Título: Coisa de adolescente
Autor: Kaline Bogard
Seção: Harry e Draco (Aka Pinhão)
Item usado: Chocolate
Ele nunca tinha ficado tão nervoso em sua vida antes.
Mas, é claro, nunca tinha feito nada parecido antes...
Passou a língua pelos lábios ressecados. Observou a entrada da livraria. Pensou em desistir. Olhou novamente. Passou a língua sobre os lábios secos.
Balançou a cabeça irritado pelo ritual.
Ele já tinha catorze anos! Como podia agir como um garotinho? Cadê sua coragem...?
E, pensando bem, desde quando ele tinha coragem mesmo? Era melhor voltar pra casa e...
Não!
Vinha planejando aquilo por dias. Semanas até. Não recuaria... podia fazer e sair correndo depois.
E nunca mais voltar a livraria, evidentemente.
Com o coração aos saltos e um gosto amargo na boca resolveu fazer logo de uma vez. Marchou até a loja e entrou.
Lá estava ele, o moreno dono dos olhos verdes mais lindos que Draco se lembrava de ter visto na vida. Potter era o sobrenome do rapaz que atendia na loja. E só sabia o sobrenome dele, nada mais.
Fato que não impedia sua paixonite de ficar cada vez mais forte.
Por um segundo Draco pensou em ir para as prateleiras de livro fingir que procurava algum exemplar. Ao invés disso, quando deu por si, caminhava rápido até o balcão, atravessando a loja e chamando atenção do rapaz para si.
Potter sorriu ao reconhecer um dos freqüentadores mais fieis da loja.
– Bom dia! – cumprimentou ajeitando os óculos no nariz. Sobre o balcão jazia um exemplar aberto de histórias em quadrinhos.
– Bom... bom... dia! – Draco gaguejou irritado por parecer idiota na frente do outro.
– Veio procurar um presente? – perguntou solicito por ser dia dos namorados. Se o loirinho estava ali naquele dia podia significar que queria comprar algo de última hora.
– Não... não... – Draco gaguejou de novo, respirou fundo enchendo-se de coragem, então colocou sobre o balcão o bombom que trazia escondido numa das mãos – FELIZ DIA DOS NAMORADOS!
E saiu correndo sem esperar a resposta para o ato atrevido.
Draco correu muito. Como nunca se lembrava de ter corrido na vida. só parou pra tomar fôlego ao virar duas esquinas e se considerar razoavelmente seguro. Então encostou-se numa parede, sentindo as pernas bambas e o coração galopante.
Não poderia voltar à livraria por um bom tempo, pois iria morrer de vergonha. Mas tinha valido a pena. Tinha valido muito a pena!
