou por alguns instantes, e então perguntou: "Lembra do dia em que você foi lá em casa, para combinarmos a festa de casamento?

Astoria deu uma risada alta, divertida com a lembrança: "Como eu iria me esquecer? Eu fiz papel de palhaça!".

Draco sorriu com serenidade.

"Também, não é assim... Você apenas tinha ideias bastante modestas para a ocasião.".

"Hum... Acho que vou convidar umas vinte amigas", disse Astoria, arremedando a si mesma, "e a festa era para quase quinhentas pessoas!".

"Realmente, foi uma festa enorme", avaliou Draco. "Era um sonho de minha mãe, me ver casado, embora ela a princípio tenha achado que eu estava me precipitando".

"Lembro-me dela falando", dizia Astoria, ainda recordando a ocasião. "um tanto condescendente: ah, querida, vinte ou trinta deverá ser o número de pessoas servindo aos convidados."

Os dois riram com vontade.

"Você estava linda", afirmou Draco, docemente.

Astoria sorriu.

"Estava tudo lindo naquele dia", ela respondeu.

E os seus pais, Astoria? Você nunca fala deles.

Astoria olhou para o lado, e sua expressão de repente passou a demonstrar uma certa raiva.

"Meu pai morreu, Draco. Você sabe disso.".

"Eu sei. E você nem sequer foi ao enterro. E nunca fala de sua mãe. O máximo de família que fala é de Daphne.".

Astoria, sem conseguir disfarçar sua raiva, desabafou: "Minha mãe nunca me amou. No tinha o menor pudor em falar que fui um mau acontecimento na vida dela. Ela já tinha Daphne, quando ficou grávida de mim, e teve muitos problemas durante a gravidez. Na época, meu pai teve uma grande oportunidade de trabalho fora do país, mas se reusou a ir, porque ela não poderia. Com isto, a grande oportunidade de se recuperarem financeiramente e terem uma vida abastada foi para o espaço, e ela sempre me culpou. Cresci com ela dizendo que eu deveria me casar com um homem rico, para dar a ela a vida boa que lhe roubei.".

Draco nada comentou. Esperou que ela falasse, pois percebeu que ela guardava aquela mágoa havia muito tempo.

"Ela não dá a mínima para mim. Desde que receba a mesada que envio todo mês, está tudo bem. A última vez que me procurou foi quando estávamos na Argentina e ela deixou de receber. Quando falei que estávamos com problemas, ela duvidou, afinal, a família Malfoy dificilmente passaria por isso. Quando expliquei, ela prontamente disse que eu deveria terminar o casamento e procurar outro homem rico.".

Draco ficou possesso ao ouvir aquilo. "Que ordinária! Desculpe, é sua mãe, mas isso foi muito cretino! O que ela pensa que você é? Uma mercadoria?"

Astoria assentiu, e prosseguiu:

"Meu pai sempre foi apático diante das decisões dela. Ele me apoiava, me incentivava a desenvolver meu talento como ourives, mas quando entrou em crise financeira, pirou. Então, quando você demonstrou interesse em se casar comigo, ele entrou no jogo dela, e os dois me pressionaram o quanto puderam. Daphne ficou do meu lado, queria me ajudar a fugir, contestou essa ideia deles o quanto pôde. No entanto, acabei cedendo, porque ele adoeceu e eu tive medo de decepcioná-lo e acabar matando-o.".

Ela suspirou, um suspiro pesado,de quem está botando pra fora sentimentos há muito tempo guardados.

"Daphne está vivendo fora do país, por isto nos vemos pouco. Porém, ela é tudo o que eu tenho daquela família. Sempre cuidou de mim, se preocupa comigo. Ela ainda não aceitou você, não aceita o fato de eu não ter tido espaço para escolher. Porém, se cala, porque sabe que se o atacasse, me faria infeliz."

Draco ficou em silêncio por alguns instantes, pensativo. Então, disse:

"Hoje eu faria diferente. Faria tudo muito diferente. A começar pela escolha da noiva".

Astoria, que estivera brincando com a espuma, rapidamente encarou Draco, séria, sem acreditar no que estava ouvindo. Percebendo o silêncio dela, Draco a olhou e, vendo seu olhar assustado, apressou-se a explicar: "Não, não é isso, me expressei mal! É claro que eu me casaria com você. Só que eu faria diferente.".

Astoria continuou olhando-o, esperando por uma explicação. Então, ele disse:

"Se fosse hoje, eu iria chamar você para sair. Se você aceitasse, eu iria te chamar mais vezes, até conseguir te beijar. Então, perguntaria se você gostaria de me namorar. E depois, pediria você em casamento como deve ser: falaria com você, depois pediria sua mão ao seu pai. Então, você seria minha noiva. Escolheríamos juntos tudo sobre o casamento, a lua de mel, conversaríamos sobre nossos planos. E aí sim iríamos nos casar".

Draco suspirou e continuou:

"Não me arrependo de ter me casado com você, Astoria, mas me arrependo muito de ter feito tudo como fiz. Por um lado, escolhi a mulher mais maravilhosa que poderia ter, mas por outro... não lhe dei nenhuma chance de escolher o que a faria feliz".

Astoria sentiu-se incomodada com aquela conversa.

"Não adianta mais pensar nisto, Draco. Você não pode mudar o passado. O que a gente deve fazer é ser feliz no futuro."

"É o que eu quero, meu bem, mas como vou fazer isso se não consigo nem mais que você olhe para mim?"

"Eu estou olhando para você, Draco."

"Estou falando de olhar do jeito que olhava antes. Com ternura. Com amor. Agora, só vejo mágoa em seus olhos, e o pior é que você tem toda a razão em estar magoada.

Astoria desviou o olhar.

"Eu não vou fingir que esqueci as coisas horríveis que você me falou, Draco.".

Parecendo desconfortável, ele disse: "Não quero que você esqueça, mas gostaria que me perdoasse.".

Ela, triste: "Sabe qual o problema? Vou perdoar e você vai fazer de novo.".

"E se eu me esforçar mais?"

"Não sei".

"O que eu preciso fazer para te mostrar que estou disposto? O que faço para você me dar uma nova chance?

"Estou lhe dando uma chance, Draco. Este é o motivo de estarmos aqui."

"Então, você acredita que ainda podemos recuperar nosso casamento?"

"Eu preciso acreditar, Draco, porque ainda não estou preparada para acabar com tudo."

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. O rádio tocava Imbranato, de Tiziano Ferro.

"Scusa se ti amo e se ci conosciamo

Da due mesi o poco più

Scusa se non parlo piano

Ma se non urlo muoio

Non so se sai che ti amo

Scusami se rido, dall'imbarazzo cedo

Ti guardo fisso e tremo

All'idea di averti accanto

E sentirmi tuo soltanto"


[Uma pausa para apreciar os pensamentos de Draco]

Um pequeno anjinho pousou no ombro direito de Draco.

-Vai! Fala pra ela! Ela está esperando!

Então, um pequeno diabinho pousou em seu ombro esquerdo:

-Não fala nada não! Ela nem vai acreditar.

O anjinho:

-É claro que ela vai acreditar! Há anos ela espera ouvir isto! Vai lá, cara, fala pra ela!

O diabinho:

-Fale agora e estrague tudo. Ela não vai achar que você está sendo sincero.

O anjinho:

-Vamos lá: é só abrir a boca e dizer as três palavras: eu te aaa...

E o diabinho, interrompendo-o:

-Vai mesmo dizer isto agora? No meio de uma crise? Ela vai achar que você só disse para amaciá-la. Vai achar que é estratégia para levá-la para a cama. É melhor ficar quieto e esperar a hora certa.

Draco sacudiu a cabeça. O anjinho caiu. O diabinho sorriu, vitorioso.


Draco se aproximou de Astoria. Ela o observou se movimentando dentro da água. Ele parou diante dela, e olhando-a nos olhos, disse: "Vou te mostrar que posso ser um homem bom. Juro que vou melhorar. Eu vou fazer o que você quiser para te mostrar que eu tenho jeito, mas, por favor, me deixe beijar a sua boca, porque eu não estou aguentando mais.".

Astoria respirava com força desde que ele se aproximara, e não aguentou mais se segurar: se jogou nos braços dele e o beijou com vontade, deixando transparecer o desejo que estava sentindo, além da vontade de fazer com que aquela tentativa de recuperar o casamento desse certo.

Naquele dia, se amaram ali mesmo, ao lado da banheira, sobre um roupão estendido no chão.

Enquanto isso, o rádio tocava uma canção que expressava os sentimentos que Draco carregava no peito, mas não ousava verbalizar.

"Te voglio bene assai

Ma tanto tanto bene sai

é una catena ormai

Che sciogliei il sangue dint'e vene sai"

Se amariam muitas vezes mais durante sua viagem à Itália, e em todos os lugares por onde iriam passar.


Draco e Astoria chegaram a Portugal, após uma rápida passagem pela Espanha.

Na Terra de Cervantes, Astoria ficou encantada com as bailarinas de flamenco, e o casal saboreou uma deliciosa paella. Draco demonstrou interesse pela arquitetura de Andaluzia, herdada dos mouros, e ambos se interessaram pela cultura cigana. A única divergência que surgiu foi quando Draco demonstrou interesse em assistir a uma tourada e Astoria se recusou categoricamente.

Em Portugal, Draco teve uma curiosidade surpreendente em assistir a um jogo de futebol. Apesar de espantada com o súbito interesse por algo da cultura trouxa, Astoria lhe deu informações para que pudessem escolher o que assistir, e foram a uma partida entre Benfica e Porto. Astoria achou tudo muito interessante, mas Draco logo ficou entediado, dizendo que os trouxas não entendem nada de esporte e que o quadribol sim era interessante. Apesar de tudo, os dois se divertiram bastante.

Além disso, beberam dos melhores vinhos e fizeram o passeio ao Vale do Douro, onde trocaram carinhos em uma antiga locomotiva. Visitaram alguns vinhedos, e fizeram amor escondido em um deles. Deliciaram-se com a rica culinária portuguesa, ficaram encantados com a beleza dos azulejos pintados. Assistiram a uma apresentação de uma cantora de fado que levou Astoria às lágrimas.

Quando estavam planejando o que fazer após a viagem a Portugal, Draco flagrou Astoria pensativa, enquanto degustava um delicioso pastel de Belém.

"Dez galeões pelos seus pensamentos."

Saindo do '"transe", ela respondeu: "Ah, não é nada. Eu só estava sonhando".

"E que sonho foi este, que a deixou tão quieta?".

Ela pensou um pouco, avaliando se deveria dizer. Com cautela, revelou:

"Estava aqui sonhando com o quanto seria bom se fosse possível esticar esta viagem até a América do Sul, para matar as saudades da Argentina.".

Draco pensou por alguns instantes. Então, disse: "É possível.".

Astoria, incrédula, contestou: "Como pode ser possível? Estamos na Europa!"

"E daí? O que nos impede?"

"Draco! Não podemos simplesmente pegar um avião e ir para outro continente, não é?".

"Podemos sim."

Astoria ficou um pouco irritada, achando que ele estava brincando com ela.

"Está bem, está bem, vamos pegar um avião e daqui a dois dias estaremos em Buenos Aires".

"Se é isto que você quer, assim será.", Draco respondeu, dando um beijo na testa da esposa e saindo do quarto do luxuoso hotel.

Uma hora mais tarde, ele retornou e entregou a Astoria duas passagens, com seus respectivos nomes. Astoria, boquiaberta, perguntou: "Como...?".

Draco a olhou deu-lhe um sorriso confiante e afirmou: "Somos Malfoys, meu bem. Dinheiro nunca será um problema.".

Ela apenas assentiu, mal acreditando que aquilo estava acontecendo.


Na Argentina, visitaram vários lugares que frequentaram durante a temporada que passaram no país. Astoria emocionava-se lembrando de cada história ali vivida, e agradeceu efusivamente ao esposo quando chegaram à Casa Rosada.

Pouco antes de irem embora, foram visitar o bairro onde viveram, e descobriram que o seu antigo apartamento estava vazio.

"Tive uma ideia", disse Draco. Então, foi procurar os responsáveis pelo aluguel do apartamento. Conseguiu sem dificuldade a chave do local, a pretexto de visitá-lo com o intuito de alugar. Quando chegaram lá, Draco trancou a porta, enquanto Astoria, nostálgica, andava pelo imóvel, ainda mobiliado com os móveis que eles utilizavam. Então, ele a abraçou por trás e falou em seu ouvido: "Vamos relembrar como era fazer amor aqui?".

Amaram-se apaixonadamente, completamente envolvidos pela atmosfera de saudades que impregnava aquele apartamento.

Quando se preparavam para embarcar de volta à Europa, Astoria resolveu chamar Charlotte pelo espelho, na intenção de saber como andavam as coisas, agora que estava quase completando um mês que ela e Draco estavam fora.

Charlotte pareceu animadíssima em ver a amiga.

"Astoria, que bom te ver! Você está ótima! Continue passeando e se divertindo, estou remarcando todos os seus compromissos. Tenho dito que você viajou por recomendações médicas. Tem dado certo. Agora, trate de aproveitar bastante.".

"Estou aproveitando! Se pudesse, ficaria um ano viajando por aí!"

"Ora, volte e planeje logo a próxima viagem.".

"Já estou planejando! Logo logo iremos às ilhas gregas."

"Excelente escolha. Você vai gostar, são maravilhosas. Agora, sem querer estourar sua bolinha, quero te avisar uma coisa: abra seu olho com Lucius."

Astoria ficou preocupada.

"O que houve? O que foi que ele disse?"

Charlotte, escolhendo as palavras para não assustar a amiga, explicou:

"Quando fui lá noutro dia buscar alguns papeis na ourivesaria, ele jogou algumas indiretas a seu respeito. Porém, depois voltei lá outras vezes e ele não disse nada. Perguntou se eu tinha notícias suas, mas não fez nenhum comentário maldoso. Tenho certeza de que tem algo passando por aquela mente do mal.".

Astoria ficou um tanto preocupada, mas Charlotte a tranquilizou:

"Não pense nisso agora, não deixe aquele cretino estragar sua viagem. Quando voltar, você lida com ele. Só quis que você soubesse e ficasse atenta, para garantir que não iria ser pega de surpresa por alguma maldade. Ele não deve estar nada feliz por ter sido desafiado por Draco, mas está fingindo que está tudo bem. Fique esperta.".

"Obrigada, Charlotte.".

Charlotte encerrou a transmissão no exato instante em que Draco saiu do banho, preocupado com o voo que os levaria de volta para a Europa.


Paris. A cidade do amor. A capital francesa, à espera dos casais românticos e apaixonados.

Não era a primeira vez que Draco e Astoria visitavam a Cidade Luz. Foi na cidade que passaram sua lua de mel, quando ainda eram quase desconhecidos um para o outro. Quando Draco deu a ideia de voltarem lá, Astoria ficou felicíssima.

Ao chegarem à cidade, dormiram quase o dia todo, cansados da viagem.

No dia seguinte, saíram para visitar ou rever alguns lugares.

Astoria insistiu que fossem ao museu do Louvre. Draco não parecia muito animado a se entrosar com a cultura trouxa, mas Astoria o estimulou.

Já dentro do museu, pararam diante da Monalisa.

"Esta é uma das obras mais famosas feitas pelos trouxas, senão a mais conhecida. E foi feita na Itália! Não é linda?"

"É sim, muito bonita. E eu estou surpreso com seus conhecimentos, minha querida.".

"As aulas de estudos dos trouxas me ajudaram a desenvolver estes conhecimentos", ela respondeu sorrindo.

Apreciaram juntos todas as obras que puderam. Draco ficou impressionado com a quantidade de obras alusivas a guerras. Astoria explicava a ele tudo o que conhecia.

Após o passeio pelo Louvre, foram saborear algumas delícias nos cafés parisienses.

Ao anoitecer, visitaram a famosa catedral de Notre Dame. Após caminhar admirando a beleza do rio Sena, chegaram à imponente igreja, que visitaram com interesse.

Ao saírem, Astoria convidou Draco para ver o Marco Zero, o ponto de onde se iniciam as contagens de quilômetros das estradas parisienses. Porém, o interesse dela era outro:

"Segundo a superstição dos trouxas, se alguém pisar neste ponto, retornará um dia a Paris. Eles também acreditam que os pedidos feitos aqui se realizam algum dia".

"Acreditam muito nesta coisa de fazer pedidos, os trouxas, não?"

"É, parece que sim. Vamos fazer um?"

"Outra vez? Já fizemos na Fontana de Trevi!"

"Vamos fazer mais um, oras. Podemos repetir os pedidos, quem sabe reforça a nossa sorte e eles se realizam?"

Draco sorriu condescendentemente. Então, ficaram de frente um para o outro e deram-se as mãos, tendo os pés tocando o círculo que tinha uma estrela circunscrita. Fecharam os olhos por alguns segundos, depois abriram os abriram e suspiraram. Então, se abraçaram. Draco achou graciosa a expectativa juvenil de Astoria de que aquilo poderia ajudar no que quer que fosse que ela estava pensando, e que ele desconfiava ser a mesma coisa que ele pensara, tanto ali quanto na Fontana de Trevi.

Chegaram ao hotel exaustos, já era noite em Paris. Tomaram um relaxante banho de banheira juntos, conversando sobre o dia.

Astoria estava sentada entre as pernas de Draco, recebendo muitos beijinhos no pescoço. Ele a abraçou, e ela pegou a mão esquerda dele e a encostou em seu próprio rosto, como se pedisse carinho. Ele a acariciou e ela sorriu.

Em um dado momento, Astoria distraidamente passou o dedo pela longa cicatriz no pulso esquerdo de Draco.

Ele a observou fazendo aquele gesto distraidamente. Então, disse: "Você realmente tem fascínio por isso aí, não?"

Ao perceber o que estava fazendo, ela parou e soltou o braço de Draco. "Me desculpe", ela disse, constrangida.

Draco acenou a cabeça em sinal afirmativo. Delicadamente, saiu de onde estava. Astoria pediu desculpas novamente, dizendo que não pretendera incomodá-lo e que não percebera o que estava fazendo. Ele a tranqüilizou, dizendo que não estava chateado. Sentou-se do outro lado da banheira e refletiu por alguns instantes. Então, começou a falar.

"Quando eu tinha 16 anos, meu pai foi preso por envolvimento com os Comensais da Morte de Você-sabe-quem", disse ele, que ainda não conseguia falar o nome de Voldemort.

"Foi um momento muito difícil para nós. Minha mãe ficou muito perturbada e eu simplesmente não sabia lidar com tudo aquilo. Eu tinha que apoiar a minha mãe, mas eu mesmo precisava de apoio."

"Então, Você-sabe-quem me chamou, pois tinha uma missão. Uma missão que me encheria de orgulho, ele disse. Algo que faria com que eu recuperasse a honra da minha família, que tinha caído em desgraça aos olhos dele."

Astoria ouvia atentamente, assustada: "E o que era?"

"Ele me deu a missão de matar Dumbledore.".

Astoria levou as mãos à boca, chocada.

"Ele me escolheu como um dos comensais da morte, e eu recebi a Marca Negra que os caracterizava. Eu achava que aquilo era uma prova de que eu era um grande homem", prosseguiu ele. "Me senti orgulhoso. Eu realmente achava que queria fazer aquilo. Porém, ao me dar conta do que tinha sido incumbido a fazer, comecei a me desesperar.".

"Eu não consegui terminar a missão, mas acabei ajudando. Ajudei os Comensais a entrarem em Hogwarts. Não posso dizer que não tenho as mãos sujas pelo sangue de Dumbledore".

Astoria o ouvia perplexa, sem tirar os olhos dele.

"Tive que permanecer do lado dos Comensais até a guerra acabar. Foi um período de muito medo, muito terror. E quando enfim terminou, ficou isto", disse ele, mostrando a cicatriz. "Este é o sinal de que eu tive uma Marca Negra. E, pode acreditar, não me orgulho disto".

Astoria ficou alguns minutos em silêncio. Depois disse, com voz trêmula:

"Jamais pensei que você tivesse sido um deles".

Ela saiu do banho, parecendo perturbada ao saber daquilo. Draco, preocupado, perguntou: "Isso muda alguma coisa para você? Entre nós, quero dizer?"

Ela respondeu, após um breve aceno negativo: "É só que é bastante perturbador saber.".

"Não tenho mais nada a ver com Magia das trevas", ele afirmou, como se esperasse aprovação.".

Ela acenou positivamente com a cabeça e saiu do banheiro.

Minutos depois, Draco apareceu e a encontrou sentada na cama, pensativa. Perguntou: "É tão incômodo assim saber dessas coisas do meu passado?"

"É um choque", ela respondeu. "Mas é passado. Só me dê algum tempo para digerir a informação, está bem?", pediu ela. Ele concordou. Arrumou-se e saiu do quarto, indo procurar uma bebida no bar, para que ela pudesse ficar sozinha por uns minutos.

Quando retornou, encontrou Astoria sentada no parapeito da janela, completamente encantada.

"Que diabos você está fazendo aí?", ele indagou. Quando ela olhou em sua direção, estava tão bonita com os cabelos úmidos e sua silhueta recortada contra as luzes que vinham de fora que ela mais parecia uma pintura.

"Estou vendo como esta cidade é maravilhosa. Veja! É linda! Tão iluminada que parece até que o céu está no chão.", ela disse, sem indícios da perturbação com as informações que recebera antes.

"Já esqueceu as coisas que contei?"

"Não", ela respondeu, grave. Depois, abriu um sorriso doce, que parecia sugerir cumplicidade: "Mas não vamos deixar o seu passado estragar o nosso presente, não é?"

Ela olhou pela janela e começou a falar sobre a lua, a cidade e tudo o que estava vendo.

Mas Draco não estava ouvindo nada.

"Você é tão linda", disse ele, "que parece uma pintura de Renoir".

Astoria surpreendeu-se:

"Ora ora, já está citando os artistas franceses? Vejo que esta visita está sendo produtiva.".

Sem dar atenção ao comentário, Draco se aproximou e abraçou-a pela cintura.

"Você está maravilhosa".

Astoria deu uma gargalhada gostosa, lançando a cabeça para trás. Então, olhou para o esposo e entoou suavemente os versos de uma famosa canção:

"Quand il me prend dans ses bras

Il me parle tout bas

Je vois la vie en rose

Il me dit des mots d'amour

Des mots de tous les jours

Et ça me fait quelque chose"

Ele beijou-a gentilmente, puxando-a devagarinho do parapeito. Ela enlaçou a cintura dele com as pernas, olhando-o com desejo. "Linda!", ele murmurou.

Draco a deitou sobre os edredons e travesseiros confortáveis na cama. Olhou-a nos olhos e admirou seu rosto sorridente e atraente. Então, desamarrou lentamente o robe que ela usava, revelando seu corpo perfeito, que pulsava desejando o contato com o dele, enquanto ela cantarolava:

"l est entré dans mon coeur

Une part de bonheur

Dont je connais la cause

C'est lui pour moi

Moi pour lui dans la vie

Il me l'a dit, m'a juré pour la vie

Et, dès que je l'aperçois

Alors je sens dans moi

Mon coeur qui bat"

Ele beijou seu pescoço, excitando-a. Ela se contorcia ao receber aqueles beijos sensuais, enquanto suas mãos desajeitadamente tentavam tirar a roupa do esposo.

Draco se livrou das próprias roupas, e depois fez um carinho singelo no rosto da esposa. Ela sorriu. Ao mesmo tempo em que estava ansiosa para sentir Draco, estava gostando dos modos mais comedidos que ele estava demonstrando. Ele acariciou levemente seus seios, comtemplando a beleza de sua anatomia. Então, posicionou-se sobre ela delicadamente, e acariciando seu rosto e seus cabelos, disse suavemente: "Vou te amar como se fosse a nossa primeira vez".

Ela sorriu, respirando rapidamente, pronta para receber o corpo dele no seu. E ele a penetrou lentamente, delicadamente, como se ela fosse frágil tal qual uma escultura de cristal. Astoria sentia aquele corpo quente e sensual junto ao seu, indo e vindo sem pressa, e seus gemidos se misturavam aos dele naquela noite estrelada. Pela janela, via-se a Torre Eiffel, emoldurando aquele momento.

Draco viu o rosto de Astoria se transformando, indicando que ela se aproximava do máximo do prazer. Sem tirar os olhos daquela face adorada, intensificou seus movimentos, e em poucos segundos viu aquela expressão tão sensual, indicando que ela sentia o prazer em sua plenitude. Então, ele deu passagem ao próprio prazer, entregando a ela a essência de sua masculinidade. Ela gemia baixinho e tremia em seus braços, enquanto ele saboreava o som, o toque e o cheiro dela.

Permaneceram por vários minutos abraçados e em silêncio, deixando a atmosfera de paixão suspensa no ar.

Enquanto seus batimentos cardíacos voltavam ao normal, Draco pensava no quanto seria bom se o pedido feito no Marco Zero se realizasse.

Entrementes, Astoria se aconchegava ao peito do esposo, sentindo-se muito amada, muito especial. Talvez fosse a atmosfera parisiense ou, quem sabe, o resultado de ela e Draco estarem tão sintonizados por passarem tantos dias se dedicando um ao outro... Ela não sabia dizer. O fato é que, naquela noite, alguma coisa parecia diferente. Ela se sentia diferente. E embora não soubesse dizer do que se tratava, sentia que a partir daquele momento, sua vida e a de Draco não seriam mais as mesmas.


Nota da autora:

Oi!

Desculpem pelo atraso na entrega do capítulo! Semana corrida e baixo astral... Mas estou postando agora,depois de varar a madrugada escrevendo, para não pensarem que estou começando um novo hiato de dois anos. * vergonha eterna*

Quero pedir desculpas caso alguma leitora portuguesa odeie a parte em que falei de Portugal...rs. Aceito correções,está bem?

As canções citadas são, respectivamente: Imbranato (Tiziano Ferro), Caruso (Lucio Dalla) e La vie in rose (Edith Piaf). Ouçam! São antigas, mas maravilhosas!

Pessoa linda que tem deixado reviews, me conte seu nome e de onde você é!Sou curiosa!Gostaria de responder me dirigindo a você,rs!Respondendo à sua review: acho que quase todo mundo imagina o Lucius como um sogro insuportável,né? Sei lá, ele me parece o tipo de homem que sempre acharia que nenhuma mulher estaria à altura de seu precioso filho... Ah, e o "meu" Draco é assim mesmo, amor e ódio,tem horas em que ele é fofo e tem horas que dá vontade de matá-lo. Essa instabilidade emocional acontece, em parte, porque na própria história original (Harry Potter,é claro) a gente vê que ele não funciona sobre pressão. E aqui na fanfic, o fato de ele não saber lidar com o amor que sente pela esposa o coloca sob pressão,aí...já viram,né? :P

Scorpius? Ah, pois é... O Scorpius... (Disfarça).

Bom,espero que tenham gostado do capítulo!

Por favor, quem estiver acompanhando a história, manda review,vai! :*

Até o próximo!

Padma Raven

Ps.: Achei uma fanfic curta e bem fofinha do nosso ship querido, e estou deixando o link para vocês: www[ponto]fanfiction[ponto]net/s/10529383/1/Minha-Ast%C3%B3ria (Substitua o [ponto] por um pontinho).

Quem escreve fanfics e tiver interesse em participar de um grupo no Facebook, procura lá: Potter Press-Fanfics do universo Harry Potter. :) Quem só gosta de ler pode participar também, mas por enquanto ainda não tem nada no acervo (quer dizer, tem uma fic minha, mas é só para ilustrar o uso do grupo. rsrsrs)

Beijos!